Os mega dadores

Nos últimos dias foi anunciado que o fundador do facebook, Mark Zuckerberg, “doou” grande parte da sua fortuna para fins “filantrópicos”. Os media, na sua habitual falta de atitude crítica face aos poderosos, louvam incessantemente este tipo de exemplos (por vezes por razões bastante transparentes de auto-interesse) como luzes que brilham no escuridão que ameaça envolver-nos. Apontam-nos estes casos como prova que as pessoas são intrinsecamente boas e que independentemente da forma como os oligarcas agem ou acumulam as suas fortunas são no fundo “tipos porreiros”, empenhados no bem-estar dos outros cidadãos que não tiveram as mesmas oportunidades. Este caso não é o primeiro do seu género (o mais famoso é caso da fundação Gates criada pelo fundador da Microsoft) nem descreve um fenómeno exclusivo de certos países, é uma tendência global. Antes que sejamos levados por esta falsa onda de boa vontade e aparente irmandade temos que começar a fazer o trabalho de desmontagem e análise crítica que nenhum meio de comunicação está interessado em fazer.

"The threat to men of great dignity, privilege and pretense is not from the radicals they revile; it is from accepting their own myth. Exposure to reality remains the nemesis of the great” - John Kenneth Galbraith

“The threat to men of great dignity, privilege and pretense is not from the radicals they revile; it is from accepting their own myth. Exposure to reality remains the nemesis of the great” – John Kenneth Galbraith

Em primeiro lugar nenhuma destas pessoas doou um cêntimo seja a quem for. Sim é verdade. Não houve doação a qualquer causa ou individuo. O que aconteceu foi que estes bilionários transferiram parte dos seus bens para entidades privadas que eles próprios fundaram e gerem. Com que objectivo o fizeram? Aqui a resposta tem vários níveis. Com o mal-estar crescente das populações face ao sistema político e económico que nos gere tornou-se urgente para o establishment relançar a discussão da legitimidade. Ou seja, há uma necessidade de demonstrar às pessoas que a relação de poder que existe entre oligarcas e cidadãos comuns não é apenas uma obscenidade derivada da acumulação ganhos (sejam legítimos ou não, conforme o caso) e de relações indevidas entre o poder político e o sector privado. Há que assegurar ao cidadão que há um fundo de justiça no meio disto tudo. E que apesar da maior parte das pessoas já não poder contar com uma carreira, com cuidados sociais básicos ou sequer poder confiar nos eleitos o sistema funciona (grande parte destes problemas derivam do esforço colossal que os mega dadores dedicam a evitar pagar impostos sobre os seus ganhos empresariais e a evitar a criação de condições laborais dignas) e que todas as desigualdades se equilibram de forma automática como uma espécie de equação matemática social. Nada fica mais equilibrado com estas “doações” que na realidade são apenas transferências internas dentro do vasto património empresarial e pessoal destes magnatas. A posse dos fundos permanece nas mesmas mãos e o destino a dar-lhes continua a ser uma decisão na qual ninguém tem qualquer voto.

"Um desequilíbrio entre os ricos e os pobres é o mais antigo e mais fatal problema de todas as Repúblicas" - Plutarco

“Um desequilíbrio entre os ricos e os pobres é o mais antigo e mais fatal problema de todas as Repúblicas” – Plutarco

Estas transferências de património além de visarem reconstruir uma credibilidade perdida têm também por objectivo satisfazer os egos colossais destas pessoas ao permitir que se imiscuam na vida social das nações como nunca antes havia sido tentado. Os caprichos e vontades de uma mão cheia de seres humanos são agora impostos ou vendidos como sendo benéficos para toda a humanidade. Isto sem nunca incorrer na sórdida acção de ter que consultar a tal humanidade sobre o que realmente pensa sobre os problemas que a afligem. Com a quantidade de fundos ao seu dispor estas fundações condicionam todas as outras organizações (de investigação, apoio social, educação, tecnologia, etc) ao criar um gigantesco polo de atracção financeira que ninguém pode ignorar. Não será de estranhar que todas as organizações que se associam a tais fundações (incluindo governos) acabam por ver o seu poder de decisão e autonomia destruídos. Quem tem o ouro faz as regras e neste caso os oligarcas têm muito ouro. Isto permite-lhes distorcer as prioridades de outras organizações criando situações que favorecem os interesses pessoais e comerciais destes mega “dadores”. Não é por acaso que muitos projectos de fundações cujos donos fizeram a sua fortuna em tecnologias de informação incentivam ao máximo a criação de sistemas de ensino e de saúde dependentes dessas mesmas tecnologias, criando oportunidades de lucro, de recolha indevida de dados e de habituação. Faz tudo parte do modelo de negócio. O fascínio saloio com novas tecnologias reluzentes faz esquecer a sórdida realidade de desequilíbrios de poder que está subjacente e que é encorajada a continuar a crescer. Será útil também fazer notar que apesar de terem objectivos “filantrópicos” estas organizações é suposto darem lucro. Sim é suposto acumularem ainda mais recursos e crescerem em tamanho e influência. Não há limites a priori para o que poderá vir a ser englobado nas suas acções e funcionamento.

Gates_contributionsDe forma ainda mais perversa estas fundações encorajam indirectamente os Estados a retirarem-se da vida social das suas próprias nações ao promoverem os habituais mantras da economia neoclássica: o estado é ineficiente, os privados podem fornecer bens públicos de forma mais barata, o estado é por definição mau e devia ser abolido em todas as esferas, enfim a habitual litania anarco-capitalista que nos deixaria a todos como servos apáticos e receptivos das boas vontades de uma dúzia de “filantropos” caprichosos. Ao abrigo de programas de inovação tecnológica as fundações dos oligarcas vão numa primeira fase condicionando todos os outros actores sociais e numa segunda fase talvez substitui-los de vez. Consegue-se perceber que num ambiente político em que os governos são reféns de agentes financeiros e não ousam tomar medidas verdadeiramente políticas com medo de “desvirtuar” os divinos preceitos das finanças públicas torna-se atractivo passar as responsabilidades de sectores deficitários a entidades privadas mesmo sabendo que se corre o risco que essas entidades tentem fazer experimentação social com os cidadãos. Também não ajuda o facto de alguns dos mesmos mega “dadores” estarem associados a empresas que contribuem de uma forma ou de outra para o sucesso dos nossos líderes políticos.

“Não deves honrar mais os homens que a verdade” - Platão

“Não deves honrar mais os homens que a verdade” – Platão

Portugal está um pouco fora do mapa da super “filantropia” em grande parte devido à sua pequena dimensão, falta de parceiros estratégicos relevantes e relativa proximidade ao coração europeu. Mas à medida que outras nações começarem a encontrar os problemas da entrega completa de sistemas sociais a estas fundações é inevitável que elas comecem à procura de alvos nas periferias. Entretanto existem alguns exemplos desta tentativa de entregar a sociedade ao controlo total dos oligarcas mas a uma escala bastante mais pequena e moderada, até porque os oligarcas portugueses não estão dispostos a fazer o mesmo nível de investimento que os seus homólogos estrangeiros. Concentram-se acima de tudo no domínio da informação e da publicação que usam para tentar desacreditar o Estado e fazer vingar na mente dos seus leitores mais incautos uma visão idílica do que é a realidade do sector privado em Portugal. Mas não tenhamos ilusões, não é uma questão de saber se o sector social será entregue a estes agentes privados mas uma questão de quando o será já que não existe oposição concertada a que tal aconteça. Existe uma resistência formal por parte de certos sectores mas a verdade é que as elites esses mesmos sectores aceitam escrever documentos e livros para estas fundações e aceitam participar em “debates” públicos patrocinados pelas mesmas fundações com a intenção de as validar socialmente. Acima de qualquer posição ideológica coerente está um espirito de classe que as elites de todos os sectores partilham e isso, juntamente com os benefícios pessoais acumulados pela sua participação, vencerá qualquer barreira que possa existir.

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Limpar a lama

Há muito tempo que a Irmandade de Némesis avisa os leitores do enclave para o risco da criação de bodes expiatórios como forma de escape de energia e tensões sociais e hoje temos o exemplo perfeito. A produção teatral que está hoje a ser encenada com toda a pompa e circunstância na Assembleia da República a propósito de bancos e banqueiros encaixa perfeitamente neste quadro mental e político decrépito.

"Não há inocentes; só aqueles que ainda não nasceram ou os que já estão mortos podem aspirar à inocência" - Stig Dagerman

“Não há inocentes; só aqueles que ainda não nasceram ou os que já estão mortos podem aspirar à inocência” – Stig Dagerman

Num regime onde o que une as elites é uma pertença social e onde a comunicação entre os membros dessa elite atravessa, fácil e diariamente, as linhas partidárias todos querem dar prova de ser valentes defensores do cidadão e da justiça. Os ilustres deputados, quais defensores dos pobres e oprimidos numa fábula medieval, esmeram-se em perguntas ultra pertinentes para mostrar que a) eles são puros, b) condenam tudo o que terá passado e c) estão do lado do cidadão comum.

"Princípio: uma coisa que demasiadas pessoas confundem com "interesse" " - Ambrose Bierce

“Princípio: uma coisa que demasiadas pessoas confundem com “interesse” ” – Ambrose Bierce

Há alguns problemas com esta versão das coisas. Quando se quer apurar a verdade de algo não se nomeiam 24 pessoas para o fazer, nomeia-se um responsável. Quando se quer obter a verdade não se transmite a investigação em directo e a cores para todos verem, as audiências fazem-se à porta fechada. E em último lugar dá-se poderes a quem investiga para de facto fazer alguma coisa, seja punir ou recompensar. Assim sendo parece que objectivo é mesmo dar um espectáculo ao país, um pouco de circo. E ao mesmo tempo ilibar a classe política como um todo para ficar bem claro ao ingénuo cidadão que tudo isto é muito lamentável mas foi algo que sempre esteve completamente fora do alcance do poder político prevenir.

bureaucracy_quoteA baixeza e manipulação que o regime faz destas situações é inqualificável na sua falta de consideração para com o cidadão. É um insulto à inteligência da nação. A Irmandade de Némesis está atenta. Os Irmãos levantaram o véu das farsas operáticas que o regime e as suas instituições teceram sobre a realidade. Não seremos enganados. Não queremos uma vítima sacrificial para satisfazer os deuses, queremos uma justiça completa e total. Só nessa base poderá Portugal reerguer-se.

A Irmandade de Némesis rejeita o teatro parlamentar como forma de se estar na vida pública.

A Irmandade de Némesis não compactua com a elite de poder.

A Irmandade de Némesis está com o cidadão.

Higiene Mediática

Nos tempos que correm andamos todos preocupados em completar as tarefas obrigatórias do dia-a-dia da forma mais eficiente possível. Seja preparar uma refeição, passear o cão ou como nos manter minimamente em forma. Estando atento a estas tendências dei pela falta de um guia rápido (nunca mais que uma página) sobre como manter a nossa higiene mediática sem termos que nos fecharmos numa redoma de vidro isolados do mundo. Ou seja, como conseguir informação mas sem inundação de opiniões e propaganda. O que se seguem são os passos básicos mas se alguém tiver ideias complementares que se sinta livre de acrescentar e partilhar com todos:

– Limitar a leitura (rápida, título apenas, excepto em casos graves) a um diário por dia, em formato online.

– Em caso de dúvida pontual consultar outros sites de informação, preferencialmente exteriores ao país, para confirmar apenas os elementos em dúvida.

– Quando algo nos interessa particularmente (seja a gestão dos recursos hídricos ou o orçamento do Parlamento Europeu) é sempre melhor recolher uma breve bibliografia internacional de 2 volumes para aprofundar.

– Nunca em caso algum perder tempo a ouvir/ler comentadores a discursar sobre os temas que consideramos importantes.

– Nunca em caso nenhum perder um segundo a ler/ver um comentador com uma agenda partidária/empresarial clara.

– Fazer buscas online rápidas sobre comentadores, autores e jornalistas para saber quem lhes paga as contas e o que esperam vir a alcançar.

Manter controlo absoluto sobre o nosso tempo e a forma como o despendemos. Se queremos ouvir as novidades sobre a fórmula 1 em 5 minutos então não queremos perder uma hora a ouvir a fórmula 1, o futebol, um debate autárquico e ainda 3 recomendações de livros de amigos do jornalista.

"All media exist to invest our lives with artificial perceptions and arbitrary values."

“All media exist to invest our lives with artificial perceptions and arbitrary values.”

– A melhor forma de manter esse controlo sobre o tempo é através de meios online (jornais oficiais, blogs independentes, outras organizações noticiosas não comerciais).

– Ao seguir este modelo de gestão de fontes vai reparar ao longo do tempo que a qualidade da informação que recebe também irá aumentar à medida que se dispersa menos mentalmente e começa a dominar as ferramentas de procura.

– Nunca em formato algum (tv, jornal, online) perder tempo com publicidade. Não acrescenta nada ao utilizador e o agente está a vender o nosso tempo a terceiros sem nos remunerar.

Fugir das histórias de “interesse humano” como o diabo da cruz. Não têm valor para o utilizador e exploram a miséria/sofrimento alheio tornando-o lucrativo para quem o promove.

– Em caso de querer entrar em debate os meios alternativos (blogs/fóruns pequenos e médios) são sempre melhores pois não promovem com tanta frequência uma agenda comercial e a probabilidade de se encontrar a falar com pessoas reais (em vez de bots automatizados ou pertencentes a partidos e empresas) sobe substancialmente.

– Mesmo online cuidado com a duplicação de entidades já que muitos jornalistas, autores e funcionários de algumas empresas mantêm espaços camuflados que continuam para todos os efeitos a ser órgãos oficias de propaganda.

– Em última análise as escolhas online devem ser feitas por credibilidade não por popularidade. Quem acerta é mais sério. Quem fornece análise mais realista merece mais o seu tempo. Quem admite à partida os seus compromissos prévios merece mais respeito.

“Quick and Dirty” é isto meus caros. As formas mais básicas de evitar 90% do que nos querem meter na cabeça sem vivermos isolados no meio do nada sem saber o que se passa no mundo. A metodologia não é perfeita mas para a maioria de nós deve cumprir admiravelmente bem o seu objectivo. Nunca esquecer que para outros a informação é e será sempre um negócio.

Realidades Democráticas I

O grave problema das nossas democracias modernas é mesmo o facto de não funcionarem. Não me entendam mal. Não é que tenham problemas. Não é que haja dificuldade em reformar seja o que for – a “reforma” palavra também se tornou sinónimo de mudar as aparências para tudo permaneça na mesma. Podemos ou não querer lidar com isto conforme o nosso grau de conforto material, ego ou crença no sistema mas factualmente a democracia está defunta. Não é facto sujeito a debate ou opinião. É um atestado médico.

Sujeito: Democracia. Causa de morte: falta de interesse do cidadão.

Sujeito: Democracia. Causa de morte: falta de interesse do cidadão.

Prova I (outras virão, não corro o risco de ficar sem exemplos): a investigação sobre os cidadãos gregos com contas na Suíça fica em águas de bacalhau. Uma investigação sobre o que pode ser a maior fuga fiscal da memória do país não é investigada porque os representantes eleitos se recusam a tal. Parabéns a quem os elegeu, terão neles com toda a certeza incansáveis defensores do bem comum.

Moral da Prova I: A) Há mesmo quem esteja acima da lei. Tal como existe uma Europa a duas velocidades a maioria das democracias modernas introduziram uma cidadania a duas velocidades. Uns são regidos pelos estatutos “universais” e leis e outros, pela posição social e destaque económico, compraram uma isenção das suas obrigações – um pouco como o exército no tempo da monarquia. Estamos de novo em tempos em que os pobres combatem nas “guerras” da nova aristocracia mercantil e bancária. B) As pessoas não estão prontas a aceitar esta realidade. Sim queixam-se mas não integraram mental e emocionalmente este novo estado de coisas.

Indiferença

A opacidade do sistema de holdings que operam em offshore está mais que comprovada e só continua a funcionar por duas razões: 1) Dá muito jeito a milionários e aos políticos que para eles esperam vir a trabalhar e 2) A população não quer saber. A segunda é, na minha opinião, bastante mais grave que a primeira. O primeiro ponto decorre apenas do interesse pessoal que a lei propositadamente ignora (e foi construída para tal, para ignorar conflitos de interesse). A segunda razão no entanto já aponta para responsabilidades para quem tanto se queixa do sistema e dos esquemas que podem ser montados à sua sombra. A própria população.

Problemas? Não, nao me parece. Vai uma fresquinha?

Problemas? Não, nao me parece. Vai uma fresquinha?

Nenhum regime ou governo pode funcionar sem o apoio tácito do seu povo. A não ser em casos de repressão extrema e mesmo nesses a coisa costuma ter prazo de validade. A conclusão lógica é que isto não preocupa realmente os portugueses. Fazem algum barulho é certo mas no fundo são bastante tolerantes de todas as práticas relacionadas com elisão, evasão fiscal, falta de transparência comercial e mesmo com a corrupção – basta ver que o país sofre destes males a nível transversal, não é algo que se concentre apenas no topo (lá nota-se mais porque espera-se maior ética e porque as somas são maiores). Não são exigidas penalizações exemplares porque tal não é considerado apropriado pelo povo. Não são exigidos meios para cumprir as leis que já existem porque no fundo ninguém se parece sentir lesado.

Estão todos preocupados.... com alguma coisa... ainda não é claro o quê...

Estão todos preocupados…. com alguma coisa… ainda não é claro o quê…

No caso da privatização da RTP os ingredientes são muitos e variados do lado a favor da privatização. Mistura-se o fervor da crença no deus mercado, o desejo de apagar todo o legado pós-Salazar de independência de informação, as redes de influências de quem controla os aparelhos partidários e ainda os esquemas de organização privados das empresas concorrentes. A Newshold, que pelo que nos é dado a conhecer pela imprensa parece ter ganho por antecipação, foi a primeira a emitir comunicados a condenar empresas que ocultassem os verdadeiros detentores dos seus capitais e como tal seria de esperar que alguém no mundo político os forçasse a cumprir as suas próprias palavras e revelar a sua estrutura em pleno. Pela boca morre o peixe.

Mais estranho que tudo isto é não existir um grupo de cidadãos que repare que, para além de não se ter sido discutido (quando mais debatido ou votado) a alienação em grande escala do que são para todos os efeitos bens públicos pago por todos nós (e que nos virão a fazer falta nos próximos anos), não parece existir qualquer problema legal ou político em que o Estado aceite que empresas que não sabemos a quem pertencem ou quem as gere concorram à compra de propriedade pública. Especialmente um tipo de propriedade que permite um efeito de controlo social sobre a informação ao poder sufocar ou inundar os canais com informação “perigosa” ou “útil” conforme a avaliação do interesse económico de desconhecidos.