25 de Abril de 1974 – temos muito que agradecer

Hoje passam 41 anos de um alarido supostamente revolucionário que aparentava ter acontecido para mudar tudo no país chamado Portugal.

Parece que se destinava a fazer existir liberdade para a população e através dela criar o desenvolvimento, um dos benefícios dessa mesma liberdade.

É por isso que temos muito que agradecer, senão vejamos:

Temos muito que agradecer, na frente eleitoral, de forma veneranda e obrigada, de chapéu nas mãos e as arrecuas, pelo fato de podermos votar de forma livre durante os últimos 41 anos.

Anteriormente, obrigava-se a população a escolher um candidato único para votar.

Anualmente, existem inúmeros candidatos, todos igualmente maus e verificamos que chegamos a uma situação em que todas as candidaturas políticas que estão em posição de ganhar eleições defendem apenas um único grupo de interesses, embora estejam todas dispersas  por vários partidos, agrupamentos e secções de medíocres e carreiristas videirinhos.

É uma melhoria, realmente, esta em que nos é dado a escolher o partido dos prós e dos prós para continuarmos a ser distraídos das verdadeiras realidades…Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente  decisão política, pelo fato de os nossos interesses já terem sido salvaguardados sem nada nos ter sido perguntado ou pedido verdadeiramente.

Os grupos de interesses específicos, todos não eleitos e que desenvolvem actividades sinistras em beneficio próprio e em serviço próprio, visando condicionar a população ou obter ganhos financeiros ou de aquisição/manutenção de poder ilegítimo, encarregaram-se dessa tarefa.

Os resultados são brilhantes. Mas não para a população. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da gritaria mediática social, pelo fato de a democracia nova trazida pelo 25 de Abril de 1974 nos poder oferecer uma gritaria mediática, encharcada em jornalismo amarelo.

Anteriormente éramos abençoados com monocromáticos e monolíticos que mentiam para enaltecer o regime do ditador e os courtiers, fanáticos ou não,  que o serviam. Para combater a cor cinzenta de um só tom, criou-se a difusão cultural e a ideia de pluralismo.

A elite de poder capturou o pluralismo e subornou a difusão cultural e reduziu-os à ditadura do seu próprio pensamento. Estamos apenas a ter que aturar o discurso porco e pobre que as elites corruptas portugueses querem que se ature.

Os seus ajudantes de campo são os micro exércitos de junta letras, pés de microfone e arrotadores profissionais radiofónicos todos em uníssono, alavancados pelos painéis  de comentadores adquiridos, comprados e pagos pelas vozes dos donos. O objectivo é a desinformação permanente tal como o objectivo era a desinformação permanente pré 25 de Abril de 1974. Bem hajam…

Temos muitos que agradecer, na frente económica e financeira, pelo fato de podermos pedir dinheiro/obter crédito, a qualquer hora do dia ou da noite, por qualquer meio necessário.

É claro que há crédito e há credito e os insiders tem crédito que pagam a juros inferiores, e quando as coisas falham não o pagam. Depois, para o resto da população existe o credito com taxas altas, sujeito a mudanças de regras repentinas que visam criar impossibilidade de pagar por parte do comum cidadão para depois ser transformado em bode expiatório e ser extirpado de património…

É-nos também, possibilitado pedir crédito para, em grande parte dos casos, podermos adquirir mais coisas das quais verdadeiramente não necessitamos, mas quem concede este credito e promove esta cultura necessita que estejamos todos convencidos que precisamos. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente alimentar, que qualquer alimento que possamos adquirir,  a credito se possível, esteja cheio de açúcar sintético ou normal, produtos químicos e aditivos que fazem muito bem o seu papel na proliferação de cancro, diabetes e obesidade adulta e infantil.

O que seria de uma saúde privada e vendida pelos privados como um produto a adquirir (um cluster excitante de mercado) acaso não existisse mercado para essa mesma saúde através de um regular (uma rotação de produto nas prateleiras…) fornecimento de doentes?

Os padres da economia, que foram quase todos comprados, adquiridos e pagos, afirmam que o  mercado cria as suas próprias necessidades e a oferta cria a procura. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da justiça e da administração da justiça terem uma legitimidade duvidosa ou inexistente onde os cidadãos são perseguidos de forma selectiva consoante tem ou não tem ” poder” para se defenderem?

Todos conhecemos os casos de pessoas penhoradas de forma injusta, de pessoas acusadas sem provas, de favores feitos a grupos de interesse e a empresas privadas, de falhas gritantes por parte de quem administra o sistema oficial de justiça sem que os principais interpretes do mesmo sejam fiscalizados e se necessário punidos pelos crimes que cometem ou pelas omissões que praticam. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da auto estima nacional e do brio em ser português, (a falta dele) do convencimento que é feito segundo o qual, os imaginários e fantasiosos êxitos do futebol são algo que devemos vender aos estrangeiros como parte da nossa estima  e identidade nacional e como parte do nosso êxito imaginário.

Ideias como solidariedade, auto estima colectiva, sacrifício pelos outros em termos geracionais e não só foram completamente destruídas.

Por todo o lado apenas observamos uma população auto absorvida em si mesma, entorpecida e abrutalhada, inchada na sua enorme importância, arrogante, destituída de conceitos de moralidade, insuportavelmente narcisista e sempre a fazer sexo com o seu telemóvel de ultima geração.

Uma população que se sente bem consigo própria, apesar de estar a levar na cabeça como nunca levou, teimosa na sua arrogância recusando ver a realidade à frente dos seus olhos e impondo pela sua estupidez fardos a terceiros que recusam este estado de alienação e recusam deixar-se envolver nele. Bem hajam.

Temos muito que agradecer, na frente da gestão financeira, pelo fato de se ter intitulado a regra de ” foi azar e eles não queriam fazem por mal”.

Gestores extremamente bem pagos para a qualidade do trabalho que desenvolvem tomam decisões imbecis, sem que os seus accionistas, quer sejam o Estado, quer sejam particulares, os removam dos cargos que ocupam.

É simples. É uma gestão de amigos para amigos, de insiders para insiders. O accionista português, que sabe nos seus ossos que chegou a estas posições de poder, prestigio e dinheiro através de jogadas ilegítimas não se sente com autoridade moral ou técnica  para mandar pedras aos telhados de vidro. Estes accionistas suportam a gestão portuguesa  porque sabem que as contas dos prejuízos são enviadas para que a população as pague. Os prejuízos são transformados em lucros através desta forma miraculosa assente na socialização dos prejuízos misturada com vigarice e trapaças, num circuito onde toda a gente ganha. Bem hajam.

Devemos estar gratos pelo fato de os mercados financeiros portugueses, bolsa de valores incluída, serem uma gigantesca vigarice organizada para beneficio de insiders e filhos família.

Acordos pela porta dos fundos, manipulações de preços consideradas legais, ou por lei ou por omissão de legislar, lacunas da lei convenientemente criadas, criação de entidades nebulosas que geram produtos financeiros opacos, um banco regulador privado para benefícios, publico para responsabilidades que nunca cumpre, gerido por um ex funcionário de um banco privado que tinha as funções nesse banco privado de ” gestão e criação de contas offshore”, são cartões de visita altamente recomendáveis para recomendar como sitio a investir.

Devemos estar gratos, na frente politica e social, porque sabemos que os nossos distintos deputados, os representantes da polis obedecem, não à republica, mas as sociedades secretas de que fazem parte, obedecem aos interesses financeiros que os controlam, legislam em nome de quem os comanda, e beneficiam os seus overlords continuamente em detrimento da população.

É gratificante perceber que o 25 de Abril de 1975 serviu para libertar o dinheiro que é necessário para se comprar com todo o à vontade, a influencia política necessária para se alterar leis e fica-se grato pela generalidade dos políticos portugueses aceitar e apoiar esta situação. Bem hajam.

Devemos estar gratos, por na frente comunicacional , apenas 3 empresas controlarem quase 90% da comunicação social. É tão bom ver telejornais em Portugal após o 25 de Abril de 1974. Ao mesmo tempo, à mesma hora todos dão as mesmas noticias fúteis, vazias, condensadas com divina estupidez entorpecente.

Quando se quer rebentar de forma mais eficaz com a capacidade de pensar dos cidadãos manipula-se em direto , 24/24 horas de 3 formas diferentes, mas todas iguais.

Mensagens estúpidas e uniformes, homogeneizada como o leite pasteurizado,  e os sorrisos imbecis de plástico , de quem apresenta as noticias são todos repetidos. Bem hajam.

Temos que agradecer: se todos eles repetem que o desemprego e baixo, o crescimento económico é alto, a inflação está a perfurar a barreira dos 100 metros para baixo, e os portugueses vivem ainda melhor do que viviam à 10 mil anos atrás, então é porque tudo isto é verdade.

Temos que agradecer o Portugal moderno, democrático e desenvolvido a que temos direito. Bem hajam.

PS: Como existem sempre imbecis que se recusam a perceber o que é escrito, este texto recusa ser uma apologia do regime anterior ao dia 25 de Abril de 1974.

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