O jogo de espelhos

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Imaginemos que em 2016, um partido de extrema direita, que já devia ter sido ilegalizado, os seus membros processados criminalmente e presos, decide utilizar uma estratégia de auto-promoção das suas ideias, decide desestabilizar o actual governo e decide desgastar o actual regime democrático (goste-se deste regime ou não se goste…).

Imaginemos que para o fazer decide implementar uma estratégia manhosa e de choque  usando força para provocar publicamente e procurar estender uma armadilha ao campo da esquerda política com o objectivo de fomentar uma divisão política e ideológica dentro desse sector.

Uma manifestação de apoio aos direitos dos emigrantes é convocada por uma conveniente e útil (útil no sentido de idiotice útil…) associação de defesa dos emigrantes e dos seus direitos ou falta deles. Imagine-se que  – casualmente – a manifestação vai passar na frente da sede de um partido político residual, que se auto promove como sendo um partido de esquerda embora verdadeiramente não o seja.

Imagine-se que, premeditadamente, o partido de extrema direita que já deveria ter sido ilegalizado há muito tempo, os seus membros processados criminalmente e presos decide ir protestar (isto é, fazer desacatos e utilizar uma táctica própria das milícias paramilitares baseada na intimidação física e psicológica) no sitio onde estão a decorrer as manifestações.

Curiosamente, no mesmo dia da manifestação pró imigrantes este partido residual dito de esquerda decide fazer uma “sessão de esclarecimento” sobre os perigos do trumpismo.

Para o partido de extrema direita a sopa caiu (convenientemente) no mel. Decidem ir “debater” na sede nacional do partido residual, o tema da emigração, onde, também, inteiramente por acaso, a manifestação irá a passar…

As pessoas do partido residual,  recusam que lhes invadam a sede para “debater”, chamam a polícia e a partir dai surgem os desacatos.

O partido residual serviu como cavalo de troía (resta saber se propositadamente ou por ingenuidade… ) desta estratégia.

Com a conivência da imprensa – uma parte dela tem ligações à extrema direita embora finja que não – a extrema direita portuguesa ganhou notoriedade.E escolheu dar notoriedade a um grupelho específico do outro campo…

O objectivo seria a geração do facto noticioso “artificial” para justificar que o partido residual que organizou a manifestação teria sido atacado e que esse partido seria um suposto adversário perigoso das ideias da extrema direita em Portugal. Após divulgação desta epopeia épica que (1) dá simultaneamente “direito de antena” ao partido residual e (2) aos cro-magnons que acham que são mais patrióticos que o resto da população, o partido residual é sinalizado para a opinião publica como sendo as vitimas dos ogres e, simultâneamente, os corajosos combatentes pela liberdade.

O verdadeiro objectivo divide-se em duas partes :(a) tentar legitimar aos olhos da opinião publica este partido residual como sendo uma força política considerável (b) e tenta promover a divisão no campo da esquerda política.

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Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda?

Quando a blogosfera portuguesa estava efervescente vários blogues da esquerda espelhavam-se em vários blogues da direita (e vice versa) com constantes discussões e supostos debates.  O resultado prático desta luta era o aumento das audiências de ambas as partes (estas especificas partes) e o arregimentar de pessoas para ambos os lados, com o enorme beneficio destes pequenos grupos que assim pareciam maiores em numero e influencia do que efectivamente são.

A lógica aqui seguida é a mesma, tentando ser transportada para o espaço comunicacional e contando com a evidente ajuda da imprensa e dos outlets de comunicação social, que promovem à vez estes grupelhos.

Nos blogues, alguns blogues ditos de direita foram suportados e apoiados até deixarem de ser necessário (o trabalho sujo já estava feito, pessoas chegaram a negócios e a lugares de deputado…) e passou-se directamente para a área da comunicação social com blogues travestidos de jornais.

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda, precisamente quando este está completamente vazio, eleitoralmente e politicamente, destituído de significado e no fundo do poço??

Numa táctica de dividir para reinar, a extrema direita portuguesa, ou melhor dizendo, os neo straussianos entre eles, aplicam tácticas rudimentares de promoção dos hipotéticos adversários simpáticos  que querem no futuro ter.

Numa táctica perigosa de procurar auto capitalizar ajudando a promoção dos inimigos da democracia, o partido residual timidamente protestou, enquanto que nas suas próprias páginas do facebook, demonstrava aos seus militantes quão corajosa era a direcção do partido por ter feito frente aos “maus” da extrema direita.

Eles espelham-se.

Por conveniência mutua.

Por tacticismo.

Recusando ser a irmandade de Nemésis apoiante formal de qualquer um dos dois campos (esquerda e direita) cabe no entanto chamar a atenção, para os inimigos exteriores de todos; os quintas colunas que se sentam à mesa do regime democrático, e usam os lacaios para atacar todos os que nele estão integrados, bem como chamar a atenção para os colaboracionistas.

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Como a opus dei chegou onde queria chegar (à Cgd) e os partidos políticos portugueses permitiram

Em Portugal, quem é colocado fora do acesso aos benefícios do sistema político, social e económico português tem uma identidade. Essa identidade económica, política e social e partilhada com todos os outros membros da sociedade que estão na mesma situação, quer pareçam ser pessoas colocadas num patamar económico acima, quer não o sejam efectivamente.

O desempregado branco dos subúrbios, o exilado rural que vive perto da indigência na província, o precário urbano que coexiste entre apelos pueris que o fazem pensar que é pós moderno e o desemprego de recibo verde mascarado de emprego dinâmico e moderno estão todos no mesmo barco.

A profissão liberal ou publica na área tecnica como o professor ou o médio quadro bancário estão todos no mesmo barco. O trabalhador emigrante indocumentado e o emigrante documentado oriundo de locais bizarros também está no mesmo barco.

Julgam que não, mas estão.

Importante: as elites de poder portuguesas investem muito tempo e dinheiro a mascarar e iludir estas pessoas e os problemas sociais políticos e económicos que existem.

Importante: uma certa forma peculiar de corrupção é mantida e aperfeiçoada pelas elites de poder portuguesas, que investem no controlo de muitas pessoas feito por um numero relativo de poucas pessoas.

Importante:  esta milícia de tipo casta é perigosa para todos e altamente corrosiva.

Importante: deve-se evitar deixar chegar estas pessoas a lugares de poder e responsabilidade, especialmente na esfera pública.

Na caixa geral de depósitos, banco 100% público os partidos políticos chamados PSD e CDS – meras extensões da oligarquia corrupta e decadente que queima lentamente Portugal, apostaram na política de terra queimada.

Lamentavelmente quem diz que se lhes opunha favoreceu isso.

Colocados perante a oportunidade de quebrar o controlo, nada fizeram.

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Quando no governo, (2011-2015) o PSD e o CDS permitiram que existisse uma política de desvalorização do banco, com o objectivo de:

a) baixar o preço para o potencial comprador;

b) justificar privatizar;

Quando comprasse, o potencial comprador herdaria o direito de cobrar os créditos que a Caixa tem sobre dividas de terceiros.

O Estado português tem mais de 100 mil milhões de euros em dividas à CGD.(*)

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( * dados da infografia correspondem ao ano de 2013. )

Quem comprasse, mal o fizesse iria exercer o seu direito a cobrar.

Um justificação perfeita para um governo em funções ( um governo PSD-CDS…) justificar cortes de despesa pública e aumentos de impostos.

Em 2015 a paisagem do cenário mudou (o cenário é o mesmo, infelizmente…) e uma nova experiência política começou a governar.

Esta definiu que:

a) era necessário recapitalizar a CGD;

b) sanear as contas do banco e admitir perdas;

c) racionalizar a gestão (despedir pessoas) e fazer com que o banco voltasse a financiar empresas e particulares, dado que a ” boa gestão” dos privados feita em anos passados nos seus próprios bancos resultou em estarem impossibilitados de fazer tal… actualmente…

Os representantes dos oligarcas (PSD-CDS) perceberam o perigo. E movimentam-se para impedir que a recapitalização da caixa (4 mil milhões de euros), que serviriam na sua grande parte para por dinheiro a circular e reactivar a economia especialmente nas pequenas e medias empresa fosse parada.

Sabem que se isso arranca, não voltam a chegar ao poder antes de 10,12 anos.

Isto é patriotismo de alto coturno.

Inicia-se o bloqueio, sobre a nova administração. Contando com a preciosa ajuda de todos os partidos incluindo o que está no governo.

Qual a solução, se a administração não fosse empossada como veio a suceder?

Uma nova administração inatacável.

E recusa-se ou não se sabe, arranjar uma administração inatacável.

Do outro lado, manipula-se através dos seus lacaios na imprensa para colocar na CGD, um membro da Opus dei.

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a Cgd..

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a CGD…

Com o novo candidato Paulo Macedo os velhos argumentos de que:

a) o ordenado do gestor principal da casa era demasiado alto

b) tinha destruído o SNS e feito um péssimo trabalho como director geral de impostos;

já não se aplicam.

Vários partidos políticos fizeram uma guerra sobre os rendimentos para afastarem o outro tipo e a solução é … Paulo Macedo…? A solução é  … a Opus dei…?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Mark Blith, economista escocês, deu uma entrevista em que criticava o SNP escocês, o partido que defende a independência da Escócia em relação ao Reino Unido.

Aquando dos resultados do brexit, o SNP queria demarcar-se politicamente dos resultados, porque eram contra os problemas eventuais que a saída da UE iria criar a Escócia pelo facto de a Inglaterra sair.

Mark Blith contrapunha e argumentava que a posição do SNP era “absurda” . Mas eles acham mesmo que ficam melhor com a austeridade do Sr Schauble?

Por contraposição à austeridade dos ingleses?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Fazer uma guerra acerca da nomeação de António Domingues para a CGD e obter a renunciai deste, para ser substituído por Paulo Macedo, membros da Opus dei é melhor…?

A apresentação de rendimentos e o alto ordenado do novo gestor da CGD já não constituem condição impeditiva para este ocupar o cargo…?

Mas eles acham mesmo que ficam melhor com o Sr Macedo na CGD….?

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Qual o significado real disto?

A maquinaria conhecida como “Geringonça” acabou, no momento em que esta sinistra personagem ocupou o cargo de gestor principal da CGD.

Com esta decisão?!?! o poder de controlar tudo na economia portuguesa foi dado de bandeja à pior organização de oligarcas à qual podia ter sido dada.

Esta decisão tem enormes repercussões e algumas delas são completamente invisíveis. O que o sector Opus dei sempre quis ter foi o controlo do dinheiro e o “controlo da informação” que lhes é providenciado pelo acesso ao que é a informação financeira que a CGD contém.

Mas o Sr Macedo vai congelar o investimento na CGD?

Em vez de congelar o investimento na CGD, o Sr Macedo vai fazer exactamente aquilo que o governo e o os partidos todos querem que seja feito.

Paralelamente vai adquirir toda a informação sobre o que a caixa é; a quem concedeu credito e onde se movimenta comercialmente. Essa informação será do conhecimento da Opus dei e dos seus amigos. Um fotocópia da economia e da sociedade será tirada. Isto virá a facilitar ainda mais o controlo de quem pode vir a ser rico ( os da cor…) e quem não pode.

Mais à frente, os que virão a ser excluídos serão quem é pobre ou quem  recusa alinhar com a corrupção.

Todos colaboraram com isto.  A Irmandade de Nemésis não e a Irmandade não perdoa nem esquece.

A elite de poder portuguesa vs a classe dominante

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERUm antigo dizer postula que o melhor truque que o Diabo alguma vez fez foi o de convencer todos que não existia.

Quanto ao Diabo desconhecemos a veracidade deste antigo dizer.

Mas estamos certos que o melhor truque que a elite de poder portuguesa alguma vez fez foi o de convencer os membros da classe dominante que estes eram efectivamente membros da classe dominante e que ambos os estratos sociais eram unos e dominavam em conjunto.

Uma classe dominante é um miserável apêndice, bem vestido e bem lavado, atarrachado com parafusos sociais oleados a hipocrisia e cinismo, a uma elite de poder. Ambas parecem o mesmo, mas a verdadeira natureza de ambas é inteiramente diferente.

Uma classe dominante aparenta possuir características semelhantes às da elite de poder: imenso dinheiro quando comparada com a restante população, eventualmente fama ou prestigio, poder pessoal ou profissional, aparente notoriedade, projecção de imagem de poder, imagem social de distinção.

Devido a estas características aparentemente semelhantes, a classe dominante é convencida pela elite de poder a entrar em modo “auto ilusão”, quer por iniciativa rastejante própria, quer porque foi educada pelos auto nomeados mestres do sistema a sentir-se assim e a convencer-se que é verdade.

Parecem todos o mesmo; não o são efectivamente.

E quando a capacidade para promover destruição que a elite de poder possui levanta a sua feia cabeça, a classe dominante é posta na sua verdadeira dimensão e manda o mesmo que a generalidade da população assim não reconhecida como tal: pouco ou nada.

Meramente nada.

O objectivo deles: promover  " isto" e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção "disto".

O objectivo deles: promover ” isto” e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção “disto”.

 ⇒ Quem possui o poder real e verdadeiro é a generalidade da população.

Um poder formidável que, por culpa e desleixo próprio e porque é educada desde o berço a esquecer-se de quem verdadeiramente é, a generalidade da população não reconhece  como existente, nem reconhece isso em si.

Acaso a generalidade da população tenha vislumbres desse seu poder, hesita em reconhecer isso em si, e raramente age.

Os beneficiários e incentivadores desse esquecimento são os que exercem uma influencia insidiosa com o objectivo de ajudarem a controlar melhor as pessoas e impedi-las de reclamar aquilo que é seu e aquilo a que tem direito: emancipação e autonomia.

 ⇒ A classe dominante julga-se quase o inverso.

Julga mesmo que manda verdadeiramente em alguma coisa e julga mesmo que tem mais poder do que na realidade tem. Verdadeiramente, são apenas servos com mentalidade de micro déspotas, apenas mais bem pagos (um pequeno preço a pagar pela corrupção subserviente que desta gente deriva, mas que a elite de poder não se importa de pagar, dados os beneficios enormes que dai retira… ), mas que apenas circulam e estão ao  dispor dos caprichos da elite de poder e dos seus verdadeiros desejos.

A classe dominante passa anos, décadas, séculos a servir os propósitos da elite de poder. No fim é igualmente traída e abandonada à sua sorte quando a elite de poder destrói recursos e possibilidades e as consequências disso mesmo se tornam demasiado visíveis.

Roma não paga a traidores nem aos que assassinam os seus generais”.

Quintus servilius Caepio, General romano.

É por este adágio que a elite de poder vive, e pelo qual a classe dominante morre.

A propósito desta caixa de comentários.

A classe média e a quinta coluna

O modelo de sociedade que ainda hoje nos guia é essencialmente uma relíquia do estado pós primeira grande guerra, o voto universal, os serviços também universais, a paz com objectivo… tudo pagamentos feitos ao homem comum por uma aristocracia (terratenente, industrial e cada vez mais financeira) que sentiu o seu poder a falhar pela primeira vez em quase cinco séculos. O sangue que correu em Ypres, no Somme e em Verdum foi demasiado para apagar da memória. Os mortos para além de qualquer justificação. A sanidade mantida apenas a custo de um pulso pessoal forte perante a loucura do mundo. Regressou uma geração quebrada, cheia de fúria justificada contra o embuste de que foram vítimas durante quase cinco anos. Foi o apaziguamento das massas. Pelo menos das que saíram da guerra do lado vencedor. Agora não temos guerra, tirando em sítios distantes que a maioria não saberia apontar num mapa, cujos líderes se desconhecem e com costumes para os quais as pessoas se estão nas tintas. Não temos também um grande inimigo em quem concentrar os nossos terrores e manter as nossas elites na linha. A espada de Dâmocles que foi a União Soviética foi quebrada. Ao fim de um século os princípios geradores da nossa ordem social estão a dar de si. As razões para a nossa organização económica e política a desaparecer e as nossas elites já se encontram em movimento para se reorganizarem de acordo com as novas regras que elas próprias podem voltar a ditar sem interferência. Ao fim de um século o cidadão perdeu de novo a guerra.

As guerras da "landed gentry".

As guerras da “landed gentry”.

 O processo começou no dia que o muro de Berlim caiu. A última ameaça credível às elites ocidentais estava morta. As potências comunistas depressa seriam desmembradas e absorvidas no sistema-mundo de forma particularmente vingativa e punitiva (como não se fez com a RFA em 1949 diga-se). A partir deste momento o regresso de alguns elementos à vida Europeia, talvez mundial, seria inevitável. O desemprego estrutural (um nome pseudo técnico que visa tapar a realidade: desemprego permanente) estava destinado a regressar. Ao fim de duas décadas cá está ele. Em larga escala como não era visto desde a ascensão do fascismo, e com mais ou menos os mesmos efeitos. Ao criar uma situação irresolúvel para milhões de pessoas está-se a desintegrá-las da sociedade que fazem parte. A partir desse momento saem de um circuito e entram noutro, que apesar da vulnerabilidade acrescida e miséria tem também menos limites e fornece menos razões para alguém se conformar com imposições exteriores. Ao contrário dos Bourbon, que apesar de nada esquecerem nada aprenderam, as elites europeias aprenderam e sabem, pelo menos em parte, as consequências das suas acções. Não é por acaso que surgem propostas de militarização crescente das forças policiais. Não se trata apenas de recompensar o único corpo paramilitar (com a excepção da polícia política) que permaneceu fiel ao antigo regime de 73. É o reconhecimento que a partir deste momento haverá duas tarefas. Lidar com os cidadãos (que mantêm empregos e são “respeitáveis”) e o que em breve receberá o nome de “escumalha” (desempregados permanentes completamente desintegrados que vivem numa realidade quase paralela). A primeira tarefa requer algum tato e a segunda apenas repressão.

Sem equilíbrio de poderes…

Sem equilíbrio de poderes…

Apesar de terem existido recentemente algumas manifestações de grande dimensão temos causa para perguntar porque é que estamos perante um processo que parece em grande medida silencioso. A resposta é um segredo social sujo. Os portugueses empregues e que se encontram a salvo do pior estão prontos a aceitar esta versão dos acontecimentos e a nova realidade que os acompanha. Daí preferirem ignorar tudo o que se passa à sua volta e prosseguirem o seu estilo consumista e alienador. Não querem lidar com política (coisa que aliás pensavam que estava morta). Não querem lidar com o lado negro da sua realidade, isso só acontece aos novos sub-humanos que, começam a acreditar, são realmente inteiramente responsáveis pela sua sorte. Os “debates” públicos (não merecem esse nome porque as conclusões já foram retiradas antes de uma só palavra ter sido proferida) centram-se em encontrar responsáveis individuais pelos “azares” do país num padrão amplamente reconhecido como a busca por bodes expiatórios para obter paz social – afinal os culpados terão sido punidos. Mas ignorada, porque é demasiado volumosa e útil ao novo sistema que começa a emergir, está a verdadeira quinta coluna. A classe média que resta que pensa que irá sobreviver a tudo e está disposta a vender os seus vizinhos pela promessa de “protecção” e mais alienação.