Um grupo de comunicação social falido em Portugal

“Viewed from a distance, everything is beautiful.”

Tacitus agrícola

Imagine-se que um grupo de comunicação social, proprietário de uma estação de televisão, de um jornal, de várias revistas de segmentos específicos e com uma enorme influencia e quota de mercado está falido.

Imagine-se que este grupo de comunicação social, em tempos idos que já lá vão, para criar escala e tamanho decidiu pedir credito bancário para adquirir novos títulos para o seu portfólio, endividando-se pesadamente.

Imagine-se que o credito bancário foi concedido em maior extensão, durabilidade e ligeireza pelo facto de o dono da empresa ser um indistinto empresário com ligações a um partido político.

Imagine-se que foi inexistente uma clara avaliação económica, foi inexistente uma analise custo beneficio, foi inexistente uma avaliação de tendências económicas para o futuro no que diz respeito à manutenção e viabilidade económica positiva do ambiente de negócios que justificasse este amplo pedido de credito.

Imagine-se que apenas se emprestou pelo facto de quem pediu ser quem era…

Imgine-se que era um empresário  “too big to fail…”

Imagine-se que varias luas e o grupo de comunicação social está falido. Tecnicamente e de facto.

Imagine-se que parece o papagaio morto do skecth dos Monty Python, mas o vendedor diz para o comprador que o papagaio está vivo. Com convicção.

Imagine-se que tem uma divida bancária de 200 milhões de euros, mais troco menos troco.

Imagine-se que essa divida bancária sobe de ano para ano.

Imagine-se que este grupo económico de comunicação social está cotado na bolsa de valores  portuguesa e o valor da sua acção desce mês após mês continuamente e com a convicção de obrigatoriedade.

Imagine-se que um dos credores bancários deste grupo é também accionista com uma pequena posição…e detém metade dos créditos a haver..

Imagine-se que o stock de suicidas económicos está esgotado e nenhum outro grupo económico, ou investidor, ou concorrente, ou otário quer ou está disposto a enfiar-se neste buraco financeiro sem fundo.

Imagine-se que um dos credores financeiros deste grupo insistiu com o patrão do mesmo para que ele vendesse parte do portfólio de revistas e jornais do grupo , para abater à divida e baixar prejuízos…

Imagine-se que imensos títulos dos grupo de comunicação social foram vendidos por fracções insignificantes do que tinham custado.

Imagine-se que a má gestão do dono deste grupo –  gestão essa que passou a ser orientada por critérios de favorecimento de forças políticas que agradavam ao dono em vez de critérios económicos visando o aumento de quotas de mercado  – foi o  motivo único e principal para este descalabro.

Imagine-se que o dono deste grupo de comunicação social, dentro da tradição bem portuguesa de pedir favores ao Estado quando se tem problemas por culpa própria (ou não), decidiu “meter uma cunha” ao actual governo em funções.

Imagine-se que “a cunha” tinha como objectivo solicitar a interferência do governo no sentido de este solicitar ao banco público estatal um pequeno favor na forma de um empréstimo.

Imagine-se que o actual governo em funções decidiu recusar.

Imagine-se que os “jornalistas” e o dono do grupo de comunicação social espumaram raiva, ira e fúria e decidiram promover uma campanha mediática negativa contra o governo em funções.

Imagine-se que uma das acções de combate consistiu na obtenção das gravações do interrogatório judicial do antigo primeiro ministro pertencente ao partido politico do governo em funções onde este está a ser acusado criminalmente de inúmeros crimes verdadeiros, falsos e eventuais como forma de lançar lama e fazer pressão.

Imagine-se que estes “profissionais” – jornalistas sabem que é apenas uma questão de tempo até serem despedidos e como tal lutam por manter os privilégios inerentes a uma sinecura privada corporativa, mesmo que cometam crimes para o fazer…

Imagine-se que os pedidos/ordens/cunhas /sugestões ao banco estatal público via governo foram recusados e o líder da bancada de deputados do partido político ao quais o indistinto  empresário tem ligações foram para o parlamento exigir  que a lista de credores do banco publico estatal fossem divulgadas num notável lançamento de lama.

Imagine-se que a lista foi divulgada, mas os créditos do banco estatal publico eram menores que os do banco privado que é credor de metade da divida deste grupo de televisão e de um outro banco espanhol que despoletou este caso ao exigir ” ressarcimento da divida or else…

Imagine-se que isto é Portugal com o capitalismo de amigos para amigos e pelos amigos com corrupção ética à mistura com partidos políticos…e lançamentos de lama feitos por deputados e amigos da cor e onde os cortesãos jornalistas desempenham o seu papel.

Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas. The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.   Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus, agrícola

Os jornalistas portugueses são os guardiões da manipulação. É isto que as elites querem; nós devemos recusar

“The masses have never thirsted after truth. They turn aside from evidence that is not to their taste, preferring to deify error, if error seduce them. Whoever can supply them with illusions is easily their master; whoever attempts to destroy their illusions is always their victim.”

~ Gustave Le Bon

No inicio, foi a revolução de 1974. Dai em diante, o trabalho dos jornalistas portugueses deveria ser o acto de fazer jornalismo livre e independente de censuras, quer  privadas, quer de controlos estatais, políticos e económicos, de assegurar o pluralismo da informação; assegurar que todas as opiniões (o maior numero possível…) seria veiculado para todos que quisessem  ou estivessem interessados em as escutar, comprar, adquirir, debater.

Após o inicio, inúmeros entusiastas neófitos a par com os meios de comunicação social já pré existentes e que vinham da ditadura onde existia censura ao que produziam; criaram novos meios de comunicação, especialmente jornais, já libertos de uma censura mantida pela ditadura que vigorou em Portugal até 1974.

Depois do inicio e em força desde 1985, especialmente os jornais, começaram a tornar-se “empresas de jornalismo” e com o licenciamento/abertura de canais privados de televisão e licenciamento de novas rádios, metamorfosearam-se em projectos empresariais que sobrepunham os interesses económicos (o lucro) aos interesses de fazer jornalismo, afastando para o lado todo o pouco pluralismo existente nesta sociedade.

Com a maturação de um sistema inicialmente pensado para todos e que gerava conhecimento e jornalismo para todos, passou-se a um sistema corporativo e fechado. Fusões de empresas de comunicação sucederam-se. Gerar empresas cada vez maiores era o objectivo, com mais lucros, mas menos jornalistas e nenhum pluralismo.

O comissário político/económico disfarçado de jornalista sobrepunha-se (sobrepôe-se) ao jornalista propriamente dito.

E chegámos ao “mercado” concentrado, não plural, oligopolizado e cartelizado, de qualidade hiper medíocre, em que os poucos jornalistas dissidentes que queiram mesmo fazer jornalismo são impedidos de o fazer, convidados a sair, colocados na posição de auto censura, ou arrumados numa prateleira para não perderem o emprego. Se o perderem,  estando no lugar ” x”, por dissensão de opinião, apenas existem mais dois ou 3 grupos  de meios de comunicação social onde poderiam trabalhar.

Este protótipo de jornalistas dissidentes acima descritos é ultra minoritário, uma pequena espécie autóctone.

O sistema foi armadilhado e funciona apenas para as elites (“Elites” entendidas no sentido mais depreciativo do temo que seja possível…).

Com os novos donos a ocupar o lugar os actuais bonecos de palha foram encarregados da aplicação das narrativas que beneficiam elites. Essa narrativa é ortodoxa e transformou as criaturas que nos são apresentadas como jornalistas nos  “guardiões da ortodoxia”.

Estes novos cortesãos servem diligentemente e com brio.

Contudo, debaixo de uma capa de sofisticação, são apenas instrumentos rombos, pintores de construção civil que colocam mau estuque manipulativo; aplicadores de camadas de cimento propagandístico que escondem a brutal realidade do neoliberalismo aplicado a esta sociedade, das enormes injustiças nela praticadas, que branqueiam e escondem os danos de um regime podre e decadente e que nenhum aspectos de democracia (tirando a fachada)  tem.

Na numismática exige-se patina às moedas. Neste ecossistema maligno trabalha-se em prol da colocação de uma patina de brilho sobre as figurinhas ridículas da instituições e (acessoriamente) exalta-se sempre que possível as virtudes da tribo da direita política.

(Em Portugal, existe a originalidade de só esta agremiação de cretinos da tribo da direita política ter direito a ser branqueada de forma permanente; já a tribo da esquerda politica é sempre vilipendiada excepto quando interessa branquear facções dentro da mesma. Surge o clássico “dividir para reinar” aplicado sobre a tribo da esquerda política, para a impedir de chegar ou manter o poder. Uns grupos são exaltados em detrimento dos outros e no próximo turno, a outra facção da tribo da esquerda política será branqueada no próximo ciclo politico. (Merecem-se todos uns aos outros…)

(As elites de poder que vivem nas sombras divertem-se a incentivar este jogo.)

As elites políticas, sociais, económicas portuguesas são extremamente limitadas.

A sua programação limitada interna contém apenas uma instrução dividida em duas partes.

(A) Só se deve defender os seus próprios interesses e os dos amigos.

(B) tudo o resto deve ser ignorado.

As consequências deste pensamento pobre e limitado são obvias.

Ignorando tudo o resto, resta-lhes apenas conseguir interagir umas com as outras (endogamia social oblige…). Como as instruções de programação não dão para mais, ficam sempre surpreendidas e espantadas com o nível de ressentimento, revolta e alheamento que a generalidade da população sente.

Escudados por zonas francas de bem estar, físico, psicológico e económico, quer nos locais selectos das periferias das cidades ou nos centros principais das duas maiores cidades, o resto da população só é autorizado a entrar se for lá para trabalhar nas limpezas da porcaria que esta gente produz diariamente ou para servir cafés.

Os seus núncios jornalistas comissários da propaganda tem instruções para ignorar, e/ou ocultar e/ou manipular percepções quer o problema ocorra a 15 km de distancia ou numa aldeia remota. Sucedendo algo,  os seus núncios comunicacionais televisivos regurgitam uma verborreia inchada de teorias peregrinas acerca do que aconteceu – um dia antes nem sequer faziam ideia ou tinham sequer ouvido falar do que aconteceu.

Se e quando existe algum pico de contestação mais sério, acalmam aqueles que consideram e tratam como inferiores (95% da população), recomendam paciência, calma, ponderação e responsabilidade, incentivam a que trabalhem muito e pedem que se demonstre confiança no sistema armadilhado e no regime que temos (um regime subvertido por neoliberais e por elementos da extrema direita que fazem turnos para ver quem faz mais estragos..) prometendo final a cereja no topo do bolo: que as coisas ficarão bem e serão resolvidos problemas.

Esta narrativa tem “tendências” cíclicas. Actualmente a narrativa para acalmar o ressentimento latente baseia-se nos discursos do  “culto do empreendedorismo”, na “ética do pluralismo político”, na “cultura do mérito” , na “ascensão social para todos”, na ” confiança nas instituições”.

Também se baseia em apelos constante à união: temos que nos unir, dizem-nos e chegar a “consensos”. (Consenso, neste contexto, significa  baixar a cabeça e fazer o que as elites de poder querem…)

Um produto inexistente é constantemente promovido através do uso de mantras, de spots publicitários, de repetição constante de falsidades.

A realidade é outra.

As elites portuguesas continuam a oferecer soluções estúpidas.

Como são estúpidas só conseguem isso.

Move along, nothing to see here…

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

Como o sistema português é modelado a partir do sistema americano de corrupção percebe-se que as coisas funcionam como um clube.

Todos os membros do clube, “entram em consenso” acerca da escolha dos candidatos que irão ocupar os lugares institucionais, profissionais, das ” zonas de conforto”.

Todos juntos, todos amigos, todos incompetentes, todos a viver numa redoma. (Observe-se a escolha de todos os candidatos à eleição para a câmara municipal de Lisboa nas recentes eleições autárquicas… competindo todos entre si para correr mais depressa em direcção à mediocridade…)

Incrustada a essa redoma disposta como massa de vidraceiro que colou mal, e está lá dependurada á espera que o tipo das obras venha novamente reparar correctamente o vidro,  estão os jornalistas cortesãos portugueses.

Aconchegados junto dos círculos, triângulos e octógonos de poder ,“Embebidos”, os jornalistas atingem o orgasmo comunicacional que Marshall Mcluhan lhes prometeu quando afirmou que “o meio é a mensagem”.

Por viverem todos no mesmo  “ambiente”, dia após dia, ano após ano, jornalistas e políticos por exemplo tratam-se por tu… e após algum tempo todos adoptam inconscientemente (muitos fazem-no conscientemente que nesta profissão existe um enorme desejo e dedicação à prostituição intelectual…que paga bem… ) os mesmos conjuntos de valores.

Geograficamente, habitam nas mesmas zonas livres de pobres/classe média, próximos dos outros e frequentam os mesmos ambiente suburbanos e as mesmas festas sociais…

Afinal de contas, são todos da mesma “classe”

É a total perversão do que o jornalismo deveria ser. Toda a imprensa deveria posicionar-se “de fora”,  vigiando os de dentro e recusando identificar-se psicologicamente com os “círculos do poder”.

É uma ” experiência partilhada com os “insiders”, assim se auto justificam…para aplacar eventuais remorsos sentidos…

Surge um negócio paralelo narcisista-capitalista. Os novos jornalistas – cortesãos criam personalidades publicas, marketizam-se como celebridades, manufacturam emoções, as próprias e as dos terceiros que estão a promover.

A política e a sociedade são irrelevantes, somente as artes negras da propaganda irão ser usadas para influenciar o comportamento dos cidadãos e em quem votam.

Deixou de ser cidadania e passou a ser uma estratégia comercial. Os subprodutos são óbvios: quando se trabalha num tal ambiente inconscientemente/conscientemente estas pessoas tornam-se facilitadores de qualquer estratégia comercial, oriunda da elite de poder ou associados.

As ideias que podem ser debatidas pela sociedade são cuidadosamente seleccionadas, as que não devem ser questionadas são ocultadas ou remetidas para o esquecimento. Os jornalistas são os “guardiões da ortodoxia”, da nova ortodoxia. Criam um novo tipo de véu de tirania intelectual, social e política semelhante a que foi imposta no passado pelo fascismo e pelo comunismo.

É isto que as elites querem; nós devemos recusar.

Do desastre da contemplação e das eleições autárquicas

Quando as estruturas de poder duma sociedade decidem implementar mecanismos de controlo sobre a população uma das estratégias usadas consiste em apelidar essa nova forma de controlo de ” moderna ou de modernidade”.

Esta estratégia quer envergonhar, atrofiar e amesquinhar psicologicamente os cidadãos tentando criar-lhes complexos de inferioridade  caso recusem aceitar ou simpatizar com estas novas formas de controlo que surgem com roupas novas chamadas ” modernidade” ou “modernas”.

Uma destas estratégias de “modernidade” é a criação da contemplação como realidade.

Existe um trabalho de décadas visando acelerar o ritmo das pessoas quer na sua vida pessoal, quer nos seus locais de trabalho. Tudo deve ser acelerado, as pessoas tem que se mover depressa, quase ao ritmo ou mesmo para lá do ritmo das máquinas com as quais trabalham.

O objectivo é forçar o esgotamento das pessoas, transformá-las em pequenos depósitos de stress. O resultado é o esmagamento de qualquer tipo de análise pessoal, introspecção, espiritualidade, interesse pela cidadania, proximidade com qualquer ideia de ética pessoal; tudo é feito para gerar o total desinteresse,  gerar o alheamento de tudo que não seja o pequeno ambiente familiar, pessoal ou do sitio onde se vive.

A dimensão social e humana dos cidadãos é reduzida à contemplação. E a micro espasmos episódicos, paroquiais, ao nível do bairro que por vezes irrompem e se manifestam de quando em vez em micro sublevações – regra geral sempre direccionadas contra os outros cidadãos que navegam no mesmo barco pequeno e micro; nunca contra os verdadeiros poderes estabelecidos.

Este ritmo acelerado faz as pessoas agir  e reagir. E pouco pensar. Conduz a uma intensa aversão à introspecção pessoal. “Reflectir  sozinho” e em silencio é, na nossa sociedade, considerado quase como um crime horrendo.  Algo de estranho e a evitar. Criam-se todas as condições para quase obrigar as pessoas a andarem em grupos de outras pessoas apenas para não estarem sozinhos, não vá dar-se o caso  de incorrem no enorme pecado que é a introspecção pessoal, a solidão e o silencio para acalmar a mente e melhor olhar para a realidade que os rodeia. E assim sair da contemplação como realidade.

A contemplação como realidade é apresentada como sendo moderna ou a modernidade. Segundo esta lógica perversa, são “arcaicos e anti progresso” os que a recusam.

Caspar David Friedrich - Wanderer above the sea of fog

“Each of us assumes everyone else knows what HE is doing. They all assume we know what WE are doing. We don’t…Nothing is going on and nobody knows what it is. Nobody is concealing anything except the fact that he does not understand anything anymore and wishes he could go home.” – Philip K. Dick

Um efeito imediato sobre a população é que uma nova realidade passa a existir. Chama-se contemplação mas é derivada da inexistência de introspecção. O que antes poderia existir e era introspecção, praticada pela generalidade das pessoas, passou a ser  contemplação. Do “pensar a nível interior” para a contemplação (o olhar contemplativo)  de paisagens geridas e criadas pelas elites, paisagens essas que são todas artificiais, falsas e prejudiciais à população se ficar a olhar fixamente para elas.

As palavras são diferentes, os significados que ambas tem são totalmente diferentes;  mas a introspecção passou a ser contemplação e a ideia verdadeira  do que era contemplação foi enterrada num local desértico e escuro para tentar fazer-se ser esquecida para todo o sempre e agora todos contemplam a realidade, mas não agem sobre ela.

A Irmandade de Némesis não esquece.

Esta nova “modernidade” origina a auto desresponsabilização e cria bodes expiatórios. Como se está a contemplar (de forma moderna…), tudo o que de mal acontece é projectado em terceiros, reais ou imaginários,  que são responsabilizados (mesmo que estejam a anos luz de distancia), e nada tenham efectivamente a ver com o assunto ou tendo a ver, estivessem originariamente impedidos de fazer mais do que o que fizeram.

“A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares.”

Ambrose Pierce

Eleitoralmente tivemos oportunidade de observar isso recentemente. No dia 1 de Outubro de 2017 a população portuguesa, em grande parte corrompida pelo contacto que tem com as elites e por culpa própria também, na sua grande parte destituída de ética pessoal, princípios, pouco civismo e  nenhuma convicção acerca do que é a verdadeira cidadania decidiu atribuir um cartão de monopólio com os dizeres “Sairá da cadeia sem cumprir pena” à generalidade dos eleitos das recentes eleições autárquicas.

Assumindo plenamente o papel de “contempladores profissionais”  (porque é moderno) em vez de agir (porque é arcaico) os portugueses decidiram votar na generalidade dos casos de acordo com as propostas de mediocridade na continuidade salpicadas pela corrupção ética dos candidatos e salteadas com a estupidez muito própria de quem julga que está a perceber imenso do que se passa e que está a proceder de acordo com  a aquisição de “vantagens especiais” para si , para a sua família e para os seus.

A nível autárquico a cobardia cívica, o desligamento da situação em prol de vantagens especificas pessoais, também conhecidas como “migalhas” que são oferecidas, foi a norma, o suborno barato.

O sistema político social e económico é um jogo corrompido, onde os vencedores já estão definidos antes do jogo começar.

2017-10-07 queremos mentiras novas

O  comentariado político, que recebeu instruções e recebe instruções para debitar mensagens gastas também vive na contemplação como realidade e promove essa mesma contemplação.

Em laboratórios especialmente credenciados para tal dezenas de teorias saem das linhas de montagem e explicam quem são os vencedores, os vencidos, os que foram á casa de banho , os que saíram e entraram e demais futilidades.

Mas alguém lhes encomendou a missa?

A mentalidade do comentariado político é a da contemplação: só os seus interesses e de quem lhes paga contam e as missas que regurgitam cheiram mal.

Nenhum dos membros do comentariado tem capacidade para entender o que se passa – são eles próprios todos membros das mesmas classes sociais e profissionais, todos vivem nos mesmos condomínios fechados sítios e não contactam com a população; logo funcionam em circuito fechado onde apenas os ecos das suas próprias vozes se ouvem, nada de verdadeiramente “novo”, “original” e “verdadeiro” pode sair destes palradores militantes e pagos.

Apenas debitam propaganda e verdades feitas mencionadas em conversas uns com os outros.

2015-11-25 - rob riemen- 2012

A contemplação como realidade contamina a população para a lassidão e embrulha-a na corrupção.

Durante décadas ambos os lados do espectro político incentivaram, quer por omissão, quer por acção a corrupção ética,  o abandono da cidadania, fecharam os olhos ao esmagamento dos direitos legítimos do cidadãos.

O campo para tal é fértil.

Os portugueses desde pequenos são habituados e educados a conviverem bem com “cunhas e favores”, a simpatizarem e darem por adquirido que ter um patrono (um padrinho…) é uma condição essencial para singrar na vida e educam sempre a sua prole nessa lógica. Encontrar um emprego, fazer um jeitinho, obter um favor são considerados como sendo normais e factos da vida semelhantes a comprar uma embalagem de arroz no supermercado.

Os próprios sentem no seu intimo que tal é errado, mas desvalorizam. A auto justificação vem a seguir: “se os outros fazem eu também faço”.

Com o aumento exponencial destas atitudes entramos no caos. Para onde quer que se olhe vêem-se os pagamentos em géneros ou dinheiro em que toda a gente usa toda a gente para fazer a venda da cobrança de mais favores e respectiva classificação final.

O resultado já chegou há várias décadas e há um preço enquanto sociedade a pagar.

Esta forma peculiar de viver também faz com que o seguidismo seja a norma, e se procure estar sempre com quem aparenta estar a ganhar. Quem aparenta estar a ganhar faz com que uma parte da população se junte e vote – contemplativamente de acordo com isso. (Independentemente de qual seja o partido conjunturalmente a ganhar…)

Trata-se do “voto útil” contemplativo no vencedor. É a demissão cívica total e o risco zero enquanto cidadãos.

Mas, a maior parte dos portugueses não se considera ou percebe de facto que é um cidadão. Conhece a palavra, mas não o que ela significa.

Apenas se resignam a uma vida espiritual interior débil ou inexistente e a uma cidadania quase invisível, que é trocada pelo movimento em direcção a onde julgam ver aparecer benefícios ou dinheiro, esquemas ou empregozinhos.  (Nunca aparecem; estão reservados para as elites medíocres e corruptas.)

 

Hell is empty and all the devils are here.
The Tempest – William Shakespeare

 

Resignam-se eles.

A irmandade de Némesis não se resigna.

As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

O jogo de espelhos

tyrion-lannister-powerful

Imaginemos que em 2016, um partido de extrema direita, que já devia ter sido ilegalizado, os seus membros processados criminalmente e presos, decide utilizar uma estratégia de auto-promoção das suas ideias, decide desestabilizar o actual governo e decide desgastar o actual regime democrático (goste-se deste regime ou não se goste…).

Imaginemos que para o fazer decide implementar uma estratégia manhosa e de choque  usando força para provocar publicamente e procurar estender uma armadilha ao campo da esquerda política com o objectivo de fomentar uma divisão política e ideológica dentro desse sector.

Uma manifestação de apoio aos direitos dos emigrantes é convocada por uma conveniente e útil (útil no sentido de idiotice útil…) associação de defesa dos emigrantes e dos seus direitos ou falta deles. Imagine-se que  – casualmente – a manifestação vai passar na frente da sede de um partido político residual, que se auto promove como sendo um partido de esquerda embora verdadeiramente não o seja.

Imagine-se que, premeditadamente, o partido de extrema direita que já deveria ter sido ilegalizado há muito tempo, os seus membros processados criminalmente e presos decide ir protestar (isto é, fazer desacatos e utilizar uma táctica própria das milícias paramilitares baseada na intimidação física e psicológica) no sitio onde estão a decorrer as manifestações.

Curiosamente, no mesmo dia da manifestação pró imigrantes este partido residual dito de esquerda decide fazer uma “sessão de esclarecimento” sobre os perigos do trumpismo.

Para o partido de extrema direita a sopa caiu (convenientemente) no mel. Decidem ir “debater” na sede nacional do partido residual, o tema da emigração, onde, também, inteiramente por acaso, a manifestação irá a passar…

As pessoas do partido residual,  recusam que lhes invadam a sede para “debater”, chamam a polícia e a partir dai surgem os desacatos.

O partido residual serviu como cavalo de troía (resta saber se propositadamente ou por ingenuidade… ) desta estratégia.

Com a conivência da imprensa – uma parte dela tem ligações à extrema direita embora finja que não – a extrema direita portuguesa ganhou notoriedade.E escolheu dar notoriedade a um grupelho específico do outro campo…

O objectivo seria a geração do facto noticioso “artificial” para justificar que o partido residual que organizou a manifestação teria sido atacado e que esse partido seria um suposto adversário perigoso das ideias da extrema direita em Portugal. Após divulgação desta epopeia épica que (1) dá simultaneamente “direito de antena” ao partido residual e (2) aos cro-magnons que acham que são mais patrióticos que o resto da população, o partido residual é sinalizado para a opinião publica como sendo as vitimas dos ogres e, simultâneamente, os corajosos combatentes pela liberdade.

O verdadeiro objectivo divide-se em duas partes :(a) tentar legitimar aos olhos da opinião publica este partido residual como sendo uma força política considerável (b) e tenta promover a divisão no campo da esquerda política.

jogo-dos-espelhos

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda?

Quando a blogosfera portuguesa estava efervescente vários blogues da esquerda espelhavam-se em vários blogues da direita (e vice versa) com constantes discussões e supostos debates.  O resultado prático desta luta era o aumento das audiências de ambas as partes (estas especificas partes) e o arregimentar de pessoas para ambos os lados, com o enorme beneficio destes pequenos grupos que assim pareciam maiores em numero e influencia do que efectivamente são.

A lógica aqui seguida é a mesma, tentando ser transportada para o espaço comunicacional e contando com a evidente ajuda da imprensa e dos outlets de comunicação social, que promovem à vez estes grupelhos.

Nos blogues, alguns blogues ditos de direita foram suportados e apoiados até deixarem de ser necessário (o trabalho sujo já estava feito, pessoas chegaram a negócios e a lugares de deputado…) e passou-se directamente para a área da comunicação social com blogues travestidos de jornais.

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda, precisamente quando este está completamente vazio, eleitoralmente e politicamente, destituído de significado e no fundo do poço??

Numa táctica de dividir para reinar, a extrema direita portuguesa, ou melhor dizendo, os neo straussianos entre eles, aplicam tácticas rudimentares de promoção dos hipotéticos adversários simpáticos  que querem no futuro ter.

Numa táctica perigosa de procurar auto capitalizar ajudando a promoção dos inimigos da democracia, o partido residual timidamente protestou, enquanto que nas suas próprias páginas do facebook, demonstrava aos seus militantes quão corajosa era a direcção do partido por ter feito frente aos “maus” da extrema direita.

Eles espelham-se.

Por conveniência mutua.

Por tacticismo.

Recusando ser a irmandade de Nemésis apoiante formal de qualquer um dos dois campos (esquerda e direita) cabe no entanto chamar a atenção, para os inimigos exteriores de todos; os quintas colunas que se sentam à mesa do regime democrático, e usam os lacaios para atacar todos os que nele estão integrados, bem como chamar a atenção para os colaboracionistas.

Como a opus dei chegou onde queria chegar (à Cgd) e os partidos políticos portugueses permitiram

Em Portugal, quem é colocado fora do acesso aos benefícios do sistema político, social e económico português tem uma identidade. Essa identidade económica, política e social e partilhada com todos os outros membros da sociedade que estão na mesma situação, quer pareçam ser pessoas colocadas num patamar económico acima, quer não o sejam efectivamente.

O desempregado branco dos subúrbios, o exilado rural que vive perto da indigência na província, o precário urbano que coexiste entre apelos pueris que o fazem pensar que é pós moderno e o desemprego de recibo verde mascarado de emprego dinâmico e moderno estão todos no mesmo barco.

A profissão liberal ou publica na área tecnica como o professor ou o médio quadro bancário estão todos no mesmo barco. O trabalhador emigrante indocumentado e o emigrante documentado oriundo de locais bizarros também está no mesmo barco.

Julgam que não, mas estão.

Importante: as elites de poder portuguesas investem muito tempo e dinheiro a mascarar e iludir estas pessoas e os problemas sociais políticos e económicos que existem.

Importante: uma certa forma peculiar de corrupção é mantida e aperfeiçoada pelas elites de poder portuguesas, que investem no controlo de muitas pessoas feito por um numero relativo de poucas pessoas.

Importante:  esta milícia de tipo casta é perigosa para todos e altamente corrosiva.

Importante: deve-se evitar deixar chegar estas pessoas a lugares de poder e responsabilidade, especialmente na esfera pública.

Na caixa geral de depósitos, banco 100% público os partidos políticos chamados PSD e CDS – meras extensões da oligarquia corrupta e decadente que queima lentamente Portugal, apostaram na política de terra queimada.

Lamentavelmente quem diz que se lhes opunha favoreceu isso.

Colocados perante a oportunidade de quebrar o controlo, nada fizeram.

opus-dei-efficient-machine

Quando no governo, (2011-2015) o PSD e o CDS permitiram que existisse uma política de desvalorização do banco, com o objectivo de:

a) baixar o preço para o potencial comprador;

b) justificar privatizar;

Quando comprasse, o potencial comprador herdaria o direito de cobrar os créditos que a Caixa tem sobre dividas de terceiros.

O Estado português tem mais de 100 mil milhões de euros em dividas à CGD.(*)

2016-12-04-15_44_25-demonocracy-info-european-superhighway-of-debt

( * dados da infografia correspondem ao ano de 2013. )

Quem comprasse, mal o fizesse iria exercer o seu direito a cobrar.

Um justificação perfeita para um governo em funções ( um governo PSD-CDS…) justificar cortes de despesa pública e aumentos de impostos.

Em 2015 a paisagem do cenário mudou (o cenário é o mesmo, infelizmente…) e uma nova experiência política começou a governar.

Esta definiu que:

a) era necessário recapitalizar a CGD;

b) sanear as contas do banco e admitir perdas;

c) racionalizar a gestão (despedir pessoas) e fazer com que o banco voltasse a financiar empresas e particulares, dado que a ” boa gestão” dos privados feita em anos passados nos seus próprios bancos resultou em estarem impossibilitados de fazer tal… actualmente…

Os representantes dos oligarcas (PSD-CDS) perceberam o perigo. E movimentam-se para impedir que a recapitalização da caixa (4 mil milhões de euros), que serviriam na sua grande parte para por dinheiro a circular e reactivar a economia especialmente nas pequenas e medias empresa fosse parada.

Sabem que se isso arranca, não voltam a chegar ao poder antes de 10,12 anos.

Isto é patriotismo de alto coturno.

Inicia-se o bloqueio, sobre a nova administração. Contando com a preciosa ajuda de todos os partidos incluindo o que está no governo.

Qual a solução, se a administração não fosse empossada como veio a suceder?

Uma nova administração inatacável.

E recusa-se ou não se sabe, arranjar uma administração inatacável.

Do outro lado, manipula-se através dos seus lacaios na imprensa para colocar na CGD, um membro da Opus dei.

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a Cgd..

Parece ser seguro afirmar que este candidato a administrador seria melhor do que aquele que foi actualmente escolhido para a CGD…

Com o novo candidato Paulo Macedo os velhos argumentos de que:

a) o ordenado do gestor principal da casa era demasiado alto

b) tinha destruído o SNS e feito um péssimo trabalho como director geral de impostos;

já não se aplicam.

Vários partidos políticos fizeram uma guerra sobre os rendimentos para afastarem o outro tipo e a solução é … Paulo Macedo…? A solução é  … a Opus dei…?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Mark Blith, economista escocês, deu uma entrevista em que criticava o SNP escocês, o partido que defende a independência da Escócia em relação ao Reino Unido.

Aquando dos resultados do brexit, o SNP queria demarcar-se politicamente dos resultados, porque eram contra os problemas eventuais que a saída da UE iria criar a Escócia pelo facto de a Inglaterra sair.

Mark Blith contrapunha e argumentava que a posição do SNP era “absurda” . Mas eles acham mesmo que ficam melhor com a austeridade do Sr Schauble?

Por contraposição à austeridade dos ingleses?

Um exemplo de uma estratégia negocial imbecil e um termo de comparação.

Fazer uma guerra acerca da nomeação de António Domingues para a CGD e obter a renunciai deste, para ser substituído por Paulo Macedo, membros da Opus dei é melhor…?

A apresentação de rendimentos e o alto ordenado do novo gestor da CGD já não constituem condição impeditiva para este ocupar o cargo…?

Mas eles acham mesmo que ficam melhor com o Sr Macedo na CGD….?

2016-12-04-15_43_39-demonocracy-info-european-superhighway-of-debt

Qual o significado real disto?

A maquinaria conhecida como “Geringonça” acabou, no momento em que esta sinistra personagem ocupou o cargo de gestor principal da CGD.

Com esta decisão?!?! o poder de controlar tudo na economia portuguesa foi dado de bandeja à pior organização de oligarcas à qual podia ter sido dada.

Esta decisão tem enormes repercussões e algumas delas são completamente invisíveis. O que o sector Opus dei sempre quis ter foi o controlo do dinheiro e o “controlo da informação” que lhes é providenciado pelo acesso ao que é a informação financeira que a CGD contém.

Mas o Sr Macedo vai congelar o investimento na CGD?

Em vez de congelar o investimento na CGD, o Sr Macedo vai fazer exactamente aquilo que o governo e o os partidos todos querem que seja feito.

Paralelamente vai adquirir toda a informação sobre o que a caixa é; a quem concedeu credito e onde se movimenta comercialmente. Essa informação será do conhecimento da Opus dei e dos seus amigos. Um fotocópia da economia e da sociedade será tirada. Isto virá a facilitar ainda mais o controlo de quem pode vir a ser rico ( os da cor…) e quem não pode.

Mais à frente, os que virão a ser excluídos serão quem é pobre ou quem  recusa alinhar com a corrupção.

Todos colaboraram com isto.  A Irmandade de Nemésis não e a Irmandade não perdoa nem esquece.

Donald trump e Napoleão

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPER

Negação: “Isto não pode estar a acontecer.”
Raiva: “Por que eu? Não é justo.”
Negociação: “Deixe-me viver apenas até ver os meus filhos crescerem.”
Depressão: “Estou tão triste. Porquê me hei-de preocupar com qualquer coisa?”
Aceitação: “Vai tudo ficar bem.”, “Eu não consigo lutar contra isto, é melhor preparar-me.”

Com  enumeração dos 5 estágios de luto, modelo kubler -ross, percebemos como estão a sofrer aqueles que apostaram cá em Portugal e nos EUA, na vitória de Hillary clinton nas recentes presidenciais americanas.

Esta cruel piada levada a cabo pelas circunstancias tem confundido e perturbado as mentes em Portugal, excepto os fieis adoradores da ideologia política/económica que Trump visa representar. Ou os novos cristãos renascidos, que passaram a adorar Trump 5 segundos após ter ganho…

A aquisição de espelhos de longo porte, destinados aos portadores dos 5 estágios de luto para uma longa auto contemplação servirá para fazer a necessária limpeza dos mitos em que vivem e da abstracção social e mental em que estão. Asserção válida para os membros da esquerda política (mais) e para os membros da direita política (menos)

O sentido de humor relacionado com este acontecimento chamado Trump abandonou o edifício e o assunto é serio.

O sistema social, político e económico oriundo dos EUA e aplicado em Portugal, como boa região periférica e vassalo que  é, produz cidadãos fáceis de controlar. Uma sociedade atomizada, crescentemente computorizada onde as mensagens entre pessoas são mediadas via comunicações electrónicas é a regra e no caso português, dada a nossa penúria económica geral, é o facebook como canal de distribuição do controlo social e da aplacação/direccionamento das fúrias das massas caso eles porventura venham a existir.

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

No  EUA, esta é a norma nos grandes centros urbanos, embora depois existam grupos autónomos de estilo tribal, separados da tecnologia, impermeáveis ás mensagens electrónicas devido ao seu estilo de vida adverso a essa forma de viver.

Em Portugal, menos, mas diferentes, grupos de população semi autónomas, e de tipo tribal, vivem nos interior do pais e nos subúrbios das grandes cidades, quase misturando-se numa fusão entre tribos rurais e lumpen proletariado despojado.

Estes grupos de tribos rurais e urbanas são menos controláveis e menos entendidas pelo sistema de controlo político. Lá e cá.

The Revolution is for Display Purposes Only

Tecnologias políticas de controlo nos cidadãos: nos EUA, os esquemas financeiros e os bancos, o sistema de saúde privado, o sistema de defesa e segurança semi publico e privado (também conhecido como complexo militar industrial), o sistema de prisões privatizadas, o sistema de ensino superior de custo superior a 100 mil dólares por ano, ou por 3 anos consoante é Ivy League ou universidade privada normal, são os exemplos.

Em Portugal, pobrezinhos e nada honrados tenta-se copiar esta lógica, mas falta escala, profundidade populacional, dinheiro e suficiente corrupção profissionalizada competente para que se produzam mais palhaços saídos das linhas de montagem destinadas à produção de cidadãos atomizados.

Nos EUA, Clinton representava os mediadores de interesses especiais e era a quinta essência do propagandismo. Cá também temos Clintons, basta olhar, mas tem menos qualidade em dimensão e volume, mas são proporcionalmente mais numerosos e imbecis.

No estados Unidos Bernie sanders era um obstáculo fraco e foi afastado pelas regras administrativas do sistema. O problema depois seria produzir um candidato a presidente demasiado fraco para ganhar a Clinton.

Trump, nesse sentido representa a anomalia técnica que abalou este sistema ( isto não exclui obviamente que o candidato seja detestável…)

Os que estão de luto chorando por Hilary Clinton , em demografia eleitoral e geografia eleitoral, agrupam-se nas grandes cidades dos EUA. (Em Portugal também)

Num cenário hipotético de guerra nuclear com a Rússia ( que Clinton e o departamento e estado americano forçaram implacavelmente…) os primeiros a morrer seriam precisamente estes votantes em Clinton agrupados em cidades. O conforto da abstracção por um lado e uma total ausência de auto preservação, por outro são a fome e a vontade de comer deste cenário.

A lógica deles é simples: quem votou em Trump é racista, estúpido, ignorante ,sexista, xenófobo, e todos os que votaram em Trump são isso.

Sendo certo que existem muitos, dizer que todos o são é um erro, e que, no caso português, a tribo da esquerda política insiste em cometer. A tribo da direita política, nas suas maiores facções ainda está a deliberar, excepto os neoliberais de pacotilha cá do sitio que exultam como porcos na pocilga a comer maçãs.

O complexo militar industrial americano controla mais as percepções dos citadinos norte americanos. Racionaliza como uma máquina e aplica analises custo – beneficio, para verificar onde consegue maior e melhor alcance. As decisões devem ser alocadas  aos sítios susceptíveis de melhor produzirem efeitos a quem controla.

HUBRIS - CEREBRO - HALTERES

 E agora surge o mesmo fenómeno generalizado junto de muitos habitantes do EUA (em Portugal é a geral indiferença de 99% da população…) que já sucedeu historicamente quando Napoleão abandonou o seu refugio na Ilha de Elba.

O “Le moniteur Universel”, ilustre periódico que cultivava o jornalismo de lixo (que actualmente se pode ver num infame diário português), e que faleceu em 30 de Junho de 1901 (abram-se garrafas de champanhe por mais uma folha de alface ter morrido…) noticiava assim a vinda de Napoleão.

  • O canibal deixou o seu covil. 9 de Março
  • O ogre corso acabou de desembarcar no Juan Gulf.  10 de Março
  • O tigre chegou ao Gap. 11 de Março.
  • O monstro dormiu em Grenoble 12 de Março.
  • O tirano atravessou Lion  – 13 de Março
  • O usurpador foi avistado a sessenta léguas da capital – 18 de Março.
  • Bonaparte avançou em passo de corrida, mas nunca entrará em Paris  – 19 de Março.
  • Amanha , Napoleão estará dentro das nossas fortificações – 20 de Março.
  • O imperador chegou a Fontainbleau  – 21 de Março.
  • Sua majestade Imperial e real entrou no seu palácio nas Tulherias ontem à noite acompanhado pelos seus mais fieis súbditos –  22 de Março

Em Portugal veremos isto acontecer (pela opinião publicada…e pelos “especialistas”consoante Trump faça o que se quer que faça).  A excepção a isto, desde já, são os fieis fanáticos neoliberais, mas mesmo eles próprios seguiram rapidamente a lógica aplicada pelo Le moniteur Universel a Napoleão.

Os americanos adoram um vencedor, mesmo que seja um traste. Os jornalistas e courtiers deste sistema irão fazer por isso. Trump o outsider será Trump a estrela.

Em Portugal estado vassalo insignificante passar-se-á a mesma coisa.

No sector político da tribo da direita política, a hipocrisia em relação a este senhor e as meias palavras oscilarão consoante o vento.

No sector político da tribo da esquerda política, há o desconforto das facções principais, com a repulsa virulenta dos subsectores mais esquerdizados.

No enclave, com os irmãos de Némesis escrever-se-á a verdade.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

Manifesto em defesa da banca portuguesa e do interesse nacional

2015-11-25 - rob riemen- 2012

Para que serve um banco?

Nas definições tradicionais plasmadas na economia dos manuais e nos manuais de economia, os bancos são entidades comerciais que emprestam dinheiro e cobram juros. Depois a economia desenvolve-se, (saber qual o conceito de desenvolvimento da economia que é aplicado e se é bom ou mau, parece não interessar… ) os cidadãos enchem-se de felicidade e passam a gostar muito do “regime político português” e continuam a apoiar “isto”.

Nas definições verdadeiras que (quase) todos nós sentimos no nosso dia a dia os bancos pagam impostos com taxas abaixo do legalmente autorizado para o cidadão comum (sendo que as taxas mais baixas de IRC para os bancos foram todas sancionadas favoravelmente pelo “ regime político português”…) e descontentes com tantas benesses (esquemas financeiros em offshores no que ao pagamento de impostos diz respeito) também facilitam conselhos sobre contas e como abri-las em paraísos fiscais para os clientes especiais ($) amigos e das famílias certas.

São os bancos democráticos?

São! Democraticamente colocam familiares, amigos, conhecidos, militantes com cartão de partido do “arco da governação” em lugares nos balcões, no “back office”, nos quadros intermédios, na gestão de topo.
Acaso existam esquecimentos ou falhas na colocação de algum filho família, ou jota partidário o generoso financiamento camuflado ou de forma cristalina e bem visível, das campanhas eleitorais dos partidos políticos assegura a supressão da falha. Subsequentemente, podem surgir, como flores na Primavera, lugares para conselhos de administração de políticos em fim de carreira ou em começo de carreira. Os assessores jornalistas amigos e demais espécies de ténias autóctones com quotas de lugares também ocorrem com frequência.

A decoração bancária é importante comercialmente?

Muito importante! Lugares decorativos servem para políticos e demais fauna associada colocarem as namoradas curvilíneas, siliconadas e geralmente louras platinadas (Embora fêmeas morenas do género ” Milf” ou “Teen” ou faunos homossexuais também possam ter quota atribuída…) Também os jotas com um neurónio e sotaque de Viseu ou de Massamá/Cascais aterram nos balcões em quantidades impressionantes. (Nos últimos anos menos porque o brilhantismo visionário da gestão bancária levou a “imparidades”; uma palavra altamente técnica que significa que geraram a criação de enormes prejuízos devido aos “martelanços” feitos nos balanços conjugados com erros clamorosos de gestão.)

O aprimoramento da decoração bancária não deve fazer-nos esquecer os altos responsáveis do Estado que colocam filhos e enteados, que, desorientados pelos vastíssimos corredores que levam aos gabinetes precisam de indicações paternas e de uma mão amiga lá dentro para os orientar na vastidão das sedes bancárias e nos gabinetes de análise (Os tais gabinetes de análise que falharam todas as análises sobre que opções de gestão tomar para evitar que levassem a “imparidades”….). É daí que vem a expressão popular ”a solidão do Gabinete antes de ser encontrado pelo Jota das cunhas ou pela loura siliconada”.

As boas famílias, as que falam com sotaque e se tratam por “você”, mesmo quando praticam coito em posição de missionário,(apenas para fins reprodutivos), são financiadas com empregos e cargos, (social corruption oblige…) e informação privilegiada. Depois podem “empreender” regularmente na economia porque existe uma “safety net” à disposição baseada na informação premium e nas “ costas quentes” privilegiadas por estas redes de capitalismo comunista para os insiders. Acaso existam esquecimentos ou falhas na colocação, um qualquer alto cargo nomeado para a administração publica em lugar estratégico que sirva os interesses providenciará qualquer coisa gulosa e apetecível, mediante troca de favores a combinar.

O despacho favorável, a legislação a favor, a portaria oportunista com virgulas estratégicamente colocadas, em defesa dos seus próprios interesses são um dado adquirido para as oligarquias.

Dai serem democráticos e estéticos: facilitam tudo o que faz mal à população, à democracia e à sanidade mental geral e fazem-no com estilo decorativo (perverso, mas estilo).

2016-02-07 centros decisao portugal

Qual a conclusão a retirar?

Somos abençoados com a dialéctica simbólica bancária: os bancos do regime quando os partidos políticos chegam ao poder executivo ( ganham as eleições porque foram autorizados e pré escolhidos a chegar ao poder executivo…) são os generosos benfeitores da governação de quem esteja de turno.
Quer directamente, via doações obscuras para as campanhas eleitorais, quer indirectamente via concessão de “credito financeiro” aos governos que estão a ocupar o turno (comprar divida publica, isto é, emprestar dinheiro ao Estado sem que exista racional económico para o fazer insere-se nesta lógica de corrupção…e compra..e troca de favores…)

A dialética é simples: a população perde, os parasitas ganham.

Há mais centros de distribuição de migalhas sem ser os bancos?

Nesta primeira divisão de armas económicas os bancos e respectivas empresas associadas reinam. Nas restantes divisões surgem depois as empresas do regime, monopolistas, ou semi monopolistas ou oligopolistas ou comunistas chinesas que ofertam prebendas, via troca de favores não escritos aos partidos do arco da governação e a todos os parasitas que gravitam ao redor. Esteticamente, as portas giratórias por onde ex-políticos profissionais, amadores, em estágio, ou das juventudes partidárias circulam num fluxo continuo que quase nos parece ser um ballet Bolshoi político em movimento, são lindas.

São lindas para quem aprecia. Não é esse o caso da Irmandade de Némesis.

Quais as doutrinas a seguir?

Não cabendo aqui discutir se o capitalismo é ou não um sistema válido a manter, deve-se referir que “este” capitalismo português é tudo menos válido. Aparentemente é um capitalismo de Estado tal como as facções neoliberais portuguesas pertencentes à tribo da direita política vomitam sem cessar, afirmando que deve ser terminado (e depois como é que essas facções ganhavam dinheiro fácil e adquiriam poder…alguém já explicou isto a estes pobrezinhos de espírito?), mas na realidade é um falso capitalismo.

É um capitalismo de marca branca e das péssimas fabricada em sweatshops do Bangladesh ou do vale do Ave, em que o capitalismo português/oligarcas e elites se tornaram parcialmente donos do Estado e apenas o usam em função dos seus próprios interesses.

realidade - coincidencia

E os clientes comuns da Banca , como são tratados?

São muito bem tratados! Quando os Bancos querem ganhar mais dinheiro de forma ilegítima e a-capitalista (para colmatarem os inúmeros erros de gestão e pagar as comissões aos parasitas oriundos das famílias amigas do costume…) abusam dos seus clientes criativamente inventando taxas, comissões, serviços a serem cobrados, preçários ultra elevados, portagens e restrição de direitos de acesso à compra de produtos, serviços ou negócios ,e/ou ameaçando e executando penhoras sem qualquer contemplação comportando-se em geral como um extorsionista de tipo mafioso.

E em matéria de concorrência comercial e regulação?

Pedem  Exigem ao Regulador servil, serventuário e geralmente rastejante (que já trabalhou na banca ou espera vir a trabalhar, ou tem amigos, filhos, parentes, fêmeas siliconadas aparte, a colocar, ou montes alentejanos debaixo de olho) que feche os olhos acaso exista alguma concorrência externa. Daí o mercado bancário ser objecto de constantes fusões entre players,sem veto dos reguladores…quando existem análises às posições de mercado dominantes é sempre aviado um “estudo técnico” que valida a fusão. O consumidor/cidadão perde a seguir.

Acaso o poder político de turno tenha um arroubo testicular momentâneo e decida aplicar regras mais duras e justas surge o acto de carpir.
Nas raras ocasiões em que isto acontece carpideiras do jornalismo e das empresas do regime num ritual retórico semelhante a uma missa irrompem pelas procissões de banqueiros que estão em movimento para irem carpir ao santuário mais próximo e numa união de facto todos se movem (uns fisicamente, outros a aviar propaganda na imprensa mainstream do regime…) em direcção ao sitio onde supostamente existirá um governo português. A expressão ”em defesa da manutenção em Portugal dos centros de decisão“ é sussurrada em uníssono, com fervor missionário.

Posteriormente, nada ilustres banqueiros com ar sério dirigem-se às massas ignaras em conferências de imprensa repletas de jotas do jornalismo ou louras siliconadas do jornalismo (também há quotas para morenas siliconadas e faunos homossexuais…mas em menor numero)  e explicam-lhes que os arroubos testiculares momentaneamente demonstrados pelo poder político são muito maus. Depois ameaçam com medo e insinuam que as contas dos particulares estão em perigo de serem saqueadas “por causa da perda dos centros de decisão nacional”. O resto das empresas de regime, nos dias e semanas seguintes, carpem a seguir, em uníssono, com fervor missionário “Em defesa da manutenção em Portugal dos centros de decisão”.

2016-02-08 centros decisao nacional- fim esta proximo

E fiscalmente?

Quando, no meio de tanta incompetência e má fé por parte dos bancos há erros fiscais que prejudicam os sacrossantos acionistas dos bancos (e os incompetentes ceo´s e equipas de gestão mais os seus bónus anuais generosos…) impedindo-os de ganhar 1000 e apenas fazendo ganhar 999, requerimentos chorosos são apresentadas nos lugares respectivos, e surgem despachos milagrosos que concedem isenções para, dessa forma, existir um regresso aos números dos lucros protegidos.

É a banca um sector protegido?

Obviamente! É artificialmente protegida da ira da população que é oprimida sistematicamente sobre este assunto, nada fazendo ou dizendo (até ficar sem dinheiro nas contas porque alguém da administração as mandou congelar roubar, para pagar os gigantescos erros de gestão dos ceo´s- são as imparidades…) e é protegida também pelo facto de os nossos políticos (quase todos no bolso de alguém ou apenas muito estúpidos – só há duas hipóteses aqui…) confundirem os interesses da banca com os interesses nacionais.

Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas no sistema político português

É sempre desagradável iniciar a escrita de um texto com uma frase óbvia: o regime político português está completamente bloqueado.

A natureza do bloqueio é vil e assume características de oligarquia e casta. Um bloqueio desenhado e construido para impedir (primeiro) a produção de democracia e (segundo) a sua efectivação com um carácter pratico, para impedir a participação social e política e na política e para impedir que se consiga alcançar o bem estar social para quem vive em Portugal.(excepto para os membros privilegiados e escolhidos da casta, respectivas familiar e associados corruptos em/ou formação na arte negra)

Os construtores do bloqueio foram as elites políticas, económicas e sociais que emergiram do alarido inconsequente do dia 25 de abril de 1974 e posteriormente dos “contra acontecimentos” do dia 25 de Novembro de 1975; que reverteram uma já antes ideia incipiente de democracia nascida em 1974 e a transformaram nesta “democracia de controlo e fantoches dos oligarcas” que dão a cara por isto.

O modelo usado para este bloqueio baseou-se na própria mediocridade dos construtores conjugada com bastantes dos vícios e defeitos totalitários que derivavam do regime anterior. O objectivo  principal do modelo visava criar a auto perpetuação futura de um sistema político opaco, vocacionado para a inexistência de respostas políticas democráticas ao que pudesse acontecer no mundo e na sociedade portuguesa.

Deram-nos mediocridade oligárquica e chamaram a isso democracia europeia de tipo ocidental. Ou qualquer outro cliché de palavras harmoniosas e que ficam bem num qualquer evento cultural, mas nada de substancial significam em concreto.

A mediocridade oligárquica é dejectada sobre a população sob a forma deste estado de coisas que foi desenhado para proveito dos oligarcas e lhes permite continuar a fazer colheitas sobre os portugueses. As oligarquias que antes existiam são as mesmas que agora estão travestidas de democratas e apoiantes da democracia.

O que temos está muito longe de ser uma democracia. Deram-lhe o nome, mas o significado é inteiramente diferente.

 "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.” Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Qual tem sido a resposta política dos portugueses a este estado de coisas?

Esta traição medíocre que assombra a vida dos cidadãos tem sido respondida de forma  difusa e alheada. Mastigados pela oligarquia e sujeitos a uma colheita de recursos (são os portugueses e as suas aspirações que tem sido alvo desta colheita ) a generalidade dos portugueses optou, conscientemente ou inconscientemente, por se distanciar do sistema partidário julgando ser apenas ele a causa dos problemas (é induzida a pensar isso pelos avençados e mensageiros existentes nos outlets de comunicação social e pelas forças sinistras que desejam mudar de regime e não perdem uma oportunidade de atacar o actual, para impor o seu regime sinistro) e progressivamente demonstra desprezo pelos serviços de descompressão do ar fétido que esta sociedade tem instalados, também conhecidos por eleições periódicas marcadas de 4 em 4 anos.

Este sistema político tem uma válvula de descompressão chamada eleições. Quando o sistema entra em crise reage emitindo baforadas de descompressão da panela de pressão em que isto está regurgitando eleições mais vezes e durante menores períodos de tempo – vide situação política actual em Outubro de 2015.

Quando os cidadãos aparentam ter saído do redil da oligarquia e dos seus interesses; manobra-se as suas percepções para que pensem que pelo facto de existirem “mais” eleições isso signifique que haja “mais democracia”, dado que tem sido assim que tem sido ensinados ao longo dos últimos 40 anos, a pensarem.

Querem dar-nos “mais” em vez de melhor. Quantidade em vez de qualidade.

A situação está nua e podre, os lençóis mediáticos cobrem a porcaria, mas o verniz está a estalar e o numero de pessoas que põe distancia entre si e  o sistema político partidário e o regime actual, o numero de pessoas que se distancia desta descompressão artificial que são as eleições de 4 em 4 anos está a aumentar.

Brevemente será maior o numero dos que se distanciam, do que dos que apoiam o sistema oligárquico partidário que temos. Quais serão os argumentos a usar nessa altura para justificar a falência desta coisa…?

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto é um libelo contra eleições.)

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto apoia o regime pré 25 de abril de 1974.)

Em termos médios históricos isso já acontece – o “mais “ em vez de melhor. Desde 1975, existiram 15 eleições, o que dá um período médio de 2 anos e 8 meses de intervalo entre eleições.
Com tanta “democracia eleitoral” enfiada à força pela garganta dos portugueses seria de esperar que vivêssemos num autentico paraíso democrático em que as pessoas se sentissem extremamente felizes e o país fosse extremamente agradável para viver.

É o contrario que se verifica, excepto para uma pequena clique de psicopatas e cleptocratas – a oligarquia e as elites de poder que a representam.

enclave - mortos que estao nas listas 2015-10-30

Neste ritual de descompressão teoricamente desenhado para durar quadriénios, mas na prática de 2.8 anos, existem vários participantes. Os cidadãos ovelha recenseados que escolheram um partido e votam nele religiosamente, os votantes brancos e nulos, os votantes abstencionistas e os votantes eleitores fantasma, isto é as que são inscritas e que jamais poderão votar (uma celebre filósofa portuguesa enunciou que estar “morto é o contrário de estar vivo”  e tal estado dualístico contraditório  impossibilita votar segundo parece…).

Excluindo os cidadãos ovelha desta equação, os restantes problemas nunca incomodaram a nossa elite de poder, a nossa classe política, toda esta geração mal pensante e mal falante.

A complicada maquina burocrática eleitoral, concebida com as ideias de há 40 anos, nunca foi agilizada , adaptada aos novos tempos, filtradora destes problemas de mortos que estão recenseados, de pessoas registadas que não votam devido a problemas burocráticos, etc.

Porque é que uma infraestrutura eleitoral caduca e obsoleta está em funcionamento, desta maneira, 40 anos depois de ter sido criada?

Esta obsolescência inserida no sistema facilita a vida das oligarquias, dos participantes em partidos políticos. A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas pode ajudar a ser mantida como intocável debaixo da capa da obsolescência do sistema político e eleitoral.

Espíritos críticos adversos poderão argumentar (e serem imediatamente apelidados de antidemocráticos pelos representantes das elites e da oligarquia) que o financiamento publico dos partidos políticos não é afectado por esta obsolescência programada e funcional, bem como, uma vez eleitos, o acesso aos benefícios dai decorrentes não ser afectado, dai esta lassidão que pactua com estes defeitos…da nossa “democracia”…

A resposta é simples.

Quando o salário e a posição social e política, quando o poder destas pessoas, quando o emprego destas pessoas e as prebendas de que dependem estão assentes em não perceberem, elas não percebem.

upton sinclair citacao

Numa nota lateralizada observemos os emigrantes portugueses e o voto. Recentemente impedidos de votar por desleixo e obsolescência programada dos serviços que emitem cartões de cidadãos e que tendo 4 anos para se prepararem falharam na altura decisiva. 

É por acaso?

Em arbitragem de futebol chama-se beneficio ao infractor, mas em Portugal isto significa que os emigrantes são tratados como peças de mercadoria estragada a despachar rapidamente.

O poder político/a oligarquia ficam extremamente gratos e bastante satisfeitos pelo facto dos emigrantes desaparecerem da porta para fora. Querem lá que eles votem…

Garrafas de champanhe abrem-se em ministérios e condomínios fechados para saudar esta decisão.Rejubila-se duplamente porque os “enganados” que foram mandados convidados a sair sejam depois suficientemente imbecis para continuarem a mandar dinheiro para Portugal.(continuando a ajudar os interesses da oligarquias…)

"Emigrante emigrante, foste longe e regressaste Emigrante emigrante, não sei porque tu voltaste" Autor: Ena pá 2000"

“Emigrante emigrante,
foste longe e regressaste
Emigrante emigrante,
não sei porque tu voltaste”
Autor: Ena pá 2000″

Porque é que o sistema político e a sua excrescência eleitoral chamada descompressão eleitoral quadrianual estão bloqueados?

Sendo o sistema autista tal acontece para impedir participação verdadeira da população.

Como está fechado sobre sim mesmo e está assim á 4 décadas daí resulta o afastamento das pessoas e a ocupação de espaço social pelas oligarquias político partidárias.

Conseguindo enganar a população a golpes de suborno geração após geração (entrada na UE, fundos comunitários, investimentos massivos em pontes, estradas, piscinas e rotundas e empregos para os amigos) esta clique tem conseguido minorar os estragos.

Contudo, a abstenção elevada está a chegar aos níveis de perigo. Criaram totalitarismo social e distanciamento e a própria manutenção e mobilização deste regime político visando a sua própria reprodução  começa a ficar em perigo ( não que tenhamos pena…). Os que votam estão perto de serem menos do que os que não votam.

Os sintomas clássicos dum parasita são os seguintes. O parasita instala-se no corpo do hospedeiro e suga-o até o tornar tão fraco que este morre. O parasita morre a seguir por ausência de outro hospedeiro que tome o seu lugar.

Juntando o insulto à injuria como é tratado por este sistema quem é abstencionista?

Todas as pessoas que se recusam a ir votar, vão votar mas votam em branco ou nulificam o voto são alvo de uma guerra psicológica, de uma chantagem emocional feita por todos os agentes ao serviço dos partidos políticos. E replicada pelos cidadãos cheios de boas intenções, mas alheados da realidade.

Deliberadamente desvaloriza-se e achincalha-se veiculando-se  memorandos (mudanças de paradigmas culturais ou sociais), especificamente usando a argumentação de que quem não vota não tem depois legitimidade para se queixar, como se o facto de se votar em candidatos pré definidos pelas oligarquias ou por minorias de casta, quer elas sejam da tribo da esquerda política quer da tribo da direita política, consistisse num forma de legitimização política de qualidade superior…

Sendo inexistente qualquer movimento organizado ou desorganizado falando em nome do “não votante”, não deixa de espantar a hostilidade e a tentativa de menorizar estas pessoas por parte das características oligárquicas do sistema político português.

Um exemplo claro são as eleições para o parlamento europeu em que mais de metade das pessoas não vota, embora os 22 representantes portugueses sejam todos eleitos. (pela lógica da legitimidade, só menos de metade dos 22 lugares deveria ser efectivamente atribuída, mas depois como se poderiam alimentar gamelas eurocráticas?)

Neste especifico assunto eleitoral, já estas eleições são comummente desvalorizados pelos papagaios partidários e pela classe casta dos vendedores de folhas de alface (antigamente conhecidas pelo nome de”jornais”).

Este é o conceito de legitimidade das elites portugueses. É uma legitimidade ” a la carte”, selectiva,  maldosa ,enviesada e totalmente corrupta.

Como a democracia consiste na igualdade entre eleitores para se candidatarem a cargos públicos e a serem iguais perante a lei, o que temos são listas de militantes de partidos pré feitas em linhas de montagem oligárquicas.

Como a democracia consiste na possibilidade de os eleitores destituírem de funções os candidatos, de existirem limitações temporais de mandatos, da representação política ser um dever de cidadania em vez de um trabalho bem pago via lobbies, da ausência de privilégios nos titulares de cargos públicos, facilmente se percebe que em Portugal isto está ausente ou é “martelado” para dar resultados pré definidos.

É bastante simples.

A irmandade de Némesis recusa a mediocridade oligárquica disfarçada de falso regime democrático que nos querem impor.

Os oligarcas portugueses afirmam que a população portuguesa tem culpa. Devemos acreditar neles?

A culpa é um sentimento horrível. Cola-se às pessoas como um pesadelo interminável, nada produz de redenção eficaz e traz sempre más consequências para quem sente culpa.

É um sentimento que, na maior parte dos casos, é inútil e leva a que as pessoas ainda se sintam pior do que já estavam, sem que exista “de facto” qualquer justificação séria que o individuo deva apresentar a si próprio e que o ajude a sair deste mau estado de espírito.

Reagindo a este sentimento negativo os indivíduos tentam fugir das consequências negativas do aparecimento deste sentimento. As pessoas mentem acerca de si mesmos e de outros e escondem a culpa de si e dos outros. Algum código moral, ético ou imaginário, verdadeiro ou falso, humanamente realista e possível de realizar ou uma armadilha do ego verdadeiramente impossível e irrealista de obter são consideradas pelo individuo como tendo sido grosseiramente violadas, e pior ainda se o tiverem sido em sociedade e tal tenha sido visto. As pessoas sentem-se envergonhadas pelos seus sentimentos de culpa (exclusão ao comportamento dos psicopatas…).

Todas as empresas organizadas como religiões e todas as religiões organizadas como empresas imprimiram nos seus seguidores sentimentos de culpa.

À cabeça deste pequeno exército de notários que certificam culpas de acordo com os regulamentos criados para servir quem quer obter Poder, encontra-se a Igreja católica que inventou o dogma agostiniano. Segundo a doutrina do pecado original, quando nascemos somos pesados, certificados e carimbados para expedição pela empresa de serviço postal “santificado” que entrega pessoas para começarem a viver, como sendo já culpados dos pecados anteriores cometidos antes de nós, pelos nossos pais e pela humanidade.

A Humanidade chegou a horas ao sitio errado e comeu uma maçã. Uma serpente ficou aborrecida com isso e a Queda do Homem aconteceu.
Faz-nos pensar o que teria acontecido se o Homem tivesse comido a serpente e ignorado a maçã. A face da indústria agro pecuária mundial seria certamente diferente.

images

Da mesma maneira que na trilogia cinematográfica “Star Wars” a Força é forte numa família, em Portugal a “Força “ da culpa é forte nos portugueses. Aparenta ser a única coisa que é forte em Portugal, excepção à corrupção (e a necessidade que o país e a sua população sentem em continuar a conceder “credito moral e ético” às elites portuguesas e continuarem a seguir os projectos políticos e económicos baseados nas loucura desregrada das elites portuguesas, cujos prejuízos são depois enviados para a população pagar).

A “força da culpa” em Portugal apresenta características de doutrina do pecado original.
O cidadão português, quando nasce, assim o consideram os repelentes oligarcas que assombram este local, é considerado como sendo um pecado original, uma coisa que tem que carregar culpas.
Nem é cidadão, de resto, mas apenas vassalo ou súbdito e tem culpa.

Devemos acreditar neles? Devemos aceitar que somos coisas que carregam culpas?
Certamente que não.

Um exercício mental e ético que todos os portugueses devem fazer consiste em recusar carregar culpas fabricadas ou inventadas ou aceitar diminuições no seu estatuto pessoal e político enquanto pessoa que nasceu e vive aqui.

Princípios de Némesis.

“Trabalharemos incansavelmente, até ao último irmão, para conservar aquilo que de bom existe. Para reconstruir o que já não existe. Para criar o que deveria existir. Tudo para manter viva a chama de uma cultura e civilização dignas desse nome, que os cidadãos sintam de novo orgulho em fazer parte. “”

 Better a serpent than a stepmother! Euripides (Nota Nemésis: parece ser claro que Eurípides tinha problemas familiares)

Better a serpent than a stepmother!
Euripides
(Nota Némesis: parece ser claro que Eurípides tinha problemas familiares)

Porque infelizmente dispõe de terreno fértil, os nossos repelentes oligarcas, plutocratas, Kakistocratas, “a ralé” que nos tenta degradar sempre que pode; semea e planta a culpa num local onde, infelizmente esse sentimento negativo já existe para dar e vender.

O efeito é óbvio.

A população portuguesa, cheia de complexos de culpa históricos, reais ou imaginários vive aterrorizada de forma subconsciente e move-se como um fantasma vivo que procura descansar sem nunca o conseguir.
O cidadão português é colocado num estado de confusão psicológica permanente, sempre mais diminuído e inferiorizado do que aquilo que na realidade é ou alguma vez foi (esta é uma das razões que ajuda a explicar porque é que qualquer português emigrante se sente” livre” e liberto destas grilhetas e produz mais e melhor fora deste ambiente putrefacto – os sentimentos de culpa fomentados pelas elites oligárquicas portuguesas não fazem os seus ramos chegar tão longe).

E geração após geração, milhões de pessoas em Portugal sentem culpas, próprias, de terceiros, de familiares, do céu estar azul ou nublado, de fazer Sol ou cair chuva, quer as culpas sejam verdadeiras ou falsas.
Um “mercado” da culpa é assim generosamente cultivado. As pessoas acordam de manhã e sentem culpa, um sentimento insidioso, que congela os ossos e petrifica a alma logo pela manhã, como um nevoeiro maldito que recusa afastar-se da cabeça das pessoas, à chegada dos primeiros raios de sol.

Entranha-se, estranha-se e detesta-se.

Vão almoçar e sentem culpa por causa do almoço ou de outra coisa qualquer, o pretexto não importa. Jantam e sentem culpa por terem almoçado. Ou por outra razão qualquer.

mercado da culpa portugues

Este ambiente putrefacto, pantanoso, psicologicamente terrível beneficia somente os inimigos da justiça e de uma sociedade como uma civilização da qual valha a pena fazer parte.

Devemos rejeitar a culpa por acções que nunca autorizamos que fossem feitas em nosso nome nem aceitar pagar por dívidas que nunca foram negociadas em nosso nome.

Sendo necessária em qualquer sociedade a existência de uma elite, constitui uma ofensa mortal a existência da actual elite política, social, económica, empresarial e as marionetas que controlam dentro do sistema político, fora dele e nas empresas.

A promoção destas putrefacções que as actuais elites portuguesas cultivam quase como uma religião e a sua disseminação por toda a sociedade portuguesa são perigosas.

Os lacaios da oligarquia trabalham a favor disto e são perigosos para o resto da população.

Alguns dos resultados?
Uma sociedade injusta, imoral, sem ética, com diferentes compartimentalizações e segmentos de ordem e justiça, consoante se é rico e poderoso ou não se está nessa categoria.

É só isto que os oligarcas, os plutocratas, os kakistocratas tem para oferecer. Culpa e diferentes graus de justiça/injustiça para a população e isenções para si próprios dos deveres de vida em comunidade.

Devemos acreditar neles? Certamente que não.

Devemos detestá-los? Certamente que sim.

Devemos aceitá-los? Certamente que não.

Devemos combate-los?  É um imperativo ético.

Os políticos portugueses tem uma falha na cabeça

Os políticos portugueses tem uma falha na cabeça.

Obviamente, esse é um problema deles e da corrupção ética, moral e económica em que se deixaram enlamear ou quiseram mesmo deixar-se enlamear. Contudo, estes “homens lama” constituem um sério problema para a restante população. Estão a contaminá-la com as doenças que possuem e juntam os defeitos que tem aos defeitos que os comuns membros da população infelizmente previamente tem.

Num mundo ideal, a população deveria recusar-se a ser contaminada pelo lixo imbecil e tóxico que os indignos representantes eleitos por cooptação pré definida pelos interesses das empresas privadas de grande porte, pelos interesses das instituições europeias e mundiais, e pelos interesses das “famílias parasita” que infestam este local, decidem.

Surge a necessidade de um imperativo ético interior. Uma pessoa, um cidadão, um grupo de cidadãos tem que ser duro consigo mesmo e exige uma quarentena. Essa quarentena pessoal deve revestir as características de “auto bloqueio psicológico” feito pela população, no que toca a escutar o falatório inconsequente e profundamente imbecil da politicagem, evitando ser “apanhado”na verborreia cretina dos políticos portugueses.

Dito de outra maneira: deve-se escutar as frases grandiloquentes cheias de verbalismo pitoresco e ridículo misturadas com cobardia cívica e patriótica e com a ignorância gigante acerca de qualquer assunto por parte dos políticos portugueses com um enorme desconforto, uma tremenda desconfiança, uma total rejeição. Deve-se perceber que estas criaturas tem uma falha na cabeça e é uma falha séria. É a origem do lixo retórico absurdo que permeia a população, a condiciona, a engana, a ilude e a faz ainda ficar mais descontrolada e perigosa para si mesmo e para terceiros.

É preciso “filtrar” o discurso político, perceber quem são os cretinos com falhas na cabeça (isto não é muito difícil, dado que são quase todos os membros da classe política portuguesa; por exclusão de partes os saudáveis são poucos…) e contestar vigorosamente (se possível), e interiormente (é sempre possível), para que, quem se dedique a este desporto de procura da razão e da sanidade mental comece a ter auto defesas estabelecidas no terreno da sua própria mente, para evitar cair ou ser atraído para o charlatanismo político cretino desta ralé.

2015-07-21 joker- politicos

Neste ponto deste texto, escutam-se os ecos de gritos histéricos lancinantes dos hipócritas apalhaçados que afirmam defender a democracia portuguesa. Sem desprimor para os palhaços, nobre profissão que anda a ser usurpada pelos hipócritas, surgem sempre nestas alturas, criaturas com aspirações a serem políticos, ou que já são políticos, ou que foram no passado políticos, ou genuínos imbecis e um coro de exclamações indignadas é fornecido. Que horror, mais uma pessoa que escreve um texto a desancar nos políticos; só pode obviamente pertencer a um ” ismo” qualquer (é comum que os horrorizados hipócritas saquem imediatamente do revólver da retórica da “extrema direita e dos perigosos nacionalistas” para resolver o problema mental especifico próprio que tem e que os leva ter problemas cognitivos com textos deste  teor), o que constitui uma tentativa de definir quais “os termos de debate aceitáveis”.

Passa assim a ser aceitável e definido que estas opiniões sejam “arrumadas” na conveniente gaveta do “extremismo nacionalista de extrema direita ou esquerda” e assim os hipócritas podem ir à sua vidinha conveniente.(para eles…)

E assim se evita falar dos problemas verdadeiros.

Segundo os bem pensantes horrorizados hipócritas “é proibido” criticar políticos”. Segundo esta teoria, criticar políticos é anti democrático e como é anti democrático quem o faz é supostamente anti democrata.(Só pode ser…)

Esta habilidade pretende atingir um objectivo. Que a população olhe para os políticos como excepções às quais se deve tolerar tudo e o seu contrário. Que a população passe a considerar normal fechar os olhos à imensa corrupção e ao cheiro que ela deita provinda destes tipos. Que se deve ser “nacional porreiro” em relação a políticos do poder e da oposição (silenciosa) e demais faunas acopladas (assessores, jornalistas, jotinhas de juventudes partidárias e demais doenças do mesmo tipo).

Em resumo: são “entidades semi místicas” quase equiparadas a uma qualquer religião e a população deve ficar muito satisfeita pelo facto de ter que ser forçada a suportar e a conviver com a classe política portuguesa e com os ” overlords” da finança que mandam nos políticos.

Os resultados destas habilidades tem sido “brilhantes”.  A generalidade (de todos os quadrantes) dos políticos portugueses é extremamente estúpida e incompetente a gerir os sítios para onde foram colocados pelos interesses cleptocratas privados e isto já descontando que não estão a gerir em sentido próprio procurando obter retornos financeiros particulares.

upton sinclair citacao

Mas, aventemos a hipótese que possamos ter um político extremamente honesto, que gosta de crianças e de animais, é um dedicado cônjuge e um extremoso pai de família, é simpático e prestável,mas mesmo assim, é um péssimo gestor da coisa pública.

A generalidade das pessoas acha isto muito bem e argumenta que “foi eleito democraticamente”. Como se a democracia servisse para legitimar sem qualquer tipo de critica a eleição de cretinos simpáticos que tomam decisões executivas completamente burras. Nem a democracia nem qualquer outro regime mais totalitário o faz.

Então porque é que esta ” opinião” comummente difundida faz escola? Duas razões.

Os próprios políticos e os respectivos ajudantes de campo (e os seus overlords que os manejam)  veiculam esta “mensagem especial” de isenção em relação aos actos do político.

A população já está suficientemente contaminada com as doenças dos políticos e começa a mimetizar partes do comportamento dos políticos achando que o mau é bom e o bom é mau.

Esta contaminação é uma ameaça séria à vida colectiva. Será avisado olhar para ela e enfrentá-la.

2015-07-22 politicos portugueses - doenca social

Compreende-se melhor toda esta dimensão quando temos o azar na vida de escutar um qualquer cretino eleito. Sempre de fato e gravata para parecer que vale alguma coisa extra, debitam alarvidades sobre tampas de esgoto e orçamentos de estado, sobre o euro ou sobre o comércio externo com a Mongólia, sobre ordens que deram a entidades competentes para irem analisar qualquer problema. (o recorde mundial de “analismo político” é regularmente batido em Portugal; todos os políticos portugueses “analisam problemas” e nunca os resolvem…apenas resolvem os interesses das cleptocracias privadas e dos plutocratas nacionais…)

Após extensivas análises e nenhumas decisões que façam qualquer sentido para a população, ou caso existam algumas decisões, estas são imbecis e tardias, os políticos portugueses debitam o Santo graal da opinião estúpida (deles). (Depois dos Overlords da finança lhes terem dado autorização para falarem…)

“O cidadão tem que entender que temos limitações e não podemos resolver todos os problemas ao mesmo tempo.”

Limitações.

Esta palavra derivada do pensamento mágico político português é um achado na boca do políticos portugueses.

Nós, população, temos poucas limitações quando comparados com a classe política. Os políticos portugueses tem muitas limitações e como são limitados querem enfiar pela garganta abaixo da população a ideia de que é esta população é que é limitada.

Temos limitações? Deveras?

Político trapezista alpinista social que andaste a lamber as botas do superior hierárquico do partido político onde estás; torna-te um homem/mulher e demite–te.

Passas os dias a pedinchar favores às corporações para arranjares sinecuras privadas corporativas, para quando deixares de ser político profissional no activo e ainda nos queres contaminar com as tuas ” limitações”?

As limitações são tuas. Não são nossas.

Declinamos a oferta que só poderíamos recusar. Já temos doenças sociais que cheguem; não queremos mais.

A irmandade de Némesis recusa.

Recusamos dar confiança a tipos que tem falhas na cabeça.

E corrupção no coração.

A degradação da população portuguesa – 3/3

A missão:

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas já degradaram a população e alteraram os padrões do que era considerado ” fazer algo em sentido próprio”; antes negativo, agora legitimado como positivo.

O que pretendem atingir:

Pretendem criar uma percepção colectiva nova em que agentes públicos ou privados possam agir em interesse próprio sem que existam quaisquer limites éticos ou morais e isso seja aceitável numa sociedade e que isso é considerado justiça.

Como o fazem:

O canal privilegiado usado para o fazer são as práticas das empresas privadas que subverteram o Estado. A lenta equiparação de funcionários públicos a funcionários privados. Inexistência de censura social ou profissional a quem aja apenas em interesse próprio, mesmo que prejudique toda a comunidade.

Qual é o conteúdo:

As normas sociais e as regras profissionais são alteradas e as lógicas de funcionamento internas das empresas e do Estado são subvertidas. O sentido e o conteúdo do que é “competência” e “profissionalismo” é  alterado e competente/profissional passa a ser quem obedece e quem fecha os olhos ou quem ” optimiza” recursos.

Quem executa o trabalho sujo:

A promoção desta nova percepção é feita pelos courtiers de serviço. Os beneficiários são os gestores “modernos”.

11 - 07 - 2015 degradacao pop portuguesa - cartaz 3

(1) As quebras de normas sociais e como estas são reclassificadas pelas elites para servirem os seus propósitos.
(2) A falta de profissionalismo generalizada.
(3) A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

HOJE: A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

Quer a quebra sistemática e propositada das normas sociais, quer a implementação da estratégia de falta de profissionalismo (afirmadas em dois textos anteriores) geraram efeitos negativos em todos os estratos da sociedade.

Um dos sub produtos dai derivado desenvolveu-se num dos ambientes menos próprios e menos aconselhados para se desenvolver; a gestão de topo.

Toda a gestão de topo em grandes empresas, quer em escala, quer em influência, ou nas empresas médias que influenciam mercados de produtos específicos ou regionais, descobriu que eram inexistentes quaisquer obstáculos de tipo social ou profissional a que se pudesse fazer o  mesmo que tinha começado a ser feito noutros países; a definição da sua própria remuneração sem qualquer restrição nem qualquer correlação com o que acontecia na restante sociedade e conseguiu  impor essa lógica “como poder”.

Uma censura social poderosa definhou, primeiro, e tornou-se inexistente, depois (devido a quebra de normas sociais, que criticavam fortemente estes comportamentos…) ajudando a abrir caminho a que a cultura do profissionalismo passasse a ser considerada indiferente (a sua existência ou não). O resultado passou a ser a atitude de rédea livre dos gestores de topo no seu posicionamento nesta sociedade.

A invocação semi mística de serem possuídos  de “privilégios simbólicos especiais” gerou a promoção da cultura da remuneração apenas em interesse próprio cada vez mais desproporcional em relação aos reais resultados das empresas ou dos interesses colectivos da sociedade. Ou a acrescentarem “fringe benefits” ao pacote remuneratório

Este novo ambiente (durante os últimos 30 anos tem sido isto) de licenciosidade disfarçou-se de mercado livre e de inovação modernista. Verdadeiramente é um golpe de estado social, económico  e profissional sempre baseado em abstrações e mentiras generalizadas. Esta nova “ordem” subverte os princípios da economia de mercado que estes novos deuses em beneficio próprio dizem defender.

A população portuguesa sem ancoras ou pontos de referência assentes nas normas sociais que (antes) a defendiam, falhou em perceber que as novas “regras sem regras” eram apenas maleabilidade indiscriminada disfarçada de modernismo, e aceitou alegremente ou descuidadamente este jogo. Auto corrompeu-se mediante a promessa de que os benefícios materiais dai decorrentes compensariam a falta de ancoras sociais claras e justas.

Chegámos a 2015. A população obteve traição económica, perdeu ancoras sociais e tem que suportar a falta de profissionalismo em todos os sectores da sociedade. Para já, os   insiders ganharam um jogo que já tinha sido decidido antecipadamente.

Como exemplo, olhe-se para o Estado. Antes, no sector público, o gestor público geria a empresa estatal e, quer a gerisse bem, quer a gerisse mal, era politicamente “transferido” para outro sector público para continuar a gerir bem ou mal outra empresa, aquando da próxima mudança eleitoral. Esta era a forma de controlo e definição da sua própria remuneração e compensação; isto quando ainda existia sector público.

Actualmente, no sector privado, por detrás do manto da retórica falsa do “mercado” como ajustamento da oferta e da procura e demais banalidades dos gurus da gestão o jogo é um de monopolios privados e de mercados lucrativos apenas acessíveis aos “escolhidos”. Os “escolhidos” gerem genericamente mal, no privado, (há excepções, mas são poucas) mas legitimizaram-se como sendo apenas a única alternativa que dizem ser a que existe.

Resultados? Monopólios e constantes aumentos dos pacotes remuneratórios dos gestores de topo (decididos pelos próprios) para níveis impensáveis há 3 décadas atrás em termos de proporcionalidade entre o empregado da empresa que menos ganhava e o gestor que mais ganhava.

Esta “diferenciação fabricada por golpe de estado económico” é o maior exemplo da desigualdade. O estilo de vida tendencialmente baseado nos reis e plutocratas, é aquilo que se pretende impor para um número reduzido de pessoas. São exemplo, os políticos e membros da administração que se retiram de “funções publicas” e passam depois a exercer cargos em sinecuras privadas corporativas criadas à medida e que, curiosamente, tem actividade nos sectores onde legislaram.

Em empresas privadas o mesmo acontece, mas com outras nuances, tais como a permissão de várias pessoas serem administradoras de inúmeras empresas ao mesmo tempo.

Tudo normal, não se passa nada.

“You wear a mask for so long, you forget who you were beneath it.” ― Alan Moore, V for Vendetta

“You wear a mask for so long, you forget who you were beneath it.”
― Alan Moore, V for Vendetta

Os comportamentos indignos das chamadas classes altas auto espalharam-se para dentro de si e para fora. Todas as outras classes em Portugal  que não tem dinheiro ou posição para viver desta maneira copiam as mesmas quebras de ética, moral, esperando pela mimetização chegar a “sitios” e aceitam  viver debaixo deste mundo onde são os maiores prejudicados.

Este totalitarismo invertido faz com que quem não tem posição ou dinheiro limpo comece a achar que ser corrupto e desonesto é que é ser honesto e sério.

A inversão de valores começa a ser perigosa e definida.

Se um pardieiro decide ser um pardieiro, mas as elites lhe mudam a mensagem e passam a dizer-lhe que deve ser um protectorado bem comportado, o nível de autoestima das pessoas desce para as profundezas e o problema só aumenta.

A tribo da direita política critica as inevitáveis vitimas deste sistema dizendo que a culpa é delas, ou ignora-as prestando-lhe assistencialismo de sobrevivência (compra-lhes o silencio, retira-lhes direitos políticos  e lucra financeiramente no processo). Em paralelo defende que quem ganha com trapaças é um herói e é assim que deve ser.

A tribo da esquerda política aceita a existência de vitimas deste sistema, dizendo-lhes que a culpa delas apenas será remível através de crescimento económico e fé em nada tangível, prometendo a libertação futura da opressão, mas apenas desde que confiem na aristocracia de esquerda e a apoiem ( um quid pro quo incompetente e corrupto, que compra o silencio futuro, retira os direitos políticos do presente e lucra financeiramente no processo). Em paralelo defende que quem ganha com trapaças é um acidente e quando existem acidentes nada se deve fazer, foi uma inevitabilidade.