Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

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Autonomia e Estratégia

Como o Enclave e a Irmandade de Némesis têm vindo a demonstrar ao longo dos anos o actual debate nacional sobre o rumo a dar ao país reflecte em grande medida uma ficção. Não está de facto nada em debate. Ou dito de forma mais correcta o que está em debate por todas as forças políticas é apenas a forma e nunca a essência do sistema. E isto serve as elites de forma perfeita. Mantém as pessoas entretidas a discutir o sexo dos anjos enquanto as muralhas da cidade colapsam uma a uma. É verdade que alguns portugueses vão estando mais cépticos à medida que percebem os limites reais da nossa posição estratégica no mundo. Mas tristemente o efeito desta descoberta tende a ser a retirada do individuo da vida pública pois o cidadão desperto começa a desenvolver uma forte dissonância cognitiva face ao que o rodeia e ou é ostracizado ou acaba por se auto-exilar. As conversas que ouve e vê deixam de fazer sentido já que se entende que não têm qualquer relação com a realidade. Começa-se a ver as ilusões por aquilo que são, distracções para impedir que qualquer conversa nacional séria possa de facto existir. Começa-se a entender que os “princípios” e “ideologias” em grande medida não passam de capas retóricas com que se tapam os interesses mais cínicos de quem os defende ou na melhor das hipóteses conceitos vácuos que tentam mobilizar as massas para situações que ou são contra os seus melhores interesses ou não produzirão qualquer efeito. Tudo isto torna-se particularmente óbvio quando se discutem os modelos de desenvolvimento económico e as suas consequências políticas e sociais.

"The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers." - Zygmunt Bauman

“The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers.” – Zygmunt Bauman

As teorias económicas que estão em voga e que, teoricamente, visam optimizar os rendimentos das nações dos seus agregados empresariais insistem todas sobre um ponto, a especialização. Cada região deve focalizar-se apenas num elemento da produção de serviços ou produtos e importar o restante já que a dispersão por várias áreas não corresponderia a um óptimo económico (o máximo ganho de unidades monetárias pelo mínimo input de recursos). O corolário deste modelo é uma interdependência total dos países uns dos outros e necessariamente a fragilização de países mais pequenos e menos capazes de manter alguma diversidade de produção. Isto traduz-se em fórmulas econométricas que tentam expressar o risco associado à falha/colapso de um dos componentes deste sistema mais ou menos global. E como todas as fórmulas da economia clássica está sujeita a dois tipos de críticas: 1) O risco não se comporta de forma linear e o princípio base da económica clássica, ceteris paribus (e tudo o resto permanece igual), não tem validade, a instabilidade de um elemento toca na estabilidade todos os outros elementos e quanto maior o grau de interligação maior este efeito de contágio não intencional se torna – acaba por se tornar impossível ter uma ideia do risco real associado à maioria das falhas porque ele não respeita modelos matemáticos teóricos; 2) A interligação dos vários elementos deste sistema não divide o risco de forma equitativa, antes pelo contrário. Coloca grande pressão sobre os elementos mais pequenos que ao serem necessariamente mais especializados dependem apenas uma mão cheia de produtos ou serviços. Estão então duplamente dependentes. Dependem da manutenção de mercados externos muito específicos para escoar o seu excedente especializado e por sua vez dependem da existência da estabilidade de todos os outros mercados para assegurar a importação de todos os bens essenciais. Adicionalmente este sistema de avaliação de risco tende a ignorar que as grandes nações são indiferentes aos colapsos das pequenas nações mas que o inverso não é verdade, ou seja, a distribuição de risco não é apenas desigual como é mesmo inversamente proporcional ao poder económico e político de cada entidade nacional.

"It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence." - Voltaire

“It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence.” – Voltaire

Porque é que se seguiu este modelo de desenvolvimento? Porque a teoria alternativa caiu em desgraça. Diametralmente oposta a esta visão está a visão de autarquia – uma nação que organiza a sua vida económica no sentido de ser totalmente auto-suficiente. Há duas causas para o abandono deste modelo. Em primeiro lugar à medida que revolução industrial progredia e tecnologia se complexificava tornou-se claro que cada país não tinha a mesma distribuição de recursos naturais o que tornava a independência total como uma impossibilidade técnica. Em segundo lugar durante o século XX esta teoria de auto-suficiência extrema esteve associada a todo o conjunto de economias totalitárias (a Alemanha nazi é o caso mais óbvio) que exaltavam a nação de forna xenófoba e que viam as relações internacionais não apenas como o domínio da competição ou do conflito mas como apenas uma interminável guerra. Torna-se assim compreensível o abandono desta teoria em favor de uma que teoricamente daria lugar a menos tensões e conflitos e maximizaria os potenciais ganhos de cada nação. Mesmo os países que se sentem de alguma forma prisioneiros do sistema actual (a micro especialização) não encaram a autarquia como alternativa porque o choque de uma mudança de sistema causaria terramotos políticos, teria custos sociais elevados e seria questionável qual o nível de bem-estar que se poderia de facto proporcionar ao cidadão médio numa situação de autonomia total. Agora que o velho modelo continua descredibilizado e o novo parece estar próximo dos seus limites naturais e as suas falhas sistémicas começam a estar expostas as ansiedades populares sobre modelos de desenvolvimento credíveis e duráveis começa a aquecer já que não existe nenhuma nova ortodoxia no horizonte para substituir o que existiu até ao momento.

"For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually." - Ha-Joon Chang

“For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually.” – Ha-Joon Chang

De que adianta debater e discutir quando de facto não se quer sequer admitir os limites de cada uma destas escolhas e não se pondera a situação estratégica específica de Portugal? É útil colocar os termos do debate sobre uma forma partidária? Útil para quem? Há noção das consequências caso se queira desbravar novos caminhos? Há uma cultura de liderança política forte o suficiente para assumir esse risco? Existe vontade e coragem popular para aceitar de frente os imensos riscos quer para permanecer num modelo económico esgotado quer para explorar outras alternativas? Em última análise temos que ser extremamente cépticos quanto a qualquer possibilidade de mudança real que não provenha de um desastre exógeno, algo além do nosso controlo e iniciativa. Quer no topo quer na base a nossa sociedade tem falhas graves que nunca foram colmatadas e que nos tornam incapazes de tomar escolhas estratégicas coerentes. A Irmandade de Némesis recomenda a todos os cidadãos despertos (sejam membros ou não) cuidado em se envolverem no “debate” nacional, não nos devemos guiar por ficções e interesses alheios ao país. Só uma renovação dos valores da esfera pública pode trazer a revitalização necessária para voltarmos a ser capazes de fazer escolhas independentes e relevantes.

Pessoas sem dividas: os piores inimigos da tirania e do Status Quo

 Umberto Calvini: [In explaining the “true” nature of banking in the world] The IBBC is a bank. Their objective isn’t to control the conflict, it’s to control the debt that the conflict produces. You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates. You control the debt, you control everything. You find this upsetting, yes? But this is the very essence of the banking industry, to make us all, whether we be nations or individuals, slaves to debt. 

A maquina de criação de conflitos artificiais assentes em pressupostos sociais e económicos requer que os cidadãos sejam escravos de dividas.

Consequentemente, qualquer cidadão que recuse ter dividas, isto é, que tenha uma política de convicções pessoais assente nesse principio, independentemente do sacrifício pessoal ou familiar que tenha que sofrer, faz com que, através dessa atitude, toda a maquina de criação de divida passe fome.

Ficam impossibilitados de controlar a divida e de controlarem tudo a ela associado.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, permitir que forças sinistras criem conflitos para melhor controlarem a divida dai resultante e depois oprimirem-nos?

Inversamente, qualquer cidadão que tenha dividas, está a alimentar a maquina de criação de divida e a ser por ela controlado. Os seus direitos cívicos e políticos são postos em causa e negados. O controlo exercido sobre uma percentagem de cidadãos limita indiretamente a liberdade dos outros cidadãos que não estão debaixo de divida.

Todos perdem.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, permitir que forças sinistras promovam a divisão social e económica, atacando a democracia, e neguem “por associação” de quem não tem divida a quem tem divida; os direitos de todos os cidadãos?

O cidadão que recusa ter dividas, esse “Ser estranho e inquietante”, segundo o paradigma vigente considera a divida como algo que nunca quer ter, ou caso a tenha,(hipoteca de casa onde vive, por exemplo) pensa sempre nela como um pequeno mal necessário.

A ser reembolsado  o mais rapidamente possível e com a menor transferência de dinheiro em penalizações (juros) possível para as entidades parasitas, as mesmas que tem trabalhado para organizar a sociedade desta forma iníqua.

Os cidadãos livres de dividas são criados pelas seguintes condições.

Razões culturais e familiares – pessoas cujos valores culturais e familiares abominam a ideia de pedir dinheiro emprestado e pagar juros de divida.
Razões de memoria e historia pessoal – pessoas que no passado já pediram dinheiro e ficaram negativamente marcados pela experiência que juraram nunca mais repetir.
Razões ideológicas – pessoas que encaram a divida como um instrumento opressivo, que favorece o atual status quo económico e social iníquo, interpretam a situação percebendo que a cultura de lançamento de créditos (divida) sobre a sociedade é uma arma camuflada de repressão e de opressão, de controlo e de exploração.
Razões de aquisição patrimonial e zero risco – pessoas que percebem que pagar divida e deixar de ter divida é a forma mais fácil de ganhar uma vida de zero risco financeiro e obter  retorno financeiro com o próprio dinheiro.

“[Credit is a system whereby] a person who can't pay, gets another person who can't pay, to guarantee that he can pay.” ― Charles Dickens, Little Dorrit

“[Credit is a system whereby] a person who can’t pay, gets another person who can’t pay, to guarantee that he can pay.”
― Charles Dickens, Little Dorrit

Quando paga 12% de juros pelo simples uso de um cartão de crédito ” oferecido” (o presente envenenado) por uma entidade financeira isso constitui o equivalente a que 12% do seu rendimento seja desviado para alimentar os parasitas do sistema e do status quo.

(Note-se, aliás, que há uns anos atrás, a taxa de juro era de mais de 30% e nunca se podia baixar, porque, garantiam os ” especialistas” que louvam este sistema, só assim se poderia cobrir os custos e gerar lucros. Com a recente crise o nível da parasitagem baixou,mas continua a existir).

Então, coloca-se a questão.

Porque é que os cidadãos livres de dividas não são louvados como exemplo a seguir?

Apresentar cidadãos sem dividas como sendo bons exemplos e como o comportamento a seguir, corta o “fluxo“ de bons relacionamentos entre a imprensa financeira mainstream e corta os lucros de toda esta gente.

Existem muitas canetas de aluguer à solta, muitos ventríloquos a fazer eco das mensagens que lhes são pagas, em géneros ou em dinheiro, que louvam os benefícios de se pedir dinheiro emprestado.

Dito de outra forma.

Como podem os bancos comerciais e outros parasitas financeiros fazer dinheiro com quem não pede empréstimos?

Não podem.

Esse é um dos problemas centrais por detrás da exigência absurda de que se mantenham as teorias da austeridade a funcionar – com o correspondente serviço de divida

O atual sistema, o status quo que está em vigor é mantido contra todas as razões lógicas para tal, mas para ser mantido tem que viver da divida extraída dos servos da divida  estes são na sua quase generalidade os cidadãos.

Os lucros da manutenção deste sistema parasítico e absurdo são posteriormente reciclados e reentram no sistema para beneficio ilegítimo dos próprios e aumento do seu poder e riqueza, e servem, adicionalmente, para pagar aos micro exércitos de lacaios  e sequazes – a comunicação social, academias e Universidades e demais lacaios que argumentam e defendem o reforço do poder dos bancos e dos derivados tóxicos deles.

Acaso se fale em reestruturar a divida. Em deixar de pagar, em mudar o sistema. Quer-se mesmo fazer isso?

Admitamos que sim, que a generalidade das pessoas quer fazer isso.

Uma das soluções poderosas para o fazer é ficar fora do esquema de dividas. Não pedir dinheiro emprestado e pagar as dividas que se tenha o mais depressa possível.

Em Portugal, as tribos políticas da esquerda e da direita, nunca falam deste assunto.

Retire-se conclusões em relação ao porquê desta “omissão”…

“In fact this is precisely the logic on which the Bank of England—the first successful modern central bank—was originally founded. In 1694, a consortium of English bankers made a loan of £1,200,000 to the king. In return they received a royal monopoly on the issuance of banknotes. What this meant in practice was they had the right to advance IOUs for a portion of the money the king now owed them to any inhabitant of the kingdom willing to borrow from them, or willing to deposit their own money in the bank—in effect, to circulate or “monetize” the newly created royal debt. This was a great deal for the bankers (they got to charge the king 8 percent annual interest for the original loan and simultaneously charge interest on the same money to the clients who borrowed it) , but it only worked as long as the original loan remained outstanding. To this day, this loan has never been paid back. It cannot be. If it ever were, the entire monetary system of Great Britain would cease to exist.”
David Graeber, Debt: The First 5,000 Years

O curto prazo

O facto de nas modernas “democracias” (votamos periodicamente mas pouco mais nos está autorizado) termos ciclos eleitorais tão curtos, um ramo executivo do governo desmesuradamente poderoso e a legalização do lobbying têm levado sucessivos governos, a nível global, a ignorar completamente os problemas de longo prazo. E em boa verdade, de um ponto de vista egoísta, porque não haveriam de o fazer? Quando o problema se materializar será uma dor de cabeça para outros, já que os que agora governam estarão no sector privado a viver “la vida loca” – que foi aliás o motivo pelo qual, quando eram jovenzinhos de boas famílias, entraram nas juventudes partidárias que dão acesso ao coração dos aparelhos partidárias. Além disso a solução seria, provavelmente, impopular envolvendo sacrifícios que uma população, viciada na crença na inevitabilidade do progresso e na sacralidade da técnica, não estaria disposta a fazer. Em termos de uma análise crua de custos e benefícios os decisores económicos e políticos não têm qualquer razão para tomar em conta o futuro ou qualquer questão ligada à sustentabilidade das sociedades à custa das quais vivem.

Há sempre mais... certo?

Há sempre mais… certo?

Daí que a questão energética seja um beco sem saída. Todos sabemos (e deveríamos ser adultos o suficiente para o admitir) que, como espécie, só abandonaremos os combustíveis fósseis quando eles se esgotarem de vez. Nem com a inevitável escalada dos preços a níveis nunca antes vistos (o que dada a sua finitude é uma inevitabilidade que não admite contestação) impedirá o mundo de sugar até à última gota de petróleo ou o último pedaço de carvão utilizável. Seja qual for o custo social ou ambiental envolvido. Todo o progresso dos últimos 200 anos assentou sobre o fácil acesso a este tipo de recursos e os sistemas económicos, sociais e políticos que se construíram à sua volta, que dele dependem e que o defenderão até ao fim é enorme. Ao ponto da impossibilidade da mudança não forçada por factores exteriores. Daí que não venha como um choque que se continue a apostar no combustível fóssil mais poluente (mas mais abundante) existente, o carvão, como “solução” para os problemas de escassez energética derivada não só da complexidade tecnológica crescente como do desenvolvimento de novas regiões do globo.

Se houvesse perigo avisavam-nos...não?

Se houvesse perigo avisavam-nos…não?

As alternativas de mercantilização da poluição (mercados de emissões e afins) falharam como estavam destinadas – com o único “benefício” de terem gerado mercados de futuros especulativos para mais uma “comodidade” que não deveria ser comercializável. Novas “soluções” se irão apresentar, desde que a escassez não aperte muito e empurre para uma demarcação de posições (e territórios) mais violenta, que estarão igualmente destinadas a falhar. Mas num ponto, talvez o único que verdadeiramente interessa para quem as desenhou, serão bem-sucedidas. Darão ao cidadão comum a sensação que algo que está a ser feito. Que o seu estilo de vida tem futuro. Que existe uma ordem natural benevolente neste mundo que tomará conta deles. É só o que é pedido. A ilusão de segurança – o equivalente civilizacional ao que o crédito foi para o campo do bem-estar económico.