De pisistratus a Marcelo Rebelo de Sousa, o populismo expande-se…

Pisistratus (607 A.C – 528 B.C) é considerado pelos politólogos (os actuais demagogos oficializados e legitimados pela academia…) como o maior e primeiro demagogo populista na história Ocidental. (Dizem os rotos ao nú porque não te vestes tu…)

No currículo de  Pisistratus contam-se ter governado como tirano apoiado entusiasticamente pelas massas somente 3 vezes, ter-se tornado o líder do povo das terras altas (os rurais; pobres e excluídos daqueles tempos…), de ter orquestrado um golpe de estado fingindo ter sido atacado, exigindo posteriormente guarda costas, escolhendo-os das fileiras dos membros das terras altas e usando-os para entrar em Atenas e tornar-se tirano.

Após ter criado esta “startup” bélica revolucionária, e após já ter sido deposto também entrou de carruagem em Atenas com uma mulher alta vestida de deusa Athena.

Pisistratus notou que fingir-se um membro do povo e fazer gestos simbólicos e populares de identificação com o povo parecia dar resultado.

Em Portugal, pais prolífico na produção de demagogos, populistas e demais aves de arribação estes surgem em todas as cores e formatos e cheiram todos mal. Há mesmo uma industria local que já pediu certificação comunitária…

Recentemente, tem emergido um chamado Marcelo Rebelo de Sousa. Emergiu embora tenha estado a marinar ao longo de 3 decadas.

É o actual Presidente da República.

Está em funcionamento 24 horas por dia e localmente tem muito sucesso. Os conselheiros desta bateria humana mesclaram um arlequim com um sapo saltitante de nenúfar em nenúfar e adicionaram o software “picareta falante”. O resultado é um boomerang humano viajante incansável que nunca se cala nem debaixo de agua emitindo opiniões sobre tudo.

Retrospectivamente este retórico prolífico descobriu em inicio de carreira que ser filho de um ministro do Estado Novo (“Estado novo” é a expressão em português suave para não dizer a palavra “Ditadura” que era o que aquilo de facto era…) e obter as correspondentes facilidades (saltar o serviço militar obrigatório em tempo de guerra para ir fazer uma licenciatura em direito e posteriormente um mestrado…) não o impediam de se tentar identificar com ” o povo”.

Com estas vantagens e com o conhecimento das ter tornou-se professor de direito numa época em que eles eram rarefeitos e raros (a exclusividade monopolista de uma casta profissional seja ela qual for traz vantagens…) e posteriormente jurisconsulto ou seja, um dos mestres definidores do que é a interpretação da lei a ser seguida e do que não é.

Também tirou um curso em “multitarefas”. Foi jornalista, chefe de partido político, administrador de casas ducais (Irónico: um Presidente da República é adepto da instauração de um regime que é em tudo oposto à Democracia/República…).

Teve ainda tempo para ser amigo de banqueiros posteriormente acusados de corrupção e comentador televisivo de futebol, física quântica, hortofloricultura e mais 300 ou 1000 actividades comentando tudo e nada, sendo especializado em nada e comentando tudo.

200 milhões de euros (a preços actuais) é o preço para manter em funções este boomerang arlequim saltitante durante os próximos 10 anos.

As vozes da situação justificam retoricamente os gastos deste cargo com a frase: “a democracia tem custos”. De facto tem, mas existem custos democráticos justificados e custos democráticos injustificados e a existência deste cargo prova-o.

Esta auto nomeada nova “voz do povo” gasta 20 milhões de euros por ano em beijos ao vivo nas várias festas pelo país. (Velhos,novos,crianças, animais de estimação ninguém escapa impune…)

Gastrônomo e escanção amador oferece comida a sem-abrigo apenas no dia em que lá vai (nos outros dias não se sabe…), deglute ginginhas e bebidas regionais ou degusta bolos típicos e atípicos de uma qualquer terra saloia nas suas peregrinações. Nos intervalos vai  à bola, ao teatro, às greves, às manifestações bombardeando tudo o que se mexe com opiniões e afectos em pacote, por comprimidos, por injecção intravenosa.

É fútil tentar escapar.

Pisistratus, o inseminador original do  populismo, fazia campanha como herói triunfante, apesar de apenas ter lutado numa batalha, a conquista de Salamis.

Numa campanha eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa tomou banho no Tejo, e conduziu um táxi por Lisboa – tarefas bastantes mais perigosas que a participação na batalha de Salamis.

Armado com a confiança desses dois feitos, sozinho e desarmado, fala como se tivesse saneado as contas publicas, apagado os incêndios, imposto a democracia no mundo, convencido a Nasa a enviar uma missão a Marte, chacinado a fome em Africa e demais fantasias.

Este é um dos enormes problemas do cargo “Presidente da Republica”, cuja configuração constitucional está errada, é desnecessária, leva a que os ocupantes do cargo se pretendam substituir aos governos eleitos.

Tarefa que não lhes compete, nunca lhes competiu, nem lhes irá competir fazer.

No caso presente temos um ocupante do cargo viciado em se substituir aos governos eleitos.

Todas as gerações de demagogos populistas fingiram demonstrar sentir empatia para com os sofrimentos dos excluídos  da sociedade. Esta empatia falsificada e ensaiada visa obter o voto em eleições, pretende o aplauso canino dos seguidores subservientes, deseja a aclamação por unanimidade.

Estes redentores feitos de plástico colocam-se “ao lado do povo” e pretendem denunciar  os males infligidos pelas classes privilegiadas – sendo eles próprios membros de classe privilegiada.

Um populista apela à condescendência da população para construir uma aura. Onde existem problemas ele surge com a sua capa de super herói e denuncia os males. Com um sorriso, larga um palpite, manda um recado, despeja um pouco de veneno político, condiciona com uma pose, demonstra ser ” diferente” quando quebra o protocolo.

O mediano populista é um narciso que perdeu o espelho para onde olhava apaixonado por si próprio.

O povo simples (e simplista) e a elite corrupta (endogamia) são os campos de batalha decididos pelo demagogo, o tal que fala directamente com o povo – assim ele o julga. Fala nada dizendo.

Preocupado com fantasias de poder, mas inseguro, quer ser o funcionário modelo da empresa Portugal S.A. Sentido-se especial e uma dádiva divina ao país exige admiração de todos, que todos saibam quem é e a suas aparições flash tem como efeito fazer dele o centro das atenções.

Só substancia, nenhuma essência.

Exige admiração dos outros e sente “estar no seu direito” aproveitar-se dos outros para benefício próprio.

A solução é simples.

Não apoiar o populista e não votar nele.

Anúncios

E ficaram 27

Apesar das pressões de última hora que foram colocadas sobre os cidadãos do Reino Unido o resultado do referendo sobre a sua permanência na União Europeia foi um “não”. As elites locais mediram muito mal o grau de agastamento das populações, daqueles que há pelo menos duas décadas têm visto as suas vidas piorar de ano para ano. A segurança laboral foi-se, os salários reais fora do sector financeiro encontram-se estagnados ou em baixa, o acesso à habitação nas grandes áreas metropolitanas é quase impossível, a educação superior tornou-se um luxo incomportável para muitas famílias e o sentimento de estarem abandonados dentro da sua própria comunidade tornou-se insuportável para muitos. E tudo isto pesou no voto. Pode-se argumentar que muitas destas questões derivam de como as autoridades nacionais e locais lidaram com as situações e que não reflectem qualquer má fé por parte da União Europeia. E em parte teriam razão. Mas apenas em parte. A lógica de especialização que está subjacente à globalização e em especial à organização económica da União Europeia quando não precipitou grande parte destes problemas pelo menos acelerou-os. Não se pode dentro de uma mesma unidade nacional manter duas realidades sociais paralelas em oposição – a das elites em que tudo é reluzente, há luxo, cuidados de saúde de primeira qualidade e acesso a tudo o que se possa desejar e a da maioria que é cada vez mais esquálida, decadente e excluída. A Europa tem sido surda aos dois mundos que estava a criar em cada país e pagou um preço por isso.

"Governments, if they endure, always tend increasingly toward aristocratic forms. No government in history has been known to evade this pattern. And as the aristocracy develops, government tends more and more to act exclusively in the interests of the ruling class -- whether that class be hereditary royalty, oligarchs of financial empires, or entrenched bureaucracy" - Frank Herbert

“Governments, if they endure, always tend increasingly toward aristocratic forms. No government in history has been known to evade this pattern. And as the aristocracy develops, government tends more and more to act exclusively in the interests of the ruling class — whether that class be hereditary royalty, oligarchs of financial empires, or entrenched bureaucracy” – Frank Herbert

E agora? Agora vamos caminhar para um caminho de cada vez maior tensão entre os dois polos de poder restantes no Continente. Uma França enfraquecida por imposições de um modelo económico que é estranho ao seu tecido social contra uma Alemanha hegemónica que quer secundarizar toda a Europa Ocidental e centrar-se nos seus protectorados orientais. Não há competição. Estamos perante o dilema para o qual a Irmandade de Némesis tem vindo a avisar há já algum tempo: ou teremos uma GrossDeutschland de realpolitik e esmagamento de toda a periferia Europeia ou iremos assistir ao colapso do todo o projecto Europeu à medida que mais membros saírem de livre vontade ou forçados pelas circunstâncias.

"I am not a man who believes that we Germans bled and conquered thirty years ago...in order to be pushed to one side when great international decisions call to be made. If that were to happen, the place of Germany as a world power would be gone for ever, and I am not prepared to let that happen. It is my duty and privilege to employ to this end without hesitation the most appropriate and, if need be, the sharper methods. " - Kaiser Guilherme II

“I am not a man who believes that we Germans bled and conquered thirty years ago…in order to be pushed to one side when great international decisions call to be made. If that were to happen, the place of Germany as a world power would be gone for ever, and I am not prepared to let that happen. It is my duty and privilege to employ to this end without hesitation the most appropriate and, if need be, the sharper methods. ” – Kaiser Guilherme II

É preciso ter noção que o jogo de poder a nível continental mudou a vários níveis. Em primeiro lugar irão cada vez mais aparecer disputas regionais que usarão a desculpa da pertença à UE como arma nas suas lutas independentistas (veja-se a Escócia, Catalunha, País Basco…) – isto vai ameaçar directamente a integridade territorial de muitos estados Europeus (e parte da culpa está também numa Europa “das regiões” que sempre incentivou a regionalização e maior poder local). Em segundo lugar, sendo a Alemanha o poder que rege todo o projecto é inevitável uma deriva oriental – para o que a Alemanha sempre considerou a sua área natural de influência e privilégio, deixando o Ocidente abandonado na posição de pedinte na corte Imperial Prussiana. E em terceiro lugar é preciso notar que foi aberto um precedente. Mais países irão, mais tarde ou mais cedo, ameaçar seguir o exemplo Britânico na expectativa de secessão ou simplesmente para conseguir acordos muito mais vantajosos – A Grécia irá usar o fantasma da desagregação para tentar sacudir o colonialismo financeiro, a Espanha será tentada a fazer ameaças nesse sentido se a União não der mostras claras de não reconhecer possíveis repúblicas independentistas, França e Itália irão tentar usar isto para relocalizar o poder mais a Ocidente e reduzir o peso das suas colossais dívidas. Quanto mais ameaças de saída existirem (quer se concretizem ou não) mais frágil todo o edifício se torna.

"As pessoas sabem o que querem porque sabem o que os outros querem" - Theodor Adorno

“As pessoas sabem o que querem porque sabem o que os outros querem” – Theodor Adorno

E Portugal como fica? Fica na mesma. Convém notar que Portugal é uma nação muito especial no sentido das suas elites não se reconhecerem nela, nem aliarem os seus interesses a um projecto comum. Assim vivemos num mundo de senhores mais ou menos feudais que só querem mesmo manter a sua coutada sem serem incomodados – politicamente isto traduz-se numa ausência total de desígnio nacional. O único projecto que existe é a Europa. Se esta começar a vacilar vai existir pânico e medo entre as lideranças políticas, económicas e sociais. Se a isso somarmos uma possível intransigência crescente por parte da Alemanha isto pode dar origem a um fenómeno de grande dissonância entre elites e subjugados, com as primeiras a defenderem o declínio nacional como preço de pertença à comunidade e os segundos a defenderem tudo menos isso à medida que se afogam num mar de dificuldades cada vez maior.

Némesis

Para quem vir o mesmo que nós, fica o convite da Irmandade de Némesis a não ficar quieto: não se resigne a ser um fantoche nas mãos de outros.

Colonialismo progressista

Segundo o representante do FMI alocado a Portugal, os desempregados devem ser ouvidos nas negociações que ocorrerem sobre os aumentos salariais. Atente-se a fina ironia do argumento. Uma organização não democrática, que por admissão própria não responde perante nenhum eleitorado, aconselha-nos sobre o nosso défice democrático nas questões laborais. Mais grave é tudo isto se passar depois das medidas aplicadas sob a pressão deste corpo tecnocrático terem provado ser venenosas para o crescimento económico e para a paz social. A cereja no topo do bolo é mesmo a admissão que a Europa ficou em tão mau estado depois de anos de repressão fiscal e política que precisa de um plano de investimento – afinal parece que a simples aplicação de medidas de redução do peso dos salários e desregulamentação dos mercados não atai automaticamente o investimento necessário. Pelo contrário, as medidas coercivas propostas e/ou patrocinadas por este organismo levaram à fragmentação da ordem política dos países “sob intervenção”: em Portugal gerou governos de coligação cada vez mais vastos devido à insatisfação popular como o que lhes está a ser apresentado. Em Espanha levou a um impasse que não parece estar próximo de ser resolvido, com consequências ainda imprevisíveis para a unidade do país. A Grécia foi essencialmente reduzida a um estatuto colonial levando a uma situação de um autêntico governo sombra tecnocrático que só precisa dos políticos locais para dar a cara pelas medidas impostas. A França tem sido poupada a humilhações directas, por enquanto, mas está também sob intensa pressão da tecnocracia financeira para reformular todo o seu quadro social segundo as linhas de um liberalismo económico de século XIX.

"Power without legitimacy tempts tests of strength; legitimacy without power tepmts empty posturing." - Henry Kissinger

“Power without legitimacy tempts tests of strength; legitimacy without power tepmts empty posturing.” – Henry Kissinger

Será isto o reconhecimento que foram cometidos erros e que vamos mudar de rumo? Dificilmente. Até porque a organização não tem incentivos em reconhecer a sua própria falibilidade – isto se formos simpáticos, e assumirmos que o que aconteceu foi cegueira derivada de uma excessiva confiança em modelos errados e não acções deliberadas com outros objectivos. Assim sendo esta súbita preocupação para com os desempregados serve para quê? Serve para bloquear qualquer subida continuada dos salários ameaçando que qualquer subida salarial pode impactar a criação de novos empregos. Em suma, criar uma pequena guerra intestina dentro do diálogo social, evitando que corpos exteriores ao país tenham que sujar as mãos para nos manter economicamente mortiços e politicamente submissos. Dividir para reinar.

"Weak emperors mean strong viceroys" - Isaac Asimov

“Weak emperors mean strong viceroys” – Isaac Asimov

Sob a capa de uma maior integração para os excluídos (desempregados) está-se a exportar a discórdia social para Portugal. A nossa soberania está a ficar tão erodida que até os modelos de resolução de tensões sociais nos estão a ser impostos de fora por quem não tem moral para falar sobre tais temas – com o apoio entusiástico das elites, que não perderão a oportunidade se mostrarem preocupadas com os “coitados” quando na realidade apenas querem mais uma ferramenta para bloquear o poder político nacional.

Panamá Leaks – mantenha a calma e chantageie alguém

“Today we live in a society in which spurious realities are manufactured by the media, by governments, by big corporations, by religious groups, political groups… So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms.”
~ Philip K. Dick

blackmail

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão” pela qual uma sociedade deve pensar e viver e quando aceites pela generalidade dos cidadãos tornam-se parte da nossa cultura geral.

Regra geral o que existe numa sociedade é uma inércia social relativamente a ideias culturais novas (não no sentido de cultura “artística”…). Daí os actos premeditados destes específicos grupos de interesses na criação destes memorandos culturais e na sua disseminação.

Quando estes grupos ilegítimos de interesses julgam estar a sociedade predisposta a aceitar algo contrário aos interesses dos cidadãos, ou precisam que a sociedade esteja predisposta a aceitar formas de viver contrárias aos seus interesses é colocado o ovo social dos memorandos pré fabricados em acordo com os interesses da elites, das oligarquias ou de ambos.
Se este memorando se torna viral a viralidade auto exponencia-se e o novo ovo social/memorando a aplicar auto alimenta-se e apresenta as características da exponencialidade existentes nas células cancerígenas.

Quando os memorandos são sucessivamente aplicados, e as coisas efectivamente mudam, os promotores destes tipos de ideias tentam a todo o custo travar a emergência de um novo memorando que os combata e passam a promover a inercia social e cultural e o estiolamento do pensamento.
Quando não o conseguem ou porque não tem força e habilidade para isso ou porque uma sociedade onde isto é aplicado é demasiado dinâmica e gera sucessivos novos memorandos este mesmo processo tenderá a ser repetido: viralidade, aceitação generalizada ou inercia cultural e resistência a mudança.

Tudo isto gera uma enorme confusão nas vidas das pessoas e gera uma aparência de falsa dinâmica em certos sectores de uma sociedade e que se mistura com uma lassidão social total noutros sectores da sociedade, o que gera uma cada vez menor homogeneização da sociedade no que diz respeito à definição do que é o bem comum e qual é o destino colectivo dessa mesma sociedade.

Este é o sonho húmido das elites e dos oligarcas portugueses: confusão das pessoas e falta de sentido e clareza no que ao destino colectivo diz respeito.

blackmail-is-more-effective-than-bribery-quote-1

Grupos específicos aparentemente indeterminados, despoletaram os Panamá papers.

Um desconhecido chamado John Doe (ou uma agência de segurança e informações de um país..) adquiriu, via roubo electrónico, ao que se julga saber, os ficheiros de uma empresa privada de advocacia que se dedica à gestão de fortuna e a criação de offshores.
A empresa é obscura e cheia de sombras, transacciona para todos e com todos, e o escritório atacado situa-se, convenientemente, numa geografia controlada pelos norte americanos e pelos seus serviços de segurança e militares.

John Doe entregou os documentos digitalizados roubado a um consórcio “independente” de jornalistas. Constitui apenas um mero acaso circunstancial serem financiados por organizações ligadas aos centros políticos e estratégicos dos EUA e por fundações ligadas a interesses de oligarcas e de elites económicas e políticas com sede nos Países baixos, Noruega, e Reino Unido.

As fundações são elas próprios veículos jurídicos artificiais criados com o fim de se pagar menos impostos pelas actividades que se realizam em nome do objecto jurídico (muitas vezes fantasista…) dessas mesmas fundações.

Este consórcio “independente de jornalistas” sentiu-se autorizado a usar informação roubada, onde coexistem terceiros que não sendo eticamente inocentes apenas aproveitaram o regime jurídico injusto dos offshores, e onde coexistem criminosos (cujos dados até agora não foram revelados) e onde coexistem chefes de estado ou empresas que são inimigas dos EUA (dados revelados ou insinuados…).

O consórcio jornalístico “independente” não usou a sua independência para usar o seu bom senso e declinar servir de peão a esta estratégia. Serviu conscientemente de peão, servindo diligentemente quem lhe paga.

Estes bens roubados e divulgados – informação – serviram e servem para estes consórcios e as empresas de comunicação que deles fazem parte pudessem obter vendas mais elevadas e aumentarem a sua reputação como “jornalistas de investigação /meios de comunicação social” honestos e impolutos.

2016-04-25 - panama leaks -sabujice manipulativa

Esta actividade tem servido para a pratica do desporto da “selectividade à medida” e serve para transformar esta actividade numa tendência a ser considerada como sendo “os novos tempos “ que ai vem e aos quais devemos todos aderir.

Com posse destes segredos, seletividade das fugas e com estas tácticas a serem usadas isso possibilita a que a imprensa (e os interesses económicos por detrás) possa fazer deste tipo de casos um novo mercado.

O lançamento de cortinas de fumo e desinformação que aproveita apenas foi mercantilizado com esta acção (capitalismo de vigilância). Tornou-se apetitoso para toda a classe profissional de John Does mundiais a pratica da extorsão e da chantagem obtendo em troca de poder e lucro.

As possibilidades são imensas, uma classe de extorsionistas veste a capa da legalidade justiceira e pode ditar quem é ou não é um candidato à Presidência, ao governo, que empresa ganha ou não ganha um contrato, quem pode ser empresário ou não, que cidadão é estimável ou quem não é, embora depois as consequências práticas legais sejam nulas sobre os visados, dado que a legislação que existe “legaliza” os offshores.

Neo liberais e libertários portugueses clamarão que esta situação apresenta uma oportunidade de negócio visando criar protecções sob a forma de empresas – startups – que gerarão software (ou vaporware caro…) – que nos protegerá deste novo perigo (que está a ser propositadamente criado e deixado florescer…), a divulgação ou venda de informação sensível.

As ideias culturais (memorandos) são ideias inseridas nas sociedades por grupos específicos; grupos esses que tem muito a ganhar pela imposição dessas mesmas ideias como “norma padrão”, e um novo popular memorando foi criado.

Que quem determina o que é revelado são Jonh Does, acolitados por empresas de comunicação social, que se auto reservam o direito de dizer o que é divulgado ou não é divulgado e qual a seleção a fazer.

O principio da espada de Dâmocles chegou.

Tenta-se fazer passar a ser aceitável que isto seja o novo paradigma.
Que quem domina melhor os meios tecnológicos pode ser autorizado a difamar e a chantagear e a dizer o que é lei e o que não é lei.

Os oligarcas portugueses detestam Portugal e apenas querem fazer uma colheita

No século 5 antes de Cristo, um homem chamado Tucídides, considerado um traidor pela sua classe social, escreveu um livro chamado a “História da Guerra do Peloponeso”.

O livro conta a historia da guerra entre Atenas, uma democracia para os padrões daquele tempo, mas uma democracia cencitária e elitista em numero de população em vários aspectos, e Esparta, uma ditadura aristocrática militarista, baseada exclusivamente nos códigos de guerra utilizados pelos guerreiros. (O sonho húmido de qualquer oligarca que se preze, porque é o modelo ansiado que permite o controlo com punho de ferro da terra, dos seus recursos e da população).

Atenas, mesmo como democracia cencitária era alvo de constantes tentativas de subversão dos oligarcas atenienses, o que desde logo demonstra que o oligarca nunca foge à sua natureza. Tal como o escorpião da fábula da rã que decide pedir a esta que o transporte no dorso para atravessar o rio prometendo não a matar porque  ambos morreriam afogados, mas acaba por o fazer dizendo, “é a minha natureza”, também o oligarca nunca foge à sua natureza e subverte sempre o regime que o tolera e fecha os olhos à sua presença.

Em Atenas, segundo conta Tucídides existiam oligarcas e estes odiavam Atenas. Não a consideravam como sendo a sua terra, nem concordavam com a democracia fortemente cencitária da cidade estado. Parecia-lhes demasiado pouco e demasiado mau.

No livro, existe uma personagem criada por Tucídides, presumivelmente ficcionada pelo próprio para explicar qual a mentalidade subjacente ao oligarca médio  e este personagem é um achado. O “velho oligarca” de Tucídides regurgita ódio a tudo o que lhe imponha limites ao poder que deseja ilegitimamente exercer.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Lamentavelmente, para os interesses da oligarquia, esta está enganada e vai perder e perder muito e com graves danos.

Odeia a marinha ateniense pelo facto de ser a marinha e ser ateniense, mas também por ser uma operação tecnológica de nível elevado, para os padrões da época. Essa “tecnologia” elevada permite a existência de uma mobilidade social e profissional entre os plebeus e os proletários das classes baixas. O alistamento na marinha faz obter competências técnicas (skills). A convivência de tantos atenienses cria sentimentos de união e espírito de corpo (actualmente chama-se a isto team building, expressão que permite a empresas privadas pressionarem os seus empregados a trabalharem contra os seus próprios interesses… e a serem despedidos após o terem feito. A colheita em favor dos oligarcas já foi colhida). Essa mobilidade social, esse espírito de corpo, essas competências técnicas ameaçam os privilégios ilegítimos da classe de oligarcas atenienses e ameaçam as fundações do seu poder.

Um oligarca ou uma classe de oligarcas sente-se incompleto e insatisfeito se não odiar mais do que só uma única coisa. O “velho oligarca” de Tucídides recusa fugir a esta regra e odeia de forma visceral as longas muralhas que foram construidas entre Atenas e o (porto) Pireu. Há 2400 atrás, estas muralhas permitiam proteger Atenas de possíveis ataques terrestres de Esparta, obtendo depois através da marinha uma vantagem estratégica significativa sobre Esparta e funcionavam como dissuasão.

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

Marcel proust - oligarcas

No século 21 depois de Cristo, inúmeros lacaios e cortesãos ao serviço da sub espécie dos oligarcas portugueses desempenham o seu papel sórdido. Os lacaios e os oligarcas odeiam a mobilidade social, embora falem dela abundantemente, mas quando o fazem apenas se referem a mobilidade social para os seus próprios membros e amigos, e querem destruir todos os mecanismos democráticos que defendem essa mobilidade social, para todos os outros.

O conceito de escola pública é o primeiro alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias desenhadas com base no mais puro mal, ser bloqueados no seu acesso social à mobilidade. Quer-se atingir a destruição de capacidades e talento das pessoas comuns. (Esta é a marinha ateniense actual…)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de saúde publica é  segundo alvo. Os plebeus e os proletários devem, segundo estas teorias cheias de pura maldade, ser bloqueados no seu acesso à saúde. Que importa se estão doentes, se o numero de empregos disponíveis é pequeno e a mão de obra disponível excede largamente o disponível… Alguém sai por problemas de saúde, substitui-se por outro qualquer. Acaso os plebeus e proletários recusem isto como definição civilizacional, os oligarcas passarão a forçar a exigência de pagamento integral das despesas de saúde, receitas elevadas estas que vão ser directamente canalizadas para os oligarcas que dominam as estruturas que fornecem estes serviços. Subvertem para destruir e depois constroem a oportunidade sobre as ruínas humanas parasitando-as economicamente.( Esta é a tecnologia ateniense actual)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

O conceito de segurança social é o terceiro alvo. Tornar completamente insegura a velhice dos plebeus e dos proletários é o objectivo, impondo assim uma cultura de medo em relação ao futuro e ao presente. Criar pessoas que vivem os seus dias cheios de medo com o que lhes possa acontecer quando chegarem a velhos é mais uma ideia cheia de pura maldade que se pretende aplicar sobre a população deste país.(Estas são as muralhas de Atenas actuais)

Isto é um conceito de guerra aberta feita à população.

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar. Cícero

Ninguém tem a obrigação de obedecer aquele que não tem o direito de mandar.
Cícero

Recentemente, grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da direita política, ajudados por grupos de oligarcas disfarçados e camuflados na tribo da esquerda política decidiram promover um ataque à população portuguesa. Recorda-se o que antes foi escrito:

O “velho oligarca” odeia tecnologia porque esta permite manter segurança e mobilidade social e deseja ardentemente que exércitos estrangeiros ataquem o seu país (a que, de resto, ele não sente como seu, mas sim como algo ao qual se pode fazer uma colheita de recursos e deitar fora quando já não interessar). Se exércitos estrangeiros atacarem o seu pais, ao velho oligarca e aos amigos oligarcas ser-lhe-a permitido manterem os seus privilégios ilegítimos e os privilégios ilegítimos da sua classe.

O exército estrangeiro que atacou ( a moderna Esparta) é um cerberus de 3 cabeças, o cão que guardava as portas do Inferno segundo a mitologia grega.

O cão do Inferno e os seus ajudantes oligarcas e cortesãos continuam por aí.

Como nação e como membros de uma comunidade politicamente organizada queremos mesmo ter que suportar tão indesejável proximidade com estas entidades?

A Irmandade de Némesis diz não.

Autonomia e Estratégia

Como o Enclave e a Irmandade de Némesis têm vindo a demonstrar ao longo dos anos o actual debate nacional sobre o rumo a dar ao país reflecte em grande medida uma ficção. Não está de facto nada em debate. Ou dito de forma mais correcta o que está em debate por todas as forças políticas é apenas a forma e nunca a essência do sistema. E isto serve as elites de forma perfeita. Mantém as pessoas entretidas a discutir o sexo dos anjos enquanto as muralhas da cidade colapsam uma a uma. É verdade que alguns portugueses vão estando mais cépticos à medida que percebem os limites reais da nossa posição estratégica no mundo. Mas tristemente o efeito desta descoberta tende a ser a retirada do individuo da vida pública pois o cidadão desperto começa a desenvolver uma forte dissonância cognitiva face ao que o rodeia e ou é ostracizado ou acaba por se auto-exilar. As conversas que ouve e vê deixam de fazer sentido já que se entende que não têm qualquer relação com a realidade. Começa-se a ver as ilusões por aquilo que são, distracções para impedir que qualquer conversa nacional séria possa de facto existir. Começa-se a entender que os “princípios” e “ideologias” em grande medida não passam de capas retóricas com que se tapam os interesses mais cínicos de quem os defende ou na melhor das hipóteses conceitos vácuos que tentam mobilizar as massas para situações que ou são contra os seus melhores interesses ou não produzirão qualquer efeito. Tudo isto torna-se particularmente óbvio quando se discutem os modelos de desenvolvimento económico e as suas consequências políticas e sociais.

"The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers." - Zygmunt Bauman

“The rationality of the ruled is always the weapon of the rulers.” – Zygmunt Bauman

As teorias económicas que estão em voga e que, teoricamente, visam optimizar os rendimentos das nações dos seus agregados empresariais insistem todas sobre um ponto, a especialização. Cada região deve focalizar-se apenas num elemento da produção de serviços ou produtos e importar o restante já que a dispersão por várias áreas não corresponderia a um óptimo económico (o máximo ganho de unidades monetárias pelo mínimo input de recursos). O corolário deste modelo é uma interdependência total dos países uns dos outros e necessariamente a fragilização de países mais pequenos e menos capazes de manter alguma diversidade de produção. Isto traduz-se em fórmulas econométricas que tentam expressar o risco associado à falha/colapso de um dos componentes deste sistema mais ou menos global. E como todas as fórmulas da economia clássica está sujeita a dois tipos de críticas: 1) O risco não se comporta de forma linear e o princípio base da económica clássica, ceteris paribus (e tudo o resto permanece igual), não tem validade, a instabilidade de um elemento toca na estabilidade todos os outros elementos e quanto maior o grau de interligação maior este efeito de contágio não intencional se torna – acaba por se tornar impossível ter uma ideia do risco real associado à maioria das falhas porque ele não respeita modelos matemáticos teóricos; 2) A interligação dos vários elementos deste sistema não divide o risco de forma equitativa, antes pelo contrário. Coloca grande pressão sobre os elementos mais pequenos que ao serem necessariamente mais especializados dependem apenas uma mão cheia de produtos ou serviços. Estão então duplamente dependentes. Dependem da manutenção de mercados externos muito específicos para escoar o seu excedente especializado e por sua vez dependem da existência da estabilidade de todos os outros mercados para assegurar a importação de todos os bens essenciais. Adicionalmente este sistema de avaliação de risco tende a ignorar que as grandes nações são indiferentes aos colapsos das pequenas nações mas que o inverso não é verdade, ou seja, a distribuição de risco não é apenas desigual como é mesmo inversamente proporcional ao poder económico e político de cada entidade nacional.

"It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence." - Voltaire

“It is not inequality which is the real misfortune, it is dependence.” – Voltaire

Porque é que se seguiu este modelo de desenvolvimento? Porque a teoria alternativa caiu em desgraça. Diametralmente oposta a esta visão está a visão de autarquia – uma nação que organiza a sua vida económica no sentido de ser totalmente auto-suficiente. Há duas causas para o abandono deste modelo. Em primeiro lugar à medida que revolução industrial progredia e tecnologia se complexificava tornou-se claro que cada país não tinha a mesma distribuição de recursos naturais o que tornava a independência total como uma impossibilidade técnica. Em segundo lugar durante o século XX esta teoria de auto-suficiência extrema esteve associada a todo o conjunto de economias totalitárias (a Alemanha nazi é o caso mais óbvio) que exaltavam a nação de forna xenófoba e que viam as relações internacionais não apenas como o domínio da competição ou do conflito mas como apenas uma interminável guerra. Torna-se assim compreensível o abandono desta teoria em favor de uma que teoricamente daria lugar a menos tensões e conflitos e maximizaria os potenciais ganhos de cada nação. Mesmo os países que se sentem de alguma forma prisioneiros do sistema actual (a micro especialização) não encaram a autarquia como alternativa porque o choque de uma mudança de sistema causaria terramotos políticos, teria custos sociais elevados e seria questionável qual o nível de bem-estar que se poderia de facto proporcionar ao cidadão médio numa situação de autonomia total. Agora que o velho modelo continua descredibilizado e o novo parece estar próximo dos seus limites naturais e as suas falhas sistémicas começam a estar expostas as ansiedades populares sobre modelos de desenvolvimento credíveis e duráveis começa a aquecer já que não existe nenhuma nova ortodoxia no horizonte para substituir o que existiu até ao momento.

"For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually." - Ha-Joon Chang

“For developing countries, free trade has rarely been a matter of choice; it was often an imposition from outside, sometimes even through military power. Most of them did very poorly under free trade; they did much better when they used protection and subsidies. The best-performing economies have been those that opened up their economies selectively and gradually.” – Ha-Joon Chang

De que adianta debater e discutir quando de facto não se quer sequer admitir os limites de cada uma destas escolhas e não se pondera a situação estratégica específica de Portugal? É útil colocar os termos do debate sobre uma forma partidária? Útil para quem? Há noção das consequências caso se queira desbravar novos caminhos? Há uma cultura de liderança política forte o suficiente para assumir esse risco? Existe vontade e coragem popular para aceitar de frente os imensos riscos quer para permanecer num modelo económico esgotado quer para explorar outras alternativas? Em última análise temos que ser extremamente cépticos quanto a qualquer possibilidade de mudança real que não provenha de um desastre exógeno, algo além do nosso controlo e iniciativa. Quer no topo quer na base a nossa sociedade tem falhas graves que nunca foram colmatadas e que nos tornam incapazes de tomar escolhas estratégicas coerentes. A Irmandade de Némesis recomenda a todos os cidadãos despertos (sejam membros ou não) cuidado em se envolverem no “debate” nacional, não nos devemos guiar por ficções e interesses alheios ao país. Só uma renovação dos valores da esfera pública pode trazer a revitalização necessária para voltarmos a ser capazes de fazer escolhas independentes e relevantes.

Grécia – os limites dos tiranos são percebidos pela resistência de quem é oprimido

“Power concedes nothing without demand. It never did and it never will. Find out just what people will submit to, and you have found out the exact amount of injustice and wrong which will be imposed upon them; and these will continue until they are resisted with either words or blows or both. The limits of tyrants are prescribed by the endurance of those whom they oppress.”

Thomas Paine

No campo, os agricultores de subsistência tem frangos que matam para vender aos conhecidos e familiares ou para consumo próprio. Quando o animal está gordo para abate è-lhe passada uma faca pelo pescoço e este é cortado. Durante alguns segundos o frango corre sem cabeça desnorteado em todas as direções.

grecia_REsta é a imagem que nos mostram as instituições europeias e os credores europeus em relação à Grécia: correm em todas as direções sem qualquer cabeça. O processo de funcionamento psicológico e político dos credores é incrivelmente estúpido. São um abismo negro que chupa tudo a sua volta sem quaisquer ponderação presente ou futura acerca das consequências para terceiros e para eles próprios.

Quando o abismo negro não é financeiramente alimentado a tempo e horas, começa a exigir comida financeira. Primeiro força a queda abrupta dos mercados financeiros.

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Numa lógica de centro vs periferia, os países da periferia europeia são os primeiros a cair. Os seus mecanismos financeiros são exauridos, e deixados a definhar (segundo o jargão económico falta-lhes “liquidez”), e os seus bancos comerciais e demais instituições semelhantes são os primeiros a secar e a cair. Estão “na periferia” e por definição a periferia é a que está mais afastada do centro e como tal é a primeira a sofrer o embate.

Quando isto acontece, o dinheiro que existe na periferia procura sanctuário em igrejas financeiras do centro (segundo o jargão económico isto são “fugas de capitais”). Este dinheiro fica em sanctuário jurando eternas juras de amor financeiro ao centro, até à altura em que o abismo negro que quer alimento o chupar também, mas no entretanto, o pau vai e vem e as costas financeiras estão folgadas.

Em termos concretos a periferia fica demasiado fraca para resistir. Foi “chupada financeiramente” e está demasiado fraca economicamente. Então é-lhe feita uma colheita económica (segundo o jargão económico são “incentivos ao crescimento e ao emprego”) voltando-se a emprestar-lhe dinheiro para a salvar da situação, para a reestruturar e fazer reformas.

Em termos concretos cria-se uma divida cavalar e galopante devida a instituições estrangeiras. Esta divida vem com um peso para ser carregado: nunca poderá ser efectivamente paga (nem é esse o objectivo), mas antes existe para funcionar como mecanismo de CONTROLO e colheita de recursos (segundo o jargão económico trata-se de extrair “valor” ao cliente).

[In explaining the “true” nature of banking in the world] The IBBC is a bank. Their objective isn’t to control the conflict, it’s to control the debt that the conflict produces. You see, the real value of a conflict, the true value, is in the debt that it creates. You control the debt, you control everything. You find this upsetting, yes? But this is the very essence of the banking industry, to make us all, whether we be nations or individuals, slaves to debt.

The International 2009

Neste jogo de insiders e mecanismos pré definidos e que visam o controle de nações e povos, esta divida nunca poderá ser paga.  Contudo, são exigidas à periferia (segundo o jargão económico, “o cliente de novos mercados emergentes” ) pagamentos regulares, como condição a que as instituições do centro forneçam e assegurem a liquidez na periferia (segundo o jargão económico, “pagar pensões e pôr caixas ATM em funcionamento”). Como um idoso num lar de terceira idade, esta dependência financeira assistida é apresentada vendida como sendo absolutamente necessária para se continuar a financiar a periferia (nesta altura já toda a gente percebeu que é o cliente… ) e impedir que este entre mesmo em falência (deixe de pagar e ” mais importante” deixe de pedir emprestado para continuar a pagar”) e assim continuarem as caixas multibanco a funcionar, as luzes serem pagas, as compras feitas etc e a divida a entrar em valores exponenciais.

Pequenos problemas de somenos importância tais como os povos nunca serem idosos em lares de terceira idade, mas sim povos, são características que escapam ao frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores…

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

Mercado financeiro do império europeu em queda antes de começar a chupar recursos a países da periferia da Europa

A periferia, querendo pagar as dividas, mas impossibilitada de o fazer dado que o crescimento económico que a possibilitaria fazer isso foi ” rearranjado” para que não o possa fazer por meios normais e meios anormais, começa a privatizar as suas infraestruturas e empresas públicas. Para assim gerar “meios de pagar uma divida impagável”. Esta extorsão organizada (segundo o jargão económico, “a livre aquisição e troca de bens e serviços num mercado liberalizado cheios de concorrentes atomizados) está a ser feita a todos os países da periferia da Europa, menos Portugal, que é defendido por nossa Senhora, como se sabe, e pela sabedoria sabujice do nosso Governo.

De caminho, traidores da mesma nacionalidade do país que é alvo deste ataque económico, são estratégicamente colocados em ” lugares” para realizarem as necessárias ações de coação e propaganda para impor uma política de austeridade, para promoção do desmantelamento da economia e sociedade atacadas, para promover privatizações de tudo o que esteja à vista, para funcionar como garantia de que as dividas serão pagas  “contra garantia”.

Os resultados?

A periferia desmantela a sua sociedade, desagrega a sua viabilidade.

Os frangos que correm sem cabeça, isto é, os credores são geniais na sua estupidez. Pressionam exaustivamente ao ponto tal que se auto saturam psicologicamente e deixam de compreender o que estão a fazer e as consequências das suas ações. Desta forma os resultados pretendidos fazem ricochete.

Perante uma situação que pede uma negociação séria os credores e os seus procéres tem apenas uma táctica negocial.

Que é sempre a mesma.

Apresenta exigências impossíveis de realizar e espera que o outro lado negocial capitule. Quando o outro lado recusa capitular, aplica pressão extrema. Impõe sanções, utiliza as suas instituições financeiras como aríetes de ataque à moeda do pais atacado, complica e dilata transações financeiras, e em casos extremos apreende bens estrangeiros do pais ou zona com que está em confilto e espera a capitulação.

Em casos mais extremos e dependendo das potencias em questão bombardeamentos militares e invasões terrestres também podem ser usados. Normalmente costuma resultar, mas mesmo que não resulte, os credores continuam a pressionar e a utilizar a mesma táctica negocial.

Só param quando criarem um deserto e chamarem-lhe Paz.

Plunderers of the world, when nothing remains on the lands to which they have laid waste by wanton thievery, they search out across the seas. The wealth of another region excites their greed; and if it is weak, their lust for power as well.   Nothing from the rising to the setting of the sun is enough for them. Among all others only they are compelled to attack the poor as well as the rich. Robbery, rape, and slaughter they falsely call empire; and where they make a desert, they call it peace.”

Tacitus, Agricola