Do desastre da contemplação e das eleições autárquicas

Quando as estruturas de poder duma sociedade decidem implementar mecanismos de controlo sobre a população uma das estratégias usadas consiste em apelidar essa nova forma de controlo de ” moderna ou de modernidade”.

Esta estratégia quer envergonhar, atrofiar e amesquinhar psicologicamente os cidadãos tentando criar-lhes complexos de inferioridade  caso recusem aceitar ou simpatizar com estas novas formas de controlo que surgem com roupas novas chamadas ” modernidade” ou “modernas”.

Uma destas estratégias de “modernidade” é a criação da contemplação como realidade.

Existe um trabalho de décadas visando acelerar o ritmo das pessoas quer na sua vida pessoal, quer nos seus locais de trabalho. Tudo deve ser acelerado, as pessoas tem que se mover depressa, quase ao ritmo ou mesmo para lá do ritmo das máquinas com as quais trabalham.

O objectivo é forçar o esgotamento das pessoas, transformá-las em pequenos depósitos de stress. O resultado é o esmagamento de qualquer tipo de análise pessoal, introspecção, espiritualidade, interesse pela cidadania, proximidade com qualquer ideia de ética pessoal; tudo é feito para gerar o total desinteresse,  gerar o alheamento de tudo que não seja o pequeno ambiente familiar, pessoal ou do sitio onde se vive.

A dimensão social e humana dos cidadãos é reduzida à contemplação. E a micro espasmos episódicos, paroquiais, ao nível do bairro que por vezes irrompem e se manifestam de quando em vez em micro sublevações – regra geral sempre direccionadas contra os outros cidadãos que navegam no mesmo barco pequeno e micro; nunca contra os verdadeiros poderes estabelecidos.

Este ritmo acelerado faz as pessoas agir  e reagir. E pouco pensar. Conduz a uma intensa aversão à introspecção pessoal. “Reflectir  sozinho” e em silencio é, na nossa sociedade, considerado quase como um crime horrendo.  Algo de estranho e a evitar. Criam-se todas as condições para quase obrigar as pessoas a andarem em grupos de outras pessoas apenas para não estarem sozinhos, não vá dar-se o caso  de incorrem no enorme pecado que é a introspecção pessoal, a solidão e o silencio para acalmar a mente e melhor olhar para a realidade que os rodeia. E assim sair da contemplação como realidade.

A contemplação como realidade é apresentada como sendo moderna ou a modernidade. Segundo esta lógica perversa, são “arcaicos e anti progresso” os que a recusam.

Caspar David Friedrich - Wanderer above the sea of fog

“Each of us assumes everyone else knows what HE is doing. They all assume we know what WE are doing. We don’t…Nothing is going on and nobody knows what it is. Nobody is concealing anything except the fact that he does not understand anything anymore and wishes he could go home.” – Philip K. Dick

Um efeito imediato sobre a população é que uma nova realidade passa a existir. Chama-se contemplação mas é derivada da inexistência de introspecção. O que antes poderia existir e era introspecção, praticada pela generalidade das pessoas, passou a ser  contemplação. Do “pensar a nível interior” para a contemplação (o olhar contemplativo)  de paisagens geridas e criadas pelas elites, paisagens essas que são todas artificiais, falsas e prejudiciais à população se ficar a olhar fixamente para elas.

As palavras são diferentes, os significados que ambas tem são totalmente diferentes;  mas a introspecção passou a ser contemplação e a ideia verdadeira  do que era contemplação foi enterrada num local desértico e escuro para tentar fazer-se ser esquecida para todo o sempre e agora todos contemplam a realidade, mas não agem sobre ela.

A Irmandade de Némesis não esquece.

Esta nova “modernidade” origina a auto desresponsabilização e cria bodes expiatórios. Como se está a contemplar (de forma moderna…), tudo o que de mal acontece é projectado em terceiros, reais ou imaginários,  que são responsabilizados (mesmo que estejam a anos luz de distancia), e nada tenham efectivamente a ver com o assunto ou tendo a ver, estivessem originariamente impedidos de fazer mais do que o que fizeram.

“A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares.”

Ambrose Pierce

Eleitoralmente tivemos oportunidade de observar isso recentemente. No dia 1 de Outubro de 2017 a população portuguesa, em grande parte corrompida pelo contacto que tem com as elites e por culpa própria também, na sua grande parte destituída de ética pessoal, princípios, pouco civismo e  nenhuma convicção acerca do que é a verdadeira cidadania decidiu atribuir um cartão de monopólio com os dizeres “Sairá da cadeia sem cumprir pena” à generalidade dos eleitos das recentes eleições autárquicas.

Assumindo plenamente o papel de “contempladores profissionais”  (porque é moderno) em vez de agir (porque é arcaico) os portugueses decidiram votar na generalidade dos casos de acordo com as propostas de mediocridade na continuidade salpicadas pela corrupção ética dos candidatos e salteadas com a estupidez muito própria de quem julga que está a perceber imenso do que se passa e que está a proceder de acordo com  a aquisição de “vantagens especiais” para si , para a sua família e para os seus.

A nível autárquico a cobardia cívica, o desligamento da situação em prol de vantagens especificas pessoais, também conhecidas como “migalhas” que são oferecidas, foi a norma, o suborno barato.

O sistema político social e económico é um jogo corrompido, onde os vencedores já estão definidos antes do jogo começar.

2017-10-07 queremos mentiras novas

O  comentariado político, que recebeu instruções e recebe instruções para debitar mensagens gastas também vive na contemplação como realidade e promove essa mesma contemplação.

Em laboratórios especialmente credenciados para tal dezenas de teorias saem das linhas de montagem e explicam quem são os vencedores, os vencidos, os que foram á casa de banho , os que saíram e entraram e demais futilidades.

Mas alguém lhes encomendou a missa?

A mentalidade do comentariado político é a da contemplação: só os seus interesses e de quem lhes paga contam e as missas que regurgitam cheiram mal.

Nenhum dos membros do comentariado tem capacidade para entender o que se passa – são eles próprios todos membros das mesmas classes sociais e profissionais, todos vivem nos mesmos condomínios fechados sítios e não contactam com a população; logo funcionam em circuito fechado onde apenas os ecos das suas próprias vozes se ouvem, nada de verdadeiramente “novo”, “original” e “verdadeiro” pode sair destes palradores militantes e pagos.

Apenas debitam propaganda e verdades feitas mencionadas em conversas uns com os outros.

2015-11-25 - rob riemen- 2012

A contemplação como realidade contamina a população para a lassidão e embrulha-a na corrupção.

Durante décadas ambos os lados do espectro político incentivaram, quer por omissão, quer por acção a corrupção ética,  o abandono da cidadania, fecharam os olhos ao esmagamento dos direitos legítimos do cidadãos.

O campo para tal é fértil.

Os portugueses desde pequenos são habituados e educados a conviverem bem com “cunhas e favores”, a simpatizarem e darem por adquirido que ter um patrono (um padrinho…) é uma condição essencial para singrar na vida e educam sempre a sua prole nessa lógica. Encontrar um emprego, fazer um jeitinho, obter um favor são considerados como sendo normais e factos da vida semelhantes a comprar uma embalagem de arroz no supermercado.

Os próprios sentem no seu intimo que tal é errado, mas desvalorizam. A auto justificação vem a seguir: “se os outros fazem eu também faço”.

Com o aumento exponencial destas atitudes entramos no caos. Para onde quer que se olhe vêem-se os pagamentos em géneros ou dinheiro em que toda a gente usa toda a gente para fazer a venda da cobrança de mais favores e respectiva classificação final.

O resultado já chegou há várias décadas e há um preço enquanto sociedade a pagar.

Esta forma peculiar de viver também faz com que o seguidismo seja a norma, e se procure estar sempre com quem aparenta estar a ganhar. Quem aparenta estar a ganhar faz com que uma parte da população se junte e vote – contemplativamente de acordo com isso. (Independentemente de qual seja o partido conjunturalmente a ganhar…)

Trata-se do “voto útil” contemplativo no vencedor. É a demissão cívica total e o risco zero enquanto cidadãos.

Mas, a maior parte dos portugueses não se considera ou percebe de facto que é um cidadão. Conhece a palavra, mas não o que ela significa.

Apenas se resignam a uma vida espiritual interior débil ou inexistente e a uma cidadania quase invisível, que é trocada pelo movimento em direcção a onde julgam ver aparecer benefícios ou dinheiro, esquemas ou empregozinhos.  (Nunca aparecem; estão reservados para as elites medíocres e corruptas.)

 

Hell is empty and all the devils are here.
The Tempest – William Shakespeare

 

Resignam-se eles.

A irmandade de Némesis não se resigna.

As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

E ficaram 27

Apesar das pressões de última hora que foram colocadas sobre os cidadãos do Reino Unido o resultado do referendo sobre a sua permanência na União Europeia foi um “não”. As elites locais mediram muito mal o grau de agastamento das populações, daqueles que há pelo menos duas décadas têm visto as suas vidas piorar de ano para ano. A segurança laboral foi-se, os salários reais fora do sector financeiro encontram-se estagnados ou em baixa, o acesso à habitação nas grandes áreas metropolitanas é quase impossível, a educação superior tornou-se um luxo incomportável para muitas famílias e o sentimento de estarem abandonados dentro da sua própria comunidade tornou-se insuportável para muitos. E tudo isto pesou no voto. Pode-se argumentar que muitas destas questões derivam de como as autoridades nacionais e locais lidaram com as situações e que não reflectem qualquer má fé por parte da União Europeia. E em parte teriam razão. Mas apenas em parte. A lógica de especialização que está subjacente à globalização e em especial à organização económica da União Europeia quando não precipitou grande parte destes problemas pelo menos acelerou-os. Não se pode dentro de uma mesma unidade nacional manter duas realidades sociais paralelas em oposição – a das elites em que tudo é reluzente, há luxo, cuidados de saúde de primeira qualidade e acesso a tudo o que se possa desejar e a da maioria que é cada vez mais esquálida, decadente e excluída. A Europa tem sido surda aos dois mundos que estava a criar em cada país e pagou um preço por isso.

"Governments, if they endure, always tend increasingly toward aristocratic forms. No government in history has been known to evade this pattern. And as the aristocracy develops, government tends more and more to act exclusively in the interests of the ruling class -- whether that class be hereditary royalty, oligarchs of financial empires, or entrenched bureaucracy" - Frank Herbert

“Governments, if they endure, always tend increasingly toward aristocratic forms. No government in history has been known to evade this pattern. And as the aristocracy develops, government tends more and more to act exclusively in the interests of the ruling class — whether that class be hereditary royalty, oligarchs of financial empires, or entrenched bureaucracy” – Frank Herbert

E agora? Agora vamos caminhar para um caminho de cada vez maior tensão entre os dois polos de poder restantes no Continente. Uma França enfraquecida por imposições de um modelo económico que é estranho ao seu tecido social contra uma Alemanha hegemónica que quer secundarizar toda a Europa Ocidental e centrar-se nos seus protectorados orientais. Não há competição. Estamos perante o dilema para o qual a Irmandade de Némesis tem vindo a avisar há já algum tempo: ou teremos uma GrossDeutschland de realpolitik e esmagamento de toda a periferia Europeia ou iremos assistir ao colapso do todo o projecto Europeu à medida que mais membros saírem de livre vontade ou forçados pelas circunstâncias.

"I am not a man who believes that we Germans bled and conquered thirty years ago...in order to be pushed to one side when great international decisions call to be made. If that were to happen, the place of Germany as a world power would be gone for ever, and I am not prepared to let that happen. It is my duty and privilege to employ to this end without hesitation the most appropriate and, if need be, the sharper methods. " - Kaiser Guilherme II

“I am not a man who believes that we Germans bled and conquered thirty years ago…in order to be pushed to one side when great international decisions call to be made. If that were to happen, the place of Germany as a world power would be gone for ever, and I am not prepared to let that happen. It is my duty and privilege to employ to this end without hesitation the most appropriate and, if need be, the sharper methods. ” – Kaiser Guilherme II

É preciso ter noção que o jogo de poder a nível continental mudou a vários níveis. Em primeiro lugar irão cada vez mais aparecer disputas regionais que usarão a desculpa da pertença à UE como arma nas suas lutas independentistas (veja-se a Escócia, Catalunha, País Basco…) – isto vai ameaçar directamente a integridade territorial de muitos estados Europeus (e parte da culpa está também numa Europa “das regiões” que sempre incentivou a regionalização e maior poder local). Em segundo lugar, sendo a Alemanha o poder que rege todo o projecto é inevitável uma deriva oriental – para o que a Alemanha sempre considerou a sua área natural de influência e privilégio, deixando o Ocidente abandonado na posição de pedinte na corte Imperial Prussiana. E em terceiro lugar é preciso notar que foi aberto um precedente. Mais países irão, mais tarde ou mais cedo, ameaçar seguir o exemplo Britânico na expectativa de secessão ou simplesmente para conseguir acordos muito mais vantajosos – A Grécia irá usar o fantasma da desagregação para tentar sacudir o colonialismo financeiro, a Espanha será tentada a fazer ameaças nesse sentido se a União não der mostras claras de não reconhecer possíveis repúblicas independentistas, França e Itália irão tentar usar isto para relocalizar o poder mais a Ocidente e reduzir o peso das suas colossais dívidas. Quanto mais ameaças de saída existirem (quer se concretizem ou não) mais frágil todo o edifício se torna.

"As pessoas sabem o que querem porque sabem o que os outros querem" - Theodor Adorno

“As pessoas sabem o que querem porque sabem o que os outros querem” – Theodor Adorno

E Portugal como fica? Fica na mesma. Convém notar que Portugal é uma nação muito especial no sentido das suas elites não se reconhecerem nela, nem aliarem os seus interesses a um projecto comum. Assim vivemos num mundo de senhores mais ou menos feudais que só querem mesmo manter a sua coutada sem serem incomodados – politicamente isto traduz-se numa ausência total de desígnio nacional. O único projecto que existe é a Europa. Se esta começar a vacilar vai existir pânico e medo entre as lideranças políticas, económicas e sociais. Se a isso somarmos uma possível intransigência crescente por parte da Alemanha isto pode dar origem a um fenómeno de grande dissonância entre elites e subjugados, com as primeiras a defenderem o declínio nacional como preço de pertença à comunidade e os segundos a defenderem tudo menos isso à medida que se afogam num mar de dificuldades cada vez maior.

Némesis

Para quem vir o mesmo que nós, fica o convite da Irmandade de Némesis a não ficar quieto: não se resigne a ser um fantoche nas mãos de outros.

Panamá Leaks ou apenas uma operação de manipulação de percepções

Desde 2008, quando a bolha especulativa da economia mundial foi rebentada, a oligarquia mundial que manipula estes assuntos especialmente a facção económica/política que controla os Estados Unidos e as respectivas instituições que estes influenciam; decidiu que seria necessário trazer de novo para a economia mundial uma parte das vastas somas de dinheiro que habitam nos offshores mundiais.(entre 21 e 32 triliões de dólares, segundo dados do Banco mundial, bancos centrais, Fmi e Onu)

Sobre o propositadamente nebuloso mundo dos offshores, paraísos fiscais e similares foi aplicado este novo paradigma. Como consequência, desencadeou-se a questão cipriota em 2013 promovendo-se artificialmente uma crise de liquidez … (a Europa “Merkelizada” foi usada como proxy para o fazer…) sobre os bancos cipriotas/Estado cipriota. Com esta manobra pensava-se poder atingir duramente, na área geopolítica e financeira, os interesses da Rússia (Brics), e punha-se em marcha a reengenharia mundial que visava também criar oportunidades de mercado para os novos players oligárquicos e elevar da sua quota neste mercado emergente de remodelação geográfica de quais os offshores “aceitáveis”.

E assim adicionais vantagens comerciais seriam criadas para a oligarquia mundial. Os offshores que “não interessavam” existir como concorrentes começavam a sentir o bafo nas costas quando são marcados para abater. Chipre foi o tiro de partida e o benchmark.

Entre 40 a 60% dos offshores mundiais são alvo de controlo directo ou indirecto pelos esquemas financeiros/legais cujos mestres titereiros são os EUA/Reino Unido,(as facções nestes dois países…) mais as adjacências coloniais designadas de “União europeia” e a sua pretensa independência estratégica e financeira em relação aos mestres titereiros.

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se a criação propositada da falta de liquidez na zona cipriota e consequente avolumar do contágio financeiro à toda a zona euro vem criar problemas a populações de uma área económica como a Europa?

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se estas novas startup´s de offshores, geograficamente recolocadas constituem novas oportunidades de mercado para as oligarquias mundiais e respectivas elites locais que os servem?

Neste paradigma de guerra económica a eliminação de um concorrente comercial (Chipre) que servia de porto de abrigo europeu relativamente neutral no que a abrigo financeiro diz respeito para uma parcela pequena de oligarcas e cidadãos abastados da Rússia mais algumas empresas (quase todos os oligarcas russos são pró atlantistas e pró Estados Unidos/Europa, note-se…) conjuntamente com o embaraço público sofrido pela Rússia, a relativa desestabilização interna que se esperava que daí adviesse; (reacção dos oligarcas e população russa contra Putin, que não se verificou…) tudo isto constituía um prémio geopolítico e comercial que merecia (segundo as opiniões das facções oligárquicas norte americanas) que se movesse as correctas peças do tabuleiro de xadrez para alcançar este resultado.

Fazer “regressar” ao circuito económico mundial dinheiro com donos específicos parqueado em ofsshores, atingir com uma facada comercial um offshore que começava crescentemente a captar dinheiro e investimentos, que assim não iriam parar às Mossacks-Fonsecas do outro lado do espectro político dos offshores, e pretender atingir e condicionar a capacidade de mover capital por parte de Russos oligarcas endinheirados (levando-os a exigir responsabilidades a Putin para que este cometesse um erro, desse um salto em frente, e aumentasse o nível do conflito…) para paraísos fiscais geograficamente perto do território russo foram metas estabelecidas.

Quando o concorrente não pode ser comprado comercialmente ou não se deixa comprar comercialmente, é necessário atacar a sua credibilidade comercial aos olhos dos potenciais clientes e neutralizá-lo tornando-o quase ou totalmente ineficaz para o percebido adversário.

Chipre tornou-se ineficaz, do ponto de vista comercial, para o percebido adversário. Politicamente a história já é outra…

O bónus adicional; a desestabilização ainda maior da já auto desestabilizada União europeia, surge como consequência destas manobras. Também ajudou ter sido potenciadas pela inépcia completa ( ou propositada?) dos pseudo lideres europeus em duas vertentes.

(1) Permitiu-se deixar a senhora Merkel e o resto dos bonzos políticos alemães divisarem uma estratégia para a Europa o que é e foi um erro de dimensão trágica.

(2) Permitir-se discutir este assunto estratégico enfeudado à grande estratégia de tabuleiro de xadrez dos EUA.

O que equivaleu a alinhar nos equívocos agressivos e perigosos da facção neo conservadora e na sua permanente tentativa de imposição de Pax americana” sobre o resto do planeta e gerou a demissão institucionalizada da Europa em assuntos que lhe diziam respeito ( o acompanhar da louca política de sanções à Rússia ricocheteou completamente e voltou para atingir todos os países europeus…).

Outro micro jogo está ser jogado neste tabuleiro: fazer recordar, aos europeus porque é que estes precisam dos EUA e porque é que acham que devem precisar.

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se todas estas manobras apenas colocam em evidencia a lógica das grandes potencias e quando as coisas apertam os mais pequenos são deixados ao seu destino e devemos deixar assim estar?

Que importa, perguntarão os mais cínicos, se estes jogos da facção norte americana estão a colocar toda a humanidade olhando para o abismo, esperando não se tornar nele?

Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar; ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e poder. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.

Tácito, Agrícola.

2016-04-08 comunicacao social portuguesa.pdf - Foxit Reader

A comunicação social, a portuguesa incluída, iniciou o transe hipnótico chamado offshores – Panamá papers -Mossack Fonseca”.

Os mestres titereiros internacionais passaram as instruções e os lacaios locais estão a cumpri-las. Ninguém sabe verdadeiramente quem dá as ordens, mas elas cumprem-se.

Informação crucial é omitida, nomes nos ficheiros são omitidos, a filtragem desta informação supostamente vazada da Mossack Fonseca segue em linha com os interesses das agendas governamentais e do establishment anglo saxónico e respectivos interesses e lacaios.

O consorcio internacional de jornalistas independentes é organizado e financiado pelo Center for public integrity e pelo Usaid, ditas Ong´s independentes cujo dinheiro vem do orçamento de estado norte americano e das fundações e trustees pertencentes aos oligarcas americanos e europeus que financiam este grupo de interesses.

O centro não consegue aguentar, e porque deveria fazê-lo dadas a condições que existem?

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

William Butler Yeats’ 1919 poem, The Second Coming *

Vivemos no tempo da Republica sem consciência, uma embalagem vazia destituída de significado real, esvaziada das suas componentes democráticas, uma república empacotada em linhas de montagem totalitárias que defende apenas os interesses dos oligarcas, que fecha os olhos às movimentações da extrema direita escondida em partidos políticos aparentemente “legítimos”, saturada de grupos de interesse em serviço próprio ou dos amigos ou ambos.(Turning and turning in the widening gyre…)

Deveremos ficar satisfeitos com este estado de coisas?

Esta Republica que nunca o conseguiu ser plenamente, foi impregnada de falhas na ética republicana. Cambaleante, avança subvertida pelos quintas colunas que a empestam. Como o centro não aguenta, é ineficaz na difusão dos valores democráticos que a deveriam orientar e chegou ao ponto em que apenas está residualmente condenada a fazer passar essa imagem de decadência corrupta para a sua população e para os outros países.(Things fall apart; the centre cannot hold;)

Deveremos ficar satisfeitos com a decadência corrupta que nos querem oferecer/impor?

Temos uma Republica que mostra uma imagem resplandecente, mas falsa, onde vários espelhos partidos existem e para quem eles olha de forma certa observa-a a (dis) funcionar com passos certos e definidos.

YEATS - the falcon cannot hear the falconer

É necessário perceber que:

Esta é uma república de oligarcas. Os oligarcas portugueses são permitidos e acarinhados. (The democratic falcon cannot hear the democratic falconer) Totalmente detestáveis e absolutamente contrários a democracia, ou para esse efeito a qualquer outro sistema político democrático ou não democrático que os controle ou lhes exija auto controlo e decência.(The autocratic falcon cannot hear the autocratic falconer)

Escondidos nas sombras impõem o seu modelo autocrático de funcionamento escondido sobre uma capa de verniz democrático e de suposta aceitação das leis gerais da terra. Vocacionados exclusivamente para os únicos valores que para eles contam; dinheiro e poder. Os valores que não tem pátria.

Para os oligarcas portugueses, ter um ethos baseado em dinheiro e poder é a pátria, adicionalmente vestida com uma capa de verniz democrático como imagem para o exterior.

Devemos ficar conformados com a existência de forças hostis no nosso seio enquanto sociedade, que nos subvertem sempre que podem? (The ceremony of innocence is drowned;)

Deve acrescentar-se que a população pactua com este estado de coisas, entorpecida pela opressão psicológica e social que sobre ela é cometida todos os dias, e completamente confundida pelos aparelhos de desinformação (a comunicação social, as agencias de comunicação, os partidos políticos, os oligarcas que detém os sectores económicos que interessam…) aceita o mau como sendo bom e o bom como sendo mau, já genericamente incapaz de distinguir entre uma coisa e outra. (Mere anarchy is loosed upon the world,)

Há culpas/responsabilidades da população neste assunto, recusar desculpabilizar uma população que aceita ser despolitizada e consequentemente ser prejudicada, mas que também aceita trocas éticas que a desfavorecem e faz amiúde pactos faustianos para obter migalhas que já vem embaladas das fábricas oligárquicas em papel corrupção, é um erro de análise.

Apesar das perspectivas serem negras como o negro mais negro em fundo negro o achincalhamento da população, apesar de tudo, traz sempre reacções.

A lassidão social, o abandalhamento pessoal, a destituição de quaisquer convicções cívicas ou de cidadania, a procura desenfreada de um sistema de padrinhos que arranjem uma colocação para os próprios, ou para os familiares, as crenças na ascensão social pelo (falso) mérito escolar mesmo fechando os olhos à corrupção que existe no pais, extremamente fomentada pela tribo da direita política de forma activa e deixada desenrolar-se e espalhar-se pelas omissões constantes e o fechar de olhos da tribo da esquerda política, o sentimento de desagregação social, económica e social (tradução: a expressão coesão social “tão em voga e tão alvo de pessoas a deitarem lágrimas de crocodilo por ela…) começam a gerar ligeiros suores frios nos oligarcas e nas elites de corruptos a eles associadas, simplesmente porque o bolo está a diminuir e as pessoas começam a estar preparadas para funcionarem em lassidão robótica permanente. (Things fall apart; the (corrupt) centre cannot hold;)

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

É necessário perceber que:

A sistemática, enjoativa e repetitiva promoção de elites técnicas, políticas e sociais (quase todas elas semi medíocres, no contexto internacional) é feita em paralelo com promoção do achincalhamento da população.

Estas elites técnicas, políticas e sociais, acham-se intituladas a mais do que precisam e a muito mais do que são. A oligarquia, quis e quer encontrar pontos de apoio que lhe permita fazer o trabalho sujo de subversão, e confere a esta manada de a-cidadãos um estatuto de importância baseado na mais pura artificialidade ou nos graus de parentesco, podendo também a pratica de actos sexuais “a pedido por serviço prestado em função de futuro lugar a colocar” ou mesmo corrupção pura e dura serem usadas.  E como tal promove a arregimentação destes novos candidatos a pontos de referencia para servirem de farol para os restantes. Nas elites técnicas a manada que se vendeu conduz os desejos da manada que está a espera de ser comprada.(The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere)

Quando estes cartazes humanos de legitimidade técnica, política e social (tradução: a “tecnocracia supostamente esclarecida”), são colocados no terreno; estas pessoas da cor oligárquica/partidária que desejam um posicionamento confortável junto dos ninhos de poder dos oligarcas dá-se o salto seguinte.

Memorandos culturais são decretados usando a comunicação social para o fazer, explicando à população ignara que estes novos senhores e senhoras é que são os guias orientadores dos destinos do país e da população, e que as ordens parecidas com fascismo amigável incompetente desta camarilha devem ser cumpridas e adoradas.

A criação de conformidade cultural e apetência para estas ideias tem o bónus de atrair as elites que não estão ainda na mesma órbita. O apelo é simples, é velho e é conhecido: ”juntem-se a nós” e terão poder e dinheiro sexo e status (tradução: corrompam-se, façam um acordo faustiano e esmaguem os vossos compatriotas em posições sociais mais baixas ou desprovidos de poder). (The best lack all conviction, while the worst…)

Esta é a pulhice que conhecidos personagens da comunicação social, da política, da economia e áreas adjacentes pregam abertamente. (Are full of passionate intensity.)

yeats - the falcon and the falconer

É necessário perceber que:

Dada a imensa predisposição para se corromper (motivadas pelos mais v$riados m♥tivos por parte das elites portuguesas e da população que persiste em fechar os olhos é adquirida, regra geral, a suficiente massa critica de pessoas. Os “técnicos” necessários para “exercer funções de controlo biopolitico e económico surgem como cogumelos e aplicam poder despótico. O objectivo é destruir a alma dos cidadãos e degradá-los ainda mais.

E obter controlo. Muito controlo.

Controlo em Portugal significa criar mais quotas de poder para oligarcas e associados; em paralelo retirar poder à generalidade da população. É um jogo de soma nula que tem um perdedor especificamente definido antes do jogo começar.

Devemos ficar satisfeitos pelo facto de autocratas estarem a tentar definir em proveito próprio regras que atacam toda a sociedade?

* a colocação de uma citação de William Butler yeats recusa significar qualquer tipo de simpatia pelas ideias totalitárias perfilhadas por Yeats.

Uma conversa social

Imaginemos uma conversa social. Um qualquer cidadão desintoxicado ou despoluído dos vírus das oligarquias dispersos pelas elites de poder toma a iniciativa da conversa e decide explicar aos outros incautos cidadãos presentes que a “elite de poder “ se recusa a considerá-los como seus iguais.

Juntando o insulto à injuria, explica seguidamente que as elites olham para a população como “ inferior”, “carne para canhão”, peso morto”.

Dando mais um salto de fé e correndo o risco de incorrer nas iras dos infernos negros sociais, explica que as elites de poder e as oligarquias que as controlam apenas entendem e respeitam força e que apazigua-las não traz, nem a curto nem a longo prazo, quaisquer resultados.

As elites e as oligarquias encaram o apaziguamento como fraqueza e quem o faz como fraco, recusando compromissos e negociação.

Numa conversa social, a tendência imediata dos felizes cidadãos sociais que nela participam (e eles são tantos, os felizes…) é de estupefacção, incredulidade e rejeição.

Numa conversa social existe poeira mental e ela assenta. Quando isso acontece, os cidadãos felizes entram em discordância com o cidadão despoluído dos vírus das oligarquias disseminados pelas elites de poder; o tal que explica a realidade com lentes pragmáticas e especificas.

Com a rejeição nos olhos e o escândalo na alma discordam. A inércia mental está instalada e rejeitam sair da alegoria da caverna onde vivem, recusam pensar que existem diferenças e alternativas e recusam, num acto de vaidade intensamente estúpida, admitir que estão enganados e que a realidade não é o conto de fadas que lhes tem sido alimentado.

Neste tipo de conversa social, entra em cena um pequeno exército de taxinomias, classificações, rotulagens. Mas não é um pequeno exército qualquer.
As rotulagens tem que ser simplistas e inferiorizantes, autorizadas pelo departamento de burocracia hipócrita do cérebro de cada cidadão feliz e atribuídas a alguém que por acaso está ali – o conveniente bode expiatório.

Um arco íris surge e o alivio de consciências brevemente perturbadas pela visão da pílula vermelha em vez da pílula azul emerge no final do arco íris.

O cidadão despoluído que se prestou à explicação passa a ser classificado de acordo com a taxinomia… ” pessoa com complexos de inferioridade “ e que está inferiorizada pela sua posição social, política ou económica.

E assim os “bons espíritos” da cidadania responsável ficam sossegados e a próxima ida ao Centro comercial decorre sem sobressaltos.

A Igreja da taxinomia politicamente correcta agradece os donativos feitos pelos fiéis.

Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas no sistema político português

É sempre desagradável iniciar a escrita de um texto com uma frase óbvia: o regime político português está completamente bloqueado.

A natureza do bloqueio é vil e assume características de oligarquia e casta. Um bloqueio desenhado e construido para impedir (primeiro) a produção de democracia e (segundo) a sua efectivação com um carácter pratico, para impedir a participação social e política e na política e para impedir que se consiga alcançar o bem estar social para quem vive em Portugal.(excepto para os membros privilegiados e escolhidos da casta, respectivas familiar e associados corruptos em/ou formação na arte negra)

Os construtores do bloqueio foram as elites políticas, económicas e sociais que emergiram do alarido inconsequente do dia 25 de abril de 1974 e posteriormente dos “contra acontecimentos” do dia 25 de Novembro de 1975; que reverteram uma já antes ideia incipiente de democracia nascida em 1974 e a transformaram nesta “democracia de controlo e fantoches dos oligarcas” que dão a cara por isto.

O modelo usado para este bloqueio baseou-se na própria mediocridade dos construtores conjugada com bastantes dos vícios e defeitos totalitários que derivavam do regime anterior. O objectivo  principal do modelo visava criar a auto perpetuação futura de um sistema político opaco, vocacionado para a inexistência de respostas políticas democráticas ao que pudesse acontecer no mundo e na sociedade portuguesa.

Deram-nos mediocridade oligárquica e chamaram a isso democracia europeia de tipo ocidental. Ou qualquer outro cliché de palavras harmoniosas e que ficam bem num qualquer evento cultural, mas nada de substancial significam em concreto.

A mediocridade oligárquica é dejectada sobre a população sob a forma deste estado de coisas que foi desenhado para proveito dos oligarcas e lhes permite continuar a fazer colheitas sobre os portugueses. As oligarquias que antes existiam são as mesmas que agora estão travestidas de democratas e apoiantes da democracia.

O que temos está muito longe de ser uma democracia. Deram-lhe o nome, mas o significado é inteiramente diferente.

 "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.” Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Qual tem sido a resposta política dos portugueses a este estado de coisas?

Esta traição medíocre que assombra a vida dos cidadãos tem sido respondida de forma  difusa e alheada. Mastigados pela oligarquia e sujeitos a uma colheita de recursos (são os portugueses e as suas aspirações que tem sido alvo desta colheita ) a generalidade dos portugueses optou, conscientemente ou inconscientemente, por se distanciar do sistema partidário julgando ser apenas ele a causa dos problemas (é induzida a pensar isso pelos avençados e mensageiros existentes nos outlets de comunicação social e pelas forças sinistras que desejam mudar de regime e não perdem uma oportunidade de atacar o actual, para impor o seu regime sinistro) e progressivamente demonstra desprezo pelos serviços de descompressão do ar fétido que esta sociedade tem instalados, também conhecidos por eleições periódicas marcadas de 4 em 4 anos.

Este sistema político tem uma válvula de descompressão chamada eleições. Quando o sistema entra em crise reage emitindo baforadas de descompressão da panela de pressão em que isto está regurgitando eleições mais vezes e durante menores períodos de tempo – vide situação política actual em Outubro de 2015.

Quando os cidadãos aparentam ter saído do redil da oligarquia e dos seus interesses; manobra-se as suas percepções para que pensem que pelo facto de existirem “mais” eleições isso signifique que haja “mais democracia”, dado que tem sido assim que tem sido ensinados ao longo dos últimos 40 anos, a pensarem.

Querem dar-nos “mais” em vez de melhor. Quantidade em vez de qualidade.

A situação está nua e podre, os lençóis mediáticos cobrem a porcaria, mas o verniz está a estalar e o numero de pessoas que põe distancia entre si e  o sistema político partidário e o regime actual, o numero de pessoas que se distancia desta descompressão artificial que são as eleições de 4 em 4 anos está a aumentar.

Brevemente será maior o numero dos que se distanciam, do que dos que apoiam o sistema oligárquico partidário que temos. Quais serão os argumentos a usar nessa altura para justificar a falência desta coisa…?

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto é um libelo contra eleições.)

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto apoia o regime pré 25 de abril de 1974.)

Em termos médios históricos isso já acontece – o “mais “ em vez de melhor. Desde 1975, existiram 15 eleições, o que dá um período médio de 2 anos e 8 meses de intervalo entre eleições.
Com tanta “democracia eleitoral” enfiada à força pela garganta dos portugueses seria de esperar que vivêssemos num autentico paraíso democrático em que as pessoas se sentissem extremamente felizes e o país fosse extremamente agradável para viver.

É o contrario que se verifica, excepto para uma pequena clique de psicopatas e cleptocratas – a oligarquia e as elites de poder que a representam.

enclave - mortos que estao nas listas 2015-10-30

Neste ritual de descompressão teoricamente desenhado para durar quadriénios, mas na prática de 2.8 anos, existem vários participantes. Os cidadãos ovelha recenseados que escolheram um partido e votam nele religiosamente, os votantes brancos e nulos, os votantes abstencionistas e os votantes eleitores fantasma, isto é as que são inscritas e que jamais poderão votar (uma celebre filósofa portuguesa enunciou que estar “morto é o contrário de estar vivo”  e tal estado dualístico contraditório  impossibilita votar segundo parece…).

Excluindo os cidadãos ovelha desta equação, os restantes problemas nunca incomodaram a nossa elite de poder, a nossa classe política, toda esta geração mal pensante e mal falante.

A complicada maquina burocrática eleitoral, concebida com as ideias de há 40 anos, nunca foi agilizada , adaptada aos novos tempos, filtradora destes problemas de mortos que estão recenseados, de pessoas registadas que não votam devido a problemas burocráticos, etc.

Porque é que uma infraestrutura eleitoral caduca e obsoleta está em funcionamento, desta maneira, 40 anos depois de ter sido criada?

Esta obsolescência inserida no sistema facilita a vida das oligarquias, dos participantes em partidos políticos. A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas pode ajudar a ser mantida como intocável debaixo da capa da obsolescência do sistema político e eleitoral.

Espíritos críticos adversos poderão argumentar (e serem imediatamente apelidados de antidemocráticos pelos representantes das elites e da oligarquia) que o financiamento publico dos partidos políticos não é afectado por esta obsolescência programada e funcional, bem como, uma vez eleitos, o acesso aos benefícios dai decorrentes não ser afectado, dai esta lassidão que pactua com estes defeitos…da nossa “democracia”…

A resposta é simples.

Quando o salário e a posição social e política, quando o poder destas pessoas, quando o emprego destas pessoas e as prebendas de que dependem estão assentes em não perceberem, elas não percebem.

upton sinclair citacao

Numa nota lateralizada observemos os emigrantes portugueses e o voto. Recentemente impedidos de votar por desleixo e obsolescência programada dos serviços que emitem cartões de cidadãos e que tendo 4 anos para se prepararem falharam na altura decisiva. 

É por acaso?

Em arbitragem de futebol chama-se beneficio ao infractor, mas em Portugal isto significa que os emigrantes são tratados como peças de mercadoria estragada a despachar rapidamente.

O poder político/a oligarquia ficam extremamente gratos e bastante satisfeitos pelo facto dos emigrantes desaparecerem da porta para fora. Querem lá que eles votem…

Garrafas de champanhe abrem-se em ministérios e condomínios fechados para saudar esta decisão.Rejubila-se duplamente porque os “enganados” que foram mandados convidados a sair sejam depois suficientemente imbecis para continuarem a mandar dinheiro para Portugal.(continuando a ajudar os interesses da oligarquias…)

"Emigrante emigrante, foste longe e regressaste Emigrante emigrante, não sei porque tu voltaste" Autor: Ena pá 2000"

“Emigrante emigrante,
foste longe e regressaste
Emigrante emigrante,
não sei porque tu voltaste”
Autor: Ena pá 2000″

Porque é que o sistema político e a sua excrescência eleitoral chamada descompressão eleitoral quadrianual estão bloqueados?

Sendo o sistema autista tal acontece para impedir participação verdadeira da população.

Como está fechado sobre sim mesmo e está assim á 4 décadas daí resulta o afastamento das pessoas e a ocupação de espaço social pelas oligarquias político partidárias.

Conseguindo enganar a população a golpes de suborno geração após geração (entrada na UE, fundos comunitários, investimentos massivos em pontes, estradas, piscinas e rotundas e empregos para os amigos) esta clique tem conseguido minorar os estragos.

Contudo, a abstenção elevada está a chegar aos níveis de perigo. Criaram totalitarismo social e distanciamento e a própria manutenção e mobilização deste regime político visando a sua própria reprodução  começa a ficar em perigo ( não que tenhamos pena…). Os que votam estão perto de serem menos do que os que não votam.

Os sintomas clássicos dum parasita são os seguintes. O parasita instala-se no corpo do hospedeiro e suga-o até o tornar tão fraco que este morre. O parasita morre a seguir por ausência de outro hospedeiro que tome o seu lugar.

Juntando o insulto à injuria como é tratado por este sistema quem é abstencionista?

Todas as pessoas que se recusam a ir votar, vão votar mas votam em branco ou nulificam o voto são alvo de uma guerra psicológica, de uma chantagem emocional feita por todos os agentes ao serviço dos partidos políticos. E replicada pelos cidadãos cheios de boas intenções, mas alheados da realidade.

Deliberadamente desvaloriza-se e achincalha-se veiculando-se  memorandos (mudanças de paradigmas culturais ou sociais), especificamente usando a argumentação de que quem não vota não tem depois legitimidade para se queixar, como se o facto de se votar em candidatos pré definidos pelas oligarquias ou por minorias de casta, quer elas sejam da tribo da esquerda política quer da tribo da direita política, consistisse num forma de legitimização política de qualidade superior…

Sendo inexistente qualquer movimento organizado ou desorganizado falando em nome do “não votante”, não deixa de espantar a hostilidade e a tentativa de menorizar estas pessoas por parte das características oligárquicas do sistema político português.

Um exemplo claro são as eleições para o parlamento europeu em que mais de metade das pessoas não vota, embora os 22 representantes portugueses sejam todos eleitos. (pela lógica da legitimidade, só menos de metade dos 22 lugares deveria ser efectivamente atribuída, mas depois como se poderiam alimentar gamelas eurocráticas?)

Neste especifico assunto eleitoral, já estas eleições são comummente desvalorizados pelos papagaios partidários e pela classe casta dos vendedores de folhas de alface (antigamente conhecidas pelo nome de”jornais”).

Este é o conceito de legitimidade das elites portugueses. É uma legitimidade ” a la carte”, selectiva,  maldosa ,enviesada e totalmente corrupta.

Como a democracia consiste na igualdade entre eleitores para se candidatarem a cargos públicos e a serem iguais perante a lei, o que temos são listas de militantes de partidos pré feitas em linhas de montagem oligárquicas.

Como a democracia consiste na possibilidade de os eleitores destituírem de funções os candidatos, de existirem limitações temporais de mandatos, da representação política ser um dever de cidadania em vez de um trabalho bem pago via lobbies, da ausência de privilégios nos titulares de cargos públicos, facilmente se percebe que em Portugal isto está ausente ou é “martelado” para dar resultados pré definidos.

É bastante simples.

A irmandade de Némesis recusa a mediocridade oligárquica disfarçada de falso regime democrático que nos querem impor.

A degradação da população portuguesa – 3/3

A missão:

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas já degradaram a população e alteraram os padrões do que era considerado ” fazer algo em sentido próprio”; antes negativo, agora legitimado como positivo.

O que pretendem atingir:

Pretendem criar uma percepção colectiva nova em que agentes públicos ou privados possam agir em interesse próprio sem que existam quaisquer limites éticos ou morais e isso seja aceitável numa sociedade e que isso é considerado justiça.

Como o fazem:

O canal privilegiado usado para o fazer são as práticas das empresas privadas que subverteram o Estado. A lenta equiparação de funcionários públicos a funcionários privados. Inexistência de censura social ou profissional a quem aja apenas em interesse próprio, mesmo que prejudique toda a comunidade.

Qual é o conteúdo:

As normas sociais e as regras profissionais são alteradas e as lógicas de funcionamento internas das empresas e do Estado são subvertidas. O sentido e o conteúdo do que é “competência” e “profissionalismo” é  alterado e competente/profissional passa a ser quem obedece e quem fecha os olhos ou quem ” optimiza” recursos.

Quem executa o trabalho sujo:

A promoção desta nova percepção é feita pelos courtiers de serviço. Os beneficiários são os gestores “modernos”.

11 - 07 - 2015 degradacao pop portuguesa - cartaz 3

(1) As quebras de normas sociais e como estas são reclassificadas pelas elites para servirem os seus propósitos.
(2) A falta de profissionalismo generalizada.
(3) A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

HOJE: A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

Quer a quebra sistemática e propositada das normas sociais, quer a implementação da estratégia de falta de profissionalismo (afirmadas em dois textos anteriores) geraram efeitos negativos em todos os estratos da sociedade.

Um dos sub produtos dai derivado desenvolveu-se num dos ambientes menos próprios e menos aconselhados para se desenvolver; a gestão de topo.

Toda a gestão de topo em grandes empresas, quer em escala, quer em influência, ou nas empresas médias que influenciam mercados de produtos específicos ou regionais, descobriu que eram inexistentes quaisquer obstáculos de tipo social ou profissional a que se pudesse fazer o  mesmo que tinha começado a ser feito noutros países; a definição da sua própria remuneração sem qualquer restrição nem qualquer correlação com o que acontecia na restante sociedade e conseguiu  impor essa lógica “como poder”.

Uma censura social poderosa definhou, primeiro, e tornou-se inexistente, depois (devido a quebra de normas sociais, que criticavam fortemente estes comportamentos…) ajudando a abrir caminho a que a cultura do profissionalismo passasse a ser considerada indiferente (a sua existência ou não). O resultado passou a ser a atitude de rédea livre dos gestores de topo no seu posicionamento nesta sociedade.

A invocação semi mística de serem possuídos  de “privilégios simbólicos especiais” gerou a promoção da cultura da remuneração apenas em interesse próprio cada vez mais desproporcional em relação aos reais resultados das empresas ou dos interesses colectivos da sociedade. Ou a acrescentarem “fringe benefits” ao pacote remuneratório

Este novo ambiente (durante os últimos 30 anos tem sido isto) de licenciosidade disfarçou-se de mercado livre e de inovação modernista. Verdadeiramente é um golpe de estado social, económico  e profissional sempre baseado em abstrações e mentiras generalizadas. Esta nova “ordem” subverte os princípios da economia de mercado que estes novos deuses em beneficio próprio dizem defender.

A população portuguesa sem ancoras ou pontos de referência assentes nas normas sociais que (antes) a defendiam, falhou em perceber que as novas “regras sem regras” eram apenas maleabilidade indiscriminada disfarçada de modernismo, e aceitou alegremente ou descuidadamente este jogo. Auto corrompeu-se mediante a promessa de que os benefícios materiais dai decorrentes compensariam a falta de ancoras sociais claras e justas.

Chegámos a 2015. A população obteve traição económica, perdeu ancoras sociais e tem que suportar a falta de profissionalismo em todos os sectores da sociedade. Para já, os   insiders ganharam um jogo que já tinha sido decidido antecipadamente.

Como exemplo, olhe-se para o Estado. Antes, no sector público, o gestor público geria a empresa estatal e, quer a gerisse bem, quer a gerisse mal, era politicamente “transferido” para outro sector público para continuar a gerir bem ou mal outra empresa, aquando da próxima mudança eleitoral. Esta era a forma de controlo e definição da sua própria remuneração e compensação; isto quando ainda existia sector público.

Actualmente, no sector privado, por detrás do manto da retórica falsa do “mercado” como ajustamento da oferta e da procura e demais banalidades dos gurus da gestão o jogo é um de monopolios privados e de mercados lucrativos apenas acessíveis aos “escolhidos”. Os “escolhidos” gerem genericamente mal, no privado, (há excepções, mas são poucas) mas legitimizaram-se como sendo apenas a única alternativa que dizem ser a que existe.

Resultados? Monopólios e constantes aumentos dos pacotes remuneratórios dos gestores de topo (decididos pelos próprios) para níveis impensáveis há 3 décadas atrás em termos de proporcionalidade entre o empregado da empresa que menos ganhava e o gestor que mais ganhava.

Esta “diferenciação fabricada por golpe de estado económico” é o maior exemplo da desigualdade. O estilo de vida tendencialmente baseado nos reis e plutocratas, é aquilo que se pretende impor para um número reduzido de pessoas. São exemplo, os políticos e membros da administração que se retiram de “funções publicas” e passam depois a exercer cargos em sinecuras privadas corporativas criadas à medida e que, curiosamente, tem actividade nos sectores onde legislaram.

Em empresas privadas o mesmo acontece, mas com outras nuances, tais como a permissão de várias pessoas serem administradoras de inúmeras empresas ao mesmo tempo.

Tudo normal, não se passa nada.

“You wear a mask for so long, you forget who you were beneath it.” ― Alan Moore, V for Vendetta

“You wear a mask for so long, you forget who you were beneath it.”
― Alan Moore, V for Vendetta

Os comportamentos indignos das chamadas classes altas auto espalharam-se para dentro de si e para fora. Todas as outras classes em Portugal  que não tem dinheiro ou posição para viver desta maneira copiam as mesmas quebras de ética, moral, esperando pela mimetização chegar a “sitios” e aceitam  viver debaixo deste mundo onde são os maiores prejudicados.

Este totalitarismo invertido faz com que quem não tem posição ou dinheiro limpo comece a achar que ser corrupto e desonesto é que é ser honesto e sério.

A inversão de valores começa a ser perigosa e definida.

Se um pardieiro decide ser um pardieiro, mas as elites lhe mudam a mensagem e passam a dizer-lhe que deve ser um protectorado bem comportado, o nível de autoestima das pessoas desce para as profundezas e o problema só aumenta.

A tribo da direita política critica as inevitáveis vitimas deste sistema dizendo que a culpa é delas, ou ignora-as prestando-lhe assistencialismo de sobrevivência (compra-lhes o silencio, retira-lhes direitos políticos  e lucra financeiramente no processo). Em paralelo defende que quem ganha com trapaças é um herói e é assim que deve ser.

A tribo da esquerda política aceita a existência de vitimas deste sistema, dizendo-lhes que a culpa delas apenas será remível através de crescimento económico e fé em nada tangível, prometendo a libertação futura da opressão, mas apenas desde que confiem na aristocracia de esquerda e a apoiem ( um quid pro quo incompetente e corrupto, que compra o silencio futuro, retira os direitos políticos do presente e lucra financeiramente no processo). Em paralelo defende que quem ganha com trapaças é um acidente e quando existem acidentes nada se deve fazer, foi uma inevitabilidade.

A degradação da população portuguesa – 2/3

A missão:

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas querem degradar a população e alterar os padrões do que é profissionalismo.

O que pretendem atingir:

Degradam o conceito de profissionalismo e subvertem a percepção colectiva relativamente ao que é e deve ser o conceito de profissionalismo e quais as exigências que a sociedade deve ter para com pessoas colocadas em lugares de topo.

Como o fazem:

O canal privilegiado usado para o fazer são as práticas das empresas privadas e o Estado subvertido que promove o abastardamento dos funcionários públicos equiparando estes a funcionários privados.

Qual é o conteúdo:

As regras profissionais são alteradas e as lógicas de funcionamento internas das empresas e do Estado são subvertidas. O sentido e o conteúdo do que é “competência” e “profissionalismo” é  alterado e competente/profissional passa a ser quem obedece e quem fecha os olhos ou quem ” optimiza” recursos.

Quem executa o trabalho sujo:

Os executantes deste legado negativo infligido sobre a população são os courtiers de serviço que o promovem, são os gestores “modernos”, são os arquitectos da legislação laboral e profissional e das suas mudanças que criam regras anti profissionalismo.

2015-06-24  a degradacao pop portuguesa cartaz 2

(1) As quebras de normas sociais e como estas são reclassificadas pelas elites para servirem os seus propósitos.
(2) A falta de profissionalismo generalizada.
(3) A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

HOJE: A falta de profissionalismo generalizada.

O sentido do que é profissionalismo na sociedade portuguesa foi reclassificado. Uma falta de profissionalismo generalizada das classes dirigentes é por estas escondida e ocultada, e a noção de culpa ” técnica” é enviada em exclusivo para a responsabilidade da população.  As classes sociais elitistas  que controlam a disseminação desta doença profissional auto isentam-se.

Isto é uma guerra “suja” baseada na criação de mecanismos de inferiorização psicológica…

O objectivo consiste em promover uma cultura de inferioridade psicológica aplicada directamente sobre os trabalhadores menos remunerados, e excluir de responsabilidades no actual estado das coisas a ” classe dirigente”.

A cultura da inferioridade psicológica, neste sentido, permite promover a cultura dos salários mais baixos que, por sua vez, é vendida como sendo uma relação directa que existe associada a essa falta de profissionalismo das classes mais baixas.

Surge a seguir o enaltecimento da suposta superioridade técnica das profissões de topo nos seus respectivos trabalhos que é depois apresentada como estando a ser “prejudicada” na sua eficiência pelo facto dos trabalhadores de qualificações inferiores serem considerados como “ maus profissionais”.

Analisando esta postura pelo valor facial que tem percebe-se que é um contra senso.

Em situações normais, dentro de empresas ou administração pública, tem sido as classes profissionais mais elevadas (que se tem posicionado ao longo de décadas para se protegerem umas as outras e colocam-se umas as outras em lugares…) que são as que gerem as actividades das empresas. E gerem as dos trabalhadores que fazem os trabalhos considerados inferiores ou menos bem pagos.

Torna-se lógico afirmar que cada uma destas pessoas espelha outras e quem gere, se for incompetente a fazê-lo, terá a tendência a passar esses defeitos para os seus trabalhadores menos remunerados.

Os defeitos são inerentes a todas as classes e tipos de pessoas e quem é bom gestor de pessoas gerirá melhor a sua empresa/administração.

Em Portugal as elites políticas e económicas decretaram que isto é ao contrário.

HUBRIS - CEREBRO - HALTERESDo alto da sua hubris e da sua petulante arrogância praticam a arte do “self serving bullshit”.
Esta característica vincada produz uma narrativa designando a falta de profissionalismo ou o mau profissionalismo como apenas existente nas classes menos bem remuneradas.

As consequências disto são simples.

O significado de “profissional” desvaneceu-se.

Nos dias de hoje, em Portugal ser-se “ profissional” é ser-se bem comportado e manso, não ser competente a fazer as coisas, andar bem vestido e apresentar uma imagem de marca pessoal assente no “eu”, agradar ao chefe, mesmo que o chefe seja um incompetente perigoso cujas decisões põem em causa a viabilidade-económica financeira do sector onde se trabalha.

O trabalhador moderno é o “ eu” que se auto promove, a criança adulta a quem é dito para ser hedonista na sociedade e no trabalho, relegando para segundo plano o trabalho (e o sentido de ser-se profissional) propriamente dito.

Regra geral, em empresas existem conflitos de interesses.

 * Quem geria esses conflitos e como eles eram geridos constituía um factor poderoso de respeito profissional entre pessoas dentro da mesma empresa e servia como tabela de aferição de quem eram os profissionais e quem eram os outros.

Precisamente por isso certas profissões eram socialmente extremamente respeitadas.

Tais como médicos, contabilistas, advogados e gestores, quadros superiores da administração publica. Todos equilibravam de forma profissional os interesses dos seus clientes/doentes/trabalhadores com os interesses próprios como profissionais e com os interesses gerais da sociedade – o bem comum.

A expectativa que caia sobre um advogado era a que funcionasse como uma autoridade do sistema de justiça bem para lá do que era a sua simples condição de defensor do cliente.

A expectativa relativa a um médico baseava-se em que este colocasse a saúde publica à frente dos seus próprios interesses enquanto medico e a frente dos interesses dos doentes.

A expectativa que existia sobre a actividade de um contabilista era não só a de certificar contas mas também que defendesse a integridade dos sistemas financeiros, porque isso significava defender a sua própria profissão e o sector em que a mesma estava inserida.

Nos quadros superiores da administração pública as expectativas eram ainda maiores e mais certificadas com sendo sérias. O pressuposto era que os quadros da administração a servissem em vez de se servirem dela.
A ideia de se servirem os amigos privados com informação privilegiada ou favores para posteriores recompensas futuras a serem obtidas, era impensável.

Sobre os gestores de empresas as expectativas recaiam nas praticas de boa gestão, promoção do crescimento da empresa e no assumir de responsabilidades sociais, ao invés de se empurrarem as externalidades para o resto da sociedade numa atitude de “o ultimo a sair que feche a porta”.

Todos estes padrões tinham falhas e não eram sempre cumpridos, mas existia uma hegemonia na sociedade portuguesa quanto à promoção da defesa destes valores.

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas,(a elite plutocrata) subverteram e destruiriam estes padrões.

Vivemos na anarquia neoliberal cleptocrata, com eleições para disfarçar de 4 em 4 anos.

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

O que ocorreu na medicina, nas escolas, e nos sectores da justiça em Portugal mostra bem como a degradação chegou e produziu os seus estragos.

Um exemplo da medicina explica particularmente bem isto. A partir da década de 80 do século 20 os sectores da medicina em Portugal perceberam que podiam controlar o sistema publico de medicina e passarem de pessoas que viviam bem, para pessoas que viveriam quase milionárias.

Passaram a fazer otimização financeira do sistema (em beneficio próprio), aceitando subornos das companhias farmacêuticas, sobre utilizaram serviços, diagnosticaram para lá do mais razoável, intimidaram políticos e doentes escudando-se atrás do seu conhecimento técnico da profissão.Paralelamente atacaram com tácticas corporativas negando o acesso mais largo à profissão, forçando em paralelo o repudio de sistemas alternativos de medicina debaixo da capa do “perigo para a saúde pública” que concorrências de sistemas alternativos de saúde gerariam, entre muitas outras técnicas  semelhantes.

 * O anterior profissionalismo desta classe assente num reconhecimento e respeito social foi assim destruído. Proporcionando que as mesmas forças que ajudaram a fazer estas figuras tenham tirado o tapete actualmente aos médicos, retirando ou ameaçando retirar decisões medicas aos próprios, encharcando os médicos em burocracia, autorizando técnicos com menos treino (paramédicos) para fazerem aspectos do seu trabalho ou enviando parte dele para os enfermeiros e no futuro será a automatização do trabalho de médicos (telemedicina) a ser vendida como nova solução.

Esta dissolução do sentido do que é ser-se profissional está a criar uma ingovernabilidade sistémica e um tecido social semi anárquico.

Os sentimentos de injustiça latente irão explodir, quando os deserdados da terra verificarem que foram enviados para um limbo social onde levam sempre pancada.

As tribos políticas da esquerda e da direita convivem bem com este estado das coisas.

A Irmandade de Némesis não.

A degradação da população portuguesa – 1/3

A missão:

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas querem degradar a população.

O que pretendem atingir:

Degradam promovendo a sistemática subversão e o enviesamento da percepção colectiva; degradam a maneira como olhamos uns para outros enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

Como o fazem:

O canal privilegiado usado para o fazer são os meios de comunicação social.

Qual é o conteúdo:

Estes são encharcados até à exaustão com historias fabricadas e fundos de verdade misturados com omissões e mentiras. As escolhas do que se deve ou não transmitir são pré condicionadas, usando as edições de reportagens à medida dos interesses ilegítimos que são promovidos.

Quem executa o trabalho sujo:

Os executantes deste legado negativo infligido sobre a população são os courtiers de serviço aos caprichos das elites portuguesas.

2015-06-22  degradacao pop portuguesa cartaz 1(1) As quebras de normas sociais e como estas são reclassificadas pelas elites para servirem os seus propósitos.
(2) A falta de profissionalismo generalizada.
(3) A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

HOJE: a quebra das normas sociais.

As normas sociais, são periodicamente reclassificadas de acordo com os interesses das plutocracias dominantes.

Contudo, existe um comando comum desde tempos imemoriais originário das classes elitistas, plutocráticas e kakistokraticas portuguesas – “ degrade-se a população”.

Emite-se a “ordem não escrita” classificando todos os desvios das normas sociais como sendo sempre praticados pelas classes mais baixas. Declara-se que esses desvios são próprios e apenas atribuíveis aos membros dessas classes; “é a sua natureza” e legislam-se crimes em sintonia com estas reclassificações feitas à medida e por interesse próprio.

Esta “ordem não escrita” definindo o que são quebras de normas sociais apenas serve os objectivos da plutocracia “tuga” e visa pré condicionar de forma subconsciente o restante da sociedade.

A mensagem subliminar subjacente é simples no conteúdo e amplificada na disseminação. As classes baixas são criminosas e merecem ser castigadas; sempre desproporcionalmente. Quer as normas que quebraram sejam realmente quebras verdadeiras ou mesmo não o sendo, aplica-se a punição.

Paralelamente a esta “fatwa” pré determinista, as classes mais altas são objectificadas como sendo santas e modelos de perfeição.

A “demonstração” de que as classes sociais elitistas e plutocráticas são santas dura 5 segundos, quando se conhece alguém oriundo das classes consideradas mais altas.

Os operários da demonstração sempre pagos em géneros ou bens trabalham incessantemente ao serviço da ilegitimidade e o mapa de pessoal em comissão de serviço nesta arte suja indica-nos que os pelotões de pseudo especialistas são os aríetes do serviço por conta em prol  das elites.

Os meios de comunicação social portugueses são viveiros de “especialistas” que aparecem para nos explicar, sem que o tivéssemos solicitado, o que se passa.
Chegamos a uma época histórica em que as explicações que são dadas nunca representam a realidade mas sim, aquilo que o “dono” do especialista o autoriza a dizer e o ganho financeiro, social ou de prestigio que o “ especialista” espera vir a alcançar.

“It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends on his not understanding it.” – Upton Sinclair.

O som paralelo ao dos “especialistas”, visando criar uma barreira sónica de confusão ideológica e sound bytes, é produzido pelas canetas de aluguer do regime, os pés de microfone pré formatados enviados pelo chefe, e os vários cães de louça considerados sagrados pelo regime e que andam espalhados por aí, a ocuparem sinecuras privadas corporativas.

Há exceções bem entendido, mas são a minoria.

Estes educadores bem falantes e mal pensantes explicam que as pessoas devem pensar em comportar-se de acordo com o padrão mental de obediência veiculado pelas elites.

Este padrão veiculado pelas elites explica-nos o que é normalidade (a falsa normalidade). É uma normalidade autocrática que afirma que as classes baixas são inferiores e tem sempre comportamentos socialmente desviantes.

Desta forma retira-se à sociedade o direito de dizer o que é ou não é um comportamento socialmente desviante e retira-se a lei baseada em legitimidade democrática da equação.

Passa a ser uma nomenclatura de plutocratas imbuídos de kakistocracia que se arrogam o direito de definir aos restantes, o que é desviante e o que não é.

(A explicação alternativa na forma, mas não no conteúdo, das seitas saudosistas monárquicas eunucas deste país sobre o mesmo tema utiliza outra expressão: “não nasceram em berço”…)

Impõe-se a pergunta. Qualquer cidadão sente-se “seguro” quando uma classe política, social, económica, ideológica profundamente hostil à população está a definir, por lei ou por intimidação de facto, o que é desviante ou não é?

kakistocracia -enclavept

Fenómenos como a criminalidade são consideradas como uma prática exclusiva  feita por membros das classes mais baixas, bem como o uso de drogas, a promiscuidade, os nascimentos fora do casamento, as taxas elevadas de divórcio, o aborto, etc.

Já as classes consideradas altas, por dinheiro ou por nascimento auto proclamado como “superior” mais os seus serviçais por conta, utilizam os seus courtiers comunicacionais para nos explicar que são santos vivos. Chama-se “Spin” favorável.

Como são santos em vida o “Spin” favorável explica-nos que nunca se divorciam nem são promíscuos fora dos círculos que frequentam.

Esta santidade faz com que não usem drogas nem vão ao estrangeiro fazer tratamentos de desintoxicação caros e discretos.

Nunca promovem nascimentos fora do casamento, nem abortos que não sejam efetivados em clínicas espanholas e inglesas, ao mesmo tempo que assumem posições públicas cá de oposição.

É por isso que um ladrão é chamado de ladrão, mas um financeiro que desvia dinheiro pratica um “crime de colarinho branco…”

É tão cómodo ser hipócrita quando se é um kakistocrata plutocrático com uma vida abastada derivada de um sistema ilegítimo que beneficia insiders…e quando os prejuízos são despejados para cima da população.

Todos estes fenómenos diferenciadores produzidos de forma artificial e apenas para benefício de uma elite corrupta, traidora e venal são instintivamente apreendidos pela generalidade da população e provocam quebras na coesão social e nos níveis de igualdade dentro desta sociedade.

A promoção da iniquidade e da desigualdade artificialmente fabricada com o objectivo de inferiorizar largos segmentos da população está a criar um temporizador.

Nos últimos 20 anos, mas em particular nos últimos 4 anos(2011-2015) a coesão social foi extraordinariamente quebrada, debaixo da influencia de ideologias importadas e defendidas por overlords internacionais que tomaram sob sua proteção as elites políticas e sociais portuguesas.

Esta dissolução da coesão social e a moldagem das regras de classificação do que são quebras de normas sociais sempre em função dos interesses da elite está a criar uma ingovernabilidade sistémica.

Os sentimentos de injustiça latente irão explodir.

As tribos políticas da esquerda e da direita convivem bem com este estado das coisas.

A Irmandade de Némesis não.

O programa eleitoral de todos: Regionalizar

Se há medida que as tribos da direita e da esquerda concordam é que a solução para os males do nosso país é regionalizar tudo que é organismo público. A desagregação do poder político traria de forma mágica ordem, paz e prosperidade a uma situação caótica. Já houve referendo sobre a matéria (não vinculativo) e a resposta dos eleitores foi “não”. Mesmo que apenas de forma instintiva e não sistemática os portugueses intuíram, correctamente, que havia algo de fundamentalmente errado com a fragilização do estado e dos seus, já escassos, poderes organizacionais. Pareceu-lhes estranho que o poder local fosse glorificado e recompensado quando é precisamente o ramo do poder democrático que menos sucesso teve desde a sua implementação. Sendo ainda mais brutais as duas situações de regionalização que tivemos, a municipalização e as regiões autónomas, representam os maiores fiascos democráticos desde o 25 de Abril. A municipalização não trouxe qualquer desenvolvimento ao país, não criou qualquer proximidade real ao cidadão, não impediu que a corrupção florescesse, não dinamizou o interior, em suma, não alterou uma vírgula às dinâmicas económicas e sociais que já estavam presentes em cada município. Serviu, e serve, apenas para criar cargos partidários intermédios e institucionalizar de forma democrática os caciques que governam as várias localidades desde pelo menos o século XIX. Quanto à regionalização a realidade quotidiana fala por si, as duas regiões autónomas são perpetuamente deficitárias, com elevadíssimos (até pelo standard português) níveis de disparidade de rendimentos sendo que a Madeira em particular conheceu um ligeiro boom devido às suas actividades como zona franca (sem que esse dinheiro que passou pelas ilhas tenha trazido qualquer beneficio ao cidadão médio da região).

"O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. " - José Ortega y Gasset

“O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. ” – José Ortega y Gasset

É neste contexto que os movimentos políticos tribais voltam a insistir na regionalização como relíquia sagrada da recuperação nacional. Percebendo há muito que os portugueses, apesar de serem inconsequentes, não são totalmente cegos e que não apoiariam qualquer formalização de transferência de poder para as regiões (muito menos a criação de todo um serviço público regional cravejado de nomeados políticos) as tribos de esquerda e direita apostam agora numa transferência não oficial e gradual, no fundo querem fazer a coisa lentamente, pela calada, para no fim apresentar a regionalização como um dado adquirido que já não é possível alterar – levando a uma formalização política depois dos factos. Todo o regime concorda, porque todos os componentes do regime apreciam a criação de cargos partidários e gostariam de ter mão livre nos seus “feudos ancestrais”. A retórica usada para atingir este fim tem sido essencialmente a dos serviços de proximidade e da “responsabilização” do cidadão a nível local. Claro que isto é falacioso já que o poder não está a ser devolvido ao cidadão, está a ser entregue às máquinas partidárias locais. Mas além do ganho imediato há razões mais profundas para este consenso informal do regime quanto à necessidade de dissolver ao máximo o estado central:

– As estruturas municipais ou regionais (se forem criadas) têm muito menos capacidade de resistir a pressões de grandes empresas, ou seja, o que hoje é negociado pelo estado central pode passar a ser negociado por um presidente de junta que terá um espaço de manobra inexistente quando confrontado com o poder económico.

– As oportunidades de corrupção multiplicar-se-ão já que as decisões passarão a estar dependentes não de uma autoridade central que é visível e é responsabilizada mas sim de múltiplas autoridades locais fragilizadas e sem vontade de antagonizar seja quem for.

– As privatizações que o estado central ainda não teve coragem de fazer serão agora efectuadas informalmente por autoridades locais que alegarão que não têm nem recursos nem vontade de se encarregarem directamente das suas novas responsabilidades.

– Ao colocar-se numa posição de observador o Estado está de facto a encorajar a experimentação social na sua própria população já que esquemas que seriam considerados arriscados ou pouco éticos poderão dentro de um modelo regional ser testados numa escala mais pequena sem que a maior parte do país sequer se aperceba do que se está a passar.

– As críticas que ainda se podem ouvir às medidas políticas mais absurdas serão silenciadas num sistema regional já que localmente as redes de dependência são muito mais fortes e os castigos muito mais pesados e rápidos – não é por acaso que as pequenas localidades são exemplos perfeitos de unanimismo, não há espaço social para contestar.

– Ao anular grande parte dos poderes de um estado central a Bruxelas consegue submeter ainda mais Portugal já que para muitos projectos passará a lidar directamente com autoridades regionais. Podemos chegar a uma situação em que caso exista oposição a máquina burocrática da UE pode utilizar regiões autónomas umas contra as outras.

"O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele." - Pierre Choderlos de Laclos

“O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele.” – Pierre Choderlos de Laclos

Por tudo isto não podemos ter dúvidas que seja quem for que assuma o poder nos próximos tempos o programa de medidas a médio prazo será o mesmo: medidas de proximidade, ou seja, uma regionalização encapotada que visa aprofundar o grau de feudalização da sociedade portuguesa. Enquanto as tribos da esquerda e da direita entretêm o país com danças guerreiras coreografadas e competições poéticas sobre quem é mais puro nas suas intenções o grosso das suas intenções reais passa ao lado do cidadão médio. Embevecido com o entretenimento e anodinamente seguro nas suas lealdades sectárias não lhe ocorre começar a ligar os vários silêncios estratégicos para criar uma imagem mais clara do que realmente se vai passar – convém lembrar aos leitores mais distraídos que em Portugal o que não é dito é sempre mais importante e revelador do que aquilo que é dito. Seja quem for que ganhe o próximo concurso de popularidade a resposta será essencialmente a mesma: devolver Portugal ao estado de caciquismo puro e duro.

"As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco da sua vantagem material." - John Galbraith

“As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco da sua vantagem material.” – John Galbraith

O anseio de mudança que grande parte dos portugueses sente será explorado implacavelmente criando ilusões sobre o que será realmente feito e com que objectivos. Os que se consideram mais “informados” serão ironicamente os mais manipulados e enganados pois acreditam que a mudança de linguagem e o falso protesto vão surtir efeito sobre uma elite que é inamovível. Acreditam piamente que as suas puras intenções, expressas de uma forma moderada e inepta típica da classe média (apesar de muitos destes cidadãos já não estarem nos escalões de rendimento correspondentes a uma classe média), serão respeitadas uma vez acabado o show eleitoral, esquecendo-se que o substrato dos seus projectos “alternativos” é controlado por pessoas que estão perfeitamente integradas nas nossas elites nacionais e cujas pretensões ideológicas de “radicalidade” não passam de uma afectação estética. Quando os dados estiverem lançados acabarão por tomar as mesmas decisões que todos os outros que os precederam porque no fundo não ambicionam qualquer rotura com o regime. A miragem de uma retoma económica eminente combinada com um desejo profundo de uma resolução mágica que não envolva qualquer acção pessoal combinam-se para criar a próxima desilusão.