A elite de poder portuguesa vs a classe dominante

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERUm antigo dizer postula que o melhor truque que o Diabo alguma vez fez foi o de convencer todos que não existia.

Quanto ao Diabo desconhecemos a veracidade deste antigo dizer.

Mas estamos certos que o melhor truque que a elite de poder portuguesa alguma vez fez foi o de convencer os membros da classe dominante que estes eram efectivamente membros da classe dominante e que ambos os estratos sociais eram unos e dominavam em conjunto.

Uma classe dominante é um miserável apêndice, bem vestido e bem lavado, atarrachado com parafusos sociais oleados a hipocrisia e cinismo, a uma elite de poder. Ambas parecem o mesmo, mas a verdadeira natureza de ambas é inteiramente diferente.

Uma classe dominante aparenta possuir características semelhantes às da elite de poder: imenso dinheiro quando comparada com a restante população, eventualmente fama ou prestigio, poder pessoal ou profissional, aparente notoriedade, projecção de imagem de poder, imagem social de distinção.

Devido a estas características aparentemente semelhantes, a classe dominante é convencida pela elite de poder a entrar em modo “auto ilusão”, quer por iniciativa rastejante própria, quer porque foi educada pelos auto nomeados mestres do sistema a sentir-se assim e a convencer-se que é verdade.

Parecem todos o mesmo; não o são efectivamente.

E quando a capacidade para promover destruição que a elite de poder possui levanta a sua feia cabeça, a classe dominante é posta na sua verdadeira dimensão e manda o mesmo que a generalidade da população assim não reconhecida como tal: pouco ou nada.

Meramente nada.

O objectivo deles: promover  " isto" e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção "disto".

O objectivo deles: promover ” isto” e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção “disto”.

 ⇒ Quem possui o poder real e verdadeiro é a generalidade da população.

Um poder formidável que, por culpa e desleixo próprio e porque é educada desde o berço a esquecer-se de quem verdadeiramente é, a generalidade da população não reconhece  como existente, nem reconhece isso em si.

Acaso a generalidade da população tenha vislumbres desse seu poder, hesita em reconhecer isso em si, e raramente age.

Os beneficiários e incentivadores desse esquecimento são os que exercem uma influencia insidiosa com o objectivo de ajudarem a controlar melhor as pessoas e impedi-las de reclamar aquilo que é seu e aquilo a que tem direito: emancipação e autonomia.

 ⇒ A classe dominante julga-se quase o inverso.

Julga mesmo que manda verdadeiramente em alguma coisa e julga mesmo que tem mais poder do que na realidade tem. Verdadeiramente, são apenas servos com mentalidade de micro déspotas, apenas mais bem pagos (um pequeno preço a pagar pela corrupção subserviente que desta gente deriva, mas que a elite de poder não se importa de pagar, dados os beneficios enormes que dai retira… ), mas que apenas circulam e estão ao  dispor dos caprichos da elite de poder e dos seus verdadeiros desejos.

A classe dominante passa anos, décadas, séculos a servir os propósitos da elite de poder. No fim é igualmente traída e abandonada à sua sorte quando a elite de poder destrói recursos e possibilidades e as consequências disso mesmo se tornam demasiado visíveis.

Roma não paga a traidores nem aos que assassinam os seus generais”.

Quintus servilius Caepio, General romano.

É por este adágio que a elite de poder vive, e pelo qual a classe dominante morre.

A propósito desta caixa de comentários.

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3 thoughts on “A elite de poder portuguesa vs a classe dominante

  1. O que determina a pertença a cada um dos grupos?

    O conceito “Elite do poder portuguesa” parece associado a algo absoluto, faz sentido utilizar essa definição mesmo em termos globais?

    A organização social que descreve é resultado de uma opção consciente e consequente ou é apenas o resultado óbvio de um conjunto de interações mais ou menos controladas?

    Não posso deixar de elogiar a simpatia e elegância do Harmódio aquando do post anterior.

    • O que determina a pertença a cada um dos grupos?
      – relações familiares, dinheiro, prestígio, associações de poder, ou a ausencia de todos ou de alguns dos factores.

      O conceito “Elite do poder portuguesa” parece associado a algo absoluto, faz sentido utilizar essa definição mesmo em termos globais?
      – Para mim faz. A elite de poder portuguesa é apenas uma sub espécie com tiques derivados da internacional.Apresenta especificidades próprias,mas submete-se aos arranjos e ditames internacionais quando é preciso e quando quer arranjar justificações

      A organização social que descreve é resultado de uma opção consciente e consequente ou é apenas o resultado óbvio de um conjunto de interações mais ou menos controladas?
      – Ambas, na minha opinião.

  2. Pingback: The Long Haul | Enclave

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