Os jornalistas portugueses são os guardiões da manipulação. É isto que as elites querem; nós devemos recusar

“The masses have never thirsted after truth. They turn aside from evidence that is not to their taste, preferring to deify error, if error seduce them. Whoever can supply them with illusions is easily their master; whoever attempts to destroy their illusions is always their victim.”

~ Gustave Le Bon

No inicio, foi a revolução de 1974. Dai em diante, o trabalho dos jornalistas portugueses deveria ser o acto de fazer jornalismo livre e independente de censuras, quer  privadas, quer de controlos estatais, políticos e económicos, de assegurar o pluralismo da informação; assegurar que todas as opiniões (o maior numero possível…) seria veiculado para todos que quisessem  ou estivessem interessados em as escutar, comprar, adquirir, debater.

Após o inicio, inúmeros entusiastas neófitos a par com os meios de comunicação social já pré existentes e que vinham da ditadura onde existia censura ao que produziam; criaram novos meios de comunicação, especialmente jornais, já libertos de uma censura mantida pela ditadura que vigorou em Portugal até 1974.

Depois do inicio e em força desde 1985, especialmente os jornais, começaram a tornar-se “empresas de jornalismo” e com o licenciamento/abertura de canais privados de televisão e licenciamento de novas rádios, metamorfosearam-se em projectos empresariais que sobrepunham os interesses económicos (o lucro) aos interesses de fazer jornalismo, afastando para o lado todo o pouco pluralismo existente nesta sociedade.

Com a maturação de um sistema inicialmente pensado para todos e que gerava conhecimento e jornalismo para todos, passou-se a um sistema corporativo e fechado. Fusões de empresas de comunicação sucederam-se. Gerar empresas cada vez maiores era o objectivo, com mais lucros, mas menos jornalistas e nenhum pluralismo.

O comissário político/económico disfarçado de jornalista sobrepunha-se (sobrepôe-se) ao jornalista propriamente dito.

E chegámos ao “mercado” concentrado, não plural, oligopolizado e cartelizado, de qualidade hiper medíocre, em que os poucos jornalistas dissidentes que queiram mesmo fazer jornalismo são impedidos de o fazer, convidados a sair, colocados na posição de auto censura, ou arrumados numa prateleira para não perderem o emprego. Se o perderem,  estando no lugar ” x”, por dissensão de opinião, apenas existem mais dois ou 3 grupos  de meios de comunicação social onde poderiam trabalhar.

Este protótipo de jornalistas dissidentes acima descritos é ultra minoritário, uma pequena espécie autóctone.

O sistema foi armadilhado e funciona apenas para as elites (“Elites” entendidas no sentido mais depreciativo do temo que seja possível…).

Com os novos donos a ocupar o lugar os actuais bonecos de palha foram encarregados da aplicação das narrativas que beneficiam elites. Essa narrativa é ortodoxa e transformou as criaturas que nos são apresentadas como jornalistas nos  “guardiões da ortodoxia”.

Estes novos cortesãos servem diligentemente e com brio.

Contudo, debaixo de uma capa de sofisticação, são apenas instrumentos rombos, pintores de construção civil que colocam mau estuque manipulativo; aplicadores de camadas de cimento propagandístico que escondem a brutal realidade do neoliberalismo aplicado a esta sociedade, das enormes injustiças nela praticadas, que branqueiam e escondem os danos de um regime podre e decadente e que nenhum aspectos de democracia (tirando a fachada)  tem.

Na numismática exige-se patina às moedas. Neste ecossistema maligno trabalha-se em prol da colocação de uma patina de brilho sobre as figurinhas ridículas da instituições e (acessoriamente) exalta-se sempre que possível as virtudes da tribo da direita política.

(Em Portugal, existe a originalidade de só esta agremiação de cretinos da tribo da direita política ter direito a ser branqueada de forma permanente; já a tribo da esquerda politica é sempre vilipendiada excepto quando interessa branquear facções dentro da mesma. Surge o clássico “dividir para reinar” aplicado sobre a tribo da esquerda política, para a impedir de chegar ou manter o poder. Uns grupos são exaltados em detrimento dos outros e no próximo turno, a outra facção da tribo da esquerda política será branqueada no próximo ciclo politico. (Merecem-se todos uns aos outros…)

(As elites de poder que vivem nas sombras divertem-se a incentivar este jogo.)

As elites políticas, sociais, económicas portuguesas são extremamente limitadas.

A sua programação limitada interna contém apenas uma instrução dividida em duas partes.

(A) Só se deve defender os seus próprios interesses e os dos amigos.

(B) tudo o resto deve ser ignorado.

As consequências deste pensamento pobre e limitado são obvias.

Ignorando tudo o resto, resta-lhes apenas conseguir interagir umas com as outras (endogamia social oblige…). Como as instruções de programação não dão para mais, ficam sempre surpreendidas e espantadas com o nível de ressentimento, revolta e alheamento que a generalidade da população sente.

Escudados por zonas francas de bem estar, físico, psicológico e económico, quer nos locais selectos das periferias das cidades ou nos centros principais das duas maiores cidades, o resto da população só é autorizado a entrar se for lá para trabalhar nas limpezas da porcaria que esta gente produz diariamente ou para servir cafés.

Os seus núncios jornalistas comissários da propaganda tem instruções para ignorar, e/ou ocultar e/ou manipular percepções quer o problema ocorra a 15 km de distancia ou numa aldeia remota. Sucedendo algo,  os seus núncios comunicacionais televisivos regurgitam uma verborreia inchada de teorias peregrinas acerca do que aconteceu – um dia antes nem sequer faziam ideia ou tinham sequer ouvido falar do que aconteceu.

Se e quando existe algum pico de contestação mais sério, acalmam aqueles que consideram e tratam como inferiores (95% da população), recomendam paciência, calma, ponderação e responsabilidade, incentivam a que trabalhem muito e pedem que se demonstre confiança no sistema armadilhado e no regime que temos (um regime subvertido por neoliberais e por elementos da extrema direita que fazem turnos para ver quem faz mais estragos..) prometendo final a cereja no topo do bolo: que as coisas ficarão bem e serão resolvidos problemas.

Esta narrativa tem “tendências” cíclicas. Actualmente a narrativa para acalmar o ressentimento latente baseia-se nos discursos do  “culto do empreendedorismo”, na “ética do pluralismo político”, na “cultura do mérito” , na “ascensão social para todos”, na ” confiança nas instituições”.

Também se baseia em apelos constante à união: temos que nos unir, dizem-nos e chegar a “consensos”. (Consenso, neste contexto, significa  baixar a cabeça e fazer o que as elites de poder querem…)

Um produto inexistente é constantemente promovido através do uso de mantras, de spots publicitários, de repetição constante de falsidades.

A realidade é outra.

As elites portuguesas continuam a oferecer soluções estúpidas.

Como são estúpidas só conseguem isso.

Move along, nothing to see here…

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

Como o sistema português é modelado a partir do sistema americano de corrupção percebe-se que as coisas funcionam como um clube.

Todos os membros do clube, “entram em consenso” acerca da escolha dos candidatos que irão ocupar os lugares institucionais, profissionais, das ” zonas de conforto”.

Todos juntos, todos amigos, todos incompetentes, todos a viver numa redoma. (Observe-se a escolha de todos os candidatos à eleição para a câmara municipal de Lisboa nas recentes eleições autárquicas… competindo todos entre si para correr mais depressa em direcção à mediocridade…)

Incrustada a essa redoma disposta como massa de vidraceiro que colou mal, e está lá dependurada á espera que o tipo das obras venha novamente reparar correctamente o vidro,  estão os jornalistas cortesãos portugueses.

Aconchegados junto dos círculos, triângulos e octógonos de poder ,“Embebidos”, os jornalistas atingem o orgasmo comunicacional que Marshall Mcluhan lhes prometeu quando afirmou que “o meio é a mensagem”.

Por viverem todos no mesmo  “ambiente”, dia após dia, ano após ano, jornalistas e políticos por exemplo tratam-se por tu… e após algum tempo todos adoptam inconscientemente (muitos fazem-no conscientemente que nesta profissão existe um enorme desejo e dedicação à prostituição intelectual…que paga bem… ) os mesmos conjuntos de valores.

Geograficamente, habitam nas mesmas zonas livres de pobres/classe média, próximos dos outros e frequentam os mesmos ambiente suburbanos e as mesmas festas sociais…

Afinal de contas, são todos da mesma “classe”

É a total perversão do que o jornalismo deveria ser. Toda a imprensa deveria posicionar-se “de fora”,  vigiando os de dentro e recusando identificar-se psicologicamente com os “círculos do poder”.

É uma ” experiência partilhada com os “insiders”, assim se auto justificam…para aplacar eventuais remorsos sentidos…

Surge um negócio paralelo narcisista-capitalista. Os novos jornalistas – cortesãos criam personalidades publicas, marketizam-se como celebridades, manufacturam emoções, as próprias e as dos terceiros que estão a promover.

A política e a sociedade são irrelevantes, somente as artes negras da propaganda irão ser usadas para influenciar o comportamento dos cidadãos e em quem votam.

Deixou de ser cidadania e passou a ser uma estratégia comercial. Os subprodutos são óbvios: quando se trabalha num tal ambiente inconscientemente/conscientemente estas pessoas tornam-se facilitadores de qualquer estratégia comercial, oriunda da elite de poder ou associados.

As ideias que podem ser debatidas pela sociedade são cuidadosamente seleccionadas, as que não devem ser questionadas são ocultadas ou remetidas para o esquecimento. Os jornalistas são os “guardiões da ortodoxia”, da nova ortodoxia. Criam um novo tipo de véu de tirania intelectual, social e política semelhante a que foi imposta no passado pelo fascismo e pelo comunismo.

É isto que as elites querem; nós devemos recusar.

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As elites portuguesas recusam regenerar-se; logo, aproximam-nos do colapso social

Para subverter o actual sistema sócio-político, (o termo “democracia” pode ser usado para  designar o actual sistema sócio político) ; os oligarcas portugueses; os de origem “novo dinheiro” ou os de origem “velho dinheiro” ou oportunistas lacaios e cortesãos que julgam que são pertença de uma das duas categorias acima descritas e se prestaram a ajudar; infiltraram-se dentro dos sistemas políticos e económicos que compõem esta sociedade.

Como foi feito?

Lentamente, após 25 de Abril de 1974, a aurora de uma nova madrugada assim prometida, foi assim insidiosamente corrompida, como uma queimadura lenta mas progressiva.

No meio desta queimadura lenta, mas progressiva, guerras de facções políticas orientadas pelos desejos conflituantes dos seus mestres internacionais ocorreram para distrair e animar a população e fazê-la artificialmente escolher lados.

A população escolheu todos os lados menos o que deveria ter escolhido: o seu.

A insidiosa e corrosiva infiltração de sistemas críticos, de partes da economia e da sociedade, foi feita para favorecer as elites e as oligarquias que se escondiam por detrás.

Leis começaram a ser inclinadas a favor das elites e dos seus interesses.

A inclinação aumenta ano após ano.

Qual foi o resultado? Cita-se Colin renfrew em 1979. *

1 – O bem estar e a riqueza da elite de poder aumenta e manifesta-se de formas mais públicas.

2- A elite de poder concentra-se em manter um férreo monopólio de poder dentro da sociedade. As leis tornam-se mais vantajosas para as elites, e as penalidades para a generalidade da população tornam-se mais duras.

3- A classe média reduz-se ou evapora-se.

4- Os índices de miséria aumentam. Taxas crescentes de homicídios, crime, suicídio, pessoas sem casa e aumento do abuso de álcool e drogas aumentam.

5 – Aumentam os desastres ambientais ou as probabilidades de acontecerem devido a pressão dos resultados de curto prazo que originam uma pressão para se explorarem recursos depressa e sem cuidado.

6 – Ressurge o conservadorismo e o fundamentalismo religioso indo-se buscar as teorias arcaicas para contrabalançar o declínio do presente, mas estas novas formas surgem corrompidas e isso acelera o declínio.

O que se segue?

Como consequência da calcificação das elites e oligarquias e da durabilidade temporal dessa mesma calcificação ( Em Portugal é com amarga ironia que se verifica que apenas 10 a 20 anos após 25  de Abril 1974 chegaram para a degenerescência começar…e começar a bater forte…) se ter prolongado a sociedade fica colocada numa encruzilhada. Uma crise que tem que ser resolvida devido à crescente frustração da população.

Pequenos acontecimentos podem desencadear a mudança e um novo estado colectivo e pensamento surge. Ou existem alterações democráticas ou falham essas alterações e a subsequente crise origina uma regressão e um eventual colapso.

Em Portugal estamos a entrar neste estágio. Veremos para onde pende a balança.

O que acontece depois?

Quer se caia para um lado democrático das mudanças, quer falhem essas alterações, o tempo passa. As sociedades esquecem-se porque é que precisaram dessas reformas e mudanças. (Em Portugal isto é clássico em relação ao que se passou após o 25 de Abril de 1974, quer o que se passou , quer o que se deveria ter passado, mas não passou…)

E quando se esquecem, os membros das elites de poder e das oligarquias voltam em força, para exigirem regressão e para exigirem (ainda e sempre) tratamento mais favorável para os seus interesses (Em Portugal isto, surpreendentemente sucede antes do país estar colocada na encruzilhada da escolha, sucede durante, e sucede depois, a máquina de subversão da democracia nunca tem descanso ao serviços das oligarquias).

Todas as elites políticas em Portugal sabem, praticam isto e pactuam com isto.

2015-11-25 - rob riemen- 2012

Colin renfrew em 1979. * “Signs of Failing Times”  – Renfrew, Colin. 1979. Systems collapse as social transformation: Catastrophe and anastrophe in early state societies.

O jogo de espelhos

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Imaginemos que em 2016, um partido de extrema direita, que já devia ter sido ilegalizado, os seus membros processados criminalmente e presos, decide utilizar uma estratégia de auto-promoção das suas ideias, decide desestabilizar o actual governo e decide desgastar o actual regime democrático (goste-se deste regime ou não se goste…).

Imaginemos que para o fazer decide implementar uma estratégia manhosa e de choque  usando força para provocar publicamente e procurar estender uma armadilha ao campo da esquerda política com o objectivo de fomentar uma divisão política e ideológica dentro desse sector.

Uma manifestação de apoio aos direitos dos emigrantes é convocada por uma conveniente e útil (útil no sentido de idiotice útil…) associação de defesa dos emigrantes e dos seus direitos ou falta deles. Imagine-se que  – casualmente – a manifestação vai passar na frente da sede de um partido político residual, que se auto promove como sendo um partido de esquerda embora verdadeiramente não o seja.

Imagine-se que, premeditadamente, o partido de extrema direita que já deveria ter sido ilegalizado há muito tempo, os seus membros processados criminalmente e presos decide ir protestar (isto é, fazer desacatos e utilizar uma táctica própria das milícias paramilitares baseada na intimidação física e psicológica) no sitio onde estão a decorrer as manifestações.

Curiosamente, no mesmo dia da manifestação pró imigrantes este partido residual dito de esquerda decide fazer uma “sessão de esclarecimento” sobre os perigos do trumpismo.

Para o partido de extrema direita a sopa caiu (convenientemente) no mel. Decidem ir “debater” na sede nacional do partido residual, o tema da emigração, onde, também, inteiramente por acaso, a manifestação irá a passar…

As pessoas do partido residual,  recusam que lhes invadam a sede para “debater”, chamam a polícia e a partir dai surgem os desacatos.

O partido residual serviu como cavalo de troía (resta saber se propositadamente ou por ingenuidade… ) desta estratégia.

Com a conivência da imprensa – uma parte dela tem ligações à extrema direita embora finja que não – a extrema direita portuguesa ganhou notoriedade.E escolheu dar notoriedade a um grupelho específico do outro campo…

O objectivo seria a geração do facto noticioso “artificial” para justificar que o partido residual que organizou a manifestação teria sido atacado e que esse partido seria um suposto adversário perigoso das ideias da extrema direita em Portugal. Após divulgação desta epopeia épica que (1) dá simultaneamente “direito de antena” ao partido residual e (2) aos cro-magnons que acham que são mais patrióticos que o resto da população, o partido residual é sinalizado para a opinião publica como sendo as vitimas dos ogres e, simultâneamente, os corajosos combatentes pela liberdade.

O verdadeiro objectivo divide-se em duas partes :(a) tentar legitimar aos olhos da opinião publica este partido residual como sendo uma força política considerável (b) e tenta promover a divisão no campo da esquerda política.

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Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda?

Quando a blogosfera portuguesa estava efervescente vários blogues da esquerda espelhavam-se em vários blogues da direita (e vice versa) com constantes discussões e supostos debates.  O resultado prático desta luta era o aumento das audiências de ambas as partes (estas especificas partes) e o arregimentar de pessoas para ambos os lados, com o enorme beneficio destes pequenos grupos que assim pareciam maiores em numero e influencia do que efectivamente são.

A lógica aqui seguida é a mesma, tentando ser transportada para o espaço comunicacional e contando com a evidente ajuda da imprensa e dos outlets de comunicação social, que promovem à vez estes grupelhos.

Nos blogues, alguns blogues ditos de direita foram suportados e apoiados até deixarem de ser necessário (o trabalho sujo já estava feito, pessoas chegaram a negócios e a lugares de deputado…) e passou-se directamente para a área da comunicação social com blogues travestidos de jornais.

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda, precisamente quando este está completamente vazio, eleitoralmente e politicamente, destituído de significado e no fundo do poço??

Numa táctica de dividir para reinar, a extrema direita portuguesa, ou melhor dizendo, os neo straussianos entre eles, aplicam tácticas rudimentares de promoção dos hipotéticos adversários simpáticos  que querem no futuro ter.

Numa táctica perigosa de procurar auto capitalizar ajudando a promoção dos inimigos da democracia, o partido residual timidamente protestou, enquanto que nas suas próprias páginas do facebook, demonstrava aos seus militantes quão corajosa era a direcção do partido por ter feito frente aos “maus” da extrema direita.

Eles espelham-se.

Por conveniência mutua.

Por tacticismo.

Recusando ser a irmandade de Nemésis apoiante formal de qualquer um dos dois campos (esquerda e direita) cabe no entanto chamar a atenção, para os inimigos exteriores de todos; os quintas colunas que se sentam à mesa do regime democrático, e usam os lacaios para atacar todos os que nele estão integrados, bem como chamar a atenção para os colaboracionistas.

Como a opus dei chegou onde queria chegar (à Cgd) e os partidos políticos portugueses permitiram

Em Portugal, quem é colocado fora do acesso aos benefícios do sistema político, social e económico português tem uma identidade. Essa identidade económica, política e social e partilhada com todos os outros membros da sociedade que estão na mesma situação, quer pareçam ser pessoas colocadas num patamar económico acima, quer não o sejam efectivamente.

O desempregado branco dos subúrbios, o exilado rural que vive perto da indigência na província, o precário urbano que coexiste entre apelos pueris que o fazem pensar que é pós moderno e o desemprego de recibo verde mascarado de emprego dinâmico e moderno estão todos no mesmo barco.

A profissão liberal ou publica na área tecnica como o professor ou o médio quadro bancário estão todos no mesmo barco. O trabalhador emigrante indocumentado e o emigrante documentado oriundo de locais bizarros também está no mesmo barco.

Julgam que não, mas estão.

Importante: as elites de poder portuguesas investem muito tempo e dinheiro a mascarar e iludir estas pessoas e os problemas sociais políticos e económicos que existem.

Importante: uma certa forma peculiar de corrupção é mantida e aperfeiçoada pelas elites de poder portuguesas, que investem no controlo de muitas pessoas feito por um numero relativo de poucas pessoas.

Importante:  esta milícia de tipo casta é perigosa para todos e altamente corrosiva.

Importante: deve-se evitar deixar chegar estas pessoas a lugares de poder e responsabilidade, especialmente na esfera pública.

Na caixa geral de depósitos, banco 100% público os partidos políticos chamados PSD e CDS – meras extensões da oligarquia corrupta e decadente que queima lentamente Portugal, apostaram na política de terra queimada.

Lamentavelmente quem diz que se lhes opunha favoreceu isso.

Colocados perante a oportunidade de quebrar o controlo, nada fizeram.

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Quando no governo, (2011-2015) o PSD e o CDS permitiram que existisse uma política de desvalorização do banco, com o objectivo de:

a) baixar o preço para o potencial comprador;

b) justificar privatizar;

Quando comprasse, o potencial comprador herdaria o direito de cobrar os créditos que a Caixa tem sobre dividas de terceiros.

O Estado português tem mais de 100 mil milhões de euros em dividas à CGD.(*)

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( * dados da infografia correspondem ao ano de 2013. )

Quem comprasse, mal o fizesse iria exercer o seu direito a cobrar.

Um justificação perfeita para um governo em funções ( um governo PSD-CDS…) justificar cortes de despesa pública e aumentos de impostos.

Em 2015 a paisagem do cenário mudou (o cenário é o mesmo, infelizmente…) e uma nova experiência política começou a governar.

Esta definiu que:

a) era necessário recapitalizar a CGD;

b) sanear as contas do banco e admitir perdas;

c) racionalizar a gestão (despedir pessoas) e fazer com que o banco voltasse a financiar empresas e particulares, dado que a ” boa gestão” dos privados feita em anos passados nos seus próprios bancos resultou em estarem impossibilitados de fazer tal… actualmente…

Os representantes dos oligarcas (PSD-CDS) perceberam o perigo. E movimentam-se para impedir que a recapitalização da caixa (4 mil milhões de euros), que serviriam na sua grande parte para por dinheiro a circular e reactivar a economia especialmente nas pequenas e medias empresa fosse parada.

Sabem que se isso arranca, não voltam a chegar ao poder antes de 10,12 anos.

Isto é patriotismo de alto coturno.

Inicia-se o bloqueio, sobre a nova administração. Contando com a preciosa ajuda de todos os partidos incluindo o que está no governo.

Qual a solução, se a administração não fosse empossada como veio a suceder?

Uma nova administração inatacável.

E recusa-se ou não se sabe, arranjar uma administração inatacável.

Do outro lado, manipula-se através dos seus lacaios na imprensa para colocar na CGD, um membro da Opus dei.

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a Cgd..

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a CGD…

Com o novo candidato Paulo Macedo os velhos argumentos de que:

a) o ordenado do gestor principal da casa era demasiado alto

b) tinha destruído o SNS e feito um péssimo trabalho como director geral de impostos;

já não se aplicam.

Vários partidos políticos fizeram uma guerra sobre os rendimentos para afastarem o outro tipo e a solução é … Paulo Macedo…? A solução é  … a Opus dei…?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Mark Blith, economista escocês, deu uma entrevista em que criticava o SNP escocês, o partido que defende a independência da Escócia em relação ao Reino Unido.

Aquando dos resultados do brexit, o SNP queria demarcar-se politicamente dos resultados, porque eram contra os problemas eventuais que a saída da UE iria criar a Escócia pelo facto de a Inglaterra sair.

Mark Blith contrapunha e argumentava que a posição do SNP era “absurda” . Mas eles acham mesmo que ficam melhor com a austeridade do Sr Schauble?

Por contraposição à austeridade dos ingleses?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Fazer uma guerra acerca da nomeação de António Domingues para a CGD e obter a renunciai deste, para ser substituído por Paulo Macedo, membros da Opus dei é melhor…?

A apresentação de rendimentos e o alto ordenado do novo gestor da CGD já não constituem condição impeditiva para este ocupar o cargo…?

Mas eles acham mesmo que ficam melhor com o Sr Macedo na CGD….?

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Qual o significado real disto?

A maquinaria conhecida como “Geringonça” acabou, no momento em que esta sinistra personagem ocupou o cargo de gestor principal da CGD.

Com esta decisão?!?! o poder de controlar tudo na economia portuguesa foi dado de bandeja à pior organização de oligarcas à qual podia ter sido dada.

Esta decisão tem enormes repercussões e algumas delas são completamente invisíveis. O que o sector Opus dei sempre quis ter foi o controlo do dinheiro e o “controlo da informação” que lhes é providenciado pelo acesso ao que é a informação financeira que a CGD contém.

Mas o Sr Macedo vai congelar o investimento na CGD?

Em vez de congelar o investimento na CGD, o Sr Macedo vai fazer exactamente aquilo que o governo e o os partidos todos querem que seja feito.

Paralelamente vai adquirir toda a informação sobre o que a caixa é; a quem concedeu credito e onde se movimenta comercialmente. Essa informação será do conhecimento da Opus dei e dos seus amigos. Um fotocópia da economia e da sociedade será tirada. Isto virá a facilitar ainda mais o controlo de quem pode vir a ser rico ( os da cor…) e quem não pode.

Mais à frente, os que virão a ser excluídos serão quem é pobre ou quem  recusa alinhar com a corrupção.

Todos colaboraram com isto.  A Irmandade de Nemésis não e a Irmandade não perdoa nem esquece.

Donald trump e Napoleão

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPER

Negação: “Isto não pode estar a acontecer.”
Raiva: “Por que eu? Não é justo.”
Negociação: “Deixe-me viver apenas até ver os meus filhos crescerem.”
Depressão: “Estou tão triste. Porquê me hei-de preocupar com qualquer coisa?”
Aceitação: “Vai tudo ficar bem.”, “Eu não consigo lutar contra isto, é melhor preparar-me.”

Com  enumeração dos 5 estágios de luto, modelo kubler -ross, percebemos como estão a sofrer aqueles que apostaram cá em Portugal e nos EUA, na vitória de Hillary clinton nas recentes presidenciais americanas.

Esta cruel piada levada a cabo pelas circunstancias tem confundido e perturbado as mentes em Portugal, excepto os fieis adoradores da ideologia política/económica que Trump visa representar. Ou os novos cristãos renascidos, que passaram a adorar Trump 5 segundos após ter ganho…

A aquisição de espelhos de longo porte, destinados aos portadores dos 5 estágios de luto para uma longa auto contemplação servirá para fazer a necessária limpeza dos mitos em que vivem e da abstracção social e mental em que estão. Asserção válida para os membros da esquerda política (mais) e para os membros da direita política (menos)

O sentido de humor relacionado com este acontecimento chamado Trump abandonou o edifício e o assunto é serio.

O sistema social, político e económico oriundo dos EUA e aplicado em Portugal, como boa região periférica e vassalo que  é, produz cidadãos fáceis de controlar. Uma sociedade atomizada, crescentemente computorizada onde as mensagens entre pessoas são mediadas via comunicações electrónicas é a regra e no caso português, dada a nossa penúria económica geral, é o facebook como canal de distribuição do controlo social e da aplacação/direccionamento das fúrias das massas caso eles porventura venham a existir.

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

No  EUA, esta é a norma nos grandes centros urbanos, embora depois existam grupos autónomos de estilo tribal, separados da tecnologia, impermeáveis ás mensagens electrónicas devido ao seu estilo de vida adverso a essa forma de viver.

Em Portugal, menos, mas diferentes, grupos de população semi autónomas, e de tipo tribal, vivem nos interior do pais e nos subúrbios das grandes cidades, quase misturando-se numa fusão entre tribos rurais e lumpen proletariado despojado.

Estes grupos de tribos rurais e urbanas são menos controláveis e menos entendidas pelo sistema de controlo político. Lá e cá.

The Revolution is for Display Purposes Only

Tecnologias políticas de controlo nos cidadãos: nos EUA, os esquemas financeiros e os bancos, o sistema de saúde privado, o sistema de defesa e segurança semi publico e privado (também conhecido como complexo militar industrial), o sistema de prisões privatizadas, o sistema de ensino superior de custo superior a 100 mil dólares por ano, ou por 3 anos consoante é Ivy League ou universidade privada normal, são os exemplos.

Em Portugal, pobrezinhos e nada honrados tenta-se copiar esta lógica, mas falta escala, profundidade populacional, dinheiro e suficiente corrupção profissionalizada competente para que se produzam mais palhaços saídos das linhas de montagem destinadas à produção de cidadãos atomizados.

Nos EUA, Clinton representava os mediadores de interesses especiais e era a quinta essência do propagandismo. Cá também temos Clintons, basta olhar, mas tem menos qualidade em dimensão e volume, mas são proporcionalmente mais numerosos e imbecis.

No estados Unidos Bernie sanders era um obstáculo fraco e foi afastado pelas regras administrativas do sistema. O problema depois seria produzir um candidato a presidente demasiado fraco para ganhar a Clinton.

Trump, nesse sentido representa a anomalia técnica que abalou este sistema ( isto não exclui obviamente que o candidato seja detestável…)

Os que estão de luto chorando por Hilary Clinton , em demografia eleitoral e geografia eleitoral, agrupam-se nas grandes cidades dos EUA. (Em Portugal também)

Num cenário hipotético de guerra nuclear com a Rússia ( que Clinton e o departamento e estado americano forçaram implacavelmente…) os primeiros a morrer seriam precisamente estes votantes em Clinton agrupados em cidades. O conforto da abstracção por um lado e uma total ausência de auto preservação, por outro são a fome e a vontade de comer deste cenário.

A lógica deles é simples: quem votou em Trump é racista, estúpido, ignorante ,sexista, xenófobo, e todos os que votaram em Trump são isso.

Sendo certo que existem muitos, dizer que todos o são é um erro, e que, no caso português, a tribo da esquerda política insiste em cometer. A tribo da direita política, nas suas maiores facções ainda está a deliberar, excepto os neoliberais de pacotilha cá do sitio que exultam como porcos na pocilga a comer maçãs.

O complexo militar industrial americano controla mais as percepções dos citadinos norte americanos. Racionaliza como uma máquina e aplica analises custo – beneficio, para verificar onde consegue maior e melhor alcance. As decisões devem ser alocadas  aos sítios susceptíveis de melhor produzirem efeitos a quem controla.

HUBRIS - CEREBRO - HALTERES

 E agora surge o mesmo fenómeno generalizado junto de muitos habitantes do EUA (em Portugal é a geral indiferença de 99% da população…) que já sucedeu historicamente quando Napoleão abandonou o seu refugio na Ilha de Elba.

O “Le moniteur Universel”, ilustre periódico que cultivava o jornalismo de lixo (que actualmente se pode ver num infame diário português), e que faleceu em 30 de Junho de 1901 (abram-se garrafas de champanhe por mais uma folha de alface ter morrido…) noticiava assim a vinda de Napoleão.

  • O canibal deixou o seu covil. 9 de Março
  • O ogre corso acabou de desembarcar no Juan Gulf.  10 de Março
  • O tigre chegou ao Gap. 11 de Março.
  • O monstro dormiu em Grenoble 12 de Março.
  • O tirano atravessou Lion  – 13 de Março
  • O usurpador foi avistado a sessenta léguas da capital – 18 de Março.
  • Bonaparte avançou em passo de corrida, mas nunca entrará em Paris  – 19 de Março.
  • Amanha , Napoleão estará dentro das nossas fortificações – 20 de Março.
  • O imperador chegou a Fontainbleau  – 21 de Março.
  • Sua majestade Imperial e real entrou no seu palácio nas Tulherias ontem à noite acompanhado pelos seus mais fieis súbditos –  22 de Março

Em Portugal veremos isto acontecer (pela opinião publicada…e pelos “especialistas”consoante Trump faça o que se quer que faça).  A excepção a isto, desde já, são os fieis fanáticos neoliberais, mas mesmo eles próprios seguiram rapidamente a lógica aplicada pelo Le moniteur Universel a Napoleão.

Os americanos adoram um vencedor, mesmo que seja um traste. Os jornalistas e courtiers deste sistema irão fazer por isso. Trump o outsider será Trump a estrela.

Em Portugal estado vassalo insignificante passar-se-á a mesma coisa.

No sector político da tribo da direita política, a hipocrisia em relação a este senhor e as meias palavras oscilarão consoante o vento.

No sector político da tribo da esquerda política, há o desconforto das facções principais, com a repulsa virulenta dos subsectores mais esquerdizados.

No enclave, com os irmãos de Némesis escrever-se-á a verdade.

Morte aos moderados portugueses

Em Portugal somos abençoados com a moderação. Ao andar nas ruas, em viagem pelos transportes públicos, entrando em centros comerciais ou olhando com atenção  ao nosso redor estamos rodeados de moderados.

Saímos dos espaços comerciais, das ruas e dos transportes públicos e os moderados tem a sua vida. Conduzem os seus carros em direcção a lado nenhum, sempre com moderação e começamos a pensar se serão seres humanos vivos ou apenas seres moderados. Tal impressão faz-nos pensar se nós próprios não seremos moderados.

Quando os moderados querem deixar de se sentirem moderados fazem loucuras.

Saem à noite e bebem meia garrafa de vinho, exactamente. Vêem televisão por cabo e acham que a série ou o filme absolutamente banal, repetitivo e nada original é afinal brilhante e tomam uma posição moderadamente moderada sobre o assunto.

Moderation

Quando se tornam filosoficamente mais profundos, os moderados emitem uma opinião.

A completa loucura e insanidade em que se tornou a vida moderna ou pós moderna (os moderados tem uma opinião moderada acerca desta diferença doutrinal); a fome generalizada em alguns continentes e em partes de cidades e vilas dos continentes ricos; os refugiados que chegam à Europa trazidos a pontapé por objectivos geoestratégicos; ou a alienação sufocante que rodeia, asfixia e corroí a sociedade portuguesa é moderadamente sentida e comentada pelos moderados.

Moderadamente, o moderado português, declara com “gravitas” na voz que,  “as coisas não são perfeitas, mas se fizermos alguns ajustes ali e acolá, deveremos estar bem”.

Se nos posicionarmos no centro (definir o que é o centro é algo que o moderado faz, de forma moderada…) aumentarmos os impostos sobre os mais ricos e sobre os restantes, legalizarmos as drogas leves, apoiarmos as causas fracturantes (o moderado é a favor de tudo isto quer as causas fracturantes sejam originárias da tribo da esquerda política ou quer sejam originárias da tribo da direita política…), se apoiarmos as causas que não são fracturantes, e mais alguns ajustes ali e acolá tudo estará bem.

Ocasionalmente de forma sistemática os moderados farão uma pequena loucura com moderação. Sextas feiras casuais no escritório com calças de ganga serão implementadas, e quando chegarem à Internet para consultarem sites pornográficos moderados ou facebooks inteligentes de pessoas moderadas; os moderados exigirão que a polícia prenda os trolls que afirmam coisas contrárias às opiniões moderadas dos moderados.

O moderado quer construir um mundo que é sempre o mesmo, só que mais agradável.

Por essa razão (ou outra qualquer mais ou menos moderada), o moderado tem dificuldades extremas em entender as pessoas que sofrem de auto destruição compulsiva, ou dores nas costas, ou sentimentos de culpa induzidos pelo cristianismo latente e opressivo, ou pessoas que recordam sub conscientemente todas as asneiras ou erros que já fizeram. Os moderados não são abrangidos por estas reacções normais: os moderados só fazem moderadamente erros.

Os de nós que reagem com normalidade e de forma perfeitamente saudável ao capitalismo tardio em que parece que vivemos; os de nós que se indignam com esta subversão em que esta sociedade está transformada olham para os moderados como enviados directos do nono circulo do Inferno.

Perante a gritante palete de problemas sociais, políticos e económicos em que estamos colocados, a solução dos moderados é a felicidade revoltante ou a alienação imbecil como resposta a esses mesmos problemas.

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Na televisão (e demais pseudo meios de comunicação social) os anúncios comerciais promovem produtos ridículos e dispendiosos de relativa utilidade, mostrando pessoas moderadas e felizes, todas sempre jovens (mesmo quando tem meia idade ou andam agarradas a andarilhos com algálias colocadas…) todas elas felizes e satisfeitas. Moderadamente.

Nos anúncios de produtos médicos a moderação é pior. Todos os medicamentos promovidos descrevem pessoas miraculosamente salvas de uma qualquer dor cronica, o que leva quase a desejar, por parte dos de nós que não são moderados, que as pessoas que fazem o anuncio obtenham uma morte instantânea ou uma qualquer disfunção eréctil os atinja. De forma moderada.

Todos os fundamentos da vida social, biológica, política e económica ameaçam colapsar. E contudo, os moderados andam a pé, de carro ou de bicicleta num prado verde cheio de sol, com um lago com patinhos, satisfeitos por já não terem dores de costas ou artrites.

Os moderados na sociedade portuguesa estão completamente loucos. Baseiam-se num ideal transcendente imaginário alicerçado em Ego, narcisismo e escapismo em que a vida é auto controlada de forma bio política.

Imagine-se o que seria se os moderados, estivessem armados com armas verdadeiras, em vez de sorrisos condescendentes e moderação psicotropica?

Mas porque existem os moderados?

Porque não permitem perturbar os interesses do lucro. Do poder. Da ilegitimidade.

Ou seja, a indiferença social política e económica cheia de alegria e niilismo.
Se “dermos uns toques” “ isto irá tudo funcionar.

Na pratica este exército de moderados é uma arma violenta dentro desta sociedade.

A sua moderação tem permitido que os mais variados corruptos oriundos das elites e das oligarquias obtenham poder e riqueza ilegítima, porque ”se dermos uns toques” isto irá tudo funcionar e eventualmente ajudar a reparar os estragos causados pelas elites e pelas oligarquias.

Mas continua sem funcionar.

O moderado gosta de motas e conduz scoters, bebe Pepsi ou Coca cola ou descafeinado ou chá ou meio copo de vinho, é adepto de novas tecnologias e gadjets, descobre que existem problemas de privacidade pessoal depois das Cctv´s já terem sido instaladas e ouviu na sua adolescência, prog metal, ou Justin bieber, se for um moderado internacional. Se for português ouvirá os acima citados mais José Cid e Tony carreira, ou a cultura genérica de pop rock lisboeta copiada$ das contra partes americanas e inglesas.

Esta forma de disciplina de massas – de parte das massas, dado que Portugal é anárquicamente moderado – é a moderação violenta que terá tendência a sair da periferia indo em direcção ao centro.
Em Portugal, que já é periferia em relação ao centro mundial, já cá chegou mas é difusa e moderadamente cretina e ineficaz.

Se alguma vez a marca especial de moderados de marca lusitana tomar armas – e durante o quadriénio de 2011-2015 andaram a servir de lacaios aos radicais que foram parar ao poder político (e foram votados na sua esmagadora maioria pelo exército de moderadas cá do sítio…) deveremos preparar-nos para um longo exercício de terror imposto pela moderação destas pessoas.

A moderação, via proxy da austeridade, é a invocação de uma guerra de classe usando o terror para o fazer.

Autonomia e Estratégia

Como o Enclave e a Irmandade de Némesis têm vindo a demonstrar ao longo dos anos o actual debate nacional sobre o rumo a dar ao país reflecte em grande medida uma ficção. Não está de facto nada em debate. Ou dito de forma mais correcta o que está em debate por todas as forças políticas é apenas a forma e nunca a essência do sistema. E isto serve as elites de forma perfeita. Mantém as pessoas entretidas a discutir o sexo dos anjos enquanto as muralhas da cidade colapsam uma a uma. É verdade que alguns portugueses vão estando mais cépticos à medida que percebem os limites reais da nossa posição estratégica no mundo. Mas tristemente o efeito desta descoberta tende a ser a retirada do individuo da vida pública pois o cidadão desperto começa a desenvolver uma forte dissonância cognitiva face ao que o rodeia e ou é ostracizado ou acaba por se auto-exilar. As conversas que ouve e vê deixam de fazer sentido já que se entende que não têm qualquer relação com a realidade. Começa-se a ver as ilusões por aquilo que são, distracções para impedir que qualquer conversa nacional séria possa de facto existir. Começa-se a entender que os “princípios” e “ideologias” em grande medida não passam de capas retóricas com que se tapam os interesses mais cínicos de quem os defende ou na melhor das hipóteses conceitos vácuos que tentam mobilizar as massas para situações que ou são contra os seus melhores interesses ou não produzirão qualquer efeito. Tudo isto torna-se particularmente óbvio quando se discutem os modelos de desenvolvimento económico e as suas consequências políticas e sociais.

"The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers." - Zygmunt Bauman

“The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers.” – Zygmunt Bauman

As teorias económicas que estão em voga e que, teoricamente, visam optimizar os rendimentos das nações dos seus agregados empresariais insistem todas sobre um ponto, a especialização. Cada região deve focalizar-se apenas num elemento da produção de serviços ou produtos e importar o restante já que a dispersão por várias áreas não corresponderia a um óptimo económico (o máximo ganho de unidades monetárias pelo mínimo input de recursos). O corolário deste modelo é uma interdependência total dos países uns dos outros e necessariamente a fragilização de países mais pequenos e menos capazes de manter alguma diversidade de produção. Isto traduz-se em fórmulas econométricas que tentam expressar o risco associado à falha/colapso de um dos componentes deste sistema mais ou menos global. E como todas as fórmulas da economia clássica está sujeita a dois tipos de críticas: 1) O risco não se comporta de forma linear e o princípio base da económica clássica, ceteris paribus (e tudo o resto permanece igual), não tem validade, a instabilidade de um elemento toca na estabilidade todos os outros elementos e quanto maior o grau de interligação maior este efeito de contágio não intencional se torna – acaba por se tornar impossível ter uma ideia do risco real associado à maioria das falhas porque ele não respeita modelos matemáticos teóricos; 2) A interligação dos vários elementos deste sistema não divide o risco de forma equitativa, antes pelo contrário. Coloca grande pressão sobre os elementos mais pequenos que ao serem necessariamente mais especializados dependem apenas uma mão cheia de produtos ou serviços. Estão então duplamente dependentes. Dependem da manutenção de mercados externos muito específicos para escoar o seu excedente especializado e por sua vez dependem da existência da estabilidade de todos os outros mercados para assegurar a importação de todos os bens essenciais. Adicionalmente este sistema de avaliação de risco tende a ignorar que as grandes nações são indiferentes aos colapsos das pequenas nações mas que o inverso não é verdade, ou seja, a distribuição de risco não é apenas desigual como é mesmo inversamente proporcional ao poder económico e político de cada entidade nacional.

"It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence." - Voltaire

“It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence.” – Voltaire

Porque é que se seguiu este modelo de desenvolvimento? Porque a teoria alternativa caiu em desgraça. Diametralmente oposta a esta visão está a visão de autarquia – uma nação que organiza a sua vida económica no sentido de ser totalmente auto-suficiente. Há duas causas para o abandono deste modelo. Em primeiro lugar à medida que revolução industrial progredia e tecnologia se complexificava tornou-se claro que cada país não tinha a mesma distribuição de recursos naturais o que tornava a independência total como uma impossibilidade técnica. Em segundo lugar durante o século XX esta teoria de auto-suficiência extrema esteve associada a todo o conjunto de economias totalitárias (a Alemanha nazi é o caso mais óbvio) que exaltavam a nação de forna xenófoba e que viam as relações internacionais não apenas como o domínio da competição ou do conflito mas como apenas uma interminável guerra. Torna-se assim compreensível o abandono desta teoria em favor de uma que teoricamente daria lugar a menos tensões e conflitos e maximizaria os potenciais ganhos de cada nação. Mesmo os países que se sentem de alguma forma prisioneiros do sistema actual (a micro especialização) não encaram a autarquia como alternativa porque o choque de uma mudança de sistema causaria terramotos políticos, teria custos sociais elevados e seria questionável qual o nível de bem-estar que se poderia de facto proporcionar ao cidadão médio numa situação de autonomia total. Agora que o velho modelo continua descredibilizado e o novo parece estar próximo dos seus limites naturais e as suas falhas sistémicas começam a estar expostas as ansiedades populares sobre modelos de desenvolvimento credíveis e duráveis começa a aquecer já que não existe nenhuma nova ortodoxia no horizonte para substituir o que existiu até ao momento.

"For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually." - Ha-Joon Chang

“For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually.” – Ha-Joon Chang

De que adianta debater e discutir quando de facto não se quer sequer admitir os limites de cada uma destas escolhas e não se pondera a situação estratégica específica de Portugal? É útil colocar os termos do debate sobre uma forma partidária? Útil para quem? Há noção das consequências caso se queira desbravar novos caminhos? Há uma cultura de liderança política forte o suficiente para assumir esse risco? Existe vontade e coragem popular para aceitar de frente os imensos riscos quer para permanecer num modelo económico esgotado quer para explorar outras alternativas? Em última análise temos que ser extremamente cépticos quanto a qualquer possibilidade de mudança real que não provenha de um desastre exógeno, algo além do nosso controlo e iniciativa. Quer no topo quer na base a nossa sociedade tem falhas graves que nunca foram colmatadas e que nos tornam incapazes de tomar escolhas estratégicas coerentes. A Irmandade de Némesis recomenda a todos os cidadãos despertos (sejam membros ou não) cuidado em se envolverem no “debate” nacional, não nos devemos guiar por ficções e interesses alheios ao país. Só uma renovação dos valores da esfera pública pode trazer a revitalização necessária para voltarmos a ser capazes de fazer escolhas independentes e relevantes.