As elites portuguesas recusam regenerar-se; logo, aproximam-nos do colapso social

Para subverter o actual sistema sócio-político, (o termo “democracia” pode ser usado para  designar o actual sistema sócio político) ; os oligarcas portugueses; os de origem “novo dinheiro” ou os de origem “velho dinheiro” ou oportunistas lacaios e cortesãos que julgam que são pertença de uma das duas categorias acima descritas e se prestaram a ajudar; infiltraram-se dentro dos sistemas políticos e económicos que compõem esta sociedade.

Como foi feito?

Lentamente, após 25 de Abril de 1974, a aurora de uma nova madrugada assim prometida, foi assim insidiosamente corrompida, como uma queimadura lenta mas progressiva.

No meio desta queimadura lenta, mas progressiva, guerras de facções políticas orientadas pelos desejos conflituantes dos seus mestres internacionais ocorreram para distrair e animar a população e fazê-la artificialmente escolher lados.

A população escolheu todos os lados menos o que deveria ter escolhido: o seu.

A insidiosa e corrosiva infiltração de sistemas críticos, de partes da economia e da sociedade, foi feita para favorecer as elites e as oligarquias que se escondiam por detrás.

Leis começaram a ser inclinadas a favor das elites e dos seus interesses.

A inclinação aumenta ano após ano.

Qual foi o resultado? Cita-se Colin renfrew em 1979. *

1 – O bem estar e a riqueza da elite de poder aumenta e manifesta-se de formas mais públicas.

2- A elite de poder concentra-se em manter um férreo monopólio de poder dentro da sociedade. As leis tornam-se mais vantajosas para as elites, e as penalidades para a generalidade da população tornam-se mais duras.

3- A classe média reduz-se ou evapora-se.

4- Os índices de miséria aumentam. Taxas crescentes de homicídios, crime, suicídio, pessoas sem casa e aumento do abuso de álcool e drogas aumentam.

5 – Aumentam os desastres ambientais ou as probabilidades de acontecerem devido a pressão dos resultados de curto prazo que originam uma pressão para se explorarem recursos depressa e sem cuidado.

6 – Ressurge o conservadorismo e o fundamentalismo religioso indo-se buscar as teorias arcaicas para contrabalançar o declínio do presente, mas estas novas formas surgem corrompidas e isso acelera o declínio.

O que se segue?

Como consequência da calcificação das elites e oligarquias e da durabilidade temporal dessa mesma calcificação ( Em Portugal é com amarga ironia que se verifica que apenas 10 a 20 anos após 25  de Abril 1974 chegaram para a degenerescência começar…e começar a bater forte…) se ter prolongado a sociedade fica colocada numa encruzilhada. Uma crise que tem que ser resolvida devido à crescente frustração da população.

Pequenos acontecimentos podem desencadear a mudança e um novo estado colectivo e pensamento surge. Ou existem alterações democráticas ou falham essas alterações e a subsequente crise origina uma regressão e um eventual colapso.

Em Portugal estamos a entrar neste estágio. Veremos para onde pende a balança.

O que acontece depois?

Quer se caia para um lado democrático das mudanças, quer falhem essas alterações, o tempo passa. As sociedades esquecem-se porque é que precisaram dessas reformas e mudanças. (Em Portugal isto é clássico em relação ao que se passou após o 25 de Abril de 1974, quer o que se passou , quer o que se deveria ter passado, mas não passou…)

E quando se esquecem, os membros das elites de poder e das oligarquias voltam em força, para exigirem regressão e para exigirem (ainda e sempre) tratamento mais favorável para os seus interesses (Em Portugal isto, surpreendentemente sucede antes do país estar colocada na encruzilhada da escolha, sucede durante, e sucede depois, a máquina de subversão da democracia nunca tem descanso ao serviços das oligarquias).

Todas as elites políticas em Portugal sabem, praticam isto e pactuam com isto.

2015-11-25 - rob riemen- 2012

Colin renfrew em 1979. * “Signs of Failing Times”  – Renfrew, Colin. 1979. Systems collapse as social transformation: Catastrophe and anastrophe in early state societies.

Os sapatos sociais

“” Order is the barrier that holds back the flood of death. We must all of us on this train of life remain in our allotted station. We must each of us occupy our preordained particular position. Would you wear a shoe on your head? Of course you wouldn’t wear a shoe on your head. A shoe doesn’t belong on your head. A shoe belongs on your foot. A hat belongs on your head. I am a hat. You are a shoe. I belong on the head. You belong on the foot. Yes? So it is. In the beginning, order was proscribed by your ticket: First Class, Economy, and freeloaders like you. Eternal order is prescribed by the sacred engine: all things flow from the sacred engine, all things in their place, all passengers in their section, all water flowing. all heat rising, pays homage to the sacred engine, in its own particular preordained position. So it is. Now, as in the beginning, I belong to the front. You belong to the tail. When the foot seeks the place of the head, the sacred line is crossed. Know your place. Keep your place. Be a shoe. “”

Snowpiercer, 2013

Hell is empty and all the devils are here. William Shakespeare

Hell is empty and all the devils are here – William Shakespeare

Os detentores de algum poder (a expressão neste contexto é utilizada da forma mais depreciativa possível) estão interessados em criar um especifico inferno negro, para nele enfiar a população.

O método utilizado para o fazer é a triagem económica. Os escolhidos para fazer parte desse novo  inferno negro serão colocados numa zona social e económica de exclusão.

Na prisão que foram forçados a escolher e da qual nem consciência tem que assim é, são informados que a exclusão tem características definitivas e serão motivados a conformarem-se com o destino que lhes foi totalitariamente imposto.

Motivados pela manipulação ou pela força bruta se necessário. São “os novos sapatos sociais”.

Os sapatos sociais desempregados, os a quem se diz, “mantenham o seu lugar, sejam um sapato social”.

Esta nova realidade está a tentar ser construída. Serve também o propósito sinistro de enviar uma mensagem aos restantes membros da população que sobram desta triagem, os que ainda estão incólumes ou resistam a esta forma de organizar a sociedade.

A mensagem é a seguinte.

Apoiem esta “nova mudança de paradigma”. Apoiem a traição que é feita aos vossos compatriotas.

O inferno negro (ainda) está vazio mas os demónios (já) estão aqui.

Temos que lidar com eles. O custo que nos é infligido por recusarmos lidar com demónios é demasiado elevado para ser pago.

A forma como esta traição é efectivada manifesta-se através da manutenção do  desemprego estrutural numa parte da  população para melhor favorecer o controlo de toda a população e para melhor a degradar.

“Os regimes autoritários contemporâneos parecem resolver o problema do desemprego à custa da eficiência e da liberdade.” ―John Maynard Keynes

“Os regimes autoritários contemporâneos parecem resolver o problema do desemprego à custa da eficiência e da liberdade.”
―John Maynard Keynes

Como começou o processo de transformação da realidade num inferno negro, que será, por enquanto, apenas para alguns?

Décadas de crescimento económico derivadas dos custos baixos de energia conjugados com taxas de retorno de investimento elevadas (Civilizacionalmente a lei dos diminishing returns estava ainda no seu processo ascendente…), e, especificamente na  Europa, a implementação do Estado social, tudo conjugado, criou uma ilusão de bem estar eterno e crescimento infinito.

Porque o inferno negro (ainda) está vazio mas os demónios (já) estão aqui, desde a década de 80 do século passado, mudou-se de paradigma e passou-se ao experimentalismo neoliberal misturado com tecno fascismo e crenças induzidas no “poder mágico” da tecnocracia como instrumento de operacionalidade administrativa publica e privada. E muita ganancia como tempero.

A nova ordem política e administrativa, o “uber” capitalismo sem qualquer regra que não a maximização do lucro e a implementação do mercado como padrão seriam aplicados a todas as sociedades. Um novo produto politico social – a democracia dos mercados – era vendido como a nova panaceia desenvolvimentista ocidental.

Esta reciclagem de velhas ideias totalitárias baseada em pensamento mágico travestido de ciência, tinha e tem como objectivo político destruir a democracia. A democracia como direito das populações afirmarem o que querem escolher e o que querem para a sua vida é um obstáculo aos mercados e aos tecnocratas.

Decidiu-se que seriam entregues a ” técnicos”, uma lista de assuntos que, passariam a ser decididos sem recurso a decisões políticas (leia-se eleições), mas sim em gabinetes, onde as decisões passariam a ser caucionadas e implementadas através de um selo técnico de aprovação emitido pelos “especialistas”.

Os especialistas não são eleitos e são facilmente corrompiveis. Os mercados convivem bem com a corrupção e absorvem-na.

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35 anos depois os resultados são desastrosos em todas as dimensões. Como bons fanáticos totalitários, os defensores destas ideias continuam, em estilo zelota moralista a afirmar as infalibilidades destas concepções, mesmo que os custos sejam enormes em todos os parâmetros.

O combustível que alicerça esta crença obsessiva chama-se ganancia. O aditivo do combustível chama-se psicopatia.

Inicialmente, a generalidade da população, mesmo a nível mundial, aceitou a situação nova. O dinheiro fluía e parecia que seria sem parar; por ignorância ou auto corrompimento a situação tornou-se ” um facto”.

Contudo, os sinais de que algo estava errado e podre começavam a evidenciar-se. Uma minoria de pessoas estava a ser “escorraçada” para fora do sistema social, político e económico, mas o seu numero era crescente ano após ano.

Pressentindo o perigo e querendo esbater as evidencias cada vez mais óbvias as tribos políticas – as principais responsáveis pelo estado a que se chegou – pelas constantes omissões de comportamentos e pela corrupção ética que exibem, tem produzido uma mensagem de negação da realidade, promovendo a falsa esperança nos futuros risonhos que ai virão.

Em Portugal, a tribo politica da esquerda, durante 3 décadas, gritou aos 4 ventos que “só através de crescimento económico mediante massivo investimento público (exactamente que tipo e qual crescimento económico é algo que nunca se diz…) se poderia crescer e reduzir o numero de excluídos na sociedade e assim abrir oportunidades de ascensão social para todos.(Segundo esta concepção cheia de felicidade imensa, todos podem ser sapatos sociais, mas alguns serão subsidiados para não o serem e outros serão  subsidiados para se sentirem melhor a serem sapatos sociais…)

Este posicionamento, revela a hipocrisia e o cinismo dos proponentes e revela a total incapacidade de definir objectivos concretos que defendam a população deste país.

flyer - 2014-12-04 - TRIBO DA ESQUERDA

Em Portugal, a tribo política da direita, durante 3 décadas, gritou aos 4 ventos que só através da criação de riqueza (isto é, da criação de riqueza que beneficiasse apenas os membros, familiares e associados da tribo politica da direita)  se poderia crescer e oferecer oportunidades ao numero de excluídos na sociedade e assim abrir oportunidades de ascensão social, para quem quiser trabalhar (Segundo esta concepção cheia de felicidade imensa, tal assim será para quem quiser ser apenas um sapato social obediente, que vote na direita e aceite que, quando as circunstancias o exigirem, lhe sejam retirados bens patrimoniais, poder pessoal e autodeterminação,sendo esses “bens” retirados apenas para melhor glória e benefícios do crescimento de riqueza na direita, familiares e associados..)

Este posicionamento, revela a hipocrisia e o cinismo dos proponentes e revela o total desprezo pela população e pelo país e apenas consegue encarar as pessoas como seres obedientes que existem apenas para servir.

FLYER - 2014-12-04  - TRIBO DA DIREITA

As duas tribos políticas, com os seus múltiplos spin offs políticos, agentes ao serviço, grupos de interesse, remoras parasitas que flutuam entre ambos os grupos, corrupções éticas varias e miopia institucional e patriótica, tem conseguido apenas desbaratar recursos, destruir valor económico e social, e gerar um caos constante no relacionamento das pessoas entre si e com o Estado.

Como tem reagido a população às constantes quebras do contrato social que lhes são feitas por estas tribos políticas?

Cheia de entusiasmo, feliz com os fracassos a população emite arrotos irracionais de cidadania de 4 em 4 anos. O caos constante em que vive já lhe parece uma segunda pele e defende psicologicamente que assim sempre foi, de tão condicionada está. Esta recusa de mudar tem um preço demasiado elevado, mas a resposta da população é sempre constante e irracional – mais do mesmo. Este linear histórico de comportamento pós 25 de Abril de 1974 repete-se e não se aprende.

Para espelhar o linear histórico de comportamento, as reclamações e as queixas são também irracionais e repetitivas quando a coisas não correm bem. “Os políticos são todos iguais” como argumento de desresponsabilização, já perdeu o seu prazo de validade como desculpa a ser apresentada pela população.

Porque o inferno negro (ainda) está vazio mas os demónios (já) estão aqui, o desemprego é um problema estrutural. Os outros problemas inseridos na quebra do contrato social são problemas estruturais; é necessário lidar com eles.

Porque o inferno negro (ainda) está vazio mas os demónios (já) estão aqui, temos que lidar com eles. O custo que nos é infligido por recusarmos lidar com demónios é demasiado elevado para ser pago.

O Enclave recusa ser uma zona económica e social de exclusão.

O Enclave recusa promover a ideologia dos sapatos sociais.

O Enclave é uma zona de exclusão ética e espiritual.

O Enclave lida com demónios e combate-os.

O Enclave é eterno.