Os cleptocratas portugueses perderam a narrativa e perderam a legitimidade

Existem narrativas oficialmente sancionadas pelos principais atores políticos,sociais e económicos. Estas são as narrativas que dizem aos cidadãos como devem pensar, como devem sentir, como devem estar. Gerações de cultores desta forma de manipulação fazem turnos, revezando-se na distribuição de tarefas socialmente manipuladoras e ocupando os meios de difusão destas com memorandos manipulativos destinados a produzir o maior estado de confusão na população que seja possível produzir.

Essas narrativas oficialmente sancionadas funcionam como alicerces do atual pântano estagnado e corrupto – o status quo.
Esse status quo, também conhecido pela “situação” é aquilo que (por enquanto) mantém intocável todo o conjunto de elites parasitas, lacaios associados e demais seres rastejantes que orbitam esta constelação de traidores e medíocres que assombram e atacam a população portuguesa.

Estas narrativas oficialmente sancionadas funcionam na sociedade portuguesa como “Chaves mestras”. Um corpo doutrinal de frases e ideias profundamente estéreis e anti democráticas criadas com o fim de manter tudo como está.

Estas também são as narrativas oficialmente sancionadas que defendem o neoliberalismo e os arranjos próprios dos monopolios de direito ou de facto socialmente e economicamente corruptos.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que afirmam que as alternativas são inexistentes.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que produzem um discurso de aceitação e proteção dos monopolios privados e os afastam da competição no mercado, o mesmo mercado ou capitalismo que é vendido, através de um duplo discurso, como sendo a base do sistema social, sob a qual nós todos nos devemos orientar.

São também as narrativas oficialmente sancionadas que visam destruir a cidadania e a democracia e instaurar a tirania e a opressão. A ilegitimidade destes procedimentos é assente na transformação do que está e existe, visando criar consensos artificiais para ir em direção a um sistema político e a um regime abjeto e falho de legitimidade democrática.

Os exércitos de ilegítimos que tem feito todas as tentativas de condicionamento da população, já perderam o fio à meada de uma boa parte destas narrativas e elas caíram. Quando e onde não caíram estão apenas em acentuado estado de erosão.

A legitimidade do status quo, da ” situação”  já foi perdida.

O que ainda (os) ilude é o facto de a carcaça do “regime/sistema neoliberal para todos e monopolista para os insiders” ainda estar colocada no lugar onde foi originalmente depositada e anteriormente vendida como sendo algo inteiramente diferente…
Só os ignorantes, só os lacaios, só os corruptos, só os associados, só os que tem interesses investidos neste sistema, defende ou acredita que esta comunidade é e está a ser gerida como um sistema justo onde existe meritocracia na sociedade portuguesa.

A erosão destas narrativas “chave -mestra” é iniludível.

Entre estes protótipos corruptos de avençados acima mencionados temos as castas que administram o sistema de justiça, os lacaios dos meios de comunicação social, salvo algumas muito raras exceções, os lacaios menores das forças de segurança, as universidades de produção de saber inutilizado e ideologicamente orientado e as grandes corporações que monopolizam 5 ou 6 sectores económicos essenciais à vida dos cidadãos.

Estes são os principais inimigos dos cidadãos. E o que está a ser erodido são as narrativas que emanam dos títeres que promovem estas entidades.

Uma delas é a seguinte: a narrativa principal é a de que ninguém está acima da lei. Aparentemente, segundo esta narrativa , todos são tratados por igual e os abusos de poder, públicos ou privados são punidos ou limitados.

FALSO

Na realidade não existe qualquer responsabilização verdadeira pelos abusos de poder em todas as suas formas,nem há tratamento jurídico) igual para todos.

O cidadão foi transformado num ser desprotegido e está sempre colocado em pé de desigualdade quando tem que contactar ou é forçado a fazê-lo, o Estado, via forças policiais, a administração fiscal, via finanças ou qualquer órgão político eleito, via juntas de freguesia e câmaras municipais, só para dar alguns exemplos.

E, neste ultimo caso, ainda recebe o bónus de gosto duvidoso de ter que contactar com alguns dos mais cretinos representantes azeiteiros da cidadania que se pode ter o intenso desprazer de contactar, tal a estupidez e ignorância que demonstram e o absoluto desconhecimento da ideia de sentido de missão publica.

Só cidadãos com bolsos fundos, conseguem combater legalmente os abusos de poder.

Outra das narrativas principais diz-nos para ter confiança nos dados estatísticos oficiais ou privado-oficiais. Segundo estas narrativa, dados estatísticos oficiais são verdadeiros e devemos confiar no que nos dizem.

FALSO

Existe manipulação de dados oficiais quer via institutos geridos pelo Estado, quer via privados, ou através da falsificação deliberada de estatísticas ou pela omissão de dados. Mascara-se a realidade e a realidade é que a economia e a sociedade portuguesa estão organizadas para beneficiar poucos às custas de muitos.

Taxas de desemprego falsamente adulteradas para dar números baixos, (falsa) formação profissional falsamente listada como preparação para arranjar emprego, classificações de atividades absurdas como sendo empregos, estágios profissionais pagos a zero como sendo emprego, trabalhos parciais, quer em horas, quer em dias, listados como empregos a tempo inteiro…a lista de iniquidades e falsidades é criativa..

O capitalismo português é de amigos para amigos, de compadres para compadres, de políticos comprados, adquiridos e pagos para quem compra políticos comprados adquiridos e pagos, de legislação fabricada para amigos com dinheiro comprada a deputados e partidos políticos que querem ser amigos de quem quer legislação fabricada para amigos com dinheiro.

Interesses ilegítimos, anti democráticos e baseados na traição feita à população, são  mantidos com o objetivo de controlar o espectro político para conseguirem manter ou expandir o seu rendimento e o seu poder, poder esse que é reciclado para de novo ser usado para condicionar cada vez mais os cidadãos.

Os resultados podem ser vistos no declínio ou estagnação para a maioria dos cidadãos dos seus ordenados ou nos seus despedimentos dos empregos que tinham e na diminuição do seu poder enquanto indivíduos, porque a sua dependência aumenta.

“A classe media é o suporte da sociedade, temos que ter uma classe media forte”.

FALSO

Todos os princípios éticos, morais, políticos, económicos, sociais que norteavam a defesa da existência da classe media, como suporte e centro da sociedade foram destruídos. Até o mapa ” pequeno-corrupto do português cidadão médio” para se obter segurança financeira e “subir na vida”, que em Portugal passava pelos cidadãos se encostarem a poderosos que os iriam defender em tempos de vacas magras, assentava numa educação superior (ser um doutor) e em trabalhar numa grande empresa (o desígnio ultimo de “ estar bem” ); esse mapa foi quebrado.

A antiga cultura de estabilidade e lealdade à empresa – a tal grande empresa a que se queria chegar e lá ficar foi obliterada de forma violenta e apenas existe uma cultura de ” transição entre empregos” alicerçada em relações publicas de fachada, consubstanciadas nos anúncios (promovidos pelas corporações monopolistas…)  de  “empresa “X” é considerada a melhor para trabalhar” . Isto serve como capa que mascara a cultura de insegurança na sociedade e dentro das empresas cujos principais e primeiros responsáveis são quem a cultiva, a gestão empresarial corrupta defendendo através de atos no dia a dia, precisamente o contrario.

“Através da formação e da educação iremos subir na vida”

FALSO

Um licenciatura universitária vale zero para quem a obteu, numa economia e numa sociedade que está organizada para defender monopolios privados e não para se desenvolver e criar empregos. Qualquer análise custo-beneficio mostra que “obter educação” tem valor próximo do zero na economia do futuro, onde os lugares são menos e os licenciados mais.

Com a recente crise, vendida como sendo estrutural e eterna, nem isso se obtém, dado que inúmeras pessoas nem rendimentos tem para estudar e obter um curso superior ou até abaixo disso e muitas das que o obtém, são convidadas a sair de Portugal.

A elite política, económica e social portuguesa desvia o dinheiro de formação de portugueses e transfere-o para as economias de outros países que assim obtém gratuitamente licenciados, não licenciados e ensino médio a custo zero.

Estamos em teoria dos jogos e é um jogo de soma zero.Tudo para uns, zero para a população.

“Existe ” administração aberta” e todos os todos os níveis de governo em todos os seus níveis administrativos respondem a quaisquer duvidas e pedidos de esclarecimento dos cidadãos ou questionamentos do porquê de os serviços estatais agirem como estão a agir”.

FALSO

Lidar com o Estado/Governo ou com os interesses das empresas privadas em relação ao cidadão é estar em constante luta. Uma crescente violência coberta – normalmente via fiscal – e ameaças de intromissão na vida privada dos cidadãos, são constantes. Constroem-se bloqueios para a resolução de problemas, ou através da recusa de informar e esclarecer ou fazendo o oposto, que é deixar o cidadão afogado em informação altamente complexa que sozinho não pode descodificar. Promove-se a perda de tempo mas para o cidadão. Se tal não chegar utiliza-se a promoção da violência ” legalizada” via sistema oficial de justiça visando impedir as  legitimas questões que o cidadão coloca ao seu Estado/Governo sejam efetivadas. Dizer a um cidadão ” vá a tribunal” é, no contexto atual, bloquear o cidadão. Os órgãos e os amigos que emanam das estruturas deste Estado  ou pelos privados que estão em conluio com esta forma de fazer as coisas são realidades objetivas.

“Em Portugal, não existe abuso de poder”. Somos uma democracia consolidada”

FALSO

O abuso de poder é a norma. Somos uma fachada corrupta consolidada.

Recusa-se resolver assuntos que o cidadão exige que sejam resolvidos em tempo útil e promove-se a hostilidade social contra os cidadãos através das tentativas de isolamento dos cidadãos uns em relação aos outros.

A imposição de autoridade é feita sem responsabilização nem verificação dos atos dos responsáveis políticos e administrativos e das suas estranhas e ilegítimas ligações a interesses privados, tudo isto misturado com o recurso a abusos de poder na relação com os cidadãos ou ao exercício de poder sem quaisquer limites. Duas táticas são usadas.

“Não há verba”.

“A sua insistência neste assunto demonstra que é conflituoso”.

Mas os sinais são claros.

As narrativas chave foram quebradas. A legitimidade foi perdida.
O regime está sem legitimidade. E está a ser usado como uma oligarquia privada.

Mas os pés são de barro.

As oligarquias caiem.

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One thought on “Os cleptocratas portugueses perderam a narrativa e perderam a legitimidade

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