Os mega dadores

Nos últimos dias foi anunciado que o fundador do facebook, Mark Zuckerberg, “doou” grande parte da sua fortuna para fins “filantrópicos”. Os media, na sua habitual falta de atitude crítica face aos poderosos, louvam incessantemente este tipo de exemplos (por vezes por razões bastante transparentes de auto-interesse) como luzes que brilham no escuridão que ameaça envolver-nos. Apontam-nos estes casos como prova que as pessoas são intrinsecamente boas e que independentemente da forma como os oligarcas agem ou acumulam as suas fortunas são no fundo “tipos porreiros”, empenhados no bem-estar dos outros cidadãos que não tiveram as mesmas oportunidades. Este caso não é o primeiro do seu género (o mais famoso é caso da fundação Gates criada pelo fundador da Microsoft) nem descreve um fenómeno exclusivo de certos países, é uma tendência global. Antes que sejamos levados por esta falsa onda de boa vontade e aparente irmandade temos que começar a fazer o trabalho de desmontagem e análise crítica que nenhum meio de comunicação está interessado em fazer.

"The threat to men of great dignity, privilege and pretense is not from the radicals they revile; it is from accepting their own myth. Exposure to reality remains the nemesis of the great” - John Kenneth Galbraith

“The threat to men of great dignity, privilege and pretense is not from the radicals they revile; it is from accepting their own myth. Exposure to reality remains the nemesis of the great” – John Kenneth Galbraith

Em primeiro lugar nenhuma destas pessoas doou um cêntimo seja a quem for. Sim é verdade. Não houve doação a qualquer causa ou individuo. O que aconteceu foi que estes bilionários transferiram parte dos seus bens para entidades privadas que eles próprios fundaram e gerem. Com que objectivo o fizeram? Aqui a resposta tem vários níveis. Com o mal-estar crescente das populações face ao sistema político e económico que nos gere tornou-se urgente para o establishment relançar a discussão da legitimidade. Ou seja, há uma necessidade de demonstrar às pessoas que a relação de poder que existe entre oligarcas e cidadãos comuns não é apenas uma obscenidade derivada da acumulação ganhos (sejam legítimos ou não, conforme o caso) e de relações indevidas entre o poder político e o sector privado. Há que assegurar ao cidadão que há um fundo de justiça no meio disto tudo. E que apesar da maior parte das pessoas já não poder contar com uma carreira, com cuidados sociais básicos ou sequer poder confiar nos eleitos o sistema funciona (grande parte destes problemas derivam do esforço colossal que os mega dadores dedicam a evitar pagar impostos sobre os seus ganhos empresariais e a evitar a criação de condições laborais dignas) e que todas as desigualdades se equilibram de forma automática como uma espécie de equação matemática social. Nada fica mais equilibrado com estas “doações” que na realidade são apenas transferências internas dentro do vasto património empresarial e pessoal destes magnatas. A posse dos fundos permanece nas mesmas mãos e o destino a dar-lhes continua a ser uma decisão na qual ninguém tem qualquer voto.

"Um desequilíbrio entre os ricos e os pobres é o mais antigo e mais fatal problema de todas as Repúblicas" - Plutarco

“Um desequilíbrio entre os ricos e os pobres é o mais antigo e mais fatal problema de todas as Repúblicas” – Plutarco

Estas transferências de património além de visarem reconstruir uma credibilidade perdida têm também por objectivo satisfazer os egos colossais destas pessoas ao permitir que se imiscuam na vida social das nações como nunca antes havia sido tentado. Os caprichos e vontades de uma mão cheia de seres humanos são agora impostos ou vendidos como sendo benéficos para toda a humanidade. Isto sem nunca incorrer na sórdida acção de ter que consultar a tal humanidade sobre o que realmente pensa sobre os problemas que a afligem. Com a quantidade de fundos ao seu dispor estas fundações condicionam todas as outras organizações (de investigação, apoio social, educação, tecnologia, etc) ao criar um gigantesco polo de atracção financeira que ninguém pode ignorar. Não será de estranhar que todas as organizações que se associam a tais fundações (incluindo governos) acabam por ver o seu poder de decisão e autonomia destruídos. Quem tem o ouro faz as regras e neste caso os oligarcas têm muito ouro. Isto permite-lhes distorcer as prioridades de outras organizações criando situações que favorecem os interesses pessoais e comerciais destes mega “dadores”. Não é por acaso que muitos projectos de fundações cujos donos fizeram a sua fortuna em tecnologias de informação incentivam ao máximo a criação de sistemas de ensino e de saúde dependentes dessas mesmas tecnologias, criando oportunidades de lucro, de recolha indevida de dados e de habituação. Faz tudo parte do modelo de negócio. O fascínio saloio com novas tecnologias reluzentes faz esquecer a sórdida realidade de desequilíbrios de poder que está subjacente e que é encorajada a continuar a crescer. Será útil também fazer notar que apesar de terem objectivos “filantrópicos” estas organizações é suposto darem lucro. Sim é suposto acumularem ainda mais recursos e crescerem em tamanho e influência. Não há limites a priori para o que poderá vir a ser englobado nas suas acções e funcionamento.

Gates_contributionsDe forma ainda mais perversa estas fundações encorajam indirectamente os Estados a retirarem-se da vida social das suas próprias nações ao promoverem os habituais mantras da economia neoclássica: o estado é ineficiente, os privados podem fornecer bens públicos de forma mais barata, o estado é por definição mau e devia ser abolido em todas as esferas, enfim a habitual litania anarco-capitalista que nos deixaria a todos como servos apáticos e receptivos das boas vontades de uma dúzia de “filantropos” caprichosos. Ao abrigo de programas de inovação tecnológica as fundações dos oligarcas vão numa primeira fase condicionando todos os outros actores sociais e numa segunda fase talvez substitui-los de vez. Consegue-se perceber que num ambiente político em que os governos são reféns de agentes financeiros e não ousam tomar medidas verdadeiramente políticas com medo de “desvirtuar” os divinos preceitos das finanças públicas torna-se atractivo passar as responsabilidades de sectores deficitários a entidades privadas mesmo sabendo que se corre o risco que essas entidades tentem fazer experimentação social com os cidadãos. Também não ajuda o facto de alguns dos mesmos mega “dadores” estarem associados a empresas que contribuem de uma forma ou de outra para o sucesso dos nossos líderes políticos.

“Não deves honrar mais os homens que a verdade” - Platão

“Não deves honrar mais os homens que a verdade” – Platão

Portugal está um pouco fora do mapa da super “filantropia” em grande parte devido à sua pequena dimensão, falta de parceiros estratégicos relevantes e relativa proximidade ao coração europeu. Mas à medida que outras nações começarem a encontrar os problemas da entrega completa de sistemas sociais a estas fundações é inevitável que elas comecem à procura de alvos nas periferias. Entretanto existem alguns exemplos desta tentativa de entregar a sociedade ao controlo total dos oligarcas mas a uma escala bastante mais pequena e moderada, até porque os oligarcas portugueses não estão dispostos a fazer o mesmo nível de investimento que os seus homólogos estrangeiros. Concentram-se acima de tudo no domínio da informação e da publicação que usam para tentar desacreditar o Estado e fazer vingar na mente dos seus leitores mais incautos uma visão idílica do que é a realidade do sector privado em Portugal. Mas não tenhamos ilusões, não é uma questão de saber se o sector social será entregue a estes agentes privados mas uma questão de quando o será já que não existe oposição concertada a que tal aconteça. Existe uma resistência formal por parte de certos sectores mas a verdade é que as elites esses mesmos sectores aceitam escrever documentos e livros para estas fundações e aceitam participar em “debates” públicos patrocinados pelas mesmas fundações com a intenção de as validar socialmente. Acima de qualquer posição ideológica coerente está um espirito de classe que as elites de todos os sectores partilham e isso, juntamente com os benefícios pessoais acumulados pela sua participação, vencerá qualquer barreira que possa existir.

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Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

Autonomia e Estratégia

Como o Enclave e a Irmandade de Némesis têm vindo a demonstrar ao longo dos anos o actual debate nacional sobre o rumo a dar ao país reflecte em grande medida uma ficção. Não está de facto nada em debate. Ou dito de forma mais correcta o que está em debate por todas as forças políticas é apenas a forma e nunca a essência do sistema. E isto serve as elites de forma perfeita. Mantém as pessoas entretidas a discutir o sexo dos anjos enquanto as muralhas da cidade colapsam uma a uma. É verdade que alguns portugueses vão estando mais cépticos à medida que percebem os limites reais da nossa posição estratégica no mundo. Mas tristemente o efeito desta descoberta tende a ser a retirada do individuo da vida pública pois o cidadão desperto começa a desenvolver uma forte dissonância cognitiva face ao que o rodeia e ou é ostracizado ou acaba por se auto-exilar. As conversas que ouve e vê deixam de fazer sentido já que se entende que não têm qualquer relação com a realidade. Começa-se a ver as ilusões por aquilo que são, distracções para impedir que qualquer conversa nacional séria possa de facto existir. Começa-se a entender que os “princípios” e “ideologias” em grande medida não passam de capas retóricas com que se tapam os interesses mais cínicos de quem os defende ou na melhor das hipóteses conceitos vácuos que tentam mobilizar as massas para situações que ou são contra os seus melhores interesses ou não produzirão qualquer efeito. Tudo isto torna-se particularmente óbvio quando se discutem os modelos de desenvolvimento económico e as suas consequências políticas e sociais.

"The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers." - Zygmunt Bauman

“The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers.” – Zygmunt Bauman

As teorias económicas que estão em voga e que, teoricamente, visam optimizar os rendimentos das nações dos seus agregados empresariais insistem todas sobre um ponto, a especialização. Cada região deve focalizar-se apenas num elemento da produção de serviços ou produtos e importar o restante já que a dispersão por várias áreas não corresponderia a um óptimo económico (o máximo ganho de unidades monetárias pelo mínimo input de recursos). O corolário deste modelo é uma interdependência total dos países uns dos outros e necessariamente a fragilização de países mais pequenos e menos capazes de manter alguma diversidade de produção. Isto traduz-se em fórmulas econométricas que tentam expressar o risco associado à falha/colapso de um dos componentes deste sistema mais ou menos global. E como todas as fórmulas da economia clássica está sujeita a dois tipos de críticas: 1) O risco não se comporta de forma linear e o princípio base da económica clássica, ceteris paribus (e tudo o resto permanece igual), não tem validade, a instabilidade de um elemento toca na estabilidade todos os outros elementos e quanto maior o grau de interligação maior este efeito de contágio não intencional se torna – acaba por se tornar impossível ter uma ideia do risco real associado à maioria das falhas porque ele não respeita modelos matemáticos teóricos; 2) A interligação dos vários elementos deste sistema não divide o risco de forma equitativa, antes pelo contrário. Coloca grande pressão sobre os elementos mais pequenos que ao serem necessariamente mais especializados dependem apenas uma mão cheia de produtos ou serviços. Estão então duplamente dependentes. Dependem da manutenção de mercados externos muito específicos para escoar o seu excedente especializado e por sua vez dependem da existência da estabilidade de todos os outros mercados para assegurar a importação de todos os bens essenciais. Adicionalmente este sistema de avaliação de risco tende a ignorar que as grandes nações são indiferentes aos colapsos das pequenas nações mas que o inverso não é verdade, ou seja, a distribuição de risco não é apenas desigual como é mesmo inversamente proporcional ao poder económico e político de cada entidade nacional.

"It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence." - Voltaire

“It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence.” – Voltaire

Porque é que se seguiu este modelo de desenvolvimento? Porque a teoria alternativa caiu em desgraça. Diametralmente oposta a esta visão está a visão de autarquia – uma nação que organiza a sua vida económica no sentido de ser totalmente auto-suficiente. Há duas causas para o abandono deste modelo. Em primeiro lugar à medida que revolução industrial progredia e tecnologia se complexificava tornou-se claro que cada país não tinha a mesma distribuição de recursos naturais o que tornava a independência total como uma impossibilidade técnica. Em segundo lugar durante o século XX esta teoria de auto-suficiência extrema esteve associada a todo o conjunto de economias totalitárias (a Alemanha nazi é o caso mais óbvio) que exaltavam a nação de forna xenófoba e que viam as relações internacionais não apenas como o domínio da competição ou do conflito mas como apenas uma interminável guerra. Torna-se assim compreensível o abandono desta teoria em favor de uma que teoricamente daria lugar a menos tensões e conflitos e maximizaria os potenciais ganhos de cada nação. Mesmo os países que se sentem de alguma forma prisioneiros do sistema actual (a micro especialização) não encaram a autarquia como alternativa porque o choque de uma mudança de sistema causaria terramotos políticos, teria custos sociais elevados e seria questionável qual o nível de bem-estar que se poderia de facto proporcionar ao cidadão médio numa situação de autonomia total. Agora que o velho modelo continua descredibilizado e o novo parece estar próximo dos seus limites naturais e as suas falhas sistémicas começam a estar expostas as ansiedades populares sobre modelos de desenvolvimento credíveis e duráveis começa a aquecer já que não existe nenhuma nova ortodoxia no horizonte para substituir o que existiu até ao momento.

"For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually." - Ha-Joon Chang

“For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually.” – Ha-Joon Chang

De que adianta debater e discutir quando de facto não se quer sequer admitir os limites de cada uma destas escolhas e não se pondera a situação estratégica específica de Portugal? É útil colocar os termos do debate sobre uma forma partidária? Útil para quem? Há noção das consequências caso se queira desbravar novos caminhos? Há uma cultura de liderança política forte o suficiente para assumir esse risco? Existe vontade e coragem popular para aceitar de frente os imensos riscos quer para permanecer num modelo económico esgotado quer para explorar outras alternativas? Em última análise temos que ser extremamente cépticos quanto a qualquer possibilidade de mudança real que não provenha de um desastre exógeno, algo além do nosso controlo e iniciativa. Quer no topo quer na base a nossa sociedade tem falhas graves que nunca foram colmatadas e que nos tornam incapazes de tomar escolhas estratégicas coerentes. A Irmandade de Némesis recomenda a todos os cidadãos despertos (sejam membros ou não) cuidado em se envolverem no “debate” nacional, não nos devemos guiar por ficções e interesses alheios ao país. Só uma renovação dos valores da esfera pública pode trazer a revitalização necessária para voltarmos a ser capazes de fazer escolhas independentes e relevantes.

O programa eleitoral de todos: Regionalizar

Se há medida que as tribos da direita e da esquerda concordam é que a solução para os males do nosso país é regionalizar tudo que é organismo público. A desagregação do poder político traria de forma mágica ordem, paz e prosperidade a uma situação caótica. Já houve referendo sobre a matéria (não vinculativo) e a resposta dos eleitores foi “não”. Mesmo que apenas de forma instintiva e não sistemática os portugueses intuíram, correctamente, que havia algo de fundamentalmente errado com a fragilização do estado e dos seus, já escassos, poderes organizacionais. Pareceu-lhes estranho que o poder local fosse glorificado e recompensado quando é precisamente o ramo do poder democrático que menos sucesso teve desde a sua implementação. Sendo ainda mais brutais as duas situações de regionalização que tivemos, a municipalização e as regiões autónomas, representam os maiores fiascos democráticos desde o 25 de Abril. A municipalização não trouxe qualquer desenvolvimento ao país, não criou qualquer proximidade real ao cidadão, não impediu que a corrupção florescesse, não dinamizou o interior, em suma, não alterou uma vírgula às dinâmicas económicas e sociais que já estavam presentes em cada município. Serviu, e serve, apenas para criar cargos partidários intermédios e institucionalizar de forma democrática os caciques que governam as várias localidades desde pelo menos o século XIX. Quanto à regionalização a realidade quotidiana fala por si, as duas regiões autónomas são perpetuamente deficitárias, com elevadíssimos (até pelo standard português) níveis de disparidade de rendimentos sendo que a Madeira em particular conheceu um ligeiro boom devido às suas actividades como zona franca (sem que esse dinheiro que passou pelas ilhas tenha trazido qualquer beneficio ao cidadão médio da região).

"O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. " - José Ortega y Gasset

“O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. ” – José Ortega y Gasset

É neste contexto que os movimentos políticos tribais voltam a insistir na regionalização como relíquia sagrada da recuperação nacional. Percebendo há muito que os portugueses, apesar de serem inconsequentes, não são totalmente cegos e que não apoiariam qualquer formalização de transferência de poder para as regiões (muito menos a criação de todo um serviço público regional cravejado de nomeados políticos) as tribos de esquerda e direita apostam agora numa transferência não oficial e gradual, no fundo querem fazer a coisa lentamente, pela calada, para no fim apresentar a regionalização como um dado adquirido que já não é possível alterar – levando a uma formalização política depois dos factos. Todo o regime concorda, porque todos os componentes do regime apreciam a criação de cargos partidários e gostariam de ter mão livre nos seus “feudos ancestrais”. A retórica usada para atingir este fim tem sido essencialmente a dos serviços de proximidade e da “responsabilização” do cidadão a nível local. Claro que isto é falacioso já que o poder não está a ser devolvido ao cidadão, está a ser entregue às máquinas partidárias locais. Mas além do ganho imediato há razões mais profundas para este consenso informal do regime quanto à necessidade de dissolver ao máximo o estado central:

– As estruturas municipais ou regionais (se forem criadas) têm muito menos capacidade de resistir a pressões de grandes empresas, ou seja, o que hoje é negociado pelo estado central pode passar a ser negociado por um presidente de junta que terá um espaço de manobra inexistente quando confrontado com o poder económico.

– As oportunidades de corrupção multiplicar-se-ão já que as decisões passarão a estar dependentes não de uma autoridade central que é visível e é responsabilizada mas sim de múltiplas autoridades locais fragilizadas e sem vontade de antagonizar seja quem for.

– As privatizações que o estado central ainda não teve coragem de fazer serão agora efectuadas informalmente por autoridades locais que alegarão que não têm nem recursos nem vontade de se encarregarem directamente das suas novas responsabilidades.

– Ao colocar-se numa posição de observador o Estado está de facto a encorajar a experimentação social na sua própria população já que esquemas que seriam considerados arriscados ou pouco éticos poderão dentro de um modelo regional ser testados numa escala mais pequena sem que a maior parte do país sequer se aperceba do que se está a passar.

– As críticas que ainda se podem ouvir às medidas políticas mais absurdas serão silenciadas num sistema regional já que localmente as redes de dependência são muito mais fortes e os castigos muito mais pesados e rápidos – não é por acaso que as pequenas localidades são exemplos perfeitos de unanimismo, não há espaço social para contestar.

– Ao anular grande parte dos poderes de um estado central a Bruxelas consegue submeter ainda mais Portugal já que para muitos projectos passará a lidar directamente com autoridades regionais. Podemos chegar a uma situação em que caso exista oposição a máquina burocrática da UE pode utilizar regiões autónomas umas contra as outras.

"O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele." - Pierre Choderlos de Laclos

“O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele.” – Pierre Choderlos de Laclos

Por tudo isto não podemos ter dúvidas que seja quem for que assuma o poder nos próximos tempos o programa de medidas a médio prazo será o mesmo: medidas de proximidade, ou seja, uma regionalização encapotada que visa aprofundar o grau de feudalização da sociedade portuguesa. Enquanto as tribos da esquerda e da direita entretêm o país com danças guerreiras coreografadas e competições poéticas sobre quem é mais puro nas suas intenções o grosso das suas intenções reais passa ao lado do cidadão médio. Embevecido com o entretenimento e anodinamente seguro nas suas lealdades sectárias não lhe ocorre começar a ligar os vários silêncios estratégicos para criar uma imagem mais clara do que realmente se vai passar – convém lembrar aos leitores mais distraídos que em Portugal o que não é dito é sempre mais importante e revelador do que aquilo que é dito. Seja quem for que ganhe o próximo concurso de popularidade a resposta será essencialmente a mesma: devolver Portugal ao estado de caciquismo puro e duro.

"As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco da sua vantagem material." - John Galbraith

“As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco da sua vantagem material.” – John Galbraith

O anseio de mudança que grande parte dos portugueses sente será explorado implacavelmente criando ilusões sobre o que será realmente feito e com que objectivos. Os que se consideram mais “informados” serão ironicamente os mais manipulados e enganados pois acreditam que a mudança de linguagem e o falso protesto vão surtir efeito sobre uma elite que é inamovível. Acreditam piamente que as suas puras intenções, expressas de uma forma moderada e inepta típica da classe média (apesar de muitos destes cidadãos já não estarem nos escalões de rendimento correspondentes a uma classe média), serão respeitadas uma vez acabado o show eleitoral, esquecendo-se que o substrato dos seus projectos “alternativos” é controlado por pessoas que estão perfeitamente integradas nas nossas elites nacionais e cujas pretensões ideológicas de “radicalidade” não passam de uma afectação estética. Quando os dados estiverem lançados acabarão por tomar as mesmas decisões que todos os outros que os precederam porque no fundo não ambicionam qualquer rotura com o regime. A miragem de uma retoma económica eminente combinada com um desejo profundo de uma resolução mágica que não envolva qualquer acção pessoal combinam-se para criar a próxima desilusão.

O Jornalismo português e as elites – a subserviência dos jornalistas.

JORNALISMO CORPORATIVO - ESCREVEM O QUE LHES DIZEMAs elites de poder gostam imenso do jornalismo que lhes faz favores.

As elites de poder gostam imenso de corromper jornalistas, para que estes lhes façam favores.

Os jornalistas, na sua grande maioria, gostam imenso de ser corruptos e de fazer favores.

Chegamos ao universo do jornalista courtier. Na pirâmide de poder, estes são uma classe intermédia, que, com o decorrer dos anos, se tornaram fiéis ajudantes e defensores dos interesses da elite de poder.

São os lacaios de luxo, mantidos por conta.

Esta é uma plataforma de poder e de influência onde as sobras familiares endogâmicas da elite de poder começam também a serem colocados, como “agentes seguros e de confiança”, com o “pedigree” adequado à execução das inferiores funções da manipulação e disseminação de contra informação social, política e económica, visando defender os interesses ilegítimos e ilegais das elites.

Uma aliança maléfica de interesses e busca pelo poder para, “ajudar os “seus”, afastar todos os outros, corromper os que restarem.

Esta quadrilha, como bons (no mau sentido da palavra) courtiers, suportam e incentivam a mentalidade de rebanho na população.(Sejamos justos aqui; a população também os ajuda com as suas omissões, falta de dignidade e condescendência generalizada para com o “mal” e a sua implementação na sociedade como o “padrão”…)

Os “lacaios de luxo, mantidos por conta” comportam-se sempre como um rebanho obediente e vazio de ideias que se transmuta numa matilha, quando se trata de atacar quem sentem não ter poder, dinheiro ou conhecimentos para retaliar. Ou quem já teve poder e deixou de ter, e ai, aproveita-se para fingir “ força e independência” jornalística e lava-se a face perante a população.

Quando não estão ocupados a atacar quem não se pode defender, revertem para  posição original de onde partiram: transformam-se nas claques de apoio, “ cheerleaders” dos interesses da elite de poder.

São os cães de guarda, a elite pretoriana das letras e comunicação da elite de poder; o esquadrão de propaganda. Os aparatchiks literários da disseminação da propaganda.

Gosta de ser manipulado pelo jornalismo Português?

Gosta de ser manipulado pelo jornalismo Português?

Sempre de forma acrítica e com cegueira cognitiva, sem qualquer tipo de questionamento, dizem ao que vem: o elogio da ideia do “capitalismo das grandes empresas” como sendo isso a “democracia”. Se somos todos consumidores, a democracia está assegurada, então para quê sermos cidadãos?

Os que veiculam este pensamento são os facilitadores da traição.

(Neste aspecto, em Portugal é patético, hilariante e um asco, observar a forma como os responsáveis dos assuntos de economia das principais empresas de comunicação social se esforçam por produzir um discurso que agrade aos responsáveis das grandes empresas do país, na esperança de virem a ser por estas convidados para uma sinecura corporativa privada.)

De forma autista e arrogante promovem a mitologia da democracia portuguesa consolidada e (falsamente) justa, promovem o mantra “vivemos numa democracia” com “liberdade de imprensa” quando a realidade é bem diferente e estas pessoas sabem-no.

Sabem-no e demitem-se de fazer algo, são cúmplices da traição social que estão a ajudar perpetrar e apenas vão com a maré…

(O jornalismo português apenas existe para querer agradar ao “patrão”. Como tal apoia ostensivamente dois dos partidos políticos do pais – o PSD e o CDS – e ataca todos os outros também ostensivamente. Uma clique de comissários políticos travestidos de jornalistas junta-se em matilha para defender os seus interesses pessoais e os corporizados nestes partidos e nas sombras que os apoiam e manipulam; temos a “kakistocracia” das quadrilhas de minorias totalitárias que subvertem o sistema democrático”, mas organizadas como milícias de propaganda.)

O jornalismo português apoia e defende a substituição do voto pelo dinheiro.

O jornalismo português é uma miserável peça da engrenagem que tenta ajudar a corromper mais do que já está, um sistema político que deveria ser democrático.)

O jornalismo português presta sempre deferência na forma de lisonja e lambe botismo” aos “pseudo” grandes lideres da economia, os famosos capitães da industria, da banca, dos serviços, das inaugurações de monumentos míticos feitos em palavras de jornal, rádio, televisão aos próprios.

(Os crimes económicos destas pessoas passam impunes e são lavados pelas maquinas de propaganda da comunicação social portuguesa. Estas pessoas e as suas empresas recusam pagar impostos em Portugal, apesar de obterem enormes rendimentos aqui, estas pessoas hostilizam todas as formas decentes de vida em sociedade, comportam-se como pequenos tiranetes encharcados em hubris. Todas as semanas os panegíricos de apoio a estas personagens malévolas fazem-se.)

Os valorosos courtiers do jornalismo português dizem presente! Lá estarão sempre dispostos a baixar as calças e fazer um avio a quem estiver do lado de lá do dinheiro, do poder e da influencia.

(Quando sentem o vento a mudar, fingem que são sonsos e imparciais. O sonsismo profissional é uma arte no jornalista português.)

"O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia." Eça de Queiroz- Cartas a Fradique Mendes

“O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia.” Eça de Queiroz- Cartas a Fradique Mendes

Se eventualmente tiverem ocasionais rebates de consciência e podendo decidir redimir-se do que estão a fazer por verificarem que estão a servir uma elite de poder malévola, agressiva e destruidora escolhem não o fazer. Pelo contrário, movem-se entusiasticamente em linha com o que lhes solicitam. Os “membros da elite de poder“ tomarão conta deles…

Quando, no decurso do seu trabalho de disseminação de propaganda, convidam “especialistas” e “profissionais” para entrevistar e ajudar a explicar a complexidade de uma qualquer situação aos cidadãos, escolhem sempre convidar personagens “ dúbias” e intelectualmente desonestas, courtiers de outras áreas.

(Os courtiers de várias áreas reconhecem-se uns aos outros e ajudam-se uns aos outros.)

Marchando em corrupção uníssona, um exército rançoso e fora de prazo apresenta-se ao serviço. Oriundo das mais variadas posições, centenas ou mesmo milhares de courtiers juram juras de verdade.

Toda esta tropa é oriunda dos centros de poder. Dos Think tanks a eles agregados e respectivos proxenetas, dos free loaders da Universidade e quejandos académicos arcaicos e a cheirar a naftalina degradada, dos parasitas da comunicação social da área do comentariado sempre mentiroso, dos ex gestores de grandes empresas e respectivo séquito toda esta fauna  por ai anda, sempre a mesma, sempre oriunda dos mesmos meios sociais e partidos políticos, sempre oriunda das mesmas sociedades secretas e seitas religiosas ou seculares – para “nos explicar a realidade e fazer interpretação da mesma”.

(Agradecemos a imposição, mas recusamos que nos digam que uma parede cor de rosa é verde.
Agradecemos a imposição, mas recusamos que nos digam quais são os termos do debate que podem ser discutidos e quais não são. )

No trabalho designado por “trabalho pratico”, isto é, a investigação jornalística e a produção de noticias estas são apenas transformadas em falsificações e deturpações da realidade.

Comunicados e memorandos com agendas de assuntos pré formatados, mandadas para a imprensa e feitas pelas grandes empresas que tem peso para isso e pela agência Lusa – o cano de esgoto “oficial” da manipulação – de onde jorram todos os dias noticias fabricadas e realidades pseudo alternativas que são sempre as mesmas: obedeçam, façam filhos, comprem nas nossas empresas, gastem muito, votem PSD e CDS, os outros são comunistas, já repararam que há muito crime; se calhar era preciso a pena de morte, afastem-se dos gays e lésbicas e demais minorias excêntricas da sociedade, sejam bons portugueses e vão a Fátima, odeiem muçulmanos e (demais religiões) qualquer seja a fruta do dia a vender-se ou que interesse vender.

"Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo." Joaquim Nabuco

“Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.” Joaquim Nabuco

Quando os canhões da propaganda se calam, surge o pânico Em Portugal, muitas vezes, nada acontece em termos de noticias.

A solução é encher as crateras noticiosas com novidades ( product placement) acerca de uma qualquer actriz de cinema que vestia “X” da marca “Y” no SPA onde foi fazer Botox, historias de vida, moda saloia e provinciana, futebol, geralmente com os respectivos especialistas que são escolhidos a dedo por nada saberem, e restantes trivialidades relacionadas com crianças e animais.

Os antes gloriosos membros do quarto poder decidiram auto transformar-se em macacos amestrados que saltam ao som da voz do dono. Ou, numa versão ave canora, em papagaios de bico dourado que repetem a propaganda oficial dos milionários e dos membros da elite de poder e dos dois partidos políticos que estes mais controlam, mais as sub propagandas dos diversos grupos de interesse, que gravitam como moscas à volta.

“A newspaper is a device for making the ignorant more ignorant and the crazy crazier.” ― H.L. Mencken

“A newspaper is a device for making the ignorant more ignorant and the crazy crazier.”
― H.L. Mencken

Um dos desportos favoritos das empresas privadas e dos seus donos (que controlam a imprensa “normalizada e caramelizada” que temos), quando estão aborrecidos por falta de estímulos narcisistas ao ego, consiste em decidir contratar jornalistas cujo papel principal e especifico consiste na criação de uma imagem suavizada das elites de poder, para delas fazerem passar uma boa imagem junto da população.

Estes courtiers de vintage especial, tem a tarefa adicional de promover a imagem dos membros das elites de poder como se estes fossem celebridades, estrelas de cinema, pop stars, artistas.

(Contudo, em Portugal este expediente falha bastante, dado que a maior parte das massas nutre um profundo desdém pelas elites e devidamente merecido…)

Estes jornalistas courtiers podem ganhar bastante bem, e frequentam os mesmos lugares da “ high society” que as elites de poder frequentam. Dai por vezes serem também transformados ou auto transformarem-se em spin doctors.

(O spin Doctor é uma mutação derivada da radiação malévola que emana dos membros da elite de poder quando em contacto com os restantes. Projectam essa radiação e os anteriores jornalistas lambe botas courtiers cuja função era a de serem panegiricos humanos dos milionários, transformam-se em criaturas ainda mais desprezíveis que não acreditam em nada, não tem valores, são profundamente amorais.)

"O jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja." - Honoré de Balzac

“O jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja.” – Honoré de Balzac

Costumam ser estas formas de mutantes – estes parasitas amorais, os que são convidados regularmente para os círculos de poder.
Geralmente já tem atrás de si um trajecto “profissional” de circulação intensa entre empresas de comunicação social, think thanks comunicacionais de parasitas que estudam aldrabices pseudo arcanas às quais chamam “ciência comunicacional” e não propaganda, gabinetes de imprensa de empresas grandes, empresas de consultadoria “em comunicação” ou relações publicas   (o nome sofisticado para “propaganda” e outras sub formas de “spinismo”) e que em nada acreditam excepto no cheque generoso ou nos favores para a família e amigos, que os milionários lhes remetem, pelos serviços de distorção da verdade, prestados.

A tarefa destas criaturas é distorcer a verdade, omitir a realidade, lançar a confusão, falsificar factos, servir de camuflagem e dar protecção aos seus e aos Overlords.

SIMBOLO IRMANDADE DE NEMESISA Irmandade de Nemésis recusa pactuar e acreditar que” jornalismo” passou a ser isto, e que “ isto” é que é uma imprensa Livre.

Os irmãos estão convencidos que a população merece jornalismo e merece qualidade.

Declaramos ser absolutamente contra estes “produtos”adulterados que nos estão a vender como sendo o artigo genuíno.

Um sociedade séria, democrática e saudável rejeita a manipulação dos meios de comunicação social feita por ” dentro” para subverter os profissionais da área e muitas vezes feita por estes ao serviço de entidades sinistra e não democráticas e feita por “fora” ao serviço de entidades autocráticas e que se escondem nas sombras de ilegitimidade, corrupção, nepotismo e maldade.

As sombras mudam de posição

O Verão costuma ser morto e este ano não foi excepção. Aproveitou-se o vazio noticioso para ir introduzindo temas relevantes que não tiveram de todo a atenção detalhada que mereciam. Foram apenas benevolamente comentados pelos suspeitos do costume que tudo fazem para mostrar a inevitabilidade e normalidade de falências bancárias, manobras de bastidores partidárias, estranhas relações entre público e privado e infindáveis cortes no nível de vida do cidadão. Haverá aqui algo de novo que mereça comentário? Vamos dar alguns passos atrás, para ganhar alguma distância crítica, e vamos dissecar a situação estratégica sem a distracção dos faits divers. O leitor será o juiz sobre o que realmente se passa com o seu país.

Alexander Litovchenko - Charon Carries Souls Across the River Styx

“É preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la” – Séneca

As falhas estratégicas da elite de poder não precisam de mais estudos aprofundados por parte de grandes académicos, porque, como em tudo na vida, a prova está sempre nos factos empíricos. E os factos são os seguintes: Portugal saiu de uma rota de convergência social e económica com o resto da União Europeia há pelo menos duas décadas; As instituições públicas e privadas são feudos (no verdadeiro sentido medieval da palavra) geridas com punho de ferro mas também com total inépcia por membros da elite ou do seu “secretariado” (vulgarmente designados de “gestores”); O mérito é uma palavra oca, não se traduz em qualquer recompensa no mundo real ao contrário do que os meios de comunicação fiéis ao regime querem fazer transparecer (no entanto o número de falências de empresários recentes – ou seja, pessoas que acreditaram no discurso oficial e colocaram a sua vida em jogo num qualquer investimento – não é sequer mencionada ou contabilizada); O empobrecimento generalizado há mais de uma década que deixou de ser um fenómeno ocasional ou temporário para se tornar sistemático e irrevogável; O sistema de troca de favores entre um circuito fechado de amigos e conhecidos foi, é e parece que continuará a ser a norma de funcionamento para obter seja o que for, falemos de “alta política”, uma empresa internacionalizada ou de uma junta de freguesia perdida no Portugal profundo. Estes são os factos. Não mudaram. O país é este. E como muitas famílias estão a descobrir, à medida que os seus rebentos acabam os seus estudos ou são obrigados a abandoná-los por incapacidade financeira, o elevador social está fechado para reparações por período e indeterminado.

“Num país bem governado a pobreza é algo que deve causar vergonha; num país mal governado a riqueza é algo que deve causar vergonha.” – Confúcio

“Num país bem governado a pobreza é algo que deve causar vergonha; num país mal governado a riqueza é algo que deve causar vergonha.” – Confúcio

Mas talvez haja algo a dizer. Alguns dos demagogos mais proeminentes ao serviço da elite de poder têm recentemente saído da sombra para voltar a comentar aqui e ali certos detalhes do que vai acontecendo. Parte do que este blogue e a Irmandade de Némesis andaram a dizer parece que se tornou óbvio para estes senhores – a solução prescrita não é a mesma mas falaremos disso mais á frente. Parecerá com certeza estranho a qualquer pessoa que comentadores profundamente integrados neste sistema tenham ganho uma consciência, compaixão ou empatia nos últimos meses. Obviamente que não se trata de qualquer sentimento de culpa ou de responsabilidade para com a população que atraiçoaram, por bem menos que as tradicionais trinta moedas de prata. A estratégia da elite parece estar em mudança. Devido em grande parte à sua incompetência crónica (e dado que se trata de um grupo praticamente endogâmico penso que não seria ir muito longe dizer que é genética) para gerir os seus próprios interesses a elite de poder criou um pequeno inferno neste país. Mas claro que nunca nenhum destes senhores feudais pensou que isto afectasse os seus próprios protegidos/afilhados/família ou que de forma alguma pudesse vir a ameaçar a sua predominância social ou mesmo, em alguns casos, sobrevivência. Esqueceram-se do resto do mundo. A sua visão tipicamente provinciana e saloia é de tal forma estreita que ignorou que eles não são os únicos protagonistas na política e economia mundial. Não passam de actores secundários, muitas vezes nem isso, e que os seus insignificantes objectivos e ambições são facilmente aniquilados por outras elites mais dinâmicas, competentes e com maior poder. Esta desvantagem intelectual é algo que não conseguem resolver sozinhos. Nem estão dispostos a deixar que alguém interfira no assunto. Antes de permitirem que alguém partilhe o leme do barco preferem que vá ao fundo. Como irónica e perspicazmente Napoleão terá comentado com o seu ministro dos negócios estrangeiros, Talleyrand, acerca da dinastia dos Bourbon: esta elite nada esquece e nada aprende. Por muitas viagens que façam a Londres, por muitos MBAs que tirem, por muitas compras que façam na Place Vendôme, por muitos brinquedos tecnológicos americanos que acumulem ou por muito que se tentem tapar com a última moda de Milão não conseguirão jamais deixar de ser o que sempre foram: merceeiros mesquinhos a quem falta qualquer tipo de visão estratégica quer para si quer para os que dominam através de coerção e medo.

“O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa de se desculpar.” – Eclesiástico 13:3

“O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa de se desculpar.” – Eclesiástico 13:3

Colocados em cheque na sua própria casa a elite de poder teve que começar um processo de reposicionamento dos seus peões. Confrontados com uma situação que começa rapidamente a fugir ao seu débil controlo começam a abandonar alguns dos seus aliados políticos tradicionais. Não deixarão de fazer os habituais negócios de renda garantida com o Estado ou colocar os rapazes das várias cores políticas como seus assessores e gestores, mas gradualmente deixarão a classe política assumir cada vez mais o peso moral das monstruosidades que vão fazendo. Dão instruções para que os seus agentes tomem posições algo mais críticas em relação aos erros de governação que entram pelos olhos dentro e que são impossíveis de vender à população como algo que não seja uma imposição hierárquica caprichosa. Em suma, estão a distanciar-se tacitamente. Assumem pela primeira vez, desde o seu regresso do exílio a que foram remetidos em 1974, que talvez o regime democrático, tal como o conhecemos, não sobreviva e querem estar numa posição mais cómoda para negociar com o que vier a seguir. A forma como a questão está a começar a ser posta perante a população é clássica. Escolher entre dois cenários convenientes e apresenta-los como as únicas alternativas viáveis, sabendo de antemão que ambos servirão de forma adequada os seus interesses.

“A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras. Se se conseguir controlar o significado das palavras consegue-se controlar as pessoas que são obrigadas a usar as palavras” – Philip K. Dick

“A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras. Se se conseguir controlar o significado das palavras consegue-se controlar as pessoas que são obrigadas a usar as palavras” – Philip K. Dick

O cenário preferível é o que vivemos já actualmente e aposta acima de tudo num certo grau de continuação da passividade popular. Manifestação à porta do ministério A, protesto junto à Câmara Municipal B, greve na empresa C, etc. Tudo somado dá em nada. Prossegue o processo de transformação de Portugal num país de terceiro mundo dentro da União Europeia que presta tributo (uso a expressão literalmente) a Berlim sobre a forma de um juro perpétuo de uma dívida que nunca poderá ser saldada através das instituições Europeias e bancárias. O segundo cenário é algo mais complicado mas ainda assim desejável do ponto de vista da elite de poder. Trata-se de deixar que o regime se consuma a si mesmo. Sem nunca se colocar como uma oposição clara mas permitindo que a classe política leve as coisas até ao ponto de rotura. Nesse momento será apresentado o seu homem providencial que implorará em lágrimas que o deixemos impor ordem na casa, a bem da nação – de forma generosa, exigirá apenas a nossa abdicação dos poucos direitos e liberdades de que ainda dispomos. O risco neste caso é fácil de entender. Qualquer regime que entre em fase terminal perde o controlo sobre os seus próprios meios e é complicado conseguir prever quem sairá vencedor de qualquer conflito que deste género. Há uma possibilidade séria de o resultado não ser o desejado. Mas tal possibilidade pode ser contrabalançada. A nível interno com o apoio dos meios de comunicação leais aos seus empregadores e com doses generosas de financiamento que outros pretendentes menos cooperantes não irão dispor. E a nível externo não é segredo que a UE segrega do seu centro uma certa dose de “racismo” cultural face aos estados do Sul e que do seu ponto de vista um regime “musculado” pode ser visto como mal menor para lidar com os “bárbaros” e “irresponsáveis” desde que não afecte os seus planos a longo termo ou equilíbrios regionais. Seja qual for a escolha “livre” dos portugueses o que será inaceitável para a elite (e como tal nem é colocado como hipótese) é que a população se autonomize face aos seus interesses, que os senhores feudais sejam expulsos dos seus castelos.

“Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal.” – Maquiavel

“Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal.” – Maquiavel

Os testes iniciais de aceitação destes cenários já começaram há muito tempo. As reacções iniciais foram extremamente negativas junto do público geral, daí o seu adiamento até este momento. Mas o tempo e a pobreza desgastam e tornam o que não seria contemplável em algo possível e eventualmente em algo que seja visto como um mal menor ou mesmo necessário. O tempo de cenários hipotéticos acabou. As hipóteses já foram postas em cima da mesa em muitos círculos e já começam a ter a sua fase inicial de divulgação às massas em forma de pensamento coerente. É um processo em marcha. O tempo e o serviço dos mercenários intelectuais irá cristalizar e tentar enobrecer estas tácticas de perpetuação de dominação. Caberá, como sempre coube, aos cidadãos saberem resistir, defender-se e reconquistar o que é deles por direito. São os cidadãos que têm que gritar com convicção “Roma não paga a traidores!”.

O Enclave está com os cidadãos.

A Irmandade de Némesis está com os cidadãos

A elite de poder como oligarquia decadente e corrupta

Numa *classificação de sistema-mundo dividido em Estados-core, Estados semi-perifericos e Estados-perifericos, parecia ser claro ao autor da ideia poder-se afirmar que a actual elite de poder mundial oligárquica estaria a preparar a imposição de fato de tal visão mundo como o padrão a seguir no relacionamento entre países.

Esta é uma das contribuições da elite mundial oligárquica. Impor o conceito de subserviência total de quase todos os Estados como novo conceito operacional nas relações entre países e populações.

Um mínimo olhar de relance, sobre notícias e acontecimentos pelo planeta,confirma este desejo mórbido das “elites de poder”.

Como a “elite de poder” deseja sempre piorar as coisas, só Estados periféricos com a dimensão de vassalos e clientes já não chegam para as ambições desta “elite de poder”.

Um novo protótipo de Estado que se posicione numa dimensão inferior à de um Estado periférico, parece ser um dos novos objectivos.

A irmandade de Nemesis concluiu e especulou metaforicamente que esta elite mundial oligárquica já foi ultrapassada pelos acontecimentos.

Já existe Portugal.

Um Estado inclassificável. O “Estado” a que isto chegou.

O ” Estado-Nação ” em que até a venalidade e a corrupção são incompetentes e seriam classificadas, acaso fossem avaliadas por uma qualquer agencia de rating especializada em avaliar corrupção, como sendo da classe de rating ” lixo”.

Historicamente, a elite de poder portuguesa é a única responsável por séculos de “O Estado a que isto chegou”.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Para ” mostrar “serviço internacional” a elite de poder portuguesa tem desenvolvido coisas abjectas como “isto” nos tempos recentes. É um “road-show” para mostrar as suas qualificações profissionais às outras elites de poder mundiais.

A vaidade incompetente da elite de poder portuguesa afirma: ” estou aqui, olhem para o pior que conseguimos fazer que é pior que o que vós conseguis fazer“.

SERVILISMO - PÉS

Esse é o objectivo internacional desta classe parasita. Serem uma nota de rodapé obscura e narcisista no grande livro histórico da genealogia mundial das elites de poder.

Um “tour de force” permanente tentando demonstrar aos amos e mestres internacionais que é a vitoriosa vencedora do ultimo lugar na escala da divisão do trabalho, do poder, e da influencia, demonstrando sempre isso da forma mais subserviente possível.

CORRUPÇÃO POLÍTICA EM GERALComo a elite de poder portuguesa se comporta como uma oligarquia, mas uma oligarquia ainda mais estúpida e destrutiva que as oligarquias “normais”, os seus tiques são ainda mais bizarros e aleatoriamente desprovidos de qualquer sentido.

Um deles é a absoluta incapacidade de produzir qualquer forma de autocrítica que tenha como objectivo a correção dos seus próprios crimes e das suas próprias deficiências.

Rejeita sempre qualquer substituição de pessoal nas esferas de poder que a possa regenerar.

Se esta gente se acha a melhor, porque iriam admitir que há melhor que eles? O benchmark são eles próprios, não a situação…

oligarquia-  MontesquieuUm dos exemplos históricos sintomáticos disto foram as pretensas substituições de elites de poder.

Um produto de marketing político e social cujo objectivo foi a venda da ideia à população  que teria existido uma hipotética limpeza regenerativa do sistema político-social- economico) que terá ocorrido algures entre o dia 25 de abril  de 1975 ate ao dia 26 de abril de 1974. E em alguns anos posteriores.

Quase 4 decadas passadas compreende-se que o novo foi e apenas é o antigo recauchutado, sendo que os resultados catastróficos são sempre antigos, mas em pior, sempre em pior.

Esta limpeza imaginária do sistema político-social-económico ocorreu nessa data e posteriormente gerou que, ao pior do antigo regime que a população tinha que aturar sucedeu o pior desse regime, conjugado com o pior deste.

eca de queiroz - politicos e fraldas

É um upgrade do pior. Uma fusão de extremos péssimos.

A limpeza imaginaria do sistema propagandeada pelas elites gerou uma nova corrida em direcção ao fundo esperando-se lá chegar depressa e com força.

Como verdadeiramente nenhuma substituição de elites caducas por novas elites dinâmicas ocorreu nessa data e anos subsequentes, ou ocorreu nos últimos 20 ou 400 anos ou nos últimos 150 ou 30, nenhum auto correção orgânica de comportamentos desta gente ocorreu.

Nenhum esforço de melhoria ética e de comportamentos ocorreu.

Apenas ficou o mesmo com nova roupagem: uma intensificação alargada dos mesmos vícios decadentes, o mesmo vicio da corrupção exponencial, a mesma tendência para um comportamento destrutivo que destrói recursos e desperdiça oportunidades

A mesma decadência de comportamentos, o narcisismo como forma de estar e a corrupção como forma de agir são as trademarks deste ecossistema de doentes psicopatas.

C WRIGHT MILLS - REVOLUCAO-CONTRA REVOLUCAOA partir do dia 26 de Abril de 1974, o nepotismo foi recauchutado, a pseudo cultura de mérito foi reembalada em caixas novas podres como as antigas, o amiguismo rasteiro foi elevado á categoria de privilegio de classe, o compadrio passou a ser uma forma democrática de convivência política e económica .

Gordos caciques gordurosos passaram a ser o novo ” must”.

Uma actualização com o novo software da corrupção surgiu patrocinada pela nova emergente elite recauchutada: a fusão corporativa dos vícios do Estado novo com as novas praticas da democracia subvertida.

Que estranho é que a ditadura de extrema direita tenha conseguido derramar o seu fel corrupto para lá das portas do 25 de abril de 1974.

Estranho ou nem por isso?

Queremos, enquanto sociedade, continuar a querer viver dentro um país em que o nepotismo é considerado um bem a preservar?

Queremos, enquanto sociedade, continuar a tolerar a promoção de falsas culturas de mérito em que quem as promove está convenientemente defendido em sinecuras corporativas privadas ou publicas dos sobressaltos laborais e pessoais que a generalidade da população sofre?

Queremos enquanto sociedade, tolerar o amiguismo politico-pessoal-economico-social de um conjunto de parasitas que nada contribuem para o país e apenas destroem recursos e desperdiçam oportunidades?

O Enclave diz não.

A Irmandade de Némesis diz não.

"Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto"

“Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto”

* Wallerstein é citado como exemplo. Apenas isso.

** Declaração de interesses:

1 – Deve evitar concluir-se que as afirmações contidas neste texto são declarações de apoio a posições nacionalistas de extrema direita, posições nacionalistas de tipo monárquico, ou da extrema esquerda portuguesa ou a quaisquer outros grupos que defendam o nacionalismo doentio e agressivo como forma de relacionamento entre este pais e outros países e entre a população deste país e a população de outros países.

2 – Deve evitar-se concluir que pelo exposto acima, que o texto defenda ou pretenda defender qualquer teoria globalista.

3 – A Irmandade de Némesis rejeita a traição social, a desonra patrocinada por uma elite de poder, corrupta e venal, a indiferença perante o que acontece, a amoralidade da classe dirigente.