Grécia – os limites dos tiranos são percebidos pela resistência de quem é oprimido

“Power concedes nothing without demand. It never did and it never will. Find out just what people will submit to, and you have found out the exact amount of injustice and wrong which will be imposed upon them; and these will continue until they are resisted with either words or blows or both. The limits of tyrants are prescribed by the endurance of those whom they oppress.”

Thomas Paine

No campo, os agricultores de subsistência tem frangos que matam para vender aos conhecidos e familiares ou para consumo próprio. Quando o animal está gordo para abate è-lhe passada uma faca pelo pescoço e este é cortado. Durante alguns segundos o frango corre sem cabeça desnorteado em todas as direções.

grecia_REsta é a imagem que nos mostram as instituições europeias e os credores europeus em relação à Grécia: correm em todas as direções sem qualquer cabeça. O processo de funcionamento psicológico e político dos credores é incrivelmente estúpido. São um abismo negro que chupa tudo a sua volta sem quaisquer ponderação presente ou futura acerca das consequências para terceiros e para eles próprios.

Quando o abismo negro não é financeiramente alimentado a tempo e horas, começa a exigir comida financeira. Primeiro força a queda abrupta dos mercados financeiros.

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Numa lógica de centro vs periferia, os países da periferia europeia são os primeiros a cair. Os seus mecanismos financeiros são exauridos, e deixados a definhar (segundo o jargão económico falta-lhes “liquidez”), e os seus bancos comerciais e demais instituições semelhantes são os primeiros a secar e a cair. Estão “na periferia” e por definição a periferia é a que está mais afastada do centro e como tal é a primeira a sofrer o embate.

Quando isto acontece, o dinheiro que existe na periferia procura sanctuário em igrejas financeiras do centro (segundo o jargão económico isto são “fugas de capitais”). Este dinheiro fica em sanctuário jurando eternas juras de amor financeiro ao centro, até à altura em que o abismo negro que quer alimento o chupar também, mas no entretanto, o pau vai e vem e as costas financeiras estão folgadas.

Em termos concretos a periferia fica demasiado fraca para resistir. Foi “chupada financeiramente” e está demasiado fraca economicamente. Então é-lhe feita uma colheita económica (segundo o jargão económico são “incentivos ao crescimento e ao emprego”) voltando-se a emprestar-lhe dinheiro para a salvar da situação, para a reestruturar e fazer reformas.

Em termos concretos cria-se uma divida cavalar e galopante devida a instituições estrangeiras. Esta divida vem com um peso para ser carregado: nunca poderá ser efectivamente paga (nem é esse o objectivo), mas antes existe para funcionar como mecanismo de CONTROLO e colheita de recursos (segundo o jargão económico trata-se de extrair “valor” ao cliente).

[In explaining the “true” nature of banking in the world] The IBBC is a bank. Their objective isn’t to control the conflict, it’s to control the debt that the conflict produces. You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates. You control the debt, you control everything. You find this upsetting, yes? But this is the very essence of the banking industry, to make us all, whether we be nations or individuals, slaves to debt.

The International 2009

Neste jogo de insiders e mecanismos pré definidos e que visam o controle de nações e povos, esta divida nunca poderá ser paga.  Contudo, são exigidas à periferia (segundo o jargão económico, “o cliente de novos mercados emergentes” ) pagamentos regulares, como condição a que as instituições do centro forneçam e assegurem a liquidez na periferia (segundo o jargão económico, “pagar pensões e pôr caixas ATM em funcionamento”). Como um idoso num lar de terceira idade, esta dependência financeira assistida é apresentada vendida como sendo absolutamente necessária para se continuar a financiar a periferia (nesta altura já toda a gente percebeu que é o cliente… ) e impedir que este entre mesmo em falência (deixe de pagar e ” mais importante” deixe de pedir emprestado para continuar a pagar”) e assim continuarem as caixas multibanco a funcionar, as luzes serem pagas, as compras feitas etc e a divida a entrar em valores exponenciais.

Pequenos problemas de somenos importância tais como os povos nunca serem idosos em lares de terceira idade, mas sim povos, são características que escapam ao frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores…

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

A periferia, querendo pagar as dividas, mas impossibilitada de o fazer dado que o crescimento económico que a possibilitaria fazer isso foi ” rearranjado” para que não o possa fazer por meios normais e meios anormais, começa a privatizar as suas infraestruturas e empresas públicas. Para assim gerar “meios de pagar uma divida impagável”. Esta extorsão organizada (segundo o jargão económico, “a livre aquisição e troca de bens e serviços num mercado liberalizado cheios de concorrentes atomizados) está a ser feita a todos os países da periferia da Europa, menos Portugal, que é defendido por nossa Senhora, como se sabe, e pela sabedoria sabujice do nosso Governo.

De caminho, traidores da mesma nacionalidade do país que é alvo deste ataque económico, são estratégicamente colocados em ” lugares” para realizarem as necessárias ações de coação e propaganda para impor uma política de austeridade, para promoção do desmantelamento da economia e sociedade atacadas, para promover privatizações de tudo o que esteja à vista, para funcionar como garantia de que as dividas serão pagas  “contra garantia”.

Os resultados?

A periferia desmantela a sua sociedade, desagrega a sua viabilidade.

Os frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores são geniais na sua estupidez. Pressionam exaustivamente ao ponto tal que se auto saturam psicologicamente e deixam de compreender o que estão a fazer e as consequências das suas ações. Desta forma os resultados pretendidos fazem ricochete.

Perante uma situação que pede uma negociação séria os credores e os seus procéres tem apenas uma táctica negocial.

Que é sempre a mesma.

Apresenta exigências impossíveis de realizar e espera que o outro lado negocial capitule. Quando o outro lado recusa capitular, aplica pressão extrema. Impõe sanções, utiliza as suas instituições financeiras como aríetes de ataque à moeda do pais atacado, complica e dilata transações financeiras, e em casos extremos apreende bens estrangeiros do pais ou zona com que está em confilto e espera a capitulação.

Em casos mais extremos e dependendo das potencias em questão bombardeamentos militares e invasões terrestres também podem ser usados. Normalmente costuma resultar, mas mesmo que não resulte, os credores continuam a pressionar e a utilizar a mesma táctica negocial.

Só param quando criarem um deserto e chamarem-lhe Paz.

Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas. The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.   Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus, Agricola

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A Legitimidade e os cortesãos que a danificam em nome dos interesses da elite de poder

” No king can be without worthy courtiers with whom he may be at his ease and behave without restraint. ” -The Nizámu’l Mulk

2014-12-12 - 4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 1Numa sociedade existem 4 formas de legitimidade.

Um Deus fornece a legitimidade, um Rei fornece a legitimidade, um Grupo de interesses organiza-se e fornece a legitimidade, ou os Indivíduos fornecem a legitimidade.

3 formas de legitimidade são anti democráticas. Deus, Rei, ou grupos organizados de interesses legitimam-se por oposição à democracia, como sistema de escolha que os cidadãos podem ter.

Nestas 3 formas de legitimidade antidemocrática, os cidadãos são considerados como súbditos e estão colocados numa posição de dependência e subserviência em relação à legitimidade de quem está provisoriamente a comandar os destinos da sociedade.

A 4ª forma de legitimidade é a única que é democrática. O indivíduo junta-se a outros indivíduos e organizam-se, para exercer os seus direitos de cidadania, através da delegação do seu poder enquanto cidadãos aos órgãos representativos de governo, eleitos, e aos quais é conferida legitimidade democrática.

Um dos órgãos representativos dos cidadãos é o governo entendido na sua forma abstrata. Só o governo pode defender o interesse público, existe como um mecanismo democrático que defende o interesse publico.

Se os cidadãos abdicarem da defesa do interesse público, invariavelmente serão submetidos a outras forças mais poderosas. Torna-se óbvio que essas forças mais poderosas apenas se defenderão a si próprias e que apenas defenderão os seus próprios interesses.

O indivíduo vive em sociedade somente numa democracia, o único sitio onde é considerado um cidadão. Quando um Deus, ou um Rei ou um Grupo de indivíduos organizados para defender interesses, geralmente empresariais, conseguem obter proeminência na sociedade, lentamente, com o passar dos anos, os cidadãos vem ser diminuídos os seus direitos políticos e cívicos.

Em Portugal, estamos na fase em que os direitos políticos e civis dos cidadãos estão a ser diminuídos rapidamente.

2014-12-12 -4 FORMAS DE LEGITIMIDADE - 2As forças negras que estão por detrás das “ideias de Deus” a comandar a maneira como a sociedade se deve comportar, das ideias de “um Rei” como fonte de legitimidade na sociedade, como símbolo”, juntaram-se aos “defensores das ideias de grupos organizados para defender os interesses das empresas”, para ganharem músculo, escala, peso institucional, criarem a imagem simbólica de serem a maioria, e assim conseguirem atemorizar e  manipular almas, consciências, e maximizar fluxos financeiros e de poder. Quem atemoriza, manipula e obtém benefícios financeiros ilegítimos tem falta de legitimidade democrática, e sobra-lhe legitimidade não democrática.

Corremos enormes perigos, pessoais, políticos e profissionais, se deixarmos esta aliança do Mal ganhar um “pé sólido” na sociedade, e mudar de forma definitiva a matriz do pais. Portugal tornar-se-a um sitio infecto e iníquo (mais ainda) se algum dia isto acontecer.

Este novo “movimento híbrido” de forças do mal que se escondem atrás das 3 falsas legitimidades, praticam o duplo discurso como forma de confundir e chegar à população.

 Doublespeak is language that deliberately disguises, distorts, or reverses the meaning of words. Doublespeak may take the form of euphemisms (e.g., “downsizing” for layoffs, “servicing the target” for bombing[1]), in which case it is primarily meant to make the truth sound more palatable. It may also refer to intentional ambiguity in language or to actual inversions of meaning (for example, naming a state of war “peace”). In such cases, doublespeak disguises the nature of the truth. Doublespeak is most closely associated with political language.[2][3]

Clamam por ordem, segurança, justiça, desenvolvimento, crescimento económico ao mesmo tempo que se apresentam como sendo um “projeto novo”, um modelo social alternativo, uma ” evolução do pensamento conservador da tribo da direita portuguesa. Na realidade são “tecno fascistas” modernaços que promovem um discurso “libertário” paralelamente assente no discurso da liberalização dos costumes, para assim “entrarem” no eleitorado tradicional da tribo da esquerda política.

Mas, o “novo poder”, isto é, o verdadeiro novo produto comercial – político que está a ser vendido é o da aceitação, por parte da população, da suposta legitimidade total dos grupos de interesses organizados, isto é, dos interesses das empresas privadas e associados acoplados, como sendo isso o ” futuro” e o total êxito a que devemos aspirar.

Como as empresas privadas apenas estão vocacionadas para a defesa dos seus próprios interesses e dos seus acionistas/donos, daqui resulta que qualquer defesa do bem comum, da sociedade como um todo é inexistente.

Que não haja ilusões sobre isto.

Os resultados de, enquanto cidadãos, termos aceite, por distração, comodismo ou empenho esta “venda simulada” de felicidade a granel proposta pelas forças do mal tecnocrático e autocrático é uma das explicações para os problemas que enfrentamos e para a ocupação das nossas vidas privadas e publicas pelos interesses das empresas.

Quem combate o Mal existente nos grupos de interesses organizados e que julgam e afirmam ser a legitimidade na sociedade?

A resposta é: politicamente, na política partidária, ninguém. Na suposta confrontação ideológica entre tribos, ninguém.

A tribo da direita política está na cama com estes interesses.

A tribo da esquerda política, que já desistiu há muito tempo de consistir e constituir qualquer alternativa política séria, aceita misturar-se com esta tropa híbrida tecno fascizante e profundamente reacionária cujo verniz estala quando devidamente confrontada com as políticas que defende.

Competiria à tribo da esquerda política a denuncia desta forma abjeta de organização ilegítima da sociedade mas prefere contemporizar. Uns vão para a cama com estes interesses, outros contemporizam.

Quem fica e recusa apoiar esta ilegitimidade social e política?

 In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers. john ralston saul: "Mainstream"


In the humanist ideal, the mainstream is where interesting debate, the generating of new ideas and creativity take place. In rational society this mainstream is considered uncontrollable and is therefore made marginal. The centre ground is occupied instead by structures and courtiers.
John ralston saul: “Mainstream”

Se uns ajudam, institucionalmente e estruturalmente outros contemporizam. Os que ajudam são  recompensados com poder, influencia, dinheiro e espalham a corrupção ética na sociedade. Os que contemporizam com estes venenos ideológicos são, ou ineptos ou tentam ser corruptos como os que ajudam.

E o ” novo discurso” que emerge é o discurso do cortesão, umas vezes orientado para as prosas que são oriundas da tribo da esquerda política, outras vezes orientado para as prosas oriundas da tribo da direita política.

Estamos a ser, enquanto cidadãos, enganados pelas tribos.

O ” bacon” desta corrupção ética e de discurso/pratica é que a defesa dos interesses de grupos organizados – as empresas – é agora comum aos dois (supostos lados) lados da contenda política e tem a mesma falta de legitimidade que os interesses que defendem um deus e um rei como legitimidade constitutiva da sociedade tinham.

E nada mais isto é que a operacionalização do discurso do  courtier_/cortesão. E é neste charco de lama que encontramos os cortesãos a funcionarem.

Como se comporta o cortesão?

Grande parte dos cortesãos agita-se na comunicação social. Cheios de ressentimento, amargura, cinismo e hipocrisia debitam inúmeras palavras que visem levá-los a comer as migalhas que saem da mesas onde almoçam, jantam e defecam os que tem o verdadeiro poder. Grande parte destas criaturas estará sempre na orbita do poder, mas estará sempre aparte – os lugares à mesa para a nossa nojenta elite de poder já estão pré definidos e são apenas para associados, familiares e criaturas subservientes especialmente escolhidas que em geral andem por ali.

Como os recursos a disponibilizar são escassos, os nossos courtiers barafustam exigindo um prato à mesa, lançando as culpas para o resto da sociedade.

2014-12-12 - EDITAL ANTI CORTESAO

Isto não corresponde aos manuais sobre como ser um courtier.  A elite política portuguesa nem sequer consegue ser “competente” a formar estas ” profissões” de lacaios que atacam a legitimidade da democracia. The Nizámu’l Mulk, explica…

 ” … The courtier should be essentially honourable and of excellent character, of cheerful disposition and irreproachable in respect of his religion, discreet and a clean liver. He should be able to tell a story and repeat a narrative either humorous or grave, and he should remember news. He should also be consistently a carrier of pleasant tidings and the announcer of felicitous happenings. He should also have acquaintance of backgammon and chess, and if he can play a musical instrument and can handle a weapon, it is all the better.

The courtier also must ever be in agreement with the king. Whatever he hears the king say, he must cry “Bravo!” or “Excellent!” and let him never play the pedagogue, saying “Do this,” or “Don’t do that,” or “Why did you do that?” or “This is a thing one should not do.” Such conduct will prove disagreeable to the king and may lead to dislike. However, when questions arise of wine or amusements, or of excursions out of doors, or of convivial gatherings, or of hunting or polo-playing and the like, it is permissible for courtiers to deal with them, for they are practised in these matters. …”

Como se percebe, o “cortesão é uma figura “histórica”. Nasceu nas sociedades de tipo monárquico ou feudal. (as tais que não tinham legitimidade democrática)
O cortesão frequentava as cortes ou os locais de reunião de figuras que eram consideradas poderosas ou que eram mesmo poderosas e  estes esperavam que o cortesão passasse imenso tempo em redor deles, apaparicando-os.

O pagamento que o cortesão obtinha era o “acesso a informação” e a prestígio, existia “ascendência no mérito”; baseada em quem era melhor cortesão; melhor apaparicador.

O cortesão representava ou deveria representar uma hierarquização social própria de sociedades antigas e obsoletas no seu processo político, sociedades baseadas na legitimidade não democrática e num sistema de sociedade primitivo e primário.

Como os cortesãos são relíquias de sociedades assentes na religião e na monarquia, formas obsoletas e autocráticas de governo, se estivermos numa sociedade moderna o mais natural é que as relíquias desapareçam.

Mas como as forças negras do totalitarismo já não conseguem vender monarquia e religião com a mesma capacidade comercial do antigamente, criaram os grupos organizados para defesa dos interesses desses grupos, as empresas, e como este “sistema é também autocrático, logo, faz ressurgir os cortesãos como figuras a existirem nesta sociedade.

As versões antigas originais dos courtiers são o equivalente moderno ao atual ambiente fétido, corrupto e putrefacto que circula ao redor, por cima, e por dentro da sociedade portuguesa e aos respetivos cortesãos recauchutados .

Os jornalistas, os políticos, os assessores,  da maioria dos professores universitários, dos meios de comunicação social e as relações de sexo oral de todos eles com o poder económico. Os leitores do Enclave perdoam por ter esquecido mais categorias profissionais. 5000 mil caracteres seriam poucos.

O Enclave é anti cortesãos.

O Enclave está com os cidadãos que recusem a subserviência.

A elite de poder mundial corrompe, a elite de poder portuguesa corrompe absolutamente…

As linhas de batalha estão traçadas.

“Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas.  The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.  Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus

Qualquer grupo de  primatas sociais, dispõe de um núcleo duro BANSKY - REUNIAO DA ELITE DE PODERde membros.Esse núcleo possui mais poder e recursos que os restantes membros da sociedade. Consequentemente, tem mais capacidade para influenciar terceiros ou para impedir ou permitir a entrada de terceiros nesse núcleo duro.

Manter indivíduos “aceitáveis” dentro do núcleo duro pode obedecer a várias estratégias diferenciadas, consoante se trate de um grupo de gorilas na selva ou de um conjunto de senhoras na Igreja.

Os gorilas fazem demonstrações de força bruta e intimidação para decidir quem está dentro do núcleo duro e quem não está. Intimidação, violência coberta ou disfarçada, subversão social e a pratica do ostracismo sobre os membros considerados inviáveis são os seus métodos.

BEATAS - PIERRE MARIVAUXAs senhoras na igreja fazem demonstrações de força utilizando a subtileza discriminatória e as falsas noções de ética e moral.

Através da aplicação do manobrismo social e da manipulação social do seu grupo combinadas com coscuvilhice odiosa e hipocrisia grandiosa condicionam e criam a definição artificial de quem está ” apto” a fazer parte do núcleo duro ou quem é inapto.

Existem duas vias, tal como definidas pela “corrente doutrinal” das senhoras na igreja, para se entrar para um núcleo duro.

A primeira via consiste em nascer dentro de uma família que já pertence ao circulo do núcleo duro e, acaso o rebento descendente não seja uma pessoa problemática será cooptado para entrar futuramente na instituição que interessa que entre, apenas e só porque nasceu dentro daquele núcleo.

SERVILISMO - PÉSA segunda via consiste em nascer fora do núcleo duro, mas poderá ser-se convidado a entrar ” vindo de fora” através  do exercício das inferiores artes da deferência cretina, da subserviência acrítica, dos atos de ser um” bom cortesão”, da ida ao encontro de todas as expectativas por mais absurdas elas sejam, ou dobrar a espinha conformando-se a todas as opiniões contrarias e decisões por mais absurdas elas possam ser.

(Existe uma terceira via, mas é falsa e não será aqui explicada.)

Quer se utilize qualquer uma das duas vias como exercício de auto desvalorização e humilhação subserviente, por vezes durante muitos anos, lá eventualmente os membros da elite sénior aceitarão tratar o candidato como membro da elite juvenil e os membros da elite juvenil trata-lo como um dos iguais (menos).

Use-se qualquer um dos métodos; poucos são os escolhidos para o núcleo duro, e muitos são os excluídos.

Nada nos dois métodos indica princípios de liberdade e de justiça.

As linhas de batalha estão traçadas.

"All media exist to invest our lives with artificial perceptions and arbitrary values."

“All media exist to invest our lives with artificial perceptions and arbitrary values.”

Em grupos de primatas sociais, a repetição temporal deste processo origina uma elite dentro de uma sociedade ou civilização.

Se uma instituição, qualquer ela seja, é relativamente nova, torna-se fácil para os recém entrados com más intenções manipular e intimidar os que já lá estão com o objectivo de pertencer ao núcleo duro e/ou definir quem doravante ai pertencerá.

Se é relativamente antiga e estabilizada torna-se muito mais difícil fazê-lo, porque  os membros que já lá estão usam filtros poderosos para impedir entradas exteriores classificadas como potencialmente subversivas.

E a ordem das coisas fica definida em pedra.

As linhas de batalha estão traçadas.

ampulhetaContudo, com a passagem do tempo, verifica-se que na instituição relativamente antiga e estabilizada, a palavra estável começa a mudar o sentido que antes lhe era atribuído, perde o significado original e o que antes era ” estável” torna-se agora um conjunto de outras coisas.

Numa definição de ” ética” algo livre parece poder afirmar-se que “ética” será a capacidade de distinguir o bem do mal.

Mas, na instituição relativamente estável, o decurso do tempo traz cortes fundos com as intenções benignas iniciais. A passagem dos anos ou séculos traz mais e mais quebras  éticas dos membros da instituição relativamente estável.

O comportamento destrutivo destes começa a tornar-se visível, a fachada moral começa a ser hipócrita e defensiva, e acima de tudo, falsa e perigosa,. decadente, arcaica, proteccionista, corrupta, com índices de maldade e opressão cada vez maiores.

Um conjunto de saltos éticos para baixo ocorreu com o laxismo e o fechar de olhos – primeiro – e com a conivência e aceitação – depois – e a passagem para um certo lado da trevas faz o seu aparecimento.

Os membros da instituição (anteriormente) estável começam, primeiro a tornar-se corruptos moralmente,fechando os olhos às próprias regras de entrada na instituição (já de si injustas e arbitrárias…), que antes defendiam. Agora vigora a total falta de princípios e a recusa das próprias regras pactuadas combinadas com o arcaísmo decadente e o proteccionismo do grupo podre dominante.

CORRUPÇÃO POLÍTICA EM GERALE levanta a sua feia cabeça o pior do pior: o ataque para com  os demais membros da sociedade e com índices de maldade e opressão cada vez maiores.

A  ética pessoal e institucional começa a quebrar-se, os valores sejam quais tenham sido tornam-se turvos e opacos, injustiças em grau pequeno depois progressivamente maior, ocorrem.

A norma é a corrupção de comportamentos.

Tudo para eles, nada para os restantes.

Este é o processo decalcado a uma micro escala do que numa situação mais à escala mundial, nações mais poderosas fazem .

Nos estados unidos, o actual pináculo desta forma corrupta de se fazerem as coisas, as universidades são o topo desta ultima forma de promoção da corrupção social e do enviesamento da pirâmide social, política e económica.

Os rebentos mimados, agressivos e que julgam que o mundo começou no dia em que nasceram, oriundos dos ricos e poderosos aparecem saltitantes nas respectivas para cumprirem 4 anos de um mero pró-forma, um ritual de mérito encenado.

Só se forem extremamente imbecis é que irão falhar, o que, dado o facto de estas classes sociais terem tendência a casar entre si – endogámicas – não é uma possibilidade a excluir de todo.

Mas, endogamia controlada com comprimidos aparte, na maior parte das vezes, para evitar que falhem lá surge um rico e generoso cheque do paizinho ou da família, que paga a renovação, ou a construção de uma nova ala da Universidade, ou um auditório ou um novo parque desportivo, o que faz com que os competentes professores da dita Universidade fechem os olhos aos retardados preguiçosos filhos de ricos e aceitem passar as amibas com classificações  suficientemente elevadas para dar a impressão que são competentes e podem assim chegar aos conselhos de administração das grandes empresas americanas…ou das do papá que assinou o cheque da doação.

As linhas de batalha estão traçadas.

O objectivo deles: promover  " isto" e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção "disto".

O objectivo deles: promover ” isto” e a instabilidade pessoal e profissional que decorre da promoção “disto”.

E em Portugal?

Estamos a chegar lá.

Os retardados filhos de milionários ou aspirantes a chegar ao núcleo duro de membros da sociedade com capacidade para corromper mais e pior já tem o seu ninho em pré funcionamento.

Bens públicos são passados para segundo plano para permitir aos empreendedores da corrupção um novo brinquedo académico para apenas e só alguns.

A promoção da ideologia de cascais é apresentada como investimento na educação.

Em Portugal, um merceeiro mecenas oportunista e anti democrático faz o papel de paizinho académico de novas gerações de subservientes que aspiram a ser reconhecidos ilegitimamente (quer os da via um acima descrita, quer os da via dois).

Quanto ao cidadão… esse está a ser manipulado e ridicularizado por tais tácticas e continuará nesta posição até ter a honestidade de admitir a si mesmo qual a sua realidade pessoal e ganhar a coragem para fazer algo.”

A separação da podridão deve ser cultivada pela população de forma intensa.

Eles estão podres e estão a sujar o chão. Recusamos que nos sujem o chão.

O Enclave diz não.

A Irmandade de Némesis diz não.

As linhas de batalha estão traçadas.

A elite de poder como uma doença irritante e destrutiva

A ” elite de poder” é uma doença das piores estirpes de vírus e bactérias.

É contagiosa e contamina o resto da população com as suas doenças e as suas manias psicopatas.

Pessoas pouco informadas afirmam que a “elite de poder” passa os dias apenas em genuflexão nos seus condomínios fechados, ocupada a dar ordens venais a lacaios políticos ou pessoais, ou a gerir a multifacetada vida sexual cheia de vícios privados e virtudes publicas, ou sendo glutona na obtenção de mais poder e dinheiro.

Claro que não.

A “elite de poder”, também faz “desporto”.

A” elite de poder” esforça-se. A” elite de poder” arfa e faz força. A “elite de poder enche o peito de oxigénio.

A hubris da ” elite de poder” manifesta-se.

HUBRIS - CEREBRO - HALTERESOs exercícios diários de desporto com componentes aeróbicas corruptas da ” elite de poder” são os atos que a ” elite de poder” tem em relação à população da qual depende,as manifestações de profundo desprezo, ódio, a sua aversão em relação as pessoas. Ao mero facto de as pessoas existirem…

Odeiam a população e desejariam poder mudar de população apenas pelo efeito de um simples ” estalar de dedos”.

Lamentavelmente, para  a “elite de poder”, um simples ” estalar de dedos” não faz a população desaparecer ou moldar-se totalmente de acordo com as necessidades corruptas e ilegítimas da ” elite de poder”.

Como não consegue satisfazer os seus caprichos e ” estalar os dedos” para erradicar a população são usadas armas de sabotagem, tais como a traição e a corrupção como forma privilegiada de relacionamento da “elite de poder” com a população.

A elite de poder vive da traição como forma de estar. Da quebra de palavra.Da quebra dos actos. Da quebra de contratos privados, públicos ou sociais. Da quebra de quaisquer regras, que foram acordados entre todos os membros da sociedade.

[ Nas suas ilhas de estabilidade social e económica as elites chegam mesmo a acreditar que esta divisão fortalece o seu poder ao tornar os cidadãos mais indefesos e isolados mas esquecem-se de um facto muito simples: o caos não descrimina, infiltra-se lentamente, destrói todas as bases e cria possibilidades e situações que nunca fizeram parte das intenções originais. As elites vivem na ilusão que conseguem domar o dragão do caos, um acto de suprema arrogância e vaidade.]

DARK KNIGHT - CAOS - MEDO-ANARQUIAÉ o momento ” anarquia” estúpida e egoísta da ” elite de poder”.

Misturam o pior do Estalinismo mais abjecto com o pior do nacionalismo-canibalismo Idi Amin, com o pior do nazismo-fascismo com o pior da monarquia-inquisição.

Um cocktail de sabotagem e perversão.

Quanto mais cedo reconhecermos a existência desta doença à solta, melhor para nos defendermos.

TRAICAO - CERVANTES

É muito frequente que os membros desta “ elite de poder” mintam apenas pelo prazer que sentem a mentir, quando estão em funções públicas ou privadas.

É uma segunda pele que passa a primeira pele,mal o verniz estala.

Ofende-os descobrirem que existem funções mais nobres do que eles próprios – por exemplo, a defesa dos ideais da Polis.
A nobreza das funções associada à defesa da “Polis” constitui para esta gente uma ofensa mortal, porque não toleram que exista algo mais nobre e puro do que o que esta “elite de poder” julga erradamente ser.

Para esta gente uma ideia como esta – a defesa da Polis  – significa sempre a quebra do pacto elites-povo.

Temos aqui que ser justos na apreciação global que deve ser feitas a estes psicopatas atrasados mentais: para esta gente qualquer ideal que não passe pela defesa dos interesses ilegítimos, corruptos e venais próprios da ” elite de poder” deve ser traído, quebrado, destruído.

A traição feita aos ideais da Polis é a mesma que é feita a quaisquer outros ideais.

Usam os padrões do discurso duplo. Do pensamento duplo.
Nego categoricamente! Irá acontecer dentro em breve.

Iremos promover a paz! A guerra irá continuar por outros meios.

Somos a favor desta política! Somos contra e iremos subverter e destruir o máximo que pudermos.

Tudo para eles, política de terra queimada para os demais.

Depois de a " elite de poder" actuar, o resultado são apenas escombros e desolação. Nada criativo emerge.

Depois de a ” elite de poder” actuar, o resultado são apenas escombros e desolação. Nada criativo emerge.

Mentir, mudar de lealdades, a incapacidade de produzir pensamento normal (assim considerado pela sociedade…ou nem sequer assim considerado pela sociedade) ou estratégico que não emane das instruções de um qualquer poder exterior (sejam as potências europeias ou mundiais, sejam rótulos de produtos à venda no supermercado) são os sinais que estas criaturas demonstram quando estão a corromper o resto da sociedade.

As consequências são obvias.

Dada a obvia incapacidade de produzir qualquer pensamento estratégico que seja temporalmente superior a um horizonte de algumas semanas ou meses, ou que seja eticamente superior ao mero plano da acumulação de riquezas materiais ou de maior acumulação de poder simbólico; esta “elite de poder” apenas está vocacionada para a destruição de oportunidades conjunturais ou estratégicas que possam surgir.

CORRUPÇÃO POLÍTICA EM GERALOlhando especificamente para a auto nomeada elite de poder portuguesa a mancha é ainda pior.

Odeiam o futuro e a modernidade.

Sejam quais forem os conceitos e as definições de futuro ou de modernidade.

Despreza qualquer legado que se deixe para os vindouros (exceto para os seus familiares e amigos…) ; e-lhe indiferente que a população, o povo do qual dependem, esteja bem ou mal, possa vir a ficar bem ou mal; e-lhe indiferente o estado do país daqui a 150 anos, tal como lhe era indiferente o estado do país à 150 anos atrás (ou 200, ou 1000 anso atrás…), quando olhava em frente para o futuro.

Apenas pensam “ nos seus” e apenas pensam o curto prazo.
Nada mais sabem que isso.

E usam a violência sobre todos os outros , não por “raison d`etrê” ou por “raison de etat” mas simplesmente como forma de humilhação e de degradação. (A elite de poder portuguesa, é incapaz de formular uma teoria de razão de estado que possua uma qualquer lógica conjuntural, por mais detestável seja, ou com ela não se concorde e que até seja usada para justificar o uso de violência por parte do Estado, por exemplo. Não! Nem isso são capazes de fazer.)

São “apenas” aleatoriamente violentos e perigosos.

Estamos interessados, enquanto comunidade, em coexistir com um grupo de pessoas selvagens, debaixo de uma capa de verniz civilizado, que esconde os maiores psicopatas e sociopatas e que detém alavancas de poder que, quando usadas, são extremamente perigosas para a generalidade da população?

Estamos interessados em permitir, enquanto comunidade, que um grupelho sociopata e corrupto se espalhe por varias classes sociais e profissionais fomentando a destruição de recursos e a corrupção ética dentro da sociedade?

Estamos interessados em permitir que formas insidiosas e subversivas de controlo sobre os recursos comuns, disfarçadas de eficiência empresarial, apenas sirvam como arma política de controlo para restringir liberdades, possibilidades, mobilidade social, evolução da população?

O Enclave diz não.

A Irmandade de Némesis diz não.

Moral, religião e milionários

Os leitores mais habituais irão provavelmente estranhar que se aborde este tema aqui mas há alturas em que temos mesmo que dizer alguma coisa sobre o que se passa. O tema é a religião e o acontecimento em debate é a atribuição do prémio “fé e liberdade” ao empresário Elíseo Alexandre Soares dos Santos (o sr. Pingo Doce para os mais distraídos). Obviamente que de um prémio atribuído pela Universidade Católica não se espera muito, a mesma repetição de reaccionarismo social combinado o mantra dos “mercados livres” (como se tal coisa pudesse existir), mas de qualquer forma às vezes pode-se ir demasiado longe, especialmente quando se tenta passar a ideia que este tipo de comportamento é compatível com qualquer tipo de princípio religioso. Vamos rever a situação: na opinião da Igreja Católica (através dos seus representantes universitários) a personalidade que melhor encarna os princípios de Cristo e da liberdade é um empresário famoso apenas pela sua enorme fortuna pessoal e o facto de apesar de ter feito a sua fortuna em Portugal ter escolhido pagar os seus impostos na Holanda. É de facto de ficar pasmo porque nem sabemos por onde começar a atacar este absurdo.

Não se pense que está em "má" companhia, a Holanda é um destino muito popular para os que se sentem... "desafiados"... pelos impostos nos seus países

Não se pense que está em “má” companhia, a Holanda é um destino muito popular para os que se sentem… “desafiados”… pelos impostos nos seus países

Comecemos pelo básico, a figura de Jesus. Que terá vindo a este mundo numa missão de reposição de esperança e de um sentido de justiça. Os oprimidos conhecerão a liberdade, os pobres saberão o que é a fartura e os excluídos serão glorificados – “E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir” [Lucas 6:20-21]. Como é que deste ponto se consegue passar à adoração de milionários sem grandes preocupações sociais aparentes? A resposta é: não se consegue! (“E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus” [Mateus 19:24])

Money is the God of our time and Rothschild is his prophetOs leitores estarão certamente a pensar “Mas Harmódio, em boa verdade o Cristianismo sempre se portou desta forma, aliou-se ao poder e ao ouro até ser indistinguível destes”. Sim é verdade que o Cristianismo institucional se colou desde muito cedo aos poderes instituídos, não há como negar essa evidência. Mas, também é igualmente verdade que a história das instituições, e a doutrina por elas criada, não resume adequadamente a complexidade deste movimento religioso. A contestação desta versão oficial e institucional de um Cristianismo de poder tem-se feito ao longo dos séculos de forma local, com grande custo pessoal para os envolvidos, tendo muitas vezes sido suprimida. Ou seja, dentro deste movimento religioso tem-se desenrolado uma longa, e sangrenta, guerra civil. De um lado os pregadores oficiais que exaltam a união entre o secular e o espiritual de forma a proteger o seu prestígio, posição e afluência e do outro os que entendem que legitimação da opressão, injustiça, pobreza e exclusão são inadmissíveis numa religião, teoricamente, dedicada à sua erradicação.

"Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. " - Walter Scott

“Embora percamos todos os bens, conservemos imaculada a honra. ” – Walter Scott

Não é chocante que esta atribuição já tenha criado algum mal-estar entre as hostes católicas que questionam que fé e que liberdade é que estão a ser premiadas aqui. Já vem tarde e é algo tímido mas, dado o conservadorismo e anacronismo do catolicismo português, talvez não seja de estranhar que seja apenas um meio protesto em vez de uma indignação plena. No coração desta disputa parece claro que mais uma vez temos uma oposição entre duas realidades muito diferentes e que raramente comunicam de forma aberta. De um lado as elites religiosas (da hierarquia ou laicas) e do outro a vivência popular da religião que sabiamente se alheia dos subterfúgios e eufemismos que o institucionalismo usa para poder sobreviver às suas próprias incoerências. Como alguém alheio à igreja católica não posso pronunciar-me de forma absoluta sobre a justiça desta nomeação. No entanto, enquanto observador atento do panorama religioso e cívico português, devo insistir que estas iniciativas deixem de ser apelidadas de cristãs já que não são em nada fiéis ao verdadeiro espirito. Mais que isso, estes eventos indicam-nos claramente que, ao contrário do que nos é dito desde 1926, o campo da produção religiosa é também ele palco de combates de uma determinada elite no sentido de dominar as interpretações a que as massas podem aceder.

A elite de poder como cancro que promove a corrupção ética

A elite de poder portuguesa criou e organizou um sistema político, social, económico e psicológico aberrante.

Séculos desta aberração caótica tem sido enfiados pelas gargantas dos portugueses, usando para isso os mais variados regimes políticos e sociais.

Todos tem falhado.

Clamorosamente e com estrondo.

Ao longo desta linha temporal civilizacional aberrante existem, pelo menos, duas coisas aberrantes e constantes.

Uma, as falhas sistemáticas e repetitivas de todos os modelos que tem sido experimentados, com os constantes ressaltos em termos de humilhação e degradação (custos psicológicos e monetários destas falhas que são sempre enviados para a população pagar), sendo as falhas constantes destes modelos devidamente e corruptamente apoiadas pelos atores económicos e sociais presentes no terreno.(a culpa própria destes é sempre desvalorizada ou convenientemente esquecida)

Outra, a omnipresença dentro do sistema social, económico, político e psicológico português de uma ” elite de poder”, parasita, decadente, maldosa, arrogante, incapaz,  perigosa para si própria e para a população e que criou um sistema em que se auto transforma em inimputável perante terceiros (a população).

CORRUPÇÃO POLÍTICA EM GERAL

Este sistema, apesar de profundamente corrompido e absurdo, tem objectivos.

Um dos principais consiste em fazer jorrar de forma ininterrupta, para os membros da elite de poder, e respectivos associados e famílias, beneficios ilegítimos e amorais e amplificar a partir dessa base, o enorme poder que já possuem.

Contudo, nos tempos actuais, entre as duas ultimas décadas do século 20 e o principio do século 21, a ” elite de poder” entrou em depressão psicológica. Sentia-se profundamente oprimida e injustiçada com o grau de beneficios ilegítimos e amorais de que se apropriou indevidamente e amoralmente.

Acha pouco.

Decidiu aperfeiçoar o processo.

elite de poder em confabulação

Simpósio cultural do século passado onde foi decidido pela elite de poder concessionar aos serventuários a tarefa de corromper mais ainda a população – imagens inclusivas Enclave

Chocada e profundamente emocionada por descobrir que ” as massas” estão a agitar-se e recusam perceber qual a razão de ser que justifique serem atribuídos beneficios ilegítimos e amorais à “elite de poder”, decidiu mostrar de forma mais abrangente a sua reacção ao problema.

Passaria a ser considerado necessário que as massas ignaras e mal agradecidas “olhassem” para a realidade com as mesmas lentes que a ” elite de poder”.

Para executar de forma plena, esta javardice social, económica, política e moral; concessiona à pequena legião de serventuários corruptos e amorais que a servem, uma missão a cumprir.

Subverter.

Os pulhas contratados deveriam, por todas a formas possíveis, procurar induzir na restante população, ignara e mal agradecida, os próprios vícios que a ” elite de poder” tem ( para as massas passará a ser vendida corrupção Low-Tech… e em ambientes controlados…)

Os serventuários rastejantes e degradados, procurando agradar aos amos e senhores, (para serem pagos em corrupção de média qualidade, futuramente…) tem trabalhado com denodo e afinco.

SERVILISMO - PÉS

As cortinas tem sido abertas e entra a corrupção ética, moral, pessoal, entra o suborno social e pessoal, a omissão, a mentira, o logro, a decepção, entra o cinismo e a hipocrisia, a crueldade social, a destruição da capacidade critica, a destruição da dignidade, a humilhação como forma de comportamento das pessoas umas para com as outras, a hierarquização artificial de comportamentos na sociedade e no mundo do trabalho, entre muitas outras características detestáveis que a elite de poder mandou impor.

Os estragos observam-se, quer na forma material, quer simbolicamente.

O axioma é simples: se a “elite de poder” é profundamente corrupta, em todas as dimensões, então as massas ignaras devem se-lo tambem.

servilismo - TerencioPara a “elite de poder” o seu próprio comportamento é que é o ” comportamento brilhante e civilizado”. A porcaria que emana da ” elite de poder” é sempre considerada estrume de alta qualidade e baixo cheiro.

A arrogância e o orgulho desproporcional desta ” elite de poder” faz o resto: é necessário despejar para cima da população o seu próprio comportamento devidamente publicitado e vendido como ” modelo a seguir”

Se a população recusar ou não perceber, ou se aceitar, mas for incompetente a mimetizar o comportamento da elite de poder, há que aumentar o condicionamento para a fazer aceitar, quer queira quer não queira.

É o momento “marxista igualitário” da “elite de poder”.

Disseminar em todos os estratos da sociedade a corrupção ética (entre outras formas) mas, nas classes consideradas mais baixas a corrupção será sempre mais nivelada por baixo e tenderá sempre a servir os propósitos totalitários e os esquemas mentais da “elite de poder”.(para as classes mais altas em termos financeiros, fica guardada a corrupção de idêntico baixo nível ético, mas altos proveitos financeiros e maximização de poder…)

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

A elite de poder gosta do Facebook. Muitos dos serventuários (Minions) corrompem aqui.

Os sequazes ao serviço da elite de poder, regra geral começam pela incitação social, coberta ou declarada, … das novas ” boas novas a serem seguidas…

Após incitamento conseguido, promove-se activamente condições subjectivas e objectivas para que estes segmentos de população (a maioria das pessoas) produza e viva (dentro de…) corrupção ética de baixa qualidade especificamente criada e incentivada para ser disseminada por esse tipo de população.

Estas técnicas subversivas e destrutivas de recursos físicos, materiais e éticos foram intensificadas e atacam a população, a sua dignidade e os seus princípios.

Incentivam a que a população ignore ou seja insensível á existência e propagação de maldade social. Que isto passe a ser um “adquirido” da comunidade tal como os frigoríficos ou os telefones. Que tudo seja a mesma coisa…

Da aceitação da maldade social e económica, como um bem a preservar, a defender, a usar por todos.

Esta indução de degradação nas classes sociais consideradas “mais baixas” visa assegurar à “elite de poder” totais beneficios para si própria e para os associados, família e serventuários, bem como promove a não existência de revoltas éticas na população.

As classes consideradas ” baixas ” estão ocupadas, demasiado ocupadas a serem convencidas a auto corromperem-se e a lutarem dentro de si, por nada.

Corrompem para manchar a população e pré condiciona-la. ( Verdade seja dita, que muita da população também se presta a esta figura ou nem percebe..)

CORRUPÇÃO - LADISLAU DOWBORO logro é obvio.

Se “somos todos corruptos”, a legitimidade de quem não o quer ser ou não o procura ser é minada.

A legitimidade de quem não o quer ser ou não o procura ser, mas é-o em pequeno grau (por coacção social, politica, económica, legal contra si exercida.. por incapacidade de lutar contra ) surge assim manchada.

Assim se procedeu a uma politica de institucionalização ” extra oficial” da corrupção, da quebra ética, do ataque a princípios democráticos e humanistas.

Qual é mesmo o preço que estamos dispostos a pagar, enquanto comunidade, por deixarmos as coisas estarem como estão ou eventualmente piorarem?

Estamos mesmo na disposição de viver dentro de medo constante, por causa dos movimentos hostis e parasitas de uma elite de poder como esta?

Toleramos estas aberrações que nos foram enviadas e se fazem passar por uma elite de poder que nada mais fazem que destruir recursos?

O Enclave diz não.

A Irmandade de Némesis diz não.

Desistir de pensar

Socialmente existe uma hierarquia de valores não oficial que rege a esmagadora maioria das pessoas. É silenciosa. Não aparece num decreto ministerial a preto e branco. Não nos é sequer imposta no sentido clássico de termo – usando as definições de Isaiah Berlim a nossa “liberdade negativa” é respeitada, ou seja, estamos livres de coacção directa – isto vale o que vale, como o próprio Berlim demonstrou pela falta de escrúpulos que usou na supressão indirecta do trabalho de rivais académicos e pessoais. Mas é omnipresente. Na era do homo economicus não será com certeza de estranhar que essa hierarquia seja de natureza económica. No topo da hierarquia estão sem dúvidas as actividades que, pelo menos potencialmente, se traduzem num ganho. Algures entre o meio e o topo teremos aquelas que apesar de não se traduzirem num ganho monetário valorizam socialmente ou representam a procura de prazer. Na base encontraremos aquelas funções, tarefas e valores que se traduzem num esforço por parte do individuo mas que não lhe acrescentam nada ao seu património nem melhoram o seu status social. Entre este grupo estará sem dúvida a reflexão, o nexo das nossas escolhas éticas. Este é possivelmente um dos riscos mais subavaliados pelas nossas sociedades modernas. O desistir de pensar. O predomínio do pensamento de curto prazo e contabilístico exclui, com o passar do tempo, o acto de pensar de quase todas as esferas que antes eram naturalmente suas. As questões referentes ao trabalho passam a ser ou um jogo de somas ou, na maior parte dos casos, uma necessidade de submissão que embrutece o sujeito. As escolhas sociais que reflectem a forma como nos vemos uns aos outros (e por extensão natural como nos vemos a nós próprios) passam a obedecer a um estrito critério de utilidade ditado por uma ordem tecnocrática difusa a cujos parâmetros as pessoas inconscientemente foram aderindo, abandonando a hipótese de formularem elas próprias julgamentos livres e claros sobre a condição humana. Até as questões referentes às escolhas políticas passam mais uma vez também a ter como referencial único e exclusivo o económico ou monetário devido ao vício do pensamento e à incessante propaganda do que em tempos medievais seria denominado o topo do “Terceiro Estado”, aqueles que produzem.

"Multiplicaste os teus negociantes, mais do que as estrelas do céu; a locusta se espalhará, e voará" [Naúm 3:16 - Os delitos de Nínive: a sua ruína inevitável]

“Multiplicaste os teus negociantes, mais do que as estrelas do céu; a locusta se espalhará, e voará” [Naúm 3:16 – Os delitos de Nínive: a sua ruína inevitável]

Este pensamento que é perdido torna-nos a todos mais frágeis em termos humanos e intelectuais (e para os que estão predispostos a aceitar esse principio: até espiritualmente) à medida que o conjunto de ideias a que podemos recorrer, as combinações que somos capazes de estabelecer e as inovações que conseguimos acrescentar diminuem a pique. Até a própria filosofia se foi deformando sobre o seu efeito, ganhando falsa complexidade nos corredores da academia e perdendo significado até se transformar no que é no presente: quase uma relíquia académica cuja actividade consiste em dar algum apoio teórico à “técnica”. Caímos longe do amor ao conhecimento e da ideia que a filosofia é algo universal aplicável às nossas vidas. O quadro de referência predominante é um de ganho pessoal e produtividade e, ao longo de muitas décadas (ou mais se quisermos ser exactos séculos), foi-se expandindo ao ponto de não deixar quase uma única área fora da sua influência. Forma uma espécie de teoria unificadora do comportamento humano mas apenas por rejeitar todas as outras opções e não por conseguir englobar todas as possibilidades. De certa forma fomos levados uma espécie de “banalidade do mal”, como escreveu Hannah Arendt, mas por caminhos diferentes do totalitarismo fascista. A banalidade do mal define-se pela sua mediocridade, pela sua afirmação que pensar se tornou redundante, desnecessário e talvez até nocivo. Seguem-se ordens no caso fascista e no nosso caso consumista faz-se o que todos fazem ou que esperam que façamos. Em qualquer dos casos obedece-se, mais que tudo quer-se aceitação na ordem das coisas. De uma forma que só por descrita como irónica a sociedade da produção e do individualismo está a legar-nos um mundo crescentemente conformista e uniforme como as sociedades ditas soviéticas nunca esperaram alcançar nos seus dias mais ambiciosos. Esqueçam as roupas iguais teremos mentes iguais.

“The trouble with Eichmann was precisely that so many were like him, and that the many were neither perverted nor sadistic, that they were, and still are, terribly and terrifyingly normal. From the viewpoint of our legal institutions and of our moral standards of judgment, this normality was much more terrifying than all the atrocities put together.” - Hannah Arendt [Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil]

“The trouble with Eichmann was precisely that so many were like him, and that the many were neither perverted nor sadistic, that they were, and still are, terribly and terrifyingly normal. From the viewpoint of our legal institutions and of our moral standards of judgment, this normality was much more terrifying than all the atrocities put together.” – Hannah Arendt [Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil]

Não se levanta o espectro da banalidade do mal levianamente. Já que como Eichmann dizia apenas cumprir ordens e que o seu juramento de obediência quer às SS quer ao Fuhrer pressuponha que qualquer análise do conteúdo das suas ordens seria não só inútil como pernicioso também o burocrata moderno, público e privado, adoptou esta estranha forma de vida como modo de estar em sociedade. O cidadão que, como está na moda, “apenas vive o momento”, sem nunca considerar o porquê das suas escolhas. Quem estará ele a validar? A quem entrega o seu poder? Qual o preço do seu isolamento? A nada sabe responder, apenas age como é esperado, anseia apenas por cumprir as metas que outros definiram para si. O economista que atinge os números pretendidos ignorando os estragos humanos que causa usando apenas a expressão “não se pode fazer uma omelete sem partir ovos”. O executivo que aumenta a sua margem de lucro através da destruição de bens públicos, sabendo à partida estar a excluir um enorme número de pessoas de serviços básicos (“se nós não fizéssemos alguém o faria”). O político que se serve a si próprio deixando um rasto de devastação por onde passa (“todos se servem, é como as coisas funcionam”). Todos são o mal ao aceitarem de uma forma ou de outra o papel de carrascos de pessoas livres de qualquer culpa e sem possibilidade de defesa. Todos são medíocres na sua recusa em aceitarem que são sequer seres pensantes ou sequer na sua intenção de negarem seja o que for a outros. Na sua visão são apenas agentes, quase inanimados, que se regem por leis quase físicas que os obrigaram a comportar-se de determinada forma. Na sua mente isto exclui qualquer noção de culpabilidade e como tal permite manter uma noção de normalidade. Ao fim de um dia em que podem ser responsáveis por miséria, sofrimento e morte vão para casa, para com as famílias (que os glorificam pela sua posição social) ter serões normais sem nunca dispensar um segundo pensamento às suas vítimas.