A degradação da população portuguesa – 2/3

A missão:

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas querem degradar a população e alterar os padrões do que é profissionalismo.

O que pretendem atingir:

Degradam o conceito de profissionalismo e subvertem a percepção colectiva relativamente ao que é e deve ser o conceito de profissionalismo e quais as exigências que a sociedade deve ter para com pessoas colocadas em lugares de topo.

Como o fazem:

O canal privilegiado usado para o fazer são as práticas das empresas privadas e o Estado subvertido que promove o abastardamento dos funcionários públicos equiparando estes a funcionários privados.

Qual é o conteúdo:

As regras profissionais são alteradas e as lógicas de funcionamento internas das empresas e do Estado são subvertidas. O sentido e o conteúdo do que é “competência” e “profissionalismo” é  alterado e competente/profissional passa a ser quem obedece e quem fecha os olhos ou quem ” optimiza” recursos.

Quem executa o trabalho sujo:

Os executantes deste legado negativo infligido sobre a população são os courtiers de serviço que o promovem, são os gestores “modernos”, são os arquitectos da legislação laboral e profissional e das suas mudanças que criam regras anti profissionalismo.

2015-06-24  a degradacao pop portuguesa cartaz 2

(1) As quebras de normas sociais e como estas são reclassificadas pelas elites para servirem os seus propósitos.
(2) A falta de profissionalismo generalizada.
(3) A ascensão dos interesses em sentido próprio nas profissões de topo na sociedade portuguesa.

HOJE: A falta de profissionalismo generalizada.

O sentido do que é profissionalismo na sociedade portuguesa foi reclassificado. Uma falta de profissionalismo generalizada das classes dirigentes é por estas escondida e ocultada, e a noção de culpa ” técnica” é enviada em exclusivo para a responsabilidade da população.  As classes sociais elitistas  que controlam a disseminação desta doença profissional auto isentam-se.

Isto é uma guerra “suja” baseada na criação de mecanismos de inferiorização psicológica…

O objectivo consiste em promover uma cultura de inferioridade psicológica aplicada directamente sobre os trabalhadores menos remunerados, e excluir de responsabilidades no actual estado das coisas a ” classe dirigente”.

A cultura da inferioridade psicológica, neste sentido, permite promover a cultura dos salários mais baixos que, por sua vez, é vendida como sendo uma relação directa que existe associada a essa falta de profissionalismo das classes mais baixas.

Surge a seguir o enaltecimento da suposta superioridade técnica das profissões de topo nos seus respectivos trabalhos que é depois apresentada como estando a ser “prejudicada” na sua eficiência pelo facto dos trabalhadores de qualificações inferiores serem considerados como “ maus profissionais”.

Analisando esta postura pelo valor facial que tem percebe-se que é um contra senso.

Em situações normais, dentro de empresas ou administração pública, tem sido as classes profissionais mais elevadas (que se tem posicionado ao longo de décadas para se protegerem umas as outras e colocam-se umas as outras em lugares…) que são as que gerem as actividades das empresas. E gerem as dos trabalhadores que fazem os trabalhos considerados inferiores ou menos bem pagos.

Torna-se lógico afirmar que cada uma destas pessoas espelha outras e quem gere, se for incompetente a fazê-lo, terá a tendência a passar esses defeitos para os seus trabalhadores menos remunerados.

Os defeitos são inerentes a todas as classes e tipos de pessoas e quem é bom gestor de pessoas gerirá melhor a sua empresa/administração.

Em Portugal as elites políticas e económicas decretaram que isto é ao contrário.

HUBRIS - CEREBRO - HALTERESDo alto da sua hubris e da sua petulante arrogância praticam a arte do “self serving bullshit”.
Esta característica vincada produz uma narrativa designando a falta de profissionalismo ou o mau profissionalismo como apenas existente nas classes menos bem remuneradas.

As consequências disto são simples.

O significado de “profissional” desvaneceu-se.

Nos dias de hoje, em Portugal ser-se “ profissional” é ser-se bem comportado e manso, não ser competente a fazer as coisas, andar bem vestido e apresentar uma imagem de marca pessoal assente no “eu”, agradar ao chefe, mesmo que o chefe seja um incompetente perigoso cujas decisões põem em causa a viabilidade-económica financeira do sector onde se trabalha.

O trabalhador moderno é o “ eu” que se auto promove, a criança adulta a quem é dito para ser hedonista na sociedade e no trabalho, relegando para segundo plano o trabalho (e o sentido de ser-se profissional) propriamente dito.

Regra geral, em empresas existem conflitos de interesses.

 * Quem geria esses conflitos e como eles eram geridos constituía um factor poderoso de respeito profissional entre pessoas dentro da mesma empresa e servia como tabela de aferição de quem eram os profissionais e quem eram os outros.

Precisamente por isso certas profissões eram socialmente extremamente respeitadas.

Tais como médicos, contabilistas, advogados e gestores, quadros superiores da administração publica. Todos equilibravam de forma profissional os interesses dos seus clientes/doentes/trabalhadores com os interesses próprios como profissionais e com os interesses gerais da sociedade – o bem comum.

A expectativa que caia sobre um advogado era a que funcionasse como uma autoridade do sistema de justiça bem para lá do que era a sua simples condição de defensor do cliente.

A expectativa relativa a um médico baseava-se em que este colocasse a saúde publica à frente dos seus próprios interesses enquanto medico e a frente dos interesses dos doentes.

A expectativa que existia sobre a actividade de um contabilista era não só a de certificar contas mas também que defendesse a integridade dos sistemas financeiros, porque isso significava defender a sua própria profissão e o sector em que a mesma estava inserida.

Nos quadros superiores da administração pública as expectativas eram ainda maiores e mais certificadas com sendo sérias. O pressuposto era que os quadros da administração a servissem em vez de se servirem dela.
A ideia de se servirem os amigos privados com informação privilegiada ou favores para posteriores recompensas futuras a serem obtidas, era impensável.

Sobre os gestores de empresas as expectativas recaiam nas praticas de boa gestão, promoção do crescimento da empresa e no assumir de responsabilidades sociais, ao invés de se empurrarem as externalidades para o resto da sociedade numa atitude de “o ultimo a sair que feche a porta”.

Todos estes padrões tinham falhas e não eram sempre cumpridos, mas existia uma hegemonia na sociedade portuguesa quanto à promoção da defesa destes valores.

As elites políticas, sociais e económicas portuguesas,(a elite plutocrata) subverteram e destruiriam estes padrões.

Vivemos na anarquia neoliberal cleptocrata, com eleições para disfarçar de 4 em 4 anos.

    "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”     Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

O que ocorreu na medicina, nas escolas, e nos sectores da justiça em Portugal mostra bem como a degradação chegou e produziu os seus estragos.

Um exemplo da medicina explica particularmente bem isto. A partir da década de 80 do século 20 os sectores da medicina em Portugal perceberam que podiam controlar o sistema publico de medicina e passarem de pessoas que viviam bem, para pessoas que viveriam quase milionárias.

Passaram a fazer otimização financeira do sistema (em beneficio próprio), aceitando subornos das companhias farmacêuticas, sobre utilizaram serviços, diagnosticaram para lá do mais razoável, intimidaram políticos e doentes escudando-se atrás do seu conhecimento técnico da profissão.Paralelamente atacaram com tácticas corporativas negando o acesso mais largo à profissão, forçando em paralelo o repudio de sistemas alternativos de medicina debaixo da capa do “perigo para a saúde pública” que concorrências de sistemas alternativos de saúde gerariam, entre muitas outras técnicas  semelhantes.

 * O anterior profissionalismo desta classe assente num reconhecimento e respeito social foi assim destruído. Proporcionando que as mesmas forças que ajudaram a fazer estas figuras tenham tirado o tapete actualmente aos médicos, retirando ou ameaçando retirar decisões medicas aos próprios, encharcando os médicos em burocracia, autorizando técnicos com menos treino (paramédicos) para fazerem aspectos do seu trabalho ou enviando parte dele para os enfermeiros e no futuro será a automatização do trabalho de médicos (telemedicina) a ser vendida como nova solução.

Esta dissolução do sentido do que é ser-se profissional está a criar uma ingovernabilidade sistémica e um tecido social semi anárquico.

Os sentimentos de injustiça latente irão explodir, quando os deserdados da terra verificarem que foram enviados para um limbo social onde levam sempre pancada.

As tribos políticas da esquerda e da direita convivem bem com este estado das coisas.

A Irmandade de Némesis não.

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Os ares do Verão

Para que serve o Verão em Portugal? Até há uns anos (2007-2008) servia como ritual de purificação da classe média que se isolava através do turismo massificado em zonas de praia com planos urbanísticos horríveis. No entanto isso tem vindo a alterar-se. A mobilidade reduz-se a cada ano que passa e cada vez mais pessoas ficam em casa a meditar sobre o que fizeram o ano todo. A contemplar os seus erros. Sem banhos de sol e mar podem encarar mais sobriamente o que esses enganos podem implicar para o seu futuro. Será que a anunciada recuperação terá alguma continuidade depois do normal “boost” de Verão? Poder-se-ão pagar as contas de saúde que se vão acumulando à medida que as poucas unidades ainda totalmente públicas começam a perder os poucos recursos que lhes restavam? Será que haverá dinheiro para que os filhos possam continuar a estudar agora que o ensino vai seguir o caminho do SNS e será incrementalmente pago? Os abutres televisivos fazem a cacofonia do costume mas nada parece claro. E assim se perdem as noites de sono dos mais prescientes.

"O culpado que nega as suas culpas - dobra-as"

“O culpado que nega as suas culpas – dobra-as”

Os mini casos de corrupção política e pessoal ocupam as semanas e a confusão dá lugar a exigências algo vagas de “justiça” – dentro do estilo de uma populaça medieval irada: “que se tirem as maçãs podres do cesto” (que o cesto em si esteja podre é outra questão que escapa à visão de muitos). Mas a pergunta mais perceptiva é porque é que estes “escândalos” aparecem todos de seguida. Se olharmos para a normal rotatividade dos partidos penso que será fácil de perceber que esta continuação de governo não estava nos planos. Isso aumentou muito as tensões. Já em tempos normais o teria feito, mas numa altura em que os aparelhos partidários estão mais apertados a urgência é sentida como a fome de quem não vê uma sandes há uma semana. Não espaço para o cavalheirismo habitual. Não se podem deixar estas coisas passar – mesmo que seja do interesse de qualquer sistema estável que os principais agentes de poder não chamem a atenção dos governados sobre as suas falhas, especialmente quando são partilhadas, já que não só os enfraquece a ambos como ao sistema que lhes permite existir. Mas quando a fome aperta e os recursos escasseiam os cavalheiros perdem os seus bons modos e tornam-se visivelmente mais tribais, tornando todo o jogo de interesses mais transparente.

"Os traidores são colhidos na sua própria cobiça"

“Os traidores são colhidos na sua própria cobiça”

Mas a vida prossegue. Por inércia. Por incapacidade de reacção. Por apatia. Por indiferença. Por cobardia. Talvez os deputados alemães tenham alguma razão e Portugal seja um país de “mansos”. Talvez. O calor tardio finalmente faz o seu efeito e leva os portugueses mais persistentes à sonolência. Conseguem adormecer numas “siestas” que compensam as noites problemáticas. Mas Setembro está à porta e com ele mais uma movimentação nos terrenos políticos, as eleições locais. As eleições para o poder autárquico são uma mistura de clientelismo básico de século XIX, aparelhos partidários pós-25 de Abril, corrupção imobiliária e uma oportunidade geral de fazer uma sondagem de opinião sobre o poder central. Serão seguidas pela tentativa de aprovar mais um orçamento que deverá tantas hipóteses de passar quantas as câmaras que o PSD conseguir manter e do próximo relatório trimestral sobre a economia – já sem os resultados de Verão. Admito ignorância quanto ao que vai na cabeça dos nossos veraneantes. Não sei se continuam a pensar que isto se vai corrigir sozinho. Não entendo o porquê da indiferença dos mais afectados pelas reformas. Estão à espera de algum salvador? Nesse caso puxem uma cadeirinha porque pode demorar – o último devia ter aparecido pouco depois de 1580 e ainda estamos à espera.

wir kapitulation

wir kapitulation

O calor entorpece os sentidos mas a seguir ao Verão virá sempre o frio. Severo. Cruel. Realista. E aí não existirão deliciosos pedaços de tempo a meio da tarde onde as pessoas poderão diluir as suas consciências. Virão também novos Senhores do Norte. Emissários imperiais para nos impor um novo tributo sobre a dívida gerada por nós e acima de tudo por especulação financeira organizada – se existisse capacidade técnica e coragem política provavelmente chegaríamos à conclusão que estamos mais num cenário de guerra económica e de ocupação informal do que parceria. Não haverá simpatia como não houve até agora. Não haverá perdão. Não haverá alívio. Apenas um aumento da pressão até que os mestres dos publicanos estejam saciados com o saque e assegurados da incapacidade de resposta. O regime fragiliza-se internamente mas cimenta cada vez a sua credibilidade pela sua estreita ligação à nova Roma. O povo ignora por sua conta e risco o que sucede debaixo das suas barbas.

Consilio, quod respuitur, nullum subest auxilium