Uma conversa social

Imaginemos uma conversa social. Um qualquer cidadão desintoxicado ou despoluído dos vírus das oligarquias dispersos pelas elites de poder toma a iniciativa da conversa e decide explicar aos outros incautos cidadãos presentes que a “elite de poder “ se recusa a considerá-los como seus iguais.

Juntando o insulto à injuria, explica seguidamente que as elites olham para a população como “ inferior”, “carne para canhão”, peso morto”.

Dando mais um salto de fé e correndo o risco de incorrer nas iras dos infernos negros sociais, explica que as elites de poder e as oligarquias que as controlam apenas entendem e respeitam força e que apazigua-las não traz, nem a curto nem a longo prazo, quaisquer resultados.

As elites e as oligarquias encaram o apaziguamento como fraqueza e quem o faz como fraco, recusando compromissos e negociação.

Numa conversa social, a tendência imediata dos felizes cidadãos sociais que nela participam (e eles são tantos, os felizes…) é de estupefacção, incredulidade e rejeição.

Numa conversa social existe poeira mental e ela assenta. Quando isso acontece, os cidadãos felizes entram em discordância com o cidadão despoluído dos vírus das oligarquias disseminados pelas elites de poder; o tal que explica a realidade com lentes pragmáticas e especificas.

Com a rejeição nos olhos e o escândalo na alma discordam. A inércia mental está instalada e rejeitam sair da alegoria da caverna onde vivem, recusam pensar que existem diferenças e alternativas e recusam, num acto de vaidade intensamente estúpida, admitir que estão enganados e que a realidade não é o conto de fadas que lhes tem sido alimentado.

Neste tipo de conversa social, entra em cena um pequeno exército de taxinomias, classificações, rotulagens. Mas não é um pequeno exército qualquer.
As rotulagens tem que ser simplistas e inferiorizantes, autorizadas pelo departamento de burocracia hipócrita do cérebro de cada cidadão feliz e atribuídas a alguém que por acaso está ali – o conveniente bode expiatório.

Um arco íris surge e o alivio de consciências brevemente perturbadas pela visão da pílula vermelha em vez da pílula azul emerge no final do arco íris.

O cidadão despoluído que se prestou à explicação passa a ser classificado de acordo com a taxinomia… ” pessoa com complexos de inferioridade “ e que está inferiorizada pela sua posição social, política ou económica.

E assim os “bons espíritos” da cidadania responsável ficam sossegados e a próxima ida ao Centro comercial decorre sem sobressaltos.

A Igreja da taxinomia politicamente correcta agradece os donativos feitos pelos fiéis.

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