As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

Gravy train, ou os parasitas do politicamente correcto na comunicação social (política)

gravy-train

O gravy train portugues…

Num recente episódio de um programa de televisão onde os intervenientes fingem que debatem a situação política nacional; uma das pessoas que intervém fez uma tirada tão pseudo espectacular como estúpida. Verdadeiramente e sem querer, revelou o que verdadeiramente pensava sob o assunto ” austeridade”.

Sentindo pânico pelo que chama de “o avançar do populismo” e pretendendo atacar a actual solução de governo em Portugal, correlacionar isso com a Europa e o deprimente estado político da mesma, e ao mesmo tempo, aviar o recado vindo dos seus amos, segundo o qual “tudo” o que acontece de mau na Europa seria única e exclusivamente culpa da Alemanha, esta insigne criatura declarou que a má gestão da crise europeia por parte da Alemanha teria dado origem ao Brexit, à aproximação da Alemanha à Rússia, à crise do Médio Oriente e especificamente no que aos partidos políticos europeus diz respeito e respectivas afinidades tal má gestão teria originado o fim da social democracia europeia.

Este programa televisivo é de orçamento reduzido, devemos ter isso em conta, quando pessoas pagas para analisar e debater politicamente, apenas conseguem produzir uma má conversa de café, mesmo que inclua alusões ao The economist ou ao Finantial Times ou a qualquer outra falsa bíblia.

A criatura televisiva, courtier de segunda classe, com esta proclamação do fim da social democracia europeia, argumentava a seguir que isto tinha originado o fim dos partidos da tribo da esquerda política de vertente social democrata na Europa. Tal desastre tinha originado o aparecimento de “todos estes partidos de extrema esquerda”, que eram – pasme-se – contra a austeridade.

Infere-se segundo esta criatura que os partidos da social democracia “normais” e sem desvios à norma serão a favor da austeridade…?

É este o nível da argumentação estúpida, preconceituosa, que avia recados dos superiores hierárquicos oligarcas.

É esta a disseminação verbal da injustiça como forma de organização social.

SERVILISMO - PÉS

Esta criatura courtier tem sido um membro constante e sistemático da elite cortesã deste país durante os ultimo 30 anos.Cavalgou o Gravy train português, auto colando-se à tribo da esquerda política.

O método cientifico para obter esse selo de qualidade e garantia de “normalidade social democrata” consiste em manifestar um acentuado anti comunismo, patente em declarações públicas e privadas, em paralelo com uma inclinação cultural imensa (supostamente um feudo exclusivo da tribo da esquerda política…) que leva a que se pense nos circulos bem pensantes dos cortesãos e dos que lavam mais branco que a pessoa é aceitável, uma compincha pró valores”de social democracia de acordo com o livro de regras.

Estas pessoas obtiveram inicialmente os cursos universitários certos nos lugares certos, ocuparam os empregos “de pluma vistosa” do regime, os estandartes supostamente meritocráticos do mercado de trabalho das artes, letras e ideias (especialmente nas administrações da tribo da esquerda política e especialmente nas administrações da direita política…) e obtiveram elevados lucros quer na gentrificaçao material do regime (obtenção de bens materiais e estatuto financeiro), quer nas áreas gentrificadas habitacionais do regime, onde habitualmente vivem e criaram casulos e bolhas de classe “bem”.

A vida tem sido boa.

Estas pessoas arranjaram um emprego em ” sítios” onde é inexistente a necessidade de trabalhar.

São apenas pagos para nada fazer, servindo de veículos que passam a mensagem que agrada as elites e aos oligarcas.

São apenas pessoas que existem num emprego durante um dia inteiro e são pagas para falar.

Falam muito, mas a substancia do que dizem é zero.

Exactamente…, qual é o valor social, politico, profissional, cívico, de cidadania que estas pessoas tem entregue à sociedade, como retorno, pelo que a sociedade lhes tem permitido ser?

Reorientando momentaneamente este texto.

Portugal transformou-se num local em que é muito estúpido o acto de se procurar ajudar as pessoas.

Como regra geral, as pessoas traem quem as ajuda, traem a cidadania que deveriam defender, traem-se a si próprias. Filosoficamente, e com muita paciência  deve responder-se que o problema principal não reside na constatação que as pessoas irão trair, mas sim que as pessoas irão trair por um preço próximo de nada.

É inexistente qualquer capacidade por parte da generalidade da população em fazer uma correcta avaliação custo – beneficio do valor de qualquer coisa.

Numa nota ingénua, deve-se fazer o esforço de ajudar, mas há limites de paciência e de preço próximo de nada.

Com o acima escrito em mente é necessário dizer que quem paga a existência dos parasitas do politicamente correcto, como discurso público próprio de um sistema de cortesãos inserido no arco da governação, recuse pagar este preço por algo que não traz valor.

Com  acima escrito em mente é necessário dizer que os cortesãos que põe uma cara alegre afirmando serem pró justiça social, pró pobres, pró “social democracia” tem lucrado a nível pessoal com as injustiças e a pobreza que derivam dos ataques que são feitos aos membros da sociedade com problemas.

Com acima escrito em mente é necessário dizer que os cortesãos estão com verdadeiros problemas.

Num mundo com internet, cidadãos despolitizados, sem dinheiro institucional para os manter acima ou no patamar em que estão, sem acrescentarem qualquer valor de mercado aos oligarcas e as elites, quem precisa deles?

O chão foge-lhes debaixo dos pés.

Devemos ajudá-los a terminar a sua carreira de mercadores aleivosos com a maior indignidade possível.

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

Manifesto em defesa da banca portuguesa e do interesse nacional

2015-11-25 - rob riemen- 2012

Para que serve um banco?

Nas definições tradicionais plasmadas na economia dos manuais e nos manuais de economia, os bancos são entidades comerciais que emprestam dinheiro e cobram juros. Depois a economia desenvolve-se, (saber qual o conceito de desenvolvimento da economia que é aplicado e se é bom ou mau, parece não interessar… ) os cidadãos enchem-se de felicidade e passam a gostar muito do “regime político português” e continuam a apoiar “isto”.

Nas definições verdadeiras que (quase) todos nós sentimos no nosso dia a dia os bancos pagam impostos com taxas abaixo do legalmente autorizado para o cidadão comum (sendo que as taxas mais baixas de IRC para os bancos foram todas sancionadas favoravelmente pelo “ regime político português”…) e descontentes com tantas benesses (esquemas financeiros em offshores no que ao pagamento de impostos diz respeito) também facilitam conselhos sobre contas e como abri-las em paraísos fiscais para os clientes especiais ($) amigos e das famílias certas.

São os bancos democráticos?

São! Democraticamente colocam familiares, amigos, conhecidos, militantes com cartão de partido do “arco da governação” em lugares nos balcões, no “back office”, nos quadros intermédios, na gestão de topo.
Acaso existam esquecimentos ou falhas na colocação de algum filho família, ou jota partidário o generoso financiamento camuflado ou de forma cristalina e bem visível, das campanhas eleitorais dos partidos políticos assegura a supressão da falha. Subsequentemente, podem surgir, como flores na Primavera, lugares para conselhos de administração de políticos em fim de carreira ou em começo de carreira. Os assessores jornalistas amigos e demais espécies de ténias autóctones com quotas de lugares também ocorrem com frequência.

A decoração bancária é importante comercialmente?

Muito importante! Lugares decorativos servem para políticos e demais fauna associada colocarem as namoradas curvilíneas, siliconadas e geralmente louras platinadas (Embora fêmeas morenas do género ” Milf” ou “Teen” ou faunos homossexuais também possam ter quota atribuída…) Também os jotas com um neurónio e sotaque de Viseu ou de Massamá/Cascais aterram nos balcões em quantidades impressionantes. (Nos últimos anos menos porque o brilhantismo visionário da gestão bancária levou a “imparidades”; uma palavra altamente técnica que significa que geraram a criação de enormes prejuízos devido aos “martelanços” feitos nos balanços conjugados com erros clamorosos de gestão.)

O aprimoramento da decoração bancária não deve fazer-nos esquecer os altos responsáveis do Estado que colocam filhos e enteados, que, desorientados pelos vastíssimos corredores que levam aos gabinetes precisam de indicações paternas e de uma mão amiga lá dentro para os orientar na vastidão das sedes bancárias e nos gabinetes de análise (Os tais gabinetes de análise que falharam todas as análises sobre que opções de gestão tomar para evitar que levassem a “imparidades”….). É daí que vem a expressão popular ”a solidão do Gabinete antes de ser encontrado pelo Jota das cunhas ou pela loura siliconada”.

As boas famílias, as que falam com sotaque e se tratam por “você”, mesmo quando praticam coito em posição de missionário,(apenas para fins reprodutivos), são financiadas com empregos e cargos, (social corruption oblige…) e informação privilegiada. Depois podem “empreender” regularmente na economia porque existe uma “safety net” à disposição baseada na informação premium e nas “ costas quentes” privilegiadas por estas redes de capitalismo comunista para os insiders. Acaso existam esquecimentos ou falhas na colocação, um qualquer alto cargo nomeado para a administração publica em lugar estratégico que sirva os interesses providenciará qualquer coisa gulosa e apetecível, mediante troca de favores a combinar.

O despacho favorável, a legislação a favor, a portaria oportunista com virgulas estratégicamente colocadas, em defesa dos seus próprios interesses são um dado adquirido para as oligarquias.

Dai serem democráticos e estéticos: facilitam tudo o que faz mal à população, à democracia e à sanidade mental geral e fazem-no com estilo decorativo (perverso, mas estilo).

2016-02-07 centros decisao portugal

Qual a conclusão a retirar?

Somos abençoados com a dialéctica simbólica bancária: os bancos do regime quando os partidos políticos chegam ao poder executivo ( ganham as eleições porque foram autorizados e pré escolhidos a chegar ao poder executivo…) são os generosos benfeitores da governação de quem esteja de turno.
Quer directamente, via doações obscuras para as campanhas eleitorais, quer indirectamente via concessão de “credito financeiro” aos governos que estão a ocupar o turno (comprar divida publica, isto é, emprestar dinheiro ao Estado sem que exista racional económico para o fazer insere-se nesta lógica de corrupção…e compra..e troca de favores…)

A dialética é simples: a população perde, os parasitas ganham.

Há mais centros de distribuição de migalhas sem ser os bancos?

Nesta primeira divisão de armas económicas os bancos e respectivas empresas associadas reinam. Nas restantes divisões surgem depois as empresas do regime, monopolistas, ou semi monopolistas ou oligopolistas ou comunistas chinesas que ofertam prebendas, via troca de favores não escritos aos partidos do arco da governação e a todos os parasitas que gravitam ao redor. Esteticamente, as portas giratórias por onde ex-políticos profissionais, amadores, em estágio, ou das juventudes partidárias circulam num fluxo continuo que quase nos parece ser um ballet Bolshoi político em movimento, são lindas.

São lindas para quem aprecia. Não é esse o caso da Irmandade de Némesis.

Quais as doutrinas a seguir?

Não cabendo aqui discutir se o capitalismo é ou não um sistema válido a manter, deve-se referir que “este” capitalismo português é tudo menos válido. Aparentemente é um capitalismo de Estado tal como as facções neoliberais portuguesas pertencentes à tribo da direita política vomitam sem cessar, afirmando que deve ser terminado (e depois como é que essas facções ganhavam dinheiro fácil e adquiriam poder…alguém já explicou isto a estes pobrezinhos de espírito?), mas na realidade é um falso capitalismo.

É um capitalismo de marca branca e das péssimas fabricada em sweatshops do Bangladesh ou do vale do Ave, em que o capitalismo português/oligarcas e elites se tornaram parcialmente donos do Estado e apenas o usam em função dos seus próprios interesses.

realidade - coincidencia

E os clientes comuns da Banca , como são tratados?

São muito bem tratados! Quando os Bancos querem ganhar mais dinheiro de forma ilegítima e a-capitalista (para colmatarem os inúmeros erros de gestão e pagar as comissões aos parasitas oriundos das famílias amigas do costume…) abusam dos seus clientes criativamente inventando taxas, comissões, serviços a serem cobrados, preçários ultra elevados, portagens e restrição de direitos de acesso à compra de produtos, serviços ou negócios ,e/ou ameaçando e executando penhoras sem qualquer contemplação comportando-se em geral como um extorsionista de tipo mafioso.

E em matéria de concorrência comercial e regulação?

Pedem  Exigem ao Regulador servil, serventuário e geralmente rastejante (que já trabalhou na banca ou espera vir a trabalhar, ou tem amigos, filhos, parentes, fêmeas siliconadas aparte, a colocar, ou montes alentejanos debaixo de olho) que feche os olhos acaso exista alguma concorrência externa. Daí o mercado bancário ser objecto de constantes fusões entre players,sem veto dos reguladores…quando existem análises às posições de mercado dominantes é sempre aviado um “estudo técnico” que valida a fusão. O consumidor/cidadão perde a seguir.

Acaso o poder político de turno tenha um arroubo testicular momentâneo e decida aplicar regras mais duras e justas surge o acto de carpir.
Nas raras ocasiões em que isto acontece carpideiras do jornalismo e das empresas do regime num ritual retórico semelhante a uma missa irrompem pelas procissões de banqueiros que estão em movimento para irem carpir ao santuário mais próximo e numa união de facto todos se movem (uns fisicamente, outros a aviar propaganda na imprensa mainstream do regime…) em direcção ao sitio onde supostamente existirá um governo português. A expressão ”em defesa da manutenção em Portugal dos centros de decisão“ é sussurrada em uníssono, com fervor missionário.

Posteriormente, nada ilustres banqueiros com ar sério dirigem-se às massas ignaras em conferências de imprensa repletas de jotas do jornalismo ou louras siliconadas do jornalismo (também há quotas para morenas siliconadas e faunos homossexuais…mas em menor numero)  e explicam-lhes que os arroubos testiculares momentaneamente demonstrados pelo poder político são muito maus. Depois ameaçam com medo e insinuam que as contas dos particulares estão em perigo de serem saqueadas “por causa da perda dos centros de decisão nacional”. O resto das empresas de regime, nos dias e semanas seguintes, carpem a seguir, em uníssono, com fervor missionário “Em defesa da manutenção em Portugal dos centros de decisão”.

2016-02-08 centros decisao nacional- fim esta proximo

E fiscalmente?

Quando, no meio de tanta incompetência e má fé por parte dos bancos há erros fiscais que prejudicam os sacrossantos acionistas dos bancos (e os incompetentes ceo´s e equipas de gestão mais os seus bónus anuais generosos…) impedindo-os de ganhar 1000 e apenas fazendo ganhar 999, requerimentos chorosos são apresentadas nos lugares respectivos, e surgem despachos milagrosos que concedem isenções para, dessa forma, existir um regresso aos números dos lucros protegidos.

É a banca um sector protegido?

Obviamente! É artificialmente protegida da ira da população que é oprimida sistematicamente sobre este assunto, nada fazendo ou dizendo (até ficar sem dinheiro nas contas porque alguém da administração as mandou congelar roubar, para pagar os gigantescos erros de gestão dos ceo´s- são as imparidades…) e é protegida também pelo facto de os nossos políticos (quase todos no bolso de alguém ou apenas muito estúpidos – só há duas hipóteses aqui…) confundirem os interesses da banca com os interesses nacionais.

Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas no sistema político português

É sempre desagradável iniciar a escrita de um texto com uma frase óbvia: o regime político português está completamente bloqueado.

A natureza do bloqueio é vil e assume características de oligarquia e casta. Um bloqueio desenhado e construido para impedir (primeiro) a produção de democracia e (segundo) a sua efectivação com um carácter pratico, para impedir a participação social e política e na política e para impedir que se consiga alcançar o bem estar social para quem vive em Portugal.(excepto para os membros privilegiados e escolhidos da casta, respectivas familiar e associados corruptos em/ou formação na arte negra)

Os construtores do bloqueio foram as elites políticas, económicas e sociais que emergiram do alarido inconsequente do dia 25 de abril de 1974 e posteriormente dos “contra acontecimentos” do dia 25 de Novembro de 1975; que reverteram uma já antes ideia incipiente de democracia nascida em 1974 e a transformaram nesta “democracia de controlo e fantoches dos oligarcas” que dão a cara por isto.

O modelo usado para este bloqueio baseou-se na própria mediocridade dos construtores conjugada com bastantes dos vícios e defeitos totalitários que derivavam do regime anterior. O objectivo  principal do modelo visava criar a auto perpetuação futura de um sistema político opaco, vocacionado para a inexistência de respostas políticas democráticas ao que pudesse acontecer no mundo e na sociedade portuguesa.

Deram-nos mediocridade oligárquica e chamaram a isso democracia europeia de tipo ocidental. Ou qualquer outro cliché de palavras harmoniosas e que ficam bem num qualquer evento cultural, mas nada de substancial significam em concreto.

A mediocridade oligárquica é dejectada sobre a população sob a forma deste estado de coisas que foi desenhado para proveito dos oligarcas e lhes permite continuar a fazer colheitas sobre os portugueses. As oligarquias que antes existiam são as mesmas que agora estão travestidas de democratas e apoiantes da democracia.

O que temos está muito longe de ser uma democracia. Deram-lhe o nome, mas o significado é inteiramente diferente.

 "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.” Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Qual tem sido a resposta política dos portugueses a este estado de coisas?

Esta traição medíocre que assombra a vida dos cidadãos tem sido respondida de forma  difusa e alheada. Mastigados pela oligarquia e sujeitos a uma colheita de recursos (são os portugueses e as suas aspirações que tem sido alvo desta colheita ) a generalidade dos portugueses optou, conscientemente ou inconscientemente, por se distanciar do sistema partidário julgando ser apenas ele a causa dos problemas (é induzida a pensar isso pelos avençados e mensageiros existentes nos outlets de comunicação social e pelas forças sinistras que desejam mudar de regime e não perdem uma oportunidade de atacar o actual, para impor o seu regime sinistro) e progressivamente demonstra desprezo pelos serviços de descompressão do ar fétido que esta sociedade tem instalados, também conhecidos por eleições periódicas marcadas de 4 em 4 anos.

Este sistema político tem uma válvula de descompressão chamada eleições. Quando o sistema entra em crise reage emitindo baforadas de descompressão da panela de pressão em que isto está regurgitando eleições mais vezes e durante menores períodos de tempo – vide situação política actual em Outubro de 2015.

Quando os cidadãos aparentam ter saído do redil da oligarquia e dos seus interesses; manobra-se as suas percepções para que pensem que pelo facto de existirem “mais” eleições isso signifique que haja “mais democracia”, dado que tem sido assim que tem sido ensinados ao longo dos últimos 40 anos, a pensarem.

Querem dar-nos “mais” em vez de melhor. Quantidade em vez de qualidade.

A situação está nua e podre, os lençóis mediáticos cobrem a porcaria, mas o verniz está a estalar e o numero de pessoas que põe distancia entre si e  o sistema político partidário e o regime actual, o numero de pessoas que se distancia desta descompressão artificial que são as eleições de 4 em 4 anos está a aumentar.

Brevemente será maior o numero dos que se distanciam, do que dos que apoiam o sistema oligárquico partidário que temos. Quais serão os argumentos a usar nessa altura para justificar a falência desta coisa…?

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto é um libelo contra eleições.)

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto apoia o regime pré 25 de abril de 1974.)

Em termos médios históricos isso já acontece – o “mais “ em vez de melhor. Desde 1975, existiram 15 eleições, o que dá um período médio de 2 anos e 8 meses de intervalo entre eleições.
Com tanta “democracia eleitoral” enfiada à força pela garganta dos portugueses seria de esperar que vivêssemos num autentico paraíso democrático em que as pessoas se sentissem extremamente felizes e o país fosse extremamente agradável para viver.

É o contrario que se verifica, excepto para uma pequena clique de psicopatas e cleptocratas – a oligarquia e as elites de poder que a representam.

enclave - mortos que estao nas listas 2015-10-30

Neste ritual de descompressão teoricamente desenhado para durar quadriénios, mas na prática de 2.8 anos, existem vários participantes. Os cidadãos ovelha recenseados que escolheram um partido e votam nele religiosamente, os votantes brancos e nulos, os votantes abstencionistas e os votantes eleitores fantasma, isto é as que são inscritas e que jamais poderão votar (uma celebre filósofa portuguesa enunciou que estar “morto é o contrário de estar vivo”  e tal estado dualístico contraditório  impossibilita votar segundo parece…).

Excluindo os cidadãos ovelha desta equação, os restantes problemas nunca incomodaram a nossa elite de poder, a nossa classe política, toda esta geração mal pensante e mal falante.

A complicada maquina burocrática eleitoral, concebida com as ideias de há 40 anos, nunca foi agilizada , adaptada aos novos tempos, filtradora destes problemas de mortos que estão recenseados, de pessoas registadas que não votam devido a problemas burocráticos, etc.

Porque é que uma infraestrutura eleitoral caduca e obsoleta está em funcionamento, desta maneira, 40 anos depois de ter sido criada?

Esta obsolescência inserida no sistema facilita a vida das oligarquias, dos participantes em partidos políticos. A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas pode ajudar a ser mantida como intocável debaixo da capa da obsolescência do sistema político e eleitoral.

Espíritos críticos adversos poderão argumentar (e serem imediatamente apelidados de antidemocráticos pelos representantes das elites e da oligarquia) que o financiamento publico dos partidos políticos não é afectado por esta obsolescência programada e funcional, bem como, uma vez eleitos, o acesso aos benefícios dai decorrentes não ser afectado, dai esta lassidão que pactua com estes defeitos…da nossa “democracia”…

A resposta é simples.

Quando o salário e a posição social e política, quando o poder destas pessoas, quando o emprego destas pessoas e as prebendas de que dependem estão assentes em não perceberem, elas não percebem.

upton sinclair citacao

Numa nota lateralizada observemos os emigrantes portugueses e o voto. Recentemente impedidos de votar por desleixo e obsolescência programada dos serviços que emitem cartões de cidadãos e que tendo 4 anos para se prepararem falharam na altura decisiva. 

É por acaso?

Em arbitragem de futebol chama-se beneficio ao infractor, mas em Portugal isto significa que os emigrantes são tratados como peças de mercadoria estragada a despachar rapidamente.

O poder político/a oligarquia ficam extremamente gratos e bastante satisfeitos pelo facto dos emigrantes desaparecerem da porta para fora. Querem lá que eles votem…

Garrafas de champanhe abrem-se em ministérios e condomínios fechados para saudar esta decisão.Rejubila-se duplamente porque os “enganados” que foram mandados convidados a sair sejam depois suficientemente imbecis para continuarem a mandar dinheiro para Portugal.(continuando a ajudar os interesses da oligarquias…)

"Emigrante emigrante, foste longe e regressaste Emigrante emigrante, não sei porque tu voltaste" Autor: Ena pá 2000"

“Emigrante emigrante,
foste longe e regressaste
Emigrante emigrante,
não sei porque tu voltaste”
Autor: Ena pá 2000″

Porque é que o sistema político e a sua excrescência eleitoral chamada descompressão eleitoral quadrianual estão bloqueados?

Sendo o sistema autista tal acontece para impedir participação verdadeira da população.

Como está fechado sobre sim mesmo e está assim á 4 décadas daí resulta o afastamento das pessoas e a ocupação de espaço social pelas oligarquias político partidárias.

Conseguindo enganar a população a golpes de suborno geração após geração (entrada na UE, fundos comunitários, investimentos massivos em pontes, estradas, piscinas e rotundas e empregos para os amigos) esta clique tem conseguido minorar os estragos.

Contudo, a abstenção elevada está a chegar aos níveis de perigo. Criaram totalitarismo social e distanciamento e a própria manutenção e mobilização deste regime político visando a sua própria reprodução  começa a ficar em perigo ( não que tenhamos pena…). Os que votam estão perto de serem menos do que os que não votam.

Os sintomas clássicos dum parasita são os seguintes. O parasita instala-se no corpo do hospedeiro e suga-o até o tornar tão fraco que este morre. O parasita morre a seguir por ausência de outro hospedeiro que tome o seu lugar.

Juntando o insulto à injuria como é tratado por este sistema quem é abstencionista?

Todas as pessoas que se recusam a ir votar, vão votar mas votam em branco ou nulificam o voto são alvo de uma guerra psicológica, de uma chantagem emocional feita por todos os agentes ao serviço dos partidos políticos. E replicada pelos cidadãos cheios de boas intenções, mas alheados da realidade.

Deliberadamente desvaloriza-se e achincalha-se veiculando-se  memorandos (mudanças de paradigmas culturais ou sociais), especificamente usando a argumentação de que quem não vota não tem depois legitimidade para se queixar, como se o facto de se votar em candidatos pré definidos pelas oligarquias ou por minorias de casta, quer elas sejam da tribo da esquerda política quer da tribo da direita política, consistisse num forma de legitimização política de qualidade superior…

Sendo inexistente qualquer movimento organizado ou desorganizado falando em nome do “não votante”, não deixa de espantar a hostilidade e a tentativa de menorizar estas pessoas por parte das características oligárquicas do sistema político português.

Um exemplo claro são as eleições para o parlamento europeu em que mais de metade das pessoas não vota, embora os 22 representantes portugueses sejam todos eleitos. (pela lógica da legitimidade, só menos de metade dos 22 lugares deveria ser efectivamente atribuída, mas depois como se poderiam alimentar gamelas eurocráticas?)

Neste especifico assunto eleitoral, já estas eleições são comummente desvalorizados pelos papagaios partidários e pela classe casta dos vendedores de folhas de alface (antigamente conhecidas pelo nome de”jornais”).

Este é o conceito de legitimidade das elites portugueses. É uma legitimidade ” a la carte”, selectiva,  maldosa ,enviesada e totalmente corrupta.

Como a democracia consiste na igualdade entre eleitores para se candidatarem a cargos públicos e a serem iguais perante a lei, o que temos são listas de militantes de partidos pré feitas em linhas de montagem oligárquicas.

Como a democracia consiste na possibilidade de os eleitores destituírem de funções os candidatos, de existirem limitações temporais de mandatos, da representação política ser um dever de cidadania em vez de um trabalho bem pago via lobbies, da ausência de privilégios nos titulares de cargos públicos, facilmente se percebe que em Portugal isto está ausente ou é “martelado” para dar resultados pré definidos.

É bastante simples.

A irmandade de Némesis recusa a mediocridade oligárquica disfarçada de falso regime democrático que nos querem impor.