Os ricos portugueses são desprezíveis e devem ser desprezados

Os ricos portugueses são desprezíveis e devem ser desprezados

Há 30 anos atrás, uma criança de 14 anos do sexo feminino, filha do dono da casa, está sentada à mesa da sala. Verificando não ter uma cadeira ao seu redor, vira-se para um dos empregados do pai, um motorista, já sentado, que fora também convidado para almoçar e ordena-lhe de forma agressiva que vá buscar uma cadeira.

Mais tarde, ao ser repreendida por outra pessoa da família presente no almoço que lhe disse que o empregado não era criado dela, mas sim do pai, e que as obrigações dele enquanto empregado não incluíam ir buscar cadeiras em almoços de confraternização; a jovem de 14 anos respondeu que * “ele trabalha para o meu pai, faz o que eu quero”.

Há 30 anos isto foi ainda mais notável porque a família desta jovem, apesar de ter algum dinheiro estava longe de ser ou poder ser equiparada a um padrão sequer de rico “médio-baixo”.

Há 30 anos, colocada numa posição social em que tivesse que interagir com pessoas mesmo ricas, os ricos iriam desprezar e hostilizar a família desta jovem.

Insuficiente pedigree.

SERVILISMO - PÉS

Os portugueses são ensinados desde a infância a serem cortesãos e a procurarem padrinhos que mais tarde, ou lhes orientem a vida, ou orientem a vida dos filhos. Umas das consequências é este padrão de comportamento disseminado na sociedade vingar.

O véu diáfano da corrupção que não aparenta sê-lo.

Esta escala hierárquica e social da busca de padrinhos proporciona aos ricos portugueses a disseminação dos seus vírus sobre a restante população.

E o vírus é esta atitude hostil e suja perante todos os outros.

Os ricos tem desdém, desprezo e aversão por quem não pertence ao seu circulo “interno”.

Os ricos, incompetentes como seres humanos, descaindo perigosamente para a psicopatia no seu comportamento geral, acreditam que a sua riqueza e os privilégios que desfrutam apenas existem porque são dotados de qualidades superiores que geram esses mesmos privilégios.

Torna-se necessário dizer que não.

São inexistentes quaisquer qualidades superiores que justifiquem esta maneira de pensar dos muito ricos.

Em privado, os ricos portugueses são geralmente grandes filhos da puta para usar um termo coloquial vernáculo com o qual qualquer cidadão se consegue relacionar e perceber.

Em publico, os ricos portugueses são definidos pelo que o marketing e a publicidade deles faz e deles apresenta a imagem. Falsa, assente na sofisticação manufacturada artificial  e impregnada duma aura de superioridade que é inexistente.

Verdadeiramente são seres menores dotados de complexo de inferioridade que sublimam na apresentação duma imagem de superioridade, falsa e ensaiada.

Os ricos portugueses, quase todos, adquiriram as suas posses materiais e o poder que dai advém por herança ou transmissão entre clusters de famílias endogámicas. (Uma possível explicação para as patologias dos muito ricos…)

Acham que as posses materiais e o poder que tem existe porque são melhores que todos os outros.

Esta mentalidade “pseudo uber” dos pobrezinhos de espírito abastados é um vírus, e como todos os vírus tem a tendência a disseminar-se pelo resto da sociedade.

É necessário reconhecer que se combatemos os vírus da gripe e da peste bubônica, da tuberculose e da sida, também devemos combater os vírus dos ricos.

Moralmente é necessário. Éticamente idem. Com a salubridade e a higiene não se brinca.

Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta ,agora esquadrinham terra e mar; ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e poder. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.

Tácito agrícola.

 

O suposto “refinamento” dos ricos portugueses constituem uma camada de verniz brilhante, embora rançoso e defeituoso após mais demorada inspecção.

A razão porque é que apresentam este verniz deve-se ao facto de o trabalho sujo ser feito por outros, geralmente cortesãos que funcionam como tampão higiénico.

As “boas maneiras“ dos ricos e a superficialidade cheia de bonomia, são apenas possíveis porque outros – entre os quais o Estado que foi capturado pelos interesses afectos aos ricos – fazem trabalho sujo e reorientam conflitos para longe das vistas.

Os ricos portugueses, culturalmente e intelectualmente são abaixo de medíocre, e vivem na mais completa falência moral e intelectual. Mercadores de mercados monopolistas que compram, adquirem e vendem cortesãos e poder político para manter o status quo, não precisam fazer qualquer esforço extra para evoluir, apenas corrompem.

Entre varias das patologias dos ricos portugueses contam-se a obsessão pelo status social, pelo “reconhecimento” e pelas tentativas de impor deferência à força sobre a população.

Mercadores de mentalidade, são naturalmente obcecados por marcas comerciais. O iate de 22 metros ou a ilha tropical, a comida gourmet, as roupas de marca (toda a roupa tem marca, mas enfim…) as jóias de design exclusivo, (por oposição a design inclusivo…?!?) ou férias em locais exóticos são outras das taras.

Pobres de espírito, estes ridículos mercadores que promovem o mal na sociedade como valor sagrado, simbolizam o culto hedonista de si mesmos como o ultimo objectivo.

Quando falam, num discurso ininteligível a maior parte da vezes, pontuado por abcessos de arrogância e má educação fazem-no apenas acerca de dinheiro.

O dinheiro que já fizeram, o que farão, o que estão a fazer nas empresas e negócios que tem.

Completamente adversos ao resto da sociedade, completamente não integrados no resto do pais, hostis às restantes pessoas são um problema que – enquanto sociedade – teremos que lidar, se quisermos sobreviver.

* As elites e os filhos da elites, os oligarcas e demais excrescências tratam os que trabalham para eles com uma total falta de empatia. Permitem que as suas crianças – fedelhos de 10 ou11 anos – tratem como bagagem os empregados que trabalham para os pais.

Cultivam a falta de empatia por aqueles que não são ricos.

Hedonistas egocêntricos, mesmo entre eles a amizade é impossível. Chacais no comportamento, a amizade é definida por “o que é que eu posso ganhar com isso”?

Condicionados desde a infância ao culto do hedonismo tem uma visão dual do mundo: as outras pessoas ou são ricos como eles ou são apenas os empregados subservientes/lacaios de estirpe cortesã.

Pouco importa se afirmam ser progressistas ou simpatizantes dos pobres e da classe média.

“I couldn't forgive him or like him, but I saw that what he had done was, to him, entirely justified. It was all very careless and confused. They were careless people, Tom and Daisy - they smashed up things and creatures and then retreated back into their money or their vast carelessness, or whatever it was that kept them together, and let other people clean up the mess they had made...” ― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

“I couldn’t forgive him or like him, but I saw that what he had done was, to him, entirely justified. It was all very careless and confused. They were careless people, Tom and Daisy – they smashed up things and creatures and then retreated back into their money or their vast carelessness, or whatever it was that kept them together, and let other people clean up the mess they had made…”
― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

Torna-se necessário saber de onde se vem e nunca se esquecer isso. É necessário ter uma aguda consciência de classe  não no sentido político do termo, mas no sentido pessoal.

Quem tem aguda consciência de classe é poderoso.

A irmandade de Némesis sabe de onde vem, não esquece isso e é poderosa.

Anúncios

Critérios totalmente aleatórios pelos quais um grupo pode oprimir e excluir outro.

“Truth does not sit in a cave and hide like a lie. It wanders around proudly and roars loudly like a lion.”

Susi Kassem

As elites portuguesas gostam de veicular um específico memorando cultural no imaginário colectivo da população portuguesa.
Esse mantra de cariz mitológico chama-se “Portugal é uma nação muito especial”.

Uma das ideias perversas escondidas por este memorando cultural visa inculcar nos cidadãos portugueses um sentimento de auto complacência e de narcisismo colectivo de tipo nacionalista, para levar os portugueses a começarem a pensar sobre si próprios como sendo um povo de características especiais. Dada a relativa ausência de feitos especiais alcançados pelos portugueses dai releva esta ideia ser perigosa, no mínimo e auto sabotadora no máximo.

As elites portuguesas, cultivam essa ideia mitológica sempre que podem ou as circunstancias o exigem, mas sempre sujeita a um duplo padrão.

(1) Quando necessário para cativar massas visando convence-las a embarcarem em algum projecto político normalmente carimbado com a expressão mágica “desígnio nacional”; as elites promovem a expansão exponencial deste traço de carácter da psique nacional, para extraírem a adesão dos portugueses.

É uma colheita perversa que é extraída da população e dos seus sentimentos acerca do país onde habita, que leva a movimentos de massas, grandiosos e totalmente ilusórios e gera o fomento duma extracção do pior de nós enquanto comunidade por oposição a extrair o melhor de nós enquanto comunidade.

(2) Quando necessário para destruir qualquer sentido de si mesmos, de dignidade, de capacidade de superação da população visando desincentivar as massas a aderirem a algum projecto político racional, baseado no bom senso e que beneficia a comunidade, o mesmo traço de carácter da psique nacional que antes servia para a promoção de falsos desígnios nacionais é agora usado como arma de destruição psicológica das populações.

É outra forma de colheita perversa que é extraída da população. Não sendo Portugal nenhuma nação excepcional, e estando a ser sujeito a esta terapia dupla cancerígena que na psiquiatria se designa por ciclotímia, os portugueses são convidados para mostrarem uma outra e mais diferente faceta do seu pior disfarçada do seu melhor. São convidados a serem arrogantes, iludidos, convencidos que são melhores do que são e que “tudo está bem”, são convidados a destruírem-se por via da auto complacência e do constante fechar de olhos cívico.

“O progresso moral não é um privilégio natural das elites nem é adquirido por acaso ou por sorte, mas através do trabalho de si mesmo - diariamente.” Epicteto

“O progresso moral não é um privilégio natural das elites nem é adquirido por acaso ou por sorte, mas através do trabalho de si mesmo – diariamente.”
Epicteto

Este comportamento subversivo das elites portuguesas baseia-se numa dupla traição ao país que faz o favor de as aturar.

Uma face da dupla traição consiste na recusa das elites portuguesas em reconhecer-se no país em que nasceram. Consideram ofensivo que alguém as associe a essa condição, embora em publico raramente o afirmem. Escondem-se por detrás duma camada de pseudo sofisticação (geralmente plastificada e importada do estrangeiro) querendo obter com isso uma inferiorização do outro (o cidadão comum ), dessa forma manifestando uma admiração servil pelo “estrangeiro” e por tudo o que de lá vem, seja bom , mau ou talvez. Esta falsa sofisticação tem como objectivo humilhar a população e camuflar a aversão que as elites portugueses sentem em relação ao país.

A outra face da traição consiste na recusa das elites portuguesas em aliarem os seus interesses pessoais, ou do grupo de membros das elites em que coexistem, num projecto comum relacionado com o país. Por detrás de toda a retórica vazia e destituída de significado que as elites portuguesas abundantemente produzem, na realidade detestam o país e detestam a ideia de um projecto comum.

Somente abrem duas excepções a esta regra.

a) quando o projecto político comum, tem como objectivo criar uma ditadura e mantê-la;

b) quando se avista um qualquer pote de ouro no horizonte (Expansão marítima, Descobrimentos, Conquista de Marrocos, Brasil, Angola, entrada na Europa, etc…) e aí iniciam-se as operações de propaganda ciclotímica para arregimentar a população a participar em mais uma loucura vagamente desorganizada cujo “custo-benefício” demonstra sempre ser favorável aos interesses das elites.

Uma nova embalagem designada por ” desígnio nacional” é confeccionada, e a população é convocada a colaborar em mais uns esquemas de curto prazo. Elogia-se abundantemente a população  visando cooptá-la a participar.

Nesta concepção de mundo feudal mais ou ou menos cristalizado, as elites portuguesas desejam manter os seus privilégios ilegítimos, sem incómodos alguns fazendo “acordos” com os seus protectores internacionais. O que oferecem em troca é a manutenção das populações em estado dócil e até exportar os que estiverem a mais para os protectorados para serem mão de obra barata, recebendo em troca das potências europeias ou continentais, uma política de não interferência nas coutadas medievais portuguesas.

Ao menos, com os inimigos, a traição jamais aparecerá. Marco Aurélio.

Ao menos, com os inimigos, a traição jamais aparecerá.
Marco Aurélio.

Actualmente este evangelho é baseado nos sermões dados a população acerca da importância da prosperidade individual, dos privilégios selectivos para apenas meia dúzia de castas gordurentas, mais os respectivos sequazes e lacaios e suportado por critérios totalmente aleatórios pelos quais um grupo pode oprimir e excluir outro.

Esta particular forma de opressão é um dos mais graves crimes que são cometidos contra o espírito humano.

Contra a essência da alma de uma pessoa. Contra a população portuguesa.

A resposta da generalidade da população portuguesa tem sido a seguinte: “…mas eu apenas quero que me deixem sozinho e em paz!”

Se a população portuguesa escolher mesmo viver sozinha e em paz, irá mesmo ser posta de lado e irá mesmo viver sozinha em paz e excluída de qualquer assunto que lhe diga respeito.

Para todo o sempre.

Esta… “estratégia” … tem dado fracos resultados em Portugal.

Uma mudança impõe-se.

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

O psd é um partido de mercadores que precisam ser expulsos do Templo

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição. Percorrendo uma dessas estradas sombrias, um cavaleiro de Némesis encontrou um ninho hediondo, vil e negro, um cancro panfletário, uma invocação da morte em vida que importa fazer chegar ao conhecimento dos restantes irmãos de Némesis.

For the merchant, even honesty is a financial speculation. Charles Baudelaire

For the merchant, even honesty is a financial speculation.
Charles Baudelaire

Antes de mais, deve ser explicado o contexto deste cartaz desprezível oriundo da Guilda de mercadores para os quais tudo se vende e compra.

Esta agremiação político-partidária-corrupta e absolutamente desnecessária e inútil para a sociedade portuguesa, oriunda da tribo da direita política, decidiu produzir uma aleivosia torpe disfarçada de guião de reformas (esta imagem hedionda é a capa de apresentação desta monstruosidade anti espiritual e anti sociedade…) que é pelos próprios considerado como o verdadeiro guião de reformas (a falsa modéstia não lhes fica bem), tudo isto para contrapor ao Plano nacional de reformas proposto pelo PS, o actual partido político que governa, oriundo da tribo da esquerda política.

Esta Guilda de mercadores desonestos que vendeu durante 4 anos (2011-2015) produtos estragados em balanças cujo peso das mesmas estava falsificado, deixou calotes e falhas de pagamentos constantes, atacou as convicções pessoais de todos os cidadãos, envenenou espiritualmente esta terra com o veneno ideológico e político que soltou baseado no dividir para reinar; apresenta agora as suas ideias de reforma.

O convite é simples. Faça-se um pacto com o diabo e ao afirmá-lo ainda se disfarça de mercador itinerante que pretende vender frigoríficos a esquimós durante o inverno.

São crianças não inocentes que procuram replicar o guião dos supostos adversários e brincam com a abjecção sem terem qualquer probidade ou auto controle sobre os significados simbólicos destas imagens.

A subversão espiritual desta imagem mede-se pela sabotagem simbólica de Portugal idealizada pelo grupo parlamentar da agremiação supra citada, que se pode notar na palavra “sucess”.

Uma agremiação político-partidária-corrupta tem vergonha (ou estará a fazer uma sessão de vendas para mercados exteriores vendendo-se como traidora ao dispor dos senhores internacionais…?)  de escrever a palavra portuguesa e com orgulho recorre ao estrangeirismo para parecer moderna. Mercadores de almas e de alfabetos, tudo se vende e tudo se compra. Mais estranho ainda é existirem nesta agremiação negra da morte, inúmeros membros que protestam contra um acordo ortográfico recente, invocando pureza da língua e tradições da terra mas que ficam aqui estranhamente esquecidas.

Escondem algo negro no coração e falam com a língua bifida da serpente…

Na imagem de capa existem máquinas modernaças, palavras chave, lâmpadas no fim da escada, desenhos de construção de rodapés, gráficos sábios, e gatafunhos legíveis indicando o caminho para o paraíso subindo a escada.

O templo está a ser profanado pelos vendilhões. O chamamento é feito aos candidatos a criminosos que querem viver sem empatia. A conspurcação dos mercadores constitui profanação da sociedade.

Hateful to me as the gates of Hades is that man who hides one thing in his heart and speaks another. Homer

Hateful to me as the gates of Hades is that man who hides one thing in his heart and speaks another.
Homer

É um metafórico, simbólico pacto com o Demónio que é exemplificado comparativamente se olharmos para estas duas imagens. Junta-te a nós, candidato débil, de caracter maleável, e coluna vertebral flexível ao vento e terás a tua recompensa divina: alcançarás o sucesso.

Esta ideia é o contrário do verdadeiro sucesso, é apenas um cartaz da Guilda de mercadores para recrutamento de colaboradores. Esta Guilda funciona como empresa de trabalho temporário contratada para exercer triagem sobre os invertebrados sociais que cederam ao medo profundo psicológico que esta sociedade animalizada e corrupta lhes tem para oferecer e unicamente lhes tem oferecido essa dimensão da vida social.  E cuja responsabilidade de ser animalizada recai em grande parte nos membros desta Guilda e nos seus actos do passado.

Esta triagem incentiva os narcisistas, os psicopatas, os sociopatas, os piores de toda a sociedade, a considerarem-se ” aptos” para ” alcançarem” sucesso. Mas isso parece ser o que se pretende: corromper os melhores e os mais sãos e recrutar os piores e os mais alucinados.

Apelam ao nosso pior e incentivam outros pelo mesmo padrão e para o mesmo padrão.

Onde está o benefício para a sociedade destas ideias promovidas pela Guilda psd? Convidar cidadãos a fazer um pacto com o diabo, sem lhes ser dito qual o preço pessoal e individual a pagar, cantar loas aos psicopatas e restantes sub espécies, promover o falso êxito. Qual o preço colectivo a pagar pela disseminação destas ideias antisociais?

Esta Guilda só tem este lixo para oferecer.

Se “negociares” cidadão ( se fores corrupto e invertebrado..) alcançarás o divino (o sucesso) e a tua individualidade ( o teu suposto empreendedorismo) será recompensado com riquezas para lá dos teus sonhos.

Esta agremiação político-partidária-corrupta está a promover a licenciosidade ética, a desarmonia social, a corrupção individual, a política das negociatas, feitas por cunhas, o culto do falso mérito, a gestão de controlos políticos e sociais feita de forma corrupta e promoção de homens de palha para fazerem o trabalho sujo de subversão da decência na sociedade.

Como existem sempre pessoas que tem dificuldades em compreender o que leram, este texto recusa significar apoio a posições religiosas, ou de extrema direita/esquerda, ou ao regime actual.

Hell is empty and all the devils are here. William Shakespeare

Hell is empty and all the devils are here.
William Shakespeare

Cavaleiros de Némesis.

Somos orgulhosos dissidentes do actual regime. O anti-humanismo, em todas as suas formas, será rejeitado. Tudo o que devore o Homem na sua essência é indigno de existir. Recusamos dar guarida a mercadores de almas para os quais tudo é um mercado e onde tudo vendem e tudo compram.

Atravessamos a escuridão por estradas sombrias.

O único verdadeiro lado que existe somos nós.

Vamos convocar demónios e esperar que eles não se manifestem?

DEVIL WITH WINGS -WALL PAPERNos últimos 30 anos, as elites europeias e norte-americanas decidiram produzir uma narrativa. Nessa ficção manufacturada foi dito aos seus cidadãos-eleitores dos estratos e rendimentos mais baixos que  a globalização seria maravilhosa, que todos iriam ser “técnicos especializados em alguma coisa usando computadores  e outras máquinas de cor cinzenta metalizada”, trabalhando em escritórios assépticos nos centros da cidades, produzido serviços especializados, modernos e bem pagos.

Nas indústrias intelectuais de produção desta nova fé, os principais defensores estavam na ala do “centro esquerda”. Ou socialismo democrático. Ou social democracia de matriz nórdica. Ou qualquer outro envelope brilhante de palavras que vendesse melhor o produto. As diferentes tribos da direita política, especialmente o “centro direita” aceitou jogar este jogo dado servir as suas agendas políticas de longo prazo.

O centro construía coesão e consenso social, esmagava as dissidências. Empurrava os sectores não alinhados com estas políticas injustas para as margens.

Estes templários do centro esquerda, afirmavam que a globalização era óptima, não existiam motivos para preocupações com o futuro do país, e, no improvável caso de virem a existir criari-se-iam compensações para quem fosse afectado. E antes que se esquecessem, de passagem mencionaram que doravante abandonariam a defesa do seu estrato social e político que antes juraram defender.

Todos teriam oportunidade de escapar à pobreza e exclusão se aceitarem a globalização, mas doravante os destinos do estrato social de baixo rendimento seriam considerados obsoletos, e estas forças políticas centrais mover-se-iam para o estrato social acima; aquele que estava no meio da escala social ou mais acima,  e seria esse estrato que passaria a ver os seus interesses defendidos porque iria ser a partir desse degrau o local politico onde estavam os votos a ganhar e o dinheiro a seduzir.

A classe média-alta ou outras pessoas com as quais o centro esquerda (acolitado pelo centro direita) se queria identificar. Deixando os pobrezinhos ocupados na sua saga de chegarem a programadores cintilantes informáticos a partir dos subúrbios.

Esta supostamente brilhante deslocação para o espectro direito da política ocorreu espectacularmente em toda a Europa. Em Portugal, querendo ser moderno e bom aluno europeu ocorreu a um ponto tal que a generalidade dos partidos portugueses designados “de esquerda” competia ferozmente pelo eleitorado de extrema direita.

Em resumo, as pessoas com os 40% de rendimento mais baixo foram  abandonados numa ilha deserta. Foram equiparadas a “não entidades políticas” e acaso contestassem, uma política de panóptico e controle bio político seria posta em marcha. (No caso português, isto é um desejo latente, não muito real porque um Estado de polichinelo, desprovido de recursos financeiros suficientes tem dificuldades em reprimir musculadamente.) A policiação de bairros problemáticos nas periferias, antecedida de guetização, ostracização e estigmatização social por cor da pele ou outra forma discriminatória qualquer foram colocadas no terreno – uma solução económica e de dividir mais para reinar. Os de rendimentos inferiores teriam que ser felizes com a nova ordem.

O suave abraço da social democracia, a solidariedade socialista com as massas oprimidas, o conceito de sociedade justa e com oportunidades para todos, era deitado para o lixo pelo centro esquerda na sua demanda pelo eleitor “aceitável” de classe media.(O centro direita colaborante sorria deliciado por ter alugado lacaios a preço zero para fazer o trabalho sujo e de forma visível…)

Os pobrezinhos teriam que ser excluídos do dialogo social e da participação política, confinados fisicamente aos seus guetos suburbanos longe da “gente bem”. Já o novo eleitorado adquirido pelo centro esquerda, a “gente bem” com rendimentos superiores aos rendimentos dos 40% mais baixos poderia passar a sentir-se bem nos seus novos bairros e condomínios fechados, as suas escolas privadas passariam a excluir os piolhosos e a vizinhança seria selecionada em catálogos gourmet.

Os piolhosos teriam as suas escolas publicas, a “gente bem” teria as suas escolas privadas, e com o decorrer do tempo, “a gente bem” começaria a recusar pagar as escolas publicas dos piolhosos, começaria a exigir não pagar impostos para existirem estes sistemas públicos de ascendência por mérito.

É aqui curioso mencionar que esta mesma classe média-alta quando fala sobre estes temas enche a boca mencionando mérito e progressão social devido a esforço e trabalho, mas cria e tenta manter mecanismos camuflados de negação desse mesmo mérito sobre os de rendimentos inferiores.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

30 anos desta subversão passam, 30 anos de aumento lento de injustiças sociais e políticas passam, 30 anos de jogos de soma nula em que as elites ganham sempre o jogo viciado por elas criado passam, e o ressentimento e os sentimentos de injustiça aumentam exponencialmente, porque ninguém suporta ou aceita uma guerra de atrito que lhes é imposta por elites sem de algum modo responder violentamente a essa mesma guerra de atrito e à injustiça plena que dela deriva.

E assim chegámos ao Brexit.

Depois de convocados demónios durante 30 anos, eles manifestaram-se e apareceram. A maior parte da população inglesa, aquela mesma que foi considerada como ” surplus” obsoleto, decidiu votar democraticamente por uma decisão democrática e contrariar o sistema de injustiça que lhes estava a ser proposto e imposto.

E votou sair da União europeia.

Aproveitou a oportunidade para se revoltar contra as elites, para se revoltar contra as tribos da esquerda política e da direita política, as mesmas forças que foram supostamente criadas (especialmente o centro esquerda) para defender os interesses dessas mesmas pessoas e que durante este longo processo temporal trariam tudo e todos, trairam as pessoas que nelas confiavam e tornaram-se apenas lacaios de interesses elitistas, ilegítimos, financeiros e anti democráticos.

O acto de votar Brexit é uma revolta contra tecnocratas e elites.

O acto de votar Brexit é simbólico, mas com efeitos concretos.

90% das populações, em certos lados do mundo, está a perceber que 10% das populações lhes tem dito nos últimos 30 anos; como pensar, como fazer, como viver. Agora perceberam isso e toda a injustiça e toda a ilegitimidade derivada desses actos e tomaram uma posição.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Em Portugal, os irmãos de Némesis são cavaleiros que percorrem estradas sombrias por onde outros se recusam a passar e tomar posição.

O manifesto em defesa dos interesses dos oligarcas de nacionalidade portuguesa

2015-11-25 - rob riemen- 2012

No dia 8 de fevereiro de 2016, a Irmandade de nemesis publicou um texto chamado “Manifesto em defesa da banca e do interesse nacional”.

Sem o sabermos, diligentes oligarcas portugueses estavam em estágio de preparação de um manifesto gongórico e patriota.

Nos dias que correm, andorinhas vindas de Paris anunciaram ao mundo português o nascimento da criança manifesto. Esta peça de prosa patriótica irá sair brevemente para os escaparates da imprensa alinhada e tem um objectivo.

Consiste na exortação fervorosa dos cidadãos portugueses para que estes, imbuídos de adrenalina lusa pura, dura e retinta sintam um enlevo extra e comecem a preocupar-se muito com a defesa da manutenção dos interesses nacionais em mãos nacionais num sector económico chamado banca comercial portuguesa (tradução: os interesses deste grupo de pessoas, dos seus amigos e correligionários e demais anexos acoplados a esta gente.. ) por oposição ao domínio espanhol nesta mesma banca.

Os oligarcas portugueses e os interesses anti patrióticos a eles associados perderam a batalha pelo controlo do bem estar ilegítimo e anti capitalista que detinham e agora exigem que a população lute por eles, para lhes reestabelecer o controlo e o poder sobre esse bem estar ilegítimo e por inerência sobre a população portuguesa.

Não, obrigado.

Invocam o superior interesse nacional (tradução: o interesse nacional exclusivo deles e não o interesse nacional da população e do país…) para que exista um “apelo às armas” contra os espanhóis.

“Isto”, vindo do mesmo conjunto de gente que já vendeu empresas a espanhóis no passado (a espanhóis e a quem mais aparecesse…), promove activamente uma política globalista que destrói qualquer ideia nacional ou de pátria, e que ocupa ilegitimamente lugares e posições económicas, sociais e políticas que são usadas como arma de arremesso para colocar todo o tipo de problemas à população portuguesa e mantê-la de joelhos e oprimida.

Cidadão português, por favor escolha. Prefere ser oprimido pelos oligarcas espanhóis ou pelos oligarcas portugueses?
Cidadão português, por favor escolha. Prefere ser oprimido pelos oligarcas espanhóis ou pelos oligarcas portugueses?

Estas pessoas que ousam falar em nome de todos os cidadãos portugueses, sem terem sido autorizadas para isso, sem terem legitimidade para isso, sem terem qualidade humana e moral para isso; aparentam estar preocupadas com a falta de perspectivas pessoais, de carreira pessoal e dos amigos e misturam o país com os seus interesses ilegítimos.

Anti democratas convictos, nunca podem falar em nome da população.

Anti portugueses convictos nunca podem falar em nome da população.

Anti patriotas que traem a população com as opções que tomam nunca podem falar em nome da população.

Pessoas e grupos de interesse que sempre apoiaram forças viradas contra a população nunca podem falar em nome da população nem tem qualquer legitimidade para isso, nem ela lhes é reconhecida pela população.

E certamente não pelos membros da Irmandade de Némesis.

Estes manifestantes profissionais dos manifestos a lançar em defesa dos interesses próprios das oligarquias e dos amigos que tem e das classes socioeconómicos a que pertencem são muito dados a religião e são muito religiosos.

A excepção a esta regra religiosa surge quando usam uma caneta laica para assinar despedimentos em massa de trabalhadores nas empresas que administram ou, quando convidados a servir “em serviço público”, assinam de forma distraída contratos ruinosos para o país que afirmam em servir.

Citemos Mateus 6:24

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Cidadão português, por favor escolha. Prefere ser oprimido pelos oligarcas espanhóis ou pelos oligarcas portugueses?

A escolha é óbvia. Por nenhum!

Os oligarcas portugueses tem nacionalidade portuguesa, mas não são, nem nunca foram portugueses. A nacionalidade desta gente é o dinheiro que não tem pátria.

Este texto recusa ser um texto de apoio a forças de extrema direita ou similares de outras áreas.

A governação imbecil dos últimos 200 anos ( pelo menos)

“Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta, agora esquadrinham terra e mar; ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o Oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e pobreza. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.”

Tácito, Agrícola

Com optimismo na alma devemos considerar que em Portugal os últimos 200 anos (pelo menos) tem sido caracterizados por uma governação profundamente imbecil.

Nestes 200 anos, 3 regimes políticos diferentes, mas todos igualmente cretinos, tem sido geridos desde as sombras mais negras pelas oligarquias e pelas elites que são regularmente arrotadas cá para fora pelas oligarquias visando convencer a população, que supostamente existirá alguém a navegar este barco encalhado em que Portugal se metamorfoseou.

Esta lamentável situação para as pessoas decentes e feliz situação para os oligarcas, tornou necessário perceber que as populações estão desencorajas e desiludidas, alheadas e formatadas nesta coisa vagamente gelatinosa, em estado gasoso, no que este simulacro de país está transformado.

Parece demasiado pessimismo e “Doom and Gloom”? Então escreve-se antes “realismo”, mas o realismo, tal como o Keinesianismo parece ter sido proibido ou considerado obsoleto…

Geração após geração e regime após regime, verificamos que a corrupção e os pagamentos feitos a diferentes forças políticas e sociais, todas diferentes e todas iguais  e atravessando diferentes eras históricas, continuam em força e sem aparente data designada para terminar.

As grandes corporações dos grandes sectores industriais e comerciais, de suposta nacionalidade portuguesa ( ao que parece o capital não tem pátria, excepto quando é para vender num local e pagar impostos noutro mais agradável) ou não portuguesa continuam a subornar ou directamente ou através de isenções agradáveis que obtém dos poderes públicos e dos interesses privados que fazem sexo com os poderes públicos e que são devidamente domesticados e convenientemente oleados.

Ironicamente, uma pessoa da oligarquia até dirá que sente a alma lavada de fresco quando cheira a corrupção e a podridão deste sistema.

GENERAL ALCAZAR - CORONEL TAPIOCA

Perante tão lúgubre inicio deste texto, a dúvida levanta-se.

Pode o próximo general Alcazar ou o próximo coronel Tapioca ser algo de diferente do que o anterior Tapioca ou o anterior Alcazar?

Pode-se confiar que um qualquer destes dois personagens (neste contexto são metáforas…) não seja como o anterior e respeite os seus eleitores fazendo o que é certo fazer-se ou pelo contrario irá acomodar os interesses das multinacionais e das nacionais?

Pode-se confiar que um qualquer destes dois personagens não seja como o anterior e respeite os seus eleitores evitando entrar no cargo público/sinecura privada pobre ou remediado e saindo milionário e rico?

Se isto fosse comércio e estivéssemos dentro da mentalidade comerciante a escrever este texto, afirmaríamos que existe uma alternativa mais rápida: saltar-mos de intermediários e passarmos directamente aos oligarcas para assim percebermos exactamente o que é que estes escroques ilegítimos querem e recusar-mos (obviamente demitimo-los da posição de oligarcas que ocupam) a dar.

Como isto não é comércio, deveremos perguntar o que deveremos fazer?

Afundar-nos no cinismo e na misantropia suave e cheia de desespero?

Ir votar como eleitores bem comportados que julgam, por o fazer, estar a acreditar no sistema e a contribuir para o melhorar?

Ir votar apenas com os nossos pequenos e estreitos interesses em mente esquecendo qualquer quadro global e as consequências piores para nós e para terceiros a longo prazo?

O esquecimento de qualquer quadro global irá originar um inevitável retorno da injustiça e da repressão e deveremos aceitar isso?

Esquecer gerações vindouras visando apenas  objectivos de curto prazo?

Deveremos adoptar um egoísmo total, conjugado com raiva como forma de vida?

Recusar pensar e apenas seguir ordens por mais injustas ou amorais que sejam?

Os guardas dos campos de concentração parece terem optado por este caminho e quando questionados acerca do porquê, apenas responderam que seguiam ordens dadas…

2015-11-25 - rob riemen- 2012

As oligarquias e as elites de poder desejam a materialização do acima escrito.

Impõe-se a pergunta. Vamos dar-lhes o que desejam?

Alternativamente também podemos auto designar-nos como especiais de uma marca especial – um desporto que as elites e os oligarcas que as controlam muito acarinham e com o qual enganam o país gelatinoso.

Como seres “especiais” com um destino mitológico especial definido pelas oligarquias escusamos de nos preocupar com estas ligeirezas acima escritas…

O caminho está aparentemente à nossa frente.

A encruzilhada é simples:

Seguir o caminho das elites e das oligarquias de nacionalidade portuguesa (ao que parece o capital não tem pátria, excepto quando é para vender num local e pagar impostos noutro mais agradável) e seguir as ordens deste plano quinquenal oligarco-elitista privado corporativo-estatal;

ou sair desta lógica e recusar alimentar fontes de poder oligárquicas.

Os membros da Irmandade de Némesis saíram desta lógica.

Estamos fartos de Alcazares e Tapiocas.

«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena política… mas estiveram sempre por trás dela?
Essas mesmas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a Finança internacional.
A Igreja e o exército foram os seus instrumentos. Mas só essas forças podiam ser o verdadeiro aliado de Salazar. Por isso, enquanto só o temor às retaliações tolhe ainda o exército e a Igreja parece ter-lhe tirado inteiramente o seu apoio, o regime continua “inexplicavelmente” de pé.
“Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»

Adolfo Casais Monteiro