Ainda não é o fim do ciclo

A vida política portuguesa tem ciclos bastante bem definidos. Para quem conheça um pouco o funcionamento da “coisa” não será surpreendente ler que nenhum partido ganha eleições. São os governos e os ministros que caem de podre. É do traço psicológico nacional ficar agarrado à cadeira até se cair dela (provavelmente numa imitação metafórica inconsciente do ditador que nos governou quatro décadas) – a excepção sendo os que vão com missão económica definida, ou seja, já entram para um governo com missão incumbida por um grupo económico “patrocinador”; nesses casos tendem a sair assim conseguiram cumprir aquilo para que foram “contratados”.

Cuidado com o "reformismo"....

Cuidado com o “reformismo”….

Apesar dos ameaços que temos visto nos últimos dias o ciclo presente ainda não chegou ao fim. Por muito que custe admitir a quase todos nós estes senhores, com a sua falsa tecnocracia, ainda têm alguma margem de manobra junto de uma população algo inculta e deslumbrada com a “técnica” (ou a aparência dela) e com os altos cargos de outros órgãos do país – esqueceram-se todos que preservámos uma grande parte do antigo regime e que essas pessoas têm preferências claras que não coincidem com as do cidadão vulgar. Já para não falar da carta da “estabilidade” que podem sempre acenar para manter a parte mais tíbia do eleitorado temerosa… “não podemos sair senão seria o caos, não podemos mudar de plano senão os mercados devorar-nos-iam”. Parece patético mas funcionou na Grécia – não que tenha qualquer preferência especial pela Syriza mas a verdade é que fariam melhor serviço que quem lá está agora (pelo menos tenho a certeza que não abafariam os crimes económicos de uma elite).

Repetir sistematicamente a mesma acção e esperar resultados diferentes é a definição de loucura.

Repetir sistematicamente a mesma acção e esperar resultados diferentes é a definição de loucura.

Ainda há acrescentar que há coisas planeadas vitais, para a ideologia de quem os controla, que ainda estão na calha. A redução, ainda maior, do rendimento disponível médio. A redução da protecção laboral. E acima de tudo as sagradas privatizações que restaurarão milagrosamente a boa saúde económica do país. Se estivesse particularmente mal disposto diria ainda que o principal partido da oposição joga apenas um bluff. Que a última coisa que quer é assumir o poder nestas condições. Caso tal venha a suceder, num futuro a médio prazo, não se percebe o entusiasmo de alguns sectores populares já que os compromissos assumidos foram os mesmos que o actual governo. A forma de governar anterior foi a mesma (menos extremada é verdade mas de efeitos de longo prazo iguais). Portanto para todos os que já gritam “mudança”, lembrem-se da diferença entre forma e essência e preparem-se para um 2013 economicamente ruinoso, socialmente restaurador de 1973 e moralmente falido. Boas entradas.

Anúncios