Portugal, uma democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos – 1

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” ( “Tacitus”)

Em Portugal a situação é simples.

Uma elite de poder, suportada desde as sombras pelas oligarquias podres e caducas impôs regras de controlo sobre os cidadãos. Estes são sistematicamente alvo de ataques baseados na iniquidade e na injustiça  que transformam a vida numa quase insustentabilidade e atrasam quer a evolução colectiva desta sociedade quer a evolução individual da maior parte dos cidadãos.

A vida colectiva foi transformada em algo quase insuportável para a grande maioria. Uma minoria obtém o espólio do que é quase insuportável para a maioria.

Este jugo opressor tem executantes.

São o aparelho estatal público, minado de cima abaixo pelas oligarquias e grupos de interesse – públicos e privados; são as grandes empresas privadas com os seus constantes abusos comerciais e fiscais, são os pequenos micro poderes caciquistas rurais e urbanos com a sua corrupção endémica, são as classes profissionais consideradas de topo com os seus privilégios profissionais ilegítimos, são os cortesãos profissionais e videirinhos amadores da comunicação social com as suas sistemáticas manipulações, são os actuais partidos políticos com a sua inexistente democracia interna, são os próprios cidadãos que se deixaram despolitizar e alhear do que se passa.

No longo exército cheio de generais mortos e executantes vivos estes são alguns dos  fundamentais que ajudam a manter este charco podre e fétido.

“O charco podre” é o outro nome para democracia de controlo portuguesa e neste ecossistema as regras são simples.

O cidadão pode ser prejudicado a todo o tempo e a toda a hora.

As empresas privadas e as castas públicas, os micro poderes caciquistas e os intermediários de negócios e da comunicação social devem ser ajudados a viver melhor e a prejudicarem o cidadão a todo o tempo e a toda a hora.

Este é o paradigma oficioso do regime.

Tacitus_quote - CONTROL

A democracia de controlo que ataca a democracia dos cidadãos funciona de varias maneiras e uma delas é a seguinte: qualquer cidadão lesado, revestindo uma qualquer das milhentas formas em que pode ser lesado, quer em termos patrimoniais, quer em termos de honra e ética, quer em termos dos seus interesses sociais e políticos,  por qualquer órgão do Estado; pelas empresas privadas de grande porte e parasitarias e/ou pelas micro empresas que adoptam estes métodos está impossibilitado de se defender.

Os benefícios desses prejuízos infligidos aos cidadãos são neutros (no sentido em que não revertem de facto para ninguém) ou são direcionados para alguma entidade profissional estatal ou corporativa que lucra (ou obtendo benefícios financeiros ou outros, ou sendo escusada de os pagar como compensação a quem foi por ela lesada).

O negócio que foi feito pelos proponentes da democracia de controlo em detrimento dos proponentes da democracia dos cidadãos tem este axioma:  o cidadão fica colocado nas situações sempre mais desfavoráveis para ele e favoráveis para os interesses da oligarquia e das elites de poder que a servem.

Como se chegou a este ponto?

A histórica oficializada mitológica defendida quer pela tribo da esquerda política, quer pela tribo da direita política apresentou este conceito de democracia dos cidadãos desde o dia 25 de abril de 1974 em diante. Esta nova versão benigna iria supostamente eliminar todos os resíduos fascizantes que vinham do anterior regime pré 1974.

Depois deste mergulho em sais de banho democráticos o cidadão ficaria protegido.

Uma nova super lei (CRP de 1976), legitimada e sujeita a posteriores revisões (onde se viriam a oficializar de facto os interesses dos oligarcas…) estabeleceria as grandes regras de justiça, segurança e liberdade, e foi apresentada aos portugueses como uma constituição altamente moderna, desenvolvida e progressista, uma das melhores constituições do mundo.

Esta mentira baseada na construção de percepções erradas, de memorandos de ideias feitas a serem inculcadas na cabeça da população serviu para legitimar e aliciar os cidadãos para o apoio a esta coisa vagamente oligárquica em que está transformada a crisálida que nunca passou a borboleta chamada República portuguesa.

40 anos depois verificamos que o nível de opressão tem vindo a crescer e começa a equiparar-se ao que existia há mais de 40 anos e serve os mesmos interesses que existiam antes do dia 25 de Abril de 1974 mais os upgrades pós, mas reveste outras formas, mais insidiosas, infinitamente podres e a opressão é agora feita com uma luva de veludo por oposição à mão de ferro anterior.

A montanha pariu um rato.

Quase nenhuns dos interesses das oligarquias foram tocados com o disposto naquela constituição.(ou na lei geral, antes pelo contrário) Existem apenas umas eleições quadrianuais e mais uns folclores semelhantes com discursos harmoniosos com periodicidade menstrual mensal para criar a imagem de uma República baseada em princípios democráticos.

 Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters. Alexander the Great

Heaven cannot brook two suns, nor earth two masters.
Alexander the Great

Um qualquer cidadão é lesado.

A República subvertida oligárquica que temos fornece a resposta aos cidadãos. Diz-lhes que dispõem duma panóplia de meios, garantias legais e jurisdiccionais de todos os tipos, feitios e modelos.

O cidadão fica convencido que, afinal, isto funciona: se existem tantas “garantias” é porque isto é um sistema a sério e a sério.

Na realidade isto é a apenas a face do iceberg oligárquico, promovido pelas elites de poder para paralisar qualquer resposta particular, de cidadania, às injustiças e iniquidades e para defender indirectamente os interesses das oligarquias.

Os cidadãos que iniciem qualquer oposição a qualquer injustiça cometida contra si ou contra outros e exijam apuramento de responsabilidades e sanções correspondentes, quer sejam instituições estatais a ter que responder por isso, quer sejam empresas privadas observam que a lógica de funcionamento é sempre idêntica.

A entidade pública a quem foi atribuída “competência” para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal ou demora eternidades esvaziando o tempo útil para resolver e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade estatal. Isto quando não diz logo que o cidadão (tendo-a efectivamente) não tem razão e passa adiante.(São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Numa empresa privada o departamento ou funcionário a quem foi atribuída competência para resolver o assunto declina fazê-lo invocando a não alocação de competências para tal, ou demora eternidades esvaziando o tempo útil e acaba a passar o assunto para uma qualquer outra entidade ou pessoa dentro da empresa, quer porque tem ordens para fazer isso, quer porque não sabe, quer porque não tem competência para isso, quer porque a política comercial oligárquica defendida e definida pelo topo da empresa assim o define. (São sempre fornecidas justificações  que citam inúmeras leis, códigos e pergaminhos ancestrais… como justificação para manter a injustiça e a iniquidade)

Em ambos os casos trata-se de fazer perder tempo, encher a paciência dos cidadãos, arrastar o assunto até tempo inútil de ser resolvido. Sonegar justiça  equidade e aplicar o seu contrário, por motivos de exercício de poder político e comercial.

( Neste aspecto a autocracia das empresas privadas é ainda pior em Portugal do que o Estado  – salvo certos sectores  específicos do Estado como o fisco e a sua política quase nazi fiscal…)

Qual a conclusão a retirar?

Recusa-se atribuir isto somente a falhas momentâneas de serviços ou erros humanos; são políticas oficiais definidas pelas oligarquias e executadas pelas elites de poder.

São formas de controlo social abjectas e anti democráticas.Tem com objectivo criar distancia entre o cidadão e estas estruturas de controlo, precisamente porque visam obter e manter uma despolitização do cidadão e mantê-lo imobilizado.

E a despolitização deve aqui ser entendida como uma forma de retirar direitos ao cidadão em todas as áreas que lhe dizem respeito menos em duas: a de ser um obediente pagador de impostos altos e a de ser um obediente consumidor.

Numa democracia de cidadãos existem áreas que são atribuídas aos cidadãos e das quais eles não são autorizados a sair ou estamos na realidade numa democracia de oligarcas, passe o paradoxo, em que só a dimensão consumidores acríticos mais pagadores de impostos cabe?

E concorda-se com isto? Os membros da Irmandade de Némesis discordam.

Democracia de controlo 1

Quando a poeira assenta os cidadãos verificam que após terem sido genericamente degustados por todas estas estruturas, os seus assuntos nunca foram resolvidos, mas as entidades visadas – quer a que faz aplicar a lei, quer a visada na aplicação da lei, fizeram entre si um acordo compensatório que exclui, em termos práticos, os cidadãos de qualquer compensação. É um acerto de contas contabilístico-oligárquico que exclui o principal interessado nos assuntos em discussão.

“Viewed from a distance, everything is beautiful.” e é esta a imagem que a crisálida que nunca se transformou em borboleta emite para a população.Tudo é bonito e tudo funciona, excepto que nunca funciona.

Devemos citar o ponto 7 do Estatuto de Némesis:

7 – Todo o irmão de Némesis está obrigado a reconhecer, e a aplicar nas suas acções, o primado do humano sobre o económico e o institucional. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir.

A democracia de controlo devora o Homem na sua essência  é indigna de existir.

Os irmãos recusam a democracia de controlo e nunca a aceitarão.

É o falso nome de Governo e chamam paz a solidão que criam.

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar ;ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

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A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas no sistema político português

É sempre desagradável iniciar a escrita de um texto com uma frase óbvia: o regime político português está completamente bloqueado.

A natureza do bloqueio é vil e assume características de oligarquia e casta. Um bloqueio desenhado e construido para impedir (primeiro) a produção de democracia e (segundo) a sua efectivação com um carácter pratico, para impedir a participação social e política e na política e para impedir que se consiga alcançar o bem estar social para quem vive em Portugal.(excepto para os membros privilegiados e escolhidos da casta, respectivas familiar e associados corruptos em/ou formação na arte negra)

Os construtores do bloqueio foram as elites políticas, económicas e sociais que emergiram do alarido inconsequente do dia 25 de abril de 1974 e posteriormente dos “contra acontecimentos” do dia 25 de Novembro de 1975; que reverteram uma já antes ideia incipiente de democracia nascida em 1974 e a transformaram nesta “democracia de controlo e fantoches dos oligarcas” que dão a cara por isto.

O modelo usado para este bloqueio baseou-se na própria mediocridade dos construtores conjugada com bastantes dos vícios e defeitos totalitários que derivavam do regime anterior. O objectivo  principal do modelo visava criar a auto perpetuação futura de um sistema político opaco, vocacionado para a inexistência de respostas políticas democráticas ao que pudesse acontecer no mundo e na sociedade portuguesa.

Deram-nos mediocridade oligárquica e chamaram a isso democracia europeia de tipo ocidental. Ou qualquer outro cliché de palavras harmoniosas e que ficam bem num qualquer evento cultural, mas nada de substancial significam em concreto.

A mediocridade oligárquica é dejectada sobre a população sob a forma deste estado de coisas que foi desenhado para proveito dos oligarcas e lhes permite continuar a fazer colheitas sobre os portugueses. As oligarquias que antes existiam são as mesmas que agora estão travestidas de democratas e apoiantes da democracia.

O que temos está muito longe de ser uma democracia. Deram-lhe o nome, mas o significado é inteiramente diferente.

 "We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.” Blaise Pascal

“We run carelessly to the precipice, after we have put up a façade to prevent ourselves from seeing it.”
Blaise Pascal

Qual tem sido a resposta política dos portugueses a este estado de coisas?

Esta traição medíocre que assombra a vida dos cidadãos tem sido respondida de forma  difusa e alheada. Mastigados pela oligarquia e sujeitos a uma colheita de recursos (são os portugueses e as suas aspirações que tem sido alvo desta colheita ) a generalidade dos portugueses optou, conscientemente ou inconscientemente, por se distanciar do sistema partidário julgando ser apenas ele a causa dos problemas (é induzida a pensar isso pelos avençados e mensageiros existentes nos outlets de comunicação social e pelas forças sinistras que desejam mudar de regime e não perdem uma oportunidade de atacar o actual, para impor o seu regime sinistro) e progressivamente demonstra desprezo pelos serviços de descompressão do ar fétido que esta sociedade tem instalados, também conhecidos por eleições periódicas marcadas de 4 em 4 anos.

Este sistema político tem uma válvula de descompressão chamada eleições. Quando o sistema entra em crise reage emitindo baforadas de descompressão da panela de pressão em que isto está regurgitando eleições mais vezes e durante menores períodos de tempo – vide situação política actual em Outubro de 2015.

Quando os cidadãos aparentam ter saído do redil da oligarquia e dos seus interesses; manobra-se as suas percepções para que pensem que pelo facto de existirem “mais” eleições isso signifique que haja “mais democracia”, dado que tem sido assim que tem sido ensinados ao longo dos últimos 40 anos, a pensarem.

Querem dar-nos “mais” em vez de melhor. Quantidade em vez de qualidade.

A situação está nua e podre, os lençóis mediáticos cobrem a porcaria, mas o verniz está a estalar e o numero de pessoas que põe distancia entre si e  o sistema político partidário e o regime actual, o numero de pessoas que se distancia desta descompressão artificial que são as eleições de 4 em 4 anos está a aumentar.

Brevemente será maior o numero dos que se distanciam, do que dos que apoiam o sistema oligárquico partidário que temos. Quais serão os argumentos a usar nessa altura para justificar a falência desta coisa…?

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto é um libelo contra eleições.)

(Nota: é recusada autorização a que se pense que este texto apoia o regime pré 25 de abril de 1974.)

Em termos médios históricos isso já acontece – o “mais “ em vez de melhor. Desde 1975, existiram 15 eleições, o que dá um período médio de 2 anos e 8 meses de intervalo entre eleições.
Com tanta “democracia eleitoral” enfiada à força pela garganta dos portugueses seria de esperar que vivêssemos num autentico paraíso democrático em que as pessoas se sentissem extremamente felizes e o país fosse extremamente agradável para viver.

É o contrario que se verifica, excepto para uma pequena clique de psicopatas e cleptocratas – a oligarquia e as elites de poder que a representam.

enclave - mortos que estao nas listas 2015-10-30

Neste ritual de descompressão teoricamente desenhado para durar quadriénios, mas na prática de 2.8 anos, existem vários participantes. Os cidadãos ovelha recenseados que escolheram um partido e votam nele religiosamente, os votantes brancos e nulos, os votantes abstencionistas e os votantes eleitores fantasma, isto é as que são inscritas e que jamais poderão votar (uma celebre filósofa portuguesa enunciou que estar “morto é o contrário de estar vivo”  e tal estado dualístico contraditório  impossibilita votar segundo parece…).

Excluindo os cidadãos ovelha desta equação, os restantes problemas nunca incomodaram a nossa elite de poder, a nossa classe política, toda esta geração mal pensante e mal falante.

A complicada maquina burocrática eleitoral, concebida com as ideias de há 40 anos, nunca foi agilizada , adaptada aos novos tempos, filtradora destes problemas de mortos que estão recenseados, de pessoas registadas que não votam devido a problemas burocráticos, etc.

Porque é que uma infraestrutura eleitoral caduca e obsoleta está em funcionamento, desta maneira, 40 anos depois de ter sido criada?

Esta obsolescência inserida no sistema facilita a vida das oligarquias, dos participantes em partidos políticos. A mediocridade corrupta das escolhas pré condicionadas pode ajudar a ser mantida como intocável debaixo da capa da obsolescência do sistema político e eleitoral.

Espíritos críticos adversos poderão argumentar (e serem imediatamente apelidados de antidemocráticos pelos representantes das elites e da oligarquia) que o financiamento publico dos partidos políticos não é afectado por esta obsolescência programada e funcional, bem como, uma vez eleitos, o acesso aos benefícios dai decorrentes não ser afectado, dai esta lassidão que pactua com estes defeitos…da nossa “democracia”…

A resposta é simples.

Quando o salário e a posição social e política, quando o poder destas pessoas, quando o emprego destas pessoas e as prebendas de que dependem estão assentes em não perceberem, elas não percebem.

upton sinclair citacao

Numa nota lateralizada observemos os emigrantes portugueses e o voto. Recentemente impedidos de votar por desleixo e obsolescência programada dos serviços que emitem cartões de cidadãos e que tendo 4 anos para se prepararem falharam na altura decisiva. 

É por acaso?

Em arbitragem de futebol chama-se beneficio ao infractor, mas em Portugal isto significa que os emigrantes são tratados como peças de mercadoria estragada a despachar rapidamente.

O poder político/a oligarquia ficam extremamente gratos e bastante satisfeitos pelo facto dos emigrantes desaparecerem da porta para fora. Querem lá que eles votem…

Garrafas de champanhe abrem-se em ministérios e condomínios fechados para saudar esta decisão.Rejubila-se duplamente porque os “enganados” que foram mandados convidados a sair sejam depois suficientemente imbecis para continuarem a mandar dinheiro para Portugal.(continuando a ajudar os interesses da oligarquias…)

"Emigrante emigrante, foste longe e regressaste Emigrante emigrante, não sei porque tu voltaste" Autor: Ena pá 2000"

“Emigrante emigrante,
foste longe e regressaste
Emigrante emigrante,
não sei porque tu voltaste”
Autor: Ena pá 2000″

Porque é que o sistema político e a sua excrescência eleitoral chamada descompressão eleitoral quadrianual estão bloqueados?

Sendo o sistema autista tal acontece para impedir participação verdadeira da população.

Como está fechado sobre sim mesmo e está assim á 4 décadas daí resulta o afastamento das pessoas e a ocupação de espaço social pelas oligarquias político partidárias.

Conseguindo enganar a população a golpes de suborno geração após geração (entrada na UE, fundos comunitários, investimentos massivos em pontes, estradas, piscinas e rotundas e empregos para os amigos) esta clique tem conseguido minorar os estragos.

Contudo, a abstenção elevada está a chegar aos níveis de perigo. Criaram totalitarismo social e distanciamento e a própria manutenção e mobilização deste regime político visando a sua própria reprodução  começa a ficar em perigo ( não que tenhamos pena…). Os que votam estão perto de serem menos do que os que não votam.

Os sintomas clássicos dum parasita são os seguintes. O parasita instala-se no corpo do hospedeiro e suga-o até o tornar tão fraco que este morre. O parasita morre a seguir por ausência de outro hospedeiro que tome o seu lugar.

Juntando o insulto à injuria como é tratado por este sistema quem é abstencionista?

Todas as pessoas que se recusam a ir votar, vão votar mas votam em branco ou nulificam o voto são alvo de uma guerra psicológica, de uma chantagem emocional feita por todos os agentes ao serviço dos partidos políticos. E replicada pelos cidadãos cheios de boas intenções, mas alheados da realidade.

Deliberadamente desvaloriza-se e achincalha-se veiculando-se  memorandos (mudanças de paradigmas culturais ou sociais), especificamente usando a argumentação de que quem não vota não tem depois legitimidade para se queixar, como se o facto de se votar em candidatos pré definidos pelas oligarquias ou por minorias de casta, quer elas sejam da tribo da esquerda política quer da tribo da direita política, consistisse num forma de legitimização política de qualidade superior…

Sendo inexistente qualquer movimento organizado ou desorganizado falando em nome do “não votante”, não deixa de espantar a hostilidade e a tentativa de menorizar estas pessoas por parte das características oligárquicas do sistema político português.

Um exemplo claro são as eleições para o parlamento europeu em que mais de metade das pessoas não vota, embora os 22 representantes portugueses sejam todos eleitos. (pela lógica da legitimidade, só menos de metade dos 22 lugares deveria ser efectivamente atribuída, mas depois como se poderiam alimentar gamelas eurocráticas?)

Neste especifico assunto eleitoral, já estas eleições são comummente desvalorizados pelos papagaios partidários e pela classe casta dos vendedores de folhas de alface (antigamente conhecidas pelo nome de”jornais”).

Este é o conceito de legitimidade das elites portugueses. É uma legitimidade ” a la carte”, selectiva,  maldosa ,enviesada e totalmente corrupta.

Como a democracia consiste na igualdade entre eleitores para se candidatarem a cargos públicos e a serem iguais perante a lei, o que temos são listas de militantes de partidos pré feitas em linhas de montagem oligárquicas.

Como a democracia consiste na possibilidade de os eleitores destituírem de funções os candidatos, de existirem limitações temporais de mandatos, da representação política ser um dever de cidadania em vez de um trabalho bem pago via lobbies, da ausência de privilégios nos titulares de cargos públicos, facilmente se percebe que em Portugal isto está ausente ou é “martelado” para dar resultados pré definidos.

É bastante simples.

A irmandade de Némesis recusa a mediocridade oligárquica disfarçada de falso regime democrático que nos querem impor.

Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

Pessoas sem dividas: os piores inimigos da tirania e do Status Quo

 Umberto Calvini: [In explaining the “true” nature of banking in the world] The IBBC is a bank. Their objective isn’t to control the conflict, it’s to control the debt that the conflict produces. You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates. You control the debt, you control everything. You find this upsetting, yes? But this is the very essence of the banking industry, to make us all, whether we be nations or individuals, slaves to debt. 

A maquina de criação de conflitos artificiais assentes em pressupostos sociais e económicos requer que os cidadãos sejam escravos de dividas.

Consequentemente, qualquer cidadão que recuse ter dividas, isto é, que tenha uma política de convicções pessoais assente nesse principio, independentemente do sacrifício pessoal ou familiar que tenha que sofrer, faz com que, através dessa atitude, toda a maquina de criação de divida passe fome.

Ficam impossibilitados de controlar a divida e de controlarem tudo a ela associado.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, permitir que forças sinistras criem conflitos para melhor controlarem a divida dai resultante e depois oprimirem-nos?

Inversamente, qualquer cidadão que tenha dividas, está a alimentar a maquina de criação de divida e a ser por ela controlado. Os seus direitos cívicos e políticos são postos em causa e negados. O controlo exercido sobre uma percentagem de cidadãos limita indiretamente a liberdade dos outros cidadãos que não estão debaixo de divida.

Todos perdem.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, permitir que forças sinistras promovam a divisão social e económica, atacando a democracia, e neguem “por associação” de quem não tem divida a quem tem divida; os direitos de todos os cidadãos?

O cidadão que recusa ter dividas, esse “Ser estranho e inquietante”, segundo o paradigma vigente considera a divida como algo que nunca quer ter, ou caso a tenha,(hipoteca de casa onde vive, por exemplo) pensa sempre nela como um pequeno mal necessário.

A ser reembolsado  o mais rapidamente possível e com a menor transferência de dinheiro em penalizações (juros) possível para as entidades parasitas, as mesmas que tem trabalhado para organizar a sociedade desta forma iníqua.

Os cidadãos livres de dividas são criados pelas seguintes condições.

Razões culturais e familiares – pessoas cujos valores culturais e familiares abominam a ideia de pedir dinheiro emprestado e pagar juros de divida.
Razões de memoria e historia pessoal – pessoas que no passado já pediram dinheiro e ficaram negativamente marcados pela experiência que juraram nunca mais repetir.
Razões ideológicas – pessoas que encaram a divida como um instrumento opressivo, que favorece o atual status quo económico e social iníquo, interpretam a situação percebendo que a cultura de lançamento de créditos (divida) sobre a sociedade é uma arma camuflada de repressão e de opressão, de controlo e de exploração.
Razões de aquisição patrimonial e zero risco – pessoas que percebem que pagar divida e deixar de ter divida é a forma mais fácil de ganhar uma vida de zero risco financeiro e obter  retorno financeiro com o próprio dinheiro.

“[Credit is a system whereby] a person who can't pay, gets another person who can't pay, to guarantee that he can pay.” ― Charles Dickens, Little Dorrit

“[Credit is a system whereby] a person who can’t pay, gets another person who can’t pay, to guarantee that he can pay.”
― Charles Dickens, Little Dorrit

Quando paga 12% de juros pelo simples uso de um cartão de crédito ” oferecido” (o presente envenenado) por uma entidade financeira isso constitui o equivalente a que 12% do seu rendimento seja desviado para alimentar os parasitas do sistema e do status quo.

(Note-se, aliás, que há uns anos atrás, a taxa de juro era de mais de 30% e nunca se podia baixar, porque, garantiam os ” especialistas” que louvam este sistema, só assim se poderia cobrir os custos e gerar lucros. Com a recente crise o nível da parasitagem baixou,mas continua a existir).

Então, coloca-se a questão.

Porque é que os cidadãos livres de dividas não são louvados como exemplo a seguir?

Apresentar cidadãos sem dividas como sendo bons exemplos e como o comportamento a seguir, corta o “fluxo“ de bons relacionamentos entre a imprensa financeira mainstream e corta os lucros de toda esta gente.

Existem muitas canetas de aluguer à solta, muitos ventríloquos a fazer eco das mensagens que lhes são pagas, em géneros ou em dinheiro, que louvam os benefícios de se pedir dinheiro emprestado.

Dito de outra forma.

Como podem os bancos comerciais e outros parasitas financeiros fazer dinheiro com quem não pede empréstimos?

Não podem.

Esse é um dos problemas centrais por detrás da exigência absurda de que se mantenham as teorias da austeridade a funcionar – com o correspondente serviço de divida

O atual sistema, o status quo que está em vigor é mantido contra todas as razões lógicas para tal, mas para ser mantido tem que viver da divida extraída dos servos da divida  estes são na sua quase generalidade os cidadãos.

Os lucros da manutenção deste sistema parasítico e absurdo são posteriormente reciclados e reentram no sistema para beneficio ilegítimo dos próprios e aumento do seu poder e riqueza, e servem, adicionalmente, para pagar aos micro exércitos de lacaios  e sequazes – a comunicação social, academias e Universidades e demais lacaios que argumentam e defendem o reforço do poder dos bancos e dos derivados tóxicos deles.

Acaso se fale em reestruturar a divida. Em deixar de pagar, em mudar o sistema. Quer-se mesmo fazer isso?

Admitamos que sim, que a generalidade das pessoas quer fazer isso.

Uma das soluções poderosas para o fazer é ficar fora do esquema de dividas. Não pedir dinheiro emprestado e pagar as dividas que se tenha o mais depressa possível.

Em Portugal, as tribos políticas da esquerda e da direita, nunca falam deste assunto.

Retire-se conclusões em relação ao porquê desta “omissão”…

“In fact this is precisely the logic on which the Bank of England—the first successful modern central bank—was originally founded. In 1694, a consortium of English bankers made a loan of £1,200,000 to the king. In return they received a royal monopoly on the issuance of banknotes. What this meant in practice was they had the right to advance IOUs for a portion of the money the king now owed them to any inhabitant of the kingdom willing to borrow from them, or willing to deposit their own money in the bank—in effect, to circulate or “monetize” the newly created royal debt. This was a great deal for the bankers (they got to charge the king 8 percent annual interest for the original loan and simultaneously charge interest on the same money to the clients who borrowed it) , but it only worked as long as the original loan remained outstanding. To this day, this loan has never been paid back. It cannot be. If it ever were, the entire monetary system of Great Britain would cease to exist.”
David Graeber, Debt: The First 5,000 Years

Os cleptocratas portugueses perderam a narrativa e perderam a legitimidade

Existem narrativas oficialmente sancionadas pelos principais atores políticos,sociais e económicos. Estas são as narrativas que dizem aos cidadãos como devem pensar, como devem sentir, como devem estar. Gerações de cultores desta forma de manipulação fazem turnos, revezando-se na distribuição de tarefas socialmente manipuladoras e ocupando os meios de difusão destas com memorandos manipulativos destinados a produzir o maior estado de confusão na população que seja possível produzir.

Essas narrativas oficialmente sancionadas funcionam como alicerces do atual pântano estagnado e corrupto – o status quo.
Esse status quo, também conhecido pela “situação” é aquilo que (por enquanto) mantém intocável todo o conjunto de elites parasitas, lacaios associados e demais seres rastejantes que orbitam esta constelação de traidores e medíocres que assombram e atacam a população portuguesa.

Estas narrativas oficialmente sancionadas funcionam na sociedade portuguesa como “Chaves mestras”. Um corpo doutrinal de frases e ideias profundamente estéreis e anti democráticas criadas com o fim de manter tudo como está.

Estas também são as narrativas oficialmente sancionadas que defendem o neoliberalismo e os arranjos próprios dos monopolios de direito ou de facto socialmente e economicamente corruptos.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que afirmam que as alternativas são inexistentes.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que produzem um discurso de aceitação e proteção dos monopolios privados e os afastam da competição no mercado, o mesmo mercado ou capitalismo que é vendido, através de um duplo discurso, como sendo a base do sistema social, sob a qual nós todos nos devemos orientar.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que visam destruir a cidadania e a democracia e instaurar a tirania e a opressão. A ilegitimidade destes procedimentos é assente na transformação do que está e existe, visando criar consensos artificiais para ir em direção a um sistema político e a um regime abjeto e falho de legitimidade democrática.

Os exércitos de ilegítimos que tem feito todas as tentativas de condicionamento da população, já perderam o fio à meada de uma boa parte destas narrativas e elas caíram. Quando e onde não caíram estão apenas em acentuado estado de erosão.

A legitimidade do status quo, da ” situação”  já foi perdida.

O que ainda (os) ilude é o facto de a carcaça do “regime/sistema neoliberal para todos e monopolista para os insiders” ainda estar colocada no lugar onde foi originalmente depositada e anteriormente vendida como sendo algo inteiramente diferente…
Só os ignorantes, só os lacaios, só os corruptos, só os associados, só os que tem interesses investidos neste sistema, defende ou acredita que esta comunidade é e está a ser gerida como um sistema justo onde existe meritocracia na sociedade portuguesa.

A erosão destas narrativas “chave -mestra” é iniludível.

Entre estes protótipos corruptos de avençados acima mencionados temos as castas que administram o sistema de justiça, os lacaios dos meios de comunicação social, salvo algumas muito raras exceções, os lacaios menores das forças de segurança, as universidades de produção de saber inutilizado e ideologicamente orientado e as grandes corporações que monopolizam 5 ou 6 sectores económicos essenciais à vida dos cidadãos.

Estes são os principais inimigos dos cidadãos. E o que está a ser erodido são as narrativas que emanam dos títeres que promovem estas entidades.

Uma delas é a seguinte: a narrativa principal é a de que ninguém está acima da lei. Aparentemente, segundo esta narrativa , todos são tratados por igual e os abusos de poder, públicos ou privados são punidos ou limitados.

FALSO

Na realidade não existe qualquer responsabilização verdadeira pelos abusos de poder em todas as suas formas,nem há tratamento jurídico) igual para todos.

O cidadão foi transformado num ser desprotegido e está sempre colocado em pé de desigualdade quando tem que contactar ou é forçado a fazê-lo, o Estado, via forças policiais, a administração fiscal, via finanças ou qualquer órgão político eleito, via juntas de freguesia e câmaras municipais, só para dar alguns exemplos.

E, neste ultimo caso, ainda recebe o bónus de gosto duvidoso de ter que contactar com alguns dos mais cretinos representantes azeiteiros da cidadania que se pode ter o intenso desprazer de contactar, tal a estupidez e ignorância que demonstram e o absoluto desconhecimento da ideia de sentido de missão publica.

Só cidadãos com bolsos fundos, conseguem combater legalmente os abusos de poder.

Outra das narrativas principais diz-nos para ter confiança nos dados estatísticos oficiais ou privado-oficiais. Segundo estas narrativa, dados estatísticos oficiais são verdadeiros e devemos confiar no que nos dizem.

FALSO

Existe manipulação de dados oficiais quer via institutos geridos pelo Estado, quer via privados, ou através da falsificação deliberada de estatísticas ou pela omissão de dados. Mascara-se a realidade e a realidade é que a economia e a sociedade portuguesa estão organizadas para beneficiar poucos às custas de muitos.

Taxas de desemprego falsamente adulteradas para dar números baixos, (falsa) formação profissional falsamente listada como preparação para arranjar emprego, classificações de atividades absurdas como sendo empregos, estágios profissionais pagos a zero como sendo emprego, trabalhos parciais, quer em horas, quer em dias, listados como empregos a tempo inteiro…a lista de iniquidades e falsidades é criativa..

O capitalismo português é de amigos para amigos, de compadres para compadres, de políticos comprados, adquiridos e pagos para quem compra políticos comprados adquiridos e pagos, de legislação fabricada para amigos com dinheiro comprada a deputados e partidos políticos que querem ser amigos de quem quer legislação fabricada para amigos com dinheiro.

Interesses ilegítimos, anti democráticos e baseados na traição feita à população, são  mantidos com o objetivo de controlar o espectro político para conseguirem manter ou expandir o seu rendimento e o seu poder, poder esse que é reciclado para de novo ser usado para condicionar cada vez mais os cidadãos.

Os resultados podem ser vistos no declínio ou estagnação para a maioria dos cidadãos dos seus ordenados ou nos seus despedimentos dos empregos que tinham e na diminuição do seu poder enquanto indivíduos, porque a sua dependência aumenta.

“A classe media é o suporte da sociedade, temos que ter uma classe media forte”.

FALSO

Todos os princípios éticos, morais, políticos, económicos, sociais que norteavam a defesa da existência da classe media, como suporte e centro da sociedade foram destruídos. Até o mapa ” pequeno-corrupto do português cidadão médio” para se obter segurança financeira e “subir na vida”, que em Portugal passava pelos cidadãos se encostarem a poderosos que os iriam defender em tempos de vacas magras, assentava numa educação superior (ser um doutor) e em trabalhar numa grande empresa (o desígnio ultimo de “ estar bem” ); esse mapa foi quebrado.

A antiga cultura de estabilidade e lealdade à empresa – a tal grande empresa a que se queria chegar e lá ficar foi obliterada de forma violenta e apenas existe uma cultura de ” transição entre empregos” alicerçada em relações publicas de fachada, consubstanciadas nos anúncios (promovidos pelas corporações monopolistas…)  de  “empresa “X” é considerada a melhor para trabalhar” . Isto serve como capa que mascara a cultura de insegurança na sociedade e dentro das empresas cujos principais e primeiros responsáveis são quem a cultiva, a gestão empresarial corrupta defendendo através de atos no dia a dia, precisamente o contrario.

“Através da formação e da educação iremos subir na vida”

FALSO

Um licenciatura universitária vale zero para quem a obteu, numa economia e numa sociedade que está organizada para defender monopolios privados e não para se desenvolver e criar empregos. Qualquer análise custo-beneficio mostra que “obter educação” tem valor próximo do zero na economia do futuro, onde os lugares são menos e os licenciados mais.

Com a recente crise, vendida como sendo estrutural e eterna, nem isso se obtém, dado que inúmeras pessoas nem rendimentos tem para estudar e obter um curso superior ou até abaixo disso e muitas das que o obtém, são convidadas a sair de Portugal.

A elite política, económica e social portuguesa desvia o dinheiro de formação de portugueses e transfere-o para as economias de outros países que assim obtém gratuitamente licenciados, não licenciados e ensino médio a custo zero.

Estamos em teoria dos jogos e é um jogo de soma zero.Tudo para uns, zero para a população.

“Existe ” administração aberta” e todos os todos os níveis de governo em todos os seus níveis administrativos respondem a quaisquer duvidas e pedidos de esclarecimento dos cidadãos ou questionamentos do porquê de os serviços estatais agirem como estão a agir”.

FALSO

Lidar com o Estado/Governo ou com os interesses das empresas privadas em relação ao cidadão é estar em constante luta. Uma crescente violência coberta – normalmente via fiscal – e ameaças de intromissão na vida privada dos cidadãos, são constantes. Constroem-se bloqueios para a resolução de problemas, ou através da recusa de informar e esclarecer ou fazendo o oposto, que é deixar o cidadão afogado em informação altamente complexa que sozinho não pode descodificar. Promove-se a perda de tempo mas para o cidadão. Se tal não chegar utiliza-se a promoção da violência ” legalizada” via sistema oficial de justiça visando impedir as  legitimas questões que o cidadão coloca ao seu Estado/Governo sejam efetivadas. Dizer a um cidadão ” vá a tribunal” é, no contexto atual, bloquear o cidadão. Os órgãos e os amigos que emanam das estruturas deste Estado  ou pelos privados que estão em conluio com esta forma de fazer as coisas são realidades objetivas.

“Em Portugal, não existe abuso de poder”. Somos uma democracia consolidada”

FALSO

O abuso de poder é a norma. Somos uma fachada corrupta consolidada.

Recusa-se resolver assuntos que o cidadão exige que sejam resolvidos em tempo útil e promove-se a hostilidade social contra os cidadãos através das tentativas de isolamento dos cidadãos uns em relação aos outros.

A imposição de autoridade é feita sem responsabilização nem verificação dos atos dos responsáveis políticos e administrativos e das suas estranhas e ilegítimas ligações a interesses privados, tudo isto misturado com o recurso a abusos de poder na relação com os cidadãos ou ao exercício de poder sem quaisquer limites. Duas táticas são usadas.

“Não há verba”.

“A sua insistência neste assunto demonstra que é conflituoso”.

Mas os sinais são claros.

As narrativas chave foram quebradas. A legitimidade foi perdida.
O regime está sem legitimidade. E está a ser usado como uma oligarquia privada.

Mas os pés são de barro.

As oligarquias caiem.

O novo normal

O mundo muda rapidamente e nas últimas décadas o processo parece estar em aceleração. Não porque o prometido mundo híper tecnológico nos tenha aberto novas portas mas precisamente porque falhou em cumprir as suas promessas de um futuro melhor. Qualquer pessoa que fosse um adulto nos anos 70 quase não consegue reconhecer a dimensão das mudanças ou dos problemas que parece que se multiplicam diariamente. Tais pessoas têm a tendência de ficar presas a modos de percepção e pensamento que já não coincidem com o mundo em que vivem, habitam em grande parte no passado apesar dos seus corpos estarem no presente.

“Construímos estátuas de neve e choramos ao ver que derretem” – Walter Scott

“Construímos estátuas de neve e choramos ao ver que derretem” – Walter Scott

Os fenómenos eleitorais no mundo ocidental (e falo deste canto do globo porque a) é onde vivemos e b) grande parte do resto mundo nunca chegou a ter democracias reais) têm-se degredado com o passar dos anos. Isto é mais visível nas taxas de abstenção crescentes em todos os países – ou seja, não se trata de algo isolado ou dependente de condições locais. É fácil para os comentadores integrados no sistema ignorarem esta situação limitando-se a falar de um desinteresse por parte dos cidadãos face à política. Assim arrumam o assunto e responsabilizam o eleitor por qualquer falha que apareça no funcionamento das instituições. Mas, como sempre, a realidade é mais complicada. Não só o interesse pela vida política está a desaparecer como as próprias lealdades daqueles que ainda votam estão a tornar-se mais voláteis. Criando padrões de governo cada vez mais erráticos e sem estratégia de longo prazo.

“A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável” – Henry Mencken

“A fé pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável” – Henry Mencken

As instituições Europeias (e alguns dos principais países da União) têm estado muito atentas a este fenómeno sendo que na década de 90 chegaram a uma decisão final. Não iriam ficar dependentes de qualquer ordem política que pudesse emergir deste caos. Foram cortando os vários elos que as ligavam a uma legitimidade democrática e investiram na criação de um novo mito. O do perito. Consequentemente as suas decisões têm-se revestido cada vez mais de um carácter teoricamente “neutro” e técnico, de forma a poder afirmar a independência e validade seja qual for o resultado do caos democrático. Os que tiverem uma memória um pouco mais longa que a maioria conseguirão com certeza lembrar-se de debates de há uma década atrás em que desesperadamente se queria colmatar o défice democrático da União Europeia. Face a estes novos desenvolvimentos é fácil perceber que as instituições da UE não estavam verdadeiramente empenhadas na questão. Estavam apenas a comprar tempo. Enquanto os debates se arrastavam dentro e entre nações a UE já estava a restruturar a sua organização segundo um novo critério, o de uma suposta tecnocracia. Quando o processo ficou concluído havia compreensivelmente pouco interesse em continuar o debate sobre o défice democrático já que a prestação de contas perante o eleitorado tinha perdido quase toda a sua relevância.

Este processo não se deu apenas ao nível de uma burocracia europeia mas também dentro de todos os países centrais da União. À medida que a UE provava que conseguia estabelecer credibilidade baseando-se apenas no seu estatuto como supostos peritos os vários governos relevantes do continente foram replicando as mesmas ideias e estruturas dentro das suas fronteiras. O resultado foi um agravamento severo da apatia e volatilidade eleitoral (explicando a subida por toda a Europa de partidos extremistas e, ironicamente, profundamente antidemocráticos) levando a que o distanciamento entre o cidadão e o poder deixasse de ser um fosso para passar a ser um abismo. Fica assim mais claro porque é que nas últimas décadas temos vindo a assistir a um amalgamento das tendências e partidos políticos, tornou-se irrelevante saber o quadrante político das entidades partidárias porque as decisões verdadeiramente relevantes foram transferidas para entidades de “peritos” que não se sujeitam a qualquer escrutínio.

“The point is that we are among those who cannot get their mouths around all the little Yeses that add up to tacit acceptance of a world run by crackpot realists and subject to blind drift. And that, you see, is something to which we do belong; we belong to those who are still capable of personally rejecting. Our minds are not yet captive.” – C. Wright Mills

“The point is that we are among those who cannot get their mouths around all the little Yeses that add up to tacit acceptance of a world run by crackpot realists and subject to blind drift. And that, you see, is something to which we do belong; we belong to those who are still capable of personally rejecting. Our minds are not yet captive.” – C. Wright Mills

Os países da periferia apesar de também se irem adaptando ao novo sistema estão um pouco desfasados dos países centrais ou das instituições europeias, mas agora que os pânicos financeiros acalmaram um pouco (e os interesses dos credores foram assegurados de e transformados numa obrigação perpétua) começamos a sofrer pressão para acelerarmos o ritmo da adaptação. E na primeira linha desta transformação está a legalização do lobbying. Só a menção deste termo gera desconfiança no cidadão médio que vê nela apenas a legalização do que até então se fazia a portas fechadas. E em grande medida a sua desconfiança é justificada já que Bruxelas e Washington (os centros mundiais de lobbying) não são conhecidos pela sua transparência apesar da abundância de legislação a regular esta actividade. Mas as consequências são algo maiores do que apenas maquilhar o que hoje seria considerado pouco ético ou mesmo ilegal. No centro do lobbying está a ideia de que qualquer grupo (seja ele qual for, cidadãos, empresas, grupos religiosos, etc) pode e deve pressionar os governos e parlamentos a agir da forma que lhes é conveniente, mesmo que isso desrespeite completamente os direitos fundamentais de outros. Claro que isto abre uma verdadeira caixa de Pandora. Aceitar o lobbying como parte normal do processo político e social é escrever no contrato social que o dinheiro pode comprar acesso e influência. É admitir que nem todos somos iguais. É negar a ideia de justiça. É dizer que somos ouvidos apenas na medida do que podemos pagar. É organizar a sociedade como uma gigantesca entidade comercial que responde apenas aos seus accionistas.

“You read constantly that banks are lobbying regulators and elected officials as if this is inappropriate. We don’t look at it that way” – Jamie Dimon  (CEO da JP Morgan Chace)

“You read constantly that banks are lobbying regulators and elected officials as if this is inappropriate. We don’t look at it that way” – Jamie Dimon (CEO da JP Morgan Chase)

O que acontece a quem não tiver dinheiro para comprar acções deste projecto? Ainda fará parte do contrato social? Em que medida? Será que mesmo aqueles grupos que representam causas legítimas (direitos humanos, luta contra a pobreza, acesso à justiça, entre outras), e que têm disciplina organizacional e fundos suficientes para ter voz, acreditam por um segundo que conseguem reunir os meios para igualar ou superar qualquer grande empresa ou sector económico?

Como é normal num sistema com graves deficiências de funcionamento, e com um grau de apoio popular cada vez mais estreito, as decisões mais importantes são remetidas para acordos mais ou menos secretos e comissões políticas e jurídicas labirínticas de forma a que o resultado seja ou ocultado ou incompressível. Algo que tem o poder de restruturar por completo o equilíbrio de poder entre os cidadãos e que de facto voltar a introduzir critérios de voto censatários (voto cuja existência ou peso depende do rendimento do eleitor) tal como existiam no século XIX pode ser aprovado sem que o cidadão médio compreenda 10% das consequências que tal acarreta a longo prazo. De facto seguindo o retrocesso lógico os próximos passos seriam a permissão de compra de votos (afinal tratar-se-ia apenas de uma troca económica e não de algo político) e o estabelecimento de “votos especiais” (com mais peso) para determinados actores que sejam considerados como “especialmente relevantes” para a sociedade. Podemos esperar uma feroz campanha nos corredores do poder por parte dos nossos “liberais”, ao serviço dos seus empregadores, e se não houver qualquer reacção popular a esta reclassificação dos cidadãos em categorias económicas podemos ter certeza que irão sempre pressionar para que se vá mais longe. Até onde perguntarão? Até onde os deixarem.

“Arrependimento é a virtude das mentes fracas” – John Dryden

“Arrependimento é a virtude das mentes fracas” – John Dryden

Se mais uma vez o cidadão se fechar na sua concha de apatia e hedonismo e não prestar a devida atenção ao que se está a passar perderá qualquer credibilidade para vir reclamar daqui a 5 ou 10 anos. A sua oportunidade de acção é agora. Enquanto o processo ainda está num estágio embrionário. Depois será tarde demais, quer politica quer moralmente. O cidadão tem que se convencer que nem tudo na nossa realidade é reversível. Nem tudo pode ser corrigido. Nem sempre há mais tempo para “pensar” e debater. Há decisões que uma vez tomadas são permanentes.

As sombras mudam de posição

O Verão costuma ser morto e este ano não foi excepção. Aproveitou-se o vazio noticioso para ir introduzindo temas relevantes que não tiveram de todo a atenção detalhada que mereciam. Foram apenas benevolamente comentados pelos suspeitos do costume que tudo fazem para mostrar a inevitabilidade e normalidade de falências bancárias, manobras de bastidores partidárias, estranhas relações entre público e privado e infindáveis cortes no nível de vida do cidadão. Haverá aqui algo de novo que mereça comentário? Vamos dar alguns passos atrás, para ganhar alguma distância crítica, e vamos dissecar a situação estratégica sem a distracção dos faits divers. O leitor será o juiz sobre o que realmente se passa com o seu país.

Alexander Litovchenko - Charon Carries Souls Across the River Styx

“É preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la” – Séneca

As falhas estratégicas da elite de poder não precisam de mais estudos aprofundados por parte de grandes académicos, porque, como em tudo na vida, a prova está sempre nos factos empíricos. E os factos são os seguintes: Portugal saiu de uma rota de convergência social e económica com o resto da União Europeia há pelo menos duas décadas; As instituições públicas e privadas são feudos (no verdadeiro sentido medieval da palavra) geridas com punho de ferro mas também com total inépcia por membros da elite ou do seu “secretariado” (vulgarmente designados de “gestores”); O mérito é uma palavra oca, não se traduz em qualquer recompensa no mundo real ao contrário do que os meios de comunicação fiéis ao regime querem fazer transparecer (no entanto o número de falências de empresários recentes – ou seja, pessoas que acreditaram no discurso oficial e colocaram a sua vida em jogo num qualquer investimento – não é sequer mencionada ou contabilizada); O empobrecimento generalizado há mais de uma década que deixou de ser um fenómeno ocasional ou temporário para se tornar sistemático e irrevogável; O sistema de troca de favores entre um circuito fechado de amigos e conhecidos foi, é e parece que continuará a ser a norma de funcionamento para obter seja o que for, falemos de “alta política”, uma empresa internacionalizada ou de uma junta de freguesia perdida no Portugal profundo. Estes são os factos. Não mudaram. O país é este. E como muitas famílias estão a descobrir, à medida que os seus rebentos acabam os seus estudos ou são obrigados a abandoná-los por incapacidade financeira, o elevador social está fechado para reparações por período e indeterminado.

“Num país bem governado a pobreza é algo que deve causar vergonha; num país mal governado a riqueza é algo que deve causar vergonha.” – Confúcio

“Num país bem governado a pobreza é algo que deve causar vergonha; num país mal governado a riqueza é algo que deve causar vergonha.” – Confúcio

Mas talvez haja algo a dizer. Alguns dos demagogos mais proeminentes ao serviço da elite de poder têm recentemente saído da sombra para voltar a comentar aqui e ali certos detalhes do que vai acontecendo. Parte do que este blogue e a Irmandade de Némesis andaram a dizer parece que se tornou óbvio para estes senhores – a solução prescrita não é a mesma mas falaremos disso mais á frente. Parecerá com certeza estranho a qualquer pessoa que comentadores profundamente integrados neste sistema tenham ganho uma consciência, compaixão ou empatia nos últimos meses. Obviamente que não se trata de qualquer sentimento de culpa ou de responsabilidade para com a população que atraiçoaram, por bem menos que as tradicionais trinta moedas de prata. A estratégia da elite parece estar em mudança. Devido em grande parte à sua incompetência crónica (e dado que se trata de um grupo praticamente endogâmico penso que não seria ir muito longe dizer que é genética) para gerir os seus próprios interesses a elite de poder criou um pequeno inferno neste país. Mas claro que nunca nenhum destes senhores feudais pensou que isto afectasse os seus próprios protegidos/afilhados/família ou que de forma alguma pudesse vir a ameaçar a sua predominância social ou mesmo, em alguns casos, sobrevivência. Esqueceram-se do resto do mundo. A sua visão tipicamente provinciana e saloia é de tal forma estreita que ignorou que eles não são os únicos protagonistas na política e economia mundial. Não passam de actores secundários, muitas vezes nem isso, e que os seus insignificantes objectivos e ambições são facilmente aniquilados por outras elites mais dinâmicas, competentes e com maior poder. Esta desvantagem intelectual é algo que não conseguem resolver sozinhos. Nem estão dispostos a deixar que alguém interfira no assunto. Antes de permitirem que alguém partilhe o leme do barco preferem que vá ao fundo. Como irónica e perspicazmente Napoleão terá comentado com o seu ministro dos negócios estrangeiros, Talleyrand, acerca da dinastia dos Bourbon: esta elite nada esquece e nada aprende. Por muitas viagens que façam a Londres, por muitos MBAs que tirem, por muitas compras que façam na Place Vendôme, por muitos brinquedos tecnológicos americanos que acumulem ou por muito que se tentem tapar com a última moda de Milão não conseguirão jamais deixar de ser o que sempre foram: merceeiros mesquinhos a quem falta qualquer tipo de visão estratégica quer para si quer para os que dominam através de coerção e medo.

“O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa de se desculpar.” – Eclesiástico 13:3

“O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa de se desculpar.” – Eclesiástico 13:3

Colocados em cheque na sua própria casa a elite de poder teve que começar um processo de reposicionamento dos seus peões. Confrontados com uma situação que começa rapidamente a fugir ao seu débil controlo começam a abandonar alguns dos seus aliados políticos tradicionais. Não deixarão de fazer os habituais negócios de renda garantida com o Estado ou colocar os rapazes das várias cores políticas como seus assessores e gestores, mas gradualmente deixarão a classe política assumir cada vez mais o peso moral das monstruosidades que vão fazendo. Dão instruções para que os seus agentes tomem posições algo mais críticas em relação aos erros de governação que entram pelos olhos dentro e que são impossíveis de vender à população como algo que não seja uma imposição hierárquica caprichosa. Em suma, estão a distanciar-se tacitamente. Assumem pela primeira vez, desde o seu regresso do exílio a que foram remetidos em 1974, que talvez o regime democrático, tal como o conhecemos, não sobreviva e querem estar numa posição mais cómoda para negociar com o que vier a seguir. A forma como a questão está a começar a ser posta perante a população é clássica. Escolher entre dois cenários convenientes e apresenta-los como as únicas alternativas viáveis, sabendo de antemão que ambos servirão de forma adequada os seus interesses.

“A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras. Se se conseguir controlar o significado das palavras consegue-se controlar as pessoas que são obrigadas a usar as palavras” – Philip K. Dick

“A ferramenta básica para a manipulação da realidade é a manipulação das palavras. Se se conseguir controlar o significado das palavras consegue-se controlar as pessoas que são obrigadas a usar as palavras” – Philip K. Dick

O cenário preferível é o que vivemos já actualmente e aposta acima de tudo num certo grau de continuação da passividade popular. Manifestação à porta do ministério A, protesto junto à Câmara Municipal B, greve na empresa C, etc. Tudo somado dá em nada. Prossegue o processo de transformação de Portugal num país de terceiro mundo dentro da União Europeia que presta tributo (uso a expressão literalmente) a Berlim sobre a forma de um juro perpétuo de uma dívida que nunca poderá ser saldada através das instituições Europeias e bancárias. O segundo cenário é algo mais complicado mas ainda assim desejável do ponto de vista da elite de poder. Trata-se de deixar que o regime se consuma a si mesmo. Sem nunca se colocar como uma oposição clara mas permitindo que a classe política leve as coisas até ao ponto de rotura. Nesse momento será apresentado o seu homem providencial que implorará em lágrimas que o deixemos impor ordem na casa, a bem da nação – de forma generosa, exigirá apenas a nossa abdicação dos poucos direitos e liberdades de que ainda dispomos. O risco neste caso é fácil de entender. Qualquer regime que entre em fase terminal perde o controlo sobre os seus próprios meios e é complicado conseguir prever quem sairá vencedor de qualquer conflito que deste género. Há uma possibilidade séria de o resultado não ser o desejado. Mas tal possibilidade pode ser contrabalançada. A nível interno com o apoio dos meios de comunicação leais aos seus empregadores e com doses generosas de financiamento que outros pretendentes menos cooperantes não irão dispor. E a nível externo não é segredo que a UE segrega do seu centro uma certa dose de “racismo” cultural face aos estados do Sul e que do seu ponto de vista um regime “musculado” pode ser visto como mal menor para lidar com os “bárbaros” e “irresponsáveis” desde que não afecte os seus planos a longo termo ou equilíbrios regionais. Seja qual for a escolha “livre” dos portugueses o que será inaceitável para a elite (e como tal nem é colocado como hipótese) é que a população se autonomize face aos seus interesses, que os senhores feudais sejam expulsos dos seus castelos.

“Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal.” – Maquiavel

“Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal.” – Maquiavel

Os testes iniciais de aceitação destes cenários já começaram há muito tempo. As reacções iniciais foram extremamente negativas junto do público geral, daí o seu adiamento até este momento. Mas o tempo e a pobreza desgastam e tornam o que não seria contemplável em algo possível e eventualmente em algo que seja visto como um mal menor ou mesmo necessário. O tempo de cenários hipotéticos acabou. As hipóteses já foram postas em cima da mesa em muitos círculos e já começam a ter a sua fase inicial de divulgação às massas em forma de pensamento coerente. É um processo em marcha. O tempo e o serviço dos mercenários intelectuais irá cristalizar e tentar enobrecer estas tácticas de perpetuação de dominação. Caberá, como sempre coube, aos cidadãos saberem resistir, defender-se e reconquistar o que é deles por direito. São os cidadãos que têm que gritar com convicção “Roma não paga a traidores!”.

O Enclave está com os cidadãos.

A Irmandade de Némesis está com os cidadãos