Dividas e o seu pagamento – 2

“For a country, everything will be lost when the jobs of an economist and a banker become highly respected professions”.

Charles de Secondat, Barão de Montesquieu.

⊕⊕

Em 380 A.C, Platão descreve no livro VIII da sua obra “A República”, um diálogo de Sócrates com Glaucon. Aponta-se aí a negligencia, a ganancia e o encorajamento da irresponsabilidade; (o que nos dias de hoje se chama narcisismo, indiferença social e sociopatia) das oligarquias atenienses.

Explica Sócrates que esta cultura de ganancia funciona como a picada de um insecto parasítico e o veneno que resulta da picada é o dinheiro injectado no que ainda restar imaculado na sociedade.

Afirma Sócrates:

“Ora esses usurários de cabeça baixa, sem parecer vê-los, ferem com o seu dinheiro, injectando-lhe, quem se lhes submeter dentre os restantes, e, multiplicando vezes sem conta os filhos nascidos desse pai, fazem pulular os zangãos e os mendigos na cidade”…
(…)
Seja como for – disse eu – , não estão dispostos a extinguir esta espécie de maldade, quando começa a querer ficar em chamas, por aquele processo de impedir que se disponha dos bens como se quiser, ou por este, de resolver esta situação por meio de uma outra lei.

– Por qual?

– Por uma que fosse a melhor alternativa da primeira, e que forçasse os cidadãos a preocupar-se com a virtude. Efectivamente, se se estabelecesse que os contratos voluntários, na maior parte dos casos, se fizessem à conta do próprio, os cidadãos transaccionariam com menos falta de vergonha, e haveria entre eles um numero menor daqueles males de que há momentos falamos”…

Os efeitos práticos descritos nestes fragmentos do dialogo criaram dívida impagável para muitos atenienses. As consequências foram as esperadas.

Perda de terras e casas, destituição de quaisquer bens que possuíssem, pobreza extrema e mendicidade. A aplicação cega e absoluta das regras em favor dos credores cria um pequeno exército de pobres e ociosos que doravante viverão suportados pelo Estado Ateniense.

Desequilibrando a sociedade desta maneira; pelo aumento da injustiça e dos deserdados da terra, o fermento da alternativa surge na população. As pessoas, quer queiram, quer não queiram, quer gostem quer não gostem começam a conspirar (e justamente) contra os adquirentes de fortuna, os credores, os legatários e herdeiros, os que tem poder. A  vontade de revolução fica a uma ténue linha de distancia.

Sugere Sócrates, que a maneira de evitar este desastre potencial (a usura associada à especulação…mais a posse dos bens do devedor…), consiste em fazer aprovar uma lei proibindo um homem de fazer o que quer com o que é seu ou à sua maneira irrestrita e uma segunda lei que limita esses abusos.

Esta ideia atribui uma “obrigação“ de os credores partilharem também, o risco de não pagamento e cumprimento de contratos (quando é manifesto que não se podem pagar)  que é o que verdadeiramente estava em causa à 2400 anos e actualmente.

2400 anos depois, a situação repetiu-se sob a forma de tragédia amplificada. O correctivo que deveria ser aplicado aos bancos comerciais e demais entidades que tivessem concedido empréstimos claramente para lá da capacidade do devedor de os repagar e claramente  com clausulas nos mesmos que só podem ser classificadas como fraudulentas; não foi aplicado e esta mesma lógica manteve-se.

Continua por aplicar o correctivo, até à próxima crise.

“Debt is a mistake between lender and borrower, and both should suffer. “
Nassim Nicholas Taleb

Duas “morais” confrontam-se numa batalha mortal.

São exemplificadas pelas citações abaixo transcritas.

A primeira baseia-se em  solidariedade e cooperação social. Um conceito de sociedade decente.

“Man is born in society, and there he remains.” To survive, people need to cooperate in a system of mutual aid. “Man is, by nature, the member of a community; and when considered in this capacity, the individual appears to be no longer made for himself. He must forego his happiness and his freedom, where these interfere with the good of society.”

Charles de Secondat, Bãrao de Montesquieu, O Espírito das Leis.

A segunda baseia-se em egoísmo, narcisismo, e egocentrismo, numa atitude de “salve-se quem puder” baseada na negação da existência da comunidade.

“Greed, for lack of a better word, is good. Greed is right. Greed works. Greed clarifies and cuts through to the essence of the evolutionary spirit.”

 Gordon Gekko (Michael Douglas) Wall Street 1987

ou :

“There is no such thing as a society”

Margaret tatcher

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Onde antes a economia era definida como uma “filosofia moral”, depois foi sabotada e subvertida para ser operada a transformação em individualismo extremo.

As tentativas constantes das elites neoliberais e das remoras  que com eles viajam de apagar o passado ou omiti-lo visam fazer esquecer dois mil anos de filosofia e moral, que insistiram em comportamentos de auto controlo, generosidade, tratar dos fracos e dos pobres. Filósofos, movimentos religiosos, igrejas, regimes políticos, dinastias instituíram regras que limitavam a indiferença luxuosa emanada das elites.

Actualmente pretendem estas elites apagar o passado para que este seja excluído do espaço público e da conversa social e se desconheça qual o legado civilizacional.

O objectivo é a sua substituição por uma nova filosofia de teor revolucionário chamada neoliberalismo.

Promover a inversão da atitude moral de repulsa pelas atitudes descontroladas e sem limites que os credores e quem tem poder (muitas vezes um destes estados confunde-se com outro e são ambos o mesmo…) , é o objectivo e é um objectivo contra o resto da sociedade.

Isto fundamenta a luta que as modernas elites financeiras fazem contra as restrições feitas por governos democráticos que lhes pretendam limitar a sua obtenção de riqueza. As elites financeiras recusam a taxação progressiva e forçam “flat taxes”, recusam perdões de divida e tentam retirar o controlo democrático dos governos eleitos que ainda existe sobre as velhas elites rurais recicladas em capitalistas financeiros ou industriais ou os grandes hub´s bancários com as adjacências offshore.

São pequenos em numero estes grupos de interesses investidos na aquisição de mais poder e maior lucro, mas detém muito poder e escondem-se nas sombras.

Declinam sempre exercer o poder directamente, mas exigem receber os frutos derivados da influencia que exercem por detrás dos bastidores. Não tendo legitimidade nem autoridade formal, nem apoio visível na população pela sombra movem-se subvertendo.

O tempo presente tem que ser – para estas correntes de erradicação da história – extremamente censurado. O passado tem que ser reescrito, com a nova história que elas próprias criaram e que é falsa.

Irão falhar.

As elites portuguesas recusam regenerar-se; logo, aproximam-nos do colapso social

Para subverter o actual sistema sócio-político, (o termo “democracia” pode ser usado para  designar o actual sistema sócio político) ; os oligarcas portugueses; os de origem “novo dinheiro” ou os de origem “velho dinheiro” ou oportunistas lacaios e cortesãos que julgam que são pertença de uma das duas categorias acima descritas e se prestaram a ajudar; infiltraram-se dentro dos sistemas políticos e económicos que compõem esta sociedade.

Como foi feito?

Lentamente, após 25 de Abril de 1974, a aurora de uma nova madrugada assim prometida, foi assim insidiosamente corrompida, como uma queimadura lenta mas progressiva.

No meio desta queimadura lenta, mas progressiva, guerras de facções políticas orientadas pelos desejos conflituantes dos seus mestres internacionais ocorreram para distrair e animar a população e fazê-la artificialmente escolher lados.

A população escolheu todos os lados menos o que deveria ter escolhido: o seu.

A insidiosa e corrosiva infiltração de sistemas críticos, de partes da economia e da sociedade, foi feita para favorecer as elites e as oligarquias que se escondiam por detrás.

Leis começaram a ser inclinadas a favor das elites e dos seus interesses.

A inclinação aumenta ano após ano.

Qual foi o resultado? Cita-se Colin renfrew em 1979. *

1 – O bem estar e a riqueza da elite de poder aumenta e manifesta-se de formas mais públicas.

2- A elite de poder concentra-se em manter um férreo monopólio de poder dentro da sociedade. As leis tornam-se mais vantajosas para as elites, e as penalidades para a generalidade da população tornam-se mais duras.

3- A classe média reduz-se ou evapora-se.

4- Os índices de miséria aumentam. Taxas crescentes de homicídios, crime, suicídio, pessoas sem casa e aumento do abuso de álcool e drogas aumentam.

5 – Aumentam os desastres ambientais ou as probabilidades de acontecerem devido a pressão dos resultados de curto prazo que originam uma pressão para se explorarem recursos depressa e sem cuidado.

6 – Ressurge o conservadorismo e o fundamentalismo religioso indo-se buscar as teorias arcaicas para contrabalançar o declínio do presente, mas estas novas formas surgem corrompidas e isso acelera o declínio.

O que se segue?

Como consequência da calcificação das elites e oligarquias e da durabilidade temporal dessa mesma calcificação ( Em Portugal é com amarga ironia que se verifica que apenas 10 a 20 anos após 25  de Abril 1974 chegaram para a degenerescência começar…e começar a bater forte…) se ter prolongado a sociedade fica colocada numa encruzilhada. Uma crise que tem que ser resolvida devido à crescente frustração da população.

Pequenos acontecimentos podem desencadear a mudança e um novo estado colectivo e pensamento surge. Ou existem alterações democráticas ou falham essas alterações e a subsequente crise origina uma regressão e um eventual colapso.

Em Portugal estamos a entrar neste estágio. Veremos para onde pende a balança.

O que acontece depois?

Quer se caia para um lado democrático das mudanças, quer falhem essas alterações, o tempo passa. As sociedades esquecem-se porque é que precisaram dessas reformas e mudanças. (Em Portugal isto é clássico em relação ao que se passou após o 25 de Abril de 1974, quer o que se passou , quer o que se deveria ter passado, mas não passou…)

E quando se esquecem, os membros das elites de poder e das oligarquias voltam em força, para exigirem regressão e para exigirem (ainda e sempre) tratamento mais favorável para os seus interesses (Em Portugal isto, surpreendentemente sucede antes do país estar colocada na encruzilhada da escolha, sucede durante, e sucede depois, a máquina de subversão da democracia nunca tem descanso ao serviços das oligarquias).

Todas as elites políticas em Portugal sabem, praticam isto e pactuam com isto.

2015-11-25 - rob riemen- 2012

Colin renfrew em 1979. * “Signs of Failing Times”  – Renfrew, Colin. 1979. Systems collapse as social transformation: Catastrophe and anastrophe in early state societies.

O jogo de espelhos

tyrion-lannister-powerful

Imaginemos que em 2016, um partido de extrema direita, que já devia ter sido ilegalizado, os seus membros processados criminalmente e presos, decide utilizar uma estratégia de auto-promoção das suas ideias, decide desestabilizar o actual governo e decide desgastar o actual regime democrático (goste-se deste regime ou não se goste…).

Imaginemos que para o fazer decide implementar uma estratégia manhosa e de choque  usando força para provocar publicamente e procurar estender uma armadilha ao campo da esquerda política com o objectivo de fomentar uma divisão política e ideológica dentro desse sector.

Uma manifestação de apoio aos direitos dos emigrantes é convocada por uma conveniente e útil (útil no sentido de idiotice útil…) associação de defesa dos emigrantes e dos seus direitos ou falta deles. Imagine-se que  – casualmente – a manifestação vai passar na frente da sede de um partido político residual, que se auto promove como sendo um partido de esquerda embora verdadeiramente não o seja.

Imagine-se que, premeditadamente, o partido de extrema direita que já deveria ter sido ilegalizado há muito tempo, os seus membros processados criminalmente e presos decide ir protestar (isto é, fazer desacatos e utilizar uma táctica própria das milícias paramilitares baseada na intimidação física e psicológica) no sitio onde estão a decorrer as manifestações.

Curiosamente, no mesmo dia da manifestação pró imigrantes este partido residual dito de esquerda decide fazer uma “sessão de esclarecimento” sobre os perigos do trumpismo.

Para o partido de extrema direita a sopa caiu (convenientemente) no mel. Decidem ir “debater” na sede nacional do partido residual, o tema da emigração, onde, também, inteiramente por acaso, a manifestação irá a passar…

As pessoas do partido residual,  recusam que lhes invadam a sede para “debater”, chamam a polícia e a partir dai surgem os desacatos.

O partido residual serviu como cavalo de troía (resta saber se propositadamente ou por ingenuidade… ) desta estratégia.

Com a conivência da imprensa – uma parte dela tem ligações à extrema direita embora finja que não – a extrema direita portuguesa ganhou notoriedade.E escolheu dar notoriedade a um grupelho específico do outro campo…

O objectivo seria a geração do facto noticioso “artificial” para justificar que o partido residual que organizou a manifestação teria sido atacado e que esse partido seria um suposto adversário perigoso das ideias da extrema direita em Portugal. Após divulgação desta epopeia épica que (1) dá simultaneamente “direito de antena” ao partido residual e (2) aos cro-magnons que acham que são mais patrióticos que o resto da população, o partido residual é sinalizado para a opinião publica como sendo as vitimas dos ogres e, simultâneamente, os corajosos combatentes pela liberdade.

O verdadeiro objectivo divide-se em duas partes :(a) tentar legitimar aos olhos da opinião publica este partido residual como sendo uma força política considerável (b) e tenta promover a divisão no campo da esquerda política.

jogo-dos-espelhos

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda?

Quando a blogosfera portuguesa estava efervescente vários blogues da esquerda espelhavam-se em vários blogues da direita (e vice versa) com constantes discussões e supostos debates.  O resultado prático desta luta era o aumento das audiências de ambas as partes (estas especificas partes) e o arregimentar de pessoas para ambos os lados, com o enorme beneficio destes pequenos grupos que assim pareciam maiores em numero e influencia do que efectivamente são.

A lógica aqui seguida é a mesma, tentando ser transportada para o espaço comunicacional e contando com a evidente ajuda da imprensa e dos outlets de comunicação social, que promovem à vez estes grupelhos.

Nos blogues, alguns blogues ditos de direita foram suportados e apoiados até deixarem de ser necessário (o trabalho sujo já estava feito, pessoas chegaram a negócios e a lugares de deputado…) e passou-se directamente para a área da comunicação social com blogues travestidos de jornais.

Não se acha estranho que de todos os partidos políticos a extrema direita tenha decidido perturbar o partido residual pretensamente de esquerda, precisamente quando este está completamente vazio, eleitoralmente e politicamente, destituído de significado e no fundo do poço??

Numa táctica de dividir para reinar, a extrema direita portuguesa, ou melhor dizendo, os neo straussianos entre eles, aplicam tácticas rudimentares de promoção dos hipotéticos adversários simpáticos  que querem no futuro ter.

Numa táctica perigosa de procurar auto capitalizar ajudando a promoção dos inimigos da democracia, o partido residual timidamente protestou, enquanto que nas suas próprias páginas do facebook, demonstrava aos seus militantes quão corajosa era a direcção do partido por ter feito frente aos “maus” da extrema direita.

Eles espelham-se.

Por conveniência mutua.

Por tacticismo.

Recusando ser a irmandade de Nemésis apoiante formal de qualquer um dos dois campos (esquerda e direita) cabe no entanto chamar a atenção, para os inimigos exteriores de todos; os quintas colunas que se sentam à mesa do regime democrático, e usam os lacaios para atacar todos os que nele estão integrados, bem como chamar a atenção para os colaboracionistas.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

Panamá Leaks – mantenha a calma e chantageie alguém

“Today we live in a society in which spurious realities are manufactured by the media, by governments, by big corporations, by religious groups, political groups… So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms.”
~ Philip K. Dick

blackmail

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão” pela qual uma sociedade deve pensar e viver e quando aceites pela generalidade dos cidadãos tornam-se parte da nossa cultura geral.

Regra geral o que existe numa sociedade é uma inércia social relativamente a ideias culturais novas (não no sentido de cultura “artística”…). Daí os actos premeditados destes específicos grupos de interesses na criação destes memorandos culturais e na sua disseminação.

Quando estes grupos ilegítimos de interesses julgam estar a sociedade predisposta a aceitar algo contrário aos interesses dos cidadãos, ou precisam que a sociedade esteja predisposta a aceitar formas de viver contrárias aos seus interesses é colocado o ovo social dos memorandos pré fabricados em acordo com os interesses da elites, das oligarquias ou de ambos.
Se este memorando se torna viral a viralidade auto exponencia-se e o novo ovo social/memorando a aplicar auto alimenta-se e apresenta as características da exponencialidade existentes nas células cancerígenas.

Quando os memorandos são sucessivamente aplicados, e as coisas efectivamente mudam, os promotores destes tipos de ideias tentam a todo o custo travar a emergência de um novo memorando que os combata e passam a promover a inercia social e cultural e o estiolamento do pensamento.
Quando não o conseguem ou porque não tem força e habilidade para isso ou porque uma sociedade onde isto é aplicado é demasiado dinâmica e gera sucessivos novos memorandos este mesmo processo tenderá a ser repetido: viralidade, aceitação generalizada ou inercia cultural e resistência a mudança.

Tudo isto gera uma enorme confusão nas vidas das pessoas e gera uma aparência de falsa dinâmica em certos sectores de uma sociedade e que se mistura com uma lassidão social total noutros sectores da sociedade, o que gera uma cada vez menor homogeneização da sociedade no que diz respeito à definição do que é o bem comum e qual é o destino colectivo dessa mesma sociedade.

Este é o sonho húmido das elites e dos oligarcas portugueses: confusão das pessoas e falta de sentido e clareza no que ao destino colectivo diz respeito.

blackmail-is-more-effective-than-bribery-quote-1

Grupos específicos aparentemente indeterminados, despoletaram os Panamá papers.

Um desconhecido chamado John Doe (ou uma agência de segurança e informações de um país..) adquiriu, via roubo electrónico, ao que se julga saber, os ficheiros de uma empresa privada de advocacia que se dedica à gestão de fortuna e a criação de offshores.
A empresa é obscura e cheia de sombras, transacciona para todos e com todos, e o escritório atacado situa-se, convenientemente, numa geografia controlada pelos norte americanos e pelos seus serviços de segurança e militares.

John Doe entregou os documentos digitalizados roubado a um consórcio “independente” de jornalistas. Constitui apenas um mero acaso circunstancial serem financiados por organizações ligadas aos centros políticos e estratégicos dos EUA e por fundações ligadas a interesses de oligarcas e de elites económicas e políticas com sede nos Países baixos, Noruega, e Reino Unido.

As fundações são elas próprios veículos jurídicos artificiais criados com o fim de se pagar menos impostos pelas actividades que se realizam em nome do objecto jurídico (muitas vezes fantasista…) dessas mesmas fundações.

Este consórcio “independente de jornalistas” sentiu-se autorizado a usar informação roubada, onde coexistem terceiros que não sendo eticamente inocentes apenas aproveitaram o regime jurídico injusto dos offshores, e onde coexistem criminosos (cujos dados até agora não foram revelados) e onde coexistem chefes de estado ou empresas que são inimigas dos EUA (dados revelados ou insinuados…).

O consórcio jornalístico “independente” não usou a sua independência para usar o seu bom senso e declinar servir de peão a esta estratégia. Serviu conscientemente de peão, servindo diligentemente quem lhe paga.

Estes bens roubados e divulgados – informação – serviram e servem para estes consórcios e as empresas de comunicação que deles fazem parte pudessem obter vendas mais elevadas e aumentarem a sua reputação como “jornalistas de investigação /meios de comunicação social” honestos e impolutos.

2016-04-25 - panama leaks -sabujice manipulativa

Esta actividade tem servido para a pratica do desporto da “selectividade à medida” e serve para transformar esta actividade numa tendência a ser considerada como sendo “os novos tempos “ que ai vem e aos quais devemos todos aderir.

Com posse destes segredos, seletividade das fugas e com estas tácticas a serem usadas isso possibilita a que a imprensa (e os interesses económicos por detrás) possa fazer deste tipo de casos um novo mercado.

O lançamento de cortinas de fumo e desinformação que aproveita apenas foi mercantilizado com esta acção (capitalismo de vigilância). Tornou-se apetitoso para toda a classe profissional de John Does mundiais a pratica da extorsão e da chantagem obtendo em troca de poder e lucro.

As possibilidades são imensas, uma classe de extorsionistas veste a capa da legalidade justiceira e pode ditar quem é ou não é um candidato à Presidência, ao governo, que empresa ganha ou não ganha um contrato, quem pode ser empresário ou não, que cidadão é estimável ou quem não é, embora depois as consequências práticas legais sejam nulas sobre os visados, dado que a legislação que existe “legaliza” os offshores.

Neo liberais e libertários portugueses clamarão que esta situação apresenta uma oportunidade de negócio visando criar protecções sob a forma de empresas – startups – que gerarão software (ou vaporware caro…) – que nos protegerá deste novo perigo (que está a ser propositadamente criado e deixado florescer…), a divulgação ou venda de informação sensível.

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão”, e um novo popular memorando foi criado.

Que quem determina o que é revelado são Jonh Does, acolitados por empresas de comunicação social, que se auto reservam o direito de dizer o que é divulgado ou não é divulgado e qual a seleção a fazer.

O principio da espada de Dâmocles chegou.

Tenta-se fazer passar a ser aceitável que isto seja o novo paradigma.
Que quem domina melhor os meios tecnológicos pode ser autorizado a difamar e a chantagear e a dizer o que é lei e o que não é lei.

O centro não consegue aguentar, e porque deveria fazê-lo dadas a condições que existem?

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

William Butler Yeats’ 1919 poem, The Second Coming *

Vivemos no tempo da Republica sem consciência, uma embalagem vazia destituída de significado real, esvaziada das suas componentes democráticas, uma república empacotada em linhas de montagem totalitárias que defende apenas os interesses dos oligarcas, que fecha os olhos às movimentações da extrema direita escondida em partidos políticos aparentemente “legítimos”, saturada de grupos de interesse em serviço próprio ou dos amigos ou ambos.(Turning and turning in the widening gyre…)

Deveremos ficar satisfeitos com este estado de coisas?

Esta Republica que nunca o conseguiu ser plenamente, foi impregnada de falhas na ética republicana. Cambaleante, avança subvertida pelos quintas colunas que a empestam. Como o centro não aguenta, é ineficaz na difusão dos valores democráticos que a deveriam orientar e chegou ao ponto em que apenas está residualmente condenada a fazer passar essa imagem de decadência corrupta para a sua população e para os outros países.(Things fall apart; the centre cannot hold;)

Deveremos ficar satisfeitos com a decadência corrupta que nos querem oferecer/impor?

Temos uma Republica que mostra uma imagem resplandecente, mas falsa, onde vários espelhos partidos existem e para quem eles olha de forma certa observa-a a (dis) funcionar com passos certos e definidos.

YEATS - the falcon cannot hear the falconer

É necessário perceber que:

Esta é uma república de oligarcas. Os oligarcas portugueses são permitidos e acarinhados. (The democratic falcon cannot hear the democratic falconer) Totalmente detestáveis e absolutamente contrários a democracia, ou para esse efeito a qualquer outro sistema político democrático ou não democrático que os controle ou lhes exija auto controlo e decência.(The autocratic falcon cannot hear the autocratic falconer)

Escondidos nas sombras impõem o seu modelo autocrático de funcionamento escondido sobre uma capa de verniz democrático e de suposta aceitação das leis gerais da terra. Vocacionados exclusivamente para os únicos valores que para eles contam; dinheiro e poder. Os valores que não tem pátria.

Para os oligarcas portugueses, ter um ethos baseado em dinheiro e poder é a pátria, adicionalmente vestida com uma capa de verniz democrático como imagem para o exterior.

Devemos ficar conformados com a existência de forças hostis no nosso seio enquanto sociedade, que nos subvertem sempre que podem? (The ceremony of innocence is drowned;)

Deve acrescentar-se que a população pactua com este estado de coisas, entorpecida pela opressão psicológica e social que sobre ela é cometida todos os dias, e completamente confundida pelos aparelhos de desinformação (a comunicação social, as agencias de comunicação, os partidos políticos, os oligarcas que detém os sectores económicos que interessam…) aceita o mau como sendo bom e o bom como sendo mau, já genericamente incapaz de distinguir entre uma coisa e outra. (Mere anarchy is loosed upon the world,)

Há culpas/responsabilidades da população neste assunto, recusar desculpabilizar uma população que aceita ser despolitizada e consequentemente ser prejudicada, mas que também aceita trocas éticas que a desfavorecem e faz amiúde pactos faustianos para obter migalhas que já vem embaladas das fábricas oligárquicas em papel corrupção, é um erro de análise.

Apesar das perspectivas serem negras como o negro mais negro em fundo negro o achincalhamento da população, apesar de tudo, traz sempre reacções.

A lassidão social, o abandalhamento pessoal, a destituição de quaisquer convicções cívicas ou de cidadania, a procura desenfreada de um sistema de padrinhos que arranjem uma colocação para os próprios, ou para os familiares, as crenças na ascensão social pelo (falso) mérito escolar mesmo fechando os olhos à corrupção que existe no pais, extremamente fomentada pela tribo da direita política de forma activa e deixada desenrolar-se e espalhar-se pelas omissões constantes e o fechar de olhos da tribo da esquerda política, o sentimento de desagregação social, económica e social (tradução: a expressão coesão social “tão em voga e tão alvo de pessoas a deitarem lágrimas de crocodilo por ela…) começam a gerar ligeiros suores frios nos oligarcas e nas elites de corruptos a eles associadas, simplesmente porque o bolo está a diminuir e as pessoas começam a estar preparadas para funcionarem em lassidão robótica permanente. (Things fall apart; the (corrupt) centre cannot hold;)

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

É necessário perceber que:

A sistemática, enjoativa e repetitiva promoção de elites técnicas, políticas e sociais (quase todas elas semi medíocres, no contexto internacional) é feita em paralelo com promoção do achincalhamento da população.

Estas elites técnicas, políticas e sociais, acham-se intituladas a mais do que precisam e a muito mais do que são. A oligarquia, quis e quer encontrar pontos de apoio que lhe permita fazer o trabalho sujo de subversão, e confere a esta manada de a-cidadãos um estatuto de importância baseado na mais pura artificialidade ou nos graus de parentesco, podendo também a pratica de actos sexuais “a pedido por serviço prestado em função de futuro lugar a colocar” ou mesmo corrupção pura e dura serem usadas.  E como tal promove a arregimentação destes novos candidatos a pontos de referencia para servirem de farol para os restantes. Nas elites técnicas a manada que se vendeu conduz os desejos da manada que está a espera de ser comprada.(The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere)

Quando estes cartazes humanos de legitimidade técnica, política e social (tradução: a “tecnocracia supostamente esclarecida”), são colocados no terreno; estas pessoas da cor oligárquica/partidária que desejam um posicionamento confortável junto dos ninhos de poder dos oligarcas dá-se o salto seguinte.

Memorandos culturais são decretados usando a comunicação social para o fazer, explicando à população ignara que estes novos senhores e senhoras é que são os guias orientadores dos destinos do país e da população, e que as ordens parecidas com fascismo amigável incompetente desta camarilha devem ser cumpridas e adoradas.

A criação de conformidade cultural e apetência para estas ideias tem o bónus de atrair as elites que não estão ainda na mesma órbita. O apelo é simples, é velho e é conhecido: ”juntem-se a nós” e terão poder e dinheiro sexo e status (tradução: corrompam-se, façam um acordo faustiano e esmaguem os vossos compatriotas em posições sociais mais baixas ou desprovidos de poder). (The best lack all conviction, while the worst…)

Esta é a pulhice que conhecidos personagens da comunicação social, da política, da economia e áreas adjacentes pregam abertamente. (Are full of passionate intensity.)

yeats - the falcon and the falconer

É necessário perceber que:

Dada a imensa predisposição para se corromper (motivadas pelos mais v$riados m♥tivos por parte das elites portuguesas e da população que persiste em fechar os olhos é adquirida, regra geral, a suficiente massa critica de pessoas. Os “técnicos” necessários para “exercer funções de controlo biopolitico e económico surgem como cogumelos e aplicam poder despótico. O objectivo é destruir a alma dos cidadãos e degradá-los ainda mais.

E obter controlo. Muito controlo.

Controlo em Portugal significa criar mais quotas de poder para oligarcas e associados; em paralelo retirar poder à generalidade da população. É um jogo de soma nula que tem um perdedor especificamente definido antes do jogo começar.

Devemos ficar satisfeitos pelo facto de autocratas estarem a tentar definir em proveito próprio regras que atacam toda a sociedade?

* a colocação de uma citação de William Butler yeats recusa significar qualquer tipo de simpatia pelas ideias totalitárias perfilhadas por Yeats.

Morte aos moderados portugueses

Em Portugal somos abençoados com a moderação. Ao andar nas ruas, em viagem pelos transportes públicos, entrando em centros comerciais ou olhando com atenção  ao nosso redor estamos rodeados de moderados.

Saímos dos espaços comerciais, das ruas e dos transportes públicos e os moderados tem a sua vida. Conduzem os seus carros em direcção a lado nenhum, sempre com moderação e começamos a pensar se serão seres humanos vivos ou apenas seres moderados. Tal impressão faz-nos pensar se nós próprios não seremos moderados.

Quando os moderados querem deixar de se sentirem moderados fazem loucuras.

Saem à noite e bebem meia garrafa de vinho, exactamente. Vêem televisão por cabo e acham que a série ou o filme absolutamente banal, repetitivo e nada original é afinal brilhante e tomam uma posição moderadamente moderada sobre o assunto.

Moderation

Quando se tornam filosoficamente mais profundos, os moderados emitem uma opinião.

A completa loucura e insanidade em que se tornou a vida moderna ou pós moderna (os moderados tem uma opinião moderada acerca desta diferença doutrinal); a fome generalizada em alguns continentes e em partes de cidades e vilas dos continentes ricos; os refugiados que chegam à Europa trazidos a pontapé por objectivos geoestratégicos; ou a alienação sufocante que rodeia, asfixia e corroí a sociedade portuguesa é moderadamente sentida e comentada pelos moderados.

Moderadamente, o moderado português, declara com “gravitas” na voz que,  “as coisas não são perfeitas, mas se fizermos alguns ajustes ali e acolá, deveremos estar bem”.

Se nos posicionarmos no centro (definir o que é o centro é algo que o moderado faz, de forma moderada…) aumentarmos os impostos sobre os mais ricos e sobre os restantes, legalizarmos as drogas leves, apoiarmos as causas fracturantes (o moderado é a favor de tudo isto quer as causas fracturantes sejam originárias da tribo da esquerda política ou quer sejam originárias da tribo da direita política…), se apoiarmos as causas que não são fracturantes, e mais alguns ajustes ali e acolá tudo estará bem.

Ocasionalmente de forma sistemática os moderados farão uma pequena loucura com moderação. Sextas feiras casuais no escritório com calças de ganga serão implementadas, e quando chegarem à Internet para consultarem sites pornográficos moderados ou facebooks inteligentes de pessoas moderadas; os moderados exigirão que a polícia prenda os trolls que afirmam coisas contrárias às opiniões moderadas dos moderados.

O moderado quer construir um mundo que é sempre o mesmo, só que mais agradável.

Por essa razão (ou outra qualquer mais ou menos moderada), o moderado tem dificuldades extremas em entender as pessoas que sofrem de auto destruição compulsiva, ou dores nas costas, ou sentimentos de culpa induzidos pelo cristianismo latente e opressivo, ou pessoas que recordam sub conscientemente todas as asneiras ou erros que já fizeram. Os moderados não são abrangidos por estas reacções normais: os moderados só fazem moderadamente erros.

Os de nós que reagem com normalidade e de forma perfeitamente saudável ao capitalismo tardio em que parece que vivemos; os de nós que se indignam com esta subversão em que esta sociedade está transformada olham para os moderados como enviados directos do nono circulo do Inferno.

Perante a gritante palete de problemas sociais, políticos e económicos em que estamos colocados, a solução dos moderados é a felicidade revoltante ou a alienação imbecil como resposta a esses mesmos problemas.

the-real-hopeless-victims-of-mental-illness-are-to-be-found-among-those-who-aldous-huxley

Na televisão (e demais pseudo meios de comunicação social) os anúncios comerciais promovem produtos ridículos e dispendiosos de relativa utilidade, mostrando pessoas moderadas e felizes, todas sempre jovens (mesmo quando tem meia idade ou andam agarradas a andarilhos com algálias colocadas…) todas elas felizes e satisfeitas. Moderadamente.

Nos anúncios de produtos médicos a moderação é pior. Todos os medicamentos promovidos descrevem pessoas miraculosamente salvas de uma qualquer dor cronica, o que leva quase a desejar, por parte dos de nós que não são moderados, que as pessoas que fazem o anuncio obtenham uma morte instantânea ou uma qualquer disfunção eréctil os atinja. De forma moderada.

Todos os fundamentos da vida social, biológica, política e económica ameaçam colapsar. E contudo, os moderados andam a pé, de carro ou de bicicleta num prado verde cheio de sol, com um lago com patinhos, satisfeitos por já não terem dores de costas ou artrites.

Os moderados na sociedade portuguesa estão completamente loucos. Baseiam-se num ideal transcendente imaginário alicerçado em Ego, narcisismo e escapismo em que a vida é auto controlada de forma bio política.

Imagine-se o que seria se os moderados, estivessem armados com armas verdadeiras, em vez de sorrisos condescendentes e moderação psicotropica?

Mas porque existem os moderados?

Porque não permitem perturbar os interesses do lucro. Do poder. Da ilegitimidade.

Ou seja, a indiferença social política e económica cheia de alegria e niilismo.
Se “dermos uns toques” “ isto irá tudo funcionar.

Na pratica este exército de moderados é uma arma violenta dentro desta sociedade.

A sua moderação tem permitido que os mais variados corruptos oriundos das elites e das oligarquias obtenham poder e riqueza ilegítima, porque ”se dermos uns toques” isto irá tudo funcionar e eventualmente ajudar a reparar os estragos causados pelas elites e pelas oligarquias.

Mas continua sem funcionar.

O moderado gosta de motas e conduz scoters, bebe Pepsi ou Coca cola ou descafeinado ou chá ou meio copo de vinho, é adepto de novas tecnologias e gadjets, descobre que existem problemas de privacidade pessoal depois das Cctv´s já terem sido instaladas e ouviu na sua adolescência, prog metal, ou Justin bieber, se for um moderado internacional. Se for português ouvirá os acima citados mais José Cid e Tony carreira, ou a cultura genérica de pop rock lisboeta copiada$ das contra partes americanas e inglesas.

Esta forma de disciplina de massas – de parte das massas, dado que Portugal é anárquicamente moderado – é a moderação violenta que terá tendência a sair da periferia indo em direcção ao centro.
Em Portugal, que já é periferia em relação ao centro mundial, já cá chegou mas é difusa e moderadamente cretina e ineficaz.

Se alguma vez a marca especial de moderados de marca lusitana tomar armas – e durante o quadriénio de 2011-2015 andaram a servir de lacaios aos radicais que foram parar ao poder político (e foram votados na sua esmagadora maioria pelo exército de moderadas cá do sítio…) deveremos preparar-nos para um longo exercício de terror imposto pela moderação destas pessoas.

A moderação, via proxy da austeridade, é a invocação de uma guerra de classe usando o terror para o fazer.

Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

Grécia – os limites dos tiranos são percebidos pela resistência de quem é oprimido

“Power concedes nothing without demand. It never did and it never will. Find out just what people will submit to, and you have found out the exact amount of injustice and wrong which will be imposed upon them; and these will continue until they are resisted with either words or blows or both. The limits of tyrants are prescribed by the endurance of those whom they oppress.”

Thomas Paine

No campo, os agricultores de subsistência tem frangos que matam para vender aos conhecidos e familiares ou para consumo próprio. Quando o animal está gordo para abate è-lhe passada uma faca pelo pescoço e este é cortado. Durante alguns segundos o frango corre sem cabeça desnorteado em todas as direções.

grecia_REsta é a imagem que nos mostram as instituições europeias e os credores europeus em relação à Grécia: correm em todas as direções sem qualquer cabeça. O processo de funcionamento psicológico e político dos credores é incrivelmente estúpido. São um abismo negro que chupa tudo a sua volta sem quaisquer ponderação presente ou futura acerca das consequências para terceiros e para eles próprios.

Quando o abismo negro não é financeiramente alimentado a tempo e horas, começa a exigir comida financeira. Primeiro força a queda abrupta dos mercados financeiros.

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Numa lógica de centro vs periferia, os países da periferia europeia são os primeiros a cair. Os seus mecanismos financeiros são exauridos, e deixados a definhar (segundo o jargão económico falta-lhes “liquidez”), e os seus bancos comerciais e demais instituições semelhantes são os primeiros a secar e a cair. Estão “na periferia” e por definição a periferia é a que está mais afastada do centro e como tal é a primeira a sofrer o embate.

Quando isto acontece, o dinheiro que existe na periferia procura sanctuário em igrejas financeiras do centro (segundo o jargão económico isto são “fugas de capitais”). Este dinheiro fica em sanctuário jurando eternas juras de amor financeiro ao centro, até à altura em que o abismo negro que quer alimento o chupar também, mas no entretanto, o pau vai e vem e as costas financeiras estão folgadas.

Em termos concretos a periferia fica demasiado fraca para resistir. Foi “chupada financeiramente” e está demasiado fraca economicamente. Então é-lhe feita uma colheita económica (segundo o jargão económico são “incentivos ao crescimento e ao emprego”) voltando-se a emprestar-lhe dinheiro para a salvar da situação, para a reestruturar e fazer reformas.

Em termos concretos cria-se uma divida cavalar e galopante devida a instituições estrangeiras. Esta divida vem com um peso para ser carregado: nunca poderá ser efectivamente paga (nem é esse o objectivo), mas antes existe para funcionar como mecanismo de CONTROLO e colheita de recursos (segundo o jargão económico trata-se de extrair “valor” ao cliente).

[In explaining the “true” nature of banking in the world] The IBBC is a bank. Their objective isn’t to control the conflict, it’s to control the debt that the conflict produces. You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates. You control the debt, you control everything. You find this upsetting, yes? But this is the very essence of the banking industry, to make us all, whether we be nations or individuals, slaves to debt.

The International 2009

Neste jogo de insiders e mecanismos pré definidos e que visam o controle de nações e povos, esta divida nunca poderá ser paga.  Contudo, são exigidas à periferia (segundo o jargão económico, “o cliente de novos mercados emergentes” ) pagamentos regulares, como condição a que as instituições do centro forneçam e assegurem a liquidez na periferia (segundo o jargão económico, “pagar pensões e pôr caixas ATM em funcionamento”). Como um idoso num lar de terceira idade, esta dependência financeira assistida é apresentada vendida como sendo absolutamente necessária para se continuar a financiar a periferia (nesta altura já toda a gente percebeu que é o cliente… ) e impedir que este entre mesmo em falência (deixe de pagar e ” mais importante” deixe de pedir emprestado para continuar a pagar”) e assim continuarem as caixas multibanco a funcionar, as luzes serem pagas, as compras feitas etc e a divida a entrar em valores exponenciais.

Pequenos problemas de somenos importância tais como os povos nunca serem idosos em lares de terceira idade, mas sim povos, são características que escapam ao frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores…

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

A periferia, querendo pagar as dividas, mas impossibilitada de o fazer dado que o crescimento económico que a possibilitaria fazer isso foi ” rearranjado” para que não o possa fazer por meios normais e meios anormais, começa a privatizar as suas infraestruturas e empresas públicas. Para assim gerar “meios de pagar uma divida impagável”. Esta extorsão organizada (segundo o jargão económico, “a livre aquisição e troca de bens e serviços num mercado liberalizado cheios de concorrentes atomizados) está a ser feita a todos os países da periferia da Europa, menos Portugal, que é defendido por nossa Senhora, como se sabe, e pela sabedoria sabujice do nosso Governo.

De caminho, traidores da mesma nacionalidade do país que é alvo deste ataque económico, são estratégicamente colocados em ” lugares” para realizarem as necessárias ações de coação e propaganda para impor uma política de austeridade, para promoção do desmantelamento da economia e sociedade atacadas, para promover privatizações de tudo o que esteja à vista, para funcionar como garantia de que as dividas serão pagas  “contra garantia”.

Os resultados?

A periferia desmantela a sua sociedade, desagrega a sua viabilidade.

Os frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores são geniais na sua estupidez. Pressionam exaustivamente ao ponto tal que se auto saturam psicologicamente e deixam de compreender o que estão a fazer e as consequências das suas ações. Desta forma os resultados pretendidos fazem ricochete.

Perante uma situação que pede uma negociação séria os credores e os seus procéres tem apenas uma táctica negocial.

Que é sempre a mesma.

Apresenta exigências impossíveis de realizar e espera que o outro lado negocial capitule. Quando o outro lado recusa capitular, aplica pressão extrema. Impõe sanções, utiliza as suas instituições financeiras como aríetes de ataque à moeda do pais atacado, complica e dilata transações financeiras, e em casos extremos apreende bens estrangeiros do pais ou zona com que está em confilto e espera a capitulação.

Em casos mais extremos e dependendo das potencias em questão bombardeamentos militares e invasões terrestres também podem ser usados. Normalmente costuma resultar, mas mesmo que não resulte, os credores continuam a pressionar e a utilizar a mesma táctica negocial.

Só param quando criarem um deserto e chamarem-lhe Paz.

Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas. The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.   Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus, Agricola

25 de Abril de 1974 – temos muito que agradecer

Hoje passam 41 anos de um alarido supostamente revolucionário que aparentava ter acontecido para mudar tudo no país chamado Portugal.

Parece que se destinava a fazer existir liberdade para a população e através dela criar o desenvolvimento, um dos benefícios dessa mesma liberdade.

É por isso que temos muito que agradecer, senão vejamos:

Temos muito que agradecer, na frente eleitoral, de forma veneranda e obrigada, de chapéu nas mãos e as arrecuas, pelo fato de podermos votar de forma livre durante os últimos 41 anos.

Anteriormente, obrigava-se a população a escolher um candidato único para votar.

Anualmente, existem inúmeros candidatos, todos igualmente maus e verificamos que chegamos a uma situação em que todas as candidaturas políticas que estão em posição de ganhar eleições defendem apenas um único grupo de interesses, embora estejam todas dispersas  por vários partidos, agrupamentos e secções de medíocres e carreiristas videirinhos.

É uma melhoria, realmente, esta em que nos é dado a escolher o partido dos prós e dos prós para continuarmos a ser distraídos das verdadeiras realidades…Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente  decisão política, pelo fato de os nossos interesses já terem sido salvaguardados sem nada nos ter sido perguntado ou pedido verdadeiramente.

Os grupos de interesses específicos, todos não eleitos e que desenvolvem actividades sinistras em beneficio próprio e em serviço próprio, visando condicionar a população ou obter ganhos financeiros ou de aquisição/manutenção de poder ilegítimo, encarregaram-se dessa tarefa.

Os resultados são brilhantes. Mas não para a população. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da gritaria mediática social, pelo fato de a democracia nova trazida pelo 25 de Abril de 1974 nos poder oferecer uma gritaria mediática, encharcada em jornalismo amarelo.

Anteriormente éramos abençoados com monocromáticos e monolíticos que mentiam para enaltecer o regime do ditador e os courtiers, fanáticos ou não,  que o serviam. Para combater a cor cinzenta de um só tom, criou-se a difusão cultural e a ideia de pluralismo.

A elite de poder capturou o pluralismo e subornou a difusão cultural e reduziu-os à ditadura do seu próprio pensamento. Estamos apenas a ter que aturar o discurso porco e pobre que as elites corruptas portugueses querem que se ature.

Os seus ajudantes de campo são os micro exércitos de junta letras, pés de microfone e arrotadores profissionais radiofónicos todos em uníssono, alavancados pelos painéis  de comentadores adquiridos, comprados e pagos pelas vozes dos donos. O objectivo é a desinformação permanente tal como o objectivo era a desinformação permanente pré 25 de Abril de 1974. Bem hajam…

Temos muitos que agradecer, na frente económica e financeira, pelo fato de podermos pedir dinheiro/obter crédito, a qualquer hora do dia ou da noite, por qualquer meio necessário.

É claro que há crédito e há credito e os insiders tem crédito que pagam a juros inferiores, e quando as coisas falham não o pagam. Depois, para o resto da população existe o credito com taxas altas, sujeito a mudanças de regras repentinas que visam criar impossibilidade de pagar por parte do comum cidadão para depois ser transformado em bode expiatório e ser extirpado de património…

É-nos também, possibilitado pedir crédito para, em grande parte dos casos, podermos adquirir mais coisas das quais verdadeiramente não necessitamos, mas quem concede este credito e promove esta cultura necessita que estejamos todos convencidos que precisamos. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente alimentar, que qualquer alimento que possamos adquirir,  a credito se possível, esteja cheio de açúcar sintético ou normal, produtos químicos e aditivos que fazem muito bem o seu papel na proliferação de cancro, diabetes e obesidade adulta e infantil.

O que seria de uma saúde privada e vendida pelos privados como um produto a adquirir (um cluster excitante de mercado) acaso não existisse mercado para essa mesma saúde através de um regular (uma rotação de produto nas prateleiras…) fornecimento de doentes?

Os padres da economia, que foram quase todos comprados, adquiridos e pagos, afirmam que o  mercado cria as suas próprias necessidades e a oferta cria a procura. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da justiça e da administração da justiça terem uma legitimidade duvidosa ou inexistente onde os cidadãos são perseguidos de forma selectiva consoante tem ou não tem ” poder” para se defenderem?

Todos conhecemos os casos de pessoas penhoradas de forma injusta, de pessoas acusadas sem provas, de favores feitos a grupos de interesse e a empresas privadas, de falhas gritantes por parte de quem administra o sistema oficial de justiça sem que os principais interpretes do mesmo sejam fiscalizados e se necessário punidos pelos crimes que cometem ou pelas omissões que praticam. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da auto estima nacional e do brio em ser português, (a falta dele) do convencimento que é feito segundo o qual, os imaginários e fantasiosos êxitos do futebol são algo que devemos vender aos estrangeiros como parte da nossa estima  e identidade nacional e como parte do nosso êxito imaginário.

Ideias como solidariedade, auto estima colectiva, sacrifício pelos outros em termos geracionais e não só foram completamente destruídas.

Por todo o lado apenas observamos uma população auto absorvida em si mesma, entorpecida e abrutalhada, inchada na sua enorme importância, arrogante, destituída de conceitos de moralidade, insuportavelmente narcisista e sempre a fazer sexo com o seu telemóvel de ultima geração.

Uma população que se sente bem consigo própria, apesar de estar a levar na cabeça como nunca levou, teimosa na sua arrogância recusando ver a realidade à frente dos seus olhos e impondo pela sua estupidez fardos a terceiros que recusam este estado de alienação e recusam deixar-se envolver nele. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da gestão financeira, pelo fato de se ter intitulado a regra de ” foi azar e eles não queriam fazem por mal”.

Gestores extremamente bem pagos para a qualidade do trabalho que desenvolvem tomam decisões imbecis, sem que os seus accionistas, quer sejam o Estado, quer sejam particulares, os removam dos cargos que ocupam.

É simples. É uma gestão de amigos para amigos, de insiders para insiders. O accionista português, que sabe nos seus ossos que chegou a estas posições de poder, prestigio e dinheiro através de jogadas ilegítimas não se sente com autoridade moral ou técnica  para mandar pedras aos telhados de vidro. Estes accionistas suportam a gestão portuguesa  porque sabem que as contas dos prejuízos são enviadas para que a população as pague. Os prejuízos são transformados em lucros através desta forma miraculosa assente na socialização dos prejuízos misturada com vigarice e trapaças, num circuito onde toda a gente ganha. Bem hajam.

Devemos estar gratos pelo fato de os mercados financeiros portugueses, bolsa de valores incluída, serem uma gigantesca vigarice organizada para beneficio de insiders e filhos família.

Acordos pela porta dos fundos, manipulações de preços consideradas legais, ou por lei ou por omissão de legislar, lacunas da lei convenientemente criadas, criação de entidades nebulosas que geram produtos financeiros opacos, um banco regulador privado para benefícios, publico para responsabilidades que nunca cumpre, gerido por um ex funcionário de um banco privado que tinha as funções nesse banco privado de ” gestão e criação de contas offshore”, são cartões de visita altamente recomendáveis para recomendar como sitio a investir.

Devemos estar gratos, na frente politica e social, porque sabemos que os nossos distintos deputados, os representantes da polis obedecem, não à republica, mas as sociedades secretas de que fazem parte, obedecem aos interesses financeiros que os controlam, legislam em nome de quem os comanda, e beneficiam os seus overlords continuamente em detrimento da população.

É gratificante perceber que o 25 de Abril de 1975 serviu para libertar o dinheiro que é necessário para se comprar com todo o à vontade, a influencia política necessária para se alterar leis e fica-se grato pela generalidade dos políticos portugueses aceitar e apoiar esta situação. Bem hajam.

Devemos estar gratos, por na frente comunicacional , apenas 3 empresas controlarem quase 90% da comunicação social. É tão bom ver telejornais em Portugal após o 25 de Abril de 1974. Ao mesmo tempo, à mesma hora todos dão as mesmas noticias fúteis, vazias, condensadas com divina estupidez entorpecente.

Quando se quer rebentar de forma mais eficaz com a capacidade de pensar dos cidadãos manipula-se em direto , 24/24 horas de 3 formas diferentes, mas todas iguais.

Mensagens estúpidas e uniformes, homogeneizada como o leite pasteurizado,  e os sorrisos imbecis de plástico , de quem apresenta as noticias são todos repetidos. Bem hajam.

Temos que agradecer: se todos eles repetem que o desemprego e baixo, o crescimento económico é alto, a inflação está a perfurar a barreira dos 100 metros para baixo, e os portugueses vivem ainda melhor do que viviam à 10 mil anos atrás, então é porque tudo isto é verdade.

Temos que agradecer o Portugal moderno, democrático e desenvolvido a que temos direito. Bem hajam.

PS: Como existem sempre imbecis que se recusam a perceber o que é escrito, este texto recusa ser uma apologia do regime anterior ao dia 25 de Abril de 1974.

Empresas e corporações (Tpp) vs nações e nacionalidades

I know not with what weapons World War III will be fought, but World War IV will be fought with sticks and stones.

Albert Einstein

A antiga frase de Albert Einstein durante muitos anos foi considerada como sendo a teoria principal que explicava o que sucedia após uma terceira guerra mundial.

A frase servia também de aviso para o perigo da guerra, por esta se ter tornado tão destrutiva e capaz de aniquilar todos os avanços civilizacionais da raça humana.

Tendo em conta que as guerras tem sido travadas por nações e pelos seus respetivos exércitos, o nacionalismo tem sido condenado como sendo a principal ideologia responsável pelas guerras.

Comercialmente falando, as guerras são más para o negocio, exceto para as especificas industrias que delas naturalmente beneficiam. E como as populações detestam guerras (obviamente) estas tem assumido uma natureza coberta e o novo tabuleiro de batalha é o campo económico.

Um dos vários porta aviões de combate da guerra económica é o FMI. Os recentes empréstimos feitos à Ucrânia, bem como a outros países, tais como Portugal, (aqui disfarçados de matrioskas, com um rotulo por fora a dizer “Troika” ) vem acompanhados de regras ditatoriais de cumprimento e impõem  punições aos devedores.

A nova face moderna da guerra são as corporações e as empresas multinacionais, a sua invasão da esfera de soberania dos estados e das nações e a tentativa de impor “regras e condições”.

É acertado dizer que são uma ameaça muito mais perigosa que uma ameaça militar direta. As corporações já possuem vastos territórios, ( uma base de poder que possibilita  construir uma ainda maior base de poder) dominam as regras financeiras e legais e de forma transnacional.

The only difference between the Republican and Democratic parties is the velocities with which their knees hit the floor when corporations knock on their door. That's the only difference. - Ralph Nader

The only difference between the Republican and Democratic parties is the velocities with which their knees hit the floor when corporations knock on their door. That’s the only difference. – Ralph Nader

Os nossos queridos políticos, a nossa classe dirigente, a nossa magnifica elite de poder, fecha os olhos à ameaça, ocupada que está a decidir qual o suborno a aceitar por parte das leiloeiras corporativas.

Muitos dos nossos políticos e tudo o que gira à volta omitem, mentem, desviam o olhar, uma medida da cobardia deles e de como se venderam.

As sombras que os controlam e subornam mudam de posição apenas para os deixarem com o incomodo papel do bode expiatório

A nossa querida imprensa, os meios de comunicação social, estão demasiado ocupados a serem comprados pelas corporações.

Estas, mal adquiriram o produto emitem as ordens.

E as ordens são o aumento de lixo desviante com o qual se pretende ocultar a verdade às ainda massivas audiências que tem sido ensinadas a perceber algo de acordo com a falsidade que viram na televisão,ouviram no rádio ou leram no jornal.

Queremos mesmo aceitar viver debaixo de tanta iniquidade e da tirania destas forças corporativas?

Em Portugal, desde a década de 70/80 do século 20 tem sido preparado o assalto e a subversão das poucas coisas positivas que um alarido pseudo institucional ocorrido no dia 25 de abril de 1974 trouxe.

Antes era a repressão, pura e dura, como tinha sido durante os últimos 500 anos pelo menos, repressão essa exercida pelos ” overlords” incompetentes e maníacos que dominaram este sitio.

Uma breve luz de abertura surgiu por essa década com todos os defeitos, mas surgiu, e as forças das trevas trataram logo de a tentar apagar e asfixiar.

As vitimas escolhidas são de novo as mesmas, mas desta vez, a face dos opressores esconde-se por detrás das empresas e corporações.

Acordos económicos e comerciais assinados sempre em beneficio das corporações.

Um coro de peões lacaios e vendidos recita a poesia suja da obrigação do cumprimento.

Os efeitos económicos desastrosos ocorrem no tecido económico do pais e nada se passa, pretende-se privatizar escolas, saúde e segurança social apenas para maior gloria corporativa e nada se passa.

O discurso ” social”, a narrativa das pessoas foi moldada de acordo com as tretas neo corporativas empresariais. Tudo aparenta ter um preço  e é a “linguagem do preço”, ao invés da linguagem dos cidadãos, é a que se pretende aplicar pela força se necessário.

“In the past our politicians offered us dreams of a better world. Now they promise to protect us from nightmares.”

“In the past our politicians offered us dreams of a better world. Now they promise to protect us from nightmares.” – Adam Curtis

A “tribo da esquerda política”, a auto denominada campeã dos fracos e dos oprimidos, promove o “não debate” sobre estes assuntos. Todos os conflitos são formais e simpáticos(veja-se o caso das audiências do BES em que  o putativo criminoso responsável foi tratado como um gentleman que cometeu uma indiscrição, apenas…), e a consciência coletiva do que se está a passar tem sido mandada para debaixo do tapete.

A “tribo da esquerda política”, campeões auto nomeados em defesa dos valores da decência, abandonaram essa luta e, lentamente como uma esponja, absorvem os valores das corporações, a ganância, a não responsabilização das gestões de topo.

Adotaram a linguagem e permitiram ao longo dos anos que os valores legais e constitucionais tenham sido torpedeados pelos interesses ilegítimos das corporações.

Toda a classe dirigente, toda a estrutura de poder neste país, tem permitido que a nossa soberania, a do país e a dos cidadãos sobre o país e sobre si próprios, tenha sido sabotada, minada, descredibilizada.

Valores éticos ( os poucos que existiam, mas existiam) tem sido atacados e pulverizados, a nossa cultura, ( nunca foi grande coisa, mas enfim) tem sido ensopada em pseudo valores oriundos de fora

Espera-se a destruição de valores éticos que se oponham a ganancia , vinda da tribo da direita política, genericamente cheia de traidores, incompetentes e vendidos.

Já da tribo da esquerda política espera-se que a sua base de votantes se oponha aos desmandos feitos em seu nome pelos campeões individuais auto nomeados pela tribo.

Estamos sentados à espera. Godot, volta que estás perdoado.

 A próxima e grande batalha económica é a aplicação e aprovação ou não do tratado “parceria transatlântica” vulgo TPP ou TIPA.

Um conjunto de legislação desastroso e tirânico que destruirá não deixando pedra sobre pedra, um país como Portugal.

Obviamente qualquer pessoa decente terá que ser oposição a esta forma de instituir a tirania económica.

Para fazer tal, no entanto, temos  – os que se querem opor a isto – que evitar pensar que isto é apenas mais uma medida.

Torna-se necessário reconhecer o que esta em jogo.

A nossa classe dirigente decidiu capitular e decidiu neste como noutros assunto vender o país, com a população dentro dele, as corporações e empresas multinacionais.

Foram bem pagos para isso.

O enclave a Irmandade de Némesis recusam capitulações.

Estaremos sempre cá após as tempestades.

Declaração de interesses: a palavra nacionalismo aparece escrita várias vezes neste texto. Apesar disso, a irmandade de Némesis, recusa qualquer rotulo de defesa da extrema direita e das suas posições, bem como da extrema esquerda e da suas posições e de todos outros que apelem a forças nacionalistas de qualquer espécie para salvar a pátria.

O neo feudalismo neoliberal

A elite de poder portuguesa, entendida em sentido depreciativo, vive erradamente convencida que a ordem social depende da existência de classes sociais privilegiadas que auto definem essa mesma ordem e que mantém pela força e pela coação essa mesma ordem.

A elite de poder portuguesa, durante várias centenas de anos, tem assombrado este país com estes conceitos absurdos cuja legitimidade democrática é inexistente.

Tentou sempre impo-los  através do uso de força despótica direta ou através de manobras encobertas, visando, por um lado, aumentar o seu poder, e por outro, impregnar de  totalitarismo larvar e seminal toda a população, corrompe-la.

Se nas ordens sociais mais baixas existir “contaminação” pelos conceitos absurdos – as doenças que a elite de poder tem e despeja sobre a população – e a essa contaminação se juntarem os defeitos próprios das classes mais baixas temos o insulto e a injuria agregados num único problema mas em tamanho maior e o principal criador desses problemas são as elites de poder portuguesas.

Enquanto sociedade, queremos ter que lidar com menos problemas e menores, ou com mais problemas e maiores?

 Estratégias de Legitimação Organizacional Adaptado dos trabalhos de (Dowling e Pfeffer , 1975; Lindblom, 1994) “If individuals do not occupy their legitimate position, then it will be occupied by a god or a king or a coalition of interest groups. If citizens do not exercise the powers confered by their legitimacy, others will do so.


“If individuals do not occupy their legitimate position, then it will be occupied by a god or a king or a coalition of interest groups. If citizens do not exercise the powers confered by their legitimacy, others will do so.  – John ralston saul

 Esta contaminação tem como objetivo destruir quaisquer valores éticos exteriores àqueles que a elite de poder defende. Nada fora da  fossa séptica onde estão os podres valores próprios das classes sociais, políticas e económicas que constituem as elites de poder portuguesas deve subsistir.

Se algum acaso estranho ditar que alguém se lembre de questionar estas classes de parasitas oriundos da elite de poder, acerca da efetividade dos resultados da aplicação das suas teorias ilegítimas, ou, usando o jargão pseudo neo económico oriundo das diversas seitas e sub seitas dos padres da economia, dos abades da gestão e dos monges do coaching interpessoal que pululam por aí e estão sempre a soldo de alguém ou do bolso de alguém; qual é a “produtividade” e o “ganho de eficiência” pela adoção destas ideias pseudo estratégicas aplicadas ao país e à população do país, o que se verifica é que as supostas elites de poder cá do sitio ficam imbecilizadas e amuam, e nunca respondem à pergunta ou fogem de responder.

Enquanto sociedade, queremos permitir que existam classes sociais, políticas, profissionais, que se auto isentaram de assumir responsabilidades relacionadas com a porcaria que fazem e sobre as quais são inexistentes controlos políticos oriundos da população?

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

A razão para esta atitude de amuo das elites é simples e divide-se em duas partes.

A primeira é a ideia de responsabilidade/accountability que é uma ideia de controlo que só deve ser aplicada sobre a população, nunca sobre os vermes da suposta esfera superior da sociedade (auto isentam-se através da imposição de poder social, económico e político incontrolado pela população).

A segunda é a ideia de manter as aparências que é uma ideia de controlo das perceções da população que tem sido aplicada, mas cuja densidade e eficaz opacidade começam a ser difíceis de manter.  (A camuflagem que afirma  que esta maneira de fazer as coisas funciona está a dissipar-se e a porcaria começa a ver-se e ela é muita, é muito suja e difícil de limpar.)

A elite de poder portuguesa é estúpida e autocrática, vive auto centrada dentro dos condomínios habitacionais, sociais, políticos e económicos fechados onde se encerrou para evitar misturar-se com a população, não fosse dar-se o caso de a população se chatear a sério e começar a exigir que as formas de ilegitimidade existentes nesta sociedade fossem expostas, primeiro, e eliminadas, depois.

2014-12-12 -4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 2

Começando a perceber que este jogo de manipulação está a ser perdido, a elite social portuguesa decidiu há umas décadas atrás “modernizar-se.

Pedinchou subservientemente junto dos aliados externos do país e equivalentes elites rançosas ocidentais novos conhecimentos de marketing sociológico e político, para estar a “par” com o que se fazia lá fora e para prevenir o fim do sonambulismo cá dentro.

Ironicamente, podemos afirmar que se suspeita que o slogan turístico ” Vá para fora, cá dentro” tenha ramificações nesta forma de ver as coisas….

Indo para fora, para obter conhecimentos para ser cá dentro mais ilegítima e anti democrática a elite portuguesa (no sentido mais depreciativo possível do termo) decidiu, embrenhada que estava no mar de conselhos ilegítimos e subornos intelectuais e/ou em espécie, fazer localmente uma fusão de conceitos.

Ironicamente, podemos afirmar que se suspeita que o slogan vazio de significado” Pensar global, agir local ou vice versa” tenha ramificações nesta forma de ver as coisas…

Qual é a fusão de conceitos anti democráticos e ilegítimos?

Junta-se feudalismo, e faz-se uma “atualização” de uma teoria arcaica com pelo menos 600 anos de idade e decrepita e junta-se isto ao (neo) liberalismo. As piores derivações sociais e políticas de ambos os sistemas estão a ser fundidas e estão a começar a fundir-nos a quase todos.

O que temos atualmente em funcionamento, em Portugal, mas também no ocidente é um magnifico arranjo para alguns ( no sentido mais bordel depreciativo possível que se possa conceber) entre o neo feudalismo e o neo liberalismo, dois escarros ideológicos abjetos.

Qual é a posição semi oficial, meta oficial, pluridisciplinar oficial das tribos da política acerca deste assunto?

Quer a tribo da esquerda política, quer a tribo da direita política tem apoiado, de direito e de facto, por omissão ou gratidão, a implementação dos escarros ideológicos acima descritos com a convicção de obrigatoriedade e a estupidez normalizada que as caracteriza, misturadas com um sabor de corrupção ética muito própria.

Politicamente, dentro destas sub correntes políticas, ou lá o que são…há muitos lacaios com mentalidade de lacaio, há muitas pessoas que  foram compradas, adquiridas e pagas, há exércitos de medíocres narcisistas e ultra egocêntricos, logo e como tal, porque é que a elite de poder portuguesa, como boas marionetas que são de interesses exteriores ao país e à população, não deveriam ter contaminado também as tribos políticas?

The danger is not only that these austerity measures are killing the European economies but also that they threaten the very legitimacy of European democracies – not just directly by threatening the livelihoods of so many people and pushing the economy into a downward spiral, but also indirectly by undermining the legitimacy of the political system through this backdoor rewriting of the social contract.

HA-Joon-Chang

Como o neoliberalismo (ainda) tem – neste momento histórico em que vivemos – a supremacia cultural, vomita hegemonicamente os seus preceitos culturais abjetos.

A crença dos retardados que já foram adquiridos pagos e comprados ou estão na fila para o serem e defendem a imposição disto explica-se da seguinte maneira.

Parece que os mercados “são livres”. Como os mercados são livres quem neles participa também é livre. Nesta historia encantada também parece que a sociedade e a ordem social são livres. Tese – antítese – síntese.

Saindo uma pessoa do abrigo anti nuclear onde se refugiou para não ser esmagado com tanta liberdade, começa a reparar que os retardados  que defendem estas teorias e estão a soldo, esquecem-se sempre de mencionar que os “insiders” que dominam a sociedade “livre” tem – “numa sociedade livre” – acesso a credito, isto é a dinheiro e a informação sobre o que fazer com esse dinheiro, e usam-no para obter mais dinheiro e poder.

Trata-se de um leilão social-económico viciado, onde as regras estão afixadas na entrada: todos podem concorrer ao leilão, mas chega a uma altura que os que tem acesso ao credito fácil, isto é, a serem financiados pela portas de trás deste sistema e como são “insiders” vencerão o leilão.

Os restantes que foram convidados, apenas o foram para servirem de figurantes e perderem e,em paralelo, servirem de validadores oficiais do sistema de liberdade da historia encantada descrita parágrafos acima.

     "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal


“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Neste conceito de “mercado falsamente livre”, uns podem obter vantagens totais por trabalharem em plena capacidade ( leverage) e podem assim ultrapassar todos os outros e investir vantajosamente. (deve ser a isto que os padres da economia, os monges da gestão  e os abades do coaching se referem como sendo ” capacidade competitiva…”).

Já os restantes (os outros) que dependem de rendimento que adquiriram (pouparam) para posteriormente o investirem estão e são bloqueados.

A capacidade de quem vive apenas do seu ordenado para adquirir bens que pressuponham rendas – arrendar casa, comprar terra arável, desenvolver projetos agrícolas ou industriais por iniciativa própria tornam-se bloqueios insuperáveis para os ganhadores de ordenado.

Os que vivem de ordenado ou poupanças descobrem estar a concorrer com “os uns” que vivem de terem vantagens totais por conseguirem trabalhar em plena capacidade…

Queremos mesmo viver numa sociedade onde se fala em “mercado e liberdade”, mas onde existem regras ocultas destinadas a favorecer sempre “insiders”; o contrário de liberdade económica?

Big oil, big steel, big agriculture avoid the open marketplace. Big corporations fix prices among themselves and thus drive out of business the small entrepreneur. Also, in their conglomerate form, the huge corporations have begun to challenge the very legitimacy of the state.

gore vidal

 

Os insiders, os lacaios , os associados, as elites tem os mecanismos que lhes permitem aceder a credito, isto é, a dinheiro em quantidades enormes, e esse dinheiro é móvel e incontrolável.

Foram “libertados”  – para usar o jargão neoliberal  – de terem que competir no mercado tal como todos os outros e usam essa adquirida liberdade para prejudicar todo o restante da sociedade.

Vivem colocados numa confortável posição de gestores de monopolios rentistas com rendimentos altos garantidos e poder económico e social indisputado e ilegítimo.

Monopólios rentistas esses cujo rendimento deles obtido não é derivado de qualquer atividade produtiva, mas sim pela arrendamento desses bens a terceiros.

Os terceiros são a população.

2014-12-12 - 4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 1

Quais são as consequências praticas disto?

A economia e a sociedade portuguesas estão a ser “desenvolvidas com o objetivo de controlar a população” e não com o objetivo de desenvolver esta sociedade.

Suponhamos que as elites financeiras começam a açambarcar massivamente todos os bens de que a população necessita. Agua, casas, terrenos, produção. (Algo que tem sucedido em massa desde o ano de 2011, algo que antes sucedia a ritmos menores…)

É  nesse contexto que se inserem os recentes incentivos ao arrendamento de casa e não à posse de habitação própria. Contudo, mesmo em profunda recessão nem sequer os salários baixos conseguem criar um controlo total e permanente desta situação.

Recorre-se a outra solução. Colocar a população em estado de divida permanente. Dessa forma elimina-se a possibilidade de a população se poder autonomizar e, caso o queira, conseguir sobreviver fora da alçada deste sistema.

É a economia de controlo das pessoas, orientada para que as pessoas sirvam as grandes corporações monopolistas e os interesses privados que capturaram o Estado. Acaso alguém saia deste sistema de controlo, é crescentemente atrofiado e bloqueado pela elite de poder e pelos lacaios arregimentados.

Deixou de ser o dinheiro que conta primariamente, mas sim o controlo de bens tangíveis dos quais o acesso a bens essenciais para a vida das pessoas são controlados por corporações.

Se a vida das pessoas for assim controlada e se as pessoas estiverem carregadas de dividas reais ou simbólicas, a população fica em estado de servidão e esses servos estarão demasiado ocupados a servirem o pagamento das dividas que tem, não podendo dessa forma questionarem este arranjo social-económico e não conseguirão resistir-lhe.

O feudalismo implica servidão ao senhor feudal. Agora quer-se o novo feudalismo: a servidão aos interesses corporativos e lacaios associados.

It is easier to resist at the beginning than at the end.” Leonardo Da Vinci

It is easier to resist at the beginning than at the end.”- Leonardo Da Vinci

A única forma de resistência das pessoas nas ordens baixas da sociedade ou de todos os que, não estando nessas ordens baixas abominem, sintam nojo e desprezo pela tirania que emana da elite de poder e dos lacaios arregimentados será através de auto-esforço, previsão, disciplina e planeamento no sentido de se defenderem e aos seus bens deste ataque insidioso feito pelas elites de poder.

O problema está, contudo, no facto de estas características estarem pouco espalhadas pela generalidade da população. Esta tem-se esquecido de quem é, e estas características tem sido algo que tem sido erodido e desgastado na economia de mercado apenas vocacionada para o consumo que glorifica e promove a gratificação instantânea. O curto prazo.

O ” Ser” e a noção de Ser são reduzidas a um ato de consumo. O cidadão é transformado em consumidor,(perdendo direitos nessa alquimia falsa), e depois, como consumidor, é alvo de uma lavagem ao cérebro. É assim colocado numa posição em que nem tem dinheiro, nem os recursos/ferramentas culturais necessárias para adquirir capital tangível e conhecimento/capital social.

A aplicação destas técnicas visando a promoção da glorificação instantânea assegura que o consumidor das ordens baixas da sociedade, (e das medias altas também)  nunca terá hipótese ou os meios de escapar a este ” esquema neofeudal – neoliberal.

Dai ser fundamental para a promoção desta tirania, a existência de uma sociedade onde existe divida baseada no  consumo orientado para a gratificação rápida.

O mecanismo psicológico da sociedade neo feudal – neoliberal pede a validação – só serás cool” (só serás reconhecido como alguém na nova ordem neo feudal – neoliberal) se consumires e te endividares para consumir.

 There is massive propaganda for everyone to consume. Consumption is good for profits and consumption is good for the political establishment. Noam Chomsky


There is massive propaganda for everyone to consume. Consumption is good for profits and consumption is good for the political establishment.
Noam Chomsky

Isto dura até ao próximo ciclo de novos produtos onde o jogo volta de novo a continuar.

É isto que explica por exemplo que estando este país e grande parte da sua população em profunda crise, se continue – nos estabelecimentos legalmente autorizados – a oferecer credito ou formas de credito  a consumidores que já esgotaram o anterior ciclo de produto e não tem sequer capacidade para entrar num novo.

Quando a população/consumidor é incapaz de consumir porque o seu credito dentro deste sistema faleceu, são ” desvalidados ” da sua aptidão para viverem nesta ordem neo feudal – neoliberal.

Os “desvalidados” que ainda tem dinheiro entram no ciclo de produto – psiquiatras-psicólogos-terapeutas – em si mesmo uma forma de consumo, um novo ciclo de produto psicológico, um novo mercado que explica o que se deve fazer para voltar ao sistema de validação do neo feudalismo – neoliberal  e ser reintegrado no novo ciclo de produto.

Alguns dos que não tem, ou encaixam pessoalmente o desaire e pensam em sair deste ciclo, (muito poucas pessoas) ou tornam-se criaturas mais politizadas e protestam ou resignam-se sabotando pela inação.

Outros que não tem, emigram para procurarem novas formas de validação do consumo noutro local para evitarem a fome e a miséria, mas também o desgaste psicológico e a vergonha familiar/de vizinhança que a recente situação de ” desvalidados” lhes trouxe.

Outros dedicam-se ao crime ou a atividades para ilegais.

Como sociedade, queremos mesmo ser escravos dos desvios psicopatas das elites de poder?

Como sociedade, queremos mesmo viver debaixo de um dualismo ilegitimo e anti democrático simbolizado pelo neo feudalismo – neo liberalismo?

A Irmandade de Némesis diz que não.

A Legitimidade e os cortesãos que a danificam em nome dos interesses da elite de poder

” No king can be without worthy courtiers with whom he may be at his ease and behave without restraint. ” -The Nizámu’l Mulk

2014-12-12 - 4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 1Numa sociedade existem 4 formas de legitimidade.

Um Deus fornece a legitimidade, um Rei fornece a legitimidade, um Grupo de interesses organiza-se e fornece a legitimidade, ou os Indivíduos fornecem a legitimidade.

3 formas de legitimidade são anti democráticas. Deus, Rei, ou grupos organizados de interesses legitimam-se por oposição à democracia, como sistema de escolha que os cidadãos podem ter.

Nestas 3 formas de legitimidade antidemocrática, os cidadãos são considerados como súbditos e estão colocados numa posição de dependência e subserviência em relação à legitimidade de quem está provisoriamente a comandar os destinos da sociedade.

A 4ª forma de legitimidade é a única que é democrática. O indivíduo junta-se a outros indivíduos e organizam-se, para exercer os seus direitos de cidadania, através da delegação do seu poder enquanto cidadãos aos órgãos representativos de governo, eleitos, e aos quais é conferida legitimidade democrática.

Um dos órgãos representativos dos cidadãos é o governo entendido na sua forma abstrata. Só o governo pode defender o interesse público, existe como um mecanismo democrático que defende o interesse publico.

Se os cidadãos abdicarem da defesa do interesse público, invariavelmente serão submetidos a outras forças mais poderosas. Torna-se óbvio que essas forças mais poderosas apenas se defenderão a si próprias e que apenas defenderão os seus próprios interesses.

O indivíduo vive em sociedade somente numa democracia, o único sitio onde é considerado um cidadão. Quando um Deus, ou um Rei ou um Grupo de indivíduos organizados para defender interesses, geralmente empresariais, conseguem obter proeminência na sociedade, lentamente, com o passar dos anos, os cidadãos vem ser diminuídos os seus direitos políticos e cívicos.

Em Portugal, estamos na fase em que os direitos políticos e civis dos cidadãos estão a ser diminuídos rapidamente.

2014-12-12 -4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 2As forças negras que estão por detrás das “ideias de Deus” a comandar a maneira como a sociedade se deve comportar, das ideias de “um Rei” como fonte de legitimidade na sociedade, como símbolo”, juntaram-se aos “defensores das ideias de grupos organizados para defender os interesses das empresas”, para ganharem músculo, escala, peso institucional, criarem a imagem simbólica de serem a maioria, e assim conseguirem atemorizar e  manipular almas, consciências, e maximizar fluxos financeiros e de poder. Quem atemoriza, manipula e obtém benefícios financeiros ilegítimos tem falta de legitimidade democrática, e sobra-lhe legitimidade não democrática.

Corremos enormes perigos, pessoais, políticos e profissionais, se deixarmos esta aliança do Mal ganhar um “pé sólido” na sociedade, e mudar de forma definitiva a matriz do pais. Portugal tornar-se-a um sitio infecto e iníquo (mais ainda) se algum dia isto acontecer.

Este novo “movimento híbrido” de forças do mal que se escondem atrás das 3 falsas legitimidades, praticam o duplo discurso como forma de confundir e chegar à população.

 Doublespeak is language that deliberately disguises, distorts, or reverses the meaning of words. Doublespeak may take the form of euphemisms (e.g., “downsizing” for layoffs, “servicing the target” for bombing[1]), in which case it is primarily meant to make the truth sound more palatable. It may also refer to intentional ambiguity in language or to actual inversions of meaning (for example, naming a state of war “peace”). In such cases, doublespeak disguises the nature of the truth. Doublespeak is most closely associated with political language.[2][3]

Clamam por ordem, segurança, justiça, desenvolvimento, crescimento económico ao mesmo tempo que se apresentam como sendo um “projeto novo”, um modelo social alternativo, uma ” evolução do pensamento conservador da tribo da direita portuguesa. Na realidade são “tecno fascistas” modernaços que promovem um discurso “libertário” paralelamente assente no discurso da liberalização dos costumes, para assim “entrarem” no eleitorado tradicional da tribo da esquerda política.

Mas, o “novo poder”, isto é, o verdadeiro novo produto comercial – político que está a ser vendido é o da aceitação, por parte da população, da suposta legitimidade total dos grupos de interesses organizados, isto é, dos interesses das empresas privadas e associados acoplados, como sendo isso o ” futuro” e o total êxito a que devemos aspirar.

Como as empresas privadas apenas estão vocacionadas para a defesa dos seus próprios interesses e dos seus acionistas/donos, daqui resulta que qualquer defesa do bem comum, da sociedade como um todo é inexistente.

Que não haja ilusões sobre isto.

Os resultados de, enquanto cidadãos, termos aceite, por distração, comodismo ou empenho esta “venda simulada” de felicidade a granel proposta pelas forças do mal tecnocrático e autocrático é uma das explicações para os problemas que enfrentamos e para a ocupação das nossas vidas privadas e publicas pelos interesses das empresas.

Quem combate o Mal existente nos grupos de interesses organizados e que julgam e afirmam ser a legitimidade na sociedade?

A resposta é: politicamente, na política partidária, ninguém. Na suposta confrontação ideológica entre tribos, ninguém.

A tribo da direita política está na cama com estes interesses.

A tribo da esquerda política, que já desistiu há muito tempo de consistir e constituir qualquer alternativa política séria, aceita misturar-se com esta tropa híbrida tecno fascizante e profundamente reacionária cujo verniz estala quando devidamente confrontada com as políticas que defende.

Competiria à tribo da esquerda política a denuncia desta forma abjeta de organização ilegítima da sociedade mas prefere contemporizar. Uns vão para a cama com estes interesses, outros contemporizam.

Quem fica e recusa apoiar esta ilegitimidade social e política?

 In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers. john ralston saul: "Mainstream"


In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers.
John ralston saul: “Mainstream”

Se uns ajudam, institucionalmente e estruturalmente outros contemporizam. Os que ajudam são  recompensados com poder, influencia, dinheiro e espalham a corrupção ética na sociedade. Os que contemporizam com estes venenos ideológicos são, ou ineptos ou tentam ser corruptos como os que ajudam.

E o ” novo discurso” que emerge é o discurso do cortesão, umas vezes orientado para as prosas que são oriundas da tribo da esquerda política, outras vezes orientado para as prosas oriundas da tribo da direita política.

Estamos a ser, enquanto cidadãos, enganados pelas tribos.

O ” bacon” desta corrupção ética e de discurso/pratica é que a defesa dos interesses de grupos organizados – as empresas – é agora comum aos dois (supostos lados) lados da contenda política e tem a mesma falta de legitimidade que os interesses que defendem um deus e um rei como legitimidade constitutiva da sociedade tinham.

E nada mais isto é que a operacionalização do discurso do  courtier_/cortesão. E é neste charco de lama que encontramos os cortesãos a funcionarem.

Como se comporta o cortesão?

Grande parte dos cortesãos agita-se na comunicação social. Cheios de ressentimento, amargura, cinismo e hipocrisia debitam inúmeras palavras que visem levá-los a comer as migalhas que saem da mesas onde almoçam, jantam e defecam os que tem o verdadeiro poder. Grande parte destas criaturas estará sempre na orbita do poder, mas estará sempre aparte – os lugares à mesa para a nossa nojenta elite de poder já estão pré definidos e são apenas para associados, familiares e criaturas subservientes especialmente escolhidas que em geral andem por ali.

Como os recursos a disponibilizar são escassos, os nossos courtiers barafustam exigindo um prato à mesa, lançando as culpas para o resto da sociedade.

2014-12-12 - EDITAL ANTI CORTESAO

Isto não corresponde aos manuais sobre como ser um courtier.  A elite política portuguesa nem sequer consegue ser “competente” a formar estas ” profissões” de lacaios que atacam a legitimidade da democracia. The Nizámu’l Mulk, explica…

 ” … The courtier should be essentially honourable and of excellent character, of cheerful disposition and irreproachable in respect of his religion, discreet and a clean liver. He should be able to tell a story and repeat a narrative either humorous or grave, and he should remember news. He should also be consistently a carrier of pleasant tidings and the announcer of felicitous happenings. He should also have acquaintance of backgammon and chess, and if he can play a musical instrument and can handle a weapon, it is all the better.

The courtier also must ever be in agreement with the king. Whatever he hears the king say, he must cry “Bravo!” or “Excellent!” and let him never play the pedagogue, saying “Do this,” or “Don’t do that,” or “Why did you do that?” or “This is a thing one should not do.” Such conduct will prove disagreeable to the king and may lead to dislike. However, when questions arise of wine or amusements, or of excursions out of doors, or of convivial gatherings, or of hunting or polo-playing and the like, it is permissible for courtiers to deal with them, for they are practised in these matters. …”

Como se percebe, o “cortesão é uma figura “histórica”. Nasceu nas sociedades de tipo monárquico ou feudal. (as tais que não tinham legitimidade democrática)
O cortesão frequentava as cortes ou os locais de reunião de figuras que eram consideradas poderosas ou que eram mesmo poderosas e  estes esperavam que o cortesão passasse imenso tempo em redor deles, apaparicando-os.

O pagamento que o cortesão obtinha era o “acesso a informação” e a prestígio, existia “ascendência no mérito”; baseada em quem era melhor cortesão; melhor apaparicador.

O cortesão representava ou deveria representar uma hierarquização social própria de sociedades antigas e obsoletas no seu processo político, sociedades baseadas na legitimidade não democrática e num sistema de sociedade primitivo e primário.

Como os cortesãos são relíquias de sociedades assentes na religião e na monarquia, formas obsoletas e autocráticas de governo, se estivermos numa sociedade moderna o mais natural é que as relíquias desapareçam.

Mas como as forças negras do totalitarismo já não conseguem vender monarquia e religião com a mesma capacidade comercial do antigamente, criaram os grupos organizados para defesa dos interesses desses grupos, as empresas, e como este “sistema é também autocrático, logo, faz ressurgir os cortesãos como figuras a existirem nesta sociedade.

As versões antigas originais dos courtiers são o equivalente moderno ao atual ambiente fétido, corrupto e putrefacto que circula ao redor, por cima, e por dentro da sociedade portuguesa e aos respetivos cortesãos recauchutados .

Os jornalistas, os políticos, os assessores,  da maioria dos professores universitários, dos meios de comunicação social e as relações de sexo oral de todos eles com o poder económico. Os leitores do Enclave perdoam por ter esquecido mais categorias profissionais. 5000 mil caracteres seriam poucos.

O Enclave é anti cortesãos.

O Enclave está com os cidadãos que recusem a subserviência.