Os jornalistas portugueses são os guardiões da manipulação. É isto que as elites querem; nós devemos recusar

“The masses have never thirsted after truth. They turn aside from evidence that is not to their taste, preferring to deify error, if error seduce them. Whoever can supply them with illusions is easily their master; whoever attempts to destroy their illusions is always their victim.”

~ Gustave Le Bon

No inicio, foi a revolução de 1974. Dai em diante, o trabalho dos jornalistas portugueses deveria ser o acto de fazer jornalismo livre e independente de censuras, quer  privadas, quer de controlos estatais, políticos e económicos, de assegurar o pluralismo da informação; assegurar que todas as opiniões (o maior numero possível…) seria veiculado para todos que quisessem  ou estivessem interessados em as escutar, comprar, adquirir, debater.

Após o inicio, inúmeros entusiastas neófitos a par com os meios de comunicação social já pré existentes e que vinham da ditadura onde existia censura ao que produziam; criaram novos meios de comunicação, especialmente jornais, já libertos de uma censura mantida pela ditadura que vigorou em Portugal até 1974.

Depois do inicio e em força desde 1985, especialmente os jornais, começaram a tornar-se “empresas de jornalismo” e com o licenciamento/abertura de canais privados de televisão e licenciamento de novas rádios, metamorfosearam-se em projectos empresariais que sobrepunham os interesses económicos (o lucro) aos interesses de fazer jornalismo, afastando para o lado todo o pouco pluralismo existente nesta sociedade.

Com a maturação de um sistema inicialmente pensado para todos e que gerava conhecimento e jornalismo para todos, passou-se a um sistema corporativo e fechado. Fusões de empresas de comunicação sucederam-se. Gerar empresas cada vez maiores era o objectivo, com mais lucros, mas menos jornalistas e nenhum pluralismo.

O comissário político/económico disfarçado de jornalista sobrepunha-se (sobrepôe-se) ao jornalista propriamente dito.

E chegámos ao “mercado” concentrado, não plural, oligopolizado e cartelizado, de qualidade hiper medíocre, em que os poucos jornalistas dissidentes que queiram mesmo fazer jornalismo são impedidos de o fazer, convidados a sair, colocados na posição de auto censura, ou arrumados numa prateleira para não perderem o emprego. Se o perderem,  estando no lugar ” x”, por dissensão de opinião, apenas existem mais dois ou 3 grupos  de meios de comunicação social onde poderiam trabalhar.

Este protótipo de jornalistas dissidentes acima descritos é ultra minoritário, uma pequena espécie autóctone.

O sistema foi armadilhado e funciona apenas para as elites (“Elites” entendidas no sentido mais depreciativo do temo que seja possível…).

Com os novos donos a ocupar o lugar os actuais bonecos de palha foram encarregados da aplicação das narrativas que beneficiam elites. Essa narrativa é ortodoxa e transformou as criaturas que nos são apresentadas como jornalistas nos  “guardiões da ortodoxia”.

Estes novos cortesãos servem diligentemente e com brio.

Contudo, debaixo de uma capa de sofisticação, são apenas instrumentos rombos, pintores de construção civil que colocam mau estuque manipulativo; aplicadores de camadas de cimento propagandístico que escondem a brutal realidade do neoliberalismo aplicado a esta sociedade, das enormes injustiças nela praticadas, que branqueiam e escondem os danos de um regime podre e decadente e que nenhum aspectos de democracia (tirando a fachada)  tem.

Na numismática exige-se patina às moedas. Neste ecossistema maligno trabalha-se em prol da colocação de uma patina de brilho sobre as figurinhas ridículas da instituições e (acessoriamente) exalta-se sempre que possível as virtudes da tribo da direita política.

(Em Portugal, existe a originalidade de só esta agremiação de cretinos da tribo da direita política ter direito a ser branqueada de forma permanente; já a tribo da esquerda politica é sempre vilipendiada excepto quando interessa branquear facções dentro da mesma. Surge o clássico “dividir para reinar” aplicado sobre a tribo da esquerda política, para a impedir de chegar ou manter o poder. Uns grupos são exaltados em detrimento dos outros e no próximo turno, a outra facção da tribo da esquerda política será branqueada no próximo ciclo politico. (Merecem-se todos uns aos outros…)

(As elites de poder que vivem nas sombras divertem-se a incentivar este jogo.)

As elites políticas, sociais, económicas portuguesas são extremamente limitadas.

A sua programação limitada interna contém apenas uma instrução dividida em duas partes.

(A) Só se deve defender os seus próprios interesses e os dos amigos.

(B) tudo o resto deve ser ignorado.

As consequências deste pensamento pobre e limitado são obvias.

Ignorando tudo o resto, resta-lhes apenas conseguir interagir umas com as outras (endogamia social oblige…). Como as instruções de programação não dão para mais, ficam sempre surpreendidas e espantadas com o nível de ressentimento, revolta e alheamento que a generalidade da população sente.

Escudados por zonas francas de bem estar, físico, psicológico e económico, quer nos locais selectos das periferias das cidades ou nos centros principais das duas maiores cidades, o resto da população só é autorizado a entrar se for lá para trabalhar nas limpezas da porcaria que esta gente produz diariamente ou para servir cafés.

Os seus núncios jornalistas comissários da propaganda tem instruções para ignorar, e/ou ocultar e/ou manipular percepções quer o problema ocorra a 15 km de distancia ou numa aldeia remota. Sucedendo algo,  os seus núncios comunicacionais televisivos regurgitam uma verborreia inchada de teorias peregrinas acerca do que aconteceu – um dia antes nem sequer faziam ideia ou tinham sequer ouvido falar do que aconteceu.

Se e quando existe algum pico de contestação mais sério, acalmam aqueles que consideram e tratam como inferiores (95% da população), recomendam paciência, calma, ponderação e responsabilidade, incentivam a que trabalhem muito e pedem que se demonstre confiança no sistema armadilhado e no regime que temos (um regime subvertido por neoliberais e por elementos da extrema direita que fazem turnos para ver quem faz mais estragos..) prometendo final a cereja no topo do bolo: que as coisas ficarão bem e serão resolvidos problemas.

Esta narrativa tem “tendências” cíclicas. Actualmente a narrativa para acalmar o ressentimento latente baseia-se nos discursos do  “culto do empreendedorismo”, na “ética do pluralismo político”, na “cultura do mérito” , na “ascensão social para todos”, na ” confiança nas instituições”.

Também se baseia em apelos constante à união: temos que nos unir, dizem-nos e chegar a “consensos”. (Consenso, neste contexto, significa  baixar a cabeça e fazer o que as elites de poder querem…)

Um produto inexistente é constantemente promovido através do uso de mantras, de spots publicitários, de repetição constante de falsidades.

A realidade é outra.

As elites portuguesas continuam a oferecer soluções estúpidas.

Como são estúpidas só conseguem isso.

Move along, nothing to see here…

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

Como o sistema português é modelado a partir do sistema americano de corrupção percebe-se que as coisas funcionam como um clube.

Todos os membros do clube, “entram em consenso” acerca da escolha dos candidatos que irão ocupar os lugares institucionais, profissionais, das ” zonas de conforto”.

Todos juntos, todos amigos, todos incompetentes, todos a viver numa redoma. (Observe-se a escolha de todos os candidatos à eleição para a câmara municipal de Lisboa nas recentes eleições autárquicas… competindo todos entre si para correr mais depressa em direcção à mediocridade…)

Incrustada a essa redoma disposta como massa de vidraceiro que colou mal, e está lá dependurada á espera que o tipo das obras venha novamente reparar correctamente o vidro,  estão os jornalistas cortesãos portugueses.

Aconchegados junto dos círculos, triângulos e octógonos de poder ,“Embebidos”, os jornalistas atingem o orgasmo comunicacional que Marshall Mcluhan lhes prometeu quando afirmou que “o meio é a mensagem”.

Por viverem todos no mesmo  “ambiente”, dia após dia, ano após ano, jornalistas e políticos por exemplo tratam-se por tu… e após algum tempo todos adoptam inconscientemente (muitos fazem-no conscientemente que nesta profissão existe um enorme desejo e dedicação à prostituição intelectual…que paga bem… ) os mesmos conjuntos de valores.

Geograficamente, habitam nas mesmas zonas livres de pobres/classe média, próximos dos outros e frequentam os mesmos ambiente suburbanos e as mesmas festas sociais…

Afinal de contas, são todos da mesma “classe”

É a total perversão do que o jornalismo deveria ser. Toda a imprensa deveria posicionar-se “de fora”,  vigiando os de dentro e recusando identificar-se psicologicamente com os “círculos do poder”.

É uma ” experiência partilhada com os “insiders”, assim se auto justificam…para aplacar eventuais remorsos sentidos…

Surge um negócio paralelo narcisista-capitalista. Os novos jornalistas – cortesãos criam personalidades publicas, marketizam-se como celebridades, manufacturam emoções, as próprias e as dos terceiros que estão a promover.

A política e a sociedade são irrelevantes, somente as artes negras da propaganda irão ser usadas para influenciar o comportamento dos cidadãos e em quem votam.

Deixou de ser cidadania e passou a ser uma estratégia comercial. Os subprodutos são óbvios: quando se trabalha num tal ambiente inconscientemente/conscientemente estas pessoas tornam-se facilitadores de qualquer estratégia comercial, oriunda da elite de poder ou associados.

As ideias que podem ser debatidas pela sociedade são cuidadosamente seleccionadas, as que não devem ser questionadas são ocultadas ou remetidas para o esquecimento. Os jornalistas são os “guardiões da ortodoxia”, da nova ortodoxia. Criam um novo tipo de véu de tirania intelectual, social e política semelhante a que foi imposta no passado pelo fascismo e pelo comunismo.

É isto que as elites querem; nós devemos recusar.

Anúncios

Como o terrorismo serve para atacar noções de privacidade

“… And where once you had the freedom to object, to think and speak as you saw fit, you now have censors and systems of surveillance coercing your conformity and soliciting your submission. How did this happen? Who’s to blame? Well certainly there are those more responsible than others, and they will be held accountable, but again truth be told, if you’re looking for the guilty, you need only look into a mirror. I know why you did it. I know you were afraid. Who wouldn’t be? War, terror, disease. There were a myriad of problems which conspired to corrupt your reason and rob you of your common sense. Fear got the best of you, and in your panic you turned to the now high chancellor, Adam Sutler. He promised you order, he promised you peace, and all he demanded in return was your silent, obedient consent. …”

Personagem “V” do filme V for vendetta 2005

Após o dia 11 de Setembro de 2001, as forças que detestavam que qualquer pessoa tivesse a liberdade de rejeitar, de pensar e de falar livremente perceberam que tinha sido criada uma oportunidade.

Aproveitaram a onda de choque e terror que se sucedeu e advogaram que seria necessário “alterar” as leis sobre privacidade e segurança para “detectar e apanhar terroristas”.

E foram alteradas.

Até essa data tinha existido um longo e ansiado processo de imposição da limitação da privacidade com pouco sucesso. Dessa data em diante encontrou-se o conveniente motivo para justificar ser feito: “a guerra ao terrorismo”. O processo começou nos EUA e sendo estes seguidos como exemplo, quer por convicção de quem segue, quer por coacção feita a quem não pode discordar, em breve todo o designado mundo ocidental, em maior ou menor grau, seguiu o “líder” e começou a alterar, reduziu ou abdicou das suas próprias leis sobre privacidade e respectiva protecção dos direitos dos cidadãos neste assunto.

Quando este tipo de leis é alterado o argumento (pretexto…) mais comum usado para o justificar e legitimar é o seguinte: “alteramos as leis sobre privacidade para melhor defender os cidadãos”.

O paradoxo é evidente.

Para proteger a liberdade e a privacidade dos cidadãos retira-se a liberdade e a privacidade dos cidadãos. Deixam de existir problemas de protecção da privacidade, dado que as leis que criavam as garantias de imposição de direitos de privacidade foram fortemente restringidas ou desapareceram.

É uma forma de neoliberalismo, mas aplicado à lei.

Transforma-se em legal o que antes era ilegal, e após o fazer afirma-se que  já não existem problemas de privacidade porque – obviamente – as leis que os enunciavam e não permitiam foram eliminadas.

Rédea livre aos Estados e aos interesse privados que os capturaram camuflada com algumas pseudo garantias para disfarçar e fingir que está tudo na mesma como antes.

Liberty: One of Imagination’s most precious possessions.
Ambrose bierce

Para a população tem resultado?

Não.

♦ Do ponto de vista da privacidade e da protecção dos dados dos cidadãos estes ficaram claramente desprotegidos e em estado de inferioridade psicológica no que ao exercício da cidadania diz respeito.

Deve dizer-se que os cidadãos mais por desleixo do que por noções adquiridas de medo real relacionado com este assunto nada entendem disto. Se o entendessem e considerassem como grave, apenas precisariam de se olhar ao espelho e perceberem quem é o verdadeiro culpado. Se não estiverem demasiado ocupados a mandar sms ou a tirar selfies algures.

Outra das consequências da imposição da perda de privacidade foi a imposição das lógicas de teoria dos jogos. Ao ganho total de uma parte corresponde a perda absoluta de outra.

Se a cidadania perdeu, as grandes empresas privadas e os Estados ganharam e passaram a fazer colecta de dados – metadata – sobre os gostos e o que pensam os cidadãos e a nível mundial.

Para estas empresas privadas trata-se de um negócio onde a devassa comercial  da vida privada e a subsequente venda de dados a terceiros são um negócio extremamente lucrativo.

Parasitam os seus consumidores.  Estes julgando estarem a ser tratados de forma comercialmente justa, são apenas parasitados para extracção.

Se um campo agrícola é alvo de uma colheita dos frutos ou legumes que nele foram cultivados também os cidadãos são alvo de uma colheita dos seus dados.

Tudo em nome da sua “segurança comercial” e do “saber mais” sobre os clientes para “melhor os servir”. (ou melhor comercialmente condicionados após colheita de informações…)

Corporation: An ingenious device for obtaining profit without individual responsibility.
 Ambrose bierce

♦ Para os Estados é semelhante. Para protegerem os cidadãos, afirmam os responsáveis da segurança e da privacidade, é necessário saber mais sobre os cidadãos.

Para melhor proteger, câmaras de cctv colocam-se em vários locais, controlos são feitos, quer aos indivíduos que podem ter apetência para serem terroristas quer não.  De caminho dissidentes verdadeiros do pensamento são referenciados e coagidos desta forma, mas apenas quando interessa escolher quais os indivíduos a coagir, onde e quando.

Alguém se sente mais seguro?

Não.

If we want things to stay as they are, things will have to change.
Ggiuseppe tomasi di lampedusa

Dentro dos aparelhos burocráticos administrativos que impõem a lei e “combatem os terroristas”, também  surge a gula económica e burocrática.

Os pequenos tiranetes das administrações salivam por mais poder e pelo enriquecimento psicológico e simbólico derivado de serem considerados administrativamente mais importantes do que antes. Passar a falar mais vezes com o ministro ou o chefe de estado sobre assuntos de segurança é um penacho na lapela que não convém menosprezar, bem como os olhares invejosos dos vizinhos e amigos todos eles ” sentindo-se cheios de segurança, só por dizerem bom dia ou boa tarde ou serem das relações próximas destes cripto fascistas zelotas anti privacidade.

Ou aparecer na televisão com o rotulo de ” especialista”…em terrorismo.

Por todas estas razões mesquinhas e pelas próprias dinâmicas da burocracia se existiu a criação de uma lógica muito própria para “o combate ao terrorismo”, a tal correspondeu uma exigência publica(da opinião publicada…) em busca da mitológica “segurança”.

A alimentação do medo e da ansiedade feita pelos meios de comunicação social gera respostas destas por parte dos pequenos tiranetes. Muito espectáculo, mas resultados práticos diminutos e muita coacção subliminar sobre a vida das pessoas.

Dai os “mais meios para combater o terrorismo”, classificados como… “as novas e recentes ameaças”.

E mais meios foram dados, mais controlos foram feitos e mais meios continuam a ser dados e mais controlos a ser feitos

Estamos a chegar aos ponto do paradoxo total.

Publicamente existem dois discursos.

(1) Um deles afirma que estamos mais seguros, uma afirmação plenamente gratuita e que ao é verificável pelos cidadãos pela própria natureza da afirmação apresentadas. Quando surgem criticas exagera-se os êxitos obtidos falando em ” inúmeros atentados evitados” que não são nunca mencionados ao publico – aos cidadãos – para não causar ” alarme social”

(2) Após a ocorrência de um atentado terrorista ( estamos a 4 de Junho de 2017, e ontem em Londres ocorreu um atentado em que morreram 7 pessoas…) surge imediatamente um discurso totalmente contraditório com o anterior que exige novos meios e mais restrições às liberdades.

O estado da arte da segurança burocrática – administrativa é este.

Trocar o consentimento silencioso e obediente pela coacção subliminar a resvalar para a coerção declarada é um mau negócio de cidadania.

Irmãos de Némesis: se sentem a opressão a formar-se nos céus como uma tempestade que chega, então sabem que lutaremos contra ela.

O terrorismo é um assunto demasiado sério para ser usado como arma de criação de uma sociedade totalitária usando-o como pretexto para o fazer.

Como a opus dei chegou onde queria chegar (à Cgd) e os partidos políticos portugueses permitiram

Em Portugal, quem é colocado fora do acesso aos benefícios do sistema político, social e económico português tem uma identidade. Essa identidade económica, política e social e partilhada com todos os outros membros da sociedade que estão na mesma situação, quer pareçam ser pessoas colocadas num patamar económico acima, quer não o sejam efectivamente.

O desempregado branco dos subúrbios, o exilado rural que vive perto da indigência na província, o precário urbano que coexiste entre apelos pueris que o fazem pensar que é pós moderno e o desemprego de recibo verde mascarado de emprego dinâmico e moderno estão todos no mesmo barco.

A profissão liberal ou publica na área tecnica como o professor ou o médio quadro bancário estão todos no mesmo barco. O trabalhador emigrante indocumentado e o emigrante documentado oriundo de locais bizarros também está no mesmo barco.

Julgam que não, mas estão.

Importante: as elites de poder portuguesas investem muito tempo e dinheiro a mascarar e iludir estas pessoas e os problemas sociais políticos e económicos que existem.

Importante: uma certa forma peculiar de corrupção é mantida e aperfeiçoada pelas elites de poder portuguesas, que investem no controlo de muitas pessoas feito por um numero relativo de poucas pessoas.

Importante:  esta milícia de tipo casta é perigosa para todos e altamente corrosiva.

Importante: deve-se evitar deixar chegar estas pessoas a lugares de poder e responsabilidade, especialmente na esfera pública.

Na caixa geral de depósitos, banco 100% público os partidos políticos chamados PSD e CDS – meras extensões da oligarquia corrupta e decadente que queima lentamente Portugal, apostaram na política de terra queimada.

Lamentavelmente quem diz que se lhes opunha favoreceu isso.

Colocados perante a oportunidade de quebrar o controlo, nada fizeram.

opus-dei-efficient-machine

Quando no governo, (2011-2015) o PSD e o CDS permitiram que existisse uma política de desvalorização do banco, com o objectivo de:

a) baixar o preço para o potencial comprador;

b) justificar privatizar;

Quando comprasse, o potencial comprador herdaria o direito de cobrar os créditos que a Caixa tem sobre dividas de terceiros.

O Estado português tem mais de 100 mil milhões de euros em dividas à CGD.(*)

2016-12-04-15_44_25-demonocracy-info-european-superhighway-of-debt

( * dados da infografia correspondem ao ano de 2013. )

Quem comprasse, mal o fizesse iria exercer o seu direito a cobrar.

Um justificação perfeita para um governo em funções ( um governo PSD-CDS…) justificar cortes de despesa pública e aumentos de impostos.

Em 2015 a paisagem do cenário mudou (o cenário é o mesmo, infelizmente…) e uma nova experiência política começou a governar.

Esta definiu que:

a) era necessário recapitalizar a CGD;

b) sanear as contas do banco e admitir perdas;

c) racionalizar a gestão (despedir pessoas) e fazer com que o banco voltasse a financiar empresas e particulares, dado que a ” boa gestão” dos privados feita em anos passados nos seus próprios bancos resultou em estarem impossibilitados de fazer tal… actualmente…

Os representantes dos oligarcas (PSD-CDS) perceberam o perigo. E movimentam-se para impedir que a recapitalização da caixa (4 mil milhões de euros), que serviriam na sua grande parte para por dinheiro a circular e reactivar a economia especialmente nas pequenas e medias empresa fosse parada.

Sabem que se isso arranca, não voltam a chegar ao poder antes de 10,12 anos.

Isto é patriotismo de alto coturno.

Inicia-se o bloqueio, sobre a nova administração. Contando com a preciosa ajuda de todos os partidos incluindo o que está no governo.

Qual a solução, se a administração não fosse empossada como veio a suceder?

Uma nova administração inatacável.

E recusa-se ou não se sabe, arranjar uma administração inatacável.

Do outro lado, manipula-se através dos seus lacaios na imprensa para colocar na CGD, um membro da Opus dei.

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a Cgd..

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a CGD…

Com o novo candidato Paulo Macedo os velhos argumentos de que:

a) o ordenado do gestor principal da casa era demasiado alto

b) tinha destruído o SNS e feito um péssimo trabalho como director geral de impostos;

já não se aplicam.

Vários partidos políticos fizeram uma guerra sobre os rendimentos para afastarem o outro tipo e a solução é … Paulo Macedo…? A solução é  … a Opus dei…?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Mark Blith, economista escocês, deu uma entrevista em que criticava o SNP escocês, o partido que defende a independência da Escócia em relação ao Reino Unido.

Aquando dos resultados do brexit, o SNP queria demarcar-se politicamente dos resultados, porque eram contra os problemas eventuais que a saída da UE iria criar a Escócia pelo facto de a Inglaterra sair.

Mark Blith contrapunha e argumentava que a posição do SNP era “absurda” . Mas eles acham mesmo que ficam melhor com a austeridade do Sr Schauble?

Por contraposição à austeridade dos ingleses?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Fazer uma guerra acerca da nomeação de António Domingues para a CGD e obter a renunciai deste, para ser substituído por Paulo Macedo, membros da Opus dei é melhor…?

A apresentação de rendimentos e o alto ordenado do novo gestor da CGD já não constituem condição impeditiva para este ocupar o cargo…?

Mas eles acham mesmo que ficam melhor com o Sr Macedo na CGD….?

2016-12-04-15_43_39-demonocracy-info-european-superhighway-of-debt

Qual o significado real disto?

A maquinaria conhecida como “Geringonça” acabou, no momento em que esta sinistra personagem ocupou o cargo de gestor principal da CGD.

Com esta decisão?!?! o poder de controlar tudo na economia portuguesa foi dado de bandeja à pior organização de oligarcas à qual podia ter sido dada.

Esta decisão tem enormes repercussões e algumas delas são completamente invisíveis. O que o sector Opus dei sempre quis ter foi o controlo do dinheiro e o “controlo da informação” que lhes é providenciado pelo acesso ao que é a informação financeira que a CGD contém.

Mas o Sr Macedo vai congelar o investimento na CGD?

Em vez de congelar o investimento na CGD, o Sr Macedo vai fazer exactamente aquilo que o governo e o os partidos todos querem que seja feito.

Paralelamente vai adquirir toda a informação sobre o que a caixa é; a quem concedeu credito e onde se movimenta comercialmente. Essa informação será do conhecimento da Opus dei e dos seus amigos. Um fotocópia da economia e da sociedade será tirada. Isto virá a facilitar ainda mais o controlo de quem pode vir a ser rico ( os da cor…) e quem não pode.

Mais à frente, os que virão a ser excluídos serão quem é pobre ou quem  recusa alinhar com a corrupção.

Todos colaboraram com isto.  A Irmandade de Nemésis não e a Irmandade não perdoa nem esquece.

Gravy train, ou os parasitas do politicamente correcto na comunicação social (política)

gravy-train

O gravy train portugues…

Num recente episódio de um programa de televisão onde os intervenientes fingem que debatem a situação política nacional; uma das pessoas que intervém fez uma tirada tão pseudo espectacular como estúpida. Verdadeiramente e sem querer, revelou o que verdadeiramente pensava sob o assunto ” austeridade”.

Sentindo pânico pelo que chama de “o avançar do populismo” e pretendendo atacar a actual solução de governo em Portugal, correlacionar isso com a Europa e o deprimente estado político da mesma, e ao mesmo tempo, aviar o recado vindo dos seus amos, segundo o qual “tudo” o que acontece de mau na Europa seria única e exclusivamente culpa da Alemanha, esta insigne criatura declarou que a má gestão da crise europeia por parte da Alemanha teria dado origem ao Brexit, à aproximação da Alemanha à Rússia, à crise do Médio Oriente e especificamente no que aos partidos políticos europeus diz respeito e respectivas afinidades tal má gestão teria originado o fim da social democracia europeia.

Este programa televisivo é de orçamento reduzido, devemos ter isso em conta, quando pessoas pagas para analisar e debater politicamente, apenas conseguem produzir uma má conversa de café, mesmo que inclua alusões ao The economist ou ao Finantial Times ou a qualquer outra falsa bíblia.

A criatura televisiva, courtier de segunda classe, com esta proclamação do fim da social democracia europeia, argumentava a seguir que isto tinha originado o fim dos partidos da tribo da esquerda política de vertente social democrata na Europa. Tal desastre tinha originado o aparecimento de “todos estes partidos de extrema esquerda”, que eram – pasme-se – contra a austeridade.

Infere-se segundo esta criatura que os partidos da social democracia “normais” e sem desvios à norma serão a favor da austeridade…?

É este o nível da argumentação estúpida, preconceituosa, que avia recados dos superiores hierárquicos oligarcas.

É esta a disseminação verbal da injustiça como forma de organização social.

SERVILISMO - PÉS

Esta criatura courtier tem sido um membro constante e sistemático da elite cortesã deste país durante os ultimo 30 anos.Cavalgou o Gravy train português, auto colando-se à tribo da esquerda política.

O método cientifico para obter esse selo de qualidade e garantia de “normalidade social democrata” consiste em manifestar um acentuado anti comunismo, patente em declarações públicas e privadas, em paralelo com uma inclinação cultural imensa (supostamente um feudo exclusivo da tribo da esquerda política…) que leva a que se pense nos circulos bem pensantes dos cortesãos e dos que lavam mais branco que a pessoa é aceitável, uma compincha pró valores”de social democracia de acordo com o livro de regras.

Estas pessoas obtiveram inicialmente os cursos universitários certos nos lugares certos, ocuparam os empregos “de pluma vistosa” do regime, os estandartes supostamente meritocráticos do mercado de trabalho das artes, letras e ideias (especialmente nas administrações da tribo da esquerda política e especialmente nas administrações da direita política…) e obtiveram elevados lucros quer na gentrificaçao material do regime (obtenção de bens materiais e estatuto financeiro), quer nas áreas gentrificadas habitacionais do regime, onde habitualmente vivem e criaram casulos e bolhas de classe “bem”.

A vida tem sido boa.

Estas pessoas arranjaram um emprego em ” sítios” onde é inexistente a necessidade de trabalhar.

São apenas pagos para nada fazer, servindo de veículos que passam a mensagem que agrada as elites e aos oligarcas.

São apenas pessoas que existem num emprego durante um dia inteiro e são pagas para falar.

Falam muito, mas a substancia do que dizem é zero.

Exactamente…, qual é o valor social, politico, profissional, cívico, de cidadania que estas pessoas tem entregue à sociedade, como retorno, pelo que a sociedade lhes tem permitido ser?

Reorientando momentaneamente este texto.

Portugal transformou-se num local em que é muito estúpido o acto de se procurar ajudar as pessoas.

Como regra geral, as pessoas traem quem as ajuda, traem a cidadania que deveriam defender, traem-se a si próprias. Filosoficamente, e com muita paciência  deve responder-se que o problema principal não reside na constatação que as pessoas irão trair, mas sim que as pessoas irão trair por um preço próximo de nada.

É inexistente qualquer capacidade por parte da generalidade da população em fazer uma correcta avaliação custo – beneficio do valor de qualquer coisa.

Numa nota ingénua, deve-se fazer o esforço de ajudar, mas há limites de paciência e de preço próximo de nada.

Com o acima escrito em mente é necessário dizer que quem paga a existência dos parasitas do politicamente correcto, como discurso público próprio de um sistema de cortesãos inserido no arco da governação, recuse pagar este preço por algo que não traz valor.

Com  acima escrito em mente é necessário dizer que os cortesãos que põe uma cara alegre afirmando serem pró justiça social, pró pobres, pró “social democracia” tem lucrado a nível pessoal com as injustiças e a pobreza que derivam dos ataques que são feitos aos membros da sociedade com problemas.

Com acima escrito em mente é necessário dizer que os cortesãos estão com verdadeiros problemas.

Num mundo com internet, cidadãos despolitizados, sem dinheiro institucional para os manter acima ou no patamar em que estão, sem acrescentarem qualquer valor de mercado aos oligarcas e as elites, quem precisa deles?

O chão foge-lhes debaixo dos pés.

Devemos ajudá-los a terminar a sua carreira de mercadores aleivosos com a maior indignidade possível.

Panamá Leaks – mantenha a calma e chantageie alguém

“Today we live in a society in which spurious realities are manufactured by the media, by governments, by big corporations, by religious groups, political groups… So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms.”
~ Philip K. Dick

blackmail

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão” pela qual uma sociedade deve pensar e viver e quando aceites pela generalidade dos cidadãos tornam-se parte da nossa cultura geral.

Regra geral o que existe numa sociedade é uma inércia social relativamente a ideias culturais novas (não no sentido de cultura “artística”…). Daí os actos premeditados destes específicos grupos de interesses na criação destes memorandos culturais e na sua disseminação.

Quando estes grupos ilegítimos de interesses julgam estar a sociedade predisposta a aceitar algo contrário aos interesses dos cidadãos, ou precisam que a sociedade esteja predisposta a aceitar formas de viver contrárias aos seus interesses é colocado o ovo social dos memorandos pré fabricados em acordo com os interesses da elites, das oligarquias ou de ambos.
Se este memorando se torna viral a viralidade auto exponencia-se e o novo ovo social/memorando a aplicar auto alimenta-se e apresenta as características da exponencialidade existentes nas células cancerígenas.

Quando os memorandos são sucessivamente aplicados, e as coisas efectivamente mudam, os promotores destes tipos de ideias tentam a todo o custo travar a emergência de um novo memorando que os combata e passam a promover a inercia social e cultural e o estiolamento do pensamento.
Quando não o conseguem ou porque não tem força e habilidade para isso ou porque uma sociedade onde isto é aplicado é demasiado dinâmica e gera sucessivos novos memorandos este mesmo processo tenderá a ser repetido: viralidade, aceitação generalizada ou inercia cultural e resistência a mudança.

Tudo isto gera uma enorme confusão nas vidas das pessoas e gera uma aparência de falsa dinâmica em certos sectores de uma sociedade e que se mistura com uma lassidão social total noutros sectores da sociedade, o que gera uma cada vez menor homogeneização da sociedade no que diz respeito à definição do que é o bem comum e qual é o destino colectivo dessa mesma sociedade.

Este é o sonho húmido das elites e dos oligarcas portugueses: confusão das pessoas e falta de sentido e clareza no que ao destino colectivo diz respeito.

blackmail-is-more-effective-than-bribery-quote-1

Grupos específicos aparentemente indeterminados, despoletaram os Panamá papers.

Um desconhecido chamado John Doe (ou uma agência de segurança e informações de um país..) adquiriu, via roubo electrónico, ao que se julga saber, os ficheiros de uma empresa privada de advocacia que se dedica à gestão de fortuna e a criação de offshores.
A empresa é obscura e cheia de sombras, transacciona para todos e com todos, e o escritório atacado situa-se, convenientemente, numa geografia controlada pelos norte americanos e pelos seus serviços de segurança e militares.

John Doe entregou os documentos digitalizados roubado a um consórcio “independente” de jornalistas. Constitui apenas um mero acaso circunstancial serem financiados por organizações ligadas aos centros políticos e estratégicos dos EUA e por fundações ligadas a interesses de oligarcas e de elites económicas e políticas com sede nos Países baixos, Noruega, e Reino Unido.

As fundações são elas próprios veículos jurídicos artificiais criados com o fim de se pagar menos impostos pelas actividades que se realizam em nome do objecto jurídico (muitas vezes fantasista…) dessas mesmas fundações.

Este consórcio “independente de jornalistas” sentiu-se autorizado a usar informação roubada, onde coexistem terceiros que não sendo eticamente inocentes apenas aproveitaram o regime jurídico injusto dos offshores, e onde coexistem criminosos (cujos dados até agora não foram revelados) e onde coexistem chefes de estado ou empresas que são inimigas dos EUA (dados revelados ou insinuados…).

O consórcio jornalístico “independente” não usou a sua independência para usar o seu bom senso e declinar servir de peão a esta estratégia. Serviu conscientemente de peão, servindo diligentemente quem lhe paga.

Estes bens roubados e divulgados – informação – serviram e servem para estes consórcios e as empresas de comunicação que deles fazem parte pudessem obter vendas mais elevadas e aumentarem a sua reputação como “jornalistas de investigação /meios de comunicação social” honestos e impolutos.

2016-04-25 - panama leaks -sabujice manipulativa

Esta actividade tem servido para a pratica do desporto da “selectividade à medida” e serve para transformar esta actividade numa tendência a ser considerada como sendo “os novos tempos “ que ai vem e aos quais devemos todos aderir.

Com posse destes segredos, seletividade das fugas e com estas tácticas a serem usadas isso possibilita a que a imprensa (e os interesses económicos por detrás) possa fazer deste tipo de casos um novo mercado.

O lançamento de cortinas de fumo e desinformação que aproveita apenas foi mercantilizado com esta acção (capitalismo de vigilância). Tornou-se apetitoso para toda a classe profissional de John Does mundiais a pratica da extorsão e da chantagem obtendo em troca de poder e lucro.

As possibilidades são imensas, uma classe de extorsionistas veste a capa da legalidade justiceira e pode ditar quem é ou não é um candidato à Presidência, ao governo, que empresa ganha ou não ganha um contrato, quem pode ser empresário ou não, que cidadão é estimável ou quem não é, embora depois as consequências práticas legais sejam nulas sobre os visados, dado que a legislação que existe “legaliza” os offshores.

Neo liberais e libertários portugueses clamarão que esta situação apresenta uma oportunidade de negócio visando criar protecções sob a forma de empresas – startups – que gerarão software (ou vaporware caro…) – que nos protegerá deste novo perigo (que está a ser propositadamente criado e deixado florescer…), a divulgação ou venda de informação sensível.

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão”, e um novo popular memorando foi criado.

Que quem determina o que é revelado são Jonh Does, acolitados por empresas de comunicação social, que se auto reservam o direito de dizer o que é divulgado ou não é divulgado e qual a seleção a fazer.

O principio da espada de Dâmocles chegou.

Tenta-se fazer passar a ser aceitável que isto seja o novo paradigma.
Que quem domina melhor os meios tecnológicos pode ser autorizado a difamar e a chantagear e a dizer o que é lei e o que não é lei.

Panamá Leaks ou apenas uma operação de manipulação de percepções

Desde 2008, quando a bolha especulativa da economia mundial foi rebentada, a oligarquia mundial que manipula estes assuntos especialmente a facção económica/política que controla os Estados Unidos e as respectivas instituições que estes influenciam; decidiu que seria necessário trazer de novo para a economia mundial uma parte das vastas somas de dinheiro que habitam nos offshores mundiais.(entre 21 e 32 triliões de dólares, segundo dados do Banco mundial, bancos centrais, Fmi e Onu)

Sobre o propositadamente nebuloso mundo dos offshores, paraísos fiscais e similares foi aplicado este novo paradigma. Como consequência, desencadeou-se a questão cipriota em 2013 promovendo-se artificialmente uma crise de liquidez … (a Europa “Merkelizada” foi usada como proxy para o fazer…) sobre os bancos cipriotas/Estado cipriota. Com esta manobra pensava-se poder atingir duramente, na área geopolítica e financeira, os interesses da Rússia (Brics), e punha-se em marcha a reengenharia mundial que visava também criar oportunidades de mercado para os novos players oligárquicos e elevar da sua quota neste mercado emergente de remodelação geográfica de quais os offshores “aceitáveis”.

E assim adicionais vantagens comerciais seriam criadas para a oligarquia mundial. Os offshores que “não interessavam” existir como concorrentes começavam a sentir o bafo nas costas quando são marcados para abater. Chipre foi o tiro de partida e o benchmark.

Entre 40 a 60% dos offshores mundiais são alvo de controlo directo ou indirecto pelos esquemas financeiros/legais cujos mestres titereiros são os EUA/Reino Unido,(as facções nestes dois países…) mais as adjacências coloniais designadas de “União europeia” e a sua pretensa independência estratégica e financeira em relação aos mestres titereiros.

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se a criação propositada da falta de liquidez na zona cipriota e consequente avolumar do contágio financeiro à toda a zona euro vem criar problemas a populações de uma área económica como a Europa?

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se estas novas startup´s de offshores, geograficamente recolocadas constituem novas oportunidades de mercado para as oligarquias mundiais e respectivas elites locais que os servem?

Neste paradigma de guerra económica a eliminação de um concorrente comercial (Chipre) que servia de porto de abrigo europeu relativamente neutral no que a abrigo financeiro diz respeito para uma parcela pequena de oligarcas e cidadãos abastados da Rússia mais algumas empresas (quase todos os oligarcas russos são pró atlantistas e pró Estados Unidos/Europa, note-se…) conjuntamente com o embaraço público sofrido pela Rússia, a relativa desestabilização interna que se esperava que daí adviesse; (reacção dos oligarcas e população russa contra Putin, que não se verificou…) tudo isto constituía um prémio geopolítico e comercial que merecia (segundo as opiniões das facções oligárquicas norte americanas) que se movesse as correctas peças do tabuleiro de xadrez para alcançar este resultado.

Fazer “regressar” ao circuito económico mundial dinheiro com donos específicos parqueado em ofsshores, atingir com uma facada comercial um offshore que começava crescentemente a captar dinheiro e investimentos, que assim não iriam parar às Mossacks-Fonsecas do outro lado do espectro político dos offshores, e pretender atingir e condicionar a capacidade de mover capital por parte de Russos oligarcas endinheirados (levando-os a exigir responsabilidades a Putin para que este cometesse um erro, desse um salto em frente, e aumentasse o nível do conflito…) para paraísos fiscais geograficamente perto do território russo foram metas estabelecidas.

Quando o concorrente não pode ser comprado comercialmente ou não se deixa comprar comercialmente, é necessário atacar a sua credibilidade comercial aos olhos dos potenciais clientes e neutralizá-lo tornando-o quase ou totalmente ineficaz para o percebido adversário.

Chipre tornou-se ineficaz, do ponto de vista comercial, para o percebido adversário. Politicamente a história já é outra…

O bónus adicional; a desestabilização ainda maior da já auto desestabilizada União europeia, surge como consequência destas manobras. Também ajudou ter sido potenciadas pela inépcia completa ( ou propositada?) dos pseudo lideres europeus em duas vertentes.

(1) Permitiu-se deixar a senhora Merkel e o resto dos bonzos políticos alemães divisarem uma estratégia para a Europa o que é e foi um erro de dimensão trágica.

(2) Permitir-se discutir este assunto estratégico enfeudado à grande estratégia de tabuleiro de xadrez dos EUA.

O que equivaleu a alinhar nos equívocos agressivos e perigosos da facção neo conservadora e na sua permanente tentativa de imposição de Pax americana” sobre o resto do planeta e gerou a demissão institucionalizada da Europa em assuntos que lhe diziam respeito ( o acompanhar da louca política de sanções à Rússia ricocheteou completamente e voltou para atingir todos os países europeus…).

Outro micro jogo está ser jogado neste tabuleiro: fazer recordar, aos europeus porque é que estes precisam dos EUA e porque é que acham que devem precisar.

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se todas estas manobras apenas colocam em evidencia a lógica das grandes potencias e quando as coisas apertam os mais pequenos são deixados ao seu destino e devemos deixar assim estar?

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se estes jogos da facção norte americana estão a colocar toda a humanidade olhando para o abismo, esperando não se tornar nele?

Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar; ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e poder. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.

Tácito, Agrícola.

2016-04-08 comunicacao social portuguesa.pdf - Foxit Reader

A comunicação social, a portuguesa incluída, iniciou o transe hipnótico chamado offshores – Panamá papers -Mossack Fonseca”.

Os mestres titereiros internacionais passaram as instruções e os lacaios locais estão a cumpri-las. Ninguém sabe verdadeiramente quem dá as ordens, mas elas cumprem-se.

Informação crucial é omitida, nomes nos ficheiros são omitidos, a filtragem desta informação supostamente vazada da Mossack Fonseca segue em linha com os interesses das agendas governamentais e do establishment anglo saxónico e respectivos interesses e lacaios.

O consorcio internacional de jornalistas independentes é organizado e financiado pelo Center for public integrity e pelo Usaid, ditas Ong´s independentes cujo dinheiro vem do orçamento de estado norte americano e das fundações e trustees pertencentes aos oligarcas americanos e europeus que financiam este grupo de interesses.

O centro não consegue aguentar, e porque deveria fazê-lo dadas a condições que existem?

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

William Butler Yeats’ 1919 poem, The Second Coming *

Vivemos no tempo da Republica sem consciência, uma embalagem vazia destituída de significado real, esvaziada das suas componentes democráticas, uma república empacotada em linhas de montagem totalitárias que defende apenas os interesses dos oligarcas, que fecha os olhos às movimentações da extrema direita escondida em partidos políticos aparentemente “legítimos”, saturada de grupos de interesse em serviço próprio ou dos amigos ou ambos.(Turning and turning in the widening gyre…)

Deveremos ficar satisfeitos com este estado de coisas?

Esta Republica que nunca o conseguiu ser plenamente, foi impregnada de falhas na ética republicana. Cambaleante, avança subvertida pelos quintas colunas que a empestam. Como o centro não aguenta, é ineficaz na difusão dos valores democráticos que a deveriam orientar e chegou ao ponto em que apenas está residualmente condenada a fazer passar essa imagem de decadência corrupta para a sua população e para os outros países.(Things fall apart; the centre cannot hold;)

Deveremos ficar satisfeitos com a decadência corrupta que nos querem oferecer/impor?

Temos uma Republica que mostra uma imagem resplandecente, mas falsa, onde vários espelhos partidos existem e para quem eles olha de forma certa observa-a a (dis) funcionar com passos certos e definidos.

YEATS - the falcon cannot hear the falconer

É necessário perceber que:

Esta é uma república de oligarcas. Os oligarcas portugueses são permitidos e acarinhados. (The democratic falcon cannot hear the democratic falconer) Totalmente detestáveis e absolutamente contrários a democracia, ou para esse efeito a qualquer outro sistema político democrático ou não democrático que os controle ou lhes exija auto controlo e decência.(The autocratic falcon cannot hear the autocratic falconer)

Escondidos nas sombras impõem o seu modelo autocrático de funcionamento escondido sobre uma capa de verniz democrático e de suposta aceitação das leis gerais da terra. Vocacionados exclusivamente para os únicos valores que para eles contam; dinheiro e poder. Os valores que não tem pátria.

Para os oligarcas portugueses, ter um ethos baseado em dinheiro e poder é a pátria, adicionalmente vestida com uma capa de verniz democrático como imagem para o exterior.

Devemos ficar conformados com a existência de forças hostis no nosso seio enquanto sociedade, que nos subvertem sempre que podem? (The ceremony of innocence is drowned;)

Deve acrescentar-se que a população pactua com este estado de coisas, entorpecida pela opressão psicológica e social que sobre ela é cometida todos os dias, e completamente confundida pelos aparelhos de desinformação (a comunicação social, as agencias de comunicação, os partidos políticos, os oligarcas que detém os sectores económicos que interessam…) aceita o mau como sendo bom e o bom como sendo mau, já genericamente incapaz de distinguir entre uma coisa e outra. (Mere anarchy is loosed upon the world,)

Há culpas/responsabilidades da população neste assunto, recusar desculpabilizar uma população que aceita ser despolitizada e consequentemente ser prejudicada, mas que também aceita trocas éticas que a desfavorecem e faz amiúde pactos faustianos para obter migalhas que já vem embaladas das fábricas oligárquicas em papel corrupção, é um erro de análise.

Apesar das perspectivas serem negras como o negro mais negro em fundo negro o achincalhamento da população, apesar de tudo, traz sempre reacções.

A lassidão social, o abandalhamento pessoal, a destituição de quaisquer convicções cívicas ou de cidadania, a procura desenfreada de um sistema de padrinhos que arranjem uma colocação para os próprios, ou para os familiares, as crenças na ascensão social pelo (falso) mérito escolar mesmo fechando os olhos à corrupção que existe no pais, extremamente fomentada pela tribo da direita política de forma activa e deixada desenrolar-se e espalhar-se pelas omissões constantes e o fechar de olhos da tribo da esquerda política, o sentimento de desagregação social, económica e social (tradução: a expressão coesão social “tão em voga e tão alvo de pessoas a deitarem lágrimas de crocodilo por ela…) começam a gerar ligeiros suores frios nos oligarcas e nas elites de corruptos a eles associadas, simplesmente porque o bolo está a diminuir e as pessoas começam a estar preparadas para funcionarem em lassidão robótica permanente. (Things fall apart; the (corrupt) centre cannot hold;)

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

É necessário perceber que:

A sistemática, enjoativa e repetitiva promoção de elites técnicas, políticas e sociais (quase todas elas semi medíocres, no contexto internacional) é feita em paralelo com promoção do achincalhamento da população.

Estas elites técnicas, políticas e sociais, acham-se intituladas a mais do que precisam e a muito mais do que são. A oligarquia, quis e quer encontrar pontos de apoio que lhe permita fazer o trabalho sujo de subversão, e confere a esta manada de a-cidadãos um estatuto de importância baseado na mais pura artificialidade ou nos graus de parentesco, podendo também a pratica de actos sexuais “a pedido por serviço prestado em função de futuro lugar a colocar” ou mesmo corrupção pura e dura serem usadas.  E como tal promove a arregimentação destes novos candidatos a pontos de referencia para servirem de farol para os restantes. Nas elites técnicas a manada que se vendeu conduz os desejos da manada que está a espera de ser comprada.(The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere)

Quando estes cartazes humanos de legitimidade técnica, política e social (tradução: a “tecnocracia supostamente esclarecida”), são colocados no terreno; estas pessoas da cor oligárquica/partidária que desejam um posicionamento confortável junto dos ninhos de poder dos oligarcas dá-se o salto seguinte.

Memorandos culturais são decretados usando a comunicação social para o fazer, explicando à população ignara que estes novos senhores e senhoras é que são os guias orientadores dos destinos do país e da população, e que as ordens parecidas com fascismo amigável incompetente desta camarilha devem ser cumpridas e adoradas.

A criação de conformidade cultural e apetência para estas ideias tem o bónus de atrair as elites que não estão ainda na mesma órbita. O apelo é simples, é velho e é conhecido: ”juntem-se a nós” e terão poder e dinheiro sexo e status (tradução: corrompam-se, façam um acordo faustiano e esmaguem os vossos compatriotas em posições sociais mais baixas ou desprovidos de poder). (The best lack all conviction, while the worst…)

Esta é a pulhice que conhecidos personagens da comunicação social, da política, da economia e áreas adjacentes pregam abertamente. (Are full of passionate intensity.)

yeats - the falcon and the falconer

É necessário perceber que:

Dada a imensa predisposição para se corromper (motivadas pelos mais v$riados m♥tivos por parte das elites portuguesas e da população que persiste em fechar os olhos é adquirida, regra geral, a suficiente massa critica de pessoas. Os “técnicos” necessários para “exercer funções de controlo biopolitico e económico surgem como cogumelos e aplicam poder despótico. O objectivo é destruir a alma dos cidadãos e degradá-los ainda mais.

E obter controlo. Muito controlo.

Controlo em Portugal significa criar mais quotas de poder para oligarcas e associados; em paralelo retirar poder à generalidade da população. É um jogo de soma nula que tem um perdedor especificamente definido antes do jogo começar.

Devemos ficar satisfeitos pelo facto de autocratas estarem a tentar definir em proveito próprio regras que atacam toda a sociedade?

* a colocação de uma citação de William Butler yeats recusa significar qualquer tipo de simpatia pelas ideias totalitárias perfilhadas por Yeats.