Critérios totalmente aleatórios pelos quais um grupo pode oprimir e excluir outro.

“Truth does not sit in a cave and hide like a lie. It wanders around proudly and roars loudly like a lion.”

Susi Kassem

As elites portuguesas gostam de veicular um específico memorando cultural no imaginário colectivo da população portuguesa.
Esse mantra de cariz mitológico chama-se “Portugal é uma nação muito especial”.

Uma das ideias perversas escondidas por este memorando cultural visa inculcar nos cidadãos portugueses um sentimento de auto complacência e de narcisismo colectivo de tipo nacionalista, para levar os portugueses a começarem a pensar sobre si próprios como sendo um povo de características especiais. Dada a relativa ausência de feitos especiais alcançados pelos portugueses dai releva esta ideia ser perigosa, no mínimo e auto sabotadora no máximo.

As elites portuguesas, cultivam essa ideia mitológica sempre que podem ou as circunstancias o exigem, mas sempre sujeita a um duplo padrão.

(1) Quando necessário para cativar massas visando convence-las a embarcarem em algum projecto político normalmente carimbado com a expressão mágica “desígnio nacional”; as elites promovem a expansão exponencial deste traço de carácter da psique nacional, para extraírem a adesão dos portugueses.

É uma colheita perversa que é extraída da população e dos seus sentimentos acerca do país onde habita, que leva a movimentos de massas, grandiosos e totalmente ilusórios e gera o fomento duma extracção do pior de nós enquanto comunidade por oposição a extrair o melhor de nós enquanto comunidade.

(2) Quando necessário para destruir qualquer sentido de si mesmos, de dignidade, de capacidade de superação da população visando desincentivar as massas a aderirem a algum projecto político racional, baseado no bom senso e que beneficia a comunidade, o mesmo traço de carácter da psique nacional que antes servia para a promoção de falsos desígnios nacionais é agora usado como arma de destruição psicológica das populações.

É outra forma de colheita perversa que é extraída da população. Não sendo Portugal nenhuma nação excepcional, e estando a ser sujeito a esta terapia dupla cancerígena que na psiquiatria se designa por ciclotímia, os portugueses são convidados para mostrarem uma outra e mais diferente faceta do seu pior disfarçada do seu melhor. São convidados a serem arrogantes, iludidos, convencidos que são melhores do que são e que “tudo está bem”, são convidados a destruírem-se por via da auto complacência e do constante fechar de olhos cívico.

“O progresso moral não é um privilégio natural das elites nem é adquirido por acaso ou por sorte, mas através do trabalho de si mesmo - diariamente.” Epicteto

“O progresso moral não é um privilégio natural das elites nem é adquirido por acaso ou por sorte, mas através do trabalho de si mesmo – diariamente.”
Epicteto

Este comportamento subversivo das elites portuguesas baseia-se numa dupla traição ao país que faz o favor de as aturar.

Uma face da dupla traição consiste na recusa das elites portuguesas em reconhecer-se no país em que nasceram. Consideram ofensivo que alguém as associe a essa condição, embora em publico raramente o afirmem. Escondem-se por detrás duma camada de pseudo sofisticação (geralmente plastificada e importada do estrangeiro) querendo obter com isso uma inferiorização do outro (o cidadão comum ), dessa forma manifestando uma admiração servil pelo “estrangeiro” e por tudo o que de lá vem, seja bom , mau ou talvez. Esta falsa sofisticação tem como objectivo humilhar a população e camuflar a aversão que as elites portugueses sentem em relação ao país.

A outra face da traição consiste na recusa das elites portuguesas em aliarem os seus interesses pessoais, ou do grupo de membros das elites em que coexistem, num projecto comum relacionado com o país. Por detrás de toda a retórica vazia e destituída de significado que as elites portuguesas abundantemente produzem, na realidade detestam o país e detestam a ideia de um projecto comum.

Somente abrem duas excepções a esta regra.

a) quando o projecto político comum, tem como objectivo criar uma ditadura e mantê-la;

b) quando se avista um qualquer pote de ouro no horizonte (Expansão marítima, Descobrimentos, Conquista de Marrocos, Brasil, Angola, entrada na Europa, etc…) e aí iniciam-se as operações de propaganda ciclotímica para arregimentar a população a participar em mais uma loucura vagamente desorganizada cujo “custo-benefício” demonstra sempre ser favorável aos interesses das elites.

Uma nova embalagem designada por ” desígnio nacional” é confeccionada, e a população é convocada a colaborar em mais uns esquemas de curto prazo. Elogia-se abundantemente a população  visando cooptá-la a participar.

Nesta concepção de mundo feudal mais ou ou menos cristalizado, as elites portuguesas desejam manter os seus privilégios ilegítimos, sem incómodos alguns fazendo “acordos” com os seus protectores internacionais. O que oferecem em troca é a manutenção das populações em estado dócil e até exportar os que estiverem a mais para os protectorados para serem mão de obra barata, recebendo em troca das potências europeias ou continentais, uma política de não interferência nas coutadas medievais portuguesas.

Ao menos, com os inimigos, a traição jamais aparecerá. Marco Aurélio.

Ao menos, com os inimigos, a traição jamais aparecerá.
Marco Aurélio.

Actualmente este evangelho é baseado nos sermões dados a população acerca da importância da prosperidade individual, dos privilégios selectivos para apenas meia dúzia de castas gordurentas, mais os respectivos sequazes e lacaios e suportado por critérios totalmente aleatórios pelos quais um grupo pode oprimir e excluir outro.

Esta particular forma de opressão é um dos mais graves crimes que são cometidos contra o espírito humano.

Contra a essência da alma de uma pessoa. Contra a população portuguesa.

A resposta da generalidade da população portuguesa tem sido a seguinte: “…mas eu apenas quero que me deixem sozinho e em paz!”

Se a população portuguesa escolher mesmo viver sozinha e em paz, irá mesmo ser posta de lado e irá mesmo viver sozinha em paz e excluída de qualquer assunto que lhe diga respeito.

Para todo o sempre.

Esta… “estratégia” … tem dado fracos resultados em Portugal.

Uma mudança impõe-se.

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