As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

O psd é um partido de mercadores que precisam ser expulsos do Templo

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição. Percorrendo uma dessas estradas sombrias, um cavaleiro de Némesis encontrou um ninho hediondo, vil e negro, um cancro panfletário, uma invocação da morte em vida que importa fazer chegar ao conhecimento dos restantes irmãos de Némesis.

For the merchant, even honesty is a financial speculation. Charles Baudelaire

For the merchant, even honesty is a financial speculation.
Charles Baudelaire

Antes de mais, deve ser explicado o contexto deste cartaz desprezível oriundo da Guilda de mercadores para os quais tudo se vende e compra.

Esta agremiação político-partidária-corrupta e absolutamente desnecessária e inútil para a sociedade portuguesa, oriunda da tribo da direita política, decidiu produzir uma aleivosia torpe disfarçada de guião de reformas (esta imagem hedionda é a capa de apresentação desta monstruosidade anti espiritual e anti sociedade…) que é pelos próprios considerado como o verdadeiro guião de reformas (a falsa modéstia não lhes fica bem), tudo isto para contrapor ao Plano nacional de reformas proposto pelo PS, o actual partido político que governa, oriundo da tribo da esquerda política.

Esta Guilda de mercadores desonestos que vendeu durante 4 anos (2011-2015) produtos estragados em balanças cujo peso das mesmas estava falsificado, deixou calotes e falhas de pagamentos constantes, atacou as convicções pessoais de todos os cidadãos, envenenou espiritualmente esta terra com o veneno ideológico e político que soltou baseado no dividir para reinar; apresenta agora as suas ideias de reforma.

O convite é simples. Faça-se um pacto com o diabo e ao afirmá-lo ainda se disfarça de mercador itinerante que pretende vender frigoríficos a esquimós durante o inverno.

São crianças não inocentes que procuram replicar o guião dos supostos adversários e brincam com a abjecção sem terem qualquer probidade ou auto controle sobre os significados simbólicos destas imagens.

A subversão espiritual desta imagem mede-se pela sabotagem simbólica de Portugal idealizada pelo grupo parlamentar da agremiação supra citada, que se pode notar na palavra “sucess”.

Uma agremiação político-partidária-corrupta tem vergonha (ou estará a fazer uma sessão de vendas para mercados exteriores vendendo-se como traidora ao dispor dos senhores internacionais…?)  de escrever a palavra portuguesa e com orgulho recorre ao estrangeirismo para parecer moderna. Mercadores de almas e de alfabetos, tudo se vende e tudo se compra. Mais estranho ainda é existirem nesta agremiação negra da morte, inúmeros membros que protestam contra um acordo ortográfico recente, invocando pureza da língua e tradições da terra mas que ficam aqui estranhamente esquecidas.

Escondem algo negro no coração e falam com a língua bifida da serpente…

Na imagem de capa existem máquinas modernaças, palavras chave, lâmpadas no fim da escada, desenhos de construção de rodapés, gráficos sábios, e gatafunhos legíveis indicando o caminho para o paraíso subindo a escada.

O templo está a ser profanado pelos vendilhões. O chamamento é feito aos candidatos a criminosos que querem viver sem empatia. A conspurcação dos mercadores constitui profanação da sociedade.

Hateful to me as the gates of Hades is that man who hides one thing in his heart and speaks another. Homer

Hateful to me as the gates of Hades is that man who hides one thing in his heart and speaks another.
Homer

É um metafórico, simbólico pacto com o Demónio que é exemplificado comparativamente se olharmos para estas duas imagens. Junta-te a nós, candidato débil, de caracter maleável, e coluna vertebral flexível ao vento e terás a tua recompensa divina: alcançarás o sucesso.

Esta ideia é o contrário do verdadeiro sucesso, é apenas um cartaz da Guilda de mercadores para recrutamento de colaboradores. Esta Guilda funciona como empresa de trabalho temporário contratada para exercer triagem sobre os invertebrados sociais que cederam ao medo profundo psicológico que esta sociedade animalizada e corrupta lhes tem para oferecer e unicamente lhes tem oferecido essa dimensão da vida social.  E cuja responsabilidade de ser animalizada recai em grande parte nos membros desta Guilda e nos seus actos do passado.

Esta triagem incentiva os narcisistas, os psicopatas, os sociopatas, os piores de toda a sociedade, a considerarem-se ” aptos” para ” alcançarem” sucesso. Mas isso parece ser o que se pretende: corromper os melhores e os mais sãos e recrutar os piores e os mais alucinados.

Apelam ao nosso pior e incentivam outros pelo mesmo padrão e para o mesmo padrão.

Onde está o benefício para a sociedade destas ideias promovidas pela Guilda psd? Convidar cidadãos a fazer um pacto com o diabo, sem lhes ser dito qual o preço pessoal e individual a pagar, cantar loas aos psicopatas e restantes sub espécies, promover o falso êxito. Qual o preço colectivo a pagar pela disseminação destas ideias antisociais?

Esta Guilda só tem este lixo para oferecer.

Se “negociares” cidadão ( se fores corrupto e invertebrado..) alcançarás o divino (o sucesso) e a tua individualidade ( o teu suposto empreendedorismo) será recompensado com riquezas para lá dos teus sonhos.

Esta agremiação político-partidária-corrupta está a promover a licenciosidade ética, a desarmonia social, a corrupção individual, a política das negociatas, feitas por cunhas, o culto do falso mérito, a gestão de controlos políticos e sociais feita de forma corrupta e promoção de homens de palha para fazerem o trabalho sujo de subversão da decência na sociedade.

Como existem sempre pessoas que tem dificuldades em compreender o que leram, este texto recusa significar apoio a posições religiosas, ou de extrema direita/esquerda, ou ao regime actual.

Hell is empty and all the devils are here. William Shakespeare

Hell is empty and all the devils are here.
William Shakespeare

Cavaleiros de Némesis.

Somos orgulhosos dissidentes do actual regime. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir. Recusamos dar guarida a mercadores de almas para os quais tudo é um mercado e onde tudo vendem e tudo compram.

Atravessamos a escuridão por estradas sombrias.

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

Colonialismo progressista

Segundo o representante do FMI alocado a Portugal, os desempregados devem ser ouvidos nas negociações que ocorrerem sobre os aumentos salariais. Atente-se a fina ironia do argumento. Uma organização não democrática, que por admissão própria não responde perante nenhum eleitorado, aconselha-nos sobre o nosso défice democrático nas questões laborais. Mais grave é tudo isto se passar depois das medidas aplicadas sob a pressão deste corpo tecnocrático terem provado ser venenosas para o crescimento económico e para a paz social. A cereja no topo do bolo é mesmo a admissão que a Europa ficou em tão mau estado depois de anos de repressão fiscal e política que precisa de um plano de investimento – afinal parece que a simples aplicação de medidas de redução do peso dos salários e desregulamentação dos mercados não atai automaticamente o investimento necessário. Pelo contrário, as medidas coercivas propostas e/ou patrocinadas por este organismo levaram à fragmentação da ordem política dos países “sob intervenção”: em Portugal gerou governos de coligação cada vez mais vastos devido à insatisfação popular como o que lhes está a ser apresentado. Em Espanha levou a um impasse que não parece estar próximo de ser resolvido, com consequências ainda imprevisíveis para a unidade do país. A Grécia foi essencialmente reduzida a um estatuto colonial levando a uma situação de um autêntico governo sombra tecnocrático que só precisa dos políticos locais para dar a cara pelas medidas impostas. A França tem sido poupada a humilhações directas, por enquanto, mas está também sob intensa pressão da tecnocracia financeira para reformular todo o seu quadro social segundo as linhas de um liberalismo económico de século XIX.

"Power without legitimacy tempts tests of strength; legitimacy without power tepmts empty posturing." - Henry Kissinger

“Power without legitimacy tempts tests of strength; legitimacy without power tepmts empty posturing.” – Henry Kissinger

Será isto o reconhecimento que foram cometidos erros e que vamos mudar de rumo? Dificilmente. Até porque a organização não tem incentivos em reconhecer a sua própria falibilidade – isto se formos simpáticos, e assumirmos que o que aconteceu foi cegueira derivada de uma excessiva confiança em modelos errados e não acções deliberadas com outros objectivos. Assim sendo esta súbita preocupação para com os desempregados serve para quê? Serve para bloquear qualquer subida continuada dos salários ameaçando que qualquer subida salarial pode impactar a criação de novos empregos. Em suma, criar uma pequena guerra intestina dentro do diálogo social, evitando que corpos exteriores ao país tenham que sujar as mãos para nos manter economicamente mortiços e politicamente submissos. Dividir para reinar.

"Weak emperors mean strong viceroys" - Isaac Asimov

“Weak emperors mean strong viceroys” – Isaac Asimov

Sob a capa de uma maior integração para os excluídos (desempregados) está-se a exportar a discórdia social para Portugal. A nossa soberania está a ficar tão erodida que até os modelos de resolução de tensões sociais nos estão a ser impostos de fora por quem não tem moral para falar sobre tais temas – com o apoio entusiástico das elites, que não perderão a oportunidade se mostrarem preocupadas com os “coitados” quando na realidade apenas querem mais uma ferramenta para bloquear o poder político nacional.

Referendos, mártires e monstros

A Europa acordou algo chocada – dentro do que é possível para uma opinião pública massificada, estupidificada e brutalizada – com o assassinato de uma política britânica, nada mais que um membro do Parlamento Inglês. O retrato que nos está a ser apresentado não podia ser mais dado a simplificações. A vítima era uma defensora dos direitos humanos, pró-emigração, politicamente reformista e fazia campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O seu assassino é membro de organizações racistas e violentas, condenáveis sobre todos os pontos de vista. Num referendo que se parecia inclinar cada vez para o isolacionismo britânico as coisas podem estar prestes a mudar.

UK e UEMas recuemos um pouco. Este referendo tem uma longa história que convém ser explicada. O Reino Unido sempre se viu com uma nação (e anteriormente Império) extra-europeu. Era uma potência que durante todo o seu apogeu só teve uma única política para o continente: impedir a formação de uma grande potência continental – lutou contra a Espanha e a França para tentar impedir a união dinástica das duas coroas e reforçar o seu poder comercial na guerra de sucessão espanhola (1702-1714), lutou com a França, Holanda e Áustria contra a Espanha na guerra da quadrupla aliança (1718-1720) para impedir o crescimento territorial espanhol em Itália , combateu com a Prússia e Portugal contra a Espanha e a França na guerra dos sete anos (1756-1763) para obter ganhos coloniais e enfraquecimento dos impérios coloniais rivais, criou uma coligação poderes reaccionários (Áustria, Portugal, Prússia, Espanha…) para combater a França, (quer enquanto República quer enquanto Império) nas guerras revolucionárias e napoleónicas (1793-1815), incentivou e armou os nacionalistas gregos para separar a província de um Império Otomano decadente (1820-1830), interferiu na política interna dos reinos de Portugal (1828-1834) e Espanha (primeira guerra carlista de 1833-1840) ao apoiar as facções liberais de forma a “clonar” o seu próprio regime parlamentar e forçar relações de dívida perene das duas coroas perante a banca inglesa. A lista é interminável. Não há qualquer indicio de uma ideologia que guie tal variedade de opiniões e acções e isto é explicado por um pragmatismo brutal desprovido de crenças dedicado a assegurar apenas uma coisa:  uma Europa fragmentada.

Mesmo em tempos mais recentes (e mais pacíficos) temos que compreender que a sua entrada na Comunidade Europeia foi apenas para assegurar o seu lugar à mesa e tentar com que a evolução do colosso embrionário europeu fosse orientada para uma lógica de mercado livre e desregulamentado – o que revelou ser um enorme sucesso dado o que se passou nas 3 décadas seguintes. Nunca em momento algum houve um grande interesse por uma cultura comum com o resto da europa ocidental. O Reino Unido sempre se viu, e ainda vê, como uma excepção política e cultural. A sua pertença à comunidade foi usada como forma de salvar o poder financeiro da nação tendo transformado a city de Londres no segundo maior polo financeiro do mundo (depois de Nova York). Foi uma escolha deliberada dos governos conservadores do Reino Unido dar prioridade ao sector financeiro em detrimento da economia real. Os governos trabalhistas que se seguiram reforçaram essa escolha e abriram caminho para o desastre económico que aflige a nação, com níveis de pobreza jamais vistos. Mesmo assim o novo governo conservador manteve exactamente as mesmas escolhas, infligindo ao seu povo a mesma receita que as elites portuguesas adoptaram por cá: tornar o estado uma máquina de propagação da teoria de sobrevivência dos mais fortes e abandono total de qualquer responsabilidade social, económica ou política – a famosa austeridade que se dizia ser uma força de destruição criativa mas só deixou cinzas no seu rasto.

“The forces which are working out the great scheme of perfect happiness, taking no account of incidental suffering, exterminate such sections of mankind as stand in their way, with the same sternness that they exterminate beasts of prey and herds of useless ruminants.” - Herbert Spencer

“The forces which are working out the great scheme of perfect happiness, taking no account of incidental suffering, exterminate such sections of mankind as stand in their way, with the same sternness that they exterminate beasts of prey and herds of useless ruminants.” – Herbert Spencer

É neste contexto que surge um referendo sobre a União Europeia. Um país que já não é um Império e não sabe como lidar com uma nova realidade. Um povo que se sente completamente à margem de Bruxelas e das decisões que lá são tomadas. Uma economia refém de interesses financeiros internacionais de natureza especulativa. Um interior que se ressente profundamente de Londres que vê como um sorvedouro de dinheiro, cultura e poder. Neste ambiente a propaganda agita as multidões. Ecos imperais ainda se fazem ouvir em muitos que não querem aceitar o novo status quo. As tensões de classe, que pareciam ser coisa do passado, voltam a sentir-se e os ingleses percebem que as divisões socio-económicas só se podem agravar continuando tudo como está – daí o magnânimo desprezo que têm dado às expressões de desejo de continuidade na UE manifestadas por representantes da elite (personagens mediáticas, grandes executivos de firmas financeiras multinacionais, a maioria dos políticos mainstream, a crème de la crème do mundo académico exemplificada por Oxford e Cambridge…). Não é um fenómeno limitado a marginais, psicopatas e foras da lei. É uma reacção espontânea, fruto de um mal-estar profundo numa sociedade ocidental esgotada. É algo que pode acontecer noutro lado qualquer na Europa. E isso cria medo nas elites. Medo de perderem o controlo dos mecanismos que asseguram o seu poder. Medo que sejam reintroduzidas medidas de fiscalização popular de todo o edifício legal e económico que os mantém no topo da pirâmide. Medo que contas sejam ajustadas.

"As it turns out, we don't "all" have to pay our debts. Only some of us do." - David Graeber  ps: parabéns a quem souber "ler" a foto.

“As it turns out, we don’t “all” have to pay our debts. Only some of us do.” – David Graeber
ps: parabéns a quem souber “ler” a foto.

Mas agora tudo isso vai provavelmente ser varrido para debaixo do tapete. Este homicídio marca senão o fim do debate no Reino Unido (pode ser já demasiado tarde para inverter a tendência de secessão) pelo menos o fim do debate no resto da Europa. As posições a favor da continuação na União terão agora a bênção dos céus pelo sangue derramado pela mártir, qualquer questionamento das suas intenções e interesses será ignorado ou sofrerá acusações concordar com o autor do crime – uma espécie de crime por associação intelectual. A parte racional do eleitor vai ser desligada. Não porque ele escolha fazê-lo mas porque é essa a natureza da propaganda. Pega-se numa situação insustentável cheia de zonas cinzentas de incerteza e substitui-se por uma escolha moral a preto e branco. És dos bons ou dos maus? A escolha passa a ser simples e todos podemos voltar à nossa rotina de decadência lenta mas inexorável.

Panamá Leaks – mantenha a calma e chantageie alguém

“Today we live in a society in which spurious realities are manufactured by the media, by governments, by big corporations, by religious groups, political groups… So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms.”
~ Philip K. Dick

blackmail

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão” pela qual uma sociedade deve pensar e viver e quando aceites pela generalidade dos cidadãos tornam-se parte da nossa cultura geral.

Regra geral o que existe numa sociedade é uma inércia social relativamente a ideias culturais novas (não no sentido de cultura “artística”…). Daí os actos premeditados destes específicos grupos de interesses na criação destes memorandos culturais e na sua disseminação.

Quando estes grupos ilegítimos de interesses julgam estar a sociedade predisposta a aceitar algo contrário aos interesses dos cidadãos, ou precisam que a sociedade esteja predisposta a aceitar formas de viver contrárias aos seus interesses é colocado o ovo social dos memorandos pré fabricados em acordo com os interesses da elites, das oligarquias ou de ambos.
Se este memorando se torna viral a viralidade auto exponencia-se e o novo ovo social/memorando a aplicar auto alimenta-se e apresenta as características da exponencialidade existentes nas células cancerígenas.

Quando os memorandos são sucessivamente aplicados, e as coisas efectivamente mudam, os promotores destes tipos de ideias tentam a todo o custo travar a emergência de um novo memorando que os combata e passam a promover a inercia social e cultural e o estiolamento do pensamento.
Quando não o conseguem ou porque não tem força e habilidade para isso ou porque uma sociedade onde isto é aplicado é demasiado dinâmica e gera sucessivos novos memorandos este mesmo processo tenderá a ser repetido: viralidade, aceitação generalizada ou inercia cultural e resistência a mudança.

Tudo isto gera uma enorme confusão nas vidas das pessoas e gera uma aparência de falsa dinâmica em certos sectores de uma sociedade e que se mistura com uma lassidão social total noutros sectores da sociedade, o que gera uma cada vez menor homogeneização da sociedade no que diz respeito à definição do que é o bem comum e qual é o destino colectivo dessa mesma sociedade.

Este é o sonho húmido das elites e dos oligarcas portugueses: confusão das pessoas e falta de sentido e clareza no que ao destino colectivo diz respeito.

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Grupos específicos aparentemente indeterminados, despoletaram os Panamá papers.

Um desconhecido chamado John Doe (ou uma agência de segurança e informações de um país..) adquiriu, via roubo electrónico, ao que se julga saber, os ficheiros de uma empresa privada de advocacia que se dedica à gestão de fortuna e a criação de offshores.
A empresa é obscura e cheia de sombras, transacciona para todos e com todos, e o escritório atacado situa-se, convenientemente, numa geografia controlada pelos norte americanos e pelos seus serviços de segurança e militares.

John Doe entregou os documentos digitalizados roubado a um consórcio “independente” de jornalistas. Constitui apenas um mero acaso circunstancial serem financiados por organizações ligadas aos centros políticos e estratégicos dos EUA e por fundações ligadas a interesses de oligarcas e de elites económicas e políticas com sede nos Países baixos, Noruega, e Reino Unido.

As fundações são elas próprios veículos jurídicos artificiais criados com o fim de se pagar menos impostos pelas actividades que se realizam em nome do objecto jurídico (muitas vezes fantasista…) dessas mesmas fundações.

Este consórcio “independente de jornalistas” sentiu-se autorizado a usar informação roubada, onde coexistem terceiros que não sendo eticamente inocentes apenas aproveitaram o regime jurídico injusto dos offshores, e onde coexistem criminosos (cujos dados até agora não foram revelados) e onde coexistem chefes de estado ou empresas que são inimigas dos EUA (dados revelados ou insinuados…).

O consórcio jornalístico “independente” não usou a sua independência para usar o seu bom senso e declinar servir de peão a esta estratégia. Serviu conscientemente de peão, servindo diligentemente quem lhe paga.

Estes bens roubados e divulgados – informação – serviram e servem para estes consórcios e as empresas de comunicação que deles fazem parte pudessem obter vendas mais elevadas e aumentarem a sua reputação como “jornalistas de investigação /meios de comunicação social” honestos e impolutos.

2016-04-25 - panama leaks -sabujice manipulativa

Esta actividade tem servido para a pratica do desporto da “selectividade à medida” e serve para transformar esta actividade numa tendência a ser considerada como sendo “os novos tempos “ que ai vem e aos quais devemos todos aderir.

Com posse destes segredos, seletividade das fugas e com estas tácticas a serem usadas isso possibilita a que a imprensa (e os interesses económicos por detrás) possa fazer deste tipo de casos um novo mercado.

O lançamento de cortinas de fumo e desinformação que aproveita apenas foi mercantilizado com esta acção (capitalismo de vigilância). Tornou-se apetitoso para toda a classe profissional de John Does mundiais a pratica da extorsão e da chantagem obtendo em troca de poder e lucro.

As possibilidades são imensas, uma classe de extorsionistas veste a capa da legalidade justiceira e pode ditar quem é ou não é um candidato à Presidência, ao governo, que empresa ganha ou não ganha um contrato, quem pode ser empresário ou não, que cidadão é estimável ou quem não é, embora depois as consequências práticas legais sejam nulas sobre os visados, dado que a legislação que existe “legaliza” os offshores.

Neo liberais e libertários portugueses clamarão que esta situação apresenta uma oportunidade de negócio visando criar protecções sob a forma de empresas – startups – que gerarão software (ou vaporware caro…) – que nos protegerá deste novo perigo (que está a ser propositadamente criado e deixado florescer…), a divulgação ou venda de informação sensível.

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão”, e um novo popular memorando foi criado.

Que quem determina o que é revelado são Jonh Does, acolitados por empresas de comunicação social, que se auto reservam o direito de dizer o que é divulgado ou não é divulgado e qual a seleção a fazer.

O principio da espada de Dâmocles chegou.

Tenta-se fazer passar a ser aceitável que isto seja o novo paradigma.
Que quem domina melhor os meios tecnológicos pode ser autorizado a difamar e a chantagear e a dizer o que é lei e o que não é lei.

Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

Os cleptocratas portugueses perderam a narrativa e perderam a legitimidade

Existem narrativas oficialmente sancionadas pelos principais atores políticos,sociais e económicos. Estas são as narrativas que dizem aos cidadãos como devem pensar, como devem sentir, como devem estar. Gerações de cultores desta forma de manipulação fazem turnos, revezando-se na distribuição de tarefas socialmente manipuladoras e ocupando os meios de difusão destas com memorandos manipulativos destinados a produzir o maior estado de confusão na população que seja possível produzir.

Essas narrativas oficialmente sancionadas funcionam como alicerces do atual pântano estagnado e corrupto – o status quo.
Esse status quo, também conhecido pela “situação” é aquilo que (por enquanto) mantém intocável todo o conjunto de elites parasitas, lacaios associados e demais seres rastejantes que orbitam esta constelação de traidores e medíocres que assombram e atacam a população portuguesa.

Estas narrativas oficialmente sancionadas funcionam na sociedade portuguesa como “Chaves mestras”. Um corpo doutrinal de frases e ideias profundamente estéreis e anti democráticas criadas com o fim de manter tudo como está.

Estas também são as narrativas oficialmente sancionadas que defendem o neoliberalismo e os arranjos próprios dos monopolios de direito ou de facto socialmente e economicamente corruptos.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que afirmam que as alternativas são inexistentes.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que produzem um discurso de aceitação e proteção dos monopolios privados e os afastam da competição no mercado, o mesmo mercado ou capitalismo que é vendido, através de um duplo discurso, como sendo a base do sistema social, sob a qual nós todos nos devemos orientar.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que visam destruir a cidadania e a democracia e instaurar a tirania e a opressão. A ilegitimidade destes procedimentos é assente na transformação do que está e existe, visando criar consensos artificiais para ir em direção a um sistema político e a um regime abjeto e falho de legitimidade democrática.

Os exércitos de ilegítimos que tem feito todas as tentativas de condicionamento da população, já perderam o fio à meada de uma boa parte destas narrativas e elas caíram. Quando e onde não caíram estão apenas em acentuado estado de erosão.

A legitimidade do status quo, da ” situação”  já foi perdida.

O que ainda (os) ilude é o facto de a carcaça do “regime/sistema neoliberal para todos e monopolista para os insiders” ainda estar colocada no lugar onde foi originalmente depositada e anteriormente vendida como sendo algo inteiramente diferente…
Só os ignorantes, só os lacaios, só os corruptos, só os associados, só os que tem interesses investidos neste sistema, defende ou acredita que esta comunidade é e está a ser gerida como um sistema justo onde existe meritocracia na sociedade portuguesa.

A erosão destas narrativas “chave -mestra” é iniludível.

Entre estes protótipos corruptos de avençados acima mencionados temos as castas que administram o sistema de justiça, os lacaios dos meios de comunicação social, salvo algumas muito raras exceções, os lacaios menores das forças de segurança, as universidades de produção de saber inutilizado e ideologicamente orientado e as grandes corporações que monopolizam 5 ou 6 sectores económicos essenciais à vida dos cidadãos.

Estes são os principais inimigos dos cidadãos. E o que está a ser erodido são as narrativas que emanam dos títeres que promovem estas entidades.

Uma delas é a seguinte: a narrativa principal é a de que ninguém está acima da lei. Aparentemente, segundo esta narrativa , todos são tratados por igual e os abusos de poder, públicos ou privados são punidos ou limitados.

FALSO

Na realidade não existe qualquer responsabilização verdadeira pelos abusos de poder em todas as suas formas,nem há tratamento jurídico) igual para todos.

O cidadão foi transformado num ser desprotegido e está sempre colocado em pé de desigualdade quando tem que contactar ou é forçado a fazê-lo, o Estado, via forças policiais, a administração fiscal, via finanças ou qualquer órgão político eleito, via juntas de freguesia e câmaras municipais, só para dar alguns exemplos.

E, neste ultimo caso, ainda recebe o bónus de gosto duvidoso de ter que contactar com alguns dos mais cretinos representantes azeiteiros da cidadania que se pode ter o intenso desprazer de contactar, tal a estupidez e ignorância que demonstram e o absoluto desconhecimento da ideia de sentido de missão publica.

Só cidadãos com bolsos fundos, conseguem combater legalmente os abusos de poder.

Outra das narrativas principais diz-nos para ter confiança nos dados estatísticos oficiais ou privado-oficiais. Segundo estas narrativa, dados estatísticos oficiais são verdadeiros e devemos confiar no que nos dizem.

FALSO

Existe manipulação de dados oficiais quer via institutos geridos pelo Estado, quer via privados, ou através da falsificação deliberada de estatísticas ou pela omissão de dados. Mascara-se a realidade e a realidade é que a economia e a sociedade portuguesa estão organizadas para beneficiar poucos às custas de muitos.

Taxas de desemprego falsamente adulteradas para dar números baixos, (falsa) formação profissional falsamente listada como preparação para arranjar emprego, classificações de atividades absurdas como sendo empregos, estágios profissionais pagos a zero como sendo emprego, trabalhos parciais, quer em horas, quer em dias, listados como empregos a tempo inteiro…a lista de iniquidades e falsidades é criativa..

O capitalismo português é de amigos para amigos, de compadres para compadres, de políticos comprados, adquiridos e pagos para quem compra políticos comprados adquiridos e pagos, de legislação fabricada para amigos com dinheiro comprada a deputados e partidos políticos que querem ser amigos de quem quer legislação fabricada para amigos com dinheiro.

Interesses ilegítimos, anti democráticos e baseados na traição feita à população, são  mantidos com o objetivo de controlar o espectro político para conseguirem manter ou expandir o seu rendimento e o seu poder, poder esse que é reciclado para de novo ser usado para condicionar cada vez mais os cidadãos.

Os resultados podem ser vistos no declínio ou estagnação para a maioria dos cidadãos dos seus ordenados ou nos seus despedimentos dos empregos que tinham e na diminuição do seu poder enquanto indivíduos, porque a sua dependência aumenta.

“A classe media é o suporte da sociedade, temos que ter uma classe media forte”.

FALSO

Todos os princípios éticos, morais, políticos, económicos, sociais que norteavam a defesa da existência da classe media, como suporte e centro da sociedade foram destruídos. Até o mapa ” pequeno-corrupto do português cidadão médio” para se obter segurança financeira e “subir na vida”, que em Portugal passava pelos cidadãos se encostarem a poderosos que os iriam defender em tempos de vacas magras, assentava numa educação superior (ser um doutor) e em trabalhar numa grande empresa (o desígnio ultimo de “ estar bem” ); esse mapa foi quebrado.

A antiga cultura de estabilidade e lealdade à empresa – a tal grande empresa a que se queria chegar e lá ficar foi obliterada de forma violenta e apenas existe uma cultura de ” transição entre empregos” alicerçada em relações publicas de fachada, consubstanciadas nos anúncios (promovidos pelas corporações monopolistas…)  de  “empresa “X” é considerada a melhor para trabalhar” . Isto serve como capa que mascara a cultura de insegurança na sociedade e dentro das empresas cujos principais e primeiros responsáveis são quem a cultiva, a gestão empresarial corrupta defendendo através de atos no dia a dia, precisamente o contrario.

“Através da formação e da educação iremos subir na vida”

FALSO

Um licenciatura universitária vale zero para quem a obteu, numa economia e numa sociedade que está organizada para defender monopolios privados e não para se desenvolver e criar empregos. Qualquer análise custo-beneficio mostra que “obter educação” tem valor próximo do zero na economia do futuro, onde os lugares são menos e os licenciados mais.

Com a recente crise, vendida como sendo estrutural e eterna, nem isso se obtém, dado que inúmeras pessoas nem rendimentos tem para estudar e obter um curso superior ou até abaixo disso e muitas das que o obtém, são convidadas a sair de Portugal.

A elite política, económica e social portuguesa desvia o dinheiro de formação de portugueses e transfere-o para as economias de outros países que assim obtém gratuitamente licenciados, não licenciados e ensino médio a custo zero.

Estamos em teoria dos jogos e é um jogo de soma zero.Tudo para uns, zero para a população.

“Existe ” administração aberta” e todos os todos os níveis de governo em todos os seus níveis administrativos respondem a quaisquer duvidas e pedidos de esclarecimento dos cidadãos ou questionamentos do porquê de os serviços estatais agirem como estão a agir”.

FALSO

Lidar com o Estado/Governo ou com os interesses das empresas privadas em relação ao cidadão é estar em constante luta. Uma crescente violência coberta – normalmente via fiscal – e ameaças de intromissão na vida privada dos cidadãos, são constantes. Constroem-se bloqueios para a resolução de problemas, ou através da recusa de informar e esclarecer ou fazendo o oposto, que é deixar o cidadão afogado em informação altamente complexa que sozinho não pode descodificar. Promove-se a perda de tempo mas para o cidadão. Se tal não chegar utiliza-se a promoção da violência ” legalizada” via sistema oficial de justiça visando impedir as  legitimas questões que o cidadão coloca ao seu Estado/Governo sejam efetivadas. Dizer a um cidadão ” vá a tribunal” é, no contexto atual, bloquear o cidadão. Os órgãos e os amigos que emanam das estruturas deste Estado  ou pelos privados que estão em conluio com esta forma de fazer as coisas são realidades objetivas.

“Em Portugal, não existe abuso de poder”. Somos uma democracia consolidada”

FALSO

O abuso de poder é a norma. Somos uma fachada corrupta consolidada.

Recusa-se resolver assuntos que o cidadão exige que sejam resolvidos em tempo útil e promove-se a hostilidade social contra os cidadãos através das tentativas de isolamento dos cidadãos uns em relação aos outros.

A imposição de autoridade é feita sem responsabilização nem verificação dos atos dos responsáveis políticos e administrativos e das suas estranhas e ilegítimas ligações a interesses privados, tudo isto misturado com o recurso a abusos de poder na relação com os cidadãos ou ao exercício de poder sem quaisquer limites. Duas táticas são usadas.

“Não há verba”.

“A sua insistência neste assunto demonstra que é conflituoso”.

Mas os sinais são claros.

As narrativas chave foram quebradas. A legitimidade foi perdida.
O regime está sem legitimidade. E está a ser usado como uma oligarquia privada.

Mas os pés são de barro.

As oligarquias caiem.

A Legitimidade e os cortesãos que a danificam em nome dos interesses da elite de poder

” No king can be without worthy courtiers with whom he may be at his ease and behave without restraint. ” -The Nizámu’l Mulk

2014-12-12 - 4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 1Numa sociedade existem 4 formas de legitimidade.

Um Deus fornece a legitimidade, um Rei fornece a legitimidade, um Grupo de interesses organiza-se e fornece a legitimidade, ou os Indivíduos fornecem a legitimidade.

3 formas de legitimidade são anti democráticas. Deus, Rei, ou grupos organizados de interesses legitimam-se por oposição à democracia, como sistema de escolha que os cidadãos podem ter.

Nestas 3 formas de legitimidade antidemocrática, os cidadãos são considerados como súbditos e estão colocados numa posição de dependência e subserviência em relação à legitimidade de quem está provisoriamente a comandar os destinos da sociedade.

A 4ª forma de legitimidade é a única que é democrática. O indivíduo junta-se a outros indivíduos e organizam-se, para exercer os seus direitos de cidadania, através da delegação do seu poder enquanto cidadãos aos órgãos representativos de governo, eleitos, e aos quais é conferida legitimidade democrática.

Um dos órgãos representativos dos cidadãos é o governo entendido na sua forma abstrata. Só o governo pode defender o interesse público, existe como um mecanismo democrático que defende o interesse publico.

Se os cidadãos abdicarem da defesa do interesse público, invariavelmente serão submetidos a outras forças mais poderosas. Torna-se óbvio que essas forças mais poderosas apenas se defenderão a si próprias e que apenas defenderão os seus próprios interesses.

O indivíduo vive em sociedade somente numa democracia, o único sitio onde é considerado um cidadão. Quando um Deus, ou um Rei ou um Grupo de indivíduos organizados para defender interesses, geralmente empresariais, conseguem obter proeminência na sociedade, lentamente, com o passar dos anos, os cidadãos vem ser diminuídos os seus direitos políticos e cívicos.

Em Portugal, estamos na fase em que os direitos políticos e civis dos cidadãos estão a ser diminuídos rapidamente.

2014-12-12 -4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 2As forças negras que estão por detrás das “ideias de Deus” a comandar a maneira como a sociedade se deve comportar, das ideias de “um Rei” como fonte de legitimidade na sociedade, como símbolo”, juntaram-se aos “defensores das ideias de grupos organizados para defender os interesses das empresas”, para ganharem músculo, escala, peso institucional, criarem a imagem simbólica de serem a maioria, e assim conseguirem atemorizar e  manipular almas, consciências, e maximizar fluxos financeiros e de poder. Quem atemoriza, manipula e obtém benefícios financeiros ilegítimos tem falta de legitimidade democrática, e sobra-lhe legitimidade não democrática.

Corremos enormes perigos, pessoais, políticos e profissionais, se deixarmos esta aliança do Mal ganhar um “pé sólido” na sociedade, e mudar de forma definitiva a matriz do pais. Portugal tornar-se-a um sitio infecto e iníquo (mais ainda) se algum dia isto acontecer.

Este novo “movimento híbrido” de forças do mal que se escondem atrás das 3 falsas legitimidades, praticam o duplo discurso como forma de confundir e chegar à população.

 Doublespeak is language that deliberately disguises, distorts, or reverses the meaning of words. Doublespeak may take the form of euphemisms (e.g., “downsizing” for layoffs, “servicing the target” for bombing[1]), in which case it is primarily meant to make the truth sound more palatable. It may also refer to intentional ambiguity in language or to actual inversions of meaning (for example, naming a state of war “peace”). In such cases, doublespeak disguises the nature of the truth. Doublespeak is most closely associated with political language.[2][3]

Clamam por ordem, segurança, justiça, desenvolvimento, crescimento económico ao mesmo tempo que se apresentam como sendo um “projeto novo”, um modelo social alternativo, uma ” evolução do pensamento conservador da tribo da direita portuguesa. Na realidade são “tecno fascistas” modernaços que promovem um discurso “libertário” paralelamente assente no discurso da liberalização dos costumes, para assim “entrarem” no eleitorado tradicional da tribo da esquerda política.

Mas, o “novo poder”, isto é, o verdadeiro novo produto comercial – político que está a ser vendido é o da aceitação, por parte da população, da suposta legitimidade total dos grupos de interesses organizados, isto é, dos interesses das empresas privadas e associados acoplados, como sendo isso o ” futuro” e o total êxito a que devemos aspirar.

Como as empresas privadas apenas estão vocacionadas para a defesa dos seus próprios interesses e dos seus acionistas/donos, daqui resulta que qualquer defesa do bem comum, da sociedade como um todo é inexistente.

Que não haja ilusões sobre isto.

Os resultados de, enquanto cidadãos, termos aceite, por distração, comodismo ou empenho esta “venda simulada” de felicidade a granel proposta pelas forças do mal tecnocrático e autocrático é uma das explicações para os problemas que enfrentamos e para a ocupação das nossas vidas privadas e publicas pelos interesses das empresas.

Quem combate o Mal existente nos grupos de interesses organizados e que julgam e afirmam ser a legitimidade na sociedade?

A resposta é: politicamente, na política partidária, ninguém. Na suposta confrontação ideológica entre tribos, ninguém.

A tribo da direita política está na cama com estes interesses.

A tribo da esquerda política, que já desistiu há muito tempo de consistir e constituir qualquer alternativa política séria, aceita misturar-se com esta tropa híbrida tecno fascizante e profundamente reacionária cujo verniz estala quando devidamente confrontada com as políticas que defende.

Competiria à tribo da esquerda política a denuncia desta forma abjeta de organização ilegítima da sociedade mas prefere contemporizar. Uns vão para a cama com estes interesses, outros contemporizam.

Quem fica e recusa apoiar esta ilegitimidade social e política?

 In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers. john ralston saul: "Mainstream"


In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers.
John ralston saul: “Mainstream”

Se uns ajudam, institucionalmente e estruturalmente outros contemporizam. Os que ajudam são  recompensados com poder, influencia, dinheiro e espalham a corrupção ética na sociedade. Os que contemporizam com estes venenos ideológicos são, ou ineptos ou tentam ser corruptos como os que ajudam.

E o ” novo discurso” que emerge é o discurso do cortesão, umas vezes orientado para as prosas que são oriundas da tribo da esquerda política, outras vezes orientado para as prosas oriundas da tribo da direita política.

Estamos a ser, enquanto cidadãos, enganados pelas tribos.

O ” bacon” desta corrupção ética e de discurso/pratica é que a defesa dos interesses de grupos organizados – as empresas – é agora comum aos dois (supostos lados) lados da contenda política e tem a mesma falta de legitimidade que os interesses que defendem um deus e um rei como legitimidade constitutiva da sociedade tinham.

E nada mais isto é que a operacionalização do discurso do  courtier_/cortesão. E é neste charco de lama que encontramos os cortesãos a funcionarem.

Como se comporta o cortesão?

Grande parte dos cortesãos agita-se na comunicação social. Cheios de ressentimento, amargura, cinismo e hipocrisia debitam inúmeras palavras que visem levá-los a comer as migalhas que saem da mesas onde almoçam, jantam e defecam os que tem o verdadeiro poder. Grande parte destas criaturas estará sempre na orbita do poder, mas estará sempre aparte – os lugares à mesa para a nossa nojenta elite de poder já estão pré definidos e são apenas para associados, familiares e criaturas subservientes especialmente escolhidas que em geral andem por ali.

Como os recursos a disponibilizar são escassos, os nossos courtiers barafustam exigindo um prato à mesa, lançando as culpas para o resto da sociedade.

2014-12-12 - EDITAL ANTI CORTESAO

Isto não corresponde aos manuais sobre como ser um courtier.  A elite política portuguesa nem sequer consegue ser “competente” a formar estas ” profissões” de lacaios que atacam a legitimidade da democracia. The Nizámu’l Mulk, explica…

 ” … The courtier should be essentially honourable and of excellent character, of cheerful disposition and irreproachable in respect of his religion, discreet and a clean liver. He should be able to tell a story and repeat a narrative either humorous or grave, and he should remember news. He should also be consistently a carrier of pleasant tidings and the announcer of felicitous happenings. He should also have acquaintance of backgammon and chess, and if he can play a musical instrument and can handle a weapon, it is all the better.

The courtier also must ever be in agreement with the king. Whatever he hears the king say, he must cry “Bravo!” or “Excellent!” and let him never play the pedagogue, saying “Do this,” or “Don’t do that,” or “Why did you do that?” or “This is a thing one should not do.” Such conduct will prove disagreeable to the king and may lead to dislike. However, when questions arise of wine or amusements, or of excursions out of doors, or of convivial gatherings, or of hunting or polo-playing and the like, it is permissible for courtiers to deal with them, for they are practised in these matters. …”

Como se percebe, o “cortesão é uma figura “histórica”. Nasceu nas sociedades de tipo monárquico ou feudal. (as tais que não tinham legitimidade democrática)
O cortesão frequentava as cortes ou os locais de reunião de figuras que eram consideradas poderosas ou que eram mesmo poderosas e  estes esperavam que o cortesão passasse imenso tempo em redor deles, apaparicando-os.

O pagamento que o cortesão obtinha era o “acesso a informação” e a prestígio, existia “ascendência no mérito”; baseada em quem era melhor cortesão; melhor apaparicador.

O cortesão representava ou deveria representar uma hierarquização social própria de sociedades antigas e obsoletas no seu processo político, sociedades baseadas na legitimidade não democrática e num sistema de sociedade primitivo e primário.

Como os cortesãos são relíquias de sociedades assentes na religião e na monarquia, formas obsoletas e autocráticas de governo, se estivermos numa sociedade moderna o mais natural é que as relíquias desapareçam.

Mas como as forças negras do totalitarismo já não conseguem vender monarquia e religião com a mesma capacidade comercial do antigamente, criaram os grupos organizados para defesa dos interesses desses grupos, as empresas, e como este “sistema é também autocrático, logo, faz ressurgir os cortesãos como figuras a existirem nesta sociedade.

As versões antigas originais dos courtiers são o equivalente moderno ao atual ambiente fétido, corrupto e putrefacto que circula ao redor, por cima, e por dentro da sociedade portuguesa e aos respetivos cortesãos recauchutados .

Os jornalistas, os políticos, os assessores,  da maioria dos professores universitários, dos meios de comunicação social e as relações de sexo oral de todos eles com o poder económico. Os leitores do Enclave perdoam por ter esquecido mais categorias profissionais. 5000 mil caracteres seriam poucos.

O Enclave é anti cortesãos.

O Enclave está com os cidadãos que recusem a subserviência.

O novo normal

O mundo muda rapidamente e nas últimas décadas o processo parece estar em aceleração. Não porque o prometido mundo híper tecnológico nos tenha aberto novas portas mas precisamente porque falhou em cumprir as suas promessas de um futuro melhor. Qualquer pessoa que fosse um adulto nos anos 70 quase não consegue reconhecer a dimensão das mudanças ou dos problemas que parece que se multiplicam diariamente. Tais pessoas têm a tendência de ficar presas a modos de percepção e pensamento que já não coincidem com o mundo em que vivem, habitam em grande parte no passado apesar dos seus corpos estarem no presente.

“Construímos estátuas de neve e choramos ao ver que derretem” – Walter Scott

“Construímos estátuas de neve e choramos ao ver que derretem” – Walter Scott

Os fenómenos eleitorais no mundo ocidental (e falo deste canto do globo porque a) é onde vivemos e b) grande parte do resto mundo nunca chegou a ter democracias reais) têm-se degredado com o passar dos anos. Isto é mais visível nas taxas de abstenção crescentes em todos os países – ou seja, não se trata de algo isolado ou dependente de condições locais. É fácil para os comentadores integrados no sistema ignorarem esta situação limitando-se a falar de um desinteresse por parte dos cidadãos face à política. Assim arrumam o assunto e responsabilizam o eleitor por qualquer falha que apareça no funcionamento das instituições. Mas, como sempre, a realidade é mais complicada. Não só o interesse pela vida política está a desaparecer como as próprias lealdades daqueles que ainda votam estão a tornar-se mais voláteis. Criando padrões de governo cada vez mais erráticos e sem estratégia de longo prazo.

“A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável” – Henry Mencken

“A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável” – Henry Mencken

As instituições Europeias (e alguns dos principais países da União) têm estado muito atentas a este fenómeno sendo que na década de 90 chegaram a uma decisão final. Não iriam ficar dependentes de qualquer ordem política que pudesse emergir deste caos. Foram cortando os vários elos que as ligavam a uma legitimidade democrática e investiram na criação de um novo mito. O do perito. Consequentemente as suas decisões têm-se revestido cada vez mais de um carácter teoricamente “neutro” e técnico, de forma a poder afirmar a independência e validade seja qual for o resultado do caos democrático. Os que tiverem uma memória um pouco mais longa que a maioria conseguirão com certeza lembrar-se de debates de há uma década atrás em que desesperadamente se queria colmatar o défice democrático da União Europeia. Face a estes novos desenvolvimentos é fácil perceber que as instituições da UE não estavam verdadeiramente empenhadas na questão. Estavam apenas a comprar tempo. Enquanto os debates se arrastavam dentro e entre nações a UE já estava a restruturar a sua organização segundo um novo critério, o de uma suposta tecnocracia. Quando o processo ficou concluído havia compreensivelmente pouco interesse em continuar o debate sobre o défice democrático já que a prestação de contas perante o eleitorado tinha perdido quase toda a sua relevância.

Este processo não se deu apenas ao nível de uma burocracia europeia mas também dentro de todos os países centrais da União. À medida que a UE provava que conseguia estabelecer credibilidade baseando-se apenas no seu estatuto como supostos peritos os vários governos relevantes do continente foram replicando as mesmas ideias e estruturas dentro das suas fronteiras. O resultado foi um agravamento severo da apatia e volatilidade eleitoral (explicando a subida por toda a Europa de partidos extremistas e, ironicamente, profundamente antidemocráticos) levando a que o distanciamento entre o cidadão e o poder deixasse de ser um fosso para passar a ser um abismo. Fica assim mais claro porque é que nas últimas décadas temos vindo a assistir a um amalgamento das tendências e partidos políticos, tornou-se irrelevante saber o quadrante político das entidades partidárias porque as decisões verdadeiramente relevantes foram transferidas para entidades de “peritos” que não se sujeitam a qualquer escrutínio.

“The point is that we are among those who cannot get their mouths around all the little Yeses that add up to tacit acceptance of a world run by crackpot realists and subject to blind drift. And that, you see, is something to which we do belong; we belong to those who are still capable of personally rejecting. Our minds are not yet captive.” – C. Wright Mills

“The point is that we are among those who cannot get their mouths around all the little Yeses that add up to tacit acceptance of a world run by crackpot realists and subject to blind drift. And that, you see, is something to which we do belong; we belong to those who are still capable of personally rejecting. Our minds are not yet captive.” – C. Wright Mills

Os países da periferia apesar de também se irem adaptando ao novo sistema estão um pouco desfasados dos países centrais ou das instituições europeias, mas agora que os pânicos financeiros acalmaram um pouco (e os interesses dos credores foram assegurados de e transformados numa obrigação perpétua) começamos a sofrer pressão para acelerarmos o ritmo da adaptação. E na primeira linha desta transformação está a legalização do lobbying. Só a menção deste termo gera desconfiança no cidadão médio que vê nela apenas a legalização do que até então se fazia a portas fechadas. E em grande medida a sua desconfiança é justificada já que Bruxelas e Washington (os centros mundiais de lobbying) não são conhecidos pela sua transparência apesar da abundância de legislação a regular esta actividade. Mas as consequências são algo maiores do que apenas maquilhar o que hoje seria considerado pouco ético ou mesmo ilegal. No centro do lobbying está a ideia de que qualquer grupo (seja ele qual for, cidadãos, empresas, grupos religiosos, etc) pode e deve pressionar os governos e parlamentos a agir da forma que lhes é conveniente, mesmo que isso desrespeite completamente os direitos fundamentais de outros. Claro que isto abre uma verdadeira caixa de Pandora. Aceitar o lobbying como parte normal do processo político e social é escrever no contrato social que o dinheiro pode comprar acesso e influência. É admitir que nem todos somos iguais. É negar a ideia de justiça. É dizer que somos ouvidos apenas na medida do que podemos pagar. É organizar a sociedade como uma gigantesca entidade comercial que responde apenas aos seus accionistas.

“You read constantly that banks are lobbying regulators and elected officials as if this is inappropriate. We don’t look at it that way” – Jamie Dimon  (CEO da JP Morgan Chace)

“You read constantly that banks are lobbying regulators and elected officials as if this is inappropriate. We don’t look at it that way” – Jamie Dimon (CEO da JP Morgan Chase)

O que acontece a quem não tiver dinheiro para comprar acções deste projecto? Ainda fará parte do contrato social? Em que medida? Será que mesmo aqueles grupos que representam causas legítimas (direitos humanos, luta contra a pobreza, acesso à justiça, entre outras), e que têm disciplina organizacional e fundos suficientes para ter voz, acreditam por um segundo que conseguem reunir os meios para igualar ou superar qualquer grande empresa ou sector económico?

Como é normal num sistema com graves deficiências de funcionamento, e com um grau de apoio popular cada vez mais estreito, as decisões mais importantes são remetidas para acordos mais ou menos secretos e comissões políticas e jurídicas labirínticas de forma a que o resultado seja ou ocultado ou incompressível. Algo que tem o poder de restruturar por completo o equilíbrio de poder entre os cidadãos e que de facto voltar a introduzir critérios de voto censatários (voto cuja existência ou peso depende do rendimento do eleitor) tal como existiam no século XIX pode ser aprovado sem que o cidadão médio compreenda 10% das consequências que tal acarreta a longo prazo. De facto seguindo o retrocesso lógico os próximos passos seriam a permissão de compra de votos (afinal tratar-se-ia apenas de uma troca económica e não de algo político) e o estabelecimento de “votos especiais” (com mais peso) para determinados actores que sejam considerados como “especialmente relevantes” para a sociedade. Podemos esperar uma feroz campanha nos corredores do poder por parte dos nossos “liberais”, ao serviço dos seus empregadores, e se não houver qualquer reacção popular a esta reclassificação dos cidadãos em categorias económicas podemos ter certeza que irão sempre pressionar para que se vá mais longe. Até onde perguntarão? Até onde os deixarem.

“Arrependimento é a virtude das mentes fracas” – John Dryden

“Arrependimento é a virtude das mentes fracas” – John Dryden

Se mais uma vez o cidadão se fechar na sua concha de apatia e hedonismo e não prestar a devida atenção ao que se está a passar perderá qualquer credibilidade para vir reclamar daqui a 5 ou 10 anos. A sua oportunidade de acção é agora. Enquanto o processo ainda está num estágio embrionário. Depois será tarde demais, quer politica quer moralmente. O cidadão tem que se convencer que nem tudo na nossa realidade é reversível. Nem tudo pode ser corrigido. Nem sempre há mais tempo para “pensar” e debater. Há decisões que uma vez tomadas são permanentes.

O Jornalismo português e as elites – a subserviência dos jornalistas.

JORNALISMO CORPORATIVO - ESCREVEM O QUE LHES DIZEMAs elites de poder gostam imenso do jornalismo que lhes faz favores.

As elites de poder gostam imenso de corromper jornalistas, para que estes lhes façam favores.

Os jornalistas, na sua grande maioria, gostam imenso de ser corruptos e de fazer favores.

Chegamos ao universo do jornalista courtier. Na pirâmide de poder, estes são uma classe intermédia, que, com o decorrer dos anos, se tornaram fiéis ajudantes e defensores dos interesses da elite de poder.

São os lacaios de luxo, mantidos por conta.

Esta é uma plataforma de poder e de influência onde as sobras familiares endogâmicas da elite de poder começam também a serem colocados, como “agentes seguros e de confiança”, com o “pedigree” adequado à execução das inferiores funções da manipulação e disseminação de contra informação social, política e económica, visando defender os interesses ilegítimos e ilegais das elites.

Uma aliança maléfica de interesses e busca pelo poder para, “ajudar os “seus”, afastar todos os outros, corromper os que restarem.

Esta quadrilha, como bons (no mau sentido da palavra) courtiers, suportam e incentivam a mentalidade de rebanho na população.(Sejamos justos aqui; a população também os ajuda com as suas omissões, falta de dignidade e condescendência generalizada para com o “mal” e a sua implementação na sociedade como o “padrão”…)

Os “lacaios de luxo, mantidos por conta” comportam-se sempre como um rebanho obediente e vazio de ideias que se transmuta numa matilha, quando se trata de atacar quem sentem não ter poder, dinheiro ou conhecimentos para retaliar. Ou quem já teve poder e deixou de ter, e ai, aproveita-se para fingir “ força e independência” jornalística e lava-se a face perante a população.

Quando não estão ocupados a atacar quem não se pode defender, revertem para  posição original de onde partiram: transformam-se nas claques de apoio, “ cheerleaders” dos interesses da elite de poder.

São os cães de guarda, a elite pretoriana das letras e comunicação da elite de poder; o esquadrão de propaganda. Os aparatchiks literários da disseminação da propaganda.

Gosta de ser manipulado pelo jornalismo Português?

Gosta de ser manipulado pelo jornalismo Português?

Sempre de forma acrítica e com cegueira cognitiva, sem qualquer tipo de questionamento, dizem ao que vem: o elogio da ideia do “capitalismo das grandes empresas” como sendo isso a “democracia”. Se somos todos consumidores, a democracia está assegurada, então para quê sermos cidadãos?

Os que veiculam este pensamento são os facilitadores da traição.

(Neste aspecto, em Portugal é patético, hilariante e um asco, observar a forma como os responsáveis dos assuntos de economia das principais empresas de comunicação social se esforçam por produzir um discurso que agrade aos responsáveis das grandes empresas do país, na esperança de virem a ser por estas convidados para uma sinecura corporativa privada.)

De forma autista e arrogante promovem a mitologia da democracia portuguesa consolidada e (falsamente) justa, promovem o mantra “vivemos numa democracia” com “liberdade de imprensa” quando a realidade é bem diferente e estas pessoas sabem-no.

Sabem-no e demitem-se de fazer algo, são cúmplices da traição social que estão a ajudar perpetrar e apenas vão com a maré…

(O jornalismo português apenas existe para querer agradar ao “patrão”. Como tal apoia ostensivamente dois dos partidos políticos do pais – o PSD e o CDS – e ataca todos os outros também ostensivamente. Uma clique de comissários políticos travestidos de jornalistas junta-se em matilha para defender os seus interesses pessoais e os corporizados nestes partidos e nas sombras que os apoiam e manipulam; temos a “kakistocracia” das quadrilhas de minorias totalitárias que subvertem o sistema democrático”, mas organizadas como milícias de propaganda.)

O jornalismo português apoia e defende a substituição do voto pelo dinheiro.

O jornalismo português é uma miserável peça da engrenagem que tenta ajudar a corromper mais do que já está, um sistema político que deveria ser democrático.)

O jornalismo português presta sempre deferência na forma de lisonja e lambe botismo” aos “pseudo” grandes lideres da economia, os famosos capitães da industria, da banca, dos serviços, das inaugurações de monumentos míticos feitos em palavras de jornal, rádio, televisão aos próprios.

(Os crimes económicos destas pessoas passam impunes e são lavados pelas maquinas de propaganda da comunicação social portuguesa. Estas pessoas e as suas empresas recusam pagar impostos em Portugal, apesar de obterem enormes rendimentos aqui, estas pessoas hostilizam todas as formas decentes de vida em sociedade, comportam-se como pequenos tiranetes encharcados em hubris. Todas as semanas os panegíricos de apoio a estas personagens malévolas fazem-se.)

Os valorosos courtiers do jornalismo português dizem presente! Lá estarão sempre dispostos a baixar as calças e fazer um avio a quem estiver do lado de lá do dinheiro, do poder e da influencia.

(Quando sentem o vento a mudar, fingem que são sonsos e imparciais. O sonsismo profissional é uma arte no jornalista português.)

"O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia." Eça de Queiroz- Cartas a Fradique Mendes

“O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia.” Eça de Queiroz- Cartas a Fradique Mendes

Se eventualmente tiverem ocasionais rebates de consciência e podendo decidir redimir-se do que estão a fazer por verificarem que estão a servir uma elite de poder malévola, agressiva e destruidora escolhem não o fazer. Pelo contrário, movem-se entusiasticamente em linha com o que lhes solicitam. Os “membros da elite de poder“ tomarão conta deles…

Quando, no decurso do seu trabalho de disseminação de propaganda, convidam “especialistas” e “profissionais” para entrevistar e ajudar a explicar a complexidade de uma qualquer situação aos cidadãos, escolhem sempre convidar personagens “ dúbias” e intelectualmente desonestas, courtiers de outras áreas.

(Os courtiers de várias áreas reconhecem-se uns aos outros e ajudam-se uns aos outros.)

Marchando em corrupção uníssona, um exército rançoso e fora de prazo apresenta-se ao serviço. Oriundo das mais variadas posições, centenas ou mesmo milhares de courtiers juram juras de verdade.

Toda esta tropa é oriunda dos centros de poder. Dos Think tanks a eles agregados e respectivos proxenetas, dos free loaders da Universidade e quejandos académicos arcaicos e a cheirar a naftalina degradada, dos parasitas da comunicação social da área do comentariado sempre mentiroso, dos ex gestores de grandes empresas e respectivo séquito toda esta fauna  por ai anda, sempre a mesma, sempre oriunda dos mesmos meios sociais e partidos políticos, sempre oriunda das mesmas sociedades secretas e seitas religiosas ou seculares – para “nos explicar a realidade e fazer interpretação da mesma”.

(Agradecemos a imposição, mas recusamos que nos digam que uma parede cor de rosa é verde.
Agradecemos a imposição, mas recusamos que nos digam quais são os termos do debate que podem ser discutidos e quais não são. )

No trabalho designado por “trabalho pratico”, isto é, a investigação jornalística e a produção de noticias estas são apenas transformadas em falsificações e deturpações da realidade.

Comunicados e memorandos com agendas de assuntos pré formatados, mandadas para a imprensa e feitas pelas grandes empresas que tem peso para isso e pela agência Lusa – o cano de esgoto “oficial” da manipulação – de onde jorram todos os dias noticias fabricadas e realidades pseudo alternativas que são sempre as mesmas: obedeçam, façam filhos, comprem nas nossas empresas, gastem muito, votem PSD e CDS, os outros são comunistas, já repararam que há muito crime; se calhar era preciso a pena de morte, afastem-se dos gays e lésbicas e demais minorias excêntricas da sociedade, sejam bons portugueses e vão a Fátima, odeiem muçulmanos e (demais religiões) qualquer seja a fruta do dia a vender-se ou que interesse vender.

"Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo." Joaquim Nabuco

“Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.” Joaquim Nabuco

Quando os canhões da propaganda se calam, surge o pânico Em Portugal, muitas vezes, nada acontece em termos de noticias.

A solução é encher as crateras noticiosas com novidades ( product placement) acerca de uma qualquer actriz de cinema que vestia “X” da marca “Y” no SPA onde foi fazer Botox, historias de vida, moda saloia e provinciana, futebol, geralmente com os respectivos especialistas que são escolhidos a dedo por nada saberem, e restantes trivialidades relacionadas com crianças e animais.

Os antes gloriosos membros do quarto poder decidiram auto transformar-se em macacos amestrados que saltam ao som da voz do dono. Ou, numa versão ave canora, em papagaios de bico dourado que repetem a propaganda oficial dos milionários e dos membros da elite de poder e dos dois partidos políticos que estes mais controlam, mais as sub propagandas dos diversos grupos de interesse, que gravitam como moscas à volta.

“A newspaper is a device for making the ignorant more ignorant and the crazy crazier.” ― H.L. Mencken

“A newspaper is a device for making the ignorant more ignorant and the crazy crazier.”
― H.L. Mencken

Um dos desportos favoritos das empresas privadas e dos seus donos (que controlam a imprensa “normalizada e caramelizada” que temos), quando estão aborrecidos por falta de estímulos narcisistas ao ego, consiste em decidir contratar jornalistas cujo papel principal e especifico consiste na criação de uma imagem suavizada das elites de poder, para delas fazerem passar uma boa imagem junto da população.

Estes courtiers de vintage especial, tem a tarefa adicional de promover a imagem dos membros das elites de poder como se estes fossem celebridades, estrelas de cinema, pop stars, artistas.

(Contudo, em Portugal este expediente falha bastante, dado que a maior parte das massas nutre um profundo desdém pelas elites e devidamente merecido…)

Estes jornalistas courtiers podem ganhar bastante bem, e frequentam os mesmos lugares da “ high society” que as elites de poder frequentam. Dai por vezes serem também transformados ou auto transformarem-se em spin doctors.

(O spin Doctor é uma mutação derivada da radiação malévola que emana dos membros da elite de poder quando em contacto com os restantes. Projectam essa radiação e os anteriores jornalistas lambe botas courtiers cuja função era a de serem panegiricos humanos dos milionários, transformam-se em criaturas ainda mais desprezíveis que não acreditam em nada, não tem valores, são profundamente amorais.)

"O jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja." - Honoré de Balzac

“O jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja.” – Honoré de Balzac

Costumam ser estas formas de mutantes – estes parasitas amorais, os que são convidados regularmente para os círculos de poder.
Geralmente já tem atrás de si um trajecto “profissional” de circulação intensa entre empresas de comunicação social, think thanks comunicacionais de parasitas que estudam aldrabices pseudo arcanas às quais chamam “ciência comunicacional” e não propaganda, gabinetes de imprensa de empresas grandes, empresas de consultadoria “em comunicação” ou relações publicas   (o nome sofisticado para “propaganda” e outras sub formas de “spinismo”) e que em nada acreditam excepto no cheque generoso ou nos favores para a família e amigos, que os milionários lhes remetem, pelos serviços de distorção da verdade, prestados.

A tarefa destas criaturas é distorcer a verdade, omitir a realidade, lançar a confusão, falsificar factos, servir de camuflagem e dar protecção aos seus e aos Overlords.

SIMBOLO IRMANDADE DE NEMESISA Irmandade de Nemésis recusa pactuar e acreditar que” jornalismo” passou a ser isto, e que “ isto” é que é uma imprensa Livre.

Os irmãos estão convencidos que a população merece jornalismo e merece qualidade.

Declaramos ser absolutamente contra estes “produtos”adulterados que nos estão a vender como sendo o artigo genuíno.

Um sociedade séria, democrática e saudável rejeita a manipulação dos meios de comunicação social feita por ” dentro” para subverter os profissionais da área e muitas vezes feita por estes ao serviço de entidades sinistra e não democráticas e feita por “fora” ao serviço de entidades autocráticas e que se escondem nas sombras de ilegitimidade, corrupção, nepotismo e maldade.

Realidades Democráticas V

Enquanto Portugal está no processo de se transformar num dos primeiros países da União Europeia a regredir ao estatuto de região anárquica do terceiro mundo as máquinas de produção de desinformação da elite continuam ocupadas a vomitar as habituais peças de ficção social para manter as hostes calmas. Num esforço de injectar algum sentimento de normalidade no que é uma situação cada vez mais aberrante, a máquina propagandística continua a tentar desesperadamente apelar aos segmentos mais desafectados da população (os jovens, os desempregados, os insatisfeitos, os condenados à pobreza abjecta de forma permanente… os que têm maior apetência a romperem a ficção do contrato social que temos), martelando incessantemente as mesmas palavras: mantenham-se calmos, não há motivo de alarme, tudo irá correr bem, o vosso dia chegará. Claro que é um esforço vão porque a distância entre a mensagem e a realidade diária é de tal forma visível que nem o mais crédulo jovem alguma vez poderia dar crédito a estas “vozes razoáveis”, que como sempre se querem fazer passar por meros peritos técnicos – afinal de contas num país marcado por um atraso crónico face aos seus vizinhos o tecnocrata (vulgo “perito”) ganhou o estatuto próximo de um alto sacerdote.

"A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos."  - Emilio de Marchi

“A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos.” – Emilio de Marchi

Prova IV: enquanto a larga maioria dos jovens está desempregada ou trabalhar em posições em muito inferiores ao seu nível real de habilitação e capacidade profissional o sistema continua a mandar discursos cá para fora sobre seriedade, profissionalismo e iniciativa. Como se estas pessoas tivessem vivido num casulo até hoje. Como se nunca tivessem tido contacto real com as realidades do mundo profissional e em particular com o carácter arbitrário e despótico (quando não mesmo totalitário) que este assume em Portugal. No campo do formalismo político tenta-se a mesma coisa, insistindo que ao se criar mais um nível eleitoral (com candidatos pré-seleccionados claro) se aproximou o cidadão comum ao poder político. Como se tais mudanças estéticas tivessem de facto criado alguma alteração à dinâmica de funcionamento de poder que existe entre aparelhos partidários e a elite que servem. Como se o cidadão comum não soubesse ver que não ganhou nada com o negócio. Nada muda excepto o ilusório. O sistema está podre e não consegue adaptar as suas acções ou mesmo palavras à nova realidade. Continua de forma autista a repetir os mesmos mantras rezando aos céus que alguma solução milagrosa se apresente antes que os cidadãos se apercebam que o estrago feito é irreparável e resolvam pedir contas a alguém.

"Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser." - Johann Wolfgang von Goethe

“Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser.” – Johann Wolfgang von Goethe

Moral da Prova V: A elite é de facto indiferente às realidades da população. Não sabe o que se passa no terreno nem quer saber. Tem um discurso oficial a promover e apenas lhe interessa o formalismo vazio para poder manter as estruturas reais de poder inalteradas. Os seus servidores mais imediatos, quais formigas atarefadas, trabalham sem descanso para dar pelo menos um verniz tecnocrático e popular a uma realidade verdadeiramente imoral em todos sentidos. Ambos os grupos estão investidos neste processo até à medula e sabem que a sua sobrevivência depende da manutenção destas ficções e da fragmentação social que sempre fomentaram (as falsas divisões de classe, de profissão, de idade, de orientação política… entre muitas outras falsas categorias). Quanto ao cidadão… esse está a ser manipulado e ridicularizado por tais tácticas e continuará nesta posição até ter a honestidade de admitir a si mesmo qual a sua realidade pessoal e ganhar a coragem para fazer algo.