As elites decidiram contra atacar; chamam a quem as critica “populistas”…

Começando este este texto com uma nota de optimismo; estamos em Março de 2017 e os portugueses ainda existem.

Não só existem como muitos deles dedicam-se ao desporto radical da contemplação do horizonte. Fazendo-o, apreendem que em Portugal o regime está decadente, cheira a putrefacção e é bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Se estivéssemos em Março de 1974, e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte apreenderíamos que em Portugal o regime estava decadente, cheirava a putrefacção e era bastante incomodativo à visão e ao olfacto.

Acaso estivéssemos em Março de 1909 e fossemos pessoas dedicadas ao desporto da contemplação do horizonte descobriríamos que, nessa época que o regime estava decadente… etc…etc…etc…

Apesar de tudo o portugueses resistem…

2017-03-11 -elites portuguesas - um estado de espirito

As * elites portuguesas tem um problema urgente.

(*expressão entendida da forma mais depreciativa possível; verdadeiras elites nunca teriam deixado chegar “isto” ao estado em que está…).

O problema urgente das elites baseia-se na lógica psicológica distorcida de que sofrem.  Esta diz-lhes que são inexistentes quaisquer soluções que excluam a manutenção dos seus privilégios ilegítimos e que excluam o reforço de formas de injustiça e desigualdade entre a população e aplicadas sobre a população.

Só o reforço deste status quo e das suas cada vez menos subliminares formas de aplicação de injustiça constituem objectivos a cumprir para estas pessoas e para os interesses particulares que que se escondem por detrás. frase-o-que-chamamos-de-poder-politico-converteu-se-em-mero-comissario-politico-do-poder-jose-saramago-153566

O ethos é simples: ao topo ilegítimo da sociedade tudo se oferece, às bases e sectores intermédios tudo se tenta tirar.

Este totalitarismo social e político, que desemboca na desigualdade económica  é indistinto e independente do partido político que foi momentaneamente colocado no poder executivo.

Os nossos políticos profissionais, os micro cortesãos que os servem, as nossas oligarquias rafeiras e provincianas, os micro super plutocratas que manobram a gestão da situação e os “representantes” democráticos fantoches, continuam não só a ser moralmente, eticamente e de facto corruptos, como persistem em tratar problemas complexos aplicando soluções simplistas, numa fuga à realidade que parece quase ser copiada da natureza infantil das crianças.

Desde tempos imemoriais esta casta de parasitas nunca se importou com as criticas crescentes que se faziam ouvir. Ancorados num sistema viciado à partida, sentindo-se confortáveis, onde os vencedores de eleições eram alternadamente conhecidos à partida podiam ir fazendo  a micro gestão dos interesses ilegítimos sem problemas de maior e com lucros pessoais de maior.

Esta “gestão” à medida das conveniências corruptas (em favor de plutocratas e dos seus animais de estimação) falhou, está esgotada, terminou o prazo de validade.

Os resultados são apenas bons para quem já detinha vantagens – derivadas de herança ou legado ou adquiridas por adesão a corrupção de tipo mais recente.

A decepção social e o desencantamento pessoal e profissional substituíram a crença num sistema profundamente corroído. O resultado, analisando o comportamento da generalidade da população, oscila entre a apatia parva, o conformismo abrutalhado, ou a hubris consumista.

Devemos ficar satisfeitos por vivermos num país em que uma minoria instila numa maioria os sentimentos negativos da apatia, do conformismo e da hubris?

As doenças que as elites injectaram nas populações estão agora incubadas e começam a levantar a sua feia cabeça.

Demagogos de todas as espécies começam a sair da hibernação como pequenas gripes que ameaçam transformar-se em pneumonias.

Elites “normais” reagiriam à perfeita tempestade que se avizinha no horizonte e fariam reformas baseadas em justiça precisamente para evitar a perfeita tempestade que se aproxima. Em vez disso – cristalizadas, anquilosadas, decadentes, recusam auto corrigir-se e preferem matar os sinais. (matar o mensageiro…)

Harmony makes small things grow, lack of it makes great things decay.”
Sallust

E “matar o mensageiro” significa o seguinte.

As nossas elites (e oligarquias por trás…), iniciaram a guerra contra quem as critica e começa a vê-las pelo que são. Um movimento agressivo, brutal e sistematizado, totalitário.

Como cidadãos queremos viver numa sociedade em que uma minoria hostil à generalidade da população, apenas procura destruir ganhos sociais e de cidadania, detém alavancas de poder – demasiadas – e as procura usar para esmagar a qualidade de vida da população e a democracia?

É preciso caracterizar estes movimentos agressivos.

Neste assunto as nossas elites culturais, políticas, económicas estão divididas em duas grandes correntes das quais emana a quase totalidade da porcaria que a população tem que aturar.

(1) A facção adiante designada por “A” é um “animal” que consiste nos que gostam de fazer criticas ao populismo.

A palavra “populismo“ é transformada numa gigantesca arca de Noé onde cabem todos os “animais” que são do interesse dos necrófagos da facção “A” que lá caibam.

Partidos de esquerda ou de extrema esquerda, de direita ou de extrema direita, de centro ou sem ser de centro, coleccionadores de selos, adolescentes tatuadas ou skaters surfistas, e mais as categorias de grupos sociais que estejam a passar na rua no momento em que a lista de demónios está a ser elaborada; são recrutados, ensacados, embalados e metidos à venda nas prateleiras de venda de memorandos de agendas político-mediáticas que dizem as pessoas o que elas devem pensar e sentir e como se devem comportar.

A tríade dos pés de microfone, dos junta letras, dos contadores de historias de embalar (também conhecidos por “jornalistas”, embora a expressão “comissários políticos a soldo de dinheiro ou cortesãos escorts sejam expressões mais apropriadas…) garante-nos (com garantia bancária caucionada e tudo…se for preciso…) que uma salada russa de “populistas” andam por ai, todos eles rotulados de extremamente perigosos, e apresentados como sendo o novo horror do momento.

Esta “estratégia“ de apresentação e demonização do que é populismo e do que não é populismo é inerentemente antidemocrática.

O objectivo é limitar o debate democrático na sociedade pré estabelecendo “regras aceitáveis” construídas pela elite social, económica e política podre.

Visa tentar destruir `partida qualquer movimento saudável (enfâse na palavra saudável, que neste contexto significa “democrática”) que pretenda remover a podridão dos lugares onde ela está neste momento.

É ilegítima porque pactua com movimentos sinistros que querem de facto impor o pior e remover o pouco de melhor que ainda existe.

Uma das razões para esta manobra estar a acontecer é a seguinte.

Quem se esconde por trás dos moralistas falsos da elite de tipo “A” é a classe dos mercadores. São capazes de vender a mãe se o preço for certo e a sua pátria é do dinheiro, não o país onde nasceram ou a população que nele vive.

Logo é-lhes indiferente quem diz que manda ou quem aparece na frente da fotografia designado como sendo quem manda.Quer sejam populistas verdadeiros de extrema direita e adeptos da pós verdade discursiva que querem criar uma ditadura chamada “democracia gerida”; quer sejam democratas genuínos. 

Aos mercadores, às oligarquias, ao conjunto de lacaios que os servem apenas interessa a folha de balanço positiva no fundo da página.

Queremos mesmo, enquanto sociedade, aceitar que tudo o que nos diz respeito seja organizado de acordo com esta mentalidade dos mercadores?

Merchants have no country. The mere spot they stand on does not constitute so strong an attachment as that from which they draw their gains.
Thomas Jefferson

Podemos encontrar espécimes desta facção tipo “A” nos principais jornais populares e populistas em Portugal, no comentariato profissional princípescamente pago e que enxameia a comunicação social, nos “especialistas” de assuntos, tudólogos académicos manipuladores e mentirosos que assombram a vida publica portuguesa, na classe dos comissários políticos ao serviço de dois partidos políticos (também conhecidos por jornalistas arregimentados ou “agências de comunicação”), no demais lacaios das artes, letras e cultura, que se babam e arrostam pelo chão em busca de sinecuras privadas corporativas ou públicas.

Quem manobra toda esta gente são as oligarquias. Quem manobra toda esta gente para que produzam lixo intelectual que ataca os interesses da população são as oligarquias.

Mas os próprios não são isentos de culpa porque se venderam.

A restante população apenas tem que reparar que se venderam e tratar  esta gente como alguém que se vendeu.

A facção adiante designada por “ B” é um outro “animal”.

A facção designada por “B” são aqueles que se apresentam por si próprios como sendo “a verdadeira elite” – são os que gostam de fazer criticas à facção “A”.

A principal critica consiste em dizer que para aplacar as pressões e exigências dos populistas deve-se ceder e dar bastante do que os populistas querem (dar à população,supõe-se…). Esta facção “B” declara-se como sendo anti elites e adora criticar as chamadas elites da facção ” A”.

Após uma inspecção mais profunda, percebemos rapidamente que a generalidade destas pessoas tem um rendimento, uma posição social, uma impossibilidade de ser afectada por despedimentos secos e duros, de sofrer alterações na sua vida social e profissional que dificilmente qualificam estas pessoas como “população comum”.

São apenas “diletantes” sociais e profissionais, que querem chegar a cargos “melhores”.

Querem ser chefes no lugar dos chefes e como tal criticam as “elites” “oficiais”  para se auto promoverem junto da população (arraia miúda), e fazerem com que esta lute pelas causas de uma parte da elite que não está satisfeita com aquilo que julga ser o seu ” direito inaliável a ter privilégios totalmente desproporcionados em relação ao que vale.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.   Séneca

 Consequentemente, nesta elite de tipo ” B” mudar de lados é constante. Envergam camisolas com os dizeres “inverter 180 graus ao sabor do vento”.

Promovem-se para se venderem, mas depois protestam com o preço pelo qual foram adquiridas e exigem mais. Uma das formas de travar estas pessoas é recusar-lhes lugares e recusar-lhes importância.É precisamente por existir sempre quem atribui importância a estes diletantes que muitas coisas que deveriam ser evitadas politicamente não o são.

Quem é anti elites adora criticar as elites por serem cegas e estarem completamente a leste do resto da sociedade. Se estas “anti elites de tipo “B” estivessem no poder também não teriam preferências que divergissem grandemente das outras elites de tipo ” A”.

O que verdadeiramente arrepia estes dois tipos de elites é a população.

Estas elites podres percebem que após décadas de ofertas de uma escolha entre dois caminhos que extinguia a classe média, a democracia, a mobilidade social e o sentimento de justiça nesta sociedade, estão em perigo porque a população está a deixar de gostar disto.

O suicídio tecnocrático assistido e feito de forma suave, gentil e fofinho, que as tribos políticas de esquerda promovem tem concorrido com o neoliberalismo darwiniano de pseudo tendência social democrata conservadora baseado em jogos de soma nula em que o vencedor leva tudo; a versão que as tribos políticas da direita apoiam.

Por vezes ambas se mesclam em correntes de terceira via. (A confusão das populações aumenta e leva-as a começar a preferir escolher homens Providenciais…)

Então surge a rotulagem que serve para ensacar todos os inimigos desta podridão, todas as pessoas decentes que recusam ser esmagadas no altar do condicionamento e do totalitarismo social, económico e político.

São “populistas” (expressão que coloca toda a população que proteste dentro do rotulo, para condicionar todos) quer os que aspiram a melhorias sociais, quer os verdadeiros populistas – os lobos em pele de cordeiro que suspiram por regimes totalitários de direita.

As elites preferem destruir tudo (uma política de terra queimada), atacar todos, população inocente incluída e a deixarem proliferar os verdadeiros inimigos da democracia, a elas próprias mudarem.

Como cidadãos queremos mesmo ser emparedados entre duas filosofias que nos atacam?

Como cidadãos queremos mesmo deixar que nos provoquem o caos nas nossas vidas pelo facto de se deixar que os inimigos da democracia floresçam nela impunemente?

Dos princípios de Némesis:

“Rejeitamos que haja qualquer solução possível no eixo de disfuncionalidade da sociedade e regime actuais. Não há promessa que possamos acreditar que vá ser cumprida. Não há valor que não seja visto como negociável ou princípio que não seja abandonável. A falta de honra do que existe torna a colaboração política um anátema que toda Irmandade respeitará.

Declaração de interesses: como existem sempre pessoas cuja remuneração depende de não perceberem o que está e é escrito, ou pura e simplesmente são imbecis, este texto não corresponde a qualquer defesa de ideias de extrema direita, ou de extrema esquerda ou pessoas (A irmandade) que pertencem às elites acima referidas. Não pertencemos a esta trupe acima descrita.nem ao lumpen proletariado neofascista-nazi.

Somos a nossa própria elite sem precisarmos ou querermos misturar-nos com toda a ralé que foi descrita acima.

Lidámos com Honra.

O Enclave é eterno!

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Os ricos portugueses são desprezíveis e devem ser desprezados

Os ricos portugueses são desprezíveis e devem ser desprezados

Há 30 anos atrás, uma criança de 14 anos do sexo feminino, filha do dono da casa, está sentada à mesa da sala. Verificando não ter uma cadeira ao seu redor, vira-se para um dos empregados do pai, um motorista, já sentado, que fora também convidado para almoçar e ordena-lhe de forma agressiva que vá buscar uma cadeira.

Mais tarde, ao ser repreendida por outra pessoa da família presente no almoço que lhe disse que o empregado não era criado dela, mas sim do pai, e que as obrigações dele enquanto empregado não incluíam ir buscar cadeiras em almoços de confraternização; a jovem de 14 anos respondeu que * “ele trabalha para o meu pai, faz o que eu quero”.

Há 30 anos isto foi ainda mais notável porque a família desta jovem, apesar de ter algum dinheiro estava longe de ser ou poder ser equiparada a um padrão sequer de rico “médio-baixo”.

Há 30 anos, colocada numa posição social em que tivesse que interagir com pessoas mesmo ricas, os ricos iriam desprezar e hostilizar a família desta jovem.

Insuficiente pedigree.

SERVILISMO - PÉS

Os portugueses são ensinados desde a infância a serem cortesãos e a procurarem padrinhos que mais tarde, ou lhes orientem a vida, ou orientem a vida dos filhos. Umas das consequências é este padrão de comportamento disseminado na sociedade vingar.

O véu diáfano da corrupção que não aparenta sê-lo.

Esta escala hierárquica e social da busca de padrinhos proporciona aos ricos portugueses a disseminação dos seus vírus sobre a restante população.

E o vírus é esta atitude hostil e suja perante todos os outros.

Os ricos tem desdém, desprezo e aversão por quem não pertence ao seu circulo “interno”.

Os ricos, incompetentes como seres humanos, descaindo perigosamente para a psicopatia no seu comportamento geral, acreditam que a sua riqueza e os privilégios que desfrutam apenas existem porque são dotados de qualidades superiores que geram esses mesmos privilégios.

Torna-se necessário dizer que não.

São inexistentes quaisquer qualidades superiores que justifiquem esta maneira de pensar dos muito ricos.

Em privado, os ricos portugueses são geralmente grandes filhos da puta para usar um termo coloquial vernáculo com o qual qualquer cidadão se consegue relacionar e perceber.

Em publico, os ricos portugueses são definidos pelo que o marketing e a publicidade deles faz e deles apresenta a imagem. Falsa, assente na sofisticação manufacturada artificial  e impregnada duma aura de superioridade que é inexistente.

Verdadeiramente são seres menores dotados de complexo de inferioridade que sublimam na apresentação duma imagem de superioridade, falsa e ensaiada.

Os ricos portugueses, quase todos, adquiriram as suas posses materiais e o poder que dai advém por herança ou transmissão entre clusters de famílias endogámicas. (Uma possível explicação para as patologias dos muito ricos…)

Acham que as posses materiais e o poder que tem existe porque são melhores que todos os outros.

Esta mentalidade “pseudo uber” dos pobrezinhos de espírito abastados é um vírus, e como todos os vírus tem a tendência a disseminar-se pelo resto da sociedade.

É necessário reconhecer que se combatemos os vírus da gripe e da peste bubônica, da tuberculose e da sida, também devemos combater os vírus dos ricos.

Moralmente é necessário. Éticamente idem. Com a salubridade e a higiene não se brinca.

Depredadores do universo, e porque tudo falta a quem devasta ,agora esquadrinham terra e mar; ávidos se é opulento o inimigo, sobranceiros se pobre, nem o oriente nem o Ocidente os podem saciar; são os únicos a desejar com igual paixão riquezas e poder. Pilhar , trucidar, roubar tomam eles com o falso nome de governo e chamam paz à solidão que criam.

Tácito agrícola.

 

O suposto “refinamento” dos ricos portugueses constituem uma camada de verniz brilhante, embora rançoso e defeituoso após mais demorada inspecção.

A razão porque é que apresentam este verniz deve-se ao facto de o trabalho sujo ser feito por outros, geralmente cortesãos que funcionam como tampão higiénico.

As “boas maneiras“ dos ricos e a superficialidade cheia de bonomia, são apenas possíveis porque outros – entre os quais o Estado que foi capturado pelos interesses afectos aos ricos – fazem trabalho sujo e reorientam conflitos para longe das vistas.

Os ricos portugueses, culturalmente e intelectualmente são abaixo de medíocre, e vivem na mais completa falência moral e intelectual. Mercadores de mercados monopolistas que compram, adquirem e vendem cortesãos e poder político para manter o status quo, não precisam fazer qualquer esforço extra para evoluir, apenas corrompem.

Entre varias das patologias dos ricos portugueses contam-se a obsessão pelo status social, pelo “reconhecimento” e pelas tentativas de impor deferência à força sobre a população.

Mercadores de mentalidade, são naturalmente obcecados por marcas comerciais. O iate de 22 metros ou a ilha tropical, a comida gourmet, as roupas de marca (toda a roupa tem marca, mas enfim…) as jóias de design exclusivo, (por oposição a design inclusivo…?!?) ou férias em locais exóticos são outras das taras.

Pobres de espírito, estes ridículos mercadores que promovem o mal na sociedade como valor sagrado, simbolizam o culto hedonista de si mesmos como o ultimo objectivo.

Quando falam, num discurso ininteligível a maior parte da vezes, pontuado por abcessos de arrogância e má educação fazem-no apenas acerca de dinheiro.

O dinheiro que já fizeram, o que farão, o que estão a fazer nas empresas e negócios que tem.

Completamente adversos ao resto da sociedade, completamente não integrados no resto do pais, hostis às restantes pessoas são um problema que – enquanto sociedade – teremos que lidar, se quisermos sobreviver.

* As elites e os filhos da elites, os oligarcas e demais excrescências tratam os que trabalham para eles com uma total falta de empatia. Permitem que as suas crianças – fedelhos de 10 ou11 anos – tratem como bagagem os empregados que trabalham para os pais.

Cultivam a falta de empatia por aqueles que não são ricos.

Hedonistas egocêntricos, mesmo entre eles a amizade é impossível. Chacais no comportamento, a amizade é definida por “o que é que eu posso ganhar com isso”?

Condicionados desde a infância ao culto do hedonismo tem uma visão dual do mundo: as outras pessoas ou são ricos como eles ou são apenas os empregados subservientes/lacaios de estirpe cortesã.

Pouco importa se afirmam ser progressistas ou simpatizantes dos pobres e da classe média.

“I couldn't forgive him or like him, but I saw that what he had done was, to him, entirely justified. It was all very careless and confused. They were careless people, Tom and Daisy - they smashed up things and creatures and then retreated back into their money or their vast carelessness, or whatever it was that kept them together, and let other people clean up the mess they had made...” ― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

“I couldn’t forgive him or like him, but I saw that what he had done was, to him, entirely justified. It was all very careless and confused. They were careless people, Tom and Daisy – they smashed up things and creatures and then retreated back into their money or their vast carelessness, or whatever it was that kept them together, and let other people clean up the mess they had made…”
― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

Torna-se necessário saber de onde se vem e nunca se esquecer isso. É necessário ter uma aguda consciência de classe  não no sentido político do termo, mas no sentido pessoal.

Quem tem aguda consciência de classe é poderoso.

A irmandade de Némesis sabe de onde vem, não esquece isso e é poderosa.

Imagine-se um hospital com práticas corruptas. Agradeça-se às elites

We must not, however, confuse the courtiers with the tyrants.

Chris Hedges, 18 Setembro de 2016

(1)

Num país imaginário, vagamente parecido com Portugal, imaginemos que uma corporação decide maximizar os seus lucros, ajudar a subverter o sistema político, social e económico do país juntamente com outras corporações “amigas” e com as mesmas ideias. Imagine-se que esta corporação detesta o país e apenas deseja parasitá-lo ganhando dinheiro com isso. Decide manobrar para influenciar os agentes políticos dos partidos políticos principais – em Portugal designam-se por “partidos do arco da governação” – para que estes permitam a exploração de sub sistemas de saúde e hospitais públicos em regime de concessão.

Qualquer pessoa percebe que nada disto acontece; é apenas um exercício de imaginação totalmente irreal e até fútil, mas imagine-se para benefício de leitura deste texto.

Imagine-se que o poder político, devidamente persuadido por favores a receber no futuro ou já no presente, favores intangíveis de aspecto virtual como o vento (sabemos que existe mas não o conseguimos ver; apenas sentir..) e decide confiar nos pressupostos que os responsáveis desta corporação apresentam para “gerir melhor” e aceitam entregar a concessão de unidades de saúde.

Imagine-se que a corporação tenta blindar a sua eventual saída extemporânea da concessão por falhas de serviço impedindo-a através de manobras de facto. Acorda com os responsáveis políticos adquiridos, comprados e a serem pagos que as eventuais queixas e reclamações sejam nulificadas administrativamente.

Os responsáveis políticos, ou já corrompidos, ou ainda distraídos apanham o transporte para a iniquidade. O objectivo da corporação é amansar e convencer os responsáveis políticos que tudo irá correr bem e que o prazo inicial da concessão seja prolongado no tempo até se tornar uma situação de facto.

Imagine-se que os doentes são colocados em perigo, mas que importa. Imagine-se que as queixas e reclamações são apenas vinculativas desde que feitas à autoridade administrativa oficialmente designada para tal  – a entidade reguladora da saúde.

Imagine-se que queixas verbais nos postos de atendimento do hospital gerido por esta empresa são aceites, mas tem efeito nulo. Imagine-se que reclamações escritas no livro de reclamações (o livro amarelo) são enviadas para o ministério da saúde, mas o tratamento das mesmas é apenas feito estatisticamente nulificando assim a reclamação.

Imagine-se que só a entidade oficialmente designada para tal (ERS), pode aceitar queixas e reclamações, mas no hospital ninguém informa os doentes que existe essa entidade, e como tal, essa entidade é quase invisível. Daí resultando um volume de queixas e reclamações ínfimo.

Imagine-se que posteriormente a esta situação estar colocada no terreno o argumentário de venda da solução “privada” de gestão do hospital como sendo a solução mais eficiente já pode ser feita pelos cortesãos de ligação  encarregues de aviar a propaganda sobre os decisores políticos, para que estes mantenham o “esquema” a funcionar.

Imagine-se um hospital público, gerido em moldes privados, com um bloqueio institucional organizado que impede os doentes de exercerem os seus legítimos direitos baseado numa regulamentação feita à medida para absorver e amortecer as queixas e reclamações impedindo-as de entrar no sistema.

Apenas existem para estatísticas externa, paralela, inutilizada, inútil.

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(2)

Imagine-se que os Invernos sucedem-se aos Invernos e as más praticas de gestão, atendimento dos doentes, sobre-facturação ao Estado, não tratamento e não resolução de problemas administrativos ou outros continuam.

Imagine-se que esta é a cultura do erro mascarada de eficácia e eficiência.

Imagine-se que os erros e o dolo sucedem-se, replicam-se e são da responsabilidade dos profissionais de saúde deste hospital imaginário.

O topo da linha é a classe médica.

Imagine-se que esta aceitou vender-se a troco de remunerações superiores à média. Aceitou fazer o papel de cortesão bem pago. Apesar do acordado, ainda é sujeita à tirania dos “fringe benefits”. Que são a cortesia paga pelos erros por negligencia, dolo , más práticas; e são “cobertos e protegidos” pela estrutura” superior da empresa/corporação.

Alia-se a ” eficiência” (o acto de tratar doentes mal e depressa) à defesa do espírito de equipa dos profissionais de saúde ( legitima-se pela omissão e pela protecção, os erros dos profissionais de saúde permitindo-lhes safarem-se de consequências dos mesmos ).

Qualquer pessoa percebe que nada disto acontece; é apenas um exercício de imaginação totalmente irreal e até fútil, mas imagine-se para benefício de leitura deste texto.

(3)

Imagine-se que para dançar o tango da corrupção são precisos dois e um acordo faustiano, seguido da adopção de comportamentos tácitos.

Imagine-se que os funcionários de topo ficam a saber que podem fazer “erros”, mas daí não advirá qualquer consequência a nível pessoal. A “corporação” irá tudo fazer para cobrir os erros (para não dar hipóteses a que o “regulador”/poder político reveja os termos da concessão) e irá criar incentivos internos para que os médicos de topo cumpram este acordo faustiano.

Imagine-se que, contudo, as falhas são tantas que o poder político decide não renovar a concessão da corporação privada.

Imagine-se que o poder político decide de novo colocar a gestão deste hospital na esfera publica e muda as regras.

Imagine-se que alguns dos procedimentos anteriores promovidos pela corporação continuam a ser feitas e praticadas tal qual eram antes feitas em regime de gestão privada.

Imagine-se que ficaram em herança para as equipas técnicas do hospital pelos bons serviços anteriormente prestados…à gestão privada que tanto os protegia nos seus erros e más práticas…

Imagine-se que ficaram ténias para trás…

Qualquer pessoa percebe que nada disto acontece; é apenas um exercício de imaginação totalmente irreal e até fútil, mas imagine-se para benefício de leitura deste texto.

(4)

Um doente é operado. Por culpa técnica exclusiva do responsável e da sua “equipa”, um doente fica com um osso fora do lugar uns meros 2 centímetros.

Coloca-se um placebo técnico.

Uma varinha de metal para ajustar os dois centímetros rebeldes; retira-se passado 3 semanas a varinha. A rebelião dos centímetros continua. A fase seguinte do diagnóstico técnico e altamente profissional é dizer ao doente que com a passagem do tempo tudo irá ao seu sítio.  Pelo meio, ténue e errática fisioterapia é feita; depois descontinuada.

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Imagine-se que passado 9 meses do ocorrido, nada voltou ao lugar,  os 2 centímetros fora do lugar continuam a ser dois centímetros fora do lugar, e o doente continua à espera de cirurgia para corrigir o problema inicial.

Imagine-se que o médico que o operou é um dos responsáveis pela área dentro do hospital e tem uma reputação ” técnica” de qualidade enorme, tanto que até dá para fazer erros de 2 centímetros.

Imagine-se que data de nova marcação de cirurgia não acontece.

Imagine-se que após conversa posterior é dito ao doente que “a minha equipa está a estudar o problema”.

Imagine-se que a solução será cortar o osso rebelde que tem dois centímetros rebeldes fora do lugar.

Imagine-se que existe um artigo do código civil português que diz:

ARTIGO 498º
(Prescrição)

1. O direito de indemnização prescreve no prazo de três anos, a contar da data em que o lesado teve conhecimento do direito que lhe compete, embora com desconhecimento da pessoa do responsável e da extensão integral dos danos, sem prejuízo da prescrição ordinária se tiver decorrido o respectivo prazo a contar do facto danoso.

2. Prescreve igualmente no prazo de três anos, a contar do cumprimento, o direito de regresso entre os responsáveis.

Imagine-se que o estudo técnico do problema desde doente irá demorar 3 anos.

Qualquer pessoa percebe que nada disto acontece; é apenas um exercício de imaginação totalmente irreal e até fútil, mas imagine-se para benefício de leitura deste texto.

Hell is empty and all the devils are here. William Shakespeare

Hell is empty and all the devils are here.
William Shakespeare

Como existem imbecis que não compreendem o que é escrito ou a remuneração que auferem depende de não entenderem o que é escrito, deve ser explicado que este texto recusa ser uma critica ao actual governo em funções no ano de 2016.

A biopolítica e a casta mercadora

Com o abandono da esfera política tradicional as tribos da direita e da esquerda criaram um perigoso vácuo de poder social e normativo. Claro que a natureza não aceita vazios e algo tratou de se infiltrar nos buracos que o poder tradicional abandonou. Os mercadores. Esta casta incentivou o abandono do Estado e promoveu o seu código de valores muito específico. Em vez de honra passámos a ter uma mentalidade “negocial e de resolução de conflitos”. Em vez de integração a todos os níveis na vida da polis passámos a ter pequenos grupos profissionais regidos por “profissionalismo” (termo nebuloso obedecendo a critérios definidos pelos próprios técnicos). Em vez de poder e responsabilidade pessoal passámos a ter uma massa amorfa governada por burocracias cada vez mais opressivas, que não assumem a sua natureza reguladora. Em vez de existir a possibilidade de realização dentro da pólis enquanto seres sociais e políticos passámos a ser encorajados a recorrer à “mindfulness”. Há que reconhecer o sucesso de uma casta que começou por ser ostracizada e colocada à margem das relações tradicionais de honra, que caracterizam qualquer corpo político saudável. Demorou 500 anos mas os mercadores não só aboliram todos os estigmas associados à sua actividade como substituíram totalmente a escala de valores por outra que não só lhes trás vantagens como os coloca numa posição proeminência. É neste quadro que surge a obsessão com a quantificação de tudo e todos – e como consequência, a atribuição de um valor numérico a cada ser humano. De facto, a pirâmide social nunca foi tão precisa como no mundo moderno, a possibilidade de atribuir um valor específico a cada pessoa torna clara a posição de cada ser humano na cadeia alimentar. Todos os dias nos é dito que somos mais livres, mas parece que afinal todos os dias acordamos mais presos às nossas circunstâncias materiais.

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

“si è morto il Doge, no la Signoria” – “O doge está morto, mas a Signoria está viva” – Ditado Veneziano

Olhando para os novos valores e comparando-os aos antigos torna-se mais fácil perceber o alcance da transformação que teve lugar. A noção tradicional de honra assenta sobre o valor individual da palavra do individuo, um compromisso que envolve a própria essência do ser, algo a que nos vinculamos de livre vontade – sabendo que não será necessariamente o caminho mais fácil. Isto era algo nocivo a uma casta, os mercadores, cujo poder assenta na não validade da palavra. Tudo é negociável e para qualquer potencial conflito existe sempre uma solução negociada que evita tensões. Traduzindo: não existe noção de certo e errado, bom e mau ou linhas intransponíveis, esses conceitos foram demonizados e são tratados como visões “maniqueístas” ultrapassadas. Existem acordos, celebrados por tempo definido, que dividem os espólios consoante a força ou fraqueza de cada uma das partes. A quebra do que é acordado é um dado adquirido nestas negociações porque pela natureza do mundo os equilíbrios de força entre as várias partes tendem a oscilar e, inevitavelmente, na ausência de homens e mulheres de honra as situações degeneram numa supremacia do mais forte. A moral mercadora é uma guerra eterna de todos contra todos em que ninguém pode acreditar em nada, a única coisa que conta é o crescimento do poder aquisitivo, por muita devastação pessoal e social que isso possa trazer.

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

“Não deves honrar mais os Homens que a Verdade” – Platão

Como Aristóteles afirmou o Homem é um animal político. Está-lhe na sua natureza querer ter um voto na forma como a sua comunidade política é gerida (seja através dos mecanismos de participação democrática massificada seja através de outros modelos). Numa visão holística isto traduz-se pela harmonização das várias componentes da vida do Homem. A sua visão do mundo é coerente com a sua forma de estar na sua vida pessoal que por sua vez é coerente com a sua visão política da comunidade – gerando um ciclo positivo de reforço de ideias e emoções. Para o mercador isto era algo intolerável. Pois colocava entraves sérios à mercantilização de todas as esferas da vida e acima de tudo à quantificação do indivíduo em si mesmo. Tinha que desaparecer. Usando as forças da tecnologia o mercador forçou toda uma civilização a reinventar-se de acordo com os novos valores. A pólis foi fracturada para nunca mais ser unida. Os cidadãos passavam agora a agrupar-se não por vivências e ideias quanto ao campo político, mas pela sua actividade comercial. É preciso entender a malícia com que isto foi feito. O ser humano foi despido de tudo o que era, foi-lhe sonegada uma pertença a uma comunidade física a favor de uma alocação a uma área de produção geográfica (fábrica, escritório… pois tem que ser “móvel e adaptável”). Foi-lhe negada a pertença a uma comunidade de ideias sendo o espectro político agora dividido entre duas tribos de saltimbancos que se iriam confrontar de forma teatral sem poderem afectar verdadeiramente o rumo das coisas. Foi-lhe tirado tudo o que preenchia a sua vida até só sobrar um factor: o seu valor produtivo. O seu trabalho e a sua vida formavam agora um todo indissociável onde se não se sabe onde o primeiro acaba e a segunda começa. A Pólis deixou de ser uma unidade para passar a ser uma federação de pequenos reinos bárbaros regidos por “códigos profissionais”, cada um cuidando apenas dos seus interesses específicos – selando assim o seu destino colectivo: a irrelevância face ao poder esmagador da casta organizadora do trabalho e finanças, os mercadores.

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” - Paulo Freire

“Dehumanization, although a concrete historical fact, is not a given destiny but the result of an unjust order that engenders violence in the oppressors, which in turn dehumanizes the oppressed” – Paulo Freire

Conseguindo destruir tudo o que ancorava o Homem à vida cabia agora à casta vitoriosa criar novas formas de organização da vida. Mas deparava-se com um problema. Para arregimentar as pessoas de forma coerciva precisava de recorrer a modelos do passado – os mesmos que se tinham empenhado em destruir por representarem obstáculos ao seu aumento de poder e capital. Era um dilema. A solução encontrada foi engenhosa, após terem removido as ideias do debate político recriaram organizações de gestão da vida humana, viradas exclusivamente para o lado quantitativo e, de forma mais substancial, inteiramente desprovidas de carisma. Afinal de contas o modelo do mercador não assenta sobre carisma, a posse é a lei, e a possibilidade de existirem forças além da posse era uma ameaça desestabilizadora que simplesmente não iriam tolerar. É o nascimento da organização burocrática. Na ausência de honra criaram-se leis minuciosas e incompreensíveis para a maioria que está sujeita aos seus ditames. Na ausência de pertença criou-se uma esfera de trabalho que tudo ocupa e dita o posicionamento dos indivíduos. Na ausência de carisma cria-se obediência ao procedimento, à regra, ao detentor do cargo. Colocando as coisas em termos platónicos, a essência do ser humano fica submetida às formas. É neste espírito que nasce uma consciência cidadã falsificada e um espírito de participação cívico fictício – o mundo das manifestações sem perturbações ao trânsito e turismo, das greves sem quebra de produção, da petição online, etc.

The Revolution is for Display Purposes OnlyEste curto relato condensa séculos de preparação por parte da casta mercadora para assumir as rédeas dos destinos humanos mas deixa-nos com uma questão por responder. Foi um projecto de poder bem-sucedido? Atingiu o que se propôs. Desvitalizou o ser humano e reduziu-o a uma ferramenta. Isto é inegável. Mas então porque somos assaltados por este ambiente de crise permanente? Obviamente parte da resposta está no sistema comercial e financeiro que não só dita o destino da economia como os próprios “valores” da sociedade mercantilizada. Mas só isso não explica o medo que ainda se sente na casta suprema. Ao fim de muita experimentação social o mercador descobriu algo que o mantém acordado à noite. Algo que tenta esconder ao máximo das pessoas normais. Descobriu que o espírito humano pode ser reprimido e redirecionado, mas que essa manipulação eventualmente vai começar a fazer crescer uma tensão irresolúvel no seio de cada pessoa. Um anseio por algo mais. A sensação de vazio que não é apagada pela multiplicação frenética de actividade para ocupar os dias. A certeza absoluta no íntimo de cada um de nós que “algo está podre no reino da Dinamarca”. Tendo removido tudo o que nos tornava humanos e podia dar soluções a esta tensão acumulada o mercador está entre a espada e a parede. Se permite que a tensão se manifeste o poder da casta cai, mas se reprime ainda mais corre o risco que esta se manifeste de forma imprevisível. Não tendo nada a propor às pessoas (afinal elas já são tudo o que o mercador quis que fosse: números, objectos, ferramentas, substituíveis…) resta-lhe recorrer à biomoralidade. Usando o corpo como único ponto de referência quer usá-lo para substituir tudo o que foi destruído. O não comer de forma saudável deixa de ser considerado como um apetite sensual para ser visto como uma má escolha, que por sua vez vai criar um “mau” cidadão. A pressão no trabalho atinge níveis insuportáveis, mas a solução nunca está em alterar o modelo definido pela casta mercantil, mas sim em fazer os trabalhadores acreditarem que a culpa é sua. Não estão preparados, não sabem gerir o stress, não são proactivos, etc. Há problemas sociais graves por resolver, mas mais uma vez a culpa é do cidadão, que, segundo o mercador, sofre de estupidez crónica e não entende que esses problemas não se abordam com políticas estruturais, mas sim com apelos a uma responsabilidade individual (“se todos fizessem o que deviam não existiriam problemas”) – intencionalmente ignorando a impotência do cidadão em causar impacto seja no que for.

“When nations grow old the Arts grow cold And commerce settles on every tree” – William Blake

“When nations grow old the Arts grow cold
And commerce settles on every tree” – William Blake

O insucesso da tácita está mais que patente no aumento das tensões sociais e no histerismo cada vez mais ofensivo dos pregadores da biomoralidade (devidamente sancionada pela ciência para manter as unidades humanas produtivas mas politicamente inertes). Sucedem-se as modas das dietas, das meditações, do desporto compulsivo, dos alimentos orgânicos… e nada parece apaziguar as pessoas. Parece que esta competição levada ao extremo físico não consegue oferecer alternativas credíveis para sustentar uma sociedade. E, no entanto, a propaganda prossegue. Enquanto o ser humano não for restaurado a toda a sua dignidade o mal-estar continuará. Enquanto a pólis não voltar ao seu papel enquanto quadro de referência integradora nada poderá ser resolvido. O mercador, apesar de toda a sua astúcia, não conseguiu dissolver a essência humana.

"When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you." - Winston Churchill

“When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you.” – Winston Churchill

A casta dos mercadores aposta na continuação do isolamento individual para manter o seu poder, mas esquece-se que só está sozinho nesta noite escura quem não souber onde procurar ajuda. Todos temos a capacidade de nos voltarmos a ligar ao Real (por oposição ao mundo plástico das formas mercantis). É só querermos dar o primeiro passo.

NémesisAtravessamos a escuridão por estradas sombrias

A nossa vigília nunca terá fim

As ideias que mantemos vivas são imortais

O único verdadeiro lado que existe somos nós.