As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

O jogo de espelhos

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Imaginemos que em 2016, um partido de extrema direita, que já devia ter sido ilegalizado, os seus membros processados criminalmente e presos, decide utilizar uma estratégia de auto-promoção das suas ideias, decide desestabilizar o actual governo e decide desgastar o actual regime democrático (goste-se deste regime ou não se goste…).

Imaginemos que para o fazer decide implementar uma estratégia manhosa e de choque  usando força para provocar publicamente e procurar estender uma armadilha ao campo da esquerda política com o objectivo de fomentar uma divisão política e ideológica dentro desse sector.

Uma manifestação de apoio aos direitos dos emigrantes é convocada por uma conveniente e útil (útil no sentido de idiotice útil…) associação de defesa dos emigrantes e dos seus direitos ou falta deles. Imagine-se que  – casualmente – a manifestação vai passar na frente da sede de um partido político residual, que se auto promove como sendo um partido de esquerda embora verdadeiramente não o seja.

Imagine-se que, premeditadamente, o partido de extrema direita que já deveria ter sido ilegalizado há muito tempo, os seus membros processados criminalmente e presos decide ir protestar (isto é, fazer desacatos e utilizar uma táctica própria das milícias paramilitares baseada na intimidação física e psicológica) no sitio onde estão a decorrer as manifestações.

Curiosamente, no mesmo dia da manifestação pró imigrantes este partido residual dito de esquerda decide fazer uma “sessão de esclarecimento” sobre os perigos do trumpismo.

Para o partido de extrema direita a sopa caiu (convenientemente) no mel. Decidem ir “debater” na sede nacional do partido residual, o tema da emigração, onde, também, inteiramente por acaso, a manifestação irá a passar…

As pessoas do partido residual,  recusam que lhes invadam a sede para “debater”, chamam a polícia e a partir dai surgem os desacatos.

O partido residual serviu como cavalo de troía (resta saber se propositadamente ou por ingenuidade… ) desta estratégia.

Com a conivência da imprensa – uma parte dela tem ligações à extrema direita embora finja que não – a extrema direita portuguesa ganhou notoriedade.E escolheu dar notoriedade a um grupelho específico do outro campo…

O objectivo seria a geração do facto noticioso “artificial” para justificar que o partido residual que organizou a manifestação teria sido atacado e que esse partido seria um suposto adversário perigoso das ideias da extrema direita em Portugal. Após divulgação desta epopeia épica que (1) dá simultaneamente “direito de antena” ao partido residual e (2) aos cro-magnons que acham que são mais patrióticos que o resto da população, o partido residual é sinalizado para a opinião publica como sendo as vitimas dos ogres e, simultâneamente, os corajosos combatentes pela liberdade.

O verdadeiro objectivo divide-se em duas partes :(a) tentar legitimar aos olhos da opinião publica este partido residual como sendo uma força política considerável (b) e tenta promover a divisão no campo da esquerda política.

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Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda?

Quando a blogosfera portuguesa estava efervescente vários blogues da esquerda espelhavam-se em vários blogues da direita (e vice versa) com constantes discussões e supostos debates.  O resultado prático desta luta era o aumento das audiências de ambas as partes (estas especificas partes) e o arregimentar de pessoas para ambos os lados, com o enorme beneficio destes pequenos grupos que assim pareciam maiores em numero e influencia do que efectivamente são.

A lógica aqui seguida é a mesma, tentando ser transportada para o espaço comunicacional e contando com a evidente ajuda da imprensa e dos outlets de comunicação social, que promovem à vez estes grupelhos.

Nos blogues, alguns blogues ditos de direita foram suportados e apoiados até deixarem de ser necessário (o trabalho sujo já estava feito, pessoas chegaram a negócios e a lugares de deputado…) e passou-se directamente para a área da comunicação social com blogues travestidos de jornais.

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda, precisamente quando este está completamente vazio, eleitoralmente e politicamente, destituído de significado e no fundo do poço??

Numa táctica de dividir para reinar, a extrema direita portuguesa, ou melhor dizendo, os neo straussianos entre eles, aplicam tácticas rudimentares de promoção dos hipotéticos adversários simpáticos  que querem no futuro ter.

Numa táctica perigosa de procurar auto capitalizar ajudando a promoção dos inimigos da democracia, o partido residual timidamente protestou, enquanto que nas suas próprias páginas do facebook, demonstrava aos seus militantes quão corajosa era a direcção do partido por ter feito frente aos “maus” da extrema direita.

Eles espelham-se.

Por conveniência mutua.

Por tacticismo.

Recusando ser a irmandade de Nemésis apoiante formal de qualquer um dos dois campos (esquerda e direita) cabe no entanto chamar a atenção, para os inimigos exteriores de todos; os quintas colunas que se sentam à mesa do regime democrático, e usam os lacaios para atacar todos os que nele estão integrados, bem como chamar a atenção para os colaboracionistas.

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

A vigília de Némesis

A humanidade tem uma tendência para criar padrões de comportamento. Isto é algo positivo. Foi o que nos permitiu formar o que chamamos “civilização”. Pouco a pouco fomos repetindo padrões que sabíamos que iriam produzir um pequeno efeito positivo nas nossas vidas. Estes padrões foram por sua vez revestidos por uma camada mitológica que nas civilizações do mediterrâneo tendiam para formar uma narrativa de ordem versus caos. Permitam-me um exemplo: Set ameaçava a ordem do Egipto até que os esforços combinados de uma trindade conseguiram restabelecer a ordem das coisas – é o que relata uma versão do mito do assassinato de Osíris às mãos de Set. Após matar Osíris, Set esquarteja o seu corpo espalhando as partes pelo Egipto para nunca poder ser recomposto, Isis, consorte de Osíris, parte na demanda de voltar a unir as partes e é bem sucedida conseguindo ressuscitá-lo; da sua união nasce Hórus que mais tarde, ao atingir a idade adulta, vem a repor a ordem no Egipto depondo o seu tio Set, ainda que perdendo um olho no combate. Este tipo de relato serve para exemplificar a criação de um padrão de restauração. De ordem. Mas, abandonando o Egipto faraónico, no presente estamos presos no padrão inverso, um ciclo negativo de criação de caos que não sabemos inverter.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

Portugal está entregue ao caos mais profundo que é possível existir, aquele que tolda a mente dos Homens ao ponto de nem o reconhecerem. O caos confundiu as pessoas ao ponto de entorpecer o seu discernimento e fez grande parte de nós esquecer-se de quem somos e, talvez ainda mais importante, quem queremos ser. Há muito que a Irmandade de Némesis alerta para o facto de a política em Portugal já não ser de facto política, mas apenas a mera gestão da sobrevivência das elites. As tribos da direita e da esquerda “digladiam-se” num espetáculo artificial que visa apenas criar diferenças para o consumidor… perdão… o eleitor poder fingir que tem uma escolha. O caos oferece sempre uma miríade de opções na tentativa de esconder que todas elas são igualmente estéreis. É cansativo ver como os senhores deste aparelho decrépito não retiraram lição nenhuma da crescente fragmentação partidária e da indiferença de um número crescente de eleitores. As palavras de ordem repetem-se, as críticas são as mesmas, as peças de teatro parecem ter sido escritas pelo mesmo autor. A única coisa que muda são os nomes que estão de cada lado. Até para o espectador mais desatento isto começa a provocar uma estranha sensação de déjà vu.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

No essencial o regime está esgotado. E continua esgotado porque o voto é apenas uma ferramenta formal que escolhe candidatos pré-seleccionados e pré-aprovados por quem detém de facto as rédeas deste país nas suas mãos. O cidadão comum continua a confundir o “Estado” com o poder real. Na realidade o Estado tem sido esvaziado progressivamente de poder efectivo. Entre as parcerias que mantém com o sector privado, as cedências de competências indevidas ao poder local e o efeito de erosão da soberania, que são as constantes exigências orçamentais e políticas da União Europeia, sobrou pouco sobre o qual um líder nacional possa de facto ter um impacto significativo. Não que o cidadão alguma vez vá ouvir estas verdades fora deste espaço. Irão explicar-lhe ponto a ponto como estamos a caminhar para um futuro melhor apesar de todos os sinais o negarem. O poder e saúde da nação, tal como Osíris, foram retalhados por aqueles que apesar de possuírem uma pretensão ilegítima ao poder conseguiram apossar-se dos mecanismos de controlo. Não sendo os detentores de direito todos os seus passos e acções espalham mais confusão e miséria, porque em última análise nunca quiseram o poder para algo que não fosse apenas a sua gratificação pessoal.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

As parcerias com o sector privado serão explicadas como essenciais, apesar dos maus exemplos do passado, pois o Estado não tem o direito de oprimir a economia de “mercado” (falta explicar em que economia de mercado existem rendas garantidas) nem possui recursos para chegar a todo o lado – convenientemente ninguém explica como é que uma organização privada que não tem as economias de escala do Estado e ainda precisa de assegurar um lucro pode alguma vez fornecer um serviço melhor ou mais barato. A elevação do poder local a algo “central para a democracia” será vendido como uma devolução de poder ao cidadão que poderá, conforme as suas necessidades locais definir a alocação de recursos – tapando a sórdida realidade que esta realocação de poderes e fundos afecta essencialmente as máquinas partidárias locais, a arraia miúda e média dos partidos, que são vitais para escolher as lideranças partidárias nacionais (e mantê-las). As exigências europeias, cada vez mais desajustadas da realidade nacional serão promovidas como essenciais para garantir acesso aos mercados, um lugar no palco internacional, credibilidade diplomática, eficácia económica… – tudo o que possa ajudar a centrar a discussão política nacional em detalhes tecnocráticos em vez de questões de fundo sobre dependência e soberania. Sai a facção A, entra a facção B. Sai a facção B, entra a facção C. E assim sucessivamente… todos repetindo ipsis verbis estes pontos. Porque as suas raízes vão todas beber ao mesmo rio poluído que é o regime actual. O caos perpetua-se na ausência de um principio ordenador originador de justiça.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

O caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os Mortos o guardam, até chegar o momento. O caminho está fechado.

Reconhecendo este estado de coisas a Irmandade Némesis empenha-se diariamente em informar os cidadãos (membros ou não-membros) que começam a levantar o véu a esta realidade em decomposição. E em aos poucos criar um caminho de restabelecimento de ordem. É um trabalho ingrato porque as elites, mais que entranhadas, estão enquistadas na realidade social portuguesa. Dominam a produção intelectual, têm fundos disponíveis para comprar e vender a grande maioria dos cidadãos, estão representadas em todos os órgãos com poder neste país. São um polvo que nos sufoca enquanto nação. Asfixiam todos os que não se libertarem da sua dominação. Somos cavaleiros que percorrem estradas sombrias, tentando restabelecer a verdadeira ordem das coisas, sentimos o chamamento do dever e de ideais mais elevados que o mero conforto ou ganho pessoal. Mantemos viva a verdade: que as elites não são as detentoras legitimas do nosso país. Apenas se apropriaram dele de forma violenta conseguindo quase apagar a hipótese de um outro Portugal ser possível e de outra ordem de valores para a vida pública estar disponível para quem souber reconhecer a teia de mentiras que o rodeia, e aceitar o manto de responsabilidade que vem com esse conhecimento. Metaforicamente vivemos no reinado de Set mas mantemos viva a memória de Osíris e guardamos o trono de Hórus até ele o reclamar. Sustentamos o princípio da Justiça num tempo escuro.

NémesisA Irmandade de Némesis mantém a sua vigília e acolhe todos nas suas fileiras!

Panamá Leaks – mantenha a calma e chantageie alguém

“Today we live in a society in which spurious realities are manufactured by the media, by governments, by big corporations, by religious groups, political groups… So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms.”
~ Philip K. Dick

blackmail

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão” pela qual uma sociedade deve pensar e viver e quando aceites pela generalidade dos cidadãos tornam-se parte da nossa cultura geral.

Regra geral o que existe numa sociedade é uma inércia social relativamente a ideias culturais novas (não no sentido de cultura “artística”…). Daí os actos premeditados destes específicos grupos de interesses na criação destes memorandos culturais e na sua disseminação.

Quando estes grupos ilegítimos de interesses julgam estar a sociedade predisposta a aceitar algo contrário aos interesses dos cidadãos, ou precisam que a sociedade esteja predisposta a aceitar formas de viver contrárias aos seus interesses é colocado o ovo social dos memorandos pré fabricados em acordo com os interesses da elites, das oligarquias ou de ambos.
Se este memorando se torna viral a viralidade auto exponencia-se e o novo ovo social/memorando a aplicar auto alimenta-se e apresenta as características da exponencialidade existentes nas células cancerígenas.

Quando os memorandos são sucessivamente aplicados, e as coisas efectivamente mudam, os promotores destes tipos de ideias tentam a todo o custo travar a emergência de um novo memorando que os combata e passam a promover a inercia social e cultural e o estiolamento do pensamento.
Quando não o conseguem ou porque não tem força e habilidade para isso ou porque uma sociedade onde isto é aplicado é demasiado dinâmica e gera sucessivos novos memorandos este mesmo processo tenderá a ser repetido: viralidade, aceitação generalizada ou inercia cultural e resistência a mudança.

Tudo isto gera uma enorme confusão nas vidas das pessoas e gera uma aparência de falsa dinâmica em certos sectores de uma sociedade e que se mistura com uma lassidão social total noutros sectores da sociedade, o que gera uma cada vez menor homogeneização da sociedade no que diz respeito à definição do que é o bem comum e qual é o destino colectivo dessa mesma sociedade.

Este é o sonho húmido das elites e dos oligarcas portugueses: confusão das pessoas e falta de sentido e clareza no que ao destino colectivo diz respeito.

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Grupos específicos aparentemente indeterminados, despoletaram os Panamá papers.

Um desconhecido chamado John Doe (ou uma agência de segurança e informações de um país..) adquiriu, via roubo electrónico, ao que se julga saber, os ficheiros de uma empresa privada de advocacia que se dedica à gestão de fortuna e a criação de offshores.
A empresa é obscura e cheia de sombras, transacciona para todos e com todos, e o escritório atacado situa-se, convenientemente, numa geografia controlada pelos norte americanos e pelos seus serviços de segurança e militares.

John Doe entregou os documentos digitalizados roubado a um consórcio “independente” de jornalistas. Constitui apenas um mero acaso circunstancial serem financiados por organizações ligadas aos centros políticos e estratégicos dos EUA e por fundações ligadas a interesses de oligarcas e de elites económicas e políticas com sede nos Países baixos, Noruega, e Reino Unido.

As fundações são elas próprios veículos jurídicos artificiais criados com o fim de se pagar menos impostos pelas actividades que se realizam em nome do objecto jurídico (muitas vezes fantasista…) dessas mesmas fundações.

Este consórcio “independente de jornalistas” sentiu-se autorizado a usar informação roubada, onde coexistem terceiros que não sendo eticamente inocentes apenas aproveitaram o regime jurídico injusto dos offshores, e onde coexistem criminosos (cujos dados até agora não foram revelados) e onde coexistem chefes de estado ou empresas que são inimigas dos EUA (dados revelados ou insinuados…).

O consórcio jornalístico “independente” não usou a sua independência para usar o seu bom senso e declinar servir de peão a esta estratégia. Serviu conscientemente de peão, servindo diligentemente quem lhe paga.

Estes bens roubados e divulgados – informação – serviram e servem para estes consórcios e as empresas de comunicação que deles fazem parte pudessem obter vendas mais elevadas e aumentarem a sua reputação como “jornalistas de investigação /meios de comunicação social” honestos e impolutos.

2016-04-25 - panama leaks -sabujice manipulativa

Esta actividade tem servido para a pratica do desporto da “selectividade à medida” e serve para transformar esta actividade numa tendência a ser considerada como sendo “os novos tempos “ que ai vem e aos quais devemos todos aderir.

Com posse destes segredos, seletividade das fugas e com estas tácticas a serem usadas isso possibilita a que a imprensa (e os interesses económicos por detrás) possa fazer deste tipo de casos um novo mercado.

O lançamento de cortinas de fumo e desinformação que aproveita apenas foi mercantilizado com esta acção (capitalismo de vigilância). Tornou-se apetitoso para toda a classe profissional de John Does mundiais a pratica da extorsão e da chantagem obtendo em troca de poder e lucro.

As possibilidades são imensas, uma classe de extorsionistas veste a capa da legalidade justiceira e pode ditar quem é ou não é um candidato à Presidência, ao governo, que empresa ganha ou não ganha um contrato, quem pode ser empresário ou não, que cidadão é estimável ou quem não é, embora depois as consequências práticas legais sejam nulas sobre os visados, dado que a legislação que existe “legaliza” os offshores.

Neo liberais e libertários portugueses clamarão que esta situação apresenta uma oportunidade de negócio visando criar protecções sob a forma de empresas – startups – que gerarão software (ou vaporware caro…) – que nos protegerá deste novo perigo (que está a ser propositadamente criado e deixado florescer…), a divulgação ou venda de informação sensível.

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão”, e um novo popular memorando foi criado.

Que quem determina o que é revelado são Jonh Does, acolitados por empresas de comunicação social, que se auto reservam o direito de dizer o que é divulgado ou não é divulgado e qual a seleção a fazer.

O principio da espada de Dâmocles chegou.

Tenta-se fazer passar a ser aceitável que isto seja o novo paradigma.
Que quem domina melhor os meios tecnológicos pode ser autorizado a difamar e a chantagear e a dizer o que é lei e o que não é lei.

O centro não consegue aguentar, e porque deveria fazê-lo dadas a condições que existem?

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

William Butler Yeats’ 1919 poem, The Second Coming *

Vivemos no tempo da Republica sem consciência, uma embalagem vazia destituída de significado real, esvaziada das suas componentes democráticas, uma república empacotada em linhas de montagem totalitárias que defende apenas os interesses dos oligarcas, que fecha os olhos às movimentações da extrema direita escondida em partidos políticos aparentemente “legítimos”, saturada de grupos de interesse em serviço próprio ou dos amigos ou ambos.(Turning and turning in the widening gyre…)

Deveremos ficar satisfeitos com este estado de coisas?

Esta Republica que nunca o conseguiu ser plenamente, foi impregnada de falhas na ética republicana. Cambaleante, avança subvertida pelos quintas colunas que a empestam. Como o centro não aguenta, é ineficaz na difusão dos valores democráticos que a deveriam orientar e chegou ao ponto em que apenas está residualmente condenada a fazer passar essa imagem de decadência corrupta para a sua população e para os outros países.(Things fall apart; the centre cannot hold;)

Deveremos ficar satisfeitos com a decadência corrupta que nos querem oferecer/impor?

Temos uma Republica que mostra uma imagem resplandecente, mas falsa, onde vários espelhos partidos existem e para quem eles olha de forma certa observa-a a (dis) funcionar com passos certos e definidos.

YEATS - the falcon cannot hear the falconer

É necessário perceber que:

Esta é uma república de oligarcas. Os oligarcas portugueses são permitidos e acarinhados. (The democratic falcon cannot hear the democratic falconer) Totalmente detestáveis e absolutamente contrários a democracia, ou para esse efeito a qualquer outro sistema político democrático ou não democrático que os controle ou lhes exija auto controlo e decência.(The autocratic falcon cannot hear the autocratic falconer)

Escondidos nas sombras impõem o seu modelo autocrático de funcionamento escondido sobre uma capa de verniz democrático e de suposta aceitação das leis gerais da terra. Vocacionados exclusivamente para os únicos valores que para eles contam; dinheiro e poder. Os valores que não tem pátria.

Para os oligarcas portugueses, ter um ethos baseado em dinheiro e poder é a pátria, adicionalmente vestida com uma capa de verniz democrático como imagem para o exterior.

Devemos ficar conformados com a existência de forças hostis no nosso seio enquanto sociedade, que nos subvertem sempre que podem? (The ceremony of innocence is drowned;)

Deve acrescentar-se que a população pactua com este estado de coisas, entorpecida pela opressão psicológica e social que sobre ela é cometida todos os dias, e completamente confundida pelos aparelhos de desinformação (a comunicação social, as agencias de comunicação, os partidos políticos, os oligarcas que detém os sectores económicos que interessam…) aceita o mau como sendo bom e o bom como sendo mau, já genericamente incapaz de distinguir entre uma coisa e outra. (Mere anarchy is loosed upon the world,)

Há culpas/responsabilidades da população neste assunto, recusar desculpabilizar uma população que aceita ser despolitizada e consequentemente ser prejudicada, mas que também aceita trocas éticas que a desfavorecem e faz amiúde pactos faustianos para obter migalhas que já vem embaladas das fábricas oligárquicas em papel corrupção, é um erro de análise.

Apesar das perspectivas serem negras como o negro mais negro em fundo negro o achincalhamento da população, apesar de tudo, traz sempre reacções.

A lassidão social, o abandalhamento pessoal, a destituição de quaisquer convicções cívicas ou de cidadania, a procura desenfreada de um sistema de padrinhos que arranjem uma colocação para os próprios, ou para os familiares, as crenças na ascensão social pelo (falso) mérito escolar mesmo fechando os olhos à corrupção que existe no pais, extremamente fomentada pela tribo da direita política de forma activa e deixada desenrolar-se e espalhar-se pelas omissões constantes e o fechar de olhos da tribo da esquerda política, o sentimento de desagregação social, económica e social (tradução: a expressão coesão social “tão em voga e tão alvo de pessoas a deitarem lágrimas de crocodilo por ela…) começam a gerar ligeiros suores frios nos oligarcas e nas elites de corruptos a eles associadas, simplesmente porque o bolo está a diminuir e as pessoas começam a estar preparadas para funcionarem em lassidão robótica permanente. (Things fall apart; the (corrupt) centre cannot hold;)

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

É necessário perceber que:

A sistemática, enjoativa e repetitiva promoção de elites técnicas, políticas e sociais (quase todas elas semi medíocres, no contexto internacional) é feita em paralelo com promoção do achincalhamento da população.

Estas elites técnicas, políticas e sociais, acham-se intituladas a mais do que precisam e a muito mais do que são. A oligarquia, quis e quer encontrar pontos de apoio que lhe permita fazer o trabalho sujo de subversão, e confere a esta manada de a-cidadãos um estatuto de importância baseado na mais pura artificialidade ou nos graus de parentesco, podendo também a pratica de actos sexuais “a pedido por serviço prestado em função de futuro lugar a colocar” ou mesmo corrupção pura e dura serem usadas.  E como tal promove a arregimentação destes novos candidatos a pontos de referencia para servirem de farol para os restantes. Nas elites técnicas a manada que se vendeu conduz os desejos da manada que está a espera de ser comprada.(The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere)

Quando estes cartazes humanos de legitimidade técnica, política e social (tradução: a “tecnocracia supostamente esclarecida”), são colocados no terreno; estas pessoas da cor oligárquica/partidária que desejam um posicionamento confortável junto dos ninhos de poder dos oligarcas dá-se o salto seguinte.

Memorandos culturais são decretados usando a comunicação social para o fazer, explicando à população ignara que estes novos senhores e senhoras é que são os guias orientadores dos destinos do país e da população, e que as ordens parecidas com fascismo amigável incompetente desta camarilha devem ser cumpridas e adoradas.

A criação de conformidade cultural e apetência para estas ideias tem o bónus de atrair as elites que não estão ainda na mesma órbita. O apelo é simples, é velho e é conhecido: ”juntem-se a nós” e terão poder e dinheiro sexo e status (tradução: corrompam-se, façam um acordo faustiano e esmaguem os vossos compatriotas em posições sociais mais baixas ou desprovidos de poder). (The best lack all conviction, while the worst…)

Esta é a pulhice que conhecidos personagens da comunicação social, da política, da economia e áreas adjacentes pregam abertamente. (Are full of passionate intensity.)

yeats - the falcon and the falconer

É necessário perceber que:

Dada a imensa predisposição para se corromper (motivadas pelos mais v$riados m♥tivos por parte das elites portuguesas e da população que persiste em fechar os olhos é adquirida, regra geral, a suficiente massa critica de pessoas. Os “técnicos” necessários para “exercer funções de controlo biopolitico e económico surgem como cogumelos e aplicam poder despótico. O objectivo é destruir a alma dos cidadãos e degradá-los ainda mais.

E obter controlo. Muito controlo.

Controlo em Portugal significa criar mais quotas de poder para oligarcas e associados; em paralelo retirar poder à generalidade da população. É um jogo de soma nula que tem um perdedor especificamente definido antes do jogo começar.

Devemos ficar satisfeitos pelo facto de autocratas estarem a tentar definir em proveito próprio regras que atacam toda a sociedade?

* a colocação de uma citação de William Butler yeats recusa significar qualquer tipo de simpatia pelas ideias totalitárias perfilhadas por Yeats.

Morte aos moderados portugueses

Em Portugal somos abençoados com a moderação. Ao andar nas ruas, em viagem pelos transportes públicos, entrando em centros comerciais ou olhando com atenção  ao nosso redor estamos rodeados de moderados.

Saímos dos espaços comerciais, das ruas e dos transportes públicos e os moderados tem a sua vida. Conduzem os seus carros em direcção a lado nenhum, sempre com moderação e começamos a pensar se serão seres humanos vivos ou apenas seres moderados. Tal impressão faz-nos pensar se nós próprios não seremos moderados.

Quando os moderados querem deixar de se sentirem moderados fazem loucuras.

Saem à noite e bebem meia garrafa de vinho, exactamente. Vêem televisão por cabo e acham que a série ou o filme absolutamente banal, repetitivo e nada original é afinal brilhante e tomam uma posição moderadamente moderada sobre o assunto.

Moderation

Quando se tornam filosoficamente mais profundos, os moderados emitem uma opinião.

A completa loucura e insanidade em que se tornou a vida moderna ou pós moderna (os moderados tem uma opinião moderada acerca desta diferença doutrinal); a fome generalizada em alguns continentes e em partes de cidades e vilas dos continentes ricos; os refugiados que chegam à Europa trazidos a pontapé por objectivos geoestratégicos; ou a alienação sufocante que rodeia, asfixia e corroí a sociedade portuguesa é moderadamente sentida e comentada pelos moderados.

Moderadamente, o moderado português, declara com “gravitas” na voz que,  “as coisas não são perfeitas, mas se fizermos alguns ajustes ali e acolá, deveremos estar bem”.

Se nos posicionarmos no centro (definir o que é o centro é algo que o moderado faz, de forma moderada…) aumentarmos os impostos sobre os mais ricos e sobre os restantes, legalizarmos as drogas leves, apoiarmos as causas fracturantes (o moderado é a favor de tudo isto quer as causas fracturantes sejam originárias da tribo da esquerda política ou quer sejam originárias da tribo da direita política…), se apoiarmos as causas que não são fracturantes, e mais alguns ajustes ali e acolá tudo estará bem.

Ocasionalmente de forma sistemática os moderados farão uma pequena loucura com moderação. Sextas feiras casuais no escritório com calças de ganga serão implementadas, e quando chegarem à Internet para consultarem sites pornográficos moderados ou facebooks inteligentes de pessoas moderadas; os moderados exigirão que a polícia prenda os trolls que afirmam coisas contrárias às opiniões moderadas dos moderados.

O moderado quer construir um mundo que é sempre o mesmo, só que mais agradável.

Por essa razão (ou outra qualquer mais ou menos moderada), o moderado tem dificuldades extremas em entender as pessoas que sofrem de auto destruição compulsiva, ou dores nas costas, ou sentimentos de culpa induzidos pelo cristianismo latente e opressivo, ou pessoas que recordam sub conscientemente todas as asneiras ou erros que já fizeram. Os moderados não são abrangidos por estas reacções normais: os moderados só fazem moderadamente erros.

Os de nós que reagem com normalidade e de forma perfeitamente saudável ao capitalismo tardio em que parece que vivemos; os de nós que se indignam com esta subversão em que esta sociedade está transformada olham para os moderados como enviados directos do nono circulo do Inferno.

Perante a gritante palete de problemas sociais, políticos e económicos em que estamos colocados, a solução dos moderados é a felicidade revoltante ou a alienação imbecil como resposta a esses mesmos problemas.

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Na televisão (e demais pseudo meios de comunicação social) os anúncios comerciais promovem produtos ridículos e dispendiosos de relativa utilidade, mostrando pessoas moderadas e felizes, todas sempre jovens (mesmo quando tem meia idade ou andam agarradas a andarilhos com algálias colocadas…) todas elas felizes e satisfeitas. Moderadamente.

Nos anúncios de produtos médicos a moderação é pior. Todos os medicamentos promovidos descrevem pessoas miraculosamente salvas de uma qualquer dor cronica, o que leva quase a desejar, por parte dos de nós que não são moderados, que as pessoas que fazem o anuncio obtenham uma morte instantânea ou uma qualquer disfunção eréctil os atinja. De forma moderada.

Todos os fundamentos da vida social, biológica, política e económica ameaçam colapsar. E contudo, os moderados andam a pé, de carro ou de bicicleta num prado verde cheio de sol, com um lago com patinhos, satisfeitos por já não terem dores de costas ou artrites.

Os moderados na sociedade portuguesa estão completamente loucos. Baseiam-se num ideal transcendente imaginário alicerçado em Ego, narcisismo e escapismo em que a vida é auto controlada de forma bio política.

Imagine-se o que seria se os moderados, estivessem armados com armas verdadeiras, em vez de sorrisos condescendentes e moderação psicotropica?

Mas porque existem os moderados?

Porque não permitem perturbar os interesses do lucro. Do poder. Da ilegitimidade.

Ou seja, a indiferença social política e económica cheia de alegria e niilismo.
Se “dermos uns toques” “ isto irá tudo funcionar.

Na pratica este exército de moderados é uma arma violenta dentro desta sociedade.

A sua moderação tem permitido que os mais variados corruptos oriundos das elites e das oligarquias obtenham poder e riqueza ilegítima, porque ”se dermos uns toques” isto irá tudo funcionar e eventualmente ajudar a reparar os estragos causados pelas elites e pelas oligarquias.

Mas continua sem funcionar.

O moderado gosta de motas e conduz scoters, bebe Pepsi ou Coca cola ou descafeinado ou chá ou meio copo de vinho, é adepto de novas tecnologias e gadjets, descobre que existem problemas de privacidade pessoal depois das Cctv´s já terem sido instaladas e ouviu na sua adolescência, prog metal, ou Justin bieber, se for um moderado internacional. Se for português ouvirá os acima citados mais José Cid e Tony carreira, ou a cultura genérica de pop rock lisboeta copiada$ das contra partes americanas e inglesas.

Esta forma de disciplina de massas – de parte das massas, dado que Portugal é anárquicamente moderado – é a moderação violenta que terá tendência a sair da periferia indo em direcção ao centro.
Em Portugal, que já é periferia em relação ao centro mundial, já cá chegou mas é difusa e moderadamente cretina e ineficaz.

Se alguma vez a marca especial de moderados de marca lusitana tomar armas – e durante o quadriénio de 2011-2015 andaram a servir de lacaios aos radicais que foram parar ao poder político (e foram votados na sua esmagadora maioria pelo exército de moderadas cá do sítio…) deveremos preparar-nos para um longo exercício de terror imposto pela moderação destas pessoas.

A moderação, via proxy da austeridade, é a invocação de uma guerra de classe usando o terror para o fazer.

Os mentirosos são um exército internacional e Portugal tem a sua filial

Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas. The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.   Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus, Agricola

     "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal


“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Os mentirosos são um exército internacional.

A capacidade de internacionalizarem a mentira motiva-os para a promoção da expansão  das sucursais de mentirosos em vários países. Os ganhos de eficácia dessa opção permitem o alastrar da corrupção e da mentira financeira e económica e adicionalmente proporcionam  o enraizamento de alavancas regionais de poder.

Mesmo os pardieiros suburbanos periféricos europeus, como Portugal, são considerados como “aptos” a terem cá uma sucursal de pequenos mentirosos – a elite de pretores locais – que propaga a mentira, dissemina a injustiça, corrompe os pontos débeis do sistema político e social e destrói o valor destes.

Nos últimos 4 anos (2011-2015) a sucursal do pequeno exército de mentirosos de nacionalidade portuguesa, (mas só nisso tem nacionalidade portuguesa, dado que os chacais declinam nacionalidades) tem roubado ou promovido o roubo, destruído ou promovido a destruição, anarquizado este país de forma violenta e brutal.

Os custos estratégicos desta aventura neoliberal/neocleptocrata patrocinados localmente e directamente pela tribo da direita política e indirectamente pelas omissões constantes e “olhar para o lado” por parte da tribo da esquerda política são ainda maiores do que os custos sociais e económicos.

O pardieiro que dá pelo nome de Portugal foi declarado “no man´s land”, num qualquer laboratório de experiências sociais e económicas, e a política de terra queimada seguida tem mesmo como objectivo incapacitar de forma permanente este local.

É um “Trial run” oligárquico-internacional para verificar e monitorizar como se pode subverter e destruir um pequeno pardieiro periférico europeu e se isso gera reação oposta, de quem e de que tipo e por que meios.

Os aliados locais estrategicamente colocados no terreno, fazem o seu trabalho. Um conjunto geneticamente selecionado de traidores oriundos das classes sociais consideradas e declaradas como sendo as “certas” ajuda a promover esta agenda.

Isto é guerra de classe promovida contra a generalidade da população.

Existem enganos de apreciação sobre este assunto e condescendência nacional porreira sobre isto.

Os membros da Irmandade de Némesis recusam estar no negócio do nacional porreirismo e declinam a condescendência.

O leitor que ainda está ai, vive mesmo convencido que o radicalismo da linguagem deste texto e a dureza da mesma são desproporcionais em relação ao que se passa e passou nos últimos 4 anos?

Lamento escrever assim, mas está em negação. A seriedade da situação obriga a concluir que não vai ser o pensamento mágico dos mantras do crescimento exponencial prometido que virá a resolver problemas.

Apenas os conglomerados bancários verão os seus específicos problemas resolvidos, nunca a população.

A injustiça é irreparável dentro das regras deste sistema.

Pontos de não retorno foram quebrados.

O pequeno exercito de mentirosos locais formalmente de nacionalidade portuguesa tem apoiado tudo o que os overlords lhes prometem pagar em benefícios (imaginários) mais a frente.

Enquanto sociedade estaremos mesmo interessados em ajudar a promover interesses comerciais de conglomerados bancários aliados aos desejos gananciosos dos pequenos mentirosos das sucursais locais para nosso desfavor?

“One of the necessary accompaniments of capitalism in a democracy is political corruption.”

Upton Sinclair

realidade - coincidencia
As guerras à discrição e discricionárias promovidas pelas elites ocidentais são constantemente apoiadas de facto ou simbolicamente pelas elites de poder portuguesas, e pelos meios de comunicação social a soldo, sem que exista qualquer razão válida geo estratégica ou outra que o justifique. (a pequena sucursal de província, o pardieiro congelado no espaço e no tempo, segue acríticamente as ordens da sede mãe, até ao dia em que a sede mãe mandar fechar as portas da pequena sucursal de província…abandonando-a a sua sorte…)

Isto chama-se vassalagem.

A população nunca autorizou a que se falasse em seu nome para que esta aceitasse estes acordos de vassalagem. Estes ou outros.

Isto deve ser claramente afirmado!

Tratados secretos negociados em sítios escondidos por pessoas sem rosto são omitidos da discussão e debate públicos em Portugal, sem que as tribos políticas da esquerda e da direita se dignem a ficar incomodadas. (A situação é boa para ambas as partes, que assim podem brincar aos tratados de Tordesilhas tendo como objecto a dividir – a população portuguesa)

Compreende-se, se quisermos compreender…

Isto chama-se traição.

O acordo tácito é simples: será talvez melhor que não se fale destes assuntos, não vá dar-se o caso de a generalidade da população começar a perceber que está a ser traída da forma mais abjecta possível e verifique que os seus filhos e netos foram entregues para abate e venda no futuro mercado de gado para humanos…

 

Isto chama-se pulhice.

tratado tordesilhas - enclave

Duas correntes políticas supostamente opostas concordam com futuras formas de opressão a serem exercidas sobre a população e consideram que são donos da população e dos votos que esta deposita nas urnas.

Isto chama-se conluio para obter resultado pré determinado e favorável.

Bolhas gigantes especulativas assentes na criação artificial de papel moeda ou na manufacturação de bolhas especulativas nos mercados imobiliários e financeiros são saudadas como sendo “a recuperação da economia”, o “ crescimento” e a “criação de emprego”.

Hossanas na alturas. A bem da nação. Promulgue-se.

Nestas brincadeiras financeiras mascaradas de keynesinismo benigno são inexistentes quaisquer formas de crescimento verdadeiro, equiparado a crescimento real de coisas tangíveis, mas que importa?

O verdadeiro objectivo é manter a ilusão sobre os portugueses, que, de resto, vão atrás da onda e nem percebem que a onda está a formar uma nova tempestade maior que os vai afogar…

Basta reparar que, no mês de maio de 2015, a publicidade comercial oferecendo crédito ao consumo, ou crédito à habitação, ou a compra de novo carro está ai em força.

O lento aumento (totalmente artificial) do preço de casas de habitação e terrenos, demonstram que o circo da bolha especulativa chegou de novo à cidade sem que existam quaisquer fundamentais económicos que demonstrem que há mercado (isto é, consumidores reais com poder de compra real) que possam entrar de novo neste carrossel com capacidade de pagarem.

Entretanto, o valor real dos bens é desvalorizado, permitindo a quem tem capital, adquirido a juro baixo ou inexistente (juro zero ou próximo) a aquisição de bens por preços artificialmente baixos.

O controlo que dai advém sobre a população é óbvio.

Isto chama-se pulhice financeira.

carta monopolio 3- enclave

Mercados financeiros ou outros armadilhados para que os mesmos que os armadilham (os insiders) sejam sempre os vencedores.

Nestas ocasiões as cartilhas retóricas das tribos da esquerda política e da direita política entram em menopausa sabática.

Responsabilidades sobre capitalistas que causaram danos ao sistema são inexistentes. O menu “a la carte” para atribuir culpas é utilizado mediante os princípios do momento.

Como disse alguém famoso: eu tenho princípios, mas se não gostar dos que tenho,  arranjo outros.

Isto chama-se compadrio consciente e deliberado para criar uma nova geração de vitimas financeiras de um sistema pré viciado.

E aumentar sempre a dependência da população.

Quando os problemas, por mero acaso ou HUBRIS - CEREBRO - HALTEREShubris, emergem ou já não podem ser mais escondidos, perdões de divida simpáticos desenhados por políticos ou juízes amigos para ilibar de problemas uma certa classe social e económica que parasita desde o inicio dos tempos surgem como coelhos da cartola de um qualquer mágico.

Se a percepção da população sobre os perdões de divida simpáticos for negativa; a população é atacada e condicionada na sua cidadania e na formação das suas opiniões.

Surge o discurso judaico –  cristão da penitencia e da culpa para a população e o discurso “ foi azar, os mercados não foram favoráveis ” para justificar os perdões de divida simpáticos para os amigos e protegidos.

Outra forma usada de penitencia sadomasoquista é a exigência feroz de austeridade “publica”, ad eternum, e paga pelo público…

Isto chama-se filosofia da expiação dos pecados próprios, dos outros e da Humanidade sem tempo temporalmente definido para terminar.

Isto chama-se “divida de gratidão eterna” nunca reembolsável e apenas existente para criar dependências entre uma maioria de pessoas para com uma minoria de pessoas.

Isto chama-se psicopatia e quanto mais cedo percebermos que há psicopatas em lugares de poder, melhor será, para assim nos livrarmos deles mais rápido.

Esta dependência é ilegítima. Para escrever o mínimo.

Venda de bens públicos para supostamente pagar dividas ilegítimas criadas com base num sistema demencial e ré subvertido e assim desarmar a população constituem outro ataque feroz à autonomia individual e colectiva do pardieiro local, patrocinada pela sucursal local dos exércitos de mentirosos.

Devemos deixar que traidores locais nos entreguem para abate,libertando-se a si próprios de culpas?

O leitor que ainda está ai, está mesmo convencido que o radicalismo da linguagem e a dureza da mesma são desproporcionais em relação ao que se passa e passou nos últimos 4 anos?

exercito mentirosos locais - enclave

O negócio dos cleptocratas oligáquicos, do exército de mentirosos, dos cortesãos associados é simples e é um ataque extremamente hostil contra a população portuguesa.

Quem é rico ou tem poder ou ambos, cria divida e não a paga.

Quem é pobre ou de classe média (a que ainda existe) paga a sua parte das dividas e a parte de quem é rico, num acordo imposto com base na chantagem social, na intimidação, na coaçcão a uma população que é traída e na sua grande maioria recusa perceber que foi traída.

Esta é a política económica da pilhagem e da transferência de riqueza de quem menos tem para quem mais tem.

Querem criar um deserto e chamar-lhe paz.

Nos cemitérios há paz.

A Irmandade de Némesis nunca morre!

“One of the necessary accompaniments of capitalism in a democracy is political corruption.”
― Upton Sinclair

A Legitimidade e os cortesãos que a danificam em nome dos interesses da elite de poder

” No king can be without worthy courtiers with whom he may be at his ease and behave without restraint. ” -The Nizámu’l Mulk

2014-12-12 - 4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 1Numa sociedade existem 4 formas de legitimidade.

Um Deus fornece a legitimidade, um Rei fornece a legitimidade, um Grupo de interesses organiza-se e fornece a legitimidade, ou os Indivíduos fornecem a legitimidade.

3 formas de legitimidade são anti democráticas. Deus, Rei, ou grupos organizados de interesses legitimam-se por oposição à democracia, como sistema de escolha que os cidadãos podem ter.

Nestas 3 formas de legitimidade antidemocrática, os cidadãos são considerados como súbditos e estão colocados numa posição de dependência e subserviência em relação à legitimidade de quem está provisoriamente a comandar os destinos da sociedade.

A 4ª forma de legitimidade é a única que é democrática. O indivíduo junta-se a outros indivíduos e organizam-se, para exercer os seus direitos de cidadania, através da delegação do seu poder enquanto cidadãos aos órgãos representativos de governo, eleitos, e aos quais é conferida legitimidade democrática.

Um dos órgãos representativos dos cidadãos é o governo entendido na sua forma abstrata. Só o governo pode defender o interesse público, existe como um mecanismo democrático que defende o interesse publico.

Se os cidadãos abdicarem da defesa do interesse público, invariavelmente serão submetidos a outras forças mais poderosas. Torna-se óbvio que essas forças mais poderosas apenas se defenderão a si próprias e que apenas defenderão os seus próprios interesses.

O indivíduo vive em sociedade somente numa democracia, o único sitio onde é considerado um cidadão. Quando um Deus, ou um Rei ou um Grupo de indivíduos organizados para defender interesses, geralmente empresariais, conseguem obter proeminência na sociedade, lentamente, com o passar dos anos, os cidadãos vem ser diminuídos os seus direitos políticos e cívicos.

Em Portugal, estamos na fase em que os direitos políticos e civis dos cidadãos estão a ser diminuídos rapidamente.

2014-12-12 -4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 2As forças negras que estão por detrás das “ideias de Deus” a comandar a maneira como a sociedade se deve comportar, das ideias de “um Rei” como fonte de legitimidade na sociedade, como símbolo”, juntaram-se aos “defensores das ideias de grupos organizados para defender os interesses das empresas”, para ganharem músculo, escala, peso institucional, criarem a imagem simbólica de serem a maioria, e assim conseguirem atemorizar e  manipular almas, consciências, e maximizar fluxos financeiros e de poder. Quem atemoriza, manipula e obtém benefícios financeiros ilegítimos tem falta de legitimidade democrática, e sobra-lhe legitimidade não democrática.

Corremos enormes perigos, pessoais, políticos e profissionais, se deixarmos esta aliança do Mal ganhar um “pé sólido” na sociedade, e mudar de forma definitiva a matriz do pais. Portugal tornar-se-a um sitio infecto e iníquo (mais ainda) se algum dia isto acontecer.

Este novo “movimento híbrido” de forças do mal que se escondem atrás das 3 falsas legitimidades, praticam o duplo discurso como forma de confundir e chegar à população.

 Doublespeak is language that deliberately disguises, distorts, or reverses the meaning of words. Doublespeak may take the form of euphemisms (e.g., “downsizing” for layoffs, “servicing the target” for bombing[1]), in which case it is primarily meant to make the truth sound more palatable. It may also refer to intentional ambiguity in language or to actual inversions of meaning (for example, naming a state of war “peace”). In such cases, doublespeak disguises the nature of the truth. Doublespeak is most closely associated with political language.[2][3]

Clamam por ordem, segurança, justiça, desenvolvimento, crescimento económico ao mesmo tempo que se apresentam como sendo um “projeto novo”, um modelo social alternativo, uma ” evolução do pensamento conservador da tribo da direita portuguesa. Na realidade são “tecno fascistas” modernaços que promovem um discurso “libertário” paralelamente assente no discurso da liberalização dos costumes, para assim “entrarem” no eleitorado tradicional da tribo da esquerda política.

Mas, o “novo poder”, isto é, o verdadeiro novo produto comercial – político que está a ser vendido é o da aceitação, por parte da população, da suposta legitimidade total dos grupos de interesses organizados, isto é, dos interesses das empresas privadas e associados acoplados, como sendo isso o ” futuro” e o total êxito a que devemos aspirar.

Como as empresas privadas apenas estão vocacionadas para a defesa dos seus próprios interesses e dos seus acionistas/donos, daqui resulta que qualquer defesa do bem comum, da sociedade como um todo é inexistente.

Que não haja ilusões sobre isto.

Os resultados de, enquanto cidadãos, termos aceite, por distração, comodismo ou empenho esta “venda simulada” de felicidade a granel proposta pelas forças do mal tecnocrático e autocrático é uma das explicações para os problemas que enfrentamos e para a ocupação das nossas vidas privadas e publicas pelos interesses das empresas.

Quem combate o Mal existente nos grupos de interesses organizados e que julgam e afirmam ser a legitimidade na sociedade?

A resposta é: politicamente, na política partidária, ninguém. Na suposta confrontação ideológica entre tribos, ninguém.

A tribo da direita política está na cama com estes interesses.

A tribo da esquerda política, que já desistiu há muito tempo de consistir e constituir qualquer alternativa política séria, aceita misturar-se com esta tropa híbrida tecno fascizante e profundamente reacionária cujo verniz estala quando devidamente confrontada com as políticas que defende.

Competiria à tribo da esquerda política a denuncia desta forma abjeta de organização ilegítima da sociedade mas prefere contemporizar. Uns vão para a cama com estes interesses, outros contemporizam.

Quem fica e recusa apoiar esta ilegitimidade social e política?

 In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers. john ralston saul: "Mainstream"


In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers.
John ralston saul: “Mainstream”

Se uns ajudam, institucionalmente e estruturalmente outros contemporizam. Os que ajudam são  recompensados com poder, influencia, dinheiro e espalham a corrupção ética na sociedade. Os que contemporizam com estes venenos ideológicos são, ou ineptos ou tentam ser corruptos como os que ajudam.

E o ” novo discurso” que emerge é o discurso do cortesão, umas vezes orientado para as prosas que são oriundas da tribo da esquerda política, outras vezes orientado para as prosas oriundas da tribo da direita política.

Estamos a ser, enquanto cidadãos, enganados pelas tribos.

O ” bacon” desta corrupção ética e de discurso/pratica é que a defesa dos interesses de grupos organizados – as empresas – é agora comum aos dois (supostos lados) lados da contenda política e tem a mesma falta de legitimidade que os interesses que defendem um deus e um rei como legitimidade constitutiva da sociedade tinham.

E nada mais isto é que a operacionalização do discurso do  courtier_/cortesão. E é neste charco de lama que encontramos os cortesãos a funcionarem.

Como se comporta o cortesão?

Grande parte dos cortesãos agita-se na comunicação social. Cheios de ressentimento, amargura, cinismo e hipocrisia debitam inúmeras palavras que visem levá-los a comer as migalhas que saem da mesas onde almoçam, jantam e defecam os que tem o verdadeiro poder. Grande parte destas criaturas estará sempre na orbita do poder, mas estará sempre aparte – os lugares à mesa para a nossa nojenta elite de poder já estão pré definidos e são apenas para associados, familiares e criaturas subservientes especialmente escolhidas que em geral andem por ali.

Como os recursos a disponibilizar são escassos, os nossos courtiers barafustam exigindo um prato à mesa, lançando as culpas para o resto da sociedade.

2014-12-12 - EDITAL ANTI CORTESAO

Isto não corresponde aos manuais sobre como ser um courtier.  A elite política portuguesa nem sequer consegue ser “competente” a formar estas ” profissões” de lacaios que atacam a legitimidade da democracia. The Nizámu’l Mulk, explica…

 ” … The courtier should be essentially honourable and of excellent character, of cheerful disposition and irreproachable in respect of his religion, discreet and a clean liver. He should be able to tell a story and repeat a narrative either humorous or grave, and he should remember news. He should also be consistently a carrier of pleasant tidings and the announcer of felicitous happenings. He should also have acquaintance of backgammon and chess, and if he can play a musical instrument and can handle a weapon, it is all the better.

The courtier also must ever be in agreement with the king. Whatever he hears the king say, he must cry “Bravo!” or “Excellent!” and let him never play the pedagogue, saying “Do this,” or “Don’t do that,” or “Why did you do that?” or “This is a thing one should not do.” Such conduct will prove disagreeable to the king and may lead to dislike. However, when questions arise of wine or amusements, or of excursions out of doors, or of convivial gatherings, or of hunting or polo-playing and the like, it is permissible for courtiers to deal with them, for they are practised in these matters. …”

Como se percebe, o “cortesão é uma figura “histórica”. Nasceu nas sociedades de tipo monárquico ou feudal. (as tais que não tinham legitimidade democrática)
O cortesão frequentava as cortes ou os locais de reunião de figuras que eram consideradas poderosas ou que eram mesmo poderosas e  estes esperavam que o cortesão passasse imenso tempo em redor deles, apaparicando-os.

O pagamento que o cortesão obtinha era o “acesso a informação” e a prestígio, existia “ascendência no mérito”; baseada em quem era melhor cortesão; melhor apaparicador.

O cortesão representava ou deveria representar uma hierarquização social própria de sociedades antigas e obsoletas no seu processo político, sociedades baseadas na legitimidade não democrática e num sistema de sociedade primitivo e primário.

Como os cortesãos são relíquias de sociedades assentes na religião e na monarquia, formas obsoletas e autocráticas de governo, se estivermos numa sociedade moderna o mais natural é que as relíquias desapareçam.

Mas como as forças negras do totalitarismo já não conseguem vender monarquia e religião com a mesma capacidade comercial do antigamente, criaram os grupos organizados para defesa dos interesses desses grupos, as empresas, e como este “sistema é também autocrático, logo, faz ressurgir os cortesãos como figuras a existirem nesta sociedade.

As versões antigas originais dos courtiers são o equivalente moderno ao atual ambiente fétido, corrupto e putrefacto que circula ao redor, por cima, e por dentro da sociedade portuguesa e aos respetivos cortesãos recauchutados .

Os jornalistas, os políticos, os assessores,  da maioria dos professores universitários, dos meios de comunicação social e as relações de sexo oral de todos eles com o poder económico. Os leitores do Enclave perdoam por ter esquecido mais categorias profissionais. 5000 mil caracteres seriam poucos.

O Enclave é anti cortesãos.

O Enclave está com os cidadãos que recusem a subserviência.

Eventos Fundadores

A tradição dos feriados nacionais (ou dias nacionais) remonta a tempos anteriores à escrita e visou sempre marcar os eventos fundadores da uma cidade ou estado. Nos últimos séculos a interpretação dada aos eventos tem transferido a sua natureza sacra para efemérides seculares mas sem grande alteração na sua razão de ser, trata-se sempre de um momento de identificação colectiva, com o todo do corpo político. Numa época de um individualismo mais vincado talvez não seja de estranhar que o significado dos eventos seja perdido e que a identificação popular seja afectada senão mesmo anulada. Em tempos idos uma Pólis celebraria o seu evento de fundação de forma totalmente colectiva, procissões presididas pelas estátuas dos deuses protectores seguiriam pela cidade, os cidadãos seriam reunidos nos maior espaço aberto disponível e seriam recitados os textos mais sagrados e o público viveria o drama divino que lhes permitiu existir. O triunfo da ordem sobre o caos seria afirmado e a renovação obrigatória teria tido lugar permitindo entrar num novo ciclo temporal, um reiniciar da criação se quisermos. Actualmente temos que nos contentar com bastante menos. Não só o individualismo corroeu bastante a possibilidade de nos identificarmos uns com os outros e com o sistema da nossa cidade/região/país como a própria ordem política e social sofreu danos graves à sua credibilidade. Morreu o desejo da renovação e da recriação para passar a existir um impulso de indiferença e mais tarde destruidor. A gravidade deste fenómeno não é reconhecida porque em termos de ciência política e económica tradicionais estas questões aparecem como algo simbólico que não afecta o substrato de realidade. Não podiam estar mais errados quanto ao papel e poder dos símbolos e a sua absoluta necessidade para qualquer grupo que não se quiser fragmentar. Mas faz parte da composição genética das elites modernas a arrogância e o orgulho desproporcional (e irrealista) no seu próprio “conhecimento”.

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso Erguem-se no deserto. Perto delas na areia, Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida, A mão que os zombava e o coração que os alimentava. E no pedestal estas palavras aparecem: "Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!" Nada resta: junto à decadência Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.

Os nossos amos e senhores pensam, de forma simplista, que as pessoas se mantêm presas a determinadas instituições e realidades por puro hábito e que qualquer alternativa nunca teria peso ou relevância suficiente para abalar o status quo. Não se quer admitir que esses laços formaram em algum momento histórico uma ligação emocional eficaz, ou seja, reflectiam uma realidade e que a sua manutenção depende da continuação da sua eficácia que por sua vez depende da sua renovação periódica. Pensam que se pode fragmentar o real (aquilo que é criado no momento fundador) em mil pedaços sem que as pessoas percam o seu norte, sem que reajam de forma apropriada ao caos que ameaça infiltrar toda a sua existência. Nas suas ilhas de estabilidade social e económica as elites chegam mesmo a acreditar que esta divisão fortalece o seu poder ao tornar os cidadãos mais indefesos e isolados mas esquecem-se de um facto muito simples: o caos não descrimina, infiltra-se lentamente, destrói todas as bases e cria possibilidades e situações que nunca fizeram parte das intenções originais. As elites vivem na ilusão que conseguem domar o dragão do caos, um acto de suprema arrogância e vaidade.

"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda"

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”

Sem a repetição da criação a ordem decai, lenta mas seguramente. Não há nada que possa ser feito a esse respeito. Não há soluções tecnocráticas que possam substituir o símbolo e aquilo que está subjacente a ele. Sem uma reposição do ciclo de ordem não há recuperação da confiança implícita que forma a base de todo e qualquer grupo. Sem a compreensão da efectividade dos laços interpessoais não há necessidade que consiga suprir permanentemente as correntes de desunião que empurram as pessoas, cada vez mais, para abismos existenciais. Se não olharmos para o estado deplorável das nossas celebrações de fundação como um sério aviso para a degradação que espreita no horizonte estaremos a viver uma ilusão. Sem fundamento a Pólis afunda.